God, Sky & Land: Genesis 1 as the ancient hebrews heard it – Brian Bull and Fritz Guy

junho 26, 2012

[…]Alguém com a firme convicção de que o fluxo de inspiração sempre flui diretamente de Deus ao profeta, sem nenhuma ondulação ou perturbações, e que Genesis é para ser entendido como algo vind de Deus para o profeta escrever, pode razoavelmente  concluir que a Terra tem apenas alguns milhares de anos de idade e que cada ser vivo e a terra mesmo vieram a existir durante seis dias consecutivos e contíguos de 24 horas. Seguir essa linha de raciocínio leva esta pessoa a ver a desconexão entre Genesis e a ciência como um desentendimento passageiro que, questão de tempo, va desaparecer – quando mais evidências científicas forem descobertas. Então a única coisa requerida é paciência. Afinal de contas, Deus falou aos profetas o que era para escrever, Deus é onisciente, e com certeza Deus não pode mentir, certo?

Se, por outro lado, o caminho da inspiração é entendido como sendo um pouco mais complicado – como na abordagem “Deus, a comunidade e os profetas” – então as descobertas da ciência podem ser levadas a sério na medida em que acontecem. Como consequência há uma séria e  e contínua tentativa de incorporar essas descobertas em uma compreensão sobre como são as coisas e como elas chegaram a ser assim. Há um reconhecimento de que quando Genesis foi escrito, tanto o profeta (o autor) quanto a comunidade à qual pertencia representarem uma realidade que consistia do céu, da terra, e era protegida do caos por uma abóbada sólida. Assim, a abóbada completava um ciclo a cada vinte e quatro horas e levava consigo “a luz maior”, a “luz menor” e as estrelas. Ou seja, há o reconhecimento de que “o céu e a terra” de Gênesis 1 difere enormemente do “universo” que conhecemos hoje.

Todos concordam que “Deus não pode mentir”. A questão aqui, entretanto, é um pouco diferente – ou seja – “Deus escreveu Gênesis?” Um número significtivo de cristãos poderia responder sim, Deus escreveu Gênesis;  de fato, Deus ditou Gênesis para os profetas, que por sua vez gravaram as palavras em placas, pele ou papiro. Há um único Autor, que em épocas diferentes e lugares diferentes, empregou vários secretários humanos.

Esta, obviamente, não é a única resposta possível à questão da autoria divina de Gênesis. Outros cristãos podem responder que a Bíblia, apesar de ser divinamente inspirada, tem conceitos, linguagens e lógicas que são essencialmente humanas. Como poderia ser de outra maneira? Certamente que a mente de Deus não pode ser expressa em linguagem humana. A inspiração divina iluminou e motivou o profeta, mas não eliminou a humanidade dele. E ser humano implica em ser condicionado pela própria inteligência, interesses, experiência e informação; e os interesses, experiência e informação são condicionados pelo contexto cultural da pessoa. Portanto, ao mesmo tempo que alguém diz que Deus foi o inspirador de Gênesis 1, pode também dizer que Deus não foi o escritor imediato.

Qualquer um que tenha realmente ouvido o que a Bíblia diz, e tenha refletido seriamente sobre sua “inspiração”, considera esta última perspectiva mais adequada à evidência bíblica. Os vários estilos literários e diferentes processos de pensamento tornam evidente que na Bíblia não temos apenas o resultado da inspiração divina, mas também a marca de uma grande diversidade de mentalidades humanas. Precisamos apenas olhar para (e realmente ouvir) a diversidade presente no conteúdo da Bíblia. Não só temos que Deus não é o autor direto da Bíblia, como os conceitos explanatórios que ela contém, também não são os conceitos explanatórios do próprio Deus.

Não é uma expressão de presunção reconhecer que a humanidade adquiriu uma imensa quantidade de informação adicional, novos conceitos e entendimentos gerais do mundo natural, desde que Gênesis 1 foi escrito. É totalmente razoável supor que boa parte dessa informação adicional e nova compreensão, representa algum tipo de progresso no entendimento de “como as coisas realmente são”. Enquanto pode fazer total sentido para o autor de Levítico listar os morcegos entre as aves impuras das quais não se deve comer (11:19), agora todos sabem que morcegos são mamíferos, e não aves. Da mesma forma, pareceu inteiramente apropriado ao escritor do evangelh0 de Mateus, representar Jesus descrevendo a semente de mostarda como “a menor de todas as sementes” (13:32), enquanto os botânicos de hoje sabem que as menores sementes são as das orquídeas.

Então, não é de surpreender que os conceitos que usamos para explicar a origem e operação do universo, diferem dos conceitos que a audiência que ouviu Gênesis 1 pela primeira vez, tinha. E porque nós tivemos mais tempo, oportunidade e meios de explorar essas coisas, e desenvolvemos formas de acumular vastas quantidades de informação, é evidente que nossos conceitos e entendimentos atuais  a respeito do mundo natural estão mais próximos da verdade. Entretanto, precisamos lembrar que nossa informação, conceitos e entendimentos também são limitados, e ainda há muito a aprender. Nossos conhecimentos atuais sobre o universo podem também ser vistos com estranhamento pelos nossos sucessores, assim como a cosmovisão apresentada em Gênesis 1, parece para nós.

O que temos em Gênesis 1 não é uma descrição da realidade física como entendemos que seja hoje, e sim, como essa realidade era entendida pelo autor do livro de Gênesis, e sua comunidade. […]

God, Sky & Land: Genesis 1 as the ancient hebrews heard it – Brian Bull and Fritz Guy – Amazon.com

Tão simples. Mas as pessoas preferem complicar e debater eternamente a respeito.


Uma teologia da evolução, e para a evolução

setembro 26, 2010

por Arthur Peacocke

Afirmo que, longe de a epopeia da evolução ser uma ameaça para a teologia cristã, é sim um estímulo para a teologia e também a base para uma compreensão mais abrangente e enriquecedora das inter-relações entre Deus, a humanidade e a natureza. Um argumento para a existência de Deus na “teologia-física” Anglo-Saxã (uma forma de teologia natural dos séculos XVIII e XIX), baseava-se em atribuir à uma ação direta de Deus o Designer, a existência dos intricados mecanismos biológicos.  Este argumento desabou, quando Darwin e seus sucessores, mostraram que esse design aparente pode evoluir por processos puramente naturais, baseados em processos cientificamente inteligíveis. O impacto inicial das ideias de Darwin na teologia é usualmente situado na lenda do debate entre o então bispo de Oxford com T. H. Huxley, no encontro da British Association for the Advancement of Science, num sábado, 30 de junho de 1860. Chamo de “lenda”, porque estudos históricos indicam que a história é uma construção posterior de Huxley e seus biógrafos, porque o impacto desse evento, atualmente muito citado, não foi tão grande na época. Não se encontra menção a ele em qualquer publicação entre 1860 e 1880. Depois disso, afirmações triunfalistas, a favor de Huxley e pela independência da profissão dos cientistas, começaram a aparecer em vários “Diários” e “Cartas”. Então, isso é realmente uma lenda, e hoje também um ícone do assim chamado conflito entre a religião e a ciência, biologia em particular, que todos nós herdamos. Mesmo no século XIX, muitos teólogos anglicanos, evangélicos e católicos, receberam positivamente a proposta da evolução. Entre os primeiros, podemos mencionar Charles Kingsley, o qual em seu “Water Babies”, afirmou que Deus faz “as coisas fazerem a si mesmas”; dos últimos, podemos citar Aubrey Moore, que em “Lux Mundi” (uma publicação de um grupo de anglicanos de Oxford), em 1889, escreveu: “O Darwinismo apareceu, e, sob o disfarce de um adversário, fez o trabalho de um amigo. Conferiu à filosofia e à religião, um benefício inestimável, por mostrar-nos que podemos escolher entre duas alternativas. Ou Deus é onipresente na natureza, ou está ausente dela”.    (23)

Deus e o Mundo

Imanência. Essa ênfase na imanência de Deus como criador, nos, com e dentro dos processos naturais do mundo desvendado pela ciência está certamente de acordo com tudo que as ciências têm revelado desde aqueles debates do século XIX. Um aspecto notável da explicação científica do mundo natura em geral, é o caráter contínuo da rede que foi construída ao longo do tempo: os processos aparecem em continuidade desde o início cósmico, no Big Bang, até o momento presente, e em nenhum ponto os cientistas modernos precisam invocar qualquer tipo de causa não natural para explicar suas observações e inferências sobre o passado. Os processos que ocorreram pode, como vimos, ser caracterizados como um surgimento, de novas formas de matéria, e uma organização hierárquica dessas formas por si mesmas, aparece no decorrer do tempo. Novos tipos de realidade que pode-se dizer terem emergido com o tempo.

A perspectiva científica do mundo, especialmente do mundo vivo, inexoravelmente nos imprime uma imagem dinâmica do mundo de entidades e estruturas envolvidas em mudanças contínuas e incessantes, e em processos que não cessam. Isso nos impele a re-introduzir em nosso entendimento da relação criativa de Deus com o mundo, um elemento dinâmico que está sempre implícita na concepção hebraica de um Deus vivo, dinâmico e em ação – mesmo que obscurecido pela tendência de pensar na criação como um evento passado.  Deus voltou a ser concebido como criando continuamente, dando existência continuamente ao que é novo; esse Deus é sempre o Criador; porque o mundo é uma creatio continua. A noção tradicional de Deus sustentando o mundo em sua ordem geral e sua estrutura, agora foi enriquecida por uma dimensão criativa e dinâmica – o modelo de Deus sustentando o mundo e dando existência contínua aos processos que possuem criatividade inata, atribuída por Deus. Deus está criando em todos os momentos da existência do mundo,  dentro e por meio da criatividade com a qual estão dotadas todas as coisas no mundo.

Tudo isso reforça a necessidade de re-afirmar com mais força do que em qualquer outra época nas tradições cristãs (e judaicas e islâmicas), que num sentido muito forte Deus é o criador imanente, criando dentro e por meio dos processos da ordem natural. Os processos por si mesmos, como descritos pelas ciências biológicas, são Deus atuando como criador, Deus qua Creator. Os processos não são o próprio Deus, mas a ação de um Deus no papel de criador. Deus dá existência no tempo divinamente criado, aos processos que por si mesmos se movem para o novo: assim Deus está criando. Isso significa que não temos que olhar para qualquer suposta lacuna nos processos, ou nos mecanismos, sobre os quais supostamente Deus estaria atuando como criador no mundo vivo .

Panenteísmo. (24) O teísmo filosófico clássico manteve a distinção ontológica entre Deus e o mundo criativo, que é necessário para qualquer teísmo genuíno, por conceber os mesmos como sendo de substâncias diferentes, cada um com atributos particulares. Havia um espaço fora de Deus, no qual as substâncias criadas vieram a existir. Esta forma de falar se torna inadequada por tornar extremamente difícil explicar a forma pela qual Deus está presente no mundo em termos de substâncias, as quais por definição, não podem estar internamente presentes umas nas outras. Deus só pode intervir no mundo num modelo desse tipo. Esta inadequação do teísmo clássico é agravada pela perspectiva evolucionária, a qual, como temos visto, requer que os processos naturais no mundo precisem ser considerados como ação criativa de Deus.  Em outras palavras, o mundo está para Deus, assim como nossos corpos são para nós como agentes pessoais, com a ressalva de que a ontologia final de Deus como criador é distinta daquela do mundo (panenteísmo, e não panteísmo).  Além disso, esse modelo pessoal de subjetividade encarnada (com essa ressalva essencial), representa melhor do que estamos impelidos a pensar, a ação constante de Deus no mundo, como vindo do interior, tanto em suas regularidades naturais quanto em quaisquer padrões especiais ou eventos. Estes três fatores – a forte ênfase na imanência de Deus no mundo, a preocupação de que Deus seja no mínimo, pessoal (como na tradição bíblica),e a necessidade de evitar o uso da substância nesse contexto – levam a uma relação panenteísta entre Deus e o mundo.  Panenteísmo, é, de acordo com isso, “A crença de que o ser de Deus inclui e penetra o universo inteiro, então cada parte do universo existe nEle, mas (ao contrário do panteísmo), o ser de Deus é mais do que o universo, e não é limitado pelo universo”. (25)

Esse conceito tem fortes fundações filosóficas e é bíblico, como foi cuidadosamente argumentado por P. Clayton (26) – lembrando a  estada de Paulo em Atenas, quando ele disse, a respeito de Deus, que “nEle nós vivemos, nos movemos e somos.” (27)  Isso de fato está profundamente enraizado na tradição cristã oriental.

A Sabedoria (Sophia) e a Palavra (Logos) de Deus. Estudiosos bíblicos têm, em décadas recentes, têm  enfatizado a significância dos temas centrais da assim chamada literatura de Sabedoria (Jó, Provérbios, Eclesiastes, Eclesiástico, e Sabedoria). Nesse conjunto de escrituras, a figura feminina da Sabedoria (Sophia), de acordo com J. G. Dunn, é uma forma conveniente de falar sobre Deus agindo na criação, revelação, e salvação; a Sabedoria nada mais é do que a personificação da atividade de Deus. (28) Essa Sabedoria dota alguns seres humanos com uma sabedoria pessoal que é enraizada em suas experiências concretas e em suas observações sistemáticas e ordinárias do mundo natural – o que podemos chamar de ciência.  Mas não está confinada a isso, e representa a destilação das maiores experiências humanas, éticas e sociais, e também as experiências cosmológicas, já que o conhecimento sobre os céus também figurou entre os conhecimentos dos sábios. A ordem natural é avaliada como um presente e fonte de maravilhamento, algo a ser celebrado. Todos os tipos de sabedoria, gravadas como um padrão no mundo natural e na mente dos sábios, são apenas uma imagem pálida da sabedoria divina – esta atividade distinta de Deus em relação ao mundo.

No Novo Testamento, Jesus veio a ser considerado como “aquele que encarnou o poder criativo de Deus e a sua sabedoria salvadora (particularmente em sua morte e ressurreição), que podemos identificar como ‘o poder de Deus e a Sabedoria de Deus.’ [1 Cor. 1:24].”(29)

Esta sabedoria é um atributo de Deus, personificada como feminina, e tem um significado especial para teólogos feministas (30), um dos quais argumentou, com base numa ampla seleção de fontes bíblicas, que o feminino em Deus se refere a todas as pessoas do Deus cristão triuno.  Então, a Sabedoria (Sophia), se torna a “face feminina de Deus, expressa em todas as pessoas da Trindade. “(31) No contexto presente, é pertinente que esse conceito importante de Sabedoria (Sophia), une intimamente a ação divina de criação, a experiência humana e os processos do mundo natural. Por conseguinte, constitui um recurso bíblico para imaginar o panenteísmo que temos defendido.

Assim também é com o conceito diretamente relacionado de Palavra (Logos) de Deus, o qual é definido como (32) existindo eternamente como um modo do ser de Deus, como ativo na criação, e como expressão própria do ser de Deus, e impresso nas costuras e tramas da ordem criada. Isso parece ser uma fusão do amplo conceito hebraico de “Palavra de Deus”, como a vontade de Deus na atividade criativa, em conjunto com o Logos divino do pensamento estóico.  Este último é o princípio da racionalidade manifesto tanto no cosmos como na razão humana (chamada de logos pelos estóicos). De novo, temos uma noção panenteísta que une, intimamente, três faces de uma atividade integrada e encadeada: o divino, o humano e o (não humano) natural. É, desnecessário dizer, significativo que para os cristãos, este logos “se fez carne” (33), na pessoa de Jesus Cristo.

Um universo sacramental. A epopeia da evolução, como tenho me referido a ela, relata em sua extensão e na sua continuidade, como, ao longo das eras, as potencialidades mentais e espirituais da matéria têm se atualizado, sobretudo no desenvolvimento do complexo “cérebro humano num corpo humano”. O campo flutuante quântico original, ou a sopa de quarks, ou seja o que for, produziu em doze ou mais bilhões de anos, um Mozart, um Shakespeare, um Buda, um Jesus de Nazaré – e você e eu!

Cada avanço nas ciências biológicas, cognitivas e psicológicas, mostra os seres humanos como unidades psicossomáticas – pessoas. A matéria manifestou qualidades pessoais, numa combinação única de capacidades físicas, mentais e espirituais. (Uso “espiritual” como indicando relativos a Deus de uma forma pessoal). Para o panenteísta, que vê Deus trabalhando dentro, com e por meio dos processos naturais, este único resultado dos processos evolucionários, corrobora o fato de que Deus usa cada processo como instrumento de Seus desígnios, e como um símbolo da natureza divina, que é um meio de chegar aos Seus desígnios.[…]

[…]A Humanidade e Jesus Cristo numa Perspectiva Evolucionária

Vimos que a humanidade é incompleta, inacabada, está  muito abaixo dos valores elevados da verdade, beleza e bondade que Deus, sua fonte final, teria que fazê-la atingir, para levá-la a uma relação harmoniosa com Ele. Ainda não estamos adaptados totalmente ao “ambiente” final e eterno de Deus.

Não foi muito tempo depois de Darwin ter publicado A origem das espécies, que alguns teólogos começaram a discernir o significado da afirmação cristã central e distintiva da Encarnação de Deus na pessoa de Jesus Cristo, como especialmente congruente com uma perspectiva evolucionária. Assim, mais uma vez em Lux Mundi, em 1891, encontramos J. R. Illingworth claramente afirmando: “… em linguagem científica, a Encarnação pode-se dizer ter introduzido uma nova espécie no mundo – o homem divino, transcendendo a humanidade passada, a humanidade transcendendo o resto da criação animal, e comunicando sua energia vital por processos espirituais, para as gerações seguintes…”(36).  A ressurreição de Jesus convenceu os discípulos, inclusive Paulo, que essa união com Deus é o tipo de vida que não pode ser quebrada pela morte, e é capaz de estar em Deus. Jesus manifestou o tipo de vida humana a qual, como se acredita, pode se tornar vida abundante com Deus, não só aqui e agora, mas eternamente, além da barreira da morte. Por isso o seu imperativo “Sigam-me” constitui um chamado para a transformação da humanidade num novo tipo de ser humano transformado.  O que aconteceu com Jesus, pode acontecer com todos.

Nessa perspectiva, Jesus Cristo, tem nos mostrado o que seria possível para a humanidade. A atualização dessa potencialidade pode ser considerada como a consumação dos desígnios de Deus, já manifesta de forma incompleta na humanidade em evolução.[…] Jesus Cristo é portanto considerado, dentro do contexto desse complexo de eventos do qual participou, como o paradigma revelado do que Deus planejou para a humanidade. Nessa perspectiva, ele representa a consumação desse processo evolutivo e criativo que Deus tem impulsionado dentro e por meio do mundo.[…]

[…]Na Terra, a epopeia da evolução é consumada pela Encarnação, numa pessoa humana, da auto-expressão cósmica de Deus, da Palavra de Deus – e na esperança que isso dá a todas as pessoas, de se unirem com a Fonte de todo Ser e Vir a ser, que é “o Amor que move os céus e as estrelas.”  Gostaria de lembrar que, no segundo século, Irineu disse, nos convidando a contemplar: “A Palavra de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, que, com seu imenso amor, quer fazer de nós aquilo que Ele mesmo é.” (Adv. Haer., V praef.)

A Theology of and for evolution – Arthur Peacocke

Não posso dizer que concordo exatamente com tudo o que o autor afirmou, mas coloco o texto aqui, para que gere reflexão. Segundo o autor, o ideal de Deus para o ser humano é o que foi encarnado em Jesus. Porém, cada ser humano, mesmo tendo potencial de transcender a si próprio, e se tornar mais parecido com Jesus, tem a liberdade de decidir se deseja participar desse caminho evolutivo ou não. Envolve coisas como negar a si mesmo, carregar a cruz, amar os inimigos, dar a outra face e etc, coisas que exigem que a pessoa esteja, todo o tempo, tomando decisões conscientes, no sentido de agir conforme esse modelo, e sujeito a falhar nesse processo, muitas vezes. O ser humano por si mesmo, não tende a seguir esse modelo naturalmente. E Deus não coage ninguém. Deus não impõe sua presença nos mecanismos do universo e da vida, não deixa claras as formas pelas quais atua no universo, para que cada ser humano possa escolher se deseja ver o mundo de uma perspectiva que inclui Deus, ou não, e viver de acordo com a perspectiva escolhida.

E os discípulos de Jesus, aqueles que, conscientemente, escolhem tentar viver esse modelo “alternativo” de ser humano proposto por Deus, são facilmente reconhecíveis. Se Deus não deixa óbvia a sua presença nos mecanismos que regem o universo e a vida no nosso planeta, na vida dos discípulos, a presença dEle se torna inegável. Os discípulos são Suas cartas vivas.


Uma janela para o Divino

maio 9, 2010

por Ilia Delio

[…]De forma semelhante, o teólogo John Haught enfrenta a questão de Deus e evolução, e alguém pode encontrar no livro de Haught, uma resposta à pergunta de Teilhard. Diferente de Teilhard, que assumia uma nova síntese de Deus no mundo, Haugth assume um diálogo “entre Charles Darwin e a teologia cristã, na questão sobre o que a evolução significa para o nosso entendimento de Deus e aquilo que consideramos criação de Deus.”

Seu último livro continua uma série de livros baseados na “ideia perigosa” de Darwin. Haught afirma que “Darwin jogou uma bomba religiosamente explosiva na cultura Victoriana de seus contemporâneos, e os cristãos, desde então, incluindo alguns, mas não todos os teólogos, têm lutado para desarmá-la ou tirar dela a sua periculosidade”. Não podemos mais nos livrar da evolução, assim como não podemos nos livrar do Universo. A principal obra de Darwin, On the Origin of the Species by Means of Natural Selection, “causou uma revolução intelectual e cultural, mais sensacional que qualquer outra desde Galileu.” O problema, entretanto, é que muitas pessoas religiosas se recusam a aceitar esse novo entendimento sobre a vida no universo, e muitos cientistas vêem a evolução como uma explicação auto-suficiente sobre a vida. Assim, os fundamentalistas religiosos permanecem entrincheirados em uma leitura literal da Bíblia e uma cosmologia ultrapassada, e os materialistas científicos julgam a religião como pueril.

Em 11 capítulos, marcados por aliterações da letra D (Darwin, Design, Diversity, Descent, Drama, Direction, Depth, Death, Duty, Devotion, Deity), Haught assume o desafio do cienticismo, a desmistificação da religião e uma nova interpretação teológica à luz da evolução. Seu curto volume é porém denso. Por um lado ele confronta a criptoteologia dos cientistas materialistas, e por outro lado, elabora um novo entendimento a respeito de Deus em um mundo que evolui. Desafia a crítica “um ou outro” de ateístas populares como Richard Dawkins e Daniel Dennett, mostrando a superficialidade das leituras que fazem da Escritura e o entendimento primitivo que eles apresentam a respeito de Deus.

Haught indica que má teologia, assim como a má ciência, simplesmente nos leva a maus resultados. O reducionismo religioso, assim como o reducionismo científico, falham, de acordo com Haught, na visão do todo. Pela redução de Deus a um designer literal colorido com um toque de dualismo (Deus bom/Deus mau), os ateístas científicos proclamam argumentos dogmáticos sobre a incompatibilidade entre religião e ciência. Ele sugere que há um sentimento religioso, mesmo no maior dos ateus, que não podem admitir Deus porque se recusam a se mover do seu entendimento primitivo a respeito de Deus.

Assim como Haught conduz a discussão a partir da rigidez equivocada do materialismo científico para a teologia, articula um novo entendimento de Deus, trazido pela evolução. Em seu ponto de vista, a ideia da evolução de Darwin, libertou o Deus de promessas e esperança, o Deus do futuro, que é o Deus de Jesus Cristo. A evolução não descarta Deus, mas abre novas perspectivas ao mistério divino. “O Deus da evolução doa a si mesmo com humildade, e evita a manipulação imediata das coisas.”  Deus está à vontade nessa criação inacabada, permitindo às coisas criadas ter um papel, avançando para o futuro. Haught enfatiza que o drama é inerente nessa criação em evolução; é uma história inacabada de beleza, bondade e amor. Somente dentro do contexto do drama e da história, ele indica, podemos ver sentido nas tragédias e no sofrimento. “Se Deus não tivesse deixado o universo aberto à novidade e ao drama desde o início, não teria havido nenhum sofrimento, mas também não haveria aumentado em beleza ou valor.” A realidade da tragédia e sacrifício na natureza é uma parte essencial no movimento evolucionário de avanço no drama da vida no sentido de maior unidade e beleza.

No último capítulo, Haught discute sobre o Deus da evolução à luz de Teilhard de Chardin, e com razão. Nenhum outro pensador moderno fez mais para unir evolução e o Deus cristão do que Teilhard. Nos seus dias, a teologia de Teilhard não foi bem compreendida e foi pouco aceita nos meios teológicos acadêmicos. Permanece um pensador marginal da mesma forma que a evolução permanece como  uma teoria marginal para a teologia cristã. E esse é o clamor persistente de Haught: que a teologia acorde para a evolução. “O que é teologicamente necessário”, escreve, “é uma releitura profunda dos ensinamentos cristãos sobre Deus, Cristo, criação, encarnação, redenção e escatologia, de acordo com a longa evolução da vida e de acordo com a cosmologia contemporânea de um universo em expansão.”   Isso não é, de acordo com Haught, uma constatação; isso é uma revelação. Ele nos convida a encontrar de novo o Deus de amor incompreensível, o Deus do futuro que nos atrai para novos níveis de vida, novas possibilidades, e novas formas de ver o mundo. John Haught não é simplesmente um dos melhores teólogos da atualidade; ele, como Teilhard, é um profeta.

Qualquer pensador sério encontrará nesse livro um grande banquete de pensamentos, de profundidade de visão e de um Deus   ao qual pertence a evolução.

A window to the Divine – America Magazine – Ilia Delio


Atualização da guerra criação x evolução

abril 16, 2010

por Chaplain Mike

Estive muito ocupado com coisas mais importantes, como trabalho, família, e compartilhando o sofrimento de amigos, para voltar a tratar desse assunto; mas, pessoal, temos que conversar.

Poucas semanas atrás, postei um vídeo (que não está mais disponível), produzido pelo BioLogos, com o Dr Bruce Waltke, um dos maiores especialistas em Antigo Testamento do mundo. Nesse vídeo, Waltke encorajou a igreja a permanecer engajada na discussão quando se tratar de ciência e particularmente quando o assunto for evolução.

Abaixo, está o comentário no blog do BioLogos, sobre o vídeo do Dr Waltke:

Neste vídeo, Bruce Waltke discute sobre o perigo que a igreja correr quando não está engajada no mundo ao seu redor, principalmente com relação à evolução, a qual muitos evangélicos ainda rejeitam.

Waltke alerta, “se os dados são esmagadores em favor da evolução, negar essa realidade fará de nós uma seita… um grupo qualquer que se recusa a interagir com o mundo. E com razão, porque não estamos usando nossos dons nem confiando na Providência Divina, que nos trouxe até esse ponto em nossa consciência.”

Estamos num momento único da história, onde  “tudo está se juntando”, diz Waltke, e o diálogo – como esse iniciado pelo BioLogos – são desdobramentos positivos.  “Vejo isso como parte do crescimento da igreja”, ele diz. “Estamos muito mais maduros para esse diálogo do que estávamos antes. É assim que chegaremos à unidade da fé – lutando com essas questões.”

Waltke sublinha que negar a realidade científica seria negar a verdade de Deus no mundo. Para nós, como cristãos, isso poderia servir para nossa morte espiritual, porque não estaríamos amando a Deus com toda a nossa mente.  Pode ser nossa morte espiritual em testemunhar ao mundo, porque não teríamos crédito algum.

Enquanto os cristãos podem ainda discordar entre si sobre algumas questões, Waltke enfatiza que estejamos interagindo de forma séria – e confiar em Deus como verdade. Testar essas coisas, mas se apegando ao que é bom, traria maior entendimento e unidade entre os cristãos.

Se não fizermos isso, adverte Waltke, vamos morrer. Se nos recusamos a nos engajar nesse grande diálogo cultural/científico, poderemos ficar à margem, o que seria uma grande tragédia para a igreja.

Aplaudo o Dr Waltke por suas sensíveis e corajosas palavras. A igreja não pode enterrar sua cabeça na areia. Não podemos simplesmente tampar os ouvidos e ficar choramingando, “Mentira! Mentira!” sempre que o conceito de evolução é discutido.

Se determinados grupos de cristãos duvidam que as evidências levam às mais universalmente aceitas conclusões da comunidade científica, sugiro que encorajemos os cristãos a seguir carreiras científicas, para ganhar credibilidade, praticando pesquisas honestas e responsáveis, fazer o trabalho duro de elaborar modelos alternativos, e defendê-los publicamente.

Infelizmente, não é isso que “criacionistas” fazem.

  • Criacionistas não usam o método científico para debater ciência, mas se limitam a julgamentos a priori. Começam pelas suas conclusões inteiramente formadas – baseadas na sua interpretação particular de Gênesis 1-11 – e então trabalham no sentido inverso, rejeitando qualquer evidência que contrarie suas conclusões.
  • Criacionistas olham as descobertas científicas que contradigam algum pequeno aspecto do modelo evolucionário, de forma superficial, e então declaram que todo o modelo deve ser falso.
  • Criacionistas usam o argumento do espantalho, dizendo que porque alguns ateístas radicais são evolucionistas, aceitar a teoria da evolução é a mesma coisa que aceitar as explicações naturalistas do universo e da vida.
  • Criacionistas usam táticas infames, culpando o modelo da evolução biológica como a raiz de todos os males em nossa cultura “secular”, desde o aborto, passando pela pornografia até a rebelião dos jovens e a destruição da família, e também passando pela união homossexual à eutanásia, chegando até as políticas de saúde pública do Presidente Obama.
  • Criacionistas são marketeiros. Eles não constroem museus para mostrar suas descobertas científicas ao mundo, atualizando suas coleções quando novas evidências são encontradas. Constroem centros de apologética do criacionismo. E não ciência. Apenas suas próprias e limitadas interpretações da Bíblia e viagens imaginárias sobre como teria sido o “no princípio.”
  • Criacionistas ignoram a complexa história da interpretação, quando se trata de crítica aos textos bíblicos como os primeiros capítulos do Gênesis. Para eles, existia apenas uma interpretação aceitável da narrativa da criação ao longo dos séculos, até que os geologistas começaram a sugerir que a Terra é muito mais antiga do que se pensava, levando à “teologia liberal” e a todos os males sociais resultantes.
  • Criacionistas ignoram a história dos seus próprios pontos de vista. Falham em entender, por exemplo, que a teoria de um dilúvio global que mudou a estrutura física da Terra, tem sua origem em “visões” da adventista Ellen G. White.
  • Criacionistas politizaram o assunto de uma forma que é praticamente impossível em muitos lugares, ter uma conversa civilizada e profunda sobre isso. Fizeram disso um jogo zerado. Não há espaço para debate. Se você não concorda conosco, você está contra nós.

O criacionismo se transformou na plataforma principal da guerra cultural dos cristãos conservadores. Como resultado, o assunto passou a ser mais do que um debate entre estudiosos da Bíblia que discordam em suas interpretações de Gênesis. Tornou-se uma “prova de fogo” para muitos, identificando quem é e quem não é um cristão verdadeiro.

Então, infelizmente, apesar do fato de que o ponto de vista de Bruce Waltke sobre o assunto tenha sido publicado em seus escritos por anos, o vídeo divulgado pelo BioLogos, foi provocativo demais na cultura do medo, que marca o ambiente do cristianismo na América.

Primeiro o Dr Waltke pediu que o vídeo fosse retirado da Internet.

Em seguida, emitiu um comunicado de esclarecimento dizendo que remover o vídeo foi decisão própria, tomada pelo desejo de não ferir a igreja causando desentendimento. Entretanto, está bem documentado que houve pressão para que ele fizesse isso, por parte dos líderes do seminário onde ele ensinava, Reformed Theological Seminary.

Pouco tempo depois, o Dr Waltke deixou o Reformed Theological Seminary.

Para seu crédito, no meio de tudo, Waltke assumiu toda a responsabilidade por suas palavras, e não culpou o seminário, desejando-lhes somente o bem.  Aqui está a carta que demonstra o espírito gracioso do Dr Waltke. Depois, ele se transferiu para o Knox Theological Seminary.

Em um artigo intitulado “The Video that Ended a Career,” no Inside Higher Ed, Scott Jaschik comenta:

Waltke é um nome tão influente na teologia evangélica que o incidente causou constrangimento considerável. Por um lado, sua defesa pública do ponto de vista de que aceitar a evolução e ser um homem de fé não são posições incompatíveis foi significante para aqueles que, como o BioLogos Foundation, defendem esse ponto de vista. As credenciais acadêmicas de Waltke na Teologia Cristã são muito fortes para ser dispensadas facilmente.

Mas o fato de que esse seminário dispensou-o é visto como um sinal de como é difícil para os estudiosos de algumas instituições, levantar assuntos que envolvam ciência e que não sejam 100 por cento consistentes om uma interpretação literal da Bíblia.

Obviamente, uma voz proeminente do criacionismo, Ken Ham do Answers in Genesis e do Creation Museum, fez seu comentário a respeito da situação. Na sua opinião, Waltke, o BioLogos e também o RTS (porque permitem certa liberalidade em sua interpretação de Gênesis) estão “comprometidos” com a religião pagã da nossa era, que mina a autoridade da Palavra de Deus.

Décadas à frente, quando a igreja evangélica na América acabar como aconteceu na Europa (especialmente na Inglaterra onde a cultura está agora quase morta espiritualmente), ela vai acordar para o que aconteceu. Porque os líderes da igreja desta era comprometeram a Palavra de Deus com a religião pagã (evolução e milhões de anos), minaram a autoridade da Palavra de Deus. Esperamos que a igreja olhe para trás, aos líderes da igreja comprometida (que devem responder por contribuir para que tantos jovens deixem a igreja e porque a estrutura da igreja está tão enfraquecida), e perceba que precisa ser intransigente com a interpretação da Palavra de Deus em Gênesis…

A evolução e a Terra de milhões de anos são realmente a religião pagã tentando explicar a vida sem Deus… Precisamos orar para que esses líderes se arrependam e retornem para a Palavra de Deus…

É claro, isso é um evidente absurdo.

O Reformed Theologica Seminary é parte de uma tradição reformada, que estuda teólogos dos primórdios, como Agostinho, que não acreditava num entendimento literal de Gênesis, mais de 1500 anos atrás.  Quando o assunto “evolução” começou a ser incluído pela igreja nos idos de 1800, importantes teólogos reformados evangélicos como Strong, Shedd e Warfield, não viram nenhum problema numa posição evolucionista teísta. Quem é Ken Ham?

Além disso, seria realmente difícil encontrar um estudioso mais cuidadoso, profundo e devotado à Palavra de Deus do que Bruce Waltke. Que um marketeiro como Ken Ham, que não é nem especialista bíblico nem cientista, tenha o desplante de chamar o Dr Waltke ao arrependimento, em assuntos de interpretação bíblica, é risível. O mesmo com relação à sua condenação aos estudiosos e cientistas do BioLogos.

Então, é assim que vai ser, igreja?

Não estou dizendo “Vamos ficar juntos” ou “vamos todos concordar” com uma determinada posição. Estou dizendo, vamos amar a Deus com toda a nossa inteligência, pessoal! Vamos aprender a conversar entre nós mesmos.  Vamos aprender a escolher batalhas que valham a pena, e lutar nessas batalhas com as armas dadas por Deus: humildade, amor, serviço. Vamos aprender a ser discípulos de Jesus no mundo real.

  • Primeiro, se você pensa que a ciência é um assunto importante para os cristãos e quer saber mais sobre esses assuntos, procure se instruir, faça um curso científico. Leia de forma ampla e profunda, seja humilde e paciente. Assuma a posição de aprendiz antes de começar a jorrar suas “convicções”. Aprenda a reconhecer investigações superficiais e tendenciosas, e se recuse a se deixar levar pela propaganda de qualquer dos lados. Mantenha suas posições com uma mente aberta até que esteja convencido, e mesmo assim, comprometa-se em ser um aprendiz o resto da sua vida. A descoberta científica está continuamente se reavaliando e mudando. Não deixa de crescer.
  • Segundo, com todos os recursos disponíveis atualmente, não há desculpa para ninguém ser ignorante sobre a Bíblia, sobre como estudá-la, a história sobre sua interpretação, e as várias formas pelas quais suas passagens podem ser entendidas. Não se deixe levar caso alguém diga que existe apenas uma forma de interpretar fielmente uma passagem como Gênesis 1. Pense e estude por si mesmo, e ouça as vozes daqueles que lutam com o assunto a mais tempo que você. Se é importante para você “tomar uma posição” sobre um assunto, é importante que se dedique a estudar seriamente tudo a respeito desse assunto. Isso significa ler e ouvir opiniões com as quais você pode não concordar. Implica em ser capaz de falar com outras pessoas, sem ficar na defensiva e lhes chamar por nomes feios e palavrões.

Estou farto dessa vertente de guerra cultural do Cristianismo. Vamos crescer.

Update on the Creation Wars – Chaplan Mike – Internet Monk


Criacionistas de Terra Jovem e fé

abril 9, 2010

por Carl Drews

Não tenho muito interesse em mudar a mentalidade dos auto-intitulados criacionistas em matéria de evolução e criação, apesar de que eles demonstram grande interesse em mudar a minha. Os criacionistas cristãos estão salvos. Espero ansiosamente por encontrá-los no Paraíso quando chegarmos lá. Espero também que eles tenham muitas surpresas quando Deus revelar a eles tudo sobre Sua criação do universo. Espero que eu mesmo tenha algumas surpresas! Mas essas são questões que devemos deixar para Deus, quando estivermos junto dEle e Ele nos abraçar com seus braços poderosos e cheios de amor.  Nós devemos apenas esperar. João 3:16 nos ensina a forma de obter a salvação e não diz nada a respeito de concepções sobre como ocorreu a criação.

Muitos criacionistas retratam suas posições como uma escolha entre a Palavra de Deus, e acreditar em teorias de homens falíveis que estão interpretando o que observam na natureza. Mas estão deixando de lado o fato de que são também homens falíveis que interpretam a Palavra de Deus na Bíblia. Há duas linhas de interpretação aqui (da Bíblia e do planeta), e não apenas uma.

a Bíblia -> interpretação teológica <–> interpretação científica <- a Terra.

A bíblia não pode estar errada, mas pode ser interpretada de forma errada. A criação não pode estar errada, como está dito no Salmo 19: “Os céus proclamam a glória de Deus; e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos.” Homens falíveis podem interpretar a criação de forma errada. Muitos criacionistas gostam de nos fazer esquecer que ambas as áreas de interpretação são passíveis de erro, não apenas a corrente que interpreta as coisas da Terra. Acredito que interpretações corretas da Bíblia e da Criação devem convergir para a verdade de Deus. Interpretações da Bíblia que nos levem a atribuir a maior parte da geologia ao dilúvio de Noé não são nem corretas nem razoáveis.

Isso não significa que o testemunho de 1 Coríntios 13 é equivalente ao testemunho de Maroon Bells, Aspen, Colorado. A Bíblia fala conosco em sua língua, nos ensina diretamente. A criação de Deus inspira temor em nós diante do trabalho do Criador que fez tudo e sustenta tudo até hoje. A Bíblia é a grande testemunha. E a criação não a contradiz.

Tenho investigado as colocações e teorias dos criacionistas de Terra Jovem. Uma coisa que me perturba a respeito dessas colocações é que a grande maioria delas inclui conclusões pobremente investigadas, ou citações erradas e fora do contexto de fontes evolucionistas, que distorcem as palavras do autor original. Os cristãos devem estar acima de qualquer suspeita quando manipulam corretamente a palavra da verdade. É falso testemunho confundir as posições de outras pessoas, ou atacar uma versão obsoleta ou manipulada de uma teoria. É falso testemunho parafrasear alguém distorcendo o sentido da fonte original. É falso testemunho ignorar observações que não cabem na hipótese original. Não importa qual seja a causa a ser defendida. Um ponto feito com informação falsa, não é um ponto verdadeiro, afinal. Em um julgamento, as testemunhas prestam juramento com as palavras, “Você promete dizer a verdade, toda a verdade, e nada mais do que a verdade?” Pesquisas, ciência, e testemunhos cristãos não demandam menos do que o procedimento legal. A Verdade da Bíblia não precisa de falsos testemunhos para ser defendida.

Se você não acredita em mim, verifique essas coisas por você mesmo. Você que vai escolher, dessa forma, se acredita em mim ou não! Vá até a biblioteca e procure pelas referências que um criacionista de Terra jovem costuma citar. Examine o contexto original, e julgue por si mesmo as importantes informações que são omitidas, e  se os criacionistas citaram a fonte correta, precisa e completamente. Julgue se o sentido original foi modificado. Faça algumas pesquisas na Internet. Você pode começar com as referências que incluí nesse ensaio. Na Internet você poderá aprender a discernir a verdade entre um grande número de opiniões divergentes. É uma responsabilidade importante. Dedique tempo para discernir bem. Lembre-se que o número de repetições e volume verbal  não fazem algo ser verdade. Comece agora!

NÃO É falso testemunho dizer “Eu não sei. Apenas Deus sabe.”

Tenho conhecimento de muitas pessoas que embasam sua fé cristã em parte em Jesus Cristo e em parte em cima do que dizem os Criacionistas de Terra Jovem. Suponha que eles saibam sobre os fósseis transicionais, e que a sequência de fósseis pareça muito convincente. Suponha que algum pesquisador descubra um mecanismo para a evolução por mutação, que seja mais rápido, e que seja cientificamente razoável. Suponha que a NASA encontre evidências de vidas já extintas em Marte. Sua fé será abalada? Será que o colapso de um dos pilares da crença poderá abalar o todo? Encontrei duas pessoas na Internet que abandonaram a fé cristã depois de investigar, e ver desabarem os argumentos dos Criacionistas de Terra jovem.

Por essas razões, eu me oponho com toda a força ao ensino do criacionismo nas escolas, principalmente nas Escolas Dominicais.

Young-Earth Creationists – Carl Drews

Não estamos colocando obstáculos na frente de outros irmãos cristãos (Romanos 14:13). Dói ouvir Cristãos passando adiante hoaxes e informações falsas. Dói ouvir Cristãos afirmarem especulações extra-bíblicas sobre a Criação e o Dilúvio, e tratar tais especulações como dogmas.

O objetivo do nosso testemunho é a salvação. Esta salvação vem pela fé em Jesus Cristo, e este crucificado por nossos pecados e voltando da morte. A salvação não vem pelo que dizem ou não os registros fósseis. Não vem pelas análises que alguém faz das combinações de aminoácidos, proteína, e DNA. Não aposto minha alma em defender se a evolução é válida ou não, nem quero que outros o façam.

Assisti um videotape do criacionista Gary Parker. Ele contou a história de um debate, onde seu oponente era um ateu que acreditava na evolução. O sr Parker foi cordial e respeitoso com ele, mas pensava que o ateu estava triste. O ateu disse que gostaria de acreditar em um Deus amoroso que cuidasse dele pessoalmente. Ele gostaria de acreditar que existe um propósito divino na vida, e que há mais do que apenas a luta pela sobrevivência e a morte. Mas ele não podia acreditar nessas coisas, porque o que ele observava na Terra (geologia, fósseis), falava o contrário a ele.

Tudo que Gary Parker podia oferecer a este homem era exatamente aquilo que ele rejeitava: jogar fora a ciência, para ter um Deus amoroso.

Mas eu poderia ter oferecido a ele algo muito melhor! Você pode ter esse Deus amoroso! E pode ter a ciência também! Você não precisa ir contra a sua consciência, e negar esses fatos que você sabe que são verdadeiros.  Você não precisa dar falso testemunho sobre a idade da Terra. Deus é muito maior do que isso! E você terá companhia abundante de outros cristãos, que acreditam nas mesmas coisas que você. Nas palavras de Billy Graham, “Tudo que é verdadeiro, tudo que é bom, e tudo que é edificante, você pode manter quando se torna um cristão. Você deve jogar fora tudo que for falso, ruim e doloroso; mas as boas coisas você pode manter.” O ateu precisa de Deus, e quer Deus nessa vida. Este homem pode ser salvo!

Se alguém gostaria de crer em Jesus, mas tem problemas com a ideia de uma criação em 6 dias de 24 horas cada um, vou descrever a essa pessoa as possibilidades que creio eu, sejam consistentes tanto com a Bíblia quanto com o que sabemos sobre o mundo natural. Vou enfatizar o que é mais importante: que a humanidade foi criada por um Deus amoroso e todo poderoso que todos os dias alimenta e sustenta os seres humanos, e deseja que todos se salvem (1 Timóteo 2:4).

Faith – Carl Drews


The case for God – Karen Armstrong

fevereiro 14, 2010

por Sholto Byrnes

[…] O Deus sobre o qual Armstrong está falando é aquele cuja existência não pode ser provada de nenhuma forma para a satisfação racional, nem pelos argumentos ontológicos de Anselmo ou Descartes, nem pela ciência, como Newton imaginava. De fato, até mesmo falar da sua “existência” já é, em si, problemático. O ponto do qual Karen Armstrong parte desde o início, é de que a linguagem, limitada à compreensão humana, não é capaz de se expressar completamente a respeito de Deus. Todas as declarações sobre Ele são, portanto, na melhor das hipóteses, analógicas – quando dizemos que “Ele é perfeitamente bom”, trata-se apenas da sombra de uma bondade que é impossível para nós compreender – e qualquer sugestão de literalismo, implica em cair num antropomorfismo brutal e idólatra.[…]

[…]Voltando aos gregos, Armstrong fala sobre como mythos, uma história que encapsula uma dimensão atemporal, eterna, foi deslocado pelo logos, racionalizado, pensamento científico. Porque vemos o passado através do prisma do presente, falhamos em reconhecer que a supremacia do logos sobre mythos é uma aberração, e que por milhares de anos, ambos conviveram felizes; Calvino era feliz em ver a escritura e a ciência acomodadas uma a outra. Em tempos mais recentes, entretanto, temos negado a força desse “poder acima do nosso entendimento”, como Euripides o expressou, nos rendendo ao “intelecto intrometido”, lamentado por Wordsworth, que “mata para dissecar”.

O que temos perdido no processo é a paz e a alegria do “desconhecido”, de contemplar o que não podemos conceituar de forma adequada.  Confrontados por um mistério – “alguma coisa na qual me encontro preso, e cuja essência não é inteiramente vista por mim” –  nós imediatamente tentamos reduzir isso a um problema, “alguma coisa que encontrei barrando minha passagem”. No entanto, muitos dos maiores cientistas e filósofos, os “deuses” dos novos fundamentalistas do racionalismo científico, de David Hume a Albert Einstein, nunca foram tão reducionistas assim. O conhecimento de que “o que é impenetrável para nós, realmente existe, e manifesta-se a nós como a máxima sabedoria ou a mais radiante beleza, que nossas fracas faculdades podem compreender em suas formas primitivas… está no centro de toda religiosidade verdadeira”, escreveu Einstein.  Nesse sentido apenas, ele disse, “Pertenço às fileiras dos homens religiosos devotados.”[…]

[…]Tudo o mais, inclusive as muitas coisas terríveis que são feitas em nome da religião ao longo dos séculos, é distorção, idolatria e falha de interpretação. Se você aceita isso, e Karen Armstrong constrói um bom argumento, histórico e teológico, de que é isso que acontece, então qual de nós gostaria de admitir isso: que temos vivido uma vida tão pobre, que não tem nenhuma noção sobre a maravilha e transcendência que ela deseja que conheçamos?[…]

The case for God: What religion means – Karen Armstron – review by Sholto Byrnes

Trecho do livro:

“Historicamente, o ateísmo raramente tem sido uma negação do sagrado per se, mas quase sempre, é a rejeição de uma concepção particular da divindade.  No início de sua história, tanto cristãos quanto muçulmanos eram chamados de “ateístas” pelos seus contemporâneos pagãos, não porque negavam a a realidade de Deus, mas porque suas concepções de divindade eram muito diferentes e vistas como blasfêmias. O ateísmo é obrigatoriamente dependente de forma parasita, da forma de teísmo que deseja eliminar e começa a se transformar em sua imagem reversa. O ateísmo ocidental clássico foi desenvolvido durante o século XIX e início do século XX, por Feuerbach, Marx, Nietzsche e Freud, cujas ideologias foram essencialmente uma resposta ditada pela percepção teológica de Deus que havia se desenvolvido na Europa e Estados Unidos na era moderna. O ateísmo mais recente, de Richard Dawkins, Christopher Hitchens e Sam Harrus, é bastante diferente, porque está baseado exclusivamente no Deus dos fundamentalistas, e todos os três insistem em dizer que o fundamentalismo constitui a essência e o coração de todas as religiões. Essa premissa enfraqueceu suas críticas, porque o fundamentalismo é de fato, uma forma desafiante e pouco ortodoxa de fé, que na verdade deturpa a tradição que está tentando defender. Mas os “novos ateus” encontram grande público, não só na Europa secularizada, mas também nos convencionalmente religiosos Estados Unidos.  A popularidade de seus livros, sugere que muitas pessoas estão perplexas ou até mesmo irritadas com o conceito de Deus que herdaram.

É uma pena que Dawkins, Hitchens e Harris se expressem de forma tão desequilibrada, porque muitas das suas críticas são válidas. Pessoas religiosas têm de fato cometido atrocidades e crimes, e a teologia fundamentalista que os novos ateístas atacam, é “inábil”, como os budistas costumam dizer. Mas eles recusam, a princípio, a dialogar com teológos que representam mais a tradição corrente. Como resultado, suas análises são decepcionantes e superficiais, porque são baseadas nesse tipo de péssima teologia. De fato, os novos ateus não são radicais o suficiente. Teólogos judeus, cristãos e muçulmanos, têm insistido por séculos em dizer que Deus não existe, e que não há nada fora daqui; ao fazer essas afirmações, o objetivo deles não é negar a realidade de Deus, mas preservar a transcendência de Deus. Em nossa sociedade falante e cheia de opiniões, entretanto, nós parecemos ter perdido de vista esta importante tradição que soluciona a maior parte dos problemas religiosos atuais.

Não tenho a intenção de atacar as crenças sinceras de ninguém. Muitos milhares de pessoas acham que o simbolismo que envolve Deus funciona bem com elas; com o apoio dos rituais e a disciplina de viver em uma comunidade vibrante, dá a elas noção do significado transcendente. Todas as formas de expressão da fé do mundo, insistem que a verdadeira espiritualidade precisa ser expressa de forma consistente na prática da compaixão, na habilidade de sentir-se unido ao outro. Se uma ideia convencional sobre Deus, inspira empatia e respeito por todas as demais, ela está cumprindo sua função. Mas o Deus moderno é apenas um em muitas teologias que foram desenvolvidas nos últimos três mil anos de história do monoteísmo. Porque “Deus” é infinito, ninguém pode dizer que tem a última palavra. Estou convencida de que muitas pessoas estão confusas a respeito da natureza das verdades religiosas, perplexidade que é exacerbada pelo caráter belicoso de muitas das discussões religiosas atuais. Meu objetivo neste livro, é simplesmente trazer algo estimulante para a mesa de debates.”

Karen Armstrong


Lendo a natureza e a bíblia

fevereiro 13, 2010

por Daniel M. Harrel

Recentemente ministrei um seminário sobre fé e ciência em um grande festival cristão de música em Illinois. Apesar de a recepção ter sido agradável (combinando com a hospitalidade do meio-oeste), houve aqueles para os quais qualquer apoio ao pensamento evolutivo, corresponde à heresia da mais alta ordem.  Um cavalheiro insistiu de forma pugilística durante toda a semana, dizendo que os geólogos e biólogos estavam errados e equivocados. E enquanto eu escutava seu discurso, me surpreendeu saber que o problema real não era se humanos e símios são primos próximos, ou que a vontade de Deus parece não existir quando se trata de mutações genéticas, ou que a vida orgânica requer uma enorme quantidade de morte e decadência para ocorrer. Não, a sua real preocupação era a autoridade da bíblia. Se o mundo não foi criado por Deus em seis dias (como diz a bíblia), e se as pessoas não foram feitas à imagem de Deus (como diz a bíblia), de acordo com propósitos divinos (como diz a bíblia), então por que ele deve crer que Jesus morreu por nossos pecados (como diz a bíblia)? Se a evolução está correta, então a bíblia está errada – sobre tudo.

Mas e se, invés da bíblia, for a nossa leitura da bíblia que estiver errada? E se as realidades da natureza significam que precisamos repensar a forma como entendemos a bíblia? Eu sei que apenas porque uma teoria particular faz sentido a respeito de como alguma coisa tenha acontecido, isso não necessariamente significa que realmente aconteceu daquela forma. Mas se a evolução proporciona uma descrição precisa da vida na terra, como podemos repensar o que a bíblia diz? Repensar o que pensamos sobre a bíblia não é reescrever a bíblia, não é capitular diante dos detratores do cristianismo. Em vez disso, repensar e retrabalhar nossa teologia à luz da precisão dos dados científicos em uma teologia mais confiável e resiliente. Ser um cristão sério é procurar a verdade, e encontrá-la como revelada por Deus, tanto na bíblia quanto na natureza. Se Deus é o criador dos céus e da terra, como nós cremos, então os céus e a terra, como a ciência os descreve, têm alguma coisa a dizer sobre Deus. A seleção natural não implica necessariamente numa seleção ateísta. Para ser testemunhas confiáveis da criação, não pode nos ajudar, mas nos fazer testemunhas mais confiáveis do criador.

Como empreendimentos humanos interpretativos, ciência (que interpreta a natureza) e teologia (que interpreta a bíblia), são inevitavelmente limitados e sujeitos a erro. Humildade é requerida de ambos. E então, quando a interpretação está correta, nos podemos esperar que ciência e teologia vão concordar que tanto a natureza quanto a bíblia são de Deus.  A ciência, de forma convincente, mostrar que a Terra tem 4,5 bilhões de anos, significa que “dia” em Gênesis significa mais do que um período de vinte e quatro horas. Que centenas de pessoas testemunharam a ressurreição de Jesus e bilhões tem tido suas vidas mudadas pelo Cristo ressuscitado, significa que a morte não é o fim da vida. Talvez o que pareça desordenado seja realmente a vontade de Deus. E se Deus pretendeu pelo processo livre da evolução operar de forma a resultar em pessoas com livre vontade que se pareçam com Deus?[…]

[…] Depois de cada um dos meus seminários, é comum a discussão continuar em pequenos círculos de pessoas. Em um desses círculos, um jovem descreveu de forma triste a perda da sua fé, como resultado das aulas de biologia.  Sua teologia não estava preparada para encarar o ataque das evidências científicas. Quando pressionado a escolher, ele optou pela ciência. Comprou meu livro, na esperança de encontrar a convergência entre ciência e fé, que tornasse possível a ele, crer novamente. Mas ele admitiu que tinha sérias dúvidas quanto à possibilidade disso acontecer.

Como ministro em uma igreja evangélica em Boston, eu estava acostumado com estudantes universitários vindo até mim, depois de serem martelados em suas aulas de biologia, para ter uma garantia de que Deus realmente existia. É fácil dar a eles essa garantia. O que é difícil, é fazê-los pensar de forma diferente a respeito de Deus. Na Bíblia inteira,  vemos pessoas indo contra um Deus que não atende suas expectativas. De Moisés no Monte Sinai aos discípulos de Jesus, de Paulo na estrada de Damasco e João em Patmos – Deus revelou a Si mesmo, consistentemente, de formas que mesmo pessoas cheias de fé, achariam difícil de acreditar.  Mas é assim que deve ser. Fé não é fantasia. Fundamenta-se na realidade das coisas, como elas são, e não da maneira que nós queremos que as coisas sejam.

Reading Nature and reading Scripture – Daniel M. Harrel