Crentes estilo “herbalife”

janeiro 31, 2009

Você pode me perguntar o que certos crentes têm em comum com vendedores de Herbalife. Você já teve contato com um desses vendedores? Se eram seus amigos, eles já não o verão mais como amigo, mas como cliente em potencial, a quem poderão empurrar centenas de produtos. Verão você também como  mais um vendedor em potencial, cuja adesão ao “sistema” renderá a eles uma comissão e elevação de status dentro do “sistema”. Eles não conseguem mais conversar normalmente com você, sem mencionar Herbalife e insistir que você compre seus produtos e vá em reuniões da Herbalife.

Há até uma sátira com relação à famosa frase: “Quer emagrecer? Pergunte-me como!”, que é um clássico dos adeptos dessa “seita” de vendedores. A frase modificada é: “Quer perder seus amigos? Pergunte-me como!”

Leia abaixo parte do depoimento de uma pessoa que foi envolvida no “sistema” Herbalife:

“Fiquei tão enfeitiçado com a Herbalife que passei a assediar as pessoas de meu círculo de relacionamento com esse assunto o tempo todo. Eu respirava Herbalife.
Eu tinha certeza de que o mundo todo estava errado e que meus parentes e amigos eram “cegos” por não enxergarem as maravilhas dos produtos e as vantagens da oportunidade de negócios da Herbalife. Afinal eu estava convencido de que estava lutando por um mundo melhor, que estava trabalhando para a melhor empresa do mundo, que tinha os melhores produtos e a melhor oportunidade de sucesso. Na prática, dinheiro que é bom, até ganhava, mas era menos do que eu tinha que gastar para manter a atividade.
Ou seja, estava tendo prejuízo e gostava.”

http://www.webmais.com/a-lavagem-cerebral-o-golpe-da-herbalife/comment-page-34/

Ainda não expliquei o que um crente poderia teria a ver com um vendedor de Herbalife, para justificar o “estilo herbalife” da postagem. Você não conhece nenhum que, apesar de saber que você já pertence a uma igreja e está feliz lá, tenta te levar pra igreja dele, porque “é melhor”? Tenta te arrastar para reuniões “tremendas” das quais você não quer participar, empurrar livros, CDs e DVDs que você não está interessado em comprar e dos quais você não precisa? E mesmo você já sendo cristão, ele insiste em tentar converter você ao “sistema” de religião ao qual ele mesmo está preso.

O que é o G-12?

“O G-12 é um movimento de perfil neopentecostal, que tem assumido práticas esotéricas e espíritas, tais como regressão psicológica e “liberação de perdão a Deus”. Além disso, os conceitos teológicos postulados pelo G-12, tais como suas crenças quanto à revelação, o Homem diante de Deus, Pecado, Igreja, Santidade e a Doutrina sobre o Espírito Santo, não condizem com o ensino bíblico ortodoxo.

O G-12 também emprega diversos métodos psicológicos de mind control (controle da mente) para moldar a personalidade dos “encontristas” e fazer com que eles se encaixem na “visão”. Veja mais sobre o controle mental abaixo.

Síndrome de “superioridade”, acusação e tendência a divisão são comuns nesses movimentos. Eles consideram que os crentes de igrejas convencionais estão mortos espiritualmente.

Problemas de manipulação excessiva dos membros, demasiada ênfase em dízimos e ofertas, metas de conversão impostas, encontros a serem realizados etc. provocam muitas desistências a longo prazo. Pessoas que eventualmente deixarem o movimento vão sair esgotadas, feridas e vão se sentir “usadas”. A maioria pode desistir do cristianismo no futuro.

Pastores que sentem-se complexados por liderarem igrejas sem projeção, podem ser presas fáceis para a metodologia do G-12. À primeira vista, a proposta de um crescimento explosivo parece um convite irresistível. Porém, a estrutura do G-12, bem como sua filosofia não passam de uma bem elaborada estratégia de marketing e gerenciamento de recursos humanos. Não há nada de sobrenatural nisso. É um esforço humano para o recrutamento de adeptos. Mas, isso não significa que estas pessoas estejam nascendo de novo.

Quando se pensa que o novo nascimento pode ser produzido através da manipulação mental ou emocional, não há limite para as invenções humanas. Por outro lado, quando se entende que o novo nascimento é obra do Espírito Santo, que Ele realiza de acordo com o propósito e graça do Deus Trino, não há por quê tentar manipular as pessoas para conseguir o que só Deus pode fazer. O D. M. LLoyd Jones já exortava a igreja a não confundir conversões psicológicas com conversões espirituais.

O que as pessoas precisam é ouvir o Evangelho puro e simples, compreender o estado miserável de pecado em que se encontram, saber que a ira de Deus repousa sobre elas, ouvir que a graça de Deus que é dispensada àqueles a quem Deus quer salvar e que a única maneira de se achegarem ao Deus santo é pelo arrependimento e pela fé no que Jesus Cristo realizou de uma vez por todas no Calvário.

Confundir metodologia mercadológica com evangelho é uma aberração, e é isso que está acontecendo nos ambientes onde o G-12 está ganhando espaço. Se um crente não participou do “Encontro”, não está liberto ainda. Se não pertence a uma das “células castellanas”, não pertence ao Corpo de Cristo, porque as células são o Corpo. Quanta tolice e pretensão!”

http://www.geocities.com/joshuaibg/textos/movimentos_religiosos.htm

Inclusive, as reuniões da Herbalife são bem parecidas com as do G-12. Colocam anúncios misteriosos nos jornais para atrair incautos e curiosos, onde não se cita o nome Herbalife, falando em altíssimos ganhos em pouco tempo, apelam ao emocional e à manipulação mental das pessoas presentes nas reuniões, fazem as pessoas se sentirem perdedoras, ou sentir que estão jogando uma excelente oportunidade por não fazerem parte do “sistema”. E depois que você entra, passa a ser um proselitista do “sistema”, dos mais chatos, que afasta as pessoas da sua presença. Até você mesmo acredita que não existem produtos melhores que os da Herbalife e não existe empresa melhor do que a Herbalife.

O corpo de Cristo não precisa desse tipo de estratégia agressiva de marketing. Quem dá o crescimento, é Deus.

Deus não precisa fazer lavagem cerebral em ninguém. Ele respeita a pessoa e dá a ela a liberdade de escolher, conscientemente e também racionalmente, seus caminhos.


Deus incomoda…

janeiro 30, 2009

Para uns, Deus é uma força cósmica, uma energia poderosa e inexplicável, que emana suas radiações dos confins do Universo.

Para outros, Deus criou o mundo, mas hoje está inoperante por não ter impedido que coisas ruins acontecessem, como o Holocausto, o 11 de setembro e a tsunami destruidora na Ásia.

Ainda para alguns, Deus é um ser castrador, que inventou mandamentos, regras e proibições para impedir que gozemos tudo o que há de bom na vida. Já em outro extremo, há os que vêm em Deus uma divindade tão amorosa que Ele não faz conta de nossos erros, tropeços e pecados… é enfim, um “deus bonzinho”, que lá no Antigo Testamento foi severo, mas agora se arrependeu.

Não é difícil perceber que, embora desconheçam da natureza e do caráter divino narrados nas Escrituras, as pessoas estão em busca de uma espiritualidade – qualquer uma – para fruir de suas bênçãos e benesses, mas nem sempre desejam Aquele que originaram elas. O povo tem fome de que? Certamente não é do “Deus de Abraão, Isaque e Jacó”, e nem tampouco de Jesus de Nazaré.

Em primeiro lugar, o povo busca sensações prazerosas. Por isso a avaliação que fazem de nossas reuniões de fé sempre se dá no campo estético: “gostei”, “bonita apresentação”, “bela mensagem”. Ou ainda no campo da sensação: “senti uma coisa gostosa ali”. Sem dúvida que a presença divina pode proporcionar tudo isso, mas um verdadeiro encontro com o Eterno não fica só na sensação: a vida inteira é tocada.

É duvidoso afirmar que a maioria das pessoas que procuram uma instituição religiosa ou o auxílio de um pastor, estejam de fato buscando um Deus que reine em suas vidas, que controle seu humor, dirija seus sonhos, e conceda-lhes uma virada existencial. Não! Desde que a igreja atenda alguns de seus problemas pontuais, está tudo bem, e isso por vezes independentemente de qualquer fé em Deus.

Quando vejo nas manhãs frias de domingo igrejas repletas de fiéis, braços levantados, entoando cânticos de vitória, custa-me crer que estejam de fato buscando ao Deus Trino, Santo e Soberano. Vamos comprovar? Eliminem-se as promessas de cura, de emprego, e de resolução de problemas…. e aquele local se esvaziará. Experimente-se num espaço de grande aglomeração de fé alterar o cardápio que será oferecido à multidão, e ao invés de um “encontro de milagres” promova-se ali um estudo profundo da Epístola de Tiago e uma palestra com o tema “Santidade ao Senhor”, e constataremos que todo interesse desaparecerá. Não, não é a Deus que buscam.

Na verdade, poucos querem Deus, pois Deus incomoda. Ele nunca nos dá nenhuma certeza, a não ser Suas promessas escritas num livro com mais de dois mil anos. Não há apólices, contratos ou qualquer outra segurança que seja visível ou palpável. Neste mundo moderno as pessoas não querem incertezas ou riscos.

Como Eugene Peterson observou, Deus incomoda porque esperamos que Ele resolva nossos problemas de caráter e de vícios de forma rápida e indolor. Mas Ele insiste num “programa de recuperação” lenta e gradual.

Deus incomoda porque Ele destrói nossas ilusões religiosas mais sublimes. Foi assim com o povo que seguia a Jesus porque “tinham visto os sinais que ele fazia” (Jo 6.2), mas quando o Mestre começou a mostrar a outra face do Reino essas pessoas abandonaram a fé e já não andavam com Ele. Até os próprios discípulos também foram confrontados: ”Quereis também vós retirar-vos?” (Jo 6.67). Em outras palavras: o homem que segue a Cristo por uma razão falsa ou errada está iludindo a si mesmo e enganando a Igreja, pois quem os observa presume que este iludido seja um cristão. E não é! (Lloyd-Jones).

As pessoas não se sentem confortáveis com Deus em suas vidas. Elas preferem algo menos temível, como por exemplo, serem simpatizantes da fé e freqüentadoras dos cultos. Por quê? Simples: Deus incomoda, perscruta, atinge, inquire, confronta nossos valores, provoca crise, altera nossa rotina, retira todas as nossas seguranças, substitui o reinado do ego para construir em nós o Seu reino, pede que eu me esvazie, e me “envia” ainda que eu não me ache preparado ou capaz…..
Definitivamente é perigoso envolver-se com Deus.

Pr. Daniel Rocha

http://bibliotecadateologia.blogspot.com/2008/10/deus-incomoda.html


Neuroses eclesiásticas

janeiro 30, 2009

As Más Notícias

Uma Análise Preliminar


A hora agora é de recebermos notícias más, e nunca é agradável falar de coisas ruins. Mas vamos acreditar no que o Senhor Jesus disse: “a verdade vos libertará” – mesmo se essa verdade não for tão bonita quanto gostaríamos que fosse. Como compensação, na hora das boas notícias, novamente será a verdade quem vai nos ajudar.

Antes, porém, de falar dos nossos problemas, quero aqui reconhecer e testemunhar que a Igreja faz muito bem para muita gente. Ao longo de 2.000 anos de Cristianismo, são muitas as pessoas que encontraram na igreja o caminho do evangelho de Jesus Cristo, endireitaram suas vidas, recuperaram-se socialmente, emocionalmente, e passaram a viver muito melhor o restante de suas vidas nesta terra, sem falar na vida eterna nos céus. Isso não pode e nem pretende ser negado aqui. O convite deste livro é para observarmos a verdade de que, além de ter feito bem a muita gente, essa mesma igreja também tem feito muitas pessoas sofrerem – inclusive nós mesmos, às vezes. No dizer do apóstolo Paulo, “se nós julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados” (I Co 11.31). Esta é a intenção deste livro: um auto-julgamento, na esperança de, com a ajuda de Deus nesse auto-exame, virmos a ser mais aperfeiçoados, cristãos melhores e mais saudáveis.

O MAL-ESTAR DA IGREJA

A má notícia é que não estamos tão bem assim. Embora muitos líderes de grandes congregações e ministérios pensem de modo diferente, as constatações de muitos gabinetes pastorais e de também de consultórios psicológicos se juntam às daqueles que sentem que a igreja não está bem. E não está bem porque os crentes não estão bem.

No meio de uma sociedade que vai adoecendo seus relacionamentos, a Igreja não tem se saído muito melhor. Buscamos aqui as “neuroses de igreja” – ou “neuroses eclesiogênicas” – adoecimentos, especialmente emocionais, que são típicos de quem participa da vida de uma igreja, e ali aprendeu a se relacionar com Deus. Neuroses são definidas como um adoecimento de origem psicológica, em que os sintomas (o comportamento que se vê) são a expressão simbólica de um conflito psíquico. Não tenho a pretensão de fazer uma análise completa e abrangente de todos os quadros e tipos – nossas igrejas diferem muito entre si e minha capacidade é bastante limitada. Mas há sinais de doença emocional mais evidentes e que trazem sofrimento a muitos – vamos tentar nos focar nestes.

Não se pode considerar uma igreja boa quando seus membros não se sentem bem. Muitas vezes os membros das igrejas parecem presos a uma estrutura circular, repetitiva, em que só podem receber a graça de Deus os que estão muito mal, muito necessitados ou infantilizados (como, por exemplo, os que fazem fila para receber a unção ao final dos cultos dos irmãos neopentecostais, ou os que pedem oração publicamente nos cultos dos irmão tradicionais). Enquanto isso, a igreja incentiva testemunhos de vitória, exemplos de seriedade e compromisso, grandes conquistas, coisa que crentes infantes se sentem incapazes de oferecer. As igrejas podem até estar cheias, mas o que aconteceria se, apenas como exemplo, desligássemos os microfones e os instrumentos musicais?

Os crentes provavelmente “acordariam” para sua realidade, se perceberiam mais distantes uns dos outros, sem muita coisa para assistir, mais abandonados e carentes do que realmente lhes faria bem – contato real, humano, amoroso e edificante – e provavelmente muitos se afastariam das reuniões. Mas essas constatações de um mal-estar na igreja precisam de mais fundamento.

Que sinais enxergamos do mal-estar entre os crentes?

Loucura?

Um sinal bastante intrigante é encontrado nos sanatórios, hospitais psiquiátricos para doentes mentais em estado grave. Embora atualmente muito combatidos (por boas razões, diga-se), os sanatórios também estão cheios, e com muitos irmãos evangélicos entre os pacientes. Isso poderia apontar duas coisas: ou a igreja estaria enlouquecendo as pessoas que a procuram, ou talvez a igreja seria procurada por pessoas que estão enlouquecendo e não consegue recuperar sua saúde mental. É claro que isso não é tão simples assim – em muitos casos a igreja alivia o sofrimento psicológico dos que a procuram. Para nosso propósito, por enquanto, tomemos os sanatórios cheios de evangélicos apenas como um sinal de que algum problema deve haver; mas ainda não é suficiente para concluirmos nada.

Frustração?

Um segundo sinal: o mundo está cheio de ex-crentes. Já nos anos 80, segundo o Jornal Batista, o número de ex-batistas no Brasil era praticamente igual ao número de batistas na ativa. Muito provavelmente isso também se aplica às demais denominações evangélicas tradicionais. Com o fenômeno das igrejas neopentecostais, uma nova safra de crentes evangélicos inundou o Brasil e, à medida que os anos passam e as promessas de prosperidade não se cumprem, uma nova safra de ex-crentes decepcionados deve estar voltando para as ruas, enquanto outros crentes começam uma “peregrinação” de igreja em igreja, intuindo que há alguma verdade salvadora nesse meio, mas não se sentindo seguros de a ter localizado. Essa massa de irmãos freqüenta as “igrejas da moda”, que são duramente criticadas pelas igrejas mais estabelecidas, que não admitem sua parte de culpa nessa decepção coletiva.

Esse já é um sinal mais direto. Não esperamos que a igreja satisfaça a todos que a procuram. Mas decepcionar a tantas pessoas, dentre a pequena parcela da população que se decide a entrar nela, é sem dúvida mais um indicador de que há problemas sérios que não estão sendo tratados, uns nas igrejas tradicionais, outros nas pentecostais.

Desconfiança?

Um terceiro sinal: o receio em relação à ciência, especialmente as ciências humanas, tais como a Psicologia e a Sociologia. O grande desenvolvimento da ciência moderna teve em seu princípio muita participação de cristãos. Eram pessoas que se dedicavam à maravilhosa descoberta das coisas, dos seres, do universo, em suma, a contemplar as fantásticas obras de Deus. Com o tempo, o espaço dado a Deus foi encolhendo, e hoje a ciência tem fama de ser quase uma inimiga de Deus.

As ciências humanas investigam nossas motivações mais profundas, os desejos diversos da alma humana, denunciando muitas incoerências que encontram, e a fé em Deus parece ser desafiada em todas as universidades (pelo menos é o que sentem muitos líderes cristãos). Felizmente, essa resistência tem diminuído, mas ainda persiste em grande parte do meio evangélico.

E por que o crente tem medo de consultar um psicólogo? Primeiramente, talvez, porque é difícil para todo mundo admitir que temos problemas, e mais ainda quando aprendemos (e ensinamos) a cantar que Jesus é a solução de todos os nossos problemas. Além disso, temos medo de que o psicólogo vá nos encorajar a abandonar nossa fé, a abandonar nosso casamento, ou a própria igreja, etc. Provavelmente, mesmo sem isso estar claro para nós, temos receio da psicologia – e da universidade em geral – porque talvez ela poderia desmascarar nossos cânticos, questionar nossas certezas, e denunciar nossa moral que tão custosamente pregamos aos jovens e adolescentes. Se estivéssemos mais seguros de que aquilo que cremos e pregamos é sem sombra de dúvida a verdade, não deveríamos ter tanta desconfiança, não é mesmo?

Na verdade, nossa dificuldade não é apenas com a psicologia, ou com as ciências humanas, ou mesmo com a ciência em geral. Temos grande dificuldade é em lidar com críticas. E isso só revela nossa absoluta falta de hábito de nos criticar, de praticar a auto-crítica. I Coríntios 11:31 diz: “se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados”. Quantas vezes você já ouviu um sermão ou aula sobre esse texto? A crítica envolve a difícil tarefa de reconhecer erros, ouvir reclamações, parar nosso ritmo frenético de atividades e falas e se dispor a escutar, a refletir, a examinar, a criticar. A prática da crítica implica em aceitar, sempre, um certo montante de fracasso. E isso parece que não condiz com a postura de quem tem o Rei dos Reis e Senhor dos Senhores a seu lado.

Pasteurização?

Mas ainda há um quarto sinal de que as coisas não vão tão bem assim conosco: a qualidade de vida que levamos. Qualidade, não em termos econômicos ou de conforto material, mas de “qualidade viva” mesmo. Nossa vida evangélica, no dia-a-dia, poderia ser chamada de “pasteurizada” (dos leites em saquinho), ou então UHT: como aqueles leites de caixinha, nossa vida sofreu um choque térmico altíssimo, e ficou estéril, infecunda, sem muito brilho nem muita cor. As pessoas de fora da igreja consideram o crente como “aquele que não faz isso, não participa daquilo, não prova aquiloutro”, ou seja, uma identidade negativa. O crente é visto como um ótimo funcionário, bom trabalhador, mas péssimo para se conviver, sem disposição de se sociabilizar.

Na política, não queremos envolvimento (e muitos que o fazem são um péssimo exemplo, buscando apenas vantagens para si próprio). Das questões sociais, movimentos e reivindicações, queremos distância. Parece que temos medo do engajamento.

A bem da verdade, esses fenômenos não são privilégio da igreja, mas acontecem em escala ainda maior e igualmente doentia na cultura secular, em nossa sociedade “pós-moderna”, que, como ensina o Dr. James Houston, descobriu que estávamos sendo enganados por nossos heróis e nos jogou num caldeirão indiferenciado, onde tudo e nada têm praticamente o mesmo valor. Aqui, porém, tal qual no Apocalipse, vamos começar o julgamento pelo povo de Deus.

Uma área que pode exemplificar isso: a música. No meu trabalho tenho contatos com estúdios de gravação profissionais, músicos e técnicos de som; não são muitos, mas são muito bons no que fazem. Perguntei a esses amigos músicos seculares o que eles achavam das nossas bandas Gospel. Eles, com muito jeito para não me constranger (sabiam que eu era evangélico), responderam que os músicos tocam muito bem, têm boa técnica, mas que a música parece “sem alma”. Certinha, tecnicamente perfeita, mas sem alma.

Acho que é um bom retrato das nossas vidas: procuramos fazer tudo certo, da melhor maneira possível; mas, por alguma razão, não tem muito sabor, não tem muita vida. (E nós pregamos e cantamos que Jesus veio para que tenhamos vida, e vida em abundância…). Talvez por isso sejamos acusados de hipócritas, de não-autênticos. Mas isso também não é verdadeiro: olhamos para dentro de nós mesmos e sabemos que não estamos querendo enganar ninguém.

Não é nossa intenção “fazer de conta” que somos espirituais. Corremos para Deus em oração, pedimos-lhe para sondar nosso coração, e sabemos que oramos com sinceridade. Mas nossa vida continua da mesma forma. Estamos preocupados, queremos acertar em tudo, pedimos a direção e ajuda de Deus, prestamos atenção nos sermões ou profecias, freqüentamos a igreja, mas nossa vida segue “pasteurizada”, meio viva, meio morta. A igreja não muda isso, e parece que ela até reforça essa “pasteurização”. Há algo errado, e isso merece uma investigação.

INVESTIGAÇÃO

Quando há algo errado em nossa casa, vamos procurar encontrar o problema, até resolvê-lo. O convite, agora, é para “aprofundarmos as más notícias”.

Vamos “entrar na igreja” para tentar descobrir o que está havendo, tentar identificar por quê uma comunidade que deveria estar gerando vida abundante está produzindo “semizumbis”, pouco vivos. Por que uma instituição que poderia ser terapêutica está ajudando a adoecer, e por que tantas pessoas que dela se aproximam saem frustradas após algum tempo?

1. O clima dentro das igrejas

O que uma ida aos templos e cultos das igrejas nos faz sentir? O que a Igreja, por si só – independentemente das pregações e canções – nos leva a lembrar, a pensar, a fazer? Arrisco algumas impressões: o ambiente da igreja (incluindo as pessoas que lá estão, durante algumas horas na semana) nos lembra da existência de Deus, como Alguém maior que nós, acima de nós, supremo, inquestionável. Estar na igreja nos lembra, ainda, da existência da eternidade, especialmente do Céu, mas também (principalmente para crianças) do inferno.

Essas duas “impressões”, experimentadas dominicalmente, contribuem para um certo sentimento de pequenez a nosso respeito, como diz o Pregador de Eclesiastes: “Deus está lá em cima e tu aqui em baixo”. Isso tem sua verdade: Deus de fato é o Altíssimo, Todo-Poderoso; mas desde Jesus revela-se como “Emanuel”, Deus conosco.

Como contraponto ao distanciamento, lá dentro do prédio que convencionamos chamar de igreja desfrutamos de alguma convivência humana; temos amigos, às vezes temos rivais, há espaço para jovens conhecerem pessoas do sexo oposto.

A participação em grupos menores fortalece as amizades, e mesmo os ensaios de corais ou bandas incrementam esses relacionamentos. Isso tudo é muito bom, e acontece “aqui embaixo, cá entre nós”, dentro da “casa de Deus”. Essa vida mais social nos torna afetivamente supridos, o que reforça a separação que muitas vezes é pregada, entre os crentes e “o mundo”. Imaginamos que Deus lá do alto nos abençoa e protege, e ao mesmo tempo condena o mundo lá fora.

E enquanto Deus é sentido “lá no alto”, aqui em baixo existe uma categoria de servos especiais dEle, que de certa forma O representam: são os pastores e pastoras e, no caso dos irmãos pentecostais, também os profetas e profetisas.

É a eles que buscamos quando precisamos ouvir alguma orientação da parte de Deus, quando queremos “ouvir a palavra de Deus”. E, mesmo quando não procuramos, são eles que trazem a mensagem de Deus para nós, nas pregações dominicais (e nas eventuais profecias a nós dirigidas). Não dá para negar: mesmo que nós protestantes afirmemos a correta doutrina do “sacerdócio universal dos crentes”, no ambiente da Igreja praticamos uma separação entre ministros (pastores, anciãos, presbíteros, qualquer que seja o nome) e os irmãos e irmãs em geral, muito parecida com a diferenciação entre clero e leigos na igreja católica. Essa hierarquia amplia, no cristão comum, aquele sentimento de pequenez, de incapacidade própria.

Conseqüentemente, o mapa de atividade na igreja se parece muito com um estádio de futebol: muitos sentados assistindo e alguns poucos “heróis” correndo feito loucos, providenciando a “ação”. Como a igreja não é um clube de futebol, e como são esses poucos ativos os que fazem uso da palavra, é muito freqüente que eles confundam “viver para Deus” com “assumir alguma responsabilidade nesta igreja” (afinal, eles estão sentindo o desgaste na própria pele).

Isso nos leva à próxima área de investigação:

2. O Clima das Pregações

Tradicionalmente, temos dois tipos de pregação em nossas igrejas: os sermões para “os de fora”, chamados de sermões evangelísticos, e o sermões para “os de dentro”, para os crentes, os sermões doutrinários. As diferenças entre esses dois tipos são grandes, e bastante reveladoras. Nas mensagens evangelísticas a tônica é: “Deus te ama, e te aceita; venha para Jesus assim como está, e Ele perdoará os teus pecados; saia dessa vida e junte-se a nós”.

Antigamente quase todas as igrejas tinham cultos no domingo pela manhã (dirigido aos crentes) e novamente à noite (dirigido aos visitantes, evangelístico). Hoje apenas alguns grupos mantêm essa prática. Mas o que é pregado aos crentes, para os que já aceitaram a mensagem evangelística, decidiram crer em Jesus e se integraram à igreja?

Nas últimas duas décadas tenho visitado muitas igrejas diferentes no Brasil, tanto tradicionais quanto pentecostais, além de algumas católicas. É impressionante a semelhança do “tom” das mensagens. Quando falam aos crentes (que é a grande maioria dos casos), os pregadores sempre estão cobrando alguma coisa, sempre mostrando a necessidade de algum aperfeiçoamento.

3. O Clima do Louvor e Adoração

Também aqui encontraremos, dito de forma simplificada, pelo menos dois formatos diferenciados (vejam novamente nossa “capacidade” de nos dividirmos): o formato “tradicional” e o “avivado” ou pentecostal. E tentando ficar no meio do caminho, algumas igrejas “modernas”, mais tradicionais na teologia, porém informais no culto.

No formato tradicional, o louvor em nossos cultos é utilizado para a transmissão de mensagens. É a forma musicada de expressarmos as mesmas coisas que são pregadas, uma espécie de continuação (ou complemento) da pregação falada. Os que tocam e cantam sentem que estão fazendo “a obra do Senhor”, e se dedicam – às vezes dramaticamente – a fazê-lo. O canto congregacional também é um complemento da mensagem pregada, com os hinos escolhidos do hinário daquela denominação, de forma a trazer mensagem coerente com o que estiver sendo dito no culto. E todas partes musicadas são previamente programadas, com raras exceções. Para os mais jovens, cânticos mais recentes com letra projetada em tela e instrumentos eletrônicos; para a geração dos pais e avôs, hinos acompanhados ao piano ou órgão. Com o passar dos anos, o entusiasmo pelos cânticos diminui, possivelmente pela mesmice.

No formato avivado, mais comum no meio pentecostal, existe um “momento de louvor” de longa duração (geralmente uma hora inteira). Ele tem uma finalidade diferente: servir de “desafogo” das tensões; a palavra de ordem é “celebração”. O canto e o acompanhamento musical são geralmente ensaiados e performados por um grupo grande, que, escorado na amplificação do som, faz com que a música e as canções “encham” o ambiente, enlevando o público presente (ao mesmo tempo em que afasta e irrita os vizinhos…). Assim o povo, sempre em pé, é levado a sentir emoções através da música, praticamente da mesma forma que as grandes bandas de rock secular procedem em seus shows. Na igreja, porém, são inspirados sentimentos de pertencer a Deus e a Sua família, sentimentos de alegria e participação na glória vitoriosa de Deus. O altíssimo volume da música, aliado aos comentários incentivadores dos ministrantes, dirige esse “sentimento coletivo”. E a insensibilidade para com os vizinhos fica escancarada, no máximo disfarçada de “querer encher a cidade com nossas verdades”, mas na prática está claro que não nos interessamos por eles como pessoas.

Nesses cultos, o louvor (freqüentemente confundido com adoração) tem um sentido próprio, uma unidade fechada em si mesma, independente também da pregação que o sucederá. É como se Deus fosse transmitir duas mensagens por culto (e ainda uma terceira, em caso de haver testemunhos pessoais), sem falar da hora da contribuição financeira. Mas um traço é comum em todos os lugares que praticam esse estilo de louvor: há pouco ou nenhum lugar para contrição e tristeza. A impressão, praticamente se contrapondo às mensagens pregadas, é que Deus sempre espera que estejamos alegres, domingo após domingo. Essa “injeção de ânimo” ajuda e abençoa a muitos crentes que por ela esperam. Mas com o tempo, como com qualquer remédio ou droga de uso muito repetido, muitas pessoas vão percebendo que seus estados de espírito “reais” não são bem-vindos. E a decepção piora as coisas porque, ao perceber essa menor mobilização da platéia, o dirigente do louvor lançará mão de recursos tais como: “levante-se, abrace seu irmão ao lado e diga: Deus te ama”. Naturalmente o dirigente tem a melhor das intenções, mas ele está manipulando a congregação, e se deixando guiar pelos seus próprios sentimentos e limitações (no caso deste exemplo, provavelmente será a sua necessidade pessoal de ver seu trabalho fazendo todo mundo feliz e se abraçando). Como conseqüência, é encorajada uma artificialidade dos relacionamentos, e o aspecto exterior (comportamento) substitui o interior (coração). Por mais que cantemos e repitamos a frase bíblica, não estaremos adorando “em espírito e em verdade”.

Freqüentando um ambiente assim enquanto vivem sua vida cotidiana, como estará o íntimo dos cristãos?

4. O Clima no Coração do Cristãos

Convido você, leitor e leitora, a olhar para dentro de si mesmo, até para ver se minha observação coincide com a sua:

Imagine Deus olhando para você agora (experimente fechar os olhos por um instante) Qual seria a expressão do rosto dEle? Ao olhar para você, Deus parece feliz, sério ou triste?

Como na verdade não vemos a face de Deus, podemos dizer que nossa imaginação é uma boa medida de projeção da nossa imagem de Deus. Ou do “nosso Deus”, por assim dizer, que fomos criando e internalizando conforme vivemos no ambiente da igreja e da família.

Outra pergunta que pode nos ajudar: qual é a sua principal preocupação perante Deus? Ao estar consciente da presença de Deus, do que você lembra?

Que tipo de oração você faz mais freqüentemente?

Todas essas perguntas geralmente mostram que estamos preocupados em não errar. E que, tal qual nas pregações dominicais, Deus parece sempre insatisfeito, esperando alguma melhoria de nossa parte. Em algumas denominações, esse cuidado em não errar adquire tons mais dramáticos porque, atrás da esquina, ainda nos espreita o terror da perda da salvação.

Os cristãos temos medo de errar, de tomar decisões erradas. Nos dedicamos a combater o pecado. Por isso, naturalmente, temos receio de nos envolver com iniciativas de outros grupos, especialmente se forem de fora da igreja. Nossa maior preocupação, nossa maior busca, é por saber “a vontade de Deus”.

A supremacia em nosso coração é do DEVER: o que é que eu devo fazer? O que é certo?

Perguntas como “crente pode isso?” ou “É pecado tal coisa?” revelam o mesmo sentimento, e a nossa preocupação mais íntima: temos medo de errar.

Por isso, a não ser que tenhamos certeza de que aquilo é a vontade de Deus, melhor não fazer. Certo?

5. A qualidade de nossa membresia – a roda viva

Ao mesmo tempo em que estamos preocupados com não errar, essa pergunta de “o que é que eu devo fazer” encontra resposta rápida na igreja. Parece que, na falta de bons relacionamentos, que dêem prazer simplesmente por estarmos juntos, nos dedicamos a criar várias atividades na igreja, que nos mantenham sempre ocupados e “produtivos”. Assumir cargos na estrutura da igreja é uma velha forma das igrejas tradicionais engajarem alguém. Já as igrejas pentecostais multiplicaram o número de cultos, seja no templo, seja nos lares, também como forma de manter participantes um maior número de pessoas. Na igreja tradicional “precisamos” de pessoas para cantar nos corais, para distribuir folhetos de casa em casa, para dirigir ou auxiliar em diversos departamentos, com atividades no sábado e em todo o domingo. Nas comunidades pentecostais, as pessoas “precisam” comparecer aos cultos quase todos os dias da semana, com destaque para a participação na equipe de louvor. Ambas as igrejas formaram uma espécie de “grade de programação” que precisa ser preenchida (e acompanhada) pelos membros. É uma espécie de roda-viva, como aqueles moinhos dos tempos antigos, empurrados por animais ou por escravos, em que a pessoa era acorrentada a seu tronco para empurrar sem cessar, e sem poder sair. Geralmente a gente só percebe a loucura desse ativismo quando o vê de fora. Para quem está nos papéis centrais, como os pastores, só dá para pensar na próxima “necessidade” a ser preenchida (precisa alguém para trazer a palavra, alguém para dirigir os cânticos, alguém para dirigir a oração, alguém para dar os avisos, etc, etc, etc,) Para pessoas que vivem solitárias ou não têm bom relacionamento familiar, a igreja com tantas reuniões acaba até ajudando a suprir a carência de relacionamentos.

Mas para aqueles que têm vida em família, a igreja acaba prejudicando a qualidade de relacionamentos, por praticamente não permitir que façam programas entre si (nos sábados, jovens e adolescentes têm atividades; nos domingos, a obrigação é todos estarem na igreja – e novamente divididos por faixa etária). Quando é que pais e filhos podem passear, ter lazer em conjunto? Durante a semana, quando todos têm escola e trabalho?

Toda essa participação em cultos e atividades é ensinada como sendo “para Deus”. Dedicar seu tempo para Deus (na verdade, “para a igreja”), então, acaba sendo entendido como retirar tempo de convívio com seus familiares, e utilizálo para as atividades da grade de programação da igreja. É claro que alguma dedicação é positiva, e faz bem para nós próprios também; mas com esse nível de ativismo de nossas igrejas não é de admirar que pouco ouvimos falar de versos 9 da Bíblia tais como I Timóteo 5.8: “Se alguém não cuida dos seus, e especialmente dos da sua família, tem negado a fé, e é pior que um incrédulo”.

Muitas vezes, na ânsia por obedecer e por fazer a vontade de Deus, temos praticado o mesmo pecado que Jesus condenou nos fariseus: em vez de cuidar dos nossos familiares, dedicamos “a Deus” nosso tempo e dinheiro (na verdade, dedicamos à igreja), e descuidamos da família. A começar por nós pastores… (para a continuação da leitura deste livro, clique abaixo e faça o download do mesmo).

Fonte: Livro “Neuroses Eclesiásticas e o Evangelho para Crentes. Clique aqui para o download“.

Autor: Karl Kepler, psicólogo, pastor, professor de Teologia e presidente do CPPC (Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos).
http://bereianos.blogspot.com/2009/01/neurses-eclesisticas.html

A guerra dos ônibus

janeiro 30, 2009

Os pontos de ônibus de Madri deixaram de ser apenas paradas para quem entra ou sai de transportes públicos e estão se tornando centros de debates entre ateus e cristãos.

A razão disso é uma guerra publicitária entre grupos ateus e religiosos, estampada nos ônibus. Primeiro foram os ônibus ateus. A campanha publicitária com cartazes mostrando a frase “Deus provavelmente não existe. Deixe de se preocupar e desfrute a vida” iniciada em Londres em 2008 chegou à Espanha em dezembro e teve logo resposta.

Em janeiro a propaganda cristã financiada por católicos e evangélicos, começou a ser divulgada nos ônibus municipais: “Deus existe sim. Desfrute a vida em Cristo”.

Depois que a polêmica campanha publicitária religiosa chegou à Espanha, na chamada “guerra dos ônibus”, os fiéis entraram na disputa e há quem se recuse a entrar em veículos que neguem a existência de Deus.

Cartaz

A rivalidade saiu dos veículos e alcançou os pontos de ônibus. A católica Dolores Rubio Cospedal, 69, decidiu se manifestar contra todos os que viajem nos ônibus com propaganda contra Deus.

Cada vez que um dos veículos com a campanha ateia circula por ali, Dolores se levanta, mostra um cartaz escrito “Deus existe sim” e recrimina motoristas e usuários. Como ela, outros passageiros têm levado cartazes às ruas e dizem que não aceitarão entrar em um ônibus que negue a existência de Deus.

“Eu não vou subir nesse ônibus de jeito nenhum. Fico aqui o tempo que for preciso para que vejam que nós cristãos estamos indignados. O que estão fazendo é uma imoralidade, uma blasfêmia. Tenho vergonha de ser espanhola”, disse Dolores à BBC Brasil.

Alguns passageiros, fiéis ou não, respondem aos manifestantes cristãos lembrando que prevalece a liberdade de expressão.

“Isso é só publicidade, é uma polêmica estúpida, cada um diz o que quer, é um país livre. A senhora não fala de Deus aqui sem problema? Então por que outros não podem?”, disse a estudante Rosario Flores, 23, que se define como “católica não praticante”.

Explicações

Na tarde da quarta-feira passada o motorista Francisco Gomez Aguilar teve que dar explicações aos manifestantes cristãos para deixar de ouvir reclamações no ponto da catedral.

Explicando que também é católico, o motorista disse que não queria dirigir o ônibus com a propaganda que nega a existência de Deus, mas foi obrigado pela empresa.

“Pedi para mudar de turno para não pegar este veículo, mas não me deixaram. Se fosse por mim, estaria proibido”, disse Francisco, completando à BBC Brasil que em uma das viagens alguns passageiros evangélicos distribuíram cartões com a pergunta: “se você morrer esta noite onde passará a eternidade?”.

A chamada guerra dos ônibus surgiu depois que a União de Ateus e Livres Pensadores da Espanha iniciou a campanha no país, inspirando-se no exemplo da propaganda britânica.

Os anúncios em duas linhas municipais em Madri custaram 4 mil euros (cerca de R$ 12 mil), mas a União prevê aumentar a campanha em mais cidades e já arrecadou mais de 30 mil euros (aproximadamente R$ 90 mil) por meio de doações.

Em janeiro chegaram os ônibus cristãos. Financiados pela organização católica E-Christians e pela evangélica Centro Cristão de Reunião, foram alugados espaços em três linhas municipais da capital espanhola.

Ao contrário dos manifestantes, ambas as instituições acreditam que não há ofensa, apenas rivalidade. “Todos podem expressar livremente suas opiniões. Nós também. Respeitamos a todo mundo opiniões, ideias e crenças. Eles usaram uma plataforma pública e nós também, só que para comunicar ao mundo que a única vida plena é a que segue a Jesus Cristo”, disse à BBC Brasil o porta-voz do Centro Cristão de Reunião, Francisco Rubiales.

Sem ofensa

A União de Ateus respondeu à BBC Brasil apenas que “a campanha não é ofensiva, foi aprovada pelo Comitê de Controle da Publicidade dos Municípios Espanhóis” e continuará em Madri, Barcelona, Málaga e La Coruña.

Já a Conferência Episcopal Espanhola, que não participa da campanha nos ônibus, acha que há blasfêmia e que o governo deveria intervir.

Segundo o comunicado oficial emitido no dia 24 de janeiro, “insinuar que Deus é uma invenção e que não deixa as pessoas desfrutarem da vida é uma blasfêmia e uma ofensa aos que acreditam”.

A nota recomenda aos católicos “respeitar o direito de expressão de todos” e “às autoridades competentes tutelar o exercício pleno do direito de liberdade religiosa”. Em outras cidades europeias como Valencia, Zaragoza, Roma e Milão, os ônibus ateus não foram aprovados pelos governos locais.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u495838.shtml

Eu sinceramente não entendi porque as pessoas estão se recusando a entrar, e até se recusando a dirigir os ônibus, por causa da frase de cunho ateísta. Será que é medo de perder a fé só por ler a frase ou estar dentro do ônibus? Será que é medo de que o ônibus “ímpio” seja castigado por Deus? Será que as pessoas são ainda tão supersticiosas a ponto de acreditar que o fato de entrar no ônibus com a tal frase, vai afetar de alguma forma sua fé ou suas vidas?

Fico imaginando a cena, as pessoas polemizando no ponto de ônibus, discutindo e batendo boca, igual torcedores de times de futebol, nas saídas dos estádios aqui no Brasil. Só falta mesmo saírem no braço em defesa de Deus, como se Ele precisasse…


Evolucionismo, de novo…

janeiro 29, 2009

“Mais um exemplo, e esse já um pouco mais polêmico, como cientista, acredito na ciência, como esse blog mesmo deixa claro, acredito que ela é instrumento de Deus no mundo. E como cientista e Evolucionista, acho que já está na hora dessa caça as bruxas científicas da igreja acabar.”

“Não vou dizer que a Evolução tem que ser aceita e imposta a todos, mesmo dentre os cientistas, há aqueles que são contra ela, o que digo é que a igreja, tem que parar com essa perseguição a Evolução como se ela fosse uma blasfêmia. A postura da igreja com relação a Evolução tem que ser a de observadora e nesse sentido, digo que a igreja tem que deixar os cientistas descobrirem a verdade, não ficar em cima do muro, mas aceitar que a Evolução não exclui Deus, se um dia for provada de todas as formas, com todas as evidências e fatos que a Evolução realmente acontece, como ficaremos? Tendo que pedir desculpas a toda humanidade por nossa ignorância?”

http://cristianismoevolutivo.blogspot.com/2008/11/dogmas-e-leis.html

As evidências já existem, a biologia sem levar o evolucionismo em conta, não faz sentido.

“Apoiando o criacionismo radical está a fé religiosa que é baseada nos textos bíblicos. O evolucionismo é apoiado em evidências cosmológicas, geológicas, arqueológicas e antropológicas. Sua negação envolve a recusa em aceitar uma boa parte das ciências naturais, principalmente as descrições da história do planeta e da vida.”

“O quadro da evolução biológica da transformação das espécies por geração de variedade e seleção por aptidão à sobrevivência, inaugurada por Darwin, apresenta alguns pontos obscuros ou ainda não totalmente absorvidos pela teoria da evolução, mas é geralmente aceito em suas linhas gerais pela totalidade dos cientistas.”

http://www.comciencia.br/200407/reportagens/15.shtml

“A evidência científica para o fenômeno da evolução dos seres vivos é avassaladora e irrefutável. Ela provém do registro dos fósseis, da anatomia comparativa (comparação entre as características estruturais dos vários organismos relacionados, como um homem e um chimpanzé, por exemplo), da embriologia (desenvolvimento de um ser vivo até o nascimento), da biogeografia (distribuição das espécies no planeta e do isolamento e comunicação entre elas) e da própria classíficação das espécies. O corpo mais recente de evidências foi fornecido pela biologia e genética molecular, através do estudo da estrutura e da função dos ácidos nucleicos (RNA e DNA) e das proteínas sintetizadas pelas células. Essa evidência mostra de forma impressionante como os organismos são parecidos uns com os outros, mesmo quando pertencem a classes totalmente diferentes (um anfíbio e um primata, por exemplo), e como genes semelhantes produzem órgãos e funções análogos. Isso nunca poderia ter acontecido se não houvesse uma mutação gradual do material genético, e a fixação dessas mudanças através da adaptação ao ambiente da sobrevivência dos mais aptos, que é o mecanismo da evolução proposto por Darwin e seguidores.”

http://www.sabbatini.com/renato/correio/ciencia/cp980508.htm

“É impressionante (e trágico) que, apesar de todas as esmagadoras comprovações científicas a favor da evolução (uma das teorias científicas mais bem estabelecidas na história intelectual da humanidade), ainda existam pessoas que não acreditem nela. A revolução da genética moderna aprofundou nosso conhecimento de como se dá a evolução e estabeleceu firmemente os mecanismos pelas quais ela se processa, tornando-se um conceito unificador e central em Biologia. Na realidade, a coisa é muito pior: estatísticas recentes feitas nos EUA demonstraram que quase 50% da população daquele país aceita como verdadeira a versão bíblica de que todas as espécies vivas foram criadas simultaneamente por Deus, inclusive o homem, em um determinado momento, e que, portanto a evolução longa e gradativa a partir de ancestrais comuns seria falsa.”

http://www.sabbatini.com/renato/correio/ciencia/cp990820.htm

Para saber mais, leitura em inglês:

http://www.talkorigins.org/indexcc/list.html

Tem pessoas que conseguem ignorar a ciência. Ou esquecem da ciência quando estão dentro da igreja. Tem outras, que vivem divididas entre ciência e fé, num conflito interminável, em permanente crise de fé, e negam a ciência por puro medo. Há outras que satisfazem suas próprias dúvidas, fazendo verdadeiros malabarismos para tornar a bíblia um tratado com precisão científica, coisa que ela não é, nunca foi, nunca será. Impressionam os leigos, é bem verdade, mas suas teorias não são verdadeiramente científicas.

Eu, de minha parte, vivo com as duas, ciência e fé, sem negar o valor de nenhuma delas. Concordo com o  que o amigo escreveu no primeiro parágrafo, a ciência é intrumento de Deus. Não aceitá-la seria como recusar uma das formas que Deus tem de se comunicar conosco.


Pós-modernidade, doença mental e drogas

janeiro 28, 2009

Um levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Psiquiatria, revelou que existem no Brasil 5 milhões de crianças e adolescentes, entre 6 e 17 anos de idade, que apresentam sintomas de transtornos psiquiátricos. Segundo o psiquiatra infantil Luis Augusto Rohde, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, existem hoje no país em torno de 1,5 milhão de crianças e adolescentes entre 6 e 18 anos com déficit de atenção. (http://www.ambienteemfoco.com.br/?p=9168)

Pesquisa do Datafolha de 2004 revelou que 58% dos moradores da cidade de São Paulo tinham insônia ou dormiam mal e 28% diziam dormir menos que o suficiente. Os números são alarmantes, mas devem ser vistos com Cautela, segundo especialistas. A prevalência da insônia, e dos distúrbios de sono de forma geral, varia enormemente dependendo da pergunta que se faz e do ambiente em que o dado é coletado. Estudos científicos mais bem controlados indicam que a insônia primária afeta cerca de 5% da população e está presente em pelo menos 20% dos pacientes que procuram o médico por alguma razão – ainda assim, percentuais bastante elevados do ponto de vista da saúde pública. Na clínica psiquiátrica, cerca de 40% dos pacientes com ansiedade e depressão são diagnosticados com o distúrbio, que também pode estar associado à síndrome de déficit de atenção e hiperatividade, depressão bipolar, esquizofrenia e dor crônica. (http://www.methodus.com.br/_ambiente_aula/methodus/artigos/detalhes.asp?ID=212)

Cada vez mais crianças e adolescentes são diagnosticados com males psiquiátricos como o TDAH, a depressão, o transtorno obsessivo-compulsivo – um distúrbio caracterizado por comportamentos e idéias repetitivos, conhecido pela sigla TOC – e o transtorno bipolar – a alternância entre estados de depressão e de extrema euforia. O tratamento proposto é quase sempre medicamentoso. E a terapia nem sempre é baseada num único remédio. As crianças tomam duas, quatro, seis drogas ao mesmo tempo.

Nos Estados Unidos, a discussão ganhou novo fôlego nas últimas duas semanas, com a divulgação de uma série de reportagens e de uma pesquisa encomendada pelo jornal The New York Times. Os dados sobre o país são preocupantes. No ano passado, cerca de 1,6 milhão de crianças e adolescentes tomaram pelo menos duas drogas psiquiátricas combinadas. Do total, 280 mil pacientes tinham menos de 10 anos. Mais de 500 mil se tratavam com três ou mais remédios. Mais de 160 mil consumiam coquetéis de quatro drogas ou mais. No Brasil, ainda não há estudos semelhantes, mas o exemplo americano fez soar o alarme. Estamos dando remédios demais para nossas crianças? A evolução da medicina relegou a um segundo plano a subjetividade do paciente. As soluções aparecem em forma de comprimidos. Com isso, as famílias se vêem desobrigadas de procurar as raízes da tristeza, do mal-estar, do desajuste. Muitas vezes, eles brotam de relações familiares conturbadas, de rotinas mal organizadas ou estressantes, de angústias não-verbalizadas. Muitas crianças e adolescentes têm sido tratados por transtornos psiquiátricos, quando, na verdade, têm um problema psicológico – ou nem isso. Ao mesmo tempo, o avanço do conhecimento sobre a química do cérebro e as novas ferramentas de diagnóstico por imagem permitem detectar transtornos psiquiátricos genuínos em pessoas que antes poderiam passar a vida sofrendo sem receber a devida atenção. É essa dualidade que torna o debate tão rico e oportuno. (http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/1,,EDG75898-6014,00.html)

As vendas de ritalina (remédio comumente usado para déficit de atenção) no Brasil, triplicaram, entre 2002 e 2005. Mas seria essa a solução, vender cada vez mais remédios?

Augusto Cury, em seu livro “A pior prisão do mundo”, afirma:

“As sociedades estão se democratizando cada vez mais e propiciando a liberdade exterior, todavia, paradoxalmente, em virtude da pulverização das doenças psíquicas, estamos cada vez menos livres por dentro. A farmacodependência, bem como outros transtornos psíquicos, são sinais de que o homem moderno, independentemente dos grandes saltos que deu neste último século, não é livre, saudável e alegre. Só não consegue ler esses sinais, quem é incapaz de enxergar com os olhos do coração. Temos de olhar para dentro de nós mesmos e fazer uma revisão de vida.”

Augusto Cury afirma que o tratamento psicológico é importante, mas nem a psicologia nem a psiquiatria são capazes de resgatar o sentido da vida para os doentes ou dependentes de drogas. As pessoas precisam da ciência, mas também precisam de Deus, de crer na vida, ter respeito por ela e por seu Criador.

Comprimidos e cápsulas seriam a solução? Não seria melhor ir ao cerne da questão, e descobrir as causas de termos nos tornado seres mentalmente transtornados? Não devíamos, antes, procurar o que está errado na sociedade e nas famílias, que estão gerando seres humanos mentalmente transtornados?

O que gera toda essa insatisfação que leva ao abuso de drogas?

Qual o motivo de o ser humano não conseguir encontrar paz interior? Será que vai encontrá-la, entupindo-se de comprimidos de tarja preta? Não seria isso mais uma ilusão?


Não mexam conosco!!!

janeiro 28, 2009

“Uma semana depois do desabamento do templo-sede da Igreja Renascer em Cristo em São Paulo – tragédia que provocou a morte de nove pessoas e deixou mais de 100 feridos –, os líderes da denominação, Estevam e Sônia Hernandes, resolveram subir o tom de suas declarações. Em uma mensagem transmitida dos Estados Unidos, o apóstolo da Renascer e a bispa Sônia conclamaram os fiéis ao revide contra os “ataques sistemáticos” que a igreja, no seu entender, vem sofrendo. “Entrem em qualquer estabelecimento e verifiquem se tem alvará. Se não tiver, denunciem”, orientou Hernandes. A transmissão foi feita no culto das 19h deste domingo, realizado num salão alugado do Clube Homs, onde a congregação desalojada do templo da Rua Lins de Vasconcelos está se reunindo. “É bom que não mexam conosco, ou nos levantaremos para perseguir nossos inimigos, assim como nos perseguem”, fez coro a bispa, em tom ameaçador.”

“Hernandes enxergou na atitude da Prefeitura uma “perseguição religiosa” contra a igreja. Segundo ele, “noventa por cento” dos estabelecimentos de São Paulo estão irregulares. Foi o suficiente para que, num dos cultos, o bispo José Bruno, que responde pelas relações institucionais da Renascer, apelasse aos fiéis que ajam como fiscais. “Entrem a partir de amanhã em qualquer estabelecimento, seja bar ou restaurante, e vejam se tem alvará na parede. Se não tiver, denunciem. A prefeitura terá 1 milhão de denúncias para fiscalizar”, afirmou.”

Só faltou mesmo citarem o clássico dos líderes religiosos que não admitem serem contestados, nem contrariados nem desobedecidos, mesmo quando estão errados: “não toqueis nos meus ungidos.”

Lamentável… Pensei que o ensinamento cristão era de dar a outra face, responder ao mal com o bem e orar pelos inimigos, e não o de revidar, procurar vingança e perseguir os inimigos… nesse caso, os que eles acham que são inimigos…

Link para a íntegra da notícia:

http://www.cristianismohoje.com.br/artigo.php?artigoid=37711