Carta pela compaixão

abril 25, 2010

O princípio da compaixão é o cerne de todas as tradições religiosas, éticas e espirituais, nos conclamando sempre a tratar todos os outros da mesma maneira como gostaríamos de ser tratados. A compaixão nos impele a trabalhar incessantemente com o intuito de aliviarmos o sofrimento do nosso próximo, o que inclui todas as criaturas, de nos destronarmos do centro do nosso mundo e, no lugar, colocar os outros, e de honrarmos a santidade inviolável de todo ser humano, tratando todas as pessoas, sem exceção, com absoluta justiça, eqüidade e respeito.

É necessário também, tanto na vida pública como na vida privada, nos abstermos, de forma consistente e empática, de infligir dor. Agir ou falar de maneira violenta devido a maldade, chauvinismo ou interesse próprio a fim de depauperar, explorar ou negar direitos básicos a alguém e incitar o ódio ao denegrir os outros – mesmo os nossos inimigos – é uma negação da nossa humanidade em comum. Reconhecemos que falhamos na tentativa de viver de forma compassiva e que alguns de nós até mesmo aumentaram a soma da miséria humana em nome da religião.

Portanto, conclamamos todos os homens e mulheres ~ a restaurar a compaixão ao centro da moralidade e da religião ~ a retornar ao antigo princípio de que é ilegítima qualquer interpretação das escrituras que gere ódio, violência ou desprezo ~ garantir que os jovens recebam informações exatas e respeitosas a respeito de outras tradições, religiões e culturas ~ incentivar uma apreciação positiva da diversidade religiosa e cultural ~ cultivar uma empatia bem-informada pelo sofrimento de todos os seres humanos – mesmo daqueles considerados inimigos

É urgente que façamos da compaixão uma força clara, luminosa e dinâmica no nosso mundo polarizado. Com raízes em uma determinação de princípios de transcender o egoísmo, a compaixão pode quebrar barreiras políticas, dogmáticas, ideológicas e religiosas. Nascida da nossa profunda interdependência, a compaixão é essencial para os relacionamentos humanos e para uma humanidade realizada. É o caminho para a iluminação e é indispensável para a criação de uma economia justa e de uma comunidade global pacífica.

Se quiser assinar, clique no link abaixo:

Charter for Compassion

Mas não basta assinar, é preciso se comprometer em exercitar a compaixão. Você tem coragem?


Está tudo OK em ser apenas cristão

abril 23, 2010

por Chaplain Mike

Espero que isso lhe pareça uma boa notícia. Talvez isso possa ajudar você a parar de se bater desnecessariamente. Espero que ajude a todos nós nessa finalidade.

O que eu tenho a dizer é…

Está OK!

Está OK ser apenas um cristão.

Está tudo OK em ser apenas uma pessoa  que conhece e é grato pelo amor de Deus e por nos ter dado o Seu filho.

Está tudo OK ser apenas uma pessoa da cruz, que sabe que Jesus morreu por nossos pecados, foi sepultado, e ressuscitou para a salvação do mundo.

Realmente, está tudo OK.

Está tudo OK em ser alguém que cuida em amar a Deus e amar o próximo.

Está tudo OK pensar que o Credo dos Apóstolos é uma afirmação de fé abrangente o suficiente para você, e que você está disposto a ter comunhão com outras pessoas que pensam o mesmo.

Você não precisa ser um tipo determinado de cristão. Adjetivos como “reformado” ou “conservador” ou “emergente” ou “missional” ou qualquer tipo de rótulo denominacional ou teológico, são desnecessários.

Está tudo OK em apenas amar Jesus e ser grato a ele pelo que fez.

Você não precisa ir a uma igreja “cool” com nomes tais como “Revolutio”, ou “The Rock” ou “Journey” ou “The River”. Sua Primeira Presbiteriana ou Primeira Batista ou  Primeira Metodista também servem. Está tudo OK se você está na Basílica de São Pedro e seu pastor espalha incenso na igreja, ou se você está na igreja de São Basílio, onde ícones intrigantes convidam você a meditar a respeito deles.

Está tudo OK se você não ouve música cristã, não compra em lojas cristãs, não veste camisetas cristãs, não vai a congressos cristãos, não se torna um professor cristão ou não manda seus filhos para escolas cristãs, não patrocina empresas cristãs, não participa em causas cristãs, não lê livros cristãos ou identifica a si mesmo com organizações cristãs. Você pode ser cristão sem fazer nenhuma dessas coisas, e está tudo OK.

Está tudo OK se você não tem uma imensa biblioteca de livros teológicos ou comentários bíblicos. Está tudo OK se você sofre para ler a Bíblia, porque nunca consegue passar de Gênesis 5 – não gosta daquela lista imensa de nomes engraçados.

Está tudo OK se você não tem ideia do que significa “se engajar na cultura” ou “impactar o mundo”. Você pode não entender o que seja “justiça social”. Se você nunca esteve num grupo pequeno e nunca fez uma viagem missionária, nunca teve seus dons espirituais inventariados, nunca twittou ao pastor durante uma mensagem nem nunca viu um sermão em PowerPoint, está tudo OK.

Não acho que importa se você confundir John Piper com Piper Laurie, N.T. Wrigth com  os irmãos Wrigth, YEC com NAACP, ou Willow Crek com Nickel Creek.

Você está certo em ficar de fora das guerras culturais. Guerras culturais? Você está muito ocupado visitando seu vizinho que está no hospital, fazendo comida para a família, cuidando daqueles crianças sem pai, escrevendo um bilhete a um amigo que está desanimado, fazendo café para a congregação no domingo de manhã, trabalhando como voluntário numa escola, ou cortando o gramado.

Oh, de qualquer forma, está tudo OK se você diz “Eu não sei” quando lhe perguntam sobre os assuntos quentes do dia. Está tudo OK se você não tem opinião formada sobre casamento gay, pesquisa com células tronco ou aquecimento global.

E também está tudo OK se você é uma toupeira em teologia. Se você não é capaz de dar uma explicação precisa sobre a doutrina da justificação pela fé ou não consegue distinguir entre ensinamentos Católicos Romanos, Luteranos e Reformados a respeito da santificação, também está tudo OK. Se você pensa que “arrebatamento” foi o que aconteceu com você no dia do seu casamento, e não tem a menor ideia do seu significado teológico, está também tudo OK.

Está tudo OK em dizer “Eu não sei”. Isso não fará de você menos cristão.

Batizado quando criança? OK. Mergulhado nas águas quando adolescente? OK.

Recebe a comunhão com amor, porque encontrou Jesus naquele lugar, mas não tem ideia de como explicar isso? Na minha opinião, está tudo OK.

Porque você confia em Jesus.

Você sabe, de coração, que está quebrado e precisa de conserto.

É evidente para você que Ele é o único capaz de perdoar seu passado, animar seu presente e garantir seu futuro.

E como resposta, você encontrou formas simples de adorar ao Único que significa tudo para você, com outros que se sentem do mesmo jeito.

É o que você sabe, e quem você é.

Você é apenas um cristão.

E está tudo OK.

De qualquer forma, se você conhece outros como você, fique à vontade para ler esse texto a eles, porque suponho que talvez eles não tenham ideia do que seja “blogosfera cristã”, e provavelmente nunca vão encontrar essas minhas palavras.

It’s OK… to just be a Christian – Chaplain Mike


Semeador

abril 22, 2010

“Tendo Jesus saído de casa, naquele dia, estava assentado junto ao mar; E ajuntou-se muita gente ao pé dele, de sorte que, entrando num barco, se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia. E falou-lhe de muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear. E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na; E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda; Mas, vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz. E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na. E outra caiu em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. (Mateus 13: 1-9)”

O semeador, certamente não desejava que as sementes que pretendia semear, caíssem na beira do caminho, para serem comidas pelas aves, nem em pedregais, nem entre espinhos. O semeador já sabe,que se as sementes caírem em outros lugares que não sejam a terra adequada, estarão perdidas.

A semente cair fora do lugar, é um acidente de percurso na caminhada do semeador. Nenhum agricultor, em sã consciência, vai atirar sementes de propósito na beira do caminho, ou no meio de pedregais, ou no meio de espinhos. Porque sabe que as plantas não vão sobreviver. Pode acontecer também, que sementes caiam nesses lugares quando o semeador, na verdade, pretendia que caíssem na terra boa. Afinal, ele não está usando uma máquina semeadora de última geração, com GPS, dessas que depositam a quantidade exata de sementes no lugar exato. Ele estava usando suas próprias mãos, atirando a semente a lanço.

Ou talvez ele seja um cientista, e não tenha acreditado no que diz o povo, sobre a perda de tempo, a tolice que seria semear na beira do caminho, nos pedregais e no meio de espinhos. Ele quis ver se era assim mesmo, e atirou a semente, deliberadamente, em tais lugares. Mas não era uma plantação de verdade, era um experimento, tinha o objetivo de verificar uma hipótese.

Tem muita gente por aí, esquecendo que semear, ao modo de Jesus, é uma operação artesanal. Não se usam máquinas de semeadura e colheita em massa. E Jesus só desperdiçaria sementes, atirando-as na beira do caminho, nos pedregais, no meio dos espinhos, como um cientista, para provar que não basta a semente ser boa, a terra tem que estar preparada também.

Assim como no Reino, não se usam máquinas de semeadura em massa, porque o objetivo principal não são os números, semear no Reino é um ato de fé. Você sabe que a semente é boa, preparou a terra, mas nunca tem certeza de qual será o resultado. Quanto mais carinho e cuidado você tiver na preparação do leito para as sementes, e quanto mais certeza você tiver quanto à qualidade da semente, a chance de uma boa colheita aumenta, mas não existe certeza.

Você pode optar por manter tudo sob controle, quantidades exatas de água, aplicada em dias e horários determinados, distribuição de adubos e agrotóxicos, proteção contra a chuva forte ou o sol forte na germinação, um verdadeiro agricultor profissional, que sempre consegue altas produtividades em qualquer tipo de solo, usando todos os meios artificiais disponíveis. Força a germinação, aplica hormônios, e todo tipo de produtos para forçar o crescimento e a colheita precoce, seja na terra boa, nos pedregais, no meio dos espinhos, na beira do caminho. Depois da colheita, você deixa de cuidar da planta, entrega-a à própria sorte, interrompe a aplicação de água e fertilizante nos pedregais, interrompe o controle dos espinhos, tira a proteção contra o sol e a chuva. A planta pode morrer, que você não vai se importar, porque já conseguiu o que queria, a colheita. Mas no Reino as coisas não são assim. No Reino a fé é obrigatória, também para quem semeia. Esperar é obrigatório. Confiar no crescimento dado por Deus, é obrigatório. No Reino, existe tempo para as coisas acontecerem. Porque Deus deseja que aquela semente, se torne uma nova pessoa, e não apenas mais uma planta, que não fede nem cheira, mas apenas faz o que a obrigam a fazer, entupida de hormônios, adubos e agrotóxicos para que não haja outra alternativa, a não ser crescer. Crescimento saudável? Tire as “bengalas”, as “muletas” que estão sustentando essas plantas, para ver se elas não acabam morrendo. Certeza que sim.

Se você é um agricultor profissional, talvez seja apropriado trabalhar dessa forma. Mas se você semeia para o Reino, mude seus conceitos. No Reino, a pressa, mais do que nunca, é inimiga da perfeição. Gera plantas deformadas, sem alma, verdadeiros robôs vegetais. Isso nunca foi tão verdade quanto no atual momento em que vivemos no mundo evangélico, principalmente no Brasil.

Acham que gastar tempo com o trabalho artesanal, lento, demorado, minucioso, delicado, de preparar a terra, preparar a semente, semear, regar, esperar, cuidar, ter fé na capacidade de Deus de dar o crescimento, confiar que Aquele que faz a semente germinar também é capaz de fazê-la frutificar, na época certa, é perder tempo. Os frutos gerados por essa sede por números, por essa pressa em lotar salões de igreja, sem se preocupar em gerar pessoas melhores, bons frutos, estão aí, pra quem quiser ver. Há aqueles que deliberadamente estão desperdiçando sementes, atirando na beira do caminho, nos pedregais, nos espinhos, e assistem as sementes se perderem, sem se importar. Talvez por raiva do Pai, que imaginam estar obrigando-os a trabalhar na roça. E há aqueles que não estão mesmo semeando para o Reino, e sim, para encher seus próprios armazéns e silos, com o que puderem colher. Por isso, usam máquinas e toda tecnologia possível, e aceleram a colheita de toda forma que puderem.

E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; E ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus. (Lucas 12: 16-21)

Derrubam suas igrejas/silos onde já não cabem as suas ambições, e alugam grandes salões, salões cada vez maiores, que comportem o maior número de pessoas, visando colher dízimos e ofertas cada vez maiores. Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência.

A imagem que ilustra a postagem, é uma pintura de Vincent Van Gogh, chamada O Semeador.


A confissão de Davi Silva no olhar de Caio Fábio

abril 21, 2010

por Caio Fábio

Nunca antes de hoje eu ouvira falar de Davi Silva; e do Ministério Casa de Davi ouvira umas poucas vezes; de tão longe que me pus de toda essa salada evangélica.

Então, hoje, depois de ficar três meses sem abrir os e-mails, recebi inúmeros links para ver um homem grande, com algum sotaque americano no fundo da fala, e, ao seu lado, um homem magrinho; ambos liam algo, um texto de confissão num teleprompter…

O homem grande falava da centralidade do arrependimento para que venha o reino de Deus…

Depois passou a palavra o homem/magro, chamado Davi…

Davi disse que mentia muito; que fazia assim desde menino; que já fora flagrado antes; mas que agora [insinuando um grande flagrante], aproveitava a oportunidade para se curar e confessar como inventava testemunhos ou os tornava evangelásticos ao extremo…

Pelo que percebi o tal ministério vive de contar histórias, e, quem sabe, também estórias…

Vi também que o grande temor deles [senti que havia também uma vontade sincera em algumas falas do homem grande] — é que o “ministério” sofra com o escândalo das mentiras do Davi.

Assim, mesmo sem nada deles saber […] vi que lá tudo é fundado em testemunhos de milagres e nas experiências místicas; o que, pela ênfase, invariavelmente leva ao misticismo…

Notei também que eles vivem de “Seminários” e de venda de CDs de “louvores” e de “testemunhos” de milagres…

Daí a angustia ministerial do homem grande quanto a que não se parasse de comprar os testemunhos e os CDs; mesmo os do Davi; e mais: que em breve se fará uma limpa nos CDs a fim de que fiquem somente os testemunhos sem mentira…

Meu Deus!

Lá estava o Davi!… Que para ser curado teve que fazer uma confissão que ele só fez por ser flagrado!…

Pra quê?

Por que apenas não tirar os tais CDs do “mercado”?…

Por que apenas não confessar aos implicados?…

Por que ter que fazer um vídeo?…

Por que insistir na confissão para depois pedir que não deixem de convidar o ministério para viajar levando os Seminários e os CDs?…

Por que apenas não tratar o Davi na intimidade, enquanto alguém apenas contava o que estava acontecendo?… E isso sem depois dizer para continuarem a convidá-los para testemunhar?…

Por que apenas não reconhecer que Jesus não era testemunheiro e que nem tampouco essa é ênfase do Evangelho?

Por que testemunhar curas e milagres e não apenas a Palavra que não mente?

É impossível que se viva de histórias sem que não se caia nas estórias!…

Quem vive de história e estórias é novela…

O Evangelho é testemunho do poder de Deus que fala de si mesmo; e que não precisa de propaganda

Esses testemunhos quase nunca são testemunhos da Palavra; sendo na maior parte das vezes apenas Propaganda Enganosa de Jesus…

Quando Deus faz, todos vêem!

Daí Jesus nunca mandar que se saísse por aí contando histórias de milagres…

O Evangelho é o milagre e o testemunho!

O resto pode ser História, história ou estória…

História é o poder de tornar versões em fatos…; história é a versão de um homem ou de alguns; e estória é a versão imaginada ou desejada…

A única História que existe […] não é a História do Homem [que é cheia de versões criadas pelos poderes prevalentes], mas sim a do Filho do Homem!

Espero que o Davi Silva deixe esse ministério testemunheiro, e que viva do Testemunho do Evangelho, e não de casos e de causos…

O Grande Arrependimento que espero que os visite é aquele que daria o fruto de fazê-los deixarem as histórias e viverem para Pregar apenas o que Jesus fez e ensinou!

O resto acontece de passagem… Mas se for o fundamento da pregação […] será o fundamento da perversão…

Nele, que nunca nos mandou nada além Dele mesmo, e do que Ele fez e ensinou, ainda que em nossas vidas Ele seja poderoso todos os dias,

Caio

Confissão de arrependimento como pedido de salvação para o ministério! – Caio Fábio


Os milagres contra o amor

abril 18, 2010

por Caio Fábio

O que diferencia as coisas de Deus das coisas dos deuses entre os homens, não são milagres, nem poderes, nem demonstrações, nem sinais, nem prodígios, nem coisas extraordinárias, posto que todas essas coisas sempre tenham se manifestado entre todos os povos da terra.

Línguas estranhas, profecias, sonhos e visões, curas, sinais prodigiosos, etc… — estão presentes em todos os registros de quase todos os povos primitivos.

Portanto, o que diferencia as coisas de Deus das coisas dos deuses não são fenômenos, mas um único fenômeno: o amor…

Não é o nome de um deus ou de “Deus” é o que faz a diferença, mas exclusivamente o amor…

Onde o diferencial é amor, não importa a cultura, o ambiente religioso, a ignorância, whatever…

Se há amor, aí há Deus…

Se não há amor, pode haver o nome de Deus, as doutrinas de “Deus”, culto a Deus, tudo a Deus — mas não haverá Deus aí…

Milagres sem Deus são comuns…

O incomum é o milagre de Deus…

O sobrenatural não é a marca de Deus…

A marca de Deus é o amor…

O mundo está cheio de milagres e de sobrenatural…, mas vazio de Deus!

Jesus fez muitos milagres, mais milagres do que qualquer outro ser humano…

No entanto, a leitura do Evangelho nos mostra que Jesus faz milagres como um gesto de amor pela fraqueza e pela dor humana, mas não como um recurso da revelação de Deus…

Ao contrário, Jesus denuncia a relação adoecida das multidões com os Seus próprios milagres; e diz: “Não foi por mim e nem pela Palavra que vocês voltaram, mas porque vocês comeram pão de graça”…

Jesus fez e aconteceu… até que “os judeus” começaram a “pedir sinais”…

Então Ele foi diminuindo…

A esta geração não será dado outro sinal senão o do profeta Jonas! — disse Jesus nessa hora.

Milagres do amor curam e não adoecem a alma…

Mas os milagres dos fenômenos, esses matam o espírito…; pois criam fé no milagre e não em Deus, e dão ao que busca o milagre a sensação errada de que o milagre valida a experiência da pessoa com Deus; e não é o caso…

Por isto é que no Evangelho o único milagre a ser sempre celebrado é o da conversão, é o do arrependimento, é o da novidade de vida, é o novo nascimento!…

Ora, esse milagre que o Evangelho busca e celebra, só acontece mediante o amor; pois, sem amor, todo milagre é apenas manifestação de um fenômeno…

Ainda que tudo…” — sem amor nada aproveitará.

O problema é que os crentes, à semelhança dos judeus dos dias de Jesus, buscam sinais, mas não querem a Palavra!

Assim, buscando sinais não crêem no amor e na fé como sinais que superam todos os demais…

Ao final, o que acontece é que um milagreiro lê este meu texto e ri de mim, desse coitado, desse romântico, desse otário, desse bobo que fica aí falando de amor…

Eu, todavia, creio tanto nisto quanto em tudo o mais…, mas quero apenas ser discípulo dos milagres do amor de Deus, e não tenho desejo por nenhum poder que não nasça exclusivamente do amor.

Nele, de Quem aprendi que se não for assim […] de Deus não é,

Caio

Os milagres contra o amor – Caio Fábio

Um texto pertinente, numa época onde há tantos vendedores de milagres, disponíveis a cada esquina, e pessoas dando falso testemunho, por anos a fio dentro de igrejas e em palcos, sem que se coloquem suas palavras à prova.

Um texto pertinente, num mundo gospel onde se pensa que os fins justificam os meios. Onde se pensa que vale tudo para atrair pessoas e causar impacto, mesmo que seja usando mentiras, testemunhos inventados, falsos milagres, falsas curas.

O milagre maior, esse do qual fala Caio Fábio em seu texto, o amor, esse sinal que supera todos os demais, esse ainda não acontece com tanta frequência no meio evangélico, e quando acontece, geralmente não ganha tanta atenção dos holofotes gospel. Porque o amor trabalha em silêncio, não busca chamar a atenção pra si mesmo, não busca os holofotes nem a glória de homens.

1 Coríntios 13


Charlatanismo evangélico

abril 17, 2010

Ouvi uma história absurda hoje, contada por minha mãe, que não é cristã e estava bastante revoltada com isso. Um morador do bairro, que tinha hipertensão e outros problemas de saúde, começou a frequentar uma igreja evangélica, dessas que afirmam curar qualquer doença. Pois bem. Na tal igreja, o pastor declarou que o homem estava curado, e que portanto não precisava mais tomar os remédios para regular sua pressão alta, nem seus outros problemas de saúde. O homem foi para casa, jogou fora seus remédios e interrompeu todo o tratamento médico, afirmando categoricamente que estava curado. Ninguém conseguiu fazer com que ele mudasse de idéia e voltasse aos remédios, sem os quais sua pressão arterial ficaria fora de controle.

Resultado: pouco tempo depois, o homem veio a falecer, devido aos problemas de saúde, que supostamente haviam sido “curados” pelo pastor milagreiro. Mas que obviamente não haviam sido curados coisíssima nenhuma.

Eu considero esse “pastor”, um criminoso. Um charlatão mentiroso. E não alguém que foi colocado na posição de pastor, por Deus, para cuidar das pessoas. Do contrário, não estaria destruindo as vidas de pessoas doentes, vendendo o já clássico bordão de muitas igrejas: “Pare de sofrer!”

Como se o simples ato de pisar dentro de uma igreja, e ouvir um “pastor” falar que os seus problemas não mais existem, fosse capaz de livrar você instantaneamente, num passe de mágica, de todos os problemas, de todas as doenças, da pobreza, do desemprego, das desavenças familiares, das drogas e por aí vai.

Não seja crédulo, a ponto de interromper um tratamento médico, apenas porque um pastorzinho de quinta categoria, lhe disse que você está curado.

Jesus jamais prometeu uma vida isenta de sofrimentos ao cristão.

Mas tem outro lado também, essas pessoas não vão à igreja para aprender a ser discípulos de Jesus. Vão apenas para se servir, esfregar esse gênio da lâmpada que eles imaginam que Deus seja, enquanto fazem seus pedidos, junto com todo tipo de “mandinga” para manipular Deus. Cada igreja dessas tem sua “receita de bolo”, para que os desejos dos fregueses sejam atendidos. Mas quando o freguês morre, esse “infiel” não é contabilizado nas estatísticas, nem vai alguém da família do falecido lá no púlpito, pra testemunhar que não houve cura, que o freguês morreu por ter parado com os remédios, e o pastor é um mentiroso. Tente fazer isso, tente ir ao púlpito pra dizer que o pastor mentiu, e que não houve cura alguma, pra ver se não te jogam porta afora, com direito a socos e pontapés, e sob os aplausos da multidão, enfurecida contra o petulante herege, que está tentando abalar a fé do “povo de Deus”.


Atualização da guerra criação x evolução

abril 16, 2010

por Chaplain Mike

Estive muito ocupado com coisas mais importantes, como trabalho, família, e compartilhando o sofrimento de amigos, para voltar a tratar desse assunto; mas, pessoal, temos que conversar.

Poucas semanas atrás, postei um vídeo (que não está mais disponível), produzido pelo BioLogos, com o Dr Bruce Waltke, um dos maiores especialistas em Antigo Testamento do mundo. Nesse vídeo, Waltke encorajou a igreja a permanecer engajada na discussão quando se tratar de ciência e particularmente quando o assunto for evolução.

Abaixo, está o comentário no blog do BioLogos, sobre o vídeo do Dr Waltke:

Neste vídeo, Bruce Waltke discute sobre o perigo que a igreja correr quando não está engajada no mundo ao seu redor, principalmente com relação à evolução, a qual muitos evangélicos ainda rejeitam.

Waltke alerta, “se os dados são esmagadores em favor da evolução, negar essa realidade fará de nós uma seita… um grupo qualquer que se recusa a interagir com o mundo. E com razão, porque não estamos usando nossos dons nem confiando na Providência Divina, que nos trouxe até esse ponto em nossa consciência.”

Estamos num momento único da história, onde  “tudo está se juntando”, diz Waltke, e o diálogo – como esse iniciado pelo BioLogos – são desdobramentos positivos.  “Vejo isso como parte do crescimento da igreja”, ele diz. “Estamos muito mais maduros para esse diálogo do que estávamos antes. É assim que chegaremos à unidade da fé – lutando com essas questões.”

Waltke sublinha que negar a realidade científica seria negar a verdade de Deus no mundo. Para nós, como cristãos, isso poderia servir para nossa morte espiritual, porque não estaríamos amando a Deus com toda a nossa mente.  Pode ser nossa morte espiritual em testemunhar ao mundo, porque não teríamos crédito algum.

Enquanto os cristãos podem ainda discordar entre si sobre algumas questões, Waltke enfatiza que estejamos interagindo de forma séria – e confiar em Deus como verdade. Testar essas coisas, mas se apegando ao que é bom, traria maior entendimento e unidade entre os cristãos.

Se não fizermos isso, adverte Waltke, vamos morrer. Se nos recusamos a nos engajar nesse grande diálogo cultural/científico, poderemos ficar à margem, o que seria uma grande tragédia para a igreja.

Aplaudo o Dr Waltke por suas sensíveis e corajosas palavras. A igreja não pode enterrar sua cabeça na areia. Não podemos simplesmente tampar os ouvidos e ficar choramingando, “Mentira! Mentira!” sempre que o conceito de evolução é discutido.

Se determinados grupos de cristãos duvidam que as evidências levam às mais universalmente aceitas conclusões da comunidade científica, sugiro que encorajemos os cristãos a seguir carreiras científicas, para ganhar credibilidade, praticando pesquisas honestas e responsáveis, fazer o trabalho duro de elaborar modelos alternativos, e defendê-los publicamente.

Infelizmente, não é isso que “criacionistas” fazem.

  • Criacionistas não usam o método científico para debater ciência, mas se limitam a julgamentos a priori. Começam pelas suas conclusões inteiramente formadas – baseadas na sua interpretação particular de Gênesis 1-11 – e então trabalham no sentido inverso, rejeitando qualquer evidência que contrarie suas conclusões.
  • Criacionistas olham as descobertas científicas que contradigam algum pequeno aspecto do modelo evolucionário, de forma superficial, e então declaram que todo o modelo deve ser falso.
  • Criacionistas usam o argumento do espantalho, dizendo que porque alguns ateístas radicais são evolucionistas, aceitar a teoria da evolução é a mesma coisa que aceitar as explicações naturalistas do universo e da vida.
  • Criacionistas usam táticas infames, culpando o modelo da evolução biológica como a raiz de todos os males em nossa cultura “secular”, desde o aborto, passando pela pornografia até a rebelião dos jovens e a destruição da família, e também passando pela união homossexual à eutanásia, chegando até as políticas de saúde pública do Presidente Obama.
  • Criacionistas são marketeiros. Eles não constroem museus para mostrar suas descobertas científicas ao mundo, atualizando suas coleções quando novas evidências são encontradas. Constroem centros de apologética do criacionismo. E não ciência. Apenas suas próprias e limitadas interpretações da Bíblia e viagens imaginárias sobre como teria sido o “no princípio.”
  • Criacionistas ignoram a complexa história da interpretação, quando se trata de crítica aos textos bíblicos como os primeiros capítulos do Gênesis. Para eles, existia apenas uma interpretação aceitável da narrativa da criação ao longo dos séculos, até que os geologistas começaram a sugerir que a Terra é muito mais antiga do que se pensava, levando à “teologia liberal” e a todos os males sociais resultantes.
  • Criacionistas ignoram a história dos seus próprios pontos de vista. Falham em entender, por exemplo, que a teoria de um dilúvio global que mudou a estrutura física da Terra, tem sua origem em “visões” da adventista Ellen G. White.
  • Criacionistas politizaram o assunto de uma forma que é praticamente impossível em muitos lugares, ter uma conversa civilizada e profunda sobre isso. Fizeram disso um jogo zerado. Não há espaço para debate. Se você não concorda conosco, você está contra nós.

O criacionismo se transformou na plataforma principal da guerra cultural dos cristãos conservadores. Como resultado, o assunto passou a ser mais do que um debate entre estudiosos da Bíblia que discordam em suas interpretações de Gênesis. Tornou-se uma “prova de fogo” para muitos, identificando quem é e quem não é um cristão verdadeiro.

Então, infelizmente, apesar do fato de que o ponto de vista de Bruce Waltke sobre o assunto tenha sido publicado em seus escritos por anos, o vídeo divulgado pelo BioLogos, foi provocativo demais na cultura do medo, que marca o ambiente do cristianismo na América.

Primeiro o Dr Waltke pediu que o vídeo fosse retirado da Internet.

Em seguida, emitiu um comunicado de esclarecimento dizendo que remover o vídeo foi decisão própria, tomada pelo desejo de não ferir a igreja causando desentendimento. Entretanto, está bem documentado que houve pressão para que ele fizesse isso, por parte dos líderes do seminário onde ele ensinava, Reformed Theological Seminary.

Pouco tempo depois, o Dr Waltke deixou o Reformed Theological Seminary.

Para seu crédito, no meio de tudo, Waltke assumiu toda a responsabilidade por suas palavras, e não culpou o seminário, desejando-lhes somente o bem.  Aqui está a carta que demonstra o espírito gracioso do Dr Waltke. Depois, ele se transferiu para o Knox Theological Seminary.

Em um artigo intitulado “The Video that Ended a Career,” no Inside Higher Ed, Scott Jaschik comenta:

Waltke é um nome tão influente na teologia evangélica que o incidente causou constrangimento considerável. Por um lado, sua defesa pública do ponto de vista de que aceitar a evolução e ser um homem de fé não são posições incompatíveis foi significante para aqueles que, como o BioLogos Foundation, defendem esse ponto de vista. As credenciais acadêmicas de Waltke na Teologia Cristã são muito fortes para ser dispensadas facilmente.

Mas o fato de que esse seminário dispensou-o é visto como um sinal de como é difícil para os estudiosos de algumas instituições, levantar assuntos que envolvam ciência e que não sejam 100 por cento consistentes om uma interpretação literal da Bíblia.

Obviamente, uma voz proeminente do criacionismo, Ken Ham do Answers in Genesis e do Creation Museum, fez seu comentário a respeito da situação. Na sua opinião, Waltke, o BioLogos e também o RTS (porque permitem certa liberalidade em sua interpretação de Gênesis) estão “comprometidos” com a religião pagã da nossa era, que mina a autoridade da Palavra de Deus.

Décadas à frente, quando a igreja evangélica na América acabar como aconteceu na Europa (especialmente na Inglaterra onde a cultura está agora quase morta espiritualmente), ela vai acordar para o que aconteceu. Porque os líderes da igreja desta era comprometeram a Palavra de Deus com a religião pagã (evolução e milhões de anos), minaram a autoridade da Palavra de Deus. Esperamos que a igreja olhe para trás, aos líderes da igreja comprometida (que devem responder por contribuir para que tantos jovens deixem a igreja e porque a estrutura da igreja está tão enfraquecida), e perceba que precisa ser intransigente com a interpretação da Palavra de Deus em Gênesis…

A evolução e a Terra de milhões de anos são realmente a religião pagã tentando explicar a vida sem Deus… Precisamos orar para que esses líderes se arrependam e retornem para a Palavra de Deus…

É claro, isso é um evidente absurdo.

O Reformed Theologica Seminary é parte de uma tradição reformada, que estuda teólogos dos primórdios, como Agostinho, que não acreditava num entendimento literal de Gênesis, mais de 1500 anos atrás.  Quando o assunto “evolução” começou a ser incluído pela igreja nos idos de 1800, importantes teólogos reformados evangélicos como Strong, Shedd e Warfield, não viram nenhum problema numa posição evolucionista teísta. Quem é Ken Ham?

Além disso, seria realmente difícil encontrar um estudioso mais cuidadoso, profundo e devotado à Palavra de Deus do que Bruce Waltke. Que um marketeiro como Ken Ham, que não é nem especialista bíblico nem cientista, tenha o desplante de chamar o Dr Waltke ao arrependimento, em assuntos de interpretação bíblica, é risível. O mesmo com relação à sua condenação aos estudiosos e cientistas do BioLogos.

Então, é assim que vai ser, igreja?

Não estou dizendo “Vamos ficar juntos” ou “vamos todos concordar” com uma determinada posição. Estou dizendo, vamos amar a Deus com toda a nossa inteligência, pessoal! Vamos aprender a conversar entre nós mesmos.  Vamos aprender a escolher batalhas que valham a pena, e lutar nessas batalhas com as armas dadas por Deus: humildade, amor, serviço. Vamos aprender a ser discípulos de Jesus no mundo real.

  • Primeiro, se você pensa que a ciência é um assunto importante para os cristãos e quer saber mais sobre esses assuntos, procure se instruir, faça um curso científico. Leia de forma ampla e profunda, seja humilde e paciente. Assuma a posição de aprendiz antes de começar a jorrar suas “convicções”. Aprenda a reconhecer investigações superficiais e tendenciosas, e se recuse a se deixar levar pela propaganda de qualquer dos lados. Mantenha suas posições com uma mente aberta até que esteja convencido, e mesmo assim, comprometa-se em ser um aprendiz o resto da sua vida. A descoberta científica está continuamente se reavaliando e mudando. Não deixa de crescer.
  • Segundo, com todos os recursos disponíveis atualmente, não há desculpa para ninguém ser ignorante sobre a Bíblia, sobre como estudá-la, a história sobre sua interpretação, e as várias formas pelas quais suas passagens podem ser entendidas. Não se deixe levar caso alguém diga que existe apenas uma forma de interpretar fielmente uma passagem como Gênesis 1. Pense e estude por si mesmo, e ouça as vozes daqueles que lutam com o assunto a mais tempo que você. Se é importante para você “tomar uma posição” sobre um assunto, é importante que se dedique a estudar seriamente tudo a respeito desse assunto. Isso significa ler e ouvir opiniões com as quais você pode não concordar. Implica em ser capaz de falar com outras pessoas, sem ficar na defensiva e lhes chamar por nomes feios e palavrões.

Estou farto dessa vertente de guerra cultural do Cristianismo. Vamos crescer.

Update on the Creation Wars – Chaplan Mike – Internet Monk