Deus e a religião segundo H. G. Wells

A maioria das pessoas conhece H. G. Wells como escritor de ficção científica, de livros como Guerra dos Mundos (que inspirou o filme de mesmo nome), A Máquina do Tempo, entre outros. Mas são poucos os que conhecem o lado religioso desse autor britânico. Abaixo, transcrevo trechos de um livro dele, onde fala a respeito de seus pontos de vista sobre Deus e a religião.

[…]Um dos mais universais e naturais dos equívocos a respeito de Deus, é considerá-Lo como algum tipo de mágico, a serviço dos desejos humanos. Não é fácil para nós entender o significado completo de dar nossas almas a Deus. Missionários e professores de qualquer credo, estão todos aptos a anunciar Deus pelo que Ele pode oferecer; sã0 ávidos pelo triunfo pobre da aquiescência; e assim acontece que muitas pessoas que são levadas a acreditar que são religiosas, estão, na realidade, retendo suas próprias almas e tentando usar Deus para os seus próprios propósitos pessoais. Deus nada mais é para elas, do que um Fetiche magnificente. Elas não o desejam de verdade, mas sim, ouviram falar que Ele é poderoso; suas almas imaturas pensam em fazer uso dEle.  Chamam pelo Seu nome, fazem certas coisas que supostamente exercem influência diante dEle, tais como dizer orações e repetir grandes elogios a Ele, ou lendo cegamente, de maneira diligente, aquela estranha miscelânea de literatura judaica e cristã, a Bíblia, e outras mortificações mentais semelhantes, ou fazendo do Sábado um dia aborrecido e desconfortável. Em resposta a essas propiciações fetichistas, supõe-se que Deus é obrigado a interferir no curso normal das coisas, em nosso favor. Ele se torna um gênio celestial. Ele remedia situações desfavoráveis, cura enfermidades mesquinhas, proporciona milagres na medicina, dinheiro ou outras coisas parecidas, evita falências, arranja transações vantajosas, e faz mil e um serviços para essa sua panelinha de fiéis. […]

[…]O encontro com Deus é o início do ato de servir. Não é um escape da vida e da ação; é a liberação da vida e da ação da prisão do self  mortal. […]

[…]O ódio natural dos homens não regenerados, contra tudo que é diferente deles mesmos, contra pessoas estranhas ou alegres, contra costumes ou coisas que não lhe são familiares, ou que eles não entendem, fez com que se encarnasse neles esta concepção de uma Deidade maligna e partidária, perpetuamente transtornada pelas pequenas coisas que as pessoas fazem, e planejando assassinatos e vinganças. Agora, esse Deus está afogando todos os habitantes do mundo, ou incendiando Sodoma e Gomorra; ou incita seu povo israelita aos mais terríveis progroms.[…]

[…]Eu, o autor, era contra esse Deus que assim é apresentado. Ele e o seu inferno eram os pesadelos da minha infância; eu odiava Deus, acreditava nEle, mas que outra coisa podia fazer além de ter ódio dEle? Pensava nEle como um monstro, perpetuamente esperando para condenar e para “me levar à morte”; suas chamas eram como um incêndio em uma sala de grelhados. Estava sobre mim e minhas fraquezas e esquecimentos, assim como o céu e o mar estariam para uma criança se afogando no meio do oceano. Quanto eu tinha apenas 13 anos, pela graça do Deus verdadeiro, expulsei essa mentira da minha mente, e por muitos anos, até que cheguei a ver que o próprio Deus é que estava fazendo isso por mim, o nome de Deus não significou  nada para mim, pois havia uma trava em meu coração, onde estava esse terrível demônio. […]

[…]A história do Cristianismo, com suas incrustações e sufocação em dogmas e costumes, suas terríveis perseguições contra os infiéis, sua dessecação e decadência com relação ao amor, a invasão de vestimentas e rituais e todos os hábitos e vícios dos Fariseus, os quais Jesus detestava e denunciava, é cheio de alertas sobre os perigos de uma igreja. Organizações são coisas excelentes para as necessidades materiais dos homens, para desenhar cidades,  fazer controle de tráfego, coleta de ovos, entrega de correspondência, a distribuição de pão, a notificação do sarampo, para a higiene e a economia e outras coisas semelhantes.  Quanto melhor essas coisas são organizadas, mais livre e melhor equipada deixamos a mente humana para propósitos nobres, para aquelas aventuras e experimentos em direção aos propósitos de Deus, que são a realidade da vida. Mas todas as organizações devem ser vigiadas, porque tudo que é organizado, pode ser “capturado” e usurpado.  O arrependimento, além disso, é o começo e a essência da vida religiosa, e organizações (agindo por meio de suas secretarias e oficiais) nunca se arrependem. Deus trata somente com o indivíduo e com entregas individuais. Não toma conhecimento de comitês.

Aqueles que estão mais vivos para a realidade da vida religiosa, são os mais desconfiados da tendência à congregação. Reunir-se, é adquirir um benefício à custa de uma perda maior, reforçar o sentido de fraternidade pela exclusão da maioria da humanidade. […]

Uma resposta para Deus e a religião segundo H. G. Wells

  1. Marcelahi disse:

    Ouvi dizer que ele era espirita. É verdade?

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