Gripe espiritual

maio 30, 2009

por Caio Fábio

Gripe é uma desgraça… Não mata mais [pelo menos as gripes normais], mas, não deixa você viver também.

Quase todos os estados de enfermidade, exceto aqueles terminais, incomodam muito menos do que o sintoma da gripe, que, hoje, não nos aflige apenas porque se sabe que “gripe é normal”, pois, incomoda…, mas já não mata.

Entretanto, retirando-se a certeza psicológica resultante da experiência de quase 100 anos com o fato de que as gripes em geral apenas incomodam, mas não matam, é que se vive a gripe apenas com os gemidos de seu desconforto, do nariz escorrendo, das juntas quebradas, do corpo doendo como se você tivesse brigado na rua, com os olhos escorrendo, com a cabeça oca, com um desânimo de morte, e, sobretudo, com um travamento até no fluxo do pensar, cansado de tudo, até de pensar…

Estou muito gripado.

Existe, todavia, um estado gripal/espiritual, que é a doença mais comum dos crentes.

Não mata, mas ferra a existência…

A maioria dos crentes que eu conheço vive espiritualmente gripada.

É dor, desconforto, cansaço, corrimento, juntas quebradas, falta de ânimo, e uma total má vontade com tudo quanto seja trabalho…

Os sintomas da gripe no crente são os seguintes:

Falta de esperança;

Medo de morrer;

Angústia em relação a Deus;

Necessidade dos chás da vovó “igreja”;

Cinismo quanto ao fato que o normal da vida não é viver gripado;

Imunidade baixíssima, daí a gripe nunca ir embora…

E mais:

O lugar mais impregnado de gripe de crente é o ambiente da “igreja”.

Lá é uma câmera de gripe crentina.

O cara entra até bem…, mas logo começa a coriza e, logo depois, os espirros… Então vem a febre alta, e, com ela, os delírios…

O fato é que dentre as gripes, contando a aviária, a suína e outras, nenhuma delas mata mais gente do que a gripe crentina, pois, de fato, seu vírus é resistente a quase tudo, e, em muitos casos, está desenvolvendo resistência até mesmo ao Evangelho.

O estado perene da gripe, quando ela não cede mais, gera a evolução do quadro, de modo que o crente que sofre da gripe crentina acaba desenvolvendo a gripe cretina…

O que pode nos salvar deste estado á apenas vitamina C e cama…

Cristo e cama, só que de joelhos ao lado dela!

Pare a agitação… Descanse e beba de Cristo…

Ele é a cura para esse estado que não mata e não deixa viver!

Nele, que nunca gripou,

Caio

Gripe espiritual – Caio Fábio

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Perdão, meu Deus

maio 30, 2009

escrito por Will, no blog Celebrai

Perdão meu Deus! Pelas vezes que fui ao culto buscar bênçãos de ti. A religião nunca me ensinou o real poder da cruz e da ressurreição, muito menos a versão “evangélica” (do evangelho) de culto, que enuncia ser o culto um ambiente comunitário de total louvor ao nome bendito de Jesus Cristo, a quem devemos a vida. Enganado, fiz do culto em Cristo um ambiente pagão, pratiquei de maneira insana a filosofia do “toma lá, da cá”, usei de barganhas, clamei pela sua mão e me esqueci da tua maior obra: a redenção.

Perdão meu Deus! Pelos dias que me desgastei preocupado com as minhas coisas, esquecendo-me de buscar o seu reino e a sua justiça. É muito difícil entender a graça, a segurança e o consolo que seu Filho nos prometeu; estas, não são palavras de fácil compreensão para quem foi, por muito tempo, prosélito de quem se julga detentor absoluto da verdade.

Perdão meu Deus! Pelas músicas que cantei, pelo: “restitui! Eu quero de volta o que é meu!” E tantas outras imbecilidades entoadas por mim. Como prosélito de néscios travestidos de sacerdotes, adotei a filosofia que dicotomiza música evangélica e música “do mundo” e acabei coando o mosquito e engolindo camelos. Por um desvio teológico o movimento evangélico tem cantado mentiras absurdas em nome de Deus, saciando o ego humano e a fome de injustiça de Satanás, enquanto as músicas populares, com poesias brilhantes, louvam a Deus, bendizendo a vida.
Perdão meu Deus! Por ter idolatrado a Bíblia por tanto tempo, fazendo dela o livro dos livros, mas esquecendo-me de vivenciá-la. Pelas vezes que fiz dela um livro de necromancia evangélica, tirando dela seu objetivo único de revelar Deus ao homem e o homem ao homem de maneira escrita pelos seus servos e inspirada pelo seu Espírito. Pelas vezes que a li só por ler, sem a pretensão de entendê-la, mas com o fim de decorar versículos para cuspi-los nos rostos daqueles que não fazem parte da tua igreja bendita.
Perdão meu Deus! Pelas vezes que deixei de desfrutar a vida em nome de uma santidade vulgar, imbecil e não-bíblica. Por obstruir a vida em favor de questiúnculas de seres humanos que se preocupam em manipular o outro e a divindade, em favor dos “bons costumes”.
Meu Deus, arrependido e disposto a reviver, ante as novas oportunidades que só o Senhor concede aos que o buscam com um espírito contrito e um coração arrependido, confesso-lhe me sentir um estranho em meio a tanta ignorância entre aqueles se dizem teus filhos.
Por Jesus Cristo,
Will

Igreja: cargos ou funções?

maio 28, 2009

A hierarquia eclesiástica é bíblica?

A hierarquia eclesiástica segue o modelo que Jesus idealizou?

Primeiro texto: O modelo de Jesus para a sua igreja – Gary Fisher

Por que há tantas igrejas? Qual é a certa, ou são todas certas? Devo participar de uma igreja para agradar a Deus? Por causa da desnorteante quantidade de opções no mundo religioso, mais e mais pessoas estão fazendo perguntas como estas.

Para responder, vamos voltar a examinar o Novo Testamento. Por enquanto, esqueça o que você sabe a respeito de religião e considere, de novo, o padrão do evangelho pregado por Cristo e seus apóstolos.

Durante sua vida na terra, Jesus escolheu 12 homens, chamados apóstolos, para revelar e espalhar a mensagem depois de sua ascensão. Começando em Atos 2, estes homens pregaram e ensinaram o evangelho em Jerusalém. Logo, outros seguidores de Cristo estavam indo de lugar a lugar, ensinando a mesma mensagem. Olhemos para a cidade de Antioquia da Síria como um modelo do que aconteceu quando pessoas receberam o evangelho lá (Atos 11:19-26). Vários cristãos foram a Antioquia. Eles pregaram o evangelho do Senhor Jesus (v. 20). Muitos foram convertidos ao Senhor (v. 21). Os novos convertidos foram exortados a permanecer no Senhor (v. 23). Como resultado, muitas pessoas foram unidas ao Senhor (v. 24). O que é ressaltado em tudo isto é, claramente, o Senhor: Pregando o Senhor, conversão ao Senhor e lealdade ao Senhor. A próxima coisa que lemos no texto é a igreja se reunindo. Evidentemente, aqueles convertidos ao Senhor reuniam-se e trabalhavam como uma igreja (congregação). Esta igreja logo recolheu dinheiro para mandr aos irmãos pobres em outra cidade (Atos 11:27-30). Mais tarde, a igreja mandou dois de seus cinco profetas e mestres para espalhar o evangelho em outras áreas (Atos 13-14). Estes dois, Barnabé e Paulo, pregaram a Jesus em muitas outras cidades e logo, nelas também, havia igrejas (Atos 14:23). Enquanto Paulo e Barnabé, alegremente, relataram à igreja de Antioquia sobre o trabalho do Senhor durante a viagem (Atos 14:27), não há nenhuma indicação de que a igreja de Antioquia exercesse qualquer controle sobre as outras igrejas. Antes, presbíteros (também chamados bispos e pastores, na Bíblia) foram escolhidos dentro de cada uma destas congregações para supervisionarem-na (Atos 14:23). Nunca, na Bíblia, os presbíteros foram autorizados a supervisionar outra congregação além da qual foram eles selecionados (Atos 20:28; 1 Pedro 5:1-3).

Como é típico na história dos homens, algumas mudanças entraram gradativamente e desviaram os Cristãos deste modelo original. Pouco a pouco, o desenvolvimento de uma organização foi se extendendo acima das igrejas. Grupos de homens e igrejas mais importantes começaram a controlar as outras igrejas. As igrejas começaram a se tornar parte de uma hierarquia. A lealdade a Cristo foi substituída pela lealdade à “igreja”. Uma extrema reação contra este erro levou a um outro abuso do plano de Deus. Alguns decidiram que não era necessário fazer parte de qualquer congregação e tentaram servir a Deus sozinhos, sem adoração ou trabalho com outros cristãos. Como podemos servir a Deus em um mundo cheio de tais desvios de sua vontade?

Voltemos

Que os homens pudessem apartar-se do padrão de Deus, não é surpresa. Repetidamente, no Velho Testamento, o povo se extraviou de sua  palavra. Em cada ocasião, profetas de Deus como Isaías (44:22; 55:6-7), Jeremias (3:12-14; 6:16; 35:15), Ezequiel (14:6; 18:30-32) e Joel (2:12-13) chamaram o povo de volta ao plano original de Deus. Cada vez que os israelitas se desviavam do padrão, homens devotos conduziam a nação a abandonar as alterações e retornar à vontade revelada por Deus. Davi (1 Crônicas 13), Ezequias (2 Crônicas 29-31), Josias (2 Reis 22-23), Esdras (9-10) e Neemias (8-10,13), todos ajudaram o povo a voltar ao plano original de Deus. Todas as vezes, a meta foi uma imitação completa do padrão revelado.

A solução para o mundo religioso, que nestes dias está por demais extraviado da vontade de Jesus Cristo, é voltar ao padrão da Bíblia. Jesus chamou a palavra de Deus de “a semente” (Lucas 8:11). Uma das qualidades interessantes da semente é que a planta que dela resulta, quando é plantada, é sempre a mesma, não importa quando ou onde ela é semeada. Se plantarmos hoje a semente pura (a palavra de Deus), conseguiremos o mesmo efeito que a palavra produziu no primeiro século. Quando o resultado for grupos religiosos e organizações, desconhecidos no Novo Testamento, a causa é que foram semeados outros ensinamentos, além do puro evangelho.

Imagine que você e eu sejamos abandonados numa ilha desabitada. Não temos nenhum conhecimento de religião. Um dia, uma Bíblia chega na praia e começamos a lê-la, estudá-la e decidimos seguir o que ela ensina. Sem qualquer conhecimento de religião, apenas com a pura semente do evangelho plantada em nossos corações, o que faríamos? Decidiríamos seguir a Jesus em nossa vida, submetendo-nos a seu ensinamento. Reunir-nos-íamos como uma congregação para adorar e servir ao Senhor. Talvez decidíssemos ir a outros lugares para ensinar pessoas a seguirem a Jesus. Mas que tipo de igreja decidiríamos tornar-nos? Esta questão jamais passaria pela nossa mente. Sem conhecimento das modificações humanas, jamais pensaríamos em ser qualquer outra coisa que não fosse uma igreja de Jesus Cristo, servindo-o independentemente e seguindo seu ensinamento. Para nós, que bem sabemos das modificações que os homens têm feito no evangelho, nosso alvo deve ser igual: servir ao Senhor exatamente do mesmo modo que as Escrituras ensinam, se seguir os erros de outros.

Princípios Básicos

Mantenha a ênfase em Cristo. Em nossa sociedade, a lealdade às igrejas toma o lugar da lealdade a Cristo. Algumas pessoas colocam a  igreja acima de Jesus Cristo e servem a igreja acima de tudo. Estas pessoas pensam sobre seu serviço a Deus em termos de encontrar a igreja, juntar-se à igreja, e permanecer fiéis à igreja. Apostasia, para eles, é deixar a igreja. Em termos bíblicos, a igreja é simplesmente aqueles que estão seguindo a Jesus, a família de Deus. Nosso foco, ênfase, e lealdade são para com Cristo. Outras pessoas colocam a igreja entre Cristo e o homem, pensando nela como uma instituição através da qual Deus fala ao homem e o homem a Deus. Mas Cristo é o único mediador entre Deus e o homem (1 Timóteo 2:5). Eu não procuro Deus através da igreja; a igreja é o povo que está procurando seguir a Deus. É Cristo quem deve dominar nossas vidas, não a igreja.

Veja o lugar da igreja (congregação) no plano de Deus. Deus planejou que os cristãos haveriam de servi-lo com outros cristãos, como uma parte de um grupo de discípulos. Ele esperou que as igrejas se reunissem para adorar, juntar seus recursos para trabalhar, procurar homens qualificados para ensinar, e encorajar uns aos outros à fidelidade (Atos 2:42-47; 4:32-37; 11:26-30; 14:23; 20:7; 1 Coríntios 16:1-2; Hebreus 10:24-25; etc.). Eu sou parte de uma igreja porque Cristo ordenou. Tentar ser um cristão sozinho, sem fazer parte de uma congregação, é ignorar as instruções de quase todos os livros, desde Atos até Apocalipse, os quais foram escritos para as igrejas, ou para dar instruções sobre a determinação de Deus para as igrejas. Não podemos colocar a igreja no lugar de Cristo como Senhor. Mas, antes, em obediência a Cristo, submetermo-nos ao plano que ele revelou a respeito das atividades dos cristãos.

Evite pensamentos errados. O conceito de uma estrutura hierárquica entre igrejas, penetra de tal maneira em nossa sociedade que é difícil evitarmos. A Bíblia não ensina o conceito de uma igreja sendo parte de um grupo de igrejas. Assim como não devemos pensar que a igreja seja a mediadora entre o homem e Deus, não devemos pensar em alguma organização como mediadora entre a congregação e Deus. Cada igreja, que segue a Cristo, vai segui-lo diretamente, sem lealdade a qualquer grupo ou rede de igrejas.

Faça parte de uma igreja que segue o padrão da Bíblia. Já no tempo em que João escreveu o livro do Apocalipse, algumas igrejas estavam se extraviando do padrão (Apocalipse 2-3). Visto que eu não posso participar, nem encorajar práticas fora das Escrituras (Efésios 5:11; 2 Coríntios 6:14-7:1; 2 João 9-11), eu também não posso fazer parte de uma igreja que não é fiel à palavra de Deus. Graças a Deus, temos, ainda, a semente pura. É possível a uma igreja seguir a palavra de Deus e voltar ao caminho de Deus, como os israelitas fizeram em muitas ocasiões. É ainda possível para indivíduos se reunirem e começarem uma igreja conforme a vontade de Deus. Os apelos e exemplos de muitos homens de Deus foram relatados na Bíblia, para nos ensinar e nos motivar a seguir o caminho de volta ao padrão do Senhor.

Voltemos e sirvamos a Deus exatamente como os cristãos o fizeram no primeiro século.

Segundo texto: Não existe hierarquina na igreja – Roberto Soares

Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal;
E, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo
“; (Mateus 20:25-27)

Diferente do que muitas vezes a igreja ensina, não há hierarquia na igreja, como o próprio Jesus diz na citação acima, a igreja tem de ser o contrário de uma hierarquia.

Hierarquia há no governo, no mundo, no emprego e em outros lugares, mas entre nós não deve ser assim.

Estamos todos na mesma posição em Cristo e somente Deus está acima.
Nossos dons apenas nos são dados para que ajudemos uns aos outros, mas não nos tornam maiores, nem provam sermos melhores, pois são dados de Graça.

Quem tem ouvidos para ouvir que ouça.

Terceiro texto: A igreja como escada – Fernando Gomes

O grande paradoxo da Igreja-Instituição é que ela se torna um clube como qualquer outro. Não é incomum ver cristãos confiarem somente em cristãos (do grupo) nos negócios, e por fim serem prejudicados por esse pensamento.

Há também aquele que na sociedade laica não tem significância, então esse vê nos cargos da igreja uma oportuna forma de crescer, pois de lá ele se torna alguma autoridade, ora… quem quer cargo primeiro trabalhe como se tivesse, e melhor é trabalhar sem ter.

A igreja tem servido a muitos como escada de ascensão social, o clube da igreja-templo devido à sua exigência mais dos costumes e aparência do que intelectualidade e integridade torna muito mais fácil as relações comerciais, onde a confiança se baseia na perfomance.

Logo, aqueles de melhor perfomance na igreja conseguirão e terão prioridades nos cargos em empresas de outros irmãos, mesmo que no mundo tenha muitos passando necessidade e fome precisando urgente de alguém para ajudar.

Também os casamentos ocorrem assim, a igreja ao invés de ensinar que não há casamento nos céus, tem servido para arranjar relacionamentos e obrigando que seja com sócios da igreja, com o objetivo de suplantar os fiéis anteriores e manter o número.

De toda forma, a igreja perde o caráter ontológico de transformar o mundo, e passa a ser apenas uma alternativa, uma oportunidade para pessoas construírem uma vida social não fundamentada no ser, mas sim no ter.

Assim se vê pessoas com os costume de “ficar” nas igrejas, desconhecendo a palavra fidelidade, amor mas sentando na frente dos bancos da igreja, e recebendo tapinhas nas costas por estarem vestidas de acordo com o grupo.

Na igreja-clube não é indistinguível as classes sociais, na verdade muitos perdem tempo se exibindo. E exatamente como ocorre no mundo, há uma ponte entre ricos e pobres.

Dar diretrizes morais é inútil se não tiver um acompanhamento relacional, mas a mera exposição dessas coisas já é capaz de causar uma reflexão, trazer o debate à tona e transformar o comportamento.

E principalmente, denunciar a igreja-clube que se fecha para os não-sócios, como todo clube.

Resumo: a igreja-instituição, com seus cargos e hierarquias; assim como a igreja-empresa que visa apenas números e lucro, mas não dá a mesma ênfase para a construção do caráter cristão, e a igreja-clube,  que tem sócios e não membros, todas elas fogem do padrão do Novo Testamento. No corpo de Cristo, todos são iguais e importantes, o que acontece é haver pessoas com funções diferentes, mas nenhuma pessoa é superior à outra. Todos são igualmente importantes e o único cabeça da igreja é Jesus. O corpo só funciona de forma saudável quando todos os membros estão saudáveis e cumprindo com suas funções, e não quando os “cargos” estão todos preenchidos. Um pastor “profissional”, que exerce isso como uma profissão, e não como apenas mais uma função no corpo de pessoas que formam a Igreja, pode não ser um bom pastor; enquanto uma pessoa que sequer usa o título  de “pastor”, pode estar pastoreando um grupo de pessoas melhor do que o  pastor “profissional”,  mesmo sem saber.

E não, não estou dizendo que a preparação para a função é dispensável. Não  é. Preparar-se bem, é fundamental. Mas ter dom para exercer a função, seja ela qual for, é sim indispensável. Do contrário, o resultado são membros de igrejas feridos, e pessoas se afastando das igrejas. Algumas por não estarem sendo pastoreadas, outras por estarem sendo impedidas de exercer seus dons e funções na igreja, porque a hierarquia (estabelecida por homens) e elitização dentro da mesma, não permitem.


Sobre abismos e pontes

maio 23, 2009

abismoQuando quero acreditar num ponto final, um ponto final fundo como um abismo; quando quero acreditar que desse ponto final em diante não posso passar sem cair, e nada vai mudar, Ele vem e coloca mais alguns pontos, e faz uma ponte, e me convida a ultrapassar meu próprio abismo.

Talvez um dia eu tente me jogar nesse abismo interior, e descubra que ele se transformou numa poça d’água rasa e inofensiva… = P

“Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito.”


O homem e sua sombra…

maio 18, 2009

Não são as coisas que eu fiz, não são as coisas que deixei de fazer, que me levam ao arrependimento.  É o tipo de pessoa que eu sou. Não sujei minhas mãos com o sangue do meu próximo. Não coloquei minhas mãos dentro do seu bolso para roubar. Mas, quando olho para dentro do meu coração, e vejo que ele está cheio de ambição, orgulho, egoísmo e ganância escondidos, eu não sei, mas se vivesse onde meu irmão vive, minhas mãos estariam sujas de sangue como as dele, estariam ávidas por roubar como as dele.  Sou assombrado por um outro eu. E quando esse monstro das sombras caminha ao meu lado, e sussurra idéias más no meus ouvidos, coloco minhas mãos sobre sua garganta e meus pés sobre o seu ser prostrado! Não é o que eu faço, não é o que eu deixo de fazer; é o que está dentro de mim, e que veio não sei de onde nem sei porque, e que deve de algum modo ser limpo, antes que eu seja a pessoa que, com a ajuda de Deus, posso vir a ser.

Lyman Abbott


Deus e o novo ateísmo – John Haught

maio 12, 2009

haughtbook_lgEm God and the New Atheism, um especialista e ciência e teologia, dá respostas claras, concisas e convincentes para os ataques contra a religião efetuados em best-sellers recentes de Richard Dawkins (The God delusion), Sam Harris (The end of faith) e Christopher Hitchens (God is not great). Para muitos, esses novos ateístas parecem dizer extremamente bem o que acreditam estar errado com a religião. Mas, como John Haught mostra, o tratamento dado à religião nesses livros está recheado de inconsistências lógicas,  e generalizações.  Pode Deus realmente ser considerado como uma mera ilusão? A fé é realmente inimiga da razão? E a religião pode mesmo realmente envenenar tudo? God and the New Atheism oferece um antídoto suficiente para os apelos extremistas do fundamentalismo científico. Este pequeno, acessível e provocativo livro, habilitará seus leitores a ver através da fumaça retórica deste fenômeno recente, e ter um claro entendimento das questões em jogo neste debate crucial.

God and the New Atheism – John Haught

8503007150_gOutro livro do autor, com tradução para o português:

Deus após Darwin – John Haught


Suíça redime última “bruxa” morta na fogueira

maio 11, 2009

VIRGÍNIA HEBRERO
da Efe, Genebra

A última mulher morta em uma fogueira na Suíça após ter sido acusada de “bruxaria” foi reabilitada moralmente neste sábado pelo Grande Conselho (Parlamento cantonal) de Freiburg, que limpou a memória da condenada por meio de uma declaração solene.

Catherine Repond, conhecida como Catillon, foi executada em 1731 após ser condenada a morte por bruxaria.

Segundo vários historiadores, a vítima confessou o “crime” sob tortura. O assassinato foi tramado pelo poder oligárquico da época para calar uma mulher que sabia demais sobre personalidades da época, como o fato de que alguns deles promoviam falsificação de moedas.

A devolução da honra a Catillon foi promovida por dois deputados cantonais, Jean-Pierre Dorand, historiador, e Daniel de la Roche.

Por 69 votos a favor, 21 contra e 8 abstenções, os deputados cantonais adotaram a resolução, não vinculativa do ponto de vista legal, com a oposição dos partidos políticos de direita UDC e PLR, os quais consideraram que “é melhor se ocupar dos problemas de nosso tempo”.

Esta reabilitação moral abrange não só à última suposta “bruxa” e a outras acusadas pelo mesmo crime, mas também a todas as vítimas do Antigo Regime, como homossexuais, minorias religiosas, presos políticos e todos aqueles que confessaram crimes sob tortura.

A historiadora Josiane Ferrari-Clément, autora de um livro sobre Catillon, defende a tese que de que as personalidades locais queriam se desfazer de uma pessoa incômoda, que sabia tudo sobre o tráfico de moedas falsas.

Nascida em 1663, Catillon morava no povoado de Villarvolard, onde levava uma vida boêmia e vivia principalmente de esmolas. Relacionada com ambientes de má reputação –nos quais aparentemente entrou em contato com o grupo que falsificava moedas–, nada na vida de Catillon podia justificar, segundo a historiadora, que as testemunhas em seu julgamento por “bruxaria” a acusassem de todo tipo de mal, como azedar o leite, estragar queijos e fazer o gado adoecer.

O beato Nicolas de Montenach, juiz de Corbieres, a trancou em um calabouço em maio de 1731 e a acusou de ter se transformado em raposa. Seu argumento é de que tinha saído para caçar alguns meses antes e havia ferido uma raposa na pata e Catillon tinha um de seus pés em péssimo estado.

Apesar de a mulher explicar que tinha sido vítima de um tiro disparado por uma família a qual pediu abrigo em uma noite, o juiz não mudou de ideia: o ferimento se devia ao disparo contra a raposa.

Submetida a torturas, Catherine Repond confessou tudo o que seus carrascos queriam ouvir: que assistia a ritos de magia negra, que dançava com demônios, que tinha se entregado ao diabo em várias ocasiões, até que foi estrangulada e depois queimada em setembro de 1731, com 68 anos de idade.

Os arquivos citados pela historiadora narram que, durante os interrogatórios, Catillon sempre expôs fatos que não eram levados em consideração. Ela inclusive chegou a acusar um padre de tê-la estuprado.

Durante o processo, acusou um homem chamado Jacques Bouquet, um curandeiro que era o pai de dois filhos de sua irmã, de ter construído uma instalação para fundir o metal com o qual fazia moedas falsas.

A historiadora assegura que os juízes faziam de conta que não ouviam tudo isso porque tinham medo. Eles sabiam que Catillon tinha relações na alta sociedade de Freiburg.

Alguns creem inclusive que havia personalidades envolvidas nessa rede de falsificadores, que chegaria até a França, motivo pelo qual tudo era comprometedor.

Kathrin Utz Tremp, colaboradora científica dos Arquivos do Estado suíço, estudou as atas do processo de Catherine Repond, e afirma que durante seu processo, ela foi interrogada pelo menos 13 vezes, sendo torturada desde a terceira.

Catillon chegou a ser pendurada por uma corda e depois ter os pés amarrados a pesos de entre 25 e 50 quilos, o que era um método de tortura habitual na época.

“Nessas condições, eu também confessaria que sou uma bruxa, embora nem sequer acredite em bruxaria”, afirma a especialista.

Fonte: Suíça redime última “bruxa” morta na fogueira – Folha Online

Quantas pessoas foram torturadas e mortas por “bruxaria”? Quando na verdade o que estava por trás eram motivos políticos, econômicos, interesses financeiros. E com esse tipo de tortura, quem não confessaria, mesmo sem ter culpa? E pensar que igrejas cristãs também participaram desse absurdo.