Ímpio

outubro 5, 2016

livro-o-impioAcabei de ler um livro que fazia muito tempo estava parado aqui. Trata-se de “Ímpio, o evangelho de um ateu”, de Fábio Marton.

Minha primeira observação é saber porque um ateu dá nome de “evangelho” a um livro. Evangelho significa “boas novas”, e o livro do Fábio Marton, está longe de ser parecido com uma boa nova. É apenas mais um livro de um ateu, um ex-crente, criticando os crentes e as igrejas das quais fez parte ao longo da vida, e tentando ganhar dinheiro com a história. A diferença deste para outros que já li, é que o Fábio satiriza mas ao mesmo tempo demonstra certo afeto por aquelas pessoas todas que aparecem no livro.

No texto, o autor critica os crentes e detalha a sua vida desde criança no meio evangélico, começando numa igreja em Osasco e depois vindo morar em Curitiba, nos piores bairros possíveis. E uma vida repleta de dramas e tragédias pessoais. Era nerd, solitário, obeso e sofria bullying na escola, e a oração dele mais frequente, segundo ele mesmo, era pedindo a Deus uma namorada e um amigo. Sua mãe morre num acidente de carro; o irmão fica paraplégico nesse mesmo acidente; o pai, pula de fracasso em fracasso, de um relacionamento para outro e de igreja em igreja. Fábio passa a morar de favor com parentes depois da morte da mãe, numa cidade que também não era a sua, e da qual ele nitidamente não gostava.

O autor foi transformado num pequeno fanático religioso, tipo Nietzsche, que como ele também havia sido uma espécie de pregador-mirim. Virava alvo na escola por ser crente, nerd e obeso. O grau de fanatismo dele era tão grande, que chegou a entrar numa “disputa” mental com uma macumbeira quando tinha sete anos. Acreditou ter ganho um dente de ouro de Jesus. Acreditou ter sido escolhido por Deus para uma revelação: o mundo ia acabar numa certa noite. Obviamente a noite passou e o mundo continuou onde estava. Mais adiante no livro, ele conta como pediu a Deus para ressuscitar sua mãe quanto esta morreu. Para mim parece óbvio que isso ia acabar em grande decepção, como de fato acabou. Afinal, Deus tem culpa da visão deturpada que o autor tinha a respeito de quem ou como Ele é ou devia ser? Que culpa Ele tem de não ser aquela lâmpada mágica pronta a resolver todos os problemas, desde que seja bem esfregada com muita oração,  como é pintado em muitas igrejas? O próprio autor disse em uma entrevista a respeito do livro, que quando era crente, acreditava que as coisas deviam cair prontas do céu. Expectativas erradas, baseadas em péssima teologia e abusos por parte de igrejas totalmente sem noção, geraram o Fábio Marton e o seu livro.


Para Ariovaldo Ramos

março 31, 2016

Discurso sobre justiça social é bonito e faz sucesso, eu sei. É politicamente correto. E também concordo que todo governo deve se preocupar com questões sociais. É dever do cristão ter estas preocupações.

Mas lamento informar: Jesus não morreu porque quis ser o Che Guevara de Israel. Pensar que justiça social pode ser imposta, à força, por um governo, e que isso tem alguma coisa a ver com a justiça pregada por Jesus, é ingenuidade. Se não for pura desonestidade. Nenhum governo será capaz de implantar um “paraíso na Terra”. Acreditar nisso é ilusão. Chegar a uma Hell’s Kitchen é resultado mais provável, em comparação com o de chegar ao paraíso terrestre por obra de políticos. Imaginar que a luta de classes, base do marxismo, tem relação com o que foi pregado por Jesus, é demonstração de ignorância.

Governos representando ao mesmo tempo os papéis de corruptos e corruptores, causam mais mortes do que a própria criminalidade. Geram injustiças. Tiram recursos da saúde, da educação, da segurança pública, da agricultura, do saneamento básico. Desviam recursos que poderiam ser usados para construir escolas, hospitais, creches, bibliotecas, e etc. Recursos que poderiam ser usados para ajudar pessoas a se libertarem do populismo, não precisarem mais de auxílios, os quais o próprio governo usa para manipular, fazer terrorismo eleitoral e ganhar votos. E um líder cristão, seguidor de Jesus, não pode ao mesmo tempo, pregar o Evangelho, e defender sistemas políticos totalmente corruptos, onde a corrupção se transformou em instituição. Sistemas políticos que debocham da Constituição, do Judiciário, e dos cidadãos. Onde se trata voto, como cheque em branco, e onde tudo é permitido desde que se mantenham no poder. Jesus não era nem de esquerda nem de direita, o projeto de Jesus era o do Pai, e não projeto de poder político, humano. Mas ele jamais emprestaria seu nome, para defender as injustiças e a corrupção estabelecidas. Causa temor quando lideranças supostamente cristãs, se prestam a um papel ao qual Jesus jamais se submeteria. É contraditório um líder cristão que se diz defensor da justiça social, ao mesmo tempo defender políticos corruptos, sendo a corrupção causadora de graves injustiças que atingem a todos.

A parte boa, é que o disfarce “piedoso” sob o qual se esconde a ideologia política, a real motivadora de certos movimentos intitulados “cristãos progressistas”, cai, quando estes se defrontam com a necessidade de defender o indefensável. Ao negociar o inegociável buscando defender o indefensável, torna-se claro então, que Jesus e o cristianismo para tais movimentos, são na verdade, secundários. A ideologia é mais importante. Isso já havia ficado evidente, na ocasião do apoio dado a Hugo Chávez, e o silêncio subsequente deste senhor Ariovaldo Ramos, quando pessoas começaram a ser assassinadas na Venezuela, por serem contrárias ao governo.

Repudio totalmente uma liderança que se diz cristã, mas empresta sua imagem e suas palavras, para defesa de estruturas políticas imersas em corrupção, ou para defender regimes totalitários. Governos que apenas usam tais movimentos e líderes religiosos, para atingir objetivos de poder, sem conexão com o Evangelho. Misturar Jesus com política, nunca deu certo. Transformar o que é espiritual, em ideologia política, puxar Deus para um lado ou outro, é chamar Deus de mentiroso. É fazer de Deus, cúmplice de corrupção e totalitarismo. Pior do que colocar o nome de Jesus no meio dessa suposta teologia, é colocar a ideologia e o projeto de poder político, acima do Evangelho.

Como cristão, você ajuda o próximo com a liberdade que lhe é dada, pelo amor que vem do alto. E não porque um governo o obriga, ou tira recursos de você, por meio de impostos cada vez maiores, para supostamente dar aos menos favorecidos, enquanto este mesmo governo, é ineficiente, corrupto, autoritário, contrário à liberdade individual em nome de um suposto “interesse coletivo”, e aplica as leis de forma parcial, em busca de se eternizar no poder. Quando, em nome desta suposta “justiça social”, líderes que se dizem cristãos, passam a não enxergar como erros o que é escancaradamente errado, é porque em vez de serem sal e luz, a ideologia é que os envenenou.

Os pecados de alguns são evidentes, mesmo antes de serem submetidos a julgamento; enquanto que os pecados de outros se manifestam posteriormente. Da mesma forma, as boas obras são evidentes, e as que não o são não podem permanecer ocultas. 1Timóteo 5:24,25


Jararacas e homens

março 11, 2016

Fico aqui pensando como seria se um político acusado de corrupção, em vez de esforçar-se tanto para negar o óbvio, simplesmente admitisse, de forma espontânea: “sim, fui corrupto, traí meus eleitores e prejudiquei toda a nação, mereço a cadeia, estou arrependido e vou devolver tudo”. Seria bombástico, palavra esta que tem sido repetida na imprensa nas últimas semanas. Só em sonho mesmo. Mas nem tudo está perdido, pois temos as delações premiadas.

Voltando à realidade, o ex-presidente Lula andou se comparando com serpentes, mais especificamente, uma jararaca. Lembro que ele também já se comparou com Jesus, citando alguma coisa sobre a barba que os dois teriam em comum, como se usar barba o tornasse parecido com Jesus. Mais recentemente, Lula comparou os delatores do esquema do Petrolão, com Herodes, e seus companheiros de partido acusados de participar do esquema corrupto, com Jesus crucificado, algo totalmente sem noção. Lula não foi o primeiro populista a se comparar com Jesus, mas foi talvez o que o fez de forma mais tosca. Mas o pior é testemunhar a manifestação da idoLULAtria, a idolatria ao ex-presidente Lula. E perceber, atingidos por este mal, não só militantes, mas também religiosos. No caso destes últimos, associado com grave dissonância cognitiva.

O mesmo Jesus que este Lula totalmente sem noção deturpa, afirmou: O que contamina o homem, é o que sai da sua boca. Pois o que sai da boca, vem do coração.

O que vai no coração de um homem que se denomina publicamente como jararaca, só Deus sabe. Eu, prefiro não saber.

Quem é sábio e tem entendimento entre vocês? Que o demonstre por seu bom procedimento, mediante obras praticadas com a humildade que provém da sabedoria. Contudo, se vocês abrigam no coração inveja amarga e ambição egoísta, não se gloriem disso, nem neguem a verdade. Esse tipo de “sabedoria” não vem do céu, mas é terrena, não é espiritual e é demoníaca. Pois onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males. Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera. O fruto da justiça semeia-se em paz para os pacificadores. Tiago 3:13-18


Plenitude da fanfarronice

janeiro 26, 2016

Um auto intitulado “apóstolo”, egresso de duas “igrejas da prosperidade”, que abriu em seguida sua própria franquia de “igreja”. Daí para atrair muitos, aparecer na Internet, e chamar a atenção, foi um pulinho. História que já vimos várias vezes. Mais do mesmo tipo de igreja judaizante, onde se vende óleo milagroso engarrafado, e se fazem campanhas com nome de muralha de Jericó, batalha de Josué, quebra de maldição, com decoração dourada pra todo lado, e outras coisas do tipo. Até aí, nada de novo. É a mesma receita de outras neopentecostais já há muito tempo no “mercado”. Sim, mercado.

O fanfarrão em questão, usa por cima da roupa, um simulacro de pano de saco. Muitos o chamam de Fred Flintstone por conta da roupa inusitada, a fantasia que usa nos cultos da igreja. Fora da igreja, nada de humildade, vale andar de Porsche e BMW e ostentar roupas de marca. Além de fanfarrão, é ator, e gosta de encenar duelos com pais de santo, amaldiçoar pessoas em vídeos, e mais recentemente, estava usando uma coroa que o deixava parecido com um personagem do carnaval. Púlpito ou picadeiro, eis a questão.

Num país cheio de escândalos de corrupção, Petrolão, Mensalão, Zelotes, Lava jato, dá para entender porque as pessoas procuram esse tipo de lugar. Simples de entender a atração que este tipo de “pregação” exerce. Busca de soluções fáceis para os problemas comuns da vida: casamento destruído, desemprego, dívidas, problemas de relacionamento, vícios e doenças. Pessoas desesperadas viram alvo dos parasitas da fé. A fórmula de mostrar Deus como fosse a lâmpada mágica que resolve todos os problemas, sem que você precise fazer nada além de entregar seu dinheiro, apenas reflete o que acontece em todos os escalões da política do país, onde tudo se resolve com propina. Tudo é questão de “molhar a mão” certa. Em vez de cantar “segura na mão de Deus”, vão na igreja para tentar molhar a mão dEle. Deve ser por isso que alguns políticos fazem questão de aparecer em igrejas quando é época de eleição. O povo vai de uma igreja de prosperidade para outra, e elas competem entre si pelo mercado de desesperados. Um povo fraco, que corre atrás de qualquer carismático que se diz “apóstolo”, abre um negócio que chama de “igreja” e sobe em púlpito. E quanto mais espalhafatoso o culto, melhor. Não é de estranhar os políticos que temos por aí. Cada nação tem o governo que merece. E cada crente tem o pastor que merece. Simples assim.

“Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas jamais ficará satisfeito com os seus rendimentos. Isso também não faz sentido.”
Eclesiastes 5:10

Pra não dizer que não falei do natal

dezembro 27, 2015

natalO natal já passou. E como acontece todo ano, em algum lugar aparece uma reportagem ou post em blog para nos informar de uma suposta “novidade”: Jesus não nasceu em 25 de dezembro! Sério?

E todo ano, reportagens deste tipo recebem centenas de comentários. Uma que eu vi esse ano, mas que na verdade é do natal de 2012, tinha mais de 500 comentários. Pessoas comentando como se fosse uma notícia inédita, algo que vinha sendo mantido escondido por mais de 2000 anos, e só agora tinha sido revelado. Nos comentários, pessoas se digladiam, citando termos como “argumento”, “refutar”, “falácia”, “ad hominen”, “lógica”, “paganismo”, “mitologia”, “fanatismo”, “fundamentalista”. Tem os que dizem que cristão de verdade não comemora o nascimento, e sim, a morte de Jesus, ou seja, a data mais importante para os cristãos, é a Páscoa, e não 25 de dezembro. Faz sentido. Mas não julgo quem tem por tradição, também celebrar o nascimento de Jesus, mesmo que seja numa data simbólica, já que ninguém sabe o dia correto. Saber isso não é importante. O fato de coincidir com um evento que hoje se tornou meramente comercial, seria mais um motivo para comemorar o nascimento de Jesus exatamente nesta data, e lembrar de Jesus e seus ensinamentos, em vez de participar do consumismo desenfreado de final de ano. Só para contrariar o mundo. Certamente seria uma coisa que Jesus faria. : P

Pois é. Mas todo ano é a mesma coisa. Todo ano se repete o debate sobre o porquê de o 25 de dezembro ter sido escolhido para comemorar o nascimento de Jesus. Aquela história toda de solstício e teorias de conspiração, que qualquer um pode descobrir fazendo uma pesquisa no Google, e saber todas as teorias sobre a origem da ideia de papai noel, árvore de natal e tudo o mais, e que a ideia do papai noel se espalhou pelo mundo graças à Coca-cola (afinal as cores da roupa dele são as cores da Coca-cola) e ele usou roupa vermelha pela primeira vez, por obra de um cartunista que o representou com essas cores, e nem faz tanto tempo assim.

E como acontece sempre, todo ano tem alguns que sentem necessidade de responder a todos os cristãos que comentam sobre o assunto, geralmente explicando como comemoram a data. Geralmente um ateu, ou alguém que se diz “cético”, “livre pensador”, “humanista” ou coisa do tipo. Supostamente querendo “abrir os olhos” dos “trouxas” que se baseiam supostamente numa fé cega, para o embuste das religiões que enganam as pessoas inclusive inventando uma data de aniversário para um suposto Jesus que provavelmente nem existiu e que é apenas uma montagem de uns espertos que queriam dominar o mundo e inventaram tudo isso. Deixei a frase sem vírgulas, de propósito, ok?

Posso falar disso com conhecimento de causa, afinal já fiz parte do time “ateístas/humanistas/livre pensadores querendo libertar o mundo da mentira das religiões”. Sim, já perdi muito tempo com discussões deste nível, totalmente inúteis e repetitivas. Religiosos dizem muitas mentiras, é verdade. O que não significa que ateus também não possam mentir. É também verdade que Jesus não nasceu em 25 de dezembro, e que não sabemos a data certa.  Mas nada disso faz Deus ser menos real.

Diz aquela velha letra de música tocada em todo lugar nesta época do ano: “eu pensei que todo mundo fosse filho de papai noel…”. Prefiro ser filha dEle.


Deus e o clarinete

setembro 19, 2015

clarinete_posterSe você já tentou aprender, ou sabe tocar um instrumento musical, entende que cada um deles tem seus truques. Mas já parou para pensar no quanto aprender a tocar um instrumento, e o relacionamento com Deus, possuem semelhanças e diferenças?

Primeiro você escolhe o instrumento com o qual mais se identifica, ou te obrigam a aprender algum deles na escola, por exemplo. No caso de Deus, existem várias “versões” em diferentes religiões (eu particularmente escolhi o cristianismo e creio que foi a melhor escolha). Pode acontecer de você tentar um, e depois não gostar e tentar outro, e também pode acontecer de você acabar se convencendo de que tocar, não é a sua praia. Quanto ao instrumento e a música, desistir é fácil, já que o aprendizado exige disciplina e paciência. No caso do relacionamento com Deus, a coisa já fica mais complicada, principalmente porque, mesmo você desistindo, Deus não desiste de você, e nem você consegue esquecer dEle completamente. Sei disso, porque já tentei. Tem aqueles que desistem e passam a odiar Deus. Mas dizem que amor e ódio são faces de uma mesma moeda. Então, a qualquer momento, a moeda pode virar novamente, com o lado do amor virado a favor dEle. Isso é um perigo. Deve ser o maior medo das pessoas que escolheram odiar Deus. : P

Sobre a minha escolha quanto ao instrumento musical a aprender, não foi difícil. Os de sopro sempre foram os meus preferidos e o som do clarinete, é muito bonito. E com relação ao cristianismo, também não é difícil se identificar com a figura central que norteia a fé dos cristãos, ou seja, Jesus. Como não se interessar pela história de um homem aparentemente maluco, que dizia ser Deus e deixava os religiosos da sua época, furiosos? O difícil aqui não é aceitar a pessoa de Jesus, mas o que ele fez. Difícil é lidar com uma palavrinha pequenina mas que incomoda muita gente, e quem alguns tratam como se fosse doença. A fé.

Lembro que, no começo, eu perguntava onde ficava o botão liga/desliga, dessa coisa chamada fé. Claro, queria que fosse mais fácil, mais prática e totalmente indolor essa história de cristianismo. E como todo mundo geralmente busca o jeito mais fácil de fazer as coisas, claro que temos algumas “versões” de cristianismo onde tem de tudo, menos Jesus. Assim como tem professores que prometem ensinar a tocar em cinco minutos. Com relação à facilidade, tocar clarinete não tem maiores problemas, precisa treino, disciplina e insistência, mas não é problemático. Precisa treinar muito, estudar muito, e ter disciplina, mas com dedicação é possível. A parte mais complicada no começo, é conseguir soprar sem deixar o ar escapar. Mas não tem crises, nem altos e baixos, ou dúvidas, como acontece com a fé. Ninguém vai julgar você porque gosta de tocar clarinete. A maior parte das pessoas vai achar bem legal. Mas desencane dos cinco minutos, porque você não vai aprender a tocar nesse tempo, ok? Já quando você fala que é cristão, alguns podem tratar você como se a sua fé fosse coisa digna de hospício. Com um instrumento musical, quanto mais você toca, melhor fica. Na vida com Deus, é um paradoxo: quanto mais você sabe, menos você sabe.

Uma parte importante é desmontar e limpar o clarinete sempre, depois de usá-lo. E toda vez que vai tocar, montar de novo. Se você deixa o clarinete montado, ele não cabe no estojo. Então pode cair no chão, quebrar, fica exposto à poeira, e a umidade acumulada pela falta de limpeza, estraga os mecanismos. Se for de madeira, pode rachar. Os clarinetes de madeira são caros, pois são feitos de madeiras nobres e raras, como o ébano. Quem investe neles, não vai ser louco de ter preguiça de limpar. Montar, tocar, desmontar, limpar, guardar, é um ritual obrigatório. Faz parte. Aí temos mais uma semelhança com o relacionamento com Deus, pois este relacionamento se renova todas as manhãs. Não tem como saber o que cada novo dia neste relacionamento nos reserva. Deus não é feito de uma madeira rara, e ao mesmo tempo, nada pode comprá-lo. Ele se deixa encontrar por quem o procura. E quem encontra nunca mais vai querer perder. É como aquela parábola de quem encontrou um tesouro num campo. Tem quem saia por aí vendendo algo que dizem ser Ele, e os preços neste caso, variam muito. Assim como tem muito instrumento falso no mercado, apresentado como se fosse original, de marca famosa, mas a um preço que até santo desconfia. Então, fique atento. Um clarinete de ébano e prata, nunca vai ser barato; assim como Deus não está à venda. A graça dEle é dada, e Ele a distribui de formas, muitas vezes, inusitada. Inesperada. O curioso é que tem pessoas que passam a desconfiar de Deus, quando descobrem que a graça dEle é gratuita. Ficam achando que tem “gato na tuba”. : P

O som do clarinete me encantou. E o mesmo aconteceu com o Pai. Foi como diz a música: Ele gentilmente me atraiu. E eu, sem palavras, me aproximei. : ]


Refugiados somos todos…

setembro 16, 2015

refugiado síriaSignificado da palavra “refugiado”, no dicionário:

s.m. Indivíduo que se mudou para um lugar seguro, buscando proteção.
Aquele que foi obrigado a sair de sua terra natal por qualquer tipo de perseguição; quem se refugiou; pessoa que busca escapar de um perigo.
Refugiado político. Quem foi obrigado a deixar sua pátria por sofrer perseguição política.
adj. Que se encontra em refúgio, em local seguro e protegido.
(Etm. Part. de refugiar)

Não é a primeira vez (e provavelmente não será a última), que a Europa se enche de pessoas fugindo de seus países, por causa de guerras, perseguição política ou perseguição religiosa. Já aconteceu antes, e muitas e muitas vezes. Na primeira guerra mundial, na segunda guerra mundial (estimam-se que durante e após a segunda guerra mundial, 46 milhões de pessoas fugiram de seus países de origem), na revolução russa. Muitas vezes na história, os refugiados já se espalharam pelo mundo. Encontraram refúgio. Ou não.

Pessoas fugindo, procurando abrigo, lugar para se esconder. Apenas para lembrar, somos todos refugiados. Sendo cristãos, temos salmos e mais salmos, versículos e mais versículos que afirmam nossa situação.

Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.
Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares.
Salmos 46:1,2
O Senhor é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio.
Salmos 18:2
Sê tu para mim uma rocha de refúgio a que sempre me acolha; deste ordem para que eu seja salvo, pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza. Salmos 71:3
Tens sido refúgio para os pobres, refúgio para o necessitado em sua aflição, abrigo contra a tempestade e sombra contra o calor, quando o sopro dos cruéis é como tempestade contra um muro. Isaías 25:4

O Senhor será também um alto refúgio para o oprimido; um alto refúgio em tempos de angústia. Salmos 9:9

Habitarei no teu tabernáculo para sempre; abrigar-me-ei no esconderijo das tuas asas. (Selá.) Salmos 61:4

Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei. Salmos 91:2

Olhei para a minha direita, e vi; mas não havia quem me conhecesse. Refúgio me faltou; ninguém cuidou da minha alma. Salmos 142:4

Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia de mim, porque a minha alma confia em ti; e à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades. Salmos 57:1

No meu entender, refugiado seria alguém que já encontrou um refúgio. Não é o caso atual dos sírios, por exemplo. Ele estão apenas fugindo, porque qualquer lugar, mesmo que seja para ficar num campo de refugiados, morando em barracas, é melhor do que o lugar onde eles estavam. E o inverno está chegando por lá, como diriam os fãs de Game of Thrones. Pior do que ser um refugiado, é ser um refugiado no inverno da Europa. Ser turista neste caso deve ser bem mais divertido. Você se joga na neve um dia ou dois, posta umas fotos no Facebook para que seus amigos curtam, e volta para o seu hotel quentinho. Nenhum país gosta de acolher refugiados. Acolhem, porque não fazer isso, seria pior. Acolhem porque existe uma resolução internacional a respeito. Já Deus, nos refugia por amor. Uma rocha, uma fortaleza, um refúgio, no alto. Sombra, abrigo e esconderijo. No dicionário dEle, “refugiado” tem um significado bem diferente.

Os fugitivos, clamam por refúgio. Qualquer um. Mas só um é “o” refúgio.

Crédito da foto: https://br.noticias.yahoo.com/vizinhos-fecham-a-fronteira-para-refugiados-s%C3%ADrios-134303222.html