As batalhas do Cristianismo

março 14, 2010

Deborah Caldwell entrevista Bart D. Ehrman para o Beliefnet.com, sobre o livro “The Lost Christianities: The battles for Scripture and the faiths we never knew“.

O seu livro aborda questões hipotéticas sobre o que teria acontecido ao Cristianismo, e por extensão, à história mundial, se um tipo diferente de Cristianismo tivesse sobrevivido. Quais são seus melhores palpites a respeito disso?

Depende de qual dos lados for o vencedor. Os Marcionitas decidiram que tudo que era judaico devia ser retirado do Novo Testamento e que a bíblia judaica já não era parte a ser considerada das escriturs.  Eles achavam que havia dois deuses diferentes – o Deus dos judeus e o Deus de Jesus. Se tivessem vencido, então nós não teríamos mais o Antigo Testamento e não haveria conexão entre o Judaísmo e o Cristianismo. Meu palpite é que se isso tivesse acontecido, o anti-Semitismo não teria se desenvolvido entre os cristãos. O que alimentava o anti-semitismo era a competição entre o entendimento judaico da escritura e o entendimento cristão da escritura. Se não houvesse competição porque eles não teriam as mesmas escrituras, então é bem provável de que jamais teríamos qualquer tipo de anti-Semitismo.

Você acredita que uma versão Marcionita do Cristianismo teria se tornado uma religião espalhada mundialmente como o Cristianismo é hoje? Ou você acredita que o Judaísmo  teria permanecido ombro a ombro com essa versão do Cristianismo?

É uma boa pergunta, porque o Cristianismo Marcionita era popular pelos mesmos motivos pelos quais crenças similares são populares hoje. Hoje as pessoas falam sobre como existe diferença entre o Deus irado do Antigo Testamento e o Deus de amor do Novo Testamento. E as pessoas que fazem essa distinção se identificam mais com o Deus de amor do Novo Testamento. Bem, essa é uma distinção Marcionita, porque eles realmente acreditavam que havia dois deuses diferentes, e que era atraente para as pessoas. Os Judeus, no mundo antigo como um todo, realmente nunca foram perseguidos, mas a maioria das pessoas pensava que os Judeus eram um povo um tanto estranho. Assim, se essa religião não tivesse nada a ver com os Judeus e o Judaísmo, poderia ter atraído uma variedade maior de pessoas.

Qual seria a cara do Cristianismo se os Ebionitas tivessem vencido?

Teríamos um Novo Testamento diferente, para começar. Os Ebionitas eram adversários do apóstolo Paulo. Eles pensavam que Paulo era um herege. Uma grande parte do Novo Testamento tem a ver com o apóstolo Paulo e seus escritos. Esses seriam excluídos. Eles teriam mantido talvez o que conhecemos como Evangelho de Mateus, mas talvez não os demais Evangelhos. E  isso significa que os cristãos teriam que ser também judeus, onde homens incircuncisos teriam que se circuncidar e as pessoas guardariam a lei dos alimentos kosher e respeitariam o Sabbath, cultuariam aos sábados e manteriam os festivais judaicos. Então o Cristianismo seria mais reconhecido como uma seita do Judaísmo.

O que você pensa que teria acontecido se os Gnósticos tivessem sido os dominantes?

É um pouco difícil pensar a respeito dos Gnósticos, porque havia diversos tipos diferentes de Gnosticismo competindo entre si, assim como competindo com os cristãos, que acabaram prevalecendo sobre os outros. Gnosticismo é uma religião baseada em conhecimento interior, que poderia ter se transformado numa religião de massas ou não, uma vez que você tem um grande grupo de pessoas que não entendem, e uns poucos que entendem. Se os Gnósticos tivessem sobressaído, o Cristianismo teria uma cara bem diferente da que tem hoje.

Talvez mais Budista?

É assim que muita gente vê o Gnosticismo – ele parece como uma religião oriental porque seus praticantes estão interessados em adquirir conhecimento e iluminação, em vez de salvação pela morte de Jesus.

Então você pergunta, se fosse esse o caso, se o Cristianismo teria dominado o mundo como fez.

Sim, exatamente. O Cristianismo teria dominado o império, por exemplo, se fosse esse tipo de Cristianismo? Ou teria permanecido um pequeno grupo de pessoas? Penso que a razão pela qual o Cristianismo dominou o império foi porque o imperador romano – Constantino – se converteu. Seria difícil imaginar Constantino se convertendo a esses outros tipos de Cristianismo.

Por que você pensa que a religião que Constantino escolheu, a forma corrente de Cristianismo – a qual você chama de Proto-ortodoxo – venceu?

Até certo ponto, venceu porque eram debatedores melhores. Cada um desses grupos lutava com os outros em várias frentes, mas os proto-ortodoxos parecem ter se organizado melhor que os outros grupos e parece que tinham intenção de estabelecer um grupo de pessoas semelhantes ao redor do mundo. E então eles acabaram dominando as igrejas nas áreas onde havia mais cristãos, como Roma, eventualmente Alexandria, Egito e Jerusalém.

Quem pertencia aos grupos Proto-ortodoxos?

A maioria deles é totalmente desconhecida para nós pelo nome, mas incluem a maioria dos autores cujos escritos sobreviveram até hoje, fora do Novo Testamento. Eram pessoas como Ignácio de Antioquia e Tertuliano. Essas eram pessoas cujos escritos são bem conhecidos dos historiadores do Cristianismo primitivo.

Muitos proto-ortodoxos, como a maioria das pessoas nas igrejas cristãs, tendiam a ser de classes baixas. Os autores cujos escritos sobreviveram, eram a elite entre os proto-ortodoxos. Eram pessoas de educação avançada e que passaram a escrever. Então, como hoje, a maioria dos cristãos são pessoas comuns. Mas algumas pessoas escrevem livros e se tornam famosas por eles. Muitas delas são muito bons debatedores, e defendem muito bem seus pontos de vista.

Qual era a diferença entre os proto-ortodoxos e os grupos considerados heréticos, em termos de distribuição geográfica?

No segundo século, havia diferentes tipos de Cristianismo em diferentes partes do império, assim, em Alexandria, a maioria das pessoas era Gnóstica – ou na Ásia Menor, onde hoje é a Turquia, a maioria das igrejas era Marcionita. Em locais como os no entorno do que hoje chamamos Israel, a maioria dos cristãos eram Ebionitas. Mas em alguns desses lugares, havia também proto-ortodoxos. Proto-ortodoxos eram claramente a maioria em Roma, e parece terem sido também maioria em Antioquia, na Síria, e em muitos outros lugares.

Essa foi  a parte geográfica, mas você tem diferentes tipos de pessoas nos mesmos lugares – por exemplo, em Roma, que era largamente proto-ortodoxa, sabemos que havia Gnósticos lá, e sabemos que os Marcionitas estavam fora.É como hoje: existem Mórmons aqui em Chapel Hill, mas se você for em Salt Lake City, haverá muito mais.

Quando essas batalhas pelo Cristianismo tinham lugar?

As principais batalhas das quais temos conhecimento tiveram lugar aproximadamente 100 anos depois da morte de Jesus, e pelos próximos 50 ou 70 anos. As batalhas se arrastaram até o terceiro século, e durante esse período é que as pessoas estavam formulando argumentações teológicas para seus pontos de vista. Essa formulação de pontos de vista teológicos começou a tomar corpo no início do quarto século, quando os primeiros credos cristãos foram formulados.

Os proto-ortodoxos venceram na época do Concílio de Nicéia, e então os argumentos naquele ponto, eram muito mais sutis pontos de teologia. Todo mundo no Concílio de Nicéia teria concordado que todos os outros grupos eram heréticos.

Quais são algumas das crenças divergentes entre esses vários grupos que hoje são deixados de lado?

Bom, vamos começar pelos Ebionitas. Os Ebionitas eram monoteístas completos, então só há um Deus, e ninguém pode ser Deus, portanto, Jesus não era divino para eles. Jesus era um ser humano totalmente feito de carne e sangue, que era mais justo do que qualquer outro, e foi escolhido como filho por Deus. Em outras palavras, Deus deu a ele a missão de morrer pelos pecados do mundo. Mas ele não era Deus, então os Ebionitas mantiveram seu judaísmo porque pensavam que Jesus era o Messias, previsto por esse Deus único. Eles negavam a divindade de Jesus, rejeitavam os ensinamentos de Paulo, e suas escrituras eram o que hoje chamamos o Antigo Testamento. Eles não pensavam em nascimento virginal ou qualquer outra coisa que pudesse fazer de Jesus qualquer coisa que não fosse humano.

Os Marcionitas tinham exatamente o ponto de vista oposto. Eles pensavam que havia dois deuses. Aceitavam que havia um Deus do Antigo Testamento, que era secundário, inferior ao Deus verdadeiro, que era o Deus de amor, que enviou Jesus ao mundo para salvar as pessoas do Deus do Antigo Testamento. Havia literalmente dois deuses diferentes. Cristãos eram os que seguiam o Deus de Jesus, em detrimento do Deus do Antigo Testamento.

Os Gnósticos acreditavam que os cristãos comuns eram superficiais em seu entendimento e que havia segredos ocultos, mensagens que Jesus transmitiu, que os Gnósticos entendiam. Eram essas mensagens ocultas, quando corretamente entendidas, que traziam a salvação. Em outras palavras, a morte e ressurreição de Jesus não garante salvação – são seus ensinamentos secretos que precisam ser entendidos.

Estou interessado também em saber o que aconteceu durante essas batalhas cristãs. Era apenas guerra verbal por meio de cartas, ou havia violência?

Não penso que havia qualquer tipo de violência física acontecendo. Penso que eram mais como Democratas e Republicanos discutindo sobre alguma coisa ou outra.

Assim como poderiam declarar um vencedor?

Os proto-ortodoxos acabaram vencendo da forma como qualquer ideologia normalmente vence. Se for capitalismo x comunismo, você acaba convencendo a maior parte das pessoas de que você está certo – e elas concordam com você e discordam da oposição. O mundo antigo não possuía mídia de massas, mas tinha, especialmente entre os proto-ortodoxos, um esforço concentrado para gerar literatura para dar suporte aos seus pontos de vista. Como a maioria das pessoas não sabia ler, ouviam alguém lendo. Literatura no mundo antigo era lida em voz alta, e penso que ela teve um papel decisivo na vitória dos proto-ortodoxos, porque escreveram contra os vários tipos de hereges e pareciam convincentes.

Outro tema que encontrei no livro é que os proto-ortodoxos tinham necessidade de martírios, perseguição e sangue. Você acha interessante que isso tenha atraído as pesssoas?

Sim, isso é interessante. O caso é: cristãos adoravam um homem crucificado e os proto-ortodoxos insistiam que, para segui-lo, para realmente segui-lo, era experimentar o mesmo destino. Havia outros grupos de cristãos que argumentaram que Jesus não sofreu de verdade, mas apenas pareceu sofrer. Alguns dos Gnósticos, por exemplo. E eles não pregavam o martírio porque não pensavam que Jesus tinha sido martirizado.

Se você extrapolar aos tempos atuais, os demógrafos da igreja sempre dizem que se você abraçar um conjunto de crenças mais rigoroso para a adesão, as pessoas tendem a ser atraídas nessa direção. Talvez foi isso que aconteceu?

Sim, o Cristianismo realmente prospera entre populações que sofrem. O Cristianismo começou dessa forma, como uma religião minoritária em um mundo muito cruel.

O seu livro é um entre vários que tratam de assuntos semelhantes atualmente, e parece que todos estão interessados nisso. Porque investigar esses Cristianismos alternativos se tornou tão importante?

Penso que há uma grande variação em termos de crença hoje, e que as pessoas buscam respostas para si mesmas. Quando as pessoas descobrem que o Cristianismo sempre teve pessoas tentando encontrar respostas por si mesmas, e que as respostas diferem umas das outras, então elas concluem que o mesmo acontece no  mundo moderno.

The Christianity battles – Interview with Bart D. Ehrman about Lost Christianities – Beliefnet.com

Anúncios

George Coyne e o universo fértil

janeiro 5, 2010

O universo precisava de Deus para evoluir? Para o padre norte-americano George Coyne, ex-diretor do Observatório Vaticano, não. Esse jesuíta – formado em Matemática, licenciado em Teologia e Filosofia, e doutor em Astronomia – defende que o universo, embora realmente criado por Deus, já continha todos os componentes necessários para que pudesse crescer por conta própria, sem a necessidade de intervenções divinas diretas. Coyne chamou essa teoria de “universo fértil”, e ela ganhou um reforço quando pesquisadores da Universidade de Manchester, na Inglaterra, conseguiram finalmente criar, em laboratório, alguns blocos componentes do RNA, mostrando como eles poderiam ter surgido espontaneamente nas condições da Terra primitiva. Se o estudo estiver correto, abre espaço para que no futuro seja possível compreender como a vida surgiu no planeta. Em entrevista por e-mail, Coyne fala à Gazeta do Povo sobre esta experiência, critica as pessoas que usam Deus como resposta às questões científicas que continuam em aberto e comenta a relação entre ciência e religião.

Recentemente, cientistas britânicos conseguiram criar nucleotídeos de RNA em laboratório, um passo inicial no caminho até que se possa criar vida em experiências científicas. Como isso se relaciona à sua teoria sobre o “universo fértil”?
Este trabalho mostra que, embora ainda não saibamos como a vida surgiu no mundo, os cientistas estão obtendo grandes passos na aventura de descobrir e explicar as origens da vida. A fertilidade do universo é algo descoberto pelos cientistas, não é algo criado por eles. O “universo fértil” é a melhor explicação científica para mostrar como o universo evoluiu até ser capaz de providenciar as condições para o surgimento da vida. Ao longo de 14 bilhões de anos, bilhões e bilhões de estrelas nasceram e morreram para dar ao universo a abundância de elementos químicos necessários à vida.

O físico protestante Howard van Till alega que teólogos do início do Cristianismo, como São Basílio (330-379) e Santo Agostinho (354-430), já haviam falado do universo como uma criação sem “buracos” que precisassem ser preenchidos por intervenções divinas diretas. O senhor diria que esses santos chegaram a vislumbrar o “universo fértil”?
Em um certo sentido sim, porque eles efetivamente tiveram a intuição de que Deus criou o universo de forma que não precisasse ficar mexendo nele, podemos dizer assim. Mas obviamente Basílio e Agostinho não tinham como saber a idade do universo, o número de estrelas ou a natureza das reações termonucleares – todos ingredientes do “universo fértil”.

Se Deus não é necessário para explicar pontos-chave da história do universo, como o surgimento da vida, o que sobra para Ele fazer no mundo?
Para quem crê em Deus e no fato de que Ele criou o universo, segue-se que Deus continua lidando com a criação, sustentando-a sem interferir nos processos naturais que Ele mesmo designou. Deus é amor, e só isso já é um trabalho em tempo integral. Se você é capaz de entender como dois amantes sustentam um ao outro, é possível começar a compreender como Deus sustenta o universo. Um teólogo poderia aprofundar esta questão, mas minha formação é outra.

As pessoas religiosas acreditam em milagres e na Providência divina, que seriam meios de Deus agir no mundo. Como conciliar essa crença com a visão de um Deus não-interferente?
De fato, Deus opera milagres, dos quais o maior é a ressurreição de Cristo. Então ele interfere no mundo, e também é providente, mas principalmente por meio da própria natureza. Na minha opinião, essas intervenções são muito raras, e compete a Ele, não a nós, decidir quando a Providência age.

Em seus textos, o senhor ataca a noção de “Deus das lacunas”. Na sua percepção, o quanto esta visão está impregnada na mentalidade do crente comum, especialmente entre cristãos e católicos?
Esse modo de pensar ainda é muito comum porque, especialmente no mundo ocidental, Deus é visto mais como um “Deus de explicação” que como um Deus de amor. Como já escrevi em uma ocasião anterior, parece que certos crentes torcem para que nosso conhecimento científico continue apresentando certas lacunas, para que elas possam ser preenchidas recorrendo-se a Deus. Mas isso é o oposto de tudo o que a inteligência humana nos proporciona. O crente é tentado a fazer de Deus uma explicação para aquilo que não podemos entender de outro modo. Especialmente quando sentimos que não há uma explicação científica boa ou razoável para algo, jogamos tudo nas costas de Deus.

O senhor é um ferrenho defensor da teoria da evolução. A seleção natural e outros processos evolucionários fazem parte do “universo fértil” que o senhor defende?
O universo fértil é a evolução na escala cosmológica – ou, se você prefere, evolução cosmológica. Já a evolução neodarwiniana ocorre na escala biológica. Temos bons motivos para falar em evolução cosmológica, física, química e biológica, mas não podemos perder de vista o fato de que há uma continuidade na evolução permeando todos os níveis de existência no universo.

Qual a sua opinião sobre o trabalho de escritores-cientistas que associam evolução e ateísmo?
Infelizmente, há cientistas – e muitos deles brilhantes em seu campo de atuação – que extrapolam a ciência para promover uma ideologia. A ciência é completamente neutra em relação a questões que estão fora de sua metodologia, e a “questão Deus” é uma delas.

O senhor é padre e trabalha em uma universidade laica. Como colegas e alunos veem a relação entre ciência e religião?
Nunca vi um colega questionando minhas credenciais científicas por causa de minha fé. Quanto aos alunos e o público em geral, percebo neles uma curiosidade em relação ao cientista que também é padre. É uma curiosidade saudável, que merece uma resposta honesta. E essa resposta é tentar levar essas pessoas a experimentar aquilo que eu experimentei: o êxtase que tanto a pesquisa quanto a fé religiosa proporcionam. Dar exemplo é muito mais importante que falar.

Qual o futuro da relação entre ciência e religião?
Eu sou um otimista. No entanto, existem razões mais que suficientes para ser realista e aceitar que os fundamentalismos são um sério obstáculo ao diálogo.

Entrevista com George Coyne – Tubo de Ensaio


Entrevista com Karl Giberson – fé e evolução

novembro 24, 2009

O subtítulo do seu livro é “como ser cristão e acreditar na evolução”. Mas não se “acredita” na evolução como se “acredita” em Deus, em anjos ou em Papai Noel…

Exato, e isso ressalta um aspecto muito importante desta controvérsia: que significado as pessoas pensam ver nas palavras que usamos? Muitas pessoas pensam que “evolução” significa “uma história ateísta sobre as origens”. Se perguntarmos a uma pessoa religiosa se ela acredita em evolução, muitos se sentirão levados a responder “claro que não!”

Mas há dois sentidos de “acreditar” que, para mim, são relevantes aqui. No sentido literal, quer dizer simplesmente “aceitar como verdadeiro”. Todos “acreditam” que dois mais dois são quatro. Esse sentido mais leve poderia se aplicar, penso eu, às pessoas que acreditam em Deus, mas para quem essa crença não tem consequências. Muitos deístas acreditam em Deus como acreditam nas leis da Física – há alguma coisa “lá fora” que existe, mas que efetivamente não significa nada de profundo para eles.

Mas há outro significado de “acreditar” que tem uma carga mais profunda. Minha crença em Deus tem implicações que minha crença na gravidade não tem. Mas eu acrescentaria que minha “crença” na evolução também me afeta em maneiras muito mais pessoais que a mera aceitação da teoria. Ela me leva a refletir sobre como eu me relaciono com os outros seres vivos, como eu me insiro na história natural do universo, como eu devo tratar os animais, o que eu deveria pensar sobre os primatas, e assim por diante. A evolução tem um poder transformador que muda a maneira como uma pessoa se relaciona com o mundo a seu redor – de formas que não se diferem muito da crença em Deus.

Uma pesquisa recente do Pew Forum apontou que 31% dos norte-americanos dizem que o homem e outros seres vivos foram criados exatamente como são, desde o início dos tempos; 32% dizem que eles evoluíram por processos naturais; e outros 22% falam em evolução “guiada por um ser supremo”. Isso é possível, ou o termo esconde visões como o Design Inteligente?

Uma “evolução guiada” é aceita por muitas pessoas, especialmente cristãos com conhecimento científico. Ela aparece sob nomes diversos, como “evolução teísta”, “criacionismo evolucionista”, ou “BioLogos”, o termo que usamos para nosso projeto (e que escolhemos para escapar da bagagem negativa que vem com o termo “evolução”).

Mas a ideia de que Deus guia a evolução é bem complexa. Para ela ser relevante, não podemos simplesmente pegar a versão secular da história e dizer “foi Deus quem fez”. É preciso fazer afirmações teologicamente sólidas sobre o que Deus fez ou está fazendo, e sobre como Ele está envolvido no processo.

Eu diria que nós, no BioLogos, defendemos uma versão limitada dessa “evolução guiada”. Nós acreditamos que ela é guiada no sentido de que o cenário como um todo está cumprindo as intenções do criador, mas, dentro dessa noção ampla, os detalhes incluem vários eventos aleatórios e contingentes.

Permita-me contar uma anedota para me fazer entender: quando ensino evolução a estudantes evangélicos no Eastern Nazarene College, eles normalmente se incomodam com a ideia de que Deus pode trabalhar de forma invisível através das leis naturais. Isso não se parece com o Deus bíblico que fala na sarça ardente, criou Eva tirando uma costela de Adão e fez chover fogo sobre Sodoma e Gomorra. Então eu pergunto aos alunos: “quantos de vocês creem que Deus os guiou até aqui?”, e muitos levantam as mãos. Em seguida pergunto “quantos de vocês foram guiados por meio de interrupções dramáticas e sobrenaturais do curso natural da vida?”, e ninguém levanta a mão.

A conclusão é óbvia: se Deus pode guiar pessoas através dos eventos corriqueiros do dia-a-dia, Ele pode guiar a história natural trabalhando por meio das leis da natureza. E aqui temos uma diferença fundamental em relação às alegações do Design Inteligente: não é necessário que Deus interrompa o curso natural das coisas para, de vez em quando, fazer diretamente parte do trabalho criativo. Em vez disso, temos um Deus que permeia todo o processo.

Além disso, o DI não é exatamente um ponto de vista particular. O saco de gatos deles é tão grande que inclui gente muito diferente: intervencionistas que aceitam a evolução desde que Deus dê as caras de tempos em tempos de forma detectável; criacionistas da Terra jovem; criacionistas da Terra antiga; e até gente que não crê em Deus. O livro de DI mais recente (Signature in the cell, de Stephen Meyer) diz que Deus criou a primeira célula, e daí em diante a seleção natural se encarregou do resto. É um tipo de “deísmo biológico”. O DI não passa de um movimento político em que antievolucionistas concordaram em deixar de lado suas divergências para combater a evolução. O caráter político do DI está se tornando cada vez mais evidente, e há sinais de que o movimento esteja perdendo força.

Mas se o processo evolucionário é movido a competição, seleção natural e mutações genéticas aleatórias, a “atividade criativa de Deus” não tem um papel pequeno demais para um ser todo-poderoso?

No fim das contas, precisamos olhar para a ciência. Parece mesmo que Deus está intervindo de formas dramáticas ao longo da história natural? Nós não podemos colocar Deus numa caixa feita de acordo com nosso interesse e insistir que Suas ações se conformem à nossa ideia de como Deus deveria se comportar.

Eu perguntaria, a quem prefere uma “presença” maior de Deus na história, de que modo eles procuram por Deus no mundo. Essas pessoas buscam um Deus das lacunas, que aparece naquilo que a ciência não explica? Ou buscam por Deus na grandeza de um pôr-do-sol, na nobreza de um voluntário de sopão, ou no sorriso de uma criança? Sem saber, nós aderimos à teologia de um Dawkins quando insistimos que Deus deve funcionar como um engenheiro cujas ações devem ser claramente identificadas pela ciência.

Seu livro relata casos de ridicularização dos criacionistas na mídia, como em episódios dos Simpsons, mas o senhor acredita que essa estratégia não é muito adequada para levar as pessoas a aceitar a evolução. Como, então, levar o público a ver a compatibilidade entre evolução e fé religiosa?

A chave, para a maioria, é desenvolver uma compreensão da Bíblia que vá além do que aprenderam no catecismo ou na escola dominical. O catecismo conta histórias sobre o Gênesis que são adequadas para crianças, mas depois ninguém revisita essas histórias para ajudar os jovens adultos a criar uma visão madura do Gênesis. Descobrir que o livro sagrado tem várias indicações de que não se trata de história literal é uma experiência libertadora para os cristãos. Se nosso primeiro contato com a criação segundo o Gênesis ocorresse na vida adulta, não aceitaríamos tão rapidamente a literalidade das histórias de cobras falantes, jardins mágicos e Deus “descendo do céu” para conversar com Adão e Eva diariamente. Mesmo os nomes dos personagens principais são pistas. A palavra hebraica para Adão significa apenas “homem”, e Eva significa “vida”. Pense numa história em português, ou inglês, sobre um casal chamado Homem e Vida num jardim mágico. Será que não entenderíamos imediatamente que não se trata de registro histórico?

Também é importante – embora não tanto quanto a questão da Escritura – o fato de que existe uma montanha de evidências a favor da evolução. O mapeamento do genoma comprova sem sombra de dúvida que os humanos e outros primatas têm um ancestral comum. Apresentar essa evidência é muito importante para ajudar as pessoas a fazer essa transição.

O que funciona melhor para quem nega a evolução: mostrar a evidência favorável à evolução, apelando para a razão? Ou mostrar que a evolução não prejudica a crença em Deus, apelando para a religiosidade?

É fundamental proteger a religião dos supostos “ataques evolucionistas”. A maioria das pessoas está mais preocupada em estar de acordo com sua religião do que em estar cientificamente atualizadas. O problema no caso dos cristãos evangélicos, infelizmente, é que existem prateleiras sem fim de livros argumentando que a ciência comprova o criacionismo. Para a maioria das pessoas leigas no assunto, a batalha nem é entre ciência e religião, e sim entre “a ciência de que eu gosto” e “a ciência que ataca minha religião”.

No seu livro o senhor parece um tanto pessimista e desiludido sobre o rumo da discussão sobre a evolução, que deixou de ser uma busca pela verdade científica e se tornou uma guerra cultural, onde o que importa é desmoralizar o adversário. Nós realmente chegamos a um ponto sem volta?

Temo que sim. Algumas semanas atrás eu estava em um impressionante museu no Kentucky, mantido pelo Answers in Genesis, o maior e mais eficiente promotor do criacionismo de Terra jovem em todo o mundo. Eles têm uma livraria enorme e, enquanto eu a explorava, era esmagado pelo gigantismo do esforço feito para atacar a evolução. Havia centenas de livros, DVDs, material didático para todas as séries (até pré-escola), canecas, camisetas com mensagens antievolução… Answers in Genesis é uma máquina de propaganda multimilionária, com o propósito de convencer cristãos de que eles não devem acreditar em evolução. Eles têm revistas, um site cheio de informações, workshops, um time de “cientistas”, livros sem fim e muito mais. Tudo isso ruiria se eles se convencessem de que a evolução é real. Por outro lado, eu não consigo imaginar como fundamentalistas científicos como Richard Dawkins e Daniel Dennett fariam as pazes com fundamentalistas religiosos como Ken Ham, o chefe de Answers in Genesis.

Bento XVI, quando era cardeal, pediu que houvesse um debate honesto sobre a legitimidade das afirmações metafísicas feitas em nome da teoria de Darwin. Na sua opinião, cientistas como Dawkins “sequestraram” Darwin como fizeram os eugenistas descritos em seu livro?

Certamente Dawkins e o Novo Ateísmo sequestraram Darwin, e nós deixamos que eles dessem o tom do debate em termos de explicação científica, e não de Metafísica. A ciência leva crédito pelo que pode explicar, e Deus leva crédito pelo resto. Se Deus não é necessário para explicar o que a ciência vai desvendando, Ele não é mais necessário para nada. Nós deixamos um “antiteólogo”, Dawkins, nos dizer o que a Teologia pode ou não fazer.

Apesar de descrever o criacionismo como um fenômeno norte-americano, o senhor alerta que ele está se tornando global. De fato, um dos criacionistas mais famosos do mundo hoje é um muçulmano turco, Harun Yahya. É possível frear a expansão do criacionismo?

Se o criacionismo, profundamente hostil à ciência, conseguiu fincar raízes nos Estados Unidos na mesma década em que pusemos o homem na Lua, é impossível impedir que ele finque raízes num país como a Turquia. O criacionismo tem uma vantagem injusta sobre a ciência: ele continua reciclando qualquer alegação que funcione, ainda que já tenha sido refutada. Isso é tão prevalente que até Answers in Genesis tem uma página em seu site com argumentos antievolução que já foram rebatidos, mas muitos criacionistas não estão nem aí e continuam usando esses mesmos argumentos.

No caso de Harun Yahya nós podemos receber socorro de outra direção. Ele tem sido acusado de ligação com o crime organizado. Se ele fosse para a cadeia, a causa da ciência na Turquia ganharia tanto quanto ganhou nos Estados Unidos quando Kent Hovind (um criacionista da Terra jovem acusado de diversos crimes de ordem fiscal) foi preso.

2009 é o ano de Darwin, pelo bicentenário de seu nascimento e pelos 150 anos de A origem das espécies. Com o ano quase no fim, qual sua avaliação dos esforços feitos para contra-atacar os argumentos criacionistas e promover a conciliação entre religião e evolução?

Esse foi um ano interessante. Por um lado, o Novo Ateísmo dominou a agenda, alinhando-se tanto contra o criacionismo quanto contra a religião em geral. A reação por parte de pensadores religiosos consolidou a polarização, que provavelmente responderá pela parte mais ruidosa do debate nos próximos anos.

Mas, entre esses dois extremos, vozes moderadas se levantaram. Intelectuais agnósticos ou não-religiosos contestaram a posição ateísta de que “a religião é má e deve sumir”. Michael Ruse, Chris Mooney, Eugene Scott e outros afirmam que alienar as pessoas religiosas em nome da ciência só pioraria as coisas para a própria ciência ao alimentar o antievolucionismo. E também – e nisso eu tenho um papel relevante – houve o surgimento da Fundação BioLogos, criada por Francis Collins para incentivar a conciliação entre evolução e cristianismo. Apesar de – ou talvez por causa de – ser uma ponte entre ciência e fé, temos sido criticados pelos dois extremos, enfurecendo todo mundo, de Ken Ham (do Answers in Genesis) e Bill Dembski (do Discovery Institute, promotor do DI) até Sam Harris e Jerry Coyne, dois líderes do Novo Ateísmo.

A experiência do BioLogos tem sido estimulante. Somos a única voz dentro do cristianismo evangélico lutando pela harmonia entre ciência e fé – o que inclui, claro, a aceitação da evolução. Nós esperávamos ser um pequeno e solitário grupo que cresceria com o tempo, mas descobrimos que já existe um número considerável de cristãos, geralmente entre as camadas mais instruídas, que já compartilhavam da nossa posição, mas estavam marginalizados porque não havia quem os representasse em público. Nós estamos emergindo como o Flautista de Hamelin da Ciência, atraindo cristãos e conseguindo enorme apoio. Quase diariamente alguém nos manda um e-mail querendo saber como participar. Isso é encorajador e me faz pensar que talvez haja uma luz no fim deste longo túnel da anticiência.

Karl Giberson – entrevista – Tubo de Ensaio


Richard Dawkins na Newsweek

setembro 28, 2009

Newsweek: São posições incompatíveis: acreditar em Deus e ser evolucionista?

Richard Dawkins: Não, eu não acho que são posições incompatíveis, porque há muitos cientistas evolucionistas que também acreditam em Deus, para citar apenas Francis Collins [o geneticista cristão e recentemente escolhido para dirigir o National Institute of Health], como um excelente exemplo. Por isso, é claramente possível ser ambos (cristão e evolucionista).

[…]

Richard Dawkins: O Deus do Antigo Testamento é um monstro. É muito, muito difícil para qualquer um, negar isso.

Pois é, Richard. Mas ouso discordar de você, e dizer que não é Deus o monstro. As pessoas da época é que agiam com monstruosidade, e atribuíam a própria monstruosidade, a Deus.

Darwin’s Rottweiler – Newsweek


O universo precisava de Deus para evoluir? – Pe George Coyne

julho 12, 2009

O universo precisava de Deus para evoluir? Para o padre norte-americano George Coyne, ex-diretor do Observatório Vaticano, não. Esse jesuíta – formado em Matemática, licenciado em Teologia e Filosofia, e doutor em Astronomia – defende que o universo, embora realmente criado por Deus, já continha todos os componentes necessários para que pudesse crescer por conta própria, sem a necessidade de intervenções divinas diretas. Coyne chamou essa teoria de “universo fértil”, e ela ganhou um reforço quando pesquisadores da Universidade de Manchester, na Inglaterra, conseguiram finalmente criar, em laboratório, alguns blocos componentes do RNA, mostrando como eles poderiam ter surgido espontaneamente nas condições da Terra primitiva. Se o estudo estiver correto, abre espaço para que no futuro seja possível compreender como a vida surgiu no planeta. Em entrevista por e-mail, Coyne fala à Gazeta do Povo sobre esta experiência, critica as pessoas que usam Deus como resposta às questões científicas que continuam em aberto e comenta a relação entre ciência e religião.

Recentemente, cientistas britânicos conseguiram criar nucleotídeos de RNA em laboratório, um passo inicial no caminho até que se possa criar vida em experiências científicas. Como isso se relaciona à sua teoria sobre o “universo fértil”?
Este trabalho mostra que, embora ainda não saibamos como a vida surgiu no mundo, os cientistas estão obtendo grandes passos na aventura de descobrir e explicar as origens da vida. A fertilidade do universo é algo descoberto pelos cientistas, não é algo criado por eles. O “universo fértil” é a melhor explicação científica para mostrar como o universo evoluiu até ser capaz de providenciar as condições para o surgimento da vida. Ao longo de 14 bilhões de anos, bilhões e bilhões de estrelas nasceram e morreram para dar ao universo a abundância de elementos químicos necessários à vida.

O físico protestante Howard van Till alega que teólogos do início do Cristianismo, como São Basílio (330-379) e Santo Agostinho (354-430), já haviam falado do universo como uma criação sem “buracos” que precisassem ser preenchidos por intervenções divinas diretas. O senhor diria que esses santos chegaram a vislumbrar o “universo fértil”?
Em um certo sentido sim, porque eles efetivamente tiveram a intuição de que Deus criou o universo de forma que não precisasse ficar mexendo nele, podemos dizer assim. Mas obviamente Basílio e Agostinho não tinham como saber a idade do universo, o número de estrelas ou a natureza das reações termonucleares – todos ingredientes do “universo fértil”.

Se Deus não é necessário para explicar pontos-chave da história do universo, como o surgimento da vida, o que sobra para Ele fazer no mundo?
Para quem crê em Deus e no fato de que Ele criou o universo, segue-se que Deus continua lidando com a criação, sustentando-a sem interferir nos processos naturais que Ele mesmo designou. Deus é amor, e só isso já é um trabalho em tempo integral. Se você é capaz de entender como dois amantes sustentam um ao outro, é possível começar a compreender como Deus sustenta o universo. Um teólogo poderia aprofundar esta questão, mas minha formação é outra.

As pessoas religiosas acreditam em milagres e na Providência divina, que seriam meios de Deus agir no mundo. Como conciliar essa crença com a visão de um Deus não-interferente?
De fato, Deus opera milagres, dos quais o maior é a ressurreição de Cristo. Então ele interfere no mundo, e também é providente, mas principalmente por meio da própria natureza. Na minha opinião, essas intervenções são muito raras, e compete a Ele, não a nós, decidir quando a Providência age.

Em seus textos, o senhor ataca a noção de “Deus das lacunas”. Na sua percepção, o quanto esta visão está impregnada na mentalidade do crente comum, especialmente entre cristãos e católicos?
Esse modo de pensar ainda é muito comum porque, especialmente no mundo ocidental, Deus é visto mais como um “Deus de explicação” que como um Deus de amor. Como já escrevi em uma ocasião anterior, parece que certos crentes torcem para que nosso conhecimento científico continue apresentando certas lacunas, para que elas possam ser preenchidas recorrendo-se a Deus. Mas isso é o oposto de tudo o que a inteligência humana nos proporciona. O crente é tentado a fazer de Deus uma explicação para aquilo que não podemos entender de outro modo. Especialmente quando sentimos que não há uma explicação científica boa ou razoável para algo, jogamos tudo nas costas de Deus.

O senhor é um ferrenho defensor da teoria da evolução. A seleção natural e outros processos evolucionários fazem parte do “universo fértil” que o senhor defende?
O universo fértil é a evolução na escala cosmológica – ou, se você prefere, evolução cosmológica. Já a evolução neodarwiniana ocorre na escala biológica. Temos bons motivos para falar em evolução cosmológica, física, química e biológica, mas não podemos perder de vista o fato de que há uma continuidade na evolução permeando todos os níveis de existência no universo.

Qual a sua opinião sobre o trabalho de escritores-cientistas que associam evolução e ateísmo?
Infelizmente, há cientistas – e muitos deles brilhantes em seu campo de atuação – que extrapolam a ciência para promover uma ideologia. A ciência é completamente neutra em relação a questões que estão fora de sua metodologia, e a “questão Deus” é uma delas.

O senhor é padre e trabalha em uma universidade laica. Como colegas e alunos veem a relação entre ciência e religião?
Nunca vi um colega questionando minhas credenciais científicas por causa de minha fé. Quanto aos alunos e o público em geral, percebo neles uma curiosidade em relação ao cientista que também é padre. É uma curiosidade saudável, que merece uma resposta honesta. E essa resposta é tentar levar essas pessoas a experimentar aquilo que eu experimentei: o êxtase que tanto a pesquisa quanto a fé religiosa proporcionam. Dar exemplo é muito mais importante que falar.

Qual o futuro da relação entre ciência e religião?
Eu sou um otimista. No entanto, existem razões mais que suficientes para ser realista e aceitar que os fundamentalismos são um sério obstáculo ao diálogo.

Fonte:  Entrevista do Pe Geoge Coyne ao Tubo de Ensaio