Plenitude da fanfarronice

janeiro 26, 2016

Um auto intitulado “apóstolo”, egresso de duas “igrejas da prosperidade”, que abriu em seguida sua própria franquia de “igreja”. Daí para atrair muitos, aparecer na Internet, e chamar a atenção, foi um pulinho. História que já vimos várias vezes. Mais do mesmo tipo de igreja judaizante, onde se vende óleo milagroso engarrafado, e se fazem campanhas com nome de muralha de Jericó, batalha de Josué, quebra de maldição, com decoração dourada pra todo lado, e outras coisas do tipo. Até aí, nada de novo. É a mesma receita de outras neopentecostais já há muito tempo no “mercado”. Sim, mercado.

O fanfarrão em questão, usa por cima da roupa, um simulacro de pano de saco. Muitos o chamam de Fred Flintstone por conta da roupa inusitada, a fantasia que usa nos cultos da igreja. Fora da igreja, nada de humildade, vale andar de Porsche e BMW e ostentar roupas de marca. Além de fanfarrão, é ator, e gosta de encenar duelos com pais de santo, amaldiçoar pessoas em vídeos, e mais recentemente, estava usando uma coroa que o deixava parecido com um personagem do carnaval. Púlpito ou picadeiro, eis a questão.

Num país cheio de escândalos de corrupção, Petrolão, Mensalão, Zelotes, Lava jato, dá para entender porque as pessoas procuram esse tipo de lugar. Simples de entender a atração que este tipo de “pregação” exerce. Busca de soluções fáceis para os problemas comuns da vida: casamento destruído, desemprego, dívidas, problemas de relacionamento, vícios e doenças. Pessoas desesperadas viram alvo dos parasitas da fé. A fórmula de mostrar Deus como fosse a lâmpada mágica que resolve todos os problemas, sem que você precise fazer nada além de entregar seu dinheiro, apenas reflete o que acontece em todos os escalões da política do país, onde tudo se resolve com propina. Tudo é questão de “molhar a mão” certa. Em vez de cantar “segura na mão de Deus”, vão na igreja para tentar molhar a mão dEle. Deve ser por isso que alguns políticos fazem questão de aparecer em igrejas quando é época de eleição. O povo vai de uma igreja de prosperidade para outra, e elas competem entre si pelo mercado de desesperados. Um povo fraco, que corre atrás de qualquer carismático que se diz “apóstolo”, abre um negócio que chama de “igreja” e sobe em púlpito. E quanto mais espalhafatoso o culto, melhor. Não é de estranhar os políticos que temos por aí. Cada nação tem o governo que merece. E cada crente tem o pastor que merece. Simples assim.

“Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas jamais ficará satisfeito com os seus rendimentos. Isso também não faz sentido.”
Eclesiastes 5:10
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O médico, o monstro e as anfetaminas

janeiro 10, 2016

No final de 2015 o livro Mein Kampf, de Hitler, entrou em domínio público. Li o livro faz muito tempo, e por achá-lo horrendo, não cheguei a terminar. Li o suficiente para considerar seu autor um fanático racista, defensor de uma suposta raça superior, da qual ele obviamente não só fazia parte, como estava predestinado a ser o líder. Trechos como o que consta abaixo, estão neste livro:

[…] A cultura humana e a civilização nesta parte do mundo estão inseparavelmente ligadas à existência dos arianos. A sua extinção ou decadência faria recair sobre o globo o véu escuro de uma época de barbaria. A destruição da existência da cultura humana pelo aniquilamento de seus detentores é, porém, aos olhos de uma concepção racista do mundo, o mais abominável dos crimes. Quem ousa pôr as mãos sobre a mais elevada semelhança de Deus ofende a essa maravilha do Criador e coopera para a sua expulsão do paraíso. Assim corresponde a concepção racista do mundo ao intimo desejo da Natureza, pois restitui o jogo livre das forças que encaminharão a uma mais alta cultura humana, até que, enfim, conquistada a terra, uma melhor humanidade possa livremente chegar a realizações em domínios que atualmente se acham fora e acima dela.[…]

[…] Os direitos humanos estão acima dos direitos do Estado. Se, porém, na luta pelos direitos humanos, uma raça é subjugada, significa isso que ela pesou muito pouco na balança do destino para ter a felicidade de continuar a existir neste mundo terrestre, pois quem não é capaz de lutar pela vida tem o seu fim decretado pela providência. O mundo não foi feito para os povos covardes. […]

Poucas pessoas questionam o fato de Adolf Hitler ter sido um dos piores vilões da história da humanidade. Na Alemanha, dar o nome de “Adolf” a um filho, é impensável. Chamar um filho de “Adolf” poderia ser visto como uma homenagem a este genocida, e nenhum cidadão de bem por lá, quer correr este risco. Há quem argumente afirmando que outros ditadores mataram mais gente em comparação com Hitler. Mas no caso dos nazistas, a forma como executaram seus planos mirabolantes, assassinando pessoas em massa nas câmaras de gás em nome de um ideal racista, o torna sem dúvida o pior genocida da história, um verdadeiro monstro. Stalin e Mao não ficaram atrás em termos de extermínio de pessoas. Stalin e Hitler, acabaram um contra o outro na segunda guerra mundial. Quando deu de cara com Stalin, Hitler começou a perder a guerra. Estes três vilões viveram mais ou menos na mesma época. Juntando os feitos dos três, foram responsáveis pela morte de pelo menos 130 milhões de pessoas. Mas as motivações de Hitler eram mais sinistras, com aquela história de raça pura, e por ele se considerar um enviado divino, encarregado de salvar o mundo da degeneração racial. Se ele tivesse guerreado somente por motivos políticos, territoriais ou financeiros, para aumentar o território ou o poder da Alemanha, talvez não fosse hoje considerado o pior e mais insano de todos os ditadores. Estaria em pé de igualdade com seus colegas do mal.

Pervitin 3Na Alemanha nazista, sabe-se sobre o uso de drogas entre os soldados e também entre os líderes. Depois da invasão da Polônia e antes de atacar a França, os nazistas encomendaram 35 milhões de comprimidos de Pervitin, para distribuir aos soldados. Era uma metanfetamina, mais conhecida hoje como “cristal”. Na época, o Pervitin era vendido legalmente, como remédio. Usava-se Pervitin, como usamos o café agora. Havia chocolate recheado com Pervitin. As pessoas ficavam eufóricas, sentiam-se invencíveis e capazes de qualquer coisa. Imagine soldados lutando numa guerra e usando este tipo de droga. Eu não gostaria de encontrar com um deles.

O médico de Hitler, Theodor Morell, prescrevia ao ditador, injeções que continham metanfetamina e um psicotrópico chamado oxicodona (o remédio do Dr House). Hitler teria passado boa parte do tempo de duração da segunda guerra mundial, usando um coquetel de drogas prescritas pelo Dr Morell. O médico de Hitler era tão louco quanto seu chefe, e o coquetel incluía, além de metanfetamina e oxicodona, vitaminas, proteínas, barbitúricos, esteroides, morfina, petidina, entre outros. Hitler tomava injeções praticamente todos os dias e parecia confiar cegamente neste médico, que era também dono da indústria produtora de parte das drogas usadas por Hitler. O super homem nazista era isso? Este “super homem ariano” do qual supostamente dependia o futuro da humanidade, seria um zumbi dependente de drogas? No Mein Kampf, Hitler cita o aperfeiçoamento físico como um dever. Era esse tipo de aperfeiçoamento físico o ideal dos nazistas?

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Hitler perdeu a guerra, e antes disso, seus próprios generais tentaram matá-lo. O fato da derrocada dos nazistas na guerra, ter começado quando atacaram a União Soviética, um Estado ateísta, parece ironia. Como Hitler reagiu à derrota, se considerava como um direito divino da tal raça ariana, subjugar as supostas raças inferiores? Qual explicação para essa “raça superior” apoiada em metanfetaminas, como se fosse um elixir da invencibilidade? Hitler usou aquele coquetel de drogas esperando, talvez, se transformar num super herói, daqueles de dar inveja em qualquer personagem da Marvel. Como, em vez de se transformar em super herói, foi ficando cada vez mais doente e dependente de drogas, enquanto os aliados estavam próximos de derrotá-lo, terminou por se suicidar. Não venceu a guerra e muito menos venceu a morte. Ele não era nenhum super homem, afinal.

“Como um Cristão amoroso e como um homem, leio a passagem que nos conta como o Senhor finalmente se ergueu em Sua força e apanhou o azorrague para expulsar do Templo a raça de víboras. Como foi esplêndida a sua luta em defesa do mundo e contra o veneno judeu. Hoje, depois de 2 mil anos, é com muita emoção que reconheço, mais profundamente do que nunca, o fato de que foi em nome disso que Ele teve que derramar Seu sangue na cruz. Como cristão tenho o dever de não me deixar enganar, tenho o dever de lutar pela verdade e pela justiça. E como homem, tenho o dever de zelar para que a sociedade humana não sofra o mesmo colapso catastrófico que sofreu a civilização do mundo antigo 2 mil anos atrás – uma civilização que foi levada a ruína por esse mesmo povo judeu.”

Num país como a Alemanha na época nazista, onde a maioria absoluta da população era formada por católicos e protestantes, se Hitler se declarasse ateu ou invocasse Odin ou Thor como patronos dos nazistas, dificilmente seria levado a sério. Mas ele também não era cristão, mesmo quando afirmava ser um ou citava trechos do novo testamento. Era apenas mais um dos muitos que usaram a religião para montar sua própria ideologia. Enganou a muitos, e causou a morte de milhões de pessoas. Católicos e protestantes se deixaram enganar pela propaganda racista deste homem. Adolf é um nome relacionado a lobos. Neste caso, Hitler foi um lobo confundido com um cordeiro. Um lobo que sabia usar a propaganda.

Enganou a si mesmo, acima de tudo, pois Deus não é nazista.


Charlatanismo evangélico

abril 17, 2010

Ouvi uma história absurda hoje, contada por minha mãe, que não é cristã e estava bastante revoltada com isso. Um morador do bairro, que tinha hipertensão e outros problemas de saúde, começou a frequentar uma igreja evangélica, dessas que afirmam curar qualquer doença. Pois bem. Na tal igreja, o pastor declarou que o homem estava curado, e que portanto não precisava mais tomar os remédios para regular sua pressão alta, nem seus outros problemas de saúde. O homem foi para casa, jogou fora seus remédios e interrompeu todo o tratamento médico, afirmando categoricamente que estava curado. Ninguém conseguiu fazer com que ele mudasse de idéia e voltasse aos remédios, sem os quais sua pressão arterial ficaria fora de controle.

Resultado: pouco tempo depois, o homem veio a falecer, devido aos problemas de saúde, que supostamente haviam sido “curados” pelo pastor milagreiro. Mas que obviamente não haviam sido curados coisíssima nenhuma.

Eu considero esse “pastor”, um criminoso. Um charlatão mentiroso. E não alguém que foi colocado na posição de pastor, por Deus, para cuidar das pessoas. Do contrário, não estaria destruindo as vidas de pessoas doentes, vendendo o já clássico bordão de muitas igrejas: “Pare de sofrer!”

Como se o simples ato de pisar dentro de uma igreja, e ouvir um “pastor” falar que os seus problemas não mais existem, fosse capaz de livrar você instantaneamente, num passe de mágica, de todos os problemas, de todas as doenças, da pobreza, do desemprego, das desavenças familiares, das drogas e por aí vai.

Não seja crédulo, a ponto de interromper um tratamento médico, apenas porque um pastorzinho de quinta categoria, lhe disse que você está curado.

Jesus jamais prometeu uma vida isenta de sofrimentos ao cristão.

Mas tem outro lado também, essas pessoas não vão à igreja para aprender a ser discípulos de Jesus. Vão apenas para se servir, esfregar esse gênio da lâmpada que eles imaginam que Deus seja, enquanto fazem seus pedidos, junto com todo tipo de “mandinga” para manipular Deus. Cada igreja dessas tem sua “receita de bolo”, para que os desejos dos fregueses sejam atendidos. Mas quando o freguês morre, esse “infiel” não é contabilizado nas estatísticas, nem vai alguém da família do falecido lá no púlpito, pra testemunhar que não houve cura, que o freguês morreu por ter parado com os remédios, e o pastor é um mentiroso. Tente fazer isso, tente ir ao púlpito pra dizer que o pastor mentiu, e que não houve cura alguma, pra ver se não te jogam porta afora, com direito a socos e pontapés, e sob os aplausos da multidão, enfurecida contra o petulante herege, que está tentando abalar a fé do “povo de Deus”.


Tio Chico e outros “ex-alguma coisa”

março 11, 2010

Conversando com um amigo (que é crente e assembleiano), ele fez um comentário sobre a Rita Cadillac, que supostamente teria feito “macumba” para matar o Chacrinha. Perguntei a ele de onde ele tinha tirado isso, e ele falou do “testemunho” do “ex-bruxo”  (e depois pastor evangélico), Tio Chico.

Fiquei ao mesmo tempo triste e surpresa com a credulidade dele ao falar a respeito. Ele simplesmente acredita em tudo que esse cidadão afirmou em seu testemunho. Se você nunca ouviu falar dele (e pode ter certeza de que não está perdendo nada), abaixo segue um pouco a seu respeito:

[…]Tio Chico conta com naturalidade que fez três pactos com o Diabo. Estranho o fato dos dois primeiros terem sido invalidados. A precocidade é um dos pontos destacáveis do nosso herói. Segundo suas palavras, foi o Pai-de-Santo mais novo do Brasil, tendo conseguido a façanha com 10 anos de idade. Um fato que me impressiona na história de Tio Chico é a sua onipresença e capacidade de ultrapassar a barreira do tempo. Segundo informações do seu site, o bruxo Tio Chico transformou-se em nova criatura em 1990. Pouco tempo depois foi promovido a Pastor Francisco e percorre o país tornando conhecidas suas folclóricas atuações em diversas áreas, sempre com uma espantosa capacidade. Não se sabe como, Tio Chico foi funcionário do Banco Central por oito anos. Não se sabe também como chegou ao cargo de chefe de gabinete por meio de concurso público. Algo inédito no Brasil. Segundo o mago das finanças, desviava dinheiro dos clientes para sua conta e enviava sua dinheirama para paraísos fiscais na Suiça. Não se sabe também como o Banco Central tinha clientes comuns, ao estilo do Bradesco ou da Caixa. Tio Chico conta que lucrava milhões fazendo desvios.[…]

[…]Tio Chico faz questão de propagar seu passado de vacas gordas. Ele garante que o contrato com o diabo lhe rendera quatro limusines, uma Ferrari, uma Mercedes Benz e uma incrível BMW, na qual o intrépido prosador fazia viagens para a África, ignorando completamente a existência de um Oceano Atlântico. Nas horas de folga, Tio Chico fazia rituais de magia negra e sacrifícios infantis na super máquina satânica. O então bruxo dispunha também de mansões e doze apartamentos em Brasília. Tio Chico tem um passado tenebroso, tão tenebroso que faria o mítico personagem Jason se sentir um anjinho. Ele confessa nos púlpitos por onde passa o assassinato de quarenta pessoas a bala e o sacrifício de vinte e duas crianças. Tio Chico é modesto. Não computou no seu catálogo as mortes indiretas, vamos assim dizer. Ele garante que a cantora Clara Nunes, o apresentador Chacrinha e o presidente Tancredo Neves, morreram graças a trabalhos bem sucedidos realizados por ele. Para despachar a cantora baiana, Tio Chico teria embolsado US$ 45 milhões e um carro 0 Km. Cortesia do ex-prefeito de São Paulo, Orestes Quércia. Nâo se sabe se o carro tem poderes mágicos. Já Chacrinha foi mal avaliado. Pela bagatela de US$ 1 milhão, o impiedoso Tio Chico matou o Velho Guerreiro. A encomenda veio da “amante dele”, Rita Cadillac. Já o presidente Tancredo Neves foi morto a pedido de Paulo Maluf e José Sarney. Incrível como era influente o nosso personagem. Apesar de ter morado em 19 capitais, conhecido 68 países, ter feito um curso superior, ter frequentado com certa importância 28 religiões, chefe de gabinete do Banco Central, prestador de serviço para a Câmara e o Senado, o incansável, onipresente e onipotente Tio Chico comandava o Comando Vermelho no Rio de janeiro, ao lado de figuras como Escadinha, Fernandinho Beira-Mar e Marcinho VP. Mesmo assim, ainda achava tempo para visitar cemitérios e se alimentar de vísceras humanas e prestar “trabalhos espirituais” em seu centro para 68 empresas. Injetou sangue de bode no corpo, gasolina e éter. Teve um tórrido romance de oito meses com sua cachorra Fila Brasileira. Tudo isso até os 30 anos de idade.

A história de Tio Chico que mais me seduz é a que ele claramente desafia toda a possibilidade matemática e diz que comprou a esposa, quando esta tinha 12 anos de idade. Ficou casado 19 anos com ela e já está há 17 separado. Como Tio Chico tem hoje 47 anos, estima-se que ele tenha feito isso com incríveis 11 anos de vida. Em um de seus testemunhos, Tio Chico conta que trabalhou para a Wagner Canhedo, tendo inclusive sugerido o nome para a Vasp. Ele só não explica em qual encarnação fez isso, já que a empresa foi fundada em 1933. Tio Chico também garante que trabalhava nos bastidores para a Chevrolet, que segundo ele cada letra significa uma palavra, que descamba na frase “Chegou Hoje Este Vagabundo Roubando Ouro Liquidando Esta Terra”. Nem o fato da montadora ter sido fundada pelo piloto franco-americano Louis Chevrolet, em 1911, nos EUA, intimida Tio Chico. Presumo que ele terá alguns problemas para traduzir a frase para o inglês usando as mesmas iniciais. Idem para o francês e o espanhol. Espantoso também foi o fato de Tio Chico ter experimentado uma recaída, já que afirma que nomeou o Marea, veículo da Fiat, que significa no idioma diabês Enxu Marea. O problema é que Tio Chico garante que se aposentou das suas atividades mirabolantes em 1990. Como o Fiat Marea foi lançado em 1998 no Brasil, fica no mínimo, curiosa a participação do mestre neste episódio.

O maior troféu de Tio Chico é a apresentadora Xuxa, da Rede Globo (emissora que se valia de seus préstimos também). Ele garante que a Rainha dos Baixinhos realizou três pactos com o Coisa-Ruim, para se tornar famosa e rica. O generoso Tio Chico teria intermediado o negócio. Não se sabe quanto lucrou nesta transação. Aliás, Tio Chico faturava de todas as formas. Garante que há um processo contra ele no Distrito Federal, por ter falsificado 1800 folhas de cheque. Curiosamente, não consta nenhum processo contra Francisco José Vieira Guedes na Justiça de Brasília. Tio Chico tem a espantosa capacidade de fazer os processos evaporarem como mágica das gavetas dos tribunais. Curioso também o fato de em seu site não constar nenhuma cópia de qualquer documento de suas transações, uma lembrança de alguma viagem para algum das dezenas de países, nenhuma certidão de óbito de duas filhas que ele garante terem sido sacrificadas. Tio Chico é um homem muito reservado.

Quando Tio Chico foi tocado por Jesus e resolveu jogar sua vida perversa no mar do esquecimento, sofreu várias retaliações de seu antigo patrão. Ele conta que foi vítima de um terrível acidente de carro, que lhe rendeu 25 cirurgias. Como desgraça pouca é bobagem, Tio Chico conta que está vivo pela graça de Deus, já que os médicos retiraram incríveis 250 gramas de estilhaços de vidro de sua cabeça, perdeu as cordas vocais (usa uma até então inédita prótese de borracha) e outros detalhes que não convém relatar. Fato incrível é que o Pastor Francisco tem passaporte livre em centenas de igrejas e nenhum pastor pede alguma comprovação de seus feitos ou chama a Polícia Federal. É uma encruzilhada santa: se Tio Chico (apesar da Cronologia, Geografia, História, Biologia, Matemática, Física, Química e todas as outras ciências provarem o contrário) diz a verdade, é merecedor de capa na Veja, destaque no Fantástico e no mínimo uns cem anos de solidão carcerária. Normalmente, Deus perdoa o pecado hediondo. Mas a Justiça dos homens não é assim tão compreensiva. Se Tio Chico, como tudo leva a crer, falta com a verdade (no que compensa com muita criatividade), pode responder processo por calúnia, difamação e falso testemunho. É também de se duvidar da seriedade das instituições religiosas que o recebem. Das duas uma: ou levam um criminoso hediondo e plural para usar seus púlpitos ou patrocinam um mentiroso de proporções nunca alcançadas por uma mente humana antes.

Fonte: Pastor tio Chico e suas histórias maravilhosas – Anderson Alcântara

Vamos pensar, pessoal! Não acreditem em tudo que dizem, nem mesmo essas pessoas que usam título de pastor à frente do nome. Não acreditem, sem questionar, sem provas, em testemunhos mirabolantes de pessoas que usam esses testemunhos para ganhar dinheiro, vendendo DVDs e indo em igrejas para falar. Não sejam crédulos desse jeito, pelo amor de Deus… Exijam provas a respeito dos testemunhos, mesmo porque muitas coisas que foram ditas por esse sujeito, são muito graves, e ele teria que responder perante à justiça pelos crimes que afirma ter cometido, nos púlpitos e no DVD. As igrejas têm obrigação de verificar a veracidade de todos os testemunhos, antes de dar espaço para essas pessoas.

Já basta de credulidade sendo explorada por espertalhões.


Profetas e profetadas

fevereiro 10, 2010

Se você é cristão, certamente já foi vítima de um falso profeta e suas profetadas. Pessoas que são mandadas até você por outras, que te conhecem, para levar pra você uma suposta palavra vinda de Deus. Normalmente quem faz isso é alguém que deseja manipular você, induzir a tomar determinado tipo de atitude ou decisão, e parte para essa estratégia desonesta de forjar profecias falsas. A vítima normalmente fica com medo de duvidar, e acaba caindo no conto do falso profeta. Se o sujeito se diz profeta, e começa a pedir e exigir bens e dinheiro seus, para que profecias ruins não se cumpram na sua vida, não acredite, porque ele é apenas um mentiroso. Coloque essas pessoas à prova. Normalmente as pessoas que fazem questão de afirmar que estão falando em nome de Deus, quase nunca estão. Falsos profetas não são só aqueles que pregam mentiras, são também aquelas pessoas que profetizam sobre a vida alheia, com o intuito de induzir pessoas a agirem como elas desejam.

Sobre isso, muito sábias as palavras de Caio Fábio:

1. Um profeta nunca irá mandar o que a Palavra não ensina.

2. Um profeta nunca marcará “consultas” — Deus não fala com hora marcada.

3. Um profeta tem que saber dizer: “O Senhor não me falou nada”.

4. Um profeta foge de se tornar objeto de consumo.

5. Um profeta se declara um homem, não um anjo.

6. Um profeta não viola 1 Co 14, nem sua profecia.

7. Um profeta profetiza Jesus: Ele é o espírito de toda profecia.

Nunca pedi oração aos profetas. É essa fila em porta de profeta que acaba corrompendo até aqueles que um dia foram bons.

Profeta não deve ser buscado. A profecia verdadeira sempre nos acha.

E mais: nunca vá a profetas que convivem com amigos seus. Quase sempre o profeta já está condicionado. Então, não é profecia, mas pro-amasia-fraterna. Bem intencionados, mas na carne.

Profetas e profetadas – Caio Fábio

Bem intencionados, mas mentirosos. E nem sempre são bem intencionados. Por isso, tome cuidado, você pode estar sendo manipulado.


O fracasso de Copenhague

dezembro 19, 2009

por Jaime Leitão

Depois de quase duas semanas discutindo como diminuir a emissão dos gases responsáveis pelo efeito-estufa, e consequente deterioração do meio ambiente, representantes de mais de 190 países não chegaram a lugar algum. Houve muitos discursos, discussões sem objetividade e, de concreto, nada ocorreu além de intenções vagas, que ignoraram o aviso mais do que anunciado: O planeta não pode mais esperar.
As duas maiores decepções da Conferência COP 15, em Copenhague, foram o premiê chinês Wen Jiabao, que não compareceu às duas últimas reuniões de cúpula de líderes mundiais, enviando um representante, e Barack Obama. O presidente norte-americano prometeu que os Estados Unidos diminuirão a emissão de gás carbônico em um prazo de cinquenta anos, mas esqueceu o curto prazo, os próximos cinco ou dez anos, que é o que mais interessa. A questão é como chegar a daqui cinquenta anos. Obama afirmou também não aceitar pressão para definir o montante de ajuda financeira aos países pobres, para que eles possam sofrer um pouco menos com a ação criminosa dos maiores poluidores do planeta, a China e os Estados Unidos.
Muito barulho, pressão dos ativistas e dos cientistas, análises assustadoras, nada sensibilizou os governantes que representam as maiores economias, que preferem ver o planeta arruinado a abrir mão dos seus lucros. Foi o tal raciocínio burro, suicida, que prevaleceu sobre o bom senso de se chegar a um acordo que não veio.
A cada dia que passava, a COP 15 parecia mais próxima de um naufrágio esperado, mas que poderia ser evitado se os mais poderosos demonstrassem uma grandeza de caráter que provaram não ter. Obama apareceu no penúltimo dia, quando teria obrigação de comparecer nos dias anteriores com propostas ousadas. Nada de novo acrescentou à Conferência, além de expor um sorriso sem graça, demonstrando que estava lá mais para posar para fotos do que por algum motivo mais grandioso.
O meio ambiente não pode esperar nada de dirigentes políticos que se apresentam para um encontro dessa grandeza com a disposição de não negociar nada. Já comparecem decididos a manter tudo como está, independente dos riscos que isso implica.
Lula e o presidente francês Nicolás Sarkozy foram os únicos que mostraram disposição para conseguir que fosse assinado um relatório de fato, envolvendo todas as nações presentes ao encontro, principalmente as mais poluidoras, com datas e números bem definidos para levar avante o processo de diminuição do efeito-estufa.
Doze anos depois da conferência de Kyoto, no Japão, em que os Estados Unidos e outros países não assinaram o famoso protocolo de redução de emissão de gases poluentes na atmosfera, vemos a temperatura do planeta aumentar ainda mais, sem que nada seja feito de efetivo para evitar uma catástrofe de proporções devastadoras.

(O autor é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação. jaimeleitao@linkway.com.br)

O fracasso de Copenhague – Jaime Leitão

Enquanto isso, crentes, evangélicos e afins, continuam discutindo se Adão tinha umbigo, como que os animais couberam na arca de Noé e se fumar e beber é pecado, ou se ouvir música do “mundo” é pecado.

Acordem, bando de alienados, bando de inúteis.

Faça a sua parte, porque nossos líderes políticos já demonstraram que querem mais é que o planeta se dane, desde que eles continuem enchendo a conta bancária de dinheiro.

Hey, cemitério não tem cofre, caixão não tem gaveta, não esqueçam disso não, tá?


Antes na igreja – Depois fora da igreja

novembro 30, 2009

por Thiago Mendanha

Acho que posso contar minha história dividindo-a em ANI e DFI. Calma, vou explicar: Antes Na Igreja e Depois de Fora da Igreja. Os leitores que já conhecem esse espaço e como me refiro aos termos me perdoem, mas muita gente ainda cai de súbito por aqui e entenderá mal minha colocação. De maneira que vou explicar só um pouquinho mais!

Quando divido minha vida em Antes Na Igreja, digo dos meus tempos como membro de denominações; meus tempos como “ministro de louvor”, como professor de Escola Bíblica Dominical, como “adorador extravagante”, como “separado do mundo” – acabo de ter um insight para um próximo texto -, como “evangélico”, como “gospel”, e por aí vai um tanto de classificações e nomes sem tanto… vocês conhecem!

Antes Na Igreja eu fazia parte desse bem elaborado Sistema religioso do qual grande parte das pessoas estão inseridas; esse Sistema abrange várias confissões: Cristianismo, Catolicismo, Protestantismo, Evangelicalismo, Judaísmo, Espiritísmo, Hinduísmo, Budismo, Ateísmo (considero um sistema (a)religioso), etc., etc. e etc. De uma forma ou de outra as pessoas, mesmo não engajadas, são influenciadas e moldadas por esses “ísmos”.

Antes que me pergunte o que tem de errado em fazer parte do Sistema, digo que a princípio nada. Todos estamos presos a algum tipo de Sistema. O problema é quando você se torna a bateria para que esse Sistema funcione. E assim, ele vai te sugando, e sugando toda sua energia a fim de fincar existência, ganhar poder, riqueza e expansão. Quando você deixa de ser uma “pessoa” que é servida pelo Sistema para servir ao Sistema, algo está muito errado.

E não se engane, alguém estará lucrando por trás do Sistema. Sempre haverá alguém lucrando…

Depois de Fora da Igreja eu experimento uma leveza na alma indescritível. Aprendi a me relacionar melhor com pessoas. E aprendi a julgar menos o caráter religioso das mesmas. Claro, que isso não é fácil! Vez ou outra a gente se pega definindo uma pessoa pela crença e a partir daí construimos algumas barreiras. Mas, a experiência tem me ensinado que quando não construo essas barreiras, encontro mesmo naquelas cujo a crença não compactuo de forma alguma, algo pra aprender. Encontro alguém com quem trocar idéias e na medida do possível suscitar diálogos edificantes. No mínimo ser gentil e educado!

Hoje sinto que minha energia não é gasta com o lucro dos vendilhões da fé. Minha consciência não é cativa de dogmas e doutrinas corrompidas em si mesmas. Hoje sou livre para ir e vir e fazer o que bem entender sem me sentir preocupado com o pastor.

Hoje aprendi a usar a liberdade que Cristo conquistou pra mim. E uso essa liberdade não como pretexto para libertinagem como virão alguns a pensar. Só porque não frequento uma denominação e não tenho meu nome constando no rol de membros de alguma instituição religiosa, não quer dizer que sou um “mundano” como dirão os desavisados.

Não, muito pelo contrário! Não vivo pela Lei, vivo pela Graça e isso me basta sobremodo.

Não quero que pensem que julgo ou condeno quem faz parte de uma denominação, ou de uma igreja institucionalizada. Por favor, não! Entendo que cada um tem que estar onde precisa estar. Cada um tem seu ritmo, seu jeito de aprender, de viver e de apreender a espiritualidade. Não sou melhor que nenhum destes só porque experimento um “ser igreja” diferente, natural e com pouquíssimos ajuntados. Muito pelo contrário, sou pior.

Apenas sei de uma coisa. Assim como não dá para voltar nos tempos A.C. também não dá para voltar nos tempos ANI.

Antes na igreja e depois de fora da igreja – Thiago Mendanha

Querem ver a reação de um pastor que parece alucinado, ao texto do Thiago? Leiam os comentários no texto original, link acima.