A apologética ambígua

dezembro 28, 2014

por capelão Mike

Eu confesso. Não tenho apologética.

Não há como defender Deus. Não há como provar que o Seu caminho é o correto. Para isso, seria necessário que eu entendesse Deus, para que possa fundamentar as alegações de verdade que a minha fé me chama a abraçar.

Posso explicar muito bem no que creio. Posso demonstrar até certo grau que minha fé é razoável, e não um delírio de um lunático. Mas não posso provar nada. Não posso discutir um enigma. Não posso fazer campanha para Jesus, sobre uma plataforma de certeza.

Veja, toda a “evidência” é ambígua. É capaz de ser interpretada de diversas formas. O que convence uma pessoa a crer, pode levar outra a ter sérias dúvidas.

Até mesmo o acontecimento que é o alicerce da nossa fé – a ressurreição de Jesus – não foi o que podemos chamar de um evento público. Foi descoberto de forma inesperada por algumas pessoas comuns, no amanhecer enevoado de uma manhã de Páscoa. Todas as aparições de Jesus foram reservadas, a pessoas que se tornaram suas testemunhas. É na palavra destas pessoas que temos que confiar. Estou convencido de que elas eram confiáveis e não tinham motivos para inventar uma história tão fantástica, mas consigo entender que pessoas podem ter dúvidas a respeito disso.

Acho que é por isso que tantos cristãos sentem necessidade de apresentar uma Bíblia inerrante, uma revelação totalmente confiável, feita diretamente da boca de Deus, que demonstra em termos incontestáveis que é VERDADE™. Então, tudo que temos que fazer é abrir o livro e – lá está! – uma base segura  e certa para as nossas crenças. Entretanto, por mais confortáveis que isso possa fazer os crentes se sentirem, apenas cria outra proposição que os cristãos precisam defender. Provar a divina perfeição da Bíblia é um esforço hercúleo, e como séculos de disputas sobre a natureza, significado e interpretação da escritura, mostram, a evidência é obscura.

Então, realmente não tenho uma apologética. Na melhor das hipóteses, ela é ambígua.

Outro dia eu estava pensando sobre os pastores na história de Lucas sobre o nascimento de Cristo. Certamente eles tinham um senso de certeza. Certamente o que eles experimentaram foi tão inquestionável e transformador, que viveram o resto das suas vidas na certeza da fé. Com certeza o próprio Deus tinha provado a eles. Eles viram os anjos. Ouviram o evangelho ser anunciado, diretamente do céu. Eles viram o bebê Jesus em carne e osso!

Porém, às vezes adoraria saber o que aconteceu depois. O Evangelho nos diz que os pastores voltaram ao trabalho naquela mesma noite. Não temos mais notícias deles. Como será que foi para os pastores uma semana depois? Um mês depois? Dez ou vinte anos depois? Não sei se eles estavam por perto quando Jesus andou ao longo da Judeia proclamando o Reino. Gosto de pensar que a fé deles foi confirmada e fortalecida ao longo dos anos, talvez por meio de encontros pessoais com Jesus no seu ministério.

Por outro lado, é possível que eles não tenham mais ouvido falar de Jesus novamente, talvez pelo resto das suas vidas. Se foi assim, o que aquele longo silêncio teria comunicado a eles? Baseados na mensagem do anjo, eles podem ter aguardado, em algum momento ao longo da estrada, que o Filho de Davi chegasse ao trono em Jerusalém, trazendo a paz duradoura e alívio com relação aos seus inimigos. Um cumprimento inquestionável da promessa de Deus. Mas mesmo que eles tenham feito parte da multidão e seguido Jesus ao longo da Judeia e Galileia, eles podem nunca ter percebido. Como eles poderiam ter relacionado aquele grande anúncio de nascimento, com a realidade anos depois – um rabino itinerante que não tinha onde reclinar a cabeça? E então, a cruz? Algum rei. Algum trono.

Tudo isso é pura especulação, é claro, mas penso em uma conclusão: em minha opinião, os cristãos (e me incluo nisso), parecem convencidos quando falam sobre Jesus e sobre a fé. Como se tivéssemos um senso de certeza que nos faz sentir felizes ao longo da vida. Como se o que acreditamos e as razões pelas quais acreditamos fossem tão claras, tão transparentes, tão inquestionáveis, que não podemos imaginar que os outros sejam incapazes de ver isso.

Tive um despertar espiritual enquanto estava na escola secundária, e foi causado por relacionamentos que desenvolvi com um grupo de jovens cristãos, na escola e na igreja. O que eu gostava neles, é que eram reais. Eu notava suas imperfeições e podia encontrar furos em seus argumentos. Mas não podia deixar de perceber a alegria deles, e a convicção que tinham de que a vida valia a pena apesar dos problemas e dúvidas. Havia algo que os mantinha em movimento para abraçar o divino da vida, da fé, esperança e do amor. Eles eram péssimos quando tentavam explicar isso, mas estava lá. No fim das contas, percebi que não podia resistir à canção que a vida deles cantava para mim.

Então é a isso que quero voltar. Algum dia muito tempo atrás, numa noite escura, ouvi anjos cantando. Vi a face do salvador. E era real.

Minha experiência com certeza não foi tão espetacular como o que os pastores testemunharam. Entretanto, foi suficiente para prender minha atenção e me fazer mudar de direção, de uma forma que suponho pareceria tanta loucura quanto largar seu trabalho, no meio da noite, para procurar uns estranhos e seu bebê recém nascido, baseado numa visão divina.

Entretanto, como estes pastores, tive que retornar à vida, à velha vida comum, a vida de todos os dias.

Ao longo dos anos, tive razões pra duvidar, inúmeras vezes, de que aquela experiência foi real. Queria saber se aquelas promessas que recebi eram verdadeiras, ou se não passava de fantasia adolescente gerada por hormônios, novidades e dinâmicas de grupo. Pode parecer muito ambíguo às vezes.

Se os pastores viram Jesus novamente ou não, posso testificar que desde minha epifania, algumas vezes ao longo do caminho, eu o encontrei. Uma coisa é certa: ele nunca é como espero. Ele constantemente me deixa confuso e me faz coçar a cabeça. Quanto mais tento definir o que ele é e o que está fazendo em minha vida, mais confuso eu fico. E quando vou falar, fico rodeando, procurando palavras que o expliquem, para expressar o que significa para mim, tocar os presentes com os quais ele graciosamente tem preenchido a minha vida.

Ele é real, e isso é o melhor que posso fazer.

E é isso que você tem. Minha apologética ambígua.

Talvez você estivesse esperando ler alguma coisa hoje, que explicasse tudo a você, aliviasse suas dúvidas, respondesse suas perguntas, fizesse tudo virar certezas.

Desculpe. Sou apenas um pastor aqui.

A maioria das noites é bem quieta.

Link: A sheperd’s ambiguous apologetic


O escuro, a luz e Deus

setembro 28, 2013

[…]Sempre que  presenciamos alguém tentando explicar situações difíceis da vida pelo caminho da claridade, devemos desconfiar de que procura “chaves” onde elas não estão. Por isso, as religiões, ou mesmo a espiritualidade, podem se tornar presas tão fáceis das buscas infrutíferas por onde há luz. O excesso de “teologias”, de explicações que servem como holofotes 24 horas para garantir “luz” às nossas buscas, é uma das mais perversas armadilhas. São formas de viver a religião e a espiritualidade, que emburrecem espiritualmente. Representam formas sofisticadas de alienação, chegando a ponto de se institucionalizar com o único fim de “exorcizar” a escuridão. Diabo para um lado e Deus para o outro, e uma vida em que nunca se terá de ir ao escuro buscar chaves, é em si o terror ou o verdadeiro demônio.

Com o passar do tempo, as trevas ganham força. Os lugares “claros” vão se reduzindo a ilhas cada vez mais ameaçada pela escuridão. Pânico e fobia espiritual se instalam e há cada vez menos saída. Afogados por chaves que jamais descobrirão, estão presos até que façam o movimento correto de trazer a escuridão de volta às suas vidas. Como diz a máxima: Religião é para quem tem medo do inferno, espiritualidade verdadeira é para quem já esteve lá.

Cada experiência que se assemelha ao canto do galo, de discernir redenção e mudança em meio à escuridão, nos ensina a investir mais na busca de outras experiências desse mesmo tipo. A cada experiência em que a saída se dá no mesmo lugar, que é o lugar do aprisionamento, mais refinados nos tornamos espiritualmente.[…]

[…]Nesses lugares, que são quaisquer lugares, os mesmos lugares, há saída. Basta vê-los de forma diferente; enxergá-los a partir do ângulo que nos é obscuro, evitando o vício fatal de acender as luzes. Nas luzes, se dissolvem os monstros, mas com eles também a possibilidade de saídas que farão falta em outros momentos. Em vez de acender as luzes, a proposta é aproximar-se da escuridão e perceber quando, em meio a ela, a noite se desfaz. Como Davi que recepcionava seus monstros com hinos não à luz, mas à luz oculta na noite. Em busca de um mesmo que é diferente.[…]

[…]Quando chegamos a este mundo e descobrimos que existem formas de saciar toda as necessidades, conhecemos o conceito de ordem. O ar, o peito e o afeto descortinam um mundo que nos leva espiritualmente a desaguar no “papai Noel”. Essa é a melhor definição infantil de Deus como a entidade responsável por saciar-nos. Esse é o Deus dos presentes, da mágica de prazeres que parecem infinitos e irrestritos. Mas papai Noel não existe, pelo menos não desta forma infantil.

Para muitos, essa dramática descoberta dá por encerrado qualquer investimento em inteligência espiritual. No entanto, esta deveria ser apenas a etapa inicial do desenvolvimento espiritual. A descoberta de que as necessidades que podem ser saciadas eventualmente não são, deveria iniciar uma busca desesperada por significado. Será que o fato de não termos saciados nossos desejos e expectativa é algo pessoal? Será que não merecemos? Será que não somos tão amados como imaginávamos? O que será preciso para agradar o cosmos e voltar a usufruir de sua proteção?

O escuro, em parte, é formado por experiências de não termos sido saciados, o que nos põe em contato com a noção de morte e de injustiça. Porém, não é o simples ato de não sermos saciados que se constitui em escuridão. O ser humano está equipado com os recursos do enfrentamento e da fuga. Ambos salvam! Diante de qualquer situação ou problema, quando não adotamos uma atitude de enfrentamento, adotamos, necessariamente uma atitude de fuga, ou vice-versa. O enfrentamento bem-sucedido salva, produzindo a experiência de um Deus que está do nosso lado, que olha por nós. A fuga bem-sucedida, desde que seja uma estratégia preestabelecida, representa um enfrentamento e também produz o mesmo sentimento. No entanto, o enfrentamento fracassado – ou seja, transformado em fuga – ou a fuga que não é parte de uma estratégia de enfrentamento, produz um ser humilhado e assustado. Seu Deus (sua ordem) é um deus que abandona, que permite o amargor da derrota e a insegurança quanto à sobrevivência.

O escuro é produzido por um paradoxo expresso por Jó sob a fórmula de uma equação no texto bíblico: “Em enfrentamentos bem-sucedidos e em fugas corajosas, Deus gosta de mim. Em fracassos ou em fugas covardes, ou Deus não gosta de mim ou há algo errado com minha concepção de Deus.”[…]

[…]O escuro, portanto, não é o mau. É simplesmente um lugar que não conseguimos enxergar plenamente, como os paradoxos.[…]

[…]O lugar da luz é aquele que não contém sentimentos ou experiências contraditórias. O escuro, por sua vez, não é o lugar do mal, mas um lugar que mistura sentimentos e percepções. A angústia é um exemplo dessa mistura. Ela contém sempre amor e ódio. Conciliar esses sentimentos produz um lugar escuro do qual buscaremos distância, apesar de chaves importantes estarem lá. A dúvida é outro exemplo. Ela contempla dois quereres, ou dois certos, ou dois errados, ou dois benefícios ou dois custos.

Tanto as angústias como as dúvidas não se desfazem com o acender de luzes. É somente nesse lugar de sentimentos ou percepções que a luz oculta do escuro se encontra. Saber permanecer nestes lugares escuros, em vez de fugir deles, buscando absorver seus ensinamentos, é investir em inteligência espiritual. Muito diferente do que muitas propostas religiosas apregoam, a inteligência espiritual pouco tem a ver com certezas, mas conciliações de polos aparentemente contraditórios. É espiritual tudo aquilo que nasce de coisas que são uma “contra” a outra, como os en-contros, mas que produzem uma conciliação paradoxal.[…]

[…]Uma pessoa espiritualizada é aquela que sabe caminhar pelas trevas, como indica o Salmo 23:4: “Sim, vou também ao vale de sombra-morte, mas não estremeço diante do mal.” Não significa, no entanto, que esta é uma pessoa mórbida ou deprimida. Ao contrário daqueles que vivem na luz, ilhados na luz, estes, sim, seres do estremecimento e do pavor.

Esta é uma regra básica: quanto mais se acende a luz, maior o terror do escuro. O controle nada mais é que uma forma de armazenar terror. O medo, matéria da qual são feitas as trevas, é também o meio que permite enxergar a luz oculta. Sempre que se conciliem sentimentos e percepções contraditórios, o medo se transformará automaticamente em ação. Ao contrário do que comumente experimentamos, o medo verdadeiro não paralisa, mas mobiliza. Ele sinaliza a urgência de enfrentar e não de fugir.

Segundo o Baal Shem Tov: “Nas coisas mundanas, não pode haver medo quando existe alegria, e também não pode haver alegria quando existe medo; no que diz respeito ao sagrado, no entanto, onde há temor sempre se encontrará júbilo e vice-versa.” Esse “temor” está, portanto, repleto de intensidade e de reverência à vida. Não é um temor de fuga, mas que corteja o enfrentamento e a ação.[…]

Os trechos acima foram retirados do livro: Fronteiras da inteligência – a sabedoria da espiritualidade, de Nilton Bonder.


Sobre os protestos

junho 23, 2013

Protestar é um direito, em muitos casos um dever. As pessoas precisam deixar claro quando sentem que seus direitos foram violados, que foram prejudicadas ou estão sendo desrespeitadas por quem devia representá-las (no caso, os políticos em todos os níveis, os encarregados de administrar verbas e patrimônio público e etc). Acho que isso demorou muito para acontecer, inclusive. No caso do dinheiro que está sendo desperdiçado para a realização da copa do mundo, creio que as pessoas deviam ter se manifestado anos atrás, quando começou a conversa de fazer copa do mundo no Brasil, e não só agora, que muitos milhões de reais já foram desembolsados. Uma pergunta que deveriam fazer ao governo: Onde está a prestação de contas com relação aos gastos com a copa do Mundo? Em qualquer empresa, os sócios ou acionistas, ou investidores, exigem saber o que está sendo feito com o dinheiro que investiram na empresa. Então, o governo devia prestar contas de todo esse dinheiro que arrecada em impostos a todos nós, que somos os investidores, os que pagam a conta no final, não acham? Com tanto dinheiro arrecadado, devíamos ter escolas, transporte e saúde públicos em nível de primeiro mundo.  Nós passamos praticamente meio ano trabalhando, para pagar impostos. E a contrapartida, onde está? Em nenhuma empresa privada que se preze, uma diretoria financeira que não faz bom uso do dinheiro, permaneceria no cargo. Seriam todos demitidos e quem sabe, processados e obrigados a ressarcir a empresa para a qual causaram prejuízos. E com os administradores do dinheiro público, o que vemos acontecer? Nada. Quando muito, as roubalheiras com dinheiro público rendem alguns dias de manchetes nos jornais, e a maioria dos envolvidos nem sequer é presa, quanto mais obrigada a reparar os prejuízos. Muitos processos acabam arquivados, e nunca mais se ouve falar deles. Como se diz, tudo acaba em pizza, até o próximo escândalo. E não é de hoje que funciona assim.

Mas é lamentável quando pessoas mal intencionadas, desonestas e no meu entender, tão corruptas e sem caráter quanto certos políticos, que passam a vida envolvidos em maracutaias, usam um movimento legítimo para promover saques, destruir monumentos e obras que foram pagas, com o nosso dinheiro. E quem você acha que vai pagar a conta dos consertos? Eu, você, todos que pagam impostos. Você que vai em protestos, não para expressar sua opinião e seu direito de reclamar do que está errado, e sim, para exercer sua desonestidade e sua própria corrupção, promovendo saques e vandalismo, não é melhor do que os políticos corruptos. Vândalos e promotores de saques, não são em nada melhores moralmente, do que  políticos que desvirtuam licitações, desviam (saqueiam) dinheiro público ou recebem propinas e etc. São farinha do mesmo saco. Talvez uns se sintam representados pelos outros, afinal.

Atacam o patrimônio, talvez, como forma de atingir os causadores da indignação, os quais ficam escondidos dentro dos edifícios públicos, protegidos por soldados armados, grades, portas pesadas, e qualquer coisa, fogem de helicóptero ou veículos blindados. A polícia, usa spray de pimenta e gás lacrimogênio a torto e direito, para acalmar os ânimos. Mas você já viu alguém ficar mais calmo depois de receber um jato de pimenta no rosto, ou ser alvo de uma nuvem de gás lacrimogênio? Eu não, por isso não entendo se o objetivo é dispersar, ou deixar as pessoas mais irritadas ainda.

Acabar com partidos? É como um marido traído colocar fogo no sofá onde a esposa o traiu. Não resolve nada. O problema não são os partidos, são as pessoas. Pessoas sem caráter, desonestas, sem valores, sem vergonha na cara, que geralmente entram na política, por causa de dinheiro e não por conta de ideais, não por vontade de construir um país melhor, e sim para garantir um “pé de meia” e quem sabe, uma aposentadoria bem polpuda. Por isso tem tanto “ex” alguma coisa, que como última opção, se filia a um partido qualquer e sai candidato, sem ter noção nenhuma do que seja Estado, legislação, administração de recursos públicos. Pessoas famosas, mas despreparadas, manipuláveis, e com milhares de eleitores prontos para votar nelas, apenas por serem famosas. Por isso que tem também pastor que vira político, muitos pensando não só no dinheiro, mas também em formas de usar o cargo para beneficiar sua denominação. Levar honestidade e integridade para a política? Isso nem passa pela cabeça desse pessoal. O que podemos esperar de bom, de pessoas que se filiam a partidos e montam chapas eleitorais, com objetivos como esses na cabeça? Há exceções? Há. Mas as exceções muito pouco podem fazer, num meio onde a corrupção parece que se tornou regra.

E onde está a novidade? Não há nada de novo sob o sol. Espero que essa onda de protestos, não acabe como tudo costuma acabar por aqui: o governo toma algumas medidas superficiais para acalmar a população, a população engole, e tudo termina em pizza.

“Um país se faz com homens e livros”, escreveu certa vez, Monteiro Lobato. Nesse caso, aparentemente estamos perdidos. :P


A igreja que o pariu…

abril 9, 2013

por José Barbosa Júnior

Marco Feliciano é o nome da vez. Odiado por muitos, querido por uns tantos. Louco e vigarista para alguns, santo e profeta para outros. Uma coisa é certa: ele leva o nome da Igreja Evangélica atrelado à suas idiotices.

A onda “sou evangélico e Marco Feliciano não me representa” invadiu as redes sociais, numa tentativa última de alguns evangélicos se verem distanciados dos disparates desse indivíduo.

Mas é aqui que o caldo entorna…

Porque Marco Feliciano tem a cara da mãe. Da Igreja que o pariu…
Ele não é um fenômeno isolado.

Abro parênteses: se você acha que Marco Feliciano é um fenômeno isolado procure no youtube por crianças pregadoras, jovens “cheios da unção”, e pregadores “de poder”. De tudo o que mais me assusta são as crianças pregadoras/cantoras… verdadeiros monstrinhos e “Felicianinhos” em formação… quanta desgraça celebrada em cultos de “vitória”. Fecho parênteses.

Talvez Feliciano tenha ganhado mais espaço por sua desenvoltura teatral e performática, mas o seu conteúdo está recheado de velhos paradigmas que dominam ainda boa parte da igreja evangélica no Brasil: fundamentalismo, belicosidade e busca de poder.

A mãe pode olhar pro seu bebê monstro agora crescido e dizer: “fiz bem o trabalho!”

Os vídeos que tanto espantam milhares de pessoas na internet não me assustaram, por um simples motivo: nada, eu disse NADA, do que ouvi Marco Feliciano vociferar em suas transloucadas pregações eu já não ouvira antes, nesses 25 anos de caminhada nos arraiais evangélicos. Repito: NADA!

Maldição sobre os negros e África, um Deus que mata desafetos, um Deus que odeia homossexuais são figuras que você encontra na maioria das igrejas evangélicas espalhadas por aí, desde protestantes históricas às mais variadas correntes neopentecostais.

Existem milhares de Marcos Felicianos proliferados por aí, dizendo as maiores besteiras em nome de Deus, pervertendo a fé singela do povo que acredita neles, explorando pessoas, pregando um Deus sádico e vingador… só não se tornaram conhecidos como o “nobre” deputado.

Volto a dizer: Marco Feliciano não é um fenômeno isolado… Não é vítima e nem algoz, é só mais um fruto apodrecido de uma árvore podre. Talvez seja, hoje, o filho mais “famoso” dessa prostituta que se tornou grande parte da igreja evangélica brasileira. Mas seus irmãos gêmeos, Malafaia, Macedo, Valdomiro… continuam ganhando milhões massacrando a massa em nome de “Deus”.

Há esperança? Há… mas vou tratar disso em outro texto…

E agora?

Agora… quem pariu Feliciano que o embale…

A igreja que o pariu.. – Crer e Pensar – José Barbosa Júnior


Infeliz Feliciano

março 18, 2013

Eu não pretendia me pronunciar sobre o assunto. Mas quando uma pessoa que se diz pastor, ao ser indicado para a presidência de uma comissão que trata de direitos humanos e minorias, é rejeitada pelas pessoas que a dita comissão tem a função de proteger e defender, alguma coisa está errada. E não é com as pessoas que o estão rejeitando com tanta veemência. É com o pastor.

E não é pelo fato de Marco Feliciano ser pastor, que está sendo rejeitado. E sim, por inúmeras besteiras que costuma dizer publicamente. Aqui mesmo no blog, já postei sobre algumas delas.

Uma comissão como essa, precisa de uma pessoa com posições equilibradas, não um defensor da teologia da prosperidade, e pior, com opiniões sem profundidade, e principalmente, sem equilíbrio.

Marco Feliciano parece estar se achando. É fácil prever o final dessa história.

Jornais já o acusam de usar o mandato para benefício próprio:

Marco Feliciano usa mandato para beneficiar sua igreja e empresas, diz jornal


O amor vence – Rob Bell

março 17, 2013

O-amor-vence_IMPRENSA[…] Algumas pessoas ficam preocupadas principalmente com as manifestações sistemáticas do mal – nas empresas, nas nações e nas instituições que escravizam o povo, espoliam a terra e não respeitam os direitos dos mais fracos. Outras pessoas estão mais concentradas nos pecados individuais, colocando seu foco na moralidade e nos padrões, hábitos e vícios que impedem o crescimento individual e provocam o sofrimento.

Algumas pessoas distribuem folhetos que explicam como ficar em paz com Deus; outras trabalham em campos de refugiados em zonas de guerra; outras ainda apresentam programas de rádio nos quais discutem as diversas interpretações de versículos específicos da Bíblia; e há também aquelas que trabalham para livrar mulheres e crianças da prostituição.

Em geral, como já mencionei anteriormente, as pessoas mais preocupadas com o fato de os outros irem para o inferno são as menos preocupadas com o inferno na terra aqui e agora, enquanto as mais preocupadas com o inferno na terra parecem se preocupar menos com o inferno após a morte.

A história sobre Lázaro e o homem rico demonstra que há uma variedade de infernos, porque há diversas maneiras de resistir e rejeitar o que é bom, verdadeiro, bonito e humano, agora, nesta vida, o que nos faz presumir que podemos fazer o mesmo na próxima.

Existem infernos individuais e sociais, infernos de abrangência mundial, e Jesus nos ensina a levar todos eles a sério.

Há um inferno agora, e haverá um inferno depois, e Jesus nos ensina a levar ambos a sério.[…]

[…] Muita gente no mundo de hoje só ouviu falar do inferno como o lugar reservado para aqueles que “estão fora”, que não creem, que não frequentam a igreja. Cristãos falam que os não cristãos vão para o inferno porque… não são cristãos. Porque são pessoas que não acreditam nas coisas certas.

No entanto, ao lermos todas as passagens em que Jesus usa a palavra “inferno”, percebemos que o que importa não é se as pessoas creem nas coisas certas ou erradas. Ele quase nunca falava sobre “crenças” como nós as entendemos – ele falava sobre ódio, egoísmo, cobiça e indiferença. Falava sobre o estado do coração dos seus ouvintes, sobre como eles se comportam, como interagem uns com os outros e o tipo de influência que exercem no mundo.

Jesus não usou o inferno para tentar convencer “gentios” e pagãos a acreditarem em Deus com o intuito de não arderem no fogo eterno quando morressem. Ele falou sobre o inferno para pessoas religiosas, com o objetivo de alertá-las sobre as consequências de se desviarem do chamado de Deus.

Isso não quer dizer que a possibilidade do inferno não seja um alerta incisivo e urgente ou que ele não esteja intimamente ligado àquilo que se crê, mas trata-se simplesmente de uma maneira que Jesus encontrou para advertir as pessoas que se julgavam escolhidas, de que seus corações duros poderiam pôr em risco sua salvação.  Ele as estava lembrando que sua salvação estava condicionada ao fato de serem pessoas generosas e amorosas por meio de quem Deus poderia mostrar ao mundo como o Seu amor se expressa em carne e sangue.[…]

[…]Amor exige liberdade. Sempre exigiu e sempre exigirá. Nós somos livres para resistir, recusar e nos rebelar contra os caminhos que Deus traçou para nós. Podemos ter todo o inferno que quisermos.

O que vc acha?

(Tirando as teias de aranha do blog)


Deus seja louvado…

novembro 17, 2012

Na verdade, penso que os cristãos é que deviam exigir que essa frase fosse retirada das cédulas de real, e não os ateus. O dinheiro é o que mais faz os cristãos tropeçarem, desde sempre. Não lembro de nenhum religioso que tenha parado pra ler essa frase escrita nas cédulas, antes de ser corrompido por elas.

Crentes que ficam ofendidos porque querem tirar essa frase das cédulas, estão apenas se envolvendo em mais uma das polêmicas inúteis com as quais as pessoas geralmente gostam de perder tempo.

Pra Deus, não vai fazer a menor diferença. Ele não habita cédulas de dinheiro.

Simples assim.


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