Carta aberta a Roberto Alvim

janeiro 21, 2020

Assisti uns vídeos disponíveis na Internet onde você fala sobre sua conversão, cura de uma grave doença, e suposta rejeição na cena teatral por se declarar cristão e apoiador de Bolsonaro. Assisti também sua vergonhosa encenação de Joseph Goebbels. Sua encenação, ao contrário do que diz, não foi coincidência coisa nenhuma, foi planejada nos mínimos detalhes, então tome vergonha na cara e assuma isso, como homem. Também ouvi e li seus comentários subsequentes sobre concordar com o que disse Joseph Goebbels sobre a cultura.

Amigo, se você concorda com o pensamento de um expoente do Nazismo, você pensa como um nazista. Ou seja, não tem nada de cristão. Acorda!

Lamento muito que seus primeiros passos na fé cristã tenham sido dados na companhia de um charlatão como Olavo de Carvalho, este mesmo que lhe chamou de trouxa, após sua breve e vergonhosa estadia como Secretário da Cultura. Abandonar os seus na beira da estrada como fez este seu suposto guru, também não é atitude de cristão. Deus jamais abandona os seus e é o exemplo dEle que o louco da Virgínia devia seguir.

Você foi parar no colo de Olavo de Carvalho e seu bando de seguidores adoecidos, num momento muito sensível da sua vida, num limbo entre sair do ateísmo e se descobrir teísta de um dia para o outro. Sei muito bem como é isso, pois passei pela mesma experiência. Mas ao contrário de você, pessoas amorosas e verdadeiramente cristãs estiveram por perto, e não picaretas metidos a gurus como no seu caso. Lamento muito você ter caído nessa armadilha. Foi pessimamente influenciado, e deu ouvidos a profetadas sobre um suposto papel grandioso seu, como naquele vídeo na Bola de Neve, mesmo sendo ainda um neófito na fé e com muito a aprender.

Então, se você caiu da forma como caiu, foi por sua própria culpa, e não por culpa de um ser do mal como disse desconfiar. Assuma a responsabilidade pela grande merda que você fez. Repito: o único culpado é você mesmo. Caiu no canto da sereia do ufanismo gosṕel e se deu mal. Se juntou a fanáticos sem escrúpulos e se deu mal. Simples assim. Já vi esse filme mais de uma vez.

Espero que o episódio mostre a você que antes de querer curar a cultura ou um país, você precisa curar a si mesmo. E pelo que vi, está muito longe de ser curado. Deixe de pensar apenas em agradar seus pares, como está acostumado a fazer desde quando era ateu e agora também como cristão. Comece a pensar com sua própria cabeça. Cresça, pare de beber leite estragado do Olavo de Carvalho, e vá procurar comida saudável, em vez de se juntar com esse bando de fanáticos picaretas e se tornar mais um deles. Fanáticos são insuportáveis e ninguém enxerga a luz ou o amor do Pai por meio deles. Não é a toa que ninguém mais leva você a sério, pois se tornou um bitolado doente que ninguém gosta de ter por perto. Se pudesse, forçaria os outros a virarem cristãos, quando você mesmo não foi forçado a nada. Não hesitaria em forçar as pessoas a aceitarem sua ideia tosca de cultura (a mesma ideia defendida por Goebbels, o nazista).  É a sua visão ou nada, como você afirmou, não é? Se enxergue, veja o papel ridículo que está fazendo, quando podia ter aproveitado o relacionamento com Deus de formas muitos melhores. Dá tempo ainda. Mas a escolha é sua.

E por último, você se disse perseguido no meio teatral por conta da sua mudança com relação à fé. E o que fez quando recebeu uma oportunidade de mostrar seu trabalho? Encenou uma apresentação nazista pavorosa, como se não fosse nada demais, e envergonhou o país mundialmente. Nisso que dá acreditar em falsos profetas que são treinados para falar o que as pessoas querem ouvir. Aprenda para a próxima.


Feliz Natal

dezembro 25, 2019

Nós sabemos: Jesus não nasceu em 25 de dezembro.

Nós sabemos a história toda de Mitra e tudo mais que você, pensando saber tudo, aparece para nos falar como se fosse grande novidade.

E não estamos nem aí. Fazemos festa, comemoramos, comemos e bebemos. O que importa é o motivo pelo qual fazemos isso, e este motivo sabemos muito bem.

Então, se você comemora o Natal, comemore mesmo e ignore a legião de chatos que aproveita a ocasião para se expressar. Se você ao contrário, acha tudo uma palhaçada e todo ano repete a mesma ladainha sobre como os cristãos são hipócritas e bibibi e bobobo, ok também, mas não espere ser levado a sério. Se você é um ateu modinha que só sai do armário no Natal e na Páscoa, sugerimos primeiro arrumar seu quarto e lavar a louça, pois nós conhecemos Nietzsche e outros filósofos bem melhores do que você com sua ira adolescente.

Aqui a gente vive e deixa viver, seguindo as pegadas do Mestre. Simples assim.

Um ótimo Natal a todos!

 


Continue batendo, Porta dos Fundos

dezembro 21, 2019

Sobre o “especial” de Natal do Porta dos Fundos, direi apenas o seguinte: ao longo da história do Cristianismo, muitas foram as pessoas, antes perseguidoras e até assassinas de cristãos, a se tornarem depois seguidoras de Cristo. Algumas delas, se tornaram mártires.

Sendo assim, continuem batendo na porta, mesmo que seja a dos fundos, e um dia ela se abrirá, e vocês conhecerão não esse Cristo ou essa igreja dos seus estereótipos e clichês, e sim o verdadeiro Cristo e sua igreja verdadeira. Enquanto isso, prossigam com suas piadas e chacotas. Alguém que foi torturado até a morte, não liga para isso, e nem para filminhos que vocês consideram humorísticos, mas são apenas chacota infantil.

Eu, falando como alguém que já fez o mesmo, e depois se tornou mais uma discípula do Mestre, espero por vocês.

“Por isso lhes digo: Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta.
Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta. Lucas 11:9,10

Lula livre, e daí?

novembro 10, 2019

Está fora da cadeia mas continua sendo um criminoso condenado em várias instâncias e com outras condenações por vir.

Continua com as mesmas mentiras.

Continua tendo sua claque de fanáticos que só fazem aplaudir qualquer bobagem a sair da sua boca.

Nem ter ficado mais de 500 dias preso fizeram esse senhor mudar uma vírgula nas suas patacoadas. Parece ser verdade o ditado: burro velho não aprende. Não aprende por não querer ou por imaginar que o velho discurso de ilusionista proletário continua colando.

Pobre de quem novamente cair no canto dessa sereia barbuda. Estaremos condenados a ser esta república de bananas para sempre? Seremos sempre este povo subdesenvolvido e sem futuro, pronto a entregar seu destino a qualquer mentiroso fantasiado de salvador da pátria?


O filho do homem

setembro 22, 2019

Trechos do livro O filho do homem, de François Mauriac

[…]Nossa fé esbarra no escândalo desse fracasso. Sabemos, contudo, que o amor não se impõe: o amor do Filho do Homem tanto qualquer outro amor. O amor exige corações que se recusem e corações que se deem. E Deus, porque é amor, pode ser rejeitado. Caso se tivesse imposto à sua criatura, seria um outro deus, mas não o nosso, e o homem não seria, entre todos os animais, aquele que ergue uma fronte orgulhosa e esta cabeça que pode, meneando da esquerda para a direita, fazer o sinal de negação. Toda a vida cristã está contida neste consentimento dado e nunca  retomado; nenhum amor se apodera à força do ser que ama. Convida, solicita: e é primeiro que isso a Graça.

Ela faz mais que convidar, que solicitar, e nisso difere do amor humano: age no nosso íntimo. Não há homem que, sabendo exprimir-se e se conhecendo, não possa acompanhar e descrever, através do seu destino, esse rasto de uma perseguição, e mostrar determinada encruzilhada no caminho onde foi chamado pelo próprio nome. Há aí Alguém que sempre esteve nesse lugar, mas que sempre trocamos por tudo, por qualquer coisa. É somente no deserto do entardecer da vida que mesmo aqueles que foram mais ou menos fiéis e seguiram de longe o Senhor, é só na aridez da velhice, que O preferem de fato, uma vez que, então, não há mais ninguém e nada mais resta.[…]

[…] Ter conhecimento do fracasso antes de haver empreendido alguma coisa, da recusa antes de haver solicitado, a aceitação desse mistério do mal que não será vencido porque pode ser preferido e é preciso que o possa ser, senão Deus não seria amor: toda a vida oculta do Senhor talvez esteja contida nesse conhecimento e nessa aceitação. E se Ele foi chamado, durante a vida pública, Jesus de Nazaré, Nazaré ressoa aqui não como a evocação de sua pequena pátria, mas como o título de uma nobreza insigne: a do artífice estendido e pregado de antemão, em espírito, sobre esses pedaços de madeira que suas pobres mãos de operário aplainam.[…]

[…] Esse Reino que não é deste mundo e está no âmago dos seus corações, eles não o conhecem, e só o conhecerão quando o Espírito lhes tiver comunicado o seu ardor. Vivo, o Filho do Homem permanece desprezado e mesmo desconhecido. Tem-se por vezes a impressão de que só encontra nas criaturas aquilo que Ele próprio nelas depositou.[…]

[…] Lá onde os homens nada podem, Ele surge de repente e, no arroubo da impaciência característica dos vencedores que não admitem delongas, corta de pronto as dificuldades e as contradições; basta-Lhe um instante para inverter e destruir tudo o que uma pobre vida, durante anos, opõe à Graça.[…]

[…] Não pensemos, todavia, que esses primeiros cristãos fossem homens de uma espécie diferente da nossa e de uma vida espiritual essencialmente diversa. Na realidade, esses irmãos dos tempos heroicos assemelham-se mais a nós do que imaginamos. Num ponto muito importante, nossa condição se aproxima da deles. Hoje, na medida em que o mundo se descristianiza e volta sob formas novas às velhas idolatrias da cidade, da raça e do sangue, o cristão autêntico não está menos isolado na sociedade moderna do que o estiveram os primeiros cristãos sob o império dos césares, e muitos não opunham uma resistência maior que a nossa contra esta corrupção que os envolvia por todos os lados. A força do hábito nos impede de sentir essa contradição entre a Cruz e um mundo, depois de tantos séculos, tão irredutível como o era quando os primeiros discípulos começaram a enfrentar o paganismo.[…]

[…]Quaisquer que tenham sido as provações sofridas, seu Deus não era diferente dAquele que as almas de hoje conhecem e cujo silêncio e cuja ausência desolam os que se fiaram excessivamente nas manifestações sensíveis da Graça. Para eles, como para nós, era preciso não renegar na hora das trevas o que nos fora revelado em plena luz. É esse, na realidade, o velho drama cristão.[…]

[…]Não, não cedamos jamais à tentação de desprezar uma humanidade de que o Filho de Deus não somente revestiu a carne e assumiu a natureza, mas também consagrou por seu amor. E, se não devemos ceder à tentação de desprezar os outros, não devemos tampouco ceder à tentação de nos desprezar a nós mesmos.

“Venha a nós o vosso reino”, imploramos no Pai Nosso; somos milhões e milhões de criaturas a repeti-lo há quase 2 mil anos, depois que nos foi ensinada essa oração, na certeza absoluta de sermos atendidos um dia. Já o fomos, entretanto; o Reino já chegou, encontra-se no meio de nós, dentro de nós, de maneira que nunca somos vencidos senão em aparência: e como a angústia é a própria condição de nossa paz, a derrota é a própria condição da nossa vitória. “Tende confiança, Eu venci o mundo.” Aquele que lançou tal desafio ao mundo fê-lo justamente na hora em que ia ser traído, ultrajado, ridicularizado, pregado no patíbulo do escravo.


Sobre a fé

março 4, 2019

Acabei de ler Dynamics of Faith, de Paul Tillich. Nele, o autor discorre sobre o que é fé, quais seus tipos e sua dinâmica.

Paul Tillich explica que nosso relacionamento com o sagrado, quando não embasado realmente em Deus, pode gerar uma fé idólatra, com consequências demoníacas e destrutivas. Segundo ele, quando alguém embasa sua fé em uma fonte de idolatria, qualquer falha pode fazer com que a pessoa perca o centro sobre o qual embasou toda a sua vida. Isso acontece quando colocamos como centro da nossa fé, uma figura de autoridade, uma nação, um livro, um conjunto de doutrinas. Muitos definem a fé como crença sem evidência, mas nada está mais longe da verdadeira fé do que isso. A fé entendida como crença sem evidência, entra em conflito com a razão, pois muitas vezes a razão vai contra as interpretações literais que o fiel faz sobre mitos e símbolos da sua religião. Acontece com o cristianismo, quando a história da criação contida no livro de Gênesis é levada ao pé da letra. O conflito com a razão é inevitável.

Já a fé verdadeira, coloca Deus em seu centro, e a partir dEle, constrói todo o resto. A fé verdadeira não se opõe à razão, pois estão em dimensões diferentes, e o conflito entre ambas não existe. A fé verdadeira usa mitos, símbolos, rituais e sacramentos como forma de expressão de uma realidade transcendente, e não interpreta símbolos e mitos como se fossem verdades literais.

A fé idólatra é destrutiva, entra em conflito com a razão e com a ciência. A fé quando entendida como crença sem evidência, não admite a dúvida. A fé idólatra gera fanatismo, e o fanático não consegue amar o que vai contra a sua crença. A fé como um conjunto de doutrinas aceitas e defendidas apaixonadamente, não consegue produzir atos de amor. Os mais terríveis crimes contra o amor foram cometidos em nome de doutrinas defendidas fanaticamente. A fé idólatra é necessariamente fanática. A fonte da idolatria é também a fonte da intolerância.

A fé verdadeira é criativa e não tenta ocupar o espaço da razão nem o da ciência. A dúvida é um elemento da sua estrutura, assim como a coragem e o risco. A verdadeira fé é um ato pessoal, individual. Implica no amor, como desejo de reunir os que estão separados dela. Seus rituais e sacramentos não são supersticiosos, mas apenas meios de expressão e de relacionamento com o Ser supremo.

Quando os rituais e sacramentos são distorcidos e vistos como realidades mágicas pela fé idólatra, isso afasta as pessoas, e elas passam a adotar sistemas morais sem religião. Se um mito é interpretado literalmente pela fé idólatra, a filosofia, a razão e a ciência o rejeitam como absurdo. Quando histórias sagradas deixam de ser vistas como mitos, o mito se transforma em filosofia da religião, e finalmente, em filosofia sem religião.

A expressão do amor gerado pela verdadeira fé, é a ação. O elo de ligação entre a fé e a ação é o amor. O tipo de fé determina o tipo de amor e o tipo de ação. A idolatria é incapaz de gerar ação baseada no amor, pois o idólatra não consegue amar o próximo como ama a si mesmo e como ama as doutrinas da sua religião.

Muitas igrejas protestantes, ao tentar eliminar a superstição do culto, destruíram também o ritual e eliminaram a experiência do sagrado, deixando espaço apenas para a fé idólatra, sem amor e sem ação. Nota-se muito disso no Brasil, onde a pessoa se diz crente mas não há nenhum sinal disso na sua vida. Não há indício de preocupação com o próximo nem de transformação de caráter. O crente médio é um repetidor de chavões e de comportamentos impostos por um líder que se diz pastor, mas não é.  O pastor se torna um condicionador de comportamento em vez de ser alguém que instiga o fiel a buscar ser parecido com Cristo.

Deus nos livre de nos tornarmos idólatras, ou adeptos de uma filosofia sem religião, distante do sagrado e vazia. Deus nos livre de preferir o condicionamento a regras de comportamento e chavões, em vez de deixar o Espírito dEle nos moldar.


Reforma ou remendo?

dezembro 9, 2018

Por acaso, hoje li por alto uma postagem num blog cujo título é: 13 motivos porque a igreja brasileira é uma das mais frágeis da história pós-reforma.

Eu nem preciso de 13 motivos. Um só basta. Para muitos pastores não interessa formar cristãos que se tornam maduros na fé. Os pastores são os primeiros a preferir pessoas viciadas em leite, intolerantes a alimento sólido. Preferem quem engatinha a vida toda em vez de ensinar as pessoas a andar sobre as próprias pernas. Eles mesmos são culpados de formar gerações e mais gerações de crentes rasos, e se espantam com a fragilidade da igreja. Eles mesmos continuam insistindo na fórmula de igreja focada em usos e costumes e em falso moralismo, quando a vida cristã vai muito além dessa lista de “podes” e “não podes”.

Se você busca ser cada dia mais parecido com Cristo, entende Cristo como uma pessoa, possuidora de uma consciência própria a se refletir nas atitudes externas de forma natural. Mas olhando em volta, até a honestidade da maioria dos crentes parece forçada, e não algo que emana da pessoa por ela ter escolhido ser parecida com Cristo. O crente diz ser errado matar outra pessoa, porque “não matar” é um mandamento, ou seja, não entendeu nada.

O foco do líder evangélico em geral, assim como era com os sacerdotes do antigo testamento, continua sendo o de impor aos membros da igreja, considerada por ele como um feudo seu, os seus “valores cristãos” de fora para dentro. Mas os verdadeiros valores cristãos nascem no interior e emanam na vida da pessoa, naturalmente. Isso acontece aos poucos e é um processo para a vida toda, nada parecido com o que vemos por aí, o chavão “agora sou crente e não posso mais fazer isso e aquilo”. Não houve mudança interior nesse caso.

O líder evangélico tem uma lanterna na mão, e pensa ser seu dever forçar a luz da lanterna a entrar nas pessoas por meio de regras, usos, costumes e proibições. Criam legiões de sepulcros caiados, com muita aparência mas sem essência. Por isso não entendo o espanto deles com o resultado. Ninguém colhe uvas onde plantou um espinheiro. Isso já foi dito antes, né?