Pensar em Deus…

junho 13, 2011

Pensar em Deus é desobedecer a Deus,
Porque Deus quis que o não conhecêssemos,
Por isso se nos não mostrou…

Sejamos simples e calmos,
Como os regatos e as árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós
Belos como as árvores e os regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos!…

Alberto Caeiro, em “O Guardador de Rebanhos”.

Leia o texto completo de O guardador de rebanhos, aqui mesmo no blog.

Fernando Pessoa estaria completando hoje, seus 123 anos.

“Sentir é criar. Sentir é pensar sem ideias, e por isso sentir é compreender, visto que o universo não tem ideias.” Fernando Pessoa


The road not taken – Robert Frost

dezembro 5, 2010

por Robert Frost

Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I–
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.

The road not taken – Robert Frost


Prece aos homens de boa vontade

janeiro 1, 2010

Francisco de Assis

Senhor

No silêncio deste dia que amanhece,

Venho pedir-te a Paz, a Sabedoria, a Força.

Quero olhar hoje o mundo com os olhos cheios de amor,

Ser paciente, compreensivo, manso e prudente.

Quero ver, além das aparências teus filhos,

Como Tu mesmo os vês,

E assim, Senhor, não ver senão o Bem de cada um.

Fecha meus ouvidos a toda a calúnia.

Guarda minha língua de toda a maldade.

Que só de bênçãos se encha a minha alma.

Que eu seja tão bom e alegre,

Que todos aqueles que se aproximem de mim

Sintam a Tua Presença.

Reveste-me de Tua Beleza, Senhor

E que no decurso deste dia, eu Te revele a todos.


Linha reta – Fernando Pessoa

outubro 6, 2009

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe – todos eles príncipes – na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Linha reta – Fernando Pessoa – Lion of Zion


Deus, o alfabeto, e a criação do mundo…

setembro 30, 2009

Segundo a lenda judaica, Deus teria ouvido as petições de todas as letras do alfabeto, antes de criar o mundo.

As letras do alfabeto desceram da coroa de Deus, onde estavam gravadas, e foram uma a uma diante dEle, pra ver qual seria escolhida como aquela por meio da qual o mundo seria criado. Com exceção de uma única letra, que não pediu nada a Deus.

Essa única letra que não pediu nada a Deus, foi colocada como a primeira letra do texto dos dez mandamentos; recompensa pela sua humildade.

Aí chegam os crentes, e interpretam tudo literalmente, assassinando a poesia judaica… = P

Quem quiser apreciar a riqueza das lendas judaicas, o link segue abaixo:

Bacia das almas – O Alfabeto