A Lava Jato e nós

março 5, 2016

Vergonha do pronunciamento da Presidenta Dilma Rousseff ontem, 04 de março de 2016, motivado pela condução coercitiva do EX-PRESIDENTE Luis Inácio Lula da Silva, a qual depois descobrimos não ter sido tão coercitiva assim. Todos temos visto o quanto ele tem fugido da obrigação de nos dar respostas. Não sou da área jurídica para opinar sobre ter sido a opção certa ou não. Mas ao contrário do que foi dito pelos militantes do PT e pelo próprio Sr Lula, não houve nenhuma operação midiática. O Juiz Moro proibiu filmagens, e foram usados veículos descaracterizados, tudo visando não expor o ex-presidente. A operação midiática veio depois, com os militantes do PT, inclusive ameaçando instaurar a violência nas ruas.

Ameaçar pegar em armas só porque o ex-presidente foi levado para prestar depoimento? Chamar o ex-presidente de “preso político” sendo que nem preso ele foi? Falam em “conspiração das elites contra o ex-metalúrgico”, mas na investigação da Lava Jato, estão envolvidas empreiteiras de grande porte, como a Odebrecht e a Andrade Gutierrez. Marcelo Odebrecht, presidente da primeira, está preso. O banqueiro André Esteves, também ficou preso, acusado de tentar obstruir as investigações. Os dois estão entre as pessoas mais ricas do Brasil. Por favor, isso insulta a nossa inteligência. Quem ameaça instaurar a violência no país, na tentativa de impedir que o ex-presidente se explique, mostra bem a que veio: o poder a qualquer custo. A opinião da população, que é contra a roubalheira, fica em segundo plano. Houve vazamentos sobre a quebra do sigilo do ex-presidente, investigado na operação Lava Jato, para piorar.

E a presidenta Dilma, em vez de cuidar do governo, está preocupada com o ex-presidente, em sair na defesa dele, coisa que tem feito repetidamente. Ele tem muitos advogados para defendê-lo. Bastou esta operação da Lava Jato para todos os problemas do país, sumirem do discurso do governo. O Brasil está em crise, desemprego e inflação em alta. Se o ex-presidente Lula deve explicações à justiça, que se explique, como qualquer cidadão. Não acreditamos que seja papel da presidenta, como chefe de Estado e governo, defender o ex-presidente, pois para isso ele tem condições de pagar advogados. O papel da presidenta, é defender o país e a população, é para isso que o povo paga o seu salário. Eles parecem não entender, ou fingem não entender, que a população brasileira, não gosta desta roubalheira. A população de bem, que pega no batente todo dia, enfrenta transporte lotado, caos na saúde, educação sem qualidade, não pode mesmo ficar satisfeita, ao passar por isso. Não parece justo a população trabalhar cinco meses do ano só para pagar impostos ao governo, enquanto os governantes, em vez de governar, perdem o sono  pensando de onde virá a próxima delação premiada, e o que a Polícia Federal ainda pode descobrir sobre eles. Os líderes máximos da nação, que deviam dar exemplo de improbidade, temem acordar com a Polícia Federal nas suas portas. O MP, a Polícia Federal, a Receita Federal, estão fazendo seu papel. Deixem o Juiz Sérgio Moro trabalhar. Presidenta, governe o país para nós, não para o ex-presidente Lula ou outros envolvidos, alguns inclusive já condenados por corrupção.

Tudo que queremos é que o ex-presidente e todos os envolvidos, expliquem-se, que o Sr Lula pare de enrolar, com tem feito sempre em seus pronunciamentos. Entrevista coletiva onde ninguém pode fazer perguntas, é farsa, e não entrevista coletiva, sr Lula. Não caímos mais nessa do Sr Lula se colocando como vítima, oprimido. Quem é oprimido não tem à disposição uma banca de advogados caríssimos, coisa que ele tem. Oprimido não sai de depoimento na Polícia Federal, numa BMW. Se o ex-presidente fez coisas boas no governo, não fez mais do que a obrigação. Foi eleito e pago, muito bem pago aliás, para isso. Não foi nenhum favor. O fato de ter feito coisas boas, não dá a ao ex-presidente, o direito de se considerar acima da lei, intocável, ou ser alvo de “vigílias”, como se fosse algum tipo de divindade. Coisa mais ridícula essa conversa de fazer vigília em defesa de um investigado por corrupção. Vigília para quê? Pensam em impedir a prisão do seu ídolo, caso seja considerado culpado? Vão enfrentar a Polícia Federal? Não devemos nenhum tipo de adoração ao ex-presidente Lula, ele não é um deus, muito menos santo, e ao que tudo indica, também não é inocente nesta história toda. Se fosse, estaria tranquilamente prestando todos os esclarecimentos, tanto à justiça quanto ao povo, do qual ele tanto gosta de falar quando precisa posar como perseguido. Não nos parece atitude de inocente, a incitação dos militantes à violência.

Enquanto presidente, Lula era funcionário público, pago com os nossos impostos, e deve sim satisfações. O que queremos saber, e ele não responde, é o que levou as empreiteiras envolvidas na corrupção da Petrobras, a dar tantos presentes e regalias para ele. Estamos falando de milhões de reais. Por que as empreiteiras envolvidas em corrupção, pagam despesas particulares dele? Como explica este relacionamento eivado de promiscuidade, envolvendo o ex-presidente e os filhos dele, com empreiteiras? Empreiteiras estas, citadas no maior escândalo de corrupção da história do Brasil. O que queremos saber, é quem vai pagar pelo prejuízo da Petrobras, tanto no que diz respeito à imagem da empresa, quanto aos prejuízos financeiros. Quem vai pagar pelo prejuízo à imagem do país? O que queremos saber, é quando o dinheiro desviado pela corrupção anos e anos a fio, será devolvido. O Brasil poderia ser um país de primeiro mundo, não fosse a corrupção que suga nossos recursos e impede nosso desenvolvimento, sem falar na má administração do dinheiro que não é desviado. Todos poderíamos ter uma vida realmente melhor, se o governo tivesse mais respeito pelo contribuinte, que sustenta tudo isso. Se o ex-presidente Lula foi favorecido por empresas envolvidas em corrupção, deve ser investigado e punido, e isso é apenas questão de justiça. Ele e todos os demais envolvidos, da mesma forma. A continuidade do projeto de poder de um partido, não é nem nunca será, mais importante que o progresso, o futuro do país. Não temos nada a ver com o projeto de poder de partidos políticos, sejam quais forem, de esquerda ou direita. Nós amamos o Brasil, e não um partido. O país precisa de gestão profissional, e não de corrupção. Administração pública responsável, e não a bandalheira que temos visto todos os dias nos jornais. Tratam verbas públicas como se elas não tivessem dono, e como se não fosse preciso prestar contas do que é feito com elas. Basta de corrupção, basta de políticos que trabalham para seus projetos partidários e não para o Brasil. Queremos governo para o Brasil e para os brasileiros, e não um governo que precisa ir a público a todo momento, para se defender em escândalos de corrupção de repercussão internacional, e depende de pedaladas fiscais para ficar bonito na estatística. Enquanto isso, o mosquito da dengue, a inflação e o desemprego, tomam conta do país. Não precisamos de políticos que perdem o sono, com medo de acordar com a Polícia Federal nas suas portas.  Não precisamos de um governo que se pronuncia prontamente quando é para defender seus “companheiros” investigados por corrupção e lavagem de dinheiro, mas não faz o mesmo quando é para se pronunciar sobre os problemas do país.

Já vimos na história, várias ocasiões onde os cidadãos silenciaram diante do ilícito, e este silêncio, custou muito caro. É o que vem acontecendo no Brasil.


Refugiados somos todos…

setembro 16, 2015

refugiado síriaSignificado da palavra “refugiado”, no dicionário:

s.m. Indivíduo que se mudou para um lugar seguro, buscando proteção.
Aquele que foi obrigado a sair de sua terra natal por qualquer tipo de perseguição; quem se refugiou; pessoa que busca escapar de um perigo.
Refugiado político. Quem foi obrigado a deixar sua pátria por sofrer perseguição política.
adj. Que se encontra em refúgio, em local seguro e protegido.
(Etm. Part. de refugiar)

Não é a primeira vez (e provavelmente não será a última), que a Europa se enche de pessoas fugindo de seus países, por causa de guerras, perseguição política ou perseguição religiosa. Já aconteceu antes, e muitas e muitas vezes. Na primeira guerra mundial, na segunda guerra mundial (estimam-se que durante e após a segunda guerra mundial, 46 milhões de pessoas fugiram de seus países de origem), na revolução russa. Muitas vezes na história, os refugiados já se espalharam pelo mundo. Encontraram refúgio. Ou não.

Pessoas fugindo, procurando abrigo, lugar para se esconder. Apenas para lembrar, somos todos refugiados. Sendo cristãos, temos salmos e mais salmos, versículos e mais versículos que afirmam nossa situação.

Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.
Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares.
Salmos 46:1,2
O Senhor é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio.
Salmos 18:2
Sê tu para mim uma rocha de refúgio a que sempre me acolha; deste ordem para que eu seja salvo, pois tu és a minha rocha e a minha fortaleza. Salmos 71:3
Tens sido refúgio para os pobres, refúgio para o necessitado em sua aflição, abrigo contra a tempestade e sombra contra o calor, quando o sopro dos cruéis é como tempestade contra um muro. Isaías 25:4

O Senhor será também um alto refúgio para o oprimido; um alto refúgio em tempos de angústia. Salmos 9:9

Habitarei no teu tabernáculo para sempre; abrigar-me-ei no esconderijo das tuas asas. (Selá.) Salmos 61:4

Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei. Salmos 91:2

Olhei para a minha direita, e vi; mas não havia quem me conhecesse. Refúgio me faltou; ninguém cuidou da minha alma. Salmos 142:4

Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia de mim, porque a minha alma confia em ti; e à sombra das tuas asas me abrigo, até que passem as calamidades. Salmos 57:1

No meu entender, refugiado seria alguém que já encontrou um refúgio. Não é o caso atual dos sírios, por exemplo. Ele estão apenas fugindo, porque qualquer lugar, mesmo que seja para ficar num campo de refugiados, morando em barracas, é melhor do que o lugar onde eles estavam. E o inverno está chegando por lá, como diriam os fãs de Game of Thrones. Pior do que ser um refugiado, é ser um refugiado no inverno da Europa. Ser turista neste caso deve ser bem mais divertido. Você se joga na neve um dia ou dois, posta umas fotos no Facebook para que seus amigos curtam, e volta para o seu hotel quentinho. Nenhum país gosta de acolher refugiados. Acolhem, porque não fazer isso, seria pior. Acolhem porque existe uma resolução internacional a respeito. Já Deus, nos refugia por amor. Uma rocha, uma fortaleza, um refúgio, no alto. Sombra, abrigo e esconderijo. No dicionário dEle, “refugiado” tem um significado bem diferente.

Os fugitivos, clamam por refúgio. Qualquer um. Mas só um é “o” refúgio.

Crédito da foto: https://br.noticias.yahoo.com/vizinhos-fecham-a-fronteira-para-refugiados-s%C3%ADrios-134303222.html


O fracasso de Copenhague

dezembro 19, 2009

por Jaime Leitão

Depois de quase duas semanas discutindo como diminuir a emissão dos gases responsáveis pelo efeito-estufa, e consequente deterioração do meio ambiente, representantes de mais de 190 países não chegaram a lugar algum. Houve muitos discursos, discussões sem objetividade e, de concreto, nada ocorreu além de intenções vagas, que ignoraram o aviso mais do que anunciado: O planeta não pode mais esperar.
As duas maiores decepções da Conferência COP 15, em Copenhague, foram o premiê chinês Wen Jiabao, que não compareceu às duas últimas reuniões de cúpula de líderes mundiais, enviando um representante, e Barack Obama. O presidente norte-americano prometeu que os Estados Unidos diminuirão a emissão de gás carbônico em um prazo de cinquenta anos, mas esqueceu o curto prazo, os próximos cinco ou dez anos, que é o que mais interessa. A questão é como chegar a daqui cinquenta anos. Obama afirmou também não aceitar pressão para definir o montante de ajuda financeira aos países pobres, para que eles possam sofrer um pouco menos com a ação criminosa dos maiores poluidores do planeta, a China e os Estados Unidos.
Muito barulho, pressão dos ativistas e dos cientistas, análises assustadoras, nada sensibilizou os governantes que representam as maiores economias, que preferem ver o planeta arruinado a abrir mão dos seus lucros. Foi o tal raciocínio burro, suicida, que prevaleceu sobre o bom senso de se chegar a um acordo que não veio.
A cada dia que passava, a COP 15 parecia mais próxima de um naufrágio esperado, mas que poderia ser evitado se os mais poderosos demonstrassem uma grandeza de caráter que provaram não ter. Obama apareceu no penúltimo dia, quando teria obrigação de comparecer nos dias anteriores com propostas ousadas. Nada de novo acrescentou à Conferência, além de expor um sorriso sem graça, demonstrando que estava lá mais para posar para fotos do que por algum motivo mais grandioso.
O meio ambiente não pode esperar nada de dirigentes políticos que se apresentam para um encontro dessa grandeza com a disposição de não negociar nada. Já comparecem decididos a manter tudo como está, independente dos riscos que isso implica.
Lula e o presidente francês Nicolás Sarkozy foram os únicos que mostraram disposição para conseguir que fosse assinado um relatório de fato, envolvendo todas as nações presentes ao encontro, principalmente as mais poluidoras, com datas e números bem definidos para levar avante o processo de diminuição do efeito-estufa.
Doze anos depois da conferência de Kyoto, no Japão, em que os Estados Unidos e outros países não assinaram o famoso protocolo de redução de emissão de gases poluentes na atmosfera, vemos a temperatura do planeta aumentar ainda mais, sem que nada seja feito de efetivo para evitar uma catástrofe de proporções devastadoras.

(O autor é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação. jaimeleitao@linkway.com.br)

O fracasso de Copenhague – Jaime Leitão

Enquanto isso, crentes, evangélicos e afins, continuam discutindo se Adão tinha umbigo, como que os animais couberam na arca de Noé e se fumar e beber é pecado, ou se ouvir música do “mundo” é pecado.

Acordem, bando de alienados, bando de inúteis.

Faça a sua parte, porque nossos líderes políticos já demonstraram que querem mais é que o planeta se dane, desde que eles continuem enchendo a conta bancária de dinheiro.

Hey, cemitério não tem cofre, caixão não tem gaveta, não esqueçam disso não, tá?


A ciência torna obsoleta a crença em Deus?

agosto 18, 2009

Kenneth Miller responde: NÃO!

“Para ser ameaçado pela ciência, Deus teria de ser um substituto para a ignorância humana. Esse é o Deus dos criacionistas, do movimento do Design Inteligente, daqueles que buscam Deus na escuridão”, afirma – Miller inclusive publicou, há alguns anos, um artigo em que pretende comprovar o erro do conceito de complexidade irredutível, uma das bases do Design Inteligente. Mas o mesmo argumento que o biólogo usa para rechaçar o criacionismo e o DI serve também para rebater os que pretendem negar Deus por meio da ciência.

O centro da tese de Miller é que devemos buscar Deus não por meio daquilo que não sabemos, ou não conseguimos explicar, mas justamente pelo que conhecemos. “Se Deus é real, precisamos encontrá-Lo em algum outro lugar – na luz brilhante do conhecimento humano, espiritual e científico. E que luz!”, exclama. Miller diz que, graças à ciência, sabemos que estamos inseridos em um universo borbulhante de potencial criativo. E faz sentido perguntar o porquê de o universo ser assim. “Para a pessoa de fé, Deus é a resposta a essa questão”, diz.

Miller dedicará boa parte do seu texto a desmontar as teses de ateus como Richard Dawkins e Daniel Dennett (o biólogo não menciona nomes, mas a quem mais ele poderia se referir ao falar de “brilhantes”?), para quem a religião e Deus não passam de muletas para gente fraca, que não suporta “as terríveis realidades reveladas pela ciência”. Uma constatação necessária, diz Miller, é que o cientista também vive de fé. “Fé no fato de que o mundo é inteligível, e que há uma lógica na realidade que a mente humana pode explorar e compreender”, descreve o biólogo. E o cientista, além de acreditar nisso, crê também que vale a pena o esforço para compreender essa lógica.

Dito isto, Miller segue para o que eu considero um dos melhores trechos do ensaio, ao explicar o grande erro dos ateus: “assumir que Deus é natural, e assim dentro da esfera do que a ciência pode pesquisar e testar. Ao fazer de Deus uma parte comum do mundo natural, e ao falhar em encontrá-Lo lá, eles concluem que Deus não existe. Mas Deus não é, nem pode ser parte da natureza; ele é a razão de a natureza existir, o motivo pelo qual as coisas são. Ele é a resposta para a existência, e não parte da existência em si.”

E Miller continua lembrando que, para quem rejeita Deus, as leis da natureza existem apenas, digamos, “porque sim”. O ateu abre mão de se perguntar os motivos da existência de um universo tão organizado, e cai na ingenuidade de achar que a vida é autoexplicativa. Quando comentei os ensaios de Victor Stenger e Michael Shermer, mostrei como certas posições ateístas acabam exigindo mais fé do que as crenças de um deísta. Até mesmo a afirmação de que Deus não existe implica em ter alguma fé (no caso, fé na inexistência de Deus). E, a julgar pelas mensagens dos ônibus londrinos, não parece uma fé tão sólida. Ou a publicidade diria apenas “There is no God”, em vez de “There’s probably no God”, concordam?

A consequência desse abrir mão é que o teísta se torna uma pessoa mais curiosa que um ateu, “porque ele busca uma explicação que é mais profunda do que aquilo que a ciência pode dar, uma explicação que inclui a ciência, mas vai além ao procurar a razão última pela qual a lógica da ciência funciona tão bem. A hipótese de Deus não vem de uma rejeição à ciência, mas de uma curiosidade penetrante que se pergunta por que a ciência é possível, e por que as leis da natureza estão aí para serem descobertas por nós”, diz Miller.

O ponto central da argumentação de Miller está exposto acima, mas ele não para por aí. Para quem aponta as diferentes visões de Deus, de acordo com as diferentes religiões, o biólogo explica que algo semelhante ocorre com a ciência, já que há teorias que se contradizem. Se a ciência, mesmo com erros, desonestidades e fraudes, não deve ser jogada fora, por que fazer isso com a religião, sujeita às mesmas limitações humanas?

A ciência torna obsoleta a crença em Deus?


Entre Globo e Record, qual a pior?

agosto 14, 2009

Marcelo Carneiro da Cunha
De São Paulo

Estimados milhares de leitores, que satisfação estar de novo com vocês, aqui nesse ambiente desenfumaçado dos últimos dias.

Mas, como a realidade é algo que muda o tempo inteiro, enquanto bares e restaurantes se tornaram ambientes bem mais amigáveis aos seres humanos respiradores de oxigênio, o ambiente eletrônico da televisão anda tão esquentado que derreteu até o bombril da antena aqui de casa. Globo e Record se inspiraram no glorioso Senado Nacional e partiram pro chute na canela. Bom para todos nós. Quando os grandes e enormes brigam, parte do muito que eles sabem e a gente não, vem à tona.

Pra começo de conversa, devemos lembrar que essas duas redes de comunicações têm em comum apenas isso: serem duas redes de comunicação. No resto, Globo e Record são animais muito diferentes, mesmo que dotados de dentes grandes e mesmas intenções de predadores.

A Globo é como uma novela da Globo, que nos conta historinhas para boi dormir. Nenhuma novela da Globo quer mudar o mundo ou nos tornar pessoas melhores. Ela nos convida a comprar xampu, iogurte e automóvel, mais nada. Assim é a Globo.

Ela também é a expoente de uma era de grandes veículos que faziam e desfaziam o mundo em que vivíamos. A lógica de uma Globo é a de qualquer grande empresa ligada aos interesses do grande capital, e naturalmente as intenções desse povo nunca foram ajudar o mundo a ser um lugar mais legal, igualitário e modelado pela fraternidade socialista. A Globo é consequência do golpe militar, e não é exatamente surpreendente perceber que nasceu pra ser uma aliada natural e defensora de uma certa ordem. Mas ela também faz televisão de excelente qualidade, coisas do Guel Arraes, do Jorge Furtado, entre outras. Ela faz quando quer, só não quer mais porque parece que não precisa.

A Record é uma grande igreja do bispo Macedo com fachada de rede de comunicações. E a igreja do bispo Macedo não é moleza. Os tais templos dele têm cara de cartório e alma de cobrador de impostos. Entrou ali, pimba, você está achado por eles e perdido pra sempre. Eu lembro de ter escutado o bispo Macedo uma vez apenas, em um táxi de um convertido e salvo pela igreja do bispo.

Não sei se vocês já escutaram, mas é assustador o tal bispo. Assustador pelo tom da voz, de vampiro de filme do Polansky, assustador pela total falta de escrúpulos na hora de dizer a que veio e o que espera da gente. A igreja do bispo Macedo é que nem novela da Globo, só que sem a novela – débito ou crédito, estimado crente?

Uma rede de comunicações de uma igreja dessas faz o que, afinal das contas? Mesmo que ela faça jornalismo com bons profissionais, o que eles tiveram que fazer ontem e anteontem diante das câmeras foi dar a mensagem do chefe. E, diferentemente da Globo, o chefe da Record é o bispo!

Eu tenho saudades do SBT e da Tele Sena. Pelo menos ali ficava na cara que o que o Silvio Santos tinha era uma rede de televisão inteira devotada a vender Tele Sena. Assim, com as coisas claras e simplinhas, tudo, mas tudo mesmo fica mais fácil.

A Globo queria a nossa mente e o nosso corpo, hoje se satisfaz com uma parte razoável do nosso bolso, e ainda faz o Criança Esperança pra mostrar que é legal. A Globo é como a igreja Católica, que faz o que faz, mas com um jeito pra lá de respeitável.

A Record quer o que? Ela quer enfiar o exu caveira na gente e cobrar pra tirar, em suaves prestações mensais, pelos próximos 30 anos.

A Globo é conseqüência e representante de um modelo de sociedade que parece que se esgota. A Record é parte de um império tão sibilino quanto raso, se espalha por todo canto, mas, espero, não faz mais do que manchar o carpete.

A diferença, e talvez seja essa a causa da briga das duas, é que a Globo é uma empresa. Se ela precisa de dinheiro, tem que ir ali adiante, trabalhar, vender, faturar, pagar seus impostos, gerar lucro e então poder tocar no din din. A Record, não. Escasseou o caixa, aluga-se o Maracanã, faz-se uma celebração para Jesus Cristinho na versão do bispo, junta-se duzentos mil coitados, passa-se o saco, todo mundo contribui ou vai ver só, leva-se os sacos de dinheiro pros templos, pronto. Cash flow pra ninguém botar defeito, fora todo mundo com alguma decência no coração.

Talvez seja essa a causa da briga, como foi a causa da queda do Collor. Collor caiu, como talvez vocês saibam, porque uma vez no poder, com a tolerância do andar hiper de cima, começou a acumular dinheiro com uma voracidade alagoense e até então desconhecida. O andar de cima tremeu, Collor caiu.

Talvez o sistema esteja informando ao bispo que melhor ele moderar a taxa de acumulação de capital, ou o céu cai em cima dele. Talvez o bispo já se sinta poderoso o bastante para peitar a banca.

Eu apostaria a minha fortuna pessoal, estimada em dez reais e quarenta e dois centavos, em que é exatamente isso que está acontecendo. E o que está em jogo é limitar o poder do bispo, e por isso, e por motivos de alinhamento estratégico semelhantes aos que fizeram o Lula abraçar o Sarney, nessa, e nessa apenas e por agora, estou com a Globo. Já o estimado leitor, faça a sua escolha. Se o bispo ganha, e ele pode ganhar, logo, logo, não tem mais escolha.

Fonte: Entre a Globo e a Record, qual a pior? – Marcelo Carneiro da Cunha


Assédio espiritual

julho 4, 2009

Entrevista concedida por Marília de Camargo César a Revista Epoca de 29/06/09, Edição nº 580.

ÉPOCA – Por que você resolveu abordar esse tema?
Marília de Camargo César – Eu parti de uma experiência pessoal, de uma igreja que frequentei durante dez anos. Eu não fui ferida por nenhum pastor, e esse livro não é nenhuma tentativa de um ato heroico, de denúncia. É um alerta, porque eu vi o estado em que ficaram meus amigos que conviviam com certa liderança. Isso me incomodou muito e eu queria entender o que tinha dado errado. Não quero que haja generalizações, porque há bons pastores e boas igrejas. Mas as pessoas que se envolvem em experiências de abusos religiosos ficam marcadas profundamente.

ÉPOCA – O que você considera abuso religioso?
Marília – Meu livro é sobre abusos emocionais que acontecem na esteira do crescimento acelerado da população de evangélicos no Brasil. É a intromissão radical do pastor na vida das pessoas. Um exemplo: uma missionária que apanha do marido sistematicamente e vai parar no hospital. Quando ela procura um pastor para se aconselhar, ele diz: “Minha filha, você deve estar fazendo alguma coisa errada, é por isso que o teu marido está se sentindo diminuído e por isso ele está te batendo. Você tem de se submeter a ele, porque biblicamente a mulher tem de se submeter ao cabeça da casa”. Então, essa mulher pede um conselho e o pastor acaba pisando mais nela ainda. E usa a Bíblia para isso. Esse é um tipo de abuso que não está apenas na igreja pentecostal ou neopentecostal, como dizem. É um caso da Igreja Batista, que tem melhor reputação.

ÉPOCA – Seu livro questiona a autoridade pastoral. Por quê?
Marília – As igrejas que estão surgindo, as neopentecostais (não as históricas, como a presbiteriana, a batista, a metodista), que pregam a teologia da prosperidade, estão retomando a figura do “ungido de Deus”. É a figura do profeta, do sacerdote, que existia no Antigo Testamento. No Novo Testamento, Jesus Cristo é o único mediador. Mas o pastor dessas igrejas mais novas está se tornando o mediador. Para todos os detalhes de sua vida, você precisa dele. Se você recebe uma oferta de emprego, o pastor pode dizer se deve ou não aceitá-la. Se estiver paquerando alguém, vai dizer se deve ou não namorar com aquela pessoa. O pastor, em vez de ensinar a desenvolver a espiritualidade, determina se aquele homem ou aquela mulher é a pessoa de sua vida. E ele está gostando de mandar na vida dos outros, uma atitude que abre um terreno amplo para o abuso.

ÉPOCA – Você afirma que não é só culpa do pastor.
Marília – Assim como existe a onipotência pastoral, existe a infantilidade emocional do rebanho. A grande crítica de Freud em relação à religião era essa. Ele dizia que a religião infantiliza as pessoas, porque você está sempre transferindo suas decisões de adulto, que são difíceis, para a figura do pai ou da mãe, substituí­dos pelo pastor e pela pastora. O pastor virou um oráculo. Assim é mais fácil ter alguém, um bode expiatório, para culpar pelas decisões erradas.

ÉPOCA – Quais são os grandes males espirituais que você testemunhou?
Marília – Eu vi casamentos se desfazer, porque se mantinham em bases ilusórias. Vi também pessoas dizendo que fazer terapia é coisa do diabo. Há pastores que afirmam que a terapia fortalece a alma e a alma tem de ser fraca; o espírito é que tem de ser forte. E dizem isso apoiados em textos bíblicos. Afirmam que as emoções têm de ser abafadas e apenas o espírito ser fortalecido. E o que acontece com uma teologia dessas? Psicoses potenciais na vida das pessoas que ficam abafando as emoções. As pessoas que aprenderam essa teologia e não tiveram senso crítico para combatê-la ficaram muito mal. Conheci um rapaz com muitos problemas de depressão e de autoestima que encontrou na igreja um ambiente acolhedor. Ele dizia ter ressuscitado emocionalmente. Só que, com o passar dos anos, o pastor se apoderou dele.

ÉPOCA – Qual foi a história que mais a impressionou?
Marília – Uma das histórias que mais me tocaram foi a de uma jovem que tem uma doença degenerativa grave. Em uma igreja, ela ouviu que estava curada e que, caso se sentisse doente, era porque não tinha fé suficiente em Deus. Essa moça largou os remédios que eram importantíssimos no tratamento para retardar os efeitos da miastenia grave (doença autoimune que acarreta fraqueza muscular). O médico dela ficou muito bravo, mas ela peitou o médico e chegou a perder os movimentos das pernas. Ela só melhorou depois de fazer terapia. Entendeu que não precisava se livrar da doença para ser uma boa pessoa.

“O pastor está gostando de mandar na vida dos outros
e receber presentes. Isso abre espaço para os abusos”

ÉPOCA – Por que demora tanto tempo para a pessoa perceber que está sendo vítima?
Marília – Os abusos não acontecem da noite para o dia. No primeiro momento, o fiel idealiza a figura do líder como alguém maduro, bem preparado. É aquilo que fazemos quando estamos apaixonados: não vemos os defeitos. O pastor vai ganhando a confiança dele num crescendo. Esse líder, que acredita que Deus o usa para mandar recados para sua congregação, passa a ser uma referência na vida da pessoa. O fiel, por sua vez, sente uma grande gratidão por aquele que o ajudou a mudar sua vida para melhor. Ele quer abençoar o líder porque largou as drogas, ou parou de beber, ou parou de bater na mulher ou porque arrumou um emprego. E começa a dar presentes de acordo com suas posses. Se for um grande empresário, ele dá um carro importado para o pastor. Isso eu vi acontecer várias vezes. O pastor gosta de receber esses presentes. É quando a relação se contamina, se torna promíscua. E o pastor usa a Bíblia para legitimar essas práticas.

ÉPOCA – Você afirma que muitos dos pastores não agem por má-fé, mas por uma visão messiânica…
Marília – É uma visão messiânica para com seu rebanho. Lutero (teólogo alemão responsável pela reforma protestante no século XVI) deve estar dando voltas na tumba. O pastor evangélico virou um papa, a figura mais criticada pelos protestantes, porque não erra. Não existe essa figura, porque somos todos errantes, seres faltantes, como já dizia Freud. Pastor é gente. Mas é esse pastor messiânico que está crescendo no evangelismo. A reforma de Lutero veio para acabar com a figura intermediária e a partir dela veio a doutrina do sacerdócio universal. Todos têm acesso a Deus. Uma das fontes do livro disse que precisamos de uma nova reforma, e eu concordo com ela.

ÉPOCA – Se a igreja for questionada em seus dogmas, ela não deixará de ser igreja?
Marília – Eu não acho. A igreja tem mesmo de ser questionada, inclusive há pensadores cristãos contemporâneos que questionam o modelo de igreja que estamos vivendo e as teologias distorcidas, como a teologia da prosperidade, que são predominantemente neopentecostais e ensinam essa grande barganha. Se você não der o dízimo, Deus vai mandar o gafanhoto. Simbolicamente falando, Ele vai te amaldiçoar. Hoje o fiel se relaciona com o Divino para as coisas darem certo. Ele não se relaciona pelo amor. Essa é uma das grandes distorções.

ÉPOCA – No livro você dá alguns alertas para não cair no abuso religioso.
Marília – Desconfie de quem leva a glória para si. Uma boa dica é prestar atenção nas visões megalomaníacas. Uma das características de quem abusa é querer que a igreja se encaixe em suas visões, como querer ganhar o Brasil para Cristo e colocar metas para isso. E aquele que não se encaixar é um rebelde, um feiticeiro. Tome cuidado com esse homem. Outra estratégia é perguntar a si mesmo se tem medo do pastor ou se pode discordar dele. A pessoa que tem potencial para abusar não aceita que se discorde dela, porque é autoritária. Outra situação é observar se o pastor gosta de dinheiro e ver os sinais de enriquecimento ilícito. São esses geralmente os que adoram ser abençoados e ganhar presentes. Cuidado.

Marília de Camargo César, 44 anos, jornalista, casada, duas filhas

O QUE FEZ
Editora assistente do jornal O Valor, formada pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero

O QUE PUBLICOU
Seu livro de estreia é Feridos em nome de Deus (editora Mundo Cristão)


Exploração sexual infantil e fome – problemas mundiais

junho 3, 2009

Unicef denuncia exploração sexual infantil no mundo e fome de milhões de pessoas na Ásia

[…]“No total, 150 milhões de meninas e 73 milhões de meninos menores de 18 anos são vítimas de exploração sexual no mundo, segundo informe publicado nesta terça-feira pela seção alemã do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). O fundo também divulgou na índia, um relatório sobre o crescente numero de pessoas que passam fome no sul da Ásia.[..]

[…]Em outro relatório, divulgado em Nova Déli, na Índia, o Unicef informou que o número de pessoas que passam fome no sul da Ásia aumentou em 100 milhões nos últimos dois anos, um quadro agravado pela alta dos preços dos alimentos dos combustíveis e pelo desaquecimento econômico global.

Mais de 400 milhões de pessoas estão agora cronicamente famintas na região, de acordo com o Unicef, o mais alto nível em 40 anos. O relatório informa que o consumo de calorias permaneceu estagnado ou diminuiu em muitos países apesar do crescimento da renda per capita”.[…]

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