Cachorro morto

dezembro 8, 2018

xGERALF.jpg.pagespeed.ic.XjyVpCTwtODesde que me conheço por gente, nunca houve um momento onde não tivéssemos pelo menos um cachorro em casa. O normal é ter mais de um, geralmente vira latas encontrados na rua. Cães de vários tamanhos e cores, e todos os tipos de personalidade canina, habitaram nosso quintal. E quando os perdemos, é como se estivéssemos perdendo um membro da família, por mais vira lata e guapeca que fosse o cachorro. Isso continua sendo assim, depois de ter convivido e perdido vários cães nesses meus anos de vida.

E justamente por conviver com cães de todos os tipos desde sempre, qualquer notícia sobre atos de crueldade envolvendo humanos contra cães, me chama a atenção.

Não se trata de dar mais importância a um cão em relação a tantas pessoas vítimas de crueldades diversas todos os dias. Mas me entristece ver um ser humano, supostamente racional e superior, tratando um ser irracional com crueldade, como fez o colaborador do Carrefour com a Manchinha. O cão é relativamente indefeso em relação ao agressor humano. Afinal, cães não fabricam armas nem sabem usá-las. Cães não sabem fabricar venenos, nem se defender deles. Sequer sabem falar para pedir socorro ou denunciar as agressões. E muitas vezes se aproximam das pessoas por instinto, pois foram domesticados pelo homem exatamente para estar perto de seres humanos e viver junto conosco.

Quem maltrata um animal indefeso, e pior, de forma desproporcional como foi neste caso, é totalmente capaz de fazer o mesmo com outros seres humanos. É bem provável ser este o seu próximo passo na carreira violenta. Ter prazer em maltratar animais, é um dos sinais de alerta para se identificar um psicopata. Segundo o FBI, 80% dos assassinos de pessoas começam a carreira criminosa torturando animais. Sendo assim, os torturadores de animais de hoje, podem ser futuros agressores, assassinos e serial killers. Diante disso, ao fazermos vista grossa aos agressores de animais, estamos criando psicopatas em potencial.

“A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter, e quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem”. Arthur Schopenhauer

 


Mais ortodoxia

janeiro 1, 2018

Nesses dez anos desde que passei a me considerar cristã, gastei um bom tempo flertando como todo tipo de teologia considerada “não ortodoxa”. Não sei dizer se fiz isso por vontade de investigar a fundo a religião onde estava ingressando, ou por mera dificuldade em aceitar a fé como ela vem sendo explicada desde o princípio. Talvez fosse um pouco das duas coisas.

Não pretendo aqui entrar no mérito das teologias e doutrinas diferentes que vi por aí. Mas é possível ter uma ideia lendo coisas antigas aqui do blog. Posso apenas afirmar que depois de tanta viagem, encontrei, como Chesterton, o bom e velho cristianismo de 2000 anos. Os modismos passam, as teologias mudam, os teólogos morrem e com eles boa parte das suas ideias, desaparecem. Muitas delas sequer deixam vestígios. Muitos dos que eram recentemente bastante ativos, deixaram de ser relevantes e incensados, e foram rapidamente esquecidos. A boa e velha nova do evangelho é a que permanece.

Hoje prefiro me aprofundar na história do cristianismo e deixar de lado esse tipo de debate sobre Deus ser onisciente ou não, saber o futuro ou não e coisas do tipo. Na história do cristianismo acabamos percebendo não haver mesmo nada novo sob o sol. Tudo já foi debatido antes. Deixei de lado também muitos dos teólogos pós-modernos, pois em algum momento percebi serem mais filósofos do que teólogos. Em outro momento, percebi também que muitos deles não são pensadores da religião, e sim pessoas contaminadas por ideologias alheias ao cristianismo. Tentam a todo custo fazer com que a teologia se conforme à ideologia, quando devia ser o contrário. Deus está acima da guerra ideológica, e por isso não os levo mais a sério de forma alguma. Bons tempos onde os teólogos sabiam ser Deus o início e o fim de todas as coisas e partiam deste princípio. Muitos deles consideram a si mesmos como o início e o fim de tudo.  São loucos, e não teólogos.

Hoje prefiro o mistério e não saber todas as respostas. Prefiro o bom e velho credo dos apóstolos e o Pai Nosso. Porque é o que fica quando todos os modismos passam. O cristianismo continua, já morreu e ressuscitou muitas vezes e continuará fazendo isso, pois o morrer e o ressuscitar fazem parte dele desde o início.

Todos nós desejamos o progresso, mas se você está na estrada errada, progresso significa fazer o retorno e voltar para a estrada certa; nesse caso, o homem que volta atrás primeiro, é o mais progressista. C. S. Lewis.


Ditadura dos virtuosos

dezembro 31, 2017

[…]O que há, então, é uma infinidade de apóstolos de meros conceitos abstratos, assanhados por aplicar esses direitos indiscriminadamente sobre todo mundo e prontos para expurgar da sociedade aqueles que se opõem de alguma maneira a essa sua missão. Não pensam nas consequências da aceitação indiscriminada do que exigem, mantendo-se intransigentes em relação aos que se recusam a aceitar isso bovinamente.

O resultado disso é a criação de uma ditadura de opinião que, progressivamente, vai se tornando uma ditadura de fato. Uma ditadura que não condena com base em atos concretos, em fatos reais, mas pela simples convicção de que aqueles que se colocam contrários às suas bandeiras estão errados.

E os que não concordam com essas ideias totalitárias são as pessoas que possuem algum senso de realidade, que têm consciência de que a vida concreta é complexa e de que as virtudes existem, mas dependem de interpretação de acordo com os fatos onde estão sendo aplicadas. São também aqueles que entendem que é impossível impor todas as virtudes, ao mesmo tempo, sobre todos. Em suma, as vítimas da ditadura do novo mundo são as pessoas realistas, que aceitam as circunstâncias da vida, que entendem as nuances do cotidiano e que, por isso, são se colocam na posição de transformadoras, nem de justiceiras sociais.[…]

Leia o resto aqui: Ditadura dos Virtusosos – Fabio Blanco


Precisamos falar sobre o mimimi…

setembro 7, 2017

Mas antes, um pouquinho de resiliência:

A resiliência é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse etc. – sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades. Nas organizações, a resiliência se trata de uma tomada de decisão quando alguém se depara com um contexto entre a tensão do ambiente e a vontade de vencer. Essas decisões propiciam forças estratégicas na pessoa para enfrentar a adversidade.

Adversidade. Conflito. Estresse. Coisas naturais naHardy vida de todos nós. O que me intriga é saber por quê em vez de reagir com resiliência, há pessoas, e cada vez mais pessoas, que tendem a reagir como a hiena Hardy daquele desenho animado. Ó céus, ó vida, ó azar! Em vez de transformar o limão em limonada, o que acontece é a eterna lamentação. Reclamar pelo limão ser azedo, como se não existissem opções e possibilidades para mudar o sabor dele. As opções existem, mas reclamar é mais simples. É mais fácil simplesmente ficar se lamentando, em vez de tentar tirar algo bom ou tentar aprender com a adversidade. Ou apenas tentar se adaptar e seguir com a vida.

A ênfase na fraqueza e na necessidade de um governo forte para proteger um povo que foi convencido de que é incapaz e fraco, não é nova. Mas nunca esteve tão evidente quanto em nossa época, onde impera o vitimismo. Pessoas tentando conquistar o que desejam, pelo choro, e inspirando pena nos outros. Exigindo todos os “direitos” mas se dizendo oprimidas quando são solicitadas a cumprir seus deveres. Desejando receber tudo sem precisar se esforçar ou trabalhar para obter. Desejando liberdade mas sem assumir nenhuma responsabilidade.

O mimizento se ressente de tudo e de todos. Se ressente como nunca, daqueles que não lhe afagam a cabeça. Acusa quem o incentiva a parar de reclamar e a arregaçar as mangas, de insensível, bruto, abusivo, opressor. Só aceita ser tratado como coitadinho.

Ter sensibilidade pelo real sofrimento alheio, é diferente de não ter paciência com quem vive de mimimi pelos cantos, sem um motivo real. É fato que a vida implica em sermos contrariados, maltratados, injustiçados e traídos. A vida implica em prazer tanto quanto em sofrimento. Simples assim. Aprender a lidar tanto com um quanto com o outro, seria o normal e esperado. Hoje, você é visto como opressor se não fica se lamentando na rede social, ou não corre para afagar a cabeça de quem faz isso. Afinal, nesse mundo do mimimi infinito, quem não é oprimido, só pode ser opressor.

Quando penso na figura do mimizento, lembro do Lula chorando na tv, depois daquela famosa condução coercitiva. Chorando com um olho, mas com o outro bem aberto, para ver as reações de quem estava assistindo. Afinal, o objetivo do choro era afetar os outros, em vez de ser uma expressão de dor ou sofrimento. O mimizento diz: Vejam como sou coitadinho! Estou chorando aqui! Tenham dó de mim!

Mais resiliência, menos mimimi.


Nós e os outros

outubro 3, 2016

Por pouco acusamos o próximo, e por muito nos escusamos; queremos vender muito caro e comprar bem barato; queremos que se faça justiça na casa do outro, e misericórdia e conivência  na nossa casa; queremos que nossas palavras sejam tomadas em bom sentido, e somos melindrosos e exageradamente sensíveis às palavras do outro…

Queremos nossos direitos cumpridos à risca, e que os outros sejam corteses na exação dos deles; guardamos rigorosamente nossa posição, e queremos que os outros sejam humildes e condescendentes; nós nos queixamos facilmente do próximo, e não queremos que ninguém se queixe de nós; o que fazemos pelo outro sempre nos parece muito, e o que ele faz por nós nos parece ser nada.

Resumindo, nós somos como as perdizes da Paflagônia que têm dois corações, pois temos um coração doce, afável e cortês para conosco e um coração duro, severo e rigoroso para com o próximo. Temos dois pesos: um para pesar nossas comodidades com a maior vantagem que podemos, e o outro para pesar as do próximo com a maior desvantagem possível. Mas, como diz a Escritura: Falam com lábios lisonjeiros, mas com duplicidade no coração (Sl 12,3), isto é, eles têm dois corações, e por ter dois pesos, um forte para receber, o outro fraco para dar, é coisa abominável diante de Deus.

Tomás de Kempis, Imitação de Cristo.


Jararacas e homens

março 11, 2016

Fico aqui pensando como seria se um político acusado de corrupção, em vez de esforçar-se tanto para negar o óbvio, simplesmente admitisse, de forma espontânea: “sim, fui corrupto, traí meus eleitores e prejudiquei toda a nação, mereço a cadeia, estou arrependido e vou devolver tudo”. Seria bombástico, palavra esta que tem sido repetida na imprensa nas últimas semanas. Só em sonho mesmo. Mas nem tudo está perdido, pois temos as delações premiadas.

Voltando à realidade, o ex-presidente Lula andou se comparando com serpentes, mais especificamente, uma jararaca. Lembro que ele também já se comparou com Jesus, citando alguma coisa sobre a barba que os dois teriam em comum, como se usar barba o tornasse parecido com Jesus. Mais recentemente, Lula comparou os delatores do esquema do Petrolão, com Herodes, e seus companheiros de partido acusados de participar do esquema corrupto, com Jesus crucificado, algo totalmente sem noção. Lula não foi o primeiro populista a se comparar com Jesus, mas foi talvez o que o fez de forma mais tosca. Mas o pior é testemunhar a manifestação da idoLULAtria, a idolatria ao ex-presidente Lula. E perceber, atingidos por este mal, não só militantes, mas também religiosos. No caso destes últimos, associado com grave dissonância cognitiva.

O mesmo Jesus que este Lula totalmente sem noção deturpa, afirmou: O que contamina o homem, é o que sai da sua boca. Pois o que sai da boca, vem do coração.

O que vai no coração de um homem que se denomina publicamente como jararaca, só Deus sabe. Eu, prefiro não saber.

Quem é sábio e tem entendimento entre vocês? Que o demonstre por seu bom procedimento, mediante obras praticadas com a humildade que provém da sabedoria. Contudo, se vocês abrigam no coração inveja amarga e ambição egoísta, não se gloriem disso, nem neguem a verdade. Esse tipo de “sabedoria” não vem do céu, mas é terrena, não é espiritual e é demoníaca. Pois onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males. Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera. O fruto da justiça semeia-se em paz para os pacificadores. Tiago 3:13-18


Sapatos sujos

fevereiro 23, 2016

Em seu livro de ensaios “E se Obama fosse africano?”, Mia Couto incluiu um texto sobre os desafios que os africanos e/ou moçambicanos têm à frente para alcançar o futuro que desejam. Ele citou algumas coisas materiais, como hospitais, escolas, investidores, projetos. Porém, na opinião dele, o mais importante é uma nova atitude. “Sem mudarmos de atitude”, afirma ele, “não conquistaremos uma condição melhor. Poderemos ter mais técnicos, mais hospitais, mais escolas, mas não seremos construtores de futuro.”

Ele escreveu como africano e pensando em seu próprio povo, mas acredito que o texto serve para o Brasil, também. Para passar pela porta da modernidade, seria necessário descalçar alguns sapatos sujos, deixando-os do lado de fora. Que sapatos?

Primeiro sapato: a ideia de que os culpados são sempre os outros e nós somos sempre vítimas.

…Queremos que outros nos olhem com dignidade e sem paternalismo. Mas, ao mesmo tempo, continuamos olhando para nós mesmos com benevolência complacente: somos peritos na criação do discurso desculpabilizante. E dizemos:… que o político abusou do poder porque, coitado, na tal África profunda, essas práticas são antropologicamente legítimas….

Troquemos no texto acima, África, por Brasil. Corrupção institucionalizada.

Segundo sapato: A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho.

…Nunca ou quase nunca se vê o êxito como resultado do esforço, do trabalho como um investimento a longo prazo. As causas do que nos acontece (de bom ou de mau) são atribuídas a forças invisíveis que comandam o destino…

Terceiro sapato: O preconceito de que quem critica é um inimigo.

…Basta diabolizar quem pensa de modo diverso. Existe uma variedade de demônios à disposição: uma cor política, uma cor de alma, uma cor de pele, uma origem social ou religiosa diversa…

Estratégia dos políticos brasileiros quando são pegos com a boca na botija de dinheiro público, ou flagrados com propina na cueca, ou possuindo bens adquiridos com recursos de lavagem de dinheiro, ou contas no exterior não declaradas e movimentações financeiras muito suspeitas. Dizem que é perseguição política. Intriga da oposição. Preconceito. E continuam com as propagandas mentirosas. Os petistas em propaganda veiculada pela televisão, têm coragem de mandar o povo trabalhar mais. Como se o governo já não ficasse com cinco meses de trabalho dos brasileiros, na forma de impostos. O que temos em contrapartida por uma carga tributária entre as maiores do mundo? Notícias sobre desvios e corrupção todos os dias. E o PMDB, oportunista, aparece como salvador da pátria. Ambos pensam que somos burros. O PMDB esteve ao lado do governo do PT o tempo todo, e agora quer se desgrudar? Deviam ter aproveitado a propaganda, para explicar o apartamento, o sítio, a antena, as propinas, o rombo da Petrobras, o rombo dos fundos de pensão. Ninguém engole mais essa piada de que o ex-presidente Lula  é vítima de perseguição. Ele é, sim, suspeito de cometer crimes e tem que ser investigado como qualquer um. Vai ver eles acham mesmo que somos burros.

Não seria lindo se eles usassem o tempo da propaganda na TV, para confessar? Admitir que não honraram os votos recebidos, que agiram mal, que prejudicaram o país deliberadamente ? Que são culpados? No dia em que isso acontecer, aí sim o Brasil poderá ter jeito.

Quarto sapato: A ideia de que mudar as palavras, muda a realidade.

“A Petrobras está de pé.” (Presidenta Dilma Rousseff) Aham, senta lá!

“Não poso de santo. Nunca fui candidato a santo.”, que recentemente mudou para “Não tem uma viva alma mais honesta do que eu.” (ex-presidente Lula, agora candidato a santo, afinal as palavras mudam, não é?)

“Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz.” (Lênin). Este princípio é um dos que mais vem sendo aplicado por aqui.

Quinto sapato: A vergonha de ser pobre e  o culto das aparências.

Vivemos hoje uma atabalhoada preocupação em exibirmos falsos sinais de riqueza. Criou-se a ideia de que o estatuto do cidadão nasce dos sinais que o diferenciam dos mais pobres.

Tênis falsificado, bolsa falsificada, ou pior, o  “funk ostentação” (que fez aumentar o aliciamento de meninos por traficantes de drogas em 3200%, em Florianópolis, por exemplo). Igreja que vende prosperidade e sucesso financeiro, para não dizer que não falei das flores.

Sexto sapato: A passividade perante a injustiça.

Nem precisa explicar isso.

Sétimo sapato: A ideia de que para sermos modernos temos que imitar os outros.

Se as capacidades de uma nação estiverem viradas para o enriquecimento rápido de uma pequena elite, então de pouco valerá haver mais quadros técnicos.

Que semelhança com a realidade do Brasil, onde estar no governo, é visto como oportunidade para enriquecer, e não como oportunidade para colaborar com o desenvolvimento e construir o futuro. Não importa se é de esquerda ou de direita. O partido que se dizia dos trabalhadores por exemplo, hoje tem milionários nas suas fileiras. Mas pergunte a eles agora, se querem socializar o capital que amealharam. Só não vale socializar o patrimônio daquele jeitinho brasileiro, colocando tudo em nome de laranjas, e dizer que não é seu, ok?

O ex-presidente Lula palestrou em Moçambique, terra do Mia Couto, tempos atrás. A palestra, dizem que custou 815 mil reais, pagos à vista, por uma empreiteira brasileira. Os moçambicanos poderiam ter passado sem essa. Eles têm Mia Couto como conterrâneo, afinal. A palestra foi sobre combate à desigualdade social. Lula disse que é necessário distribuir a riqueza (a riqueza dele também, espero). Lembro, de novo, que ele ganhou 815 mil para palestrar sobre desigualdade social. Que contradição!

Menos políticos. Mais poetas. Um poeta africano é muito melhor para falar sobre desigualdade social, do que qualquer político brasileiro. E sai mais barato também.

A esperança é a última a morrer. Diz-se. Mas não é verdade. A esperança não morre por si mesma. A esperança é morta. Não é um assassinato espetacular, não sai nos jornais. É um processo lento e silencioso que faz esmorecer os corações, envelhecer os olhos dos meninos e nos ensina a perder a crença no futuro.