Por um cristianismo sem igrejas

dezembro 31, 2009

É claro que Jesus entrava e saia das sinagogas (Mateus 13:54, Marcos 1:21, Lucas 4:16), mas também ensinana nos montes (Mateus 5 e 7), orava nas clareiras dos bosques (Mateus 26:36) e escrevia no chão (João, 8:4, 11). Quem frequenta um culto cristão hoje, sabe que ele se tornou tão viciado quando os templo judeus da época de Cristo, talvez pior do que eles. Hoje a comunidade cristã há muito deixou de ser um local de vivência real dos ensinamentos de Jesus para se tornar um clube social onde as pessoas vão para ver, ser vistas e falar dos outros. Imagine se Cristo houvesse nascido nos dias de hoje, qual desses clubes você acha que ele frequentaria?

Talvez o clube católico com sua tradição e estética invejáveis; ou quem sabe um dos cultos protestantes onde a música e as luzes distraem os devotos; ou ainda um culto neo-pentecostal onde o show de milagres é garantido. Ou quem sabe, ele faria e viveria a Igreja da exata mesma forma que fez e viveu – entre prostitutas, ladrões e doentes, nunca protegido dentro das paredes do Templo de Salomão se isolando do resto do mundo.

A verdade é que assim como foi no começo da cristandade, ainda hoje podemos ser discipulos de Cristo longe das instituições religiosas. Isso porque instituição religiosa e “a Igreja” são coisas completamente diferentes. Isto é apenas mais uma corrupção do raciocínio, usada para se dominar os irmãos e irmãs mais frágeis e impressionáveis e as pessoas com dificuldades de arranjar e manter uma vida social por conta própria. Basta ver que em cada caso citado acima o importante não era o local onde Cristo pregava, mas o que ele pregava: Não como um pastor ou clérigo, não com oum sacerdote, mas como alguém cheio do Espírito Santo (Mateus 7:29, Marcos 1:22)

Como se isso não bastasse, cada um desses clubes faz questão de se eleger como a melhor escolha possível, muitas vezes descartando como malditos, enganados e heregeres todos os que ficaram do lado de fora. Existem centenas de pastores, padres, pregadores, e líderes que se inflamam ao nos alertar sobre o perigo daqueles que vêm até nós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores, no entanto parecem não aperceber do próprio orgulho a vaidade vestidados como humildade e devoção. Quantas pessoas salvas em Cristo não se afastam da palavra desiludidas com a forma que esses “líderes” cristãos conduzem o que chamam de igreja, de templo do Senhor? Aqueles que deveriam servir como faróis na escuridão, apontando o caminho seguido por nosso Salvador, se tornam uma vela que apenas atrai mariposas solitárias, aqueles que não sabem distinguir a luz que ilumina da luz que consome e queima. Quantas pessoas deixam de frequentar os locais de culto, aos quais se acostumaram dar o nome de “templo” ou “igreja”? Quantos não tem sua fé abafada pelos dogmas criados apenas para iludir ou por aqueles que se utilizam de mentiras, ameaças e mesmo desprezo para consquistar um público assíduo para seus espetáculos?

De onde surge o direito divino de vincular a salvação de alguém a uma instituição? Quando Cristo afirmou que para estar salvo você deveria ser membro de algum grupo? E então surge um absurdo ainda maior: para se salvar é preciso comprar o pacote de doutrinas vendidas por eles, enfiadas goela a baixo por cada uma das instituições. Católicos desdenham protestantes. Pentecostais afirmam que a Santa Sé é a besta disfarçada. Testemunhas de Jeová lamentam a desilusão dos Adventistas. Todos criticam os Rastafaris, dizendo que nem ao menos são cristãos. E todos se esquecem da vida de nosso Salvador. Se não aceitamos uma determinada doutrina como a única salvação real oferecida por Deus então a instituição que a vende nos agride, nos intimida. Nos tornamos enganados, desiludidos. Se esquecem esses líderes os hábitos e a vida da única pessoa para quem Cristo prometeu: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso.”. Nos tornamos os rebeldes incapazes de ouvir. Mas se isso ocorre se lembrem do sorriso do Salvador e não fiquem tristes, mas pelo contrário se animem: sermos taxados de rebeldes assim como Cristo também foi. Como podemos sentir tristeza de sermos perseguidos e malditos por estarmos ao lado de Jesus?

Qualquer mente, com um pouquinho de discernimento, percebe que uma instituição religiosa é apenas a idealização de um homem. Suas regras e doutrinas são o conjunto de interpretações de um homem. Suas paredes foram erguidas por homens para que ali habitasse nada além de outro homem. Não há qualquer referência bíblica de que um homem pode impor a sua interpretação bíblica a seus iguais, muito pelo contrario! Não nos advertiu Cristo sobre estas pessoas iníqüas? (Mateus 7:21-23). E o pior é que muitos deles nem percebem o que estão fazendo. Se sentem inspirados e saem por ai, não pescando homens, mas apenas formando turminhas para socializar: parecem mais pessoas em busca da confirmação de outros de que de fato está no caminho da própria salvação do que alguém que encontrou de fato Jesus em seu coração (Mateus 7:14).

O espírito cristão de hoje foi reduzido a freqüentar cultos. A ouvir o que sabemos não passar de mentiras e nos calarmos de cabeça baixa. A defender a doutrina da instituição, suas regras e seu governo como se fosse uma criação divina e pior, como se possuísse poder divino. A submetermo-nos a rudimentos, a homens e a doutrinas. Nós damos dinheiro para uma instituição, para que ela crie mais templos ou organize novas obras, e não fazemos nada pelos outros. Encarregamos alguém de fazer isso em nosso lugar. Já repararam que a maioria das instituições arrecada, mas quando surge algo que necessita ser feito se apelam para voluntaries, para boas almas engajadas?
As instituições religiosas hoje são aberrações. Se fossem apenas um lugar onde se cometessem erros, mas houvessem também ações para se corrigir esses erros, se houvesse interesse real em se corrigir esses erros, então teríamos hoje locais onde a Palavra pudesse ser estudada, compartilhada e passada a diante. A semearíamos. No entanto, vemos coisas muito mais horrendas do que simples deslizes humanos. Nos vemos soterrados em manipulação. Jogos de poder. Exploração moral e financeira. Ganância. Onde deveríamos encontrar a graça divina não vemos nada além da podridão humana, nada diferente do que os antros de vergonha que dizem combater – na verdade existe uma diferença: esses antros se mostram menos hipócritas, não tentam se passar por algo que nunca serão, nem tentam divinizar seus pecadores. Podemos chamar isso de “a igreja”? Recusêmo-nos!

É neste momento que devemos tomar a decisão correta, a única decisão! Devemos simplesmente nos recusar a flertar com a mentira, com a ira, com a megalomania. Devemos deixar de compactuar com a injustiça. Devemos deixar de lado reuniões e cultos que não temos mais como chamar de “igreja” ou “culto”. Os cultos de hoje são tão vazios quanto o Natal do varejo. Existem aquelas poucas exceções? Claro que sim, mas servem no fim de tudo, apenas para alimentar a grande maioria daqueles que apenas se viciam no poder que recebem do rebanho que os assistem. Literalmente servem de exemplo para que sempre que apontemos o erro de uma instituição usarem aquela que funciona como justificativa: nem todas são assim!

Talvez devêssemos então partir do bom exemplo e tentar salvar a instituição sempre que ela se mostre realmente humilde? “Se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno.” (Mateus 5:29-30) Seria apenas perda de tempo.

Devemos então buscar a Igreja onde o teto é o céu e onde não há paredes. Devemos alimentar os famintos e curar os enfermos ao invés de ficar sentados no banco cantando musiquinhas. Abandonemos templos e igrejas para pregar o evangelho a todas as criaturas; quem precisa repetir as interpretações de outros para pessoas que já as conhecem de cor? A Igreja não é um clube social, muito menos uma instituição civil. No Novo Testamento selado com o sangue de Cristo há um Povo Novo: a Igreja de Jesus Cristo, não são como alguns pregadores improvisados que de repente se sentem iluminados por algum espírito e passam a criar os seus grupinhos “cristãos”, para obrigar-lhes a pagar o dízimo e, assim, obter dinheiro, ou então a administrar a vida de seu rebanho com conselhos e sugestões. Tornamos a repetir: há apenas uma Igreja que existe desde o princípio e é aquela fundada por Jesus Cristo, que Ele próprio sustenta apesar das falhas e erros humanos. Ela é formada por homens pecadores. Se Deus quisesse ter uma Igreja celestial, teria enviado anjos para dirigi-la.

Por isso, é fundamental respeitar as autoridades instituídas por Deus (Romanos 13,1) e não criar novas igrejas.

Portanto, ninguém deve achar que recebeu autoridade de Deus para fundar novas igrejas tão somente porque algum dia resolveu “ler a Bíblia”. Pois Deus dispôs autoridades apostólicas que foram instituídas por Cristo em SUA Igreja. A estas autoridades devemos obedecer porque velam por nossas almas (Hebreus 13,17).

Esta autoridade delegada por Jesus Cristo apenas se encontra na única Igreja Primitiva. Sim! Nessa Igreja que muitos desprezam e prejulgam porque querem edificar, com forças próprias, algumas “igrejas melhores”.

No entanto, estas “igrejas dos homens” devem saber que estão se comportando mal, pois pregam a divisão dos cristãos, indo contra a vontade de Jesus Cristo expressa no Evangelho de São João 17,21. Muitos fundam novas igrejas com intuito de lucro e enganam as pessoas exigindo o dízimo.

A verdadeira Igreja de Cristo é formada por todos os verdadeiros cristãos não por tijolos, e tem o próprio cordeiro de Deus como cabeça. A Igreja somos nós e quanto às igrejas e templos que surgem a todo dia, essas nada importam, pois só Cristo saberá separar o joio do trigo quando chegar sua vez.

Por um cristianismo sem igrejas


Sobre a falência do cristianismo e das doutrinas

dezembro 31, 2009

por Caio Fábio

Assim como a vida é mais do que o alimento e o corpo mais do que as vestes, do mesmo modo o Evangelho é mais do que Doutrinas e o Corpo de Cristo é mais do que qualquer Vestimenta Institucional que o pretenda vestir ou até mesmo agasalhar!

As Doutrinas são reflexos de um tempo e de uma geração. Por isto, em Jesus, nos Evangelhos, “doutrina” não significa o que o termo significa para nós. Para Jesus, nos evangelhos, doutrina era a pratica simples dos ensinos Dele; conforme se vê em João 7:14-17.

No mais se fala de doutrina nos evangelhos como um termo que procedeu da boca do povo, impressionado com os feitos de Jesus, acompanhado das palavras simples que Ele dizia.

Em Paulo doutrina é sinônimo de ensino do Evangelho conforme os Apóstolos.

Sim! Do jeito que está no Novo Testamento. Portanto, bem antes da Confraria de Nicéia se reunir sob a unção de Constantino.

Também em Paulo “outra doutrina” equivale a “outro evangelho”.

Portanto, “doutrina” não era um pedaço sistematizado da verdade de Deus, mas a própria e integral revelação, conforme Jesus, simplesmente como Evangelho.

Sim, e o que passar disto já é “outra coisa”.

Já o Corpo de Cristo é um Ente indefinível, não tendo no ajuntamento dos discípulos sua fronteira ou lugar de afirmação de quem seja quem.

Só Jesus conhece Seu próprio Corpo!

Nem os anjos…

Nem o diabo…

O dia da separação do joio do trigo será surpresa para o diabo também!…

E mais: os anjos farão a separação entre joio e trigo sob supervisão de Quem sabe; pois anjo algum jamais conheceu os mistérios que envolvem a relação de Deus com a criatura humana.

Dizendo isto afirmo que não estou nem um pouco preocupado com a falência global do Cristianismo, que, para mim, nunca foi alimento, tendo sido no máximo uma vestimenta histórica.

Ora, se o Cristianismo jamais me foi Alimento, Vida então é que nunca foi!…

Não foi Alimento, tanto quanto jamais me definiu Limites para o Corpo de Cristo.

Sim, desde a minha infância na fé, quando já cria que os de Cristo — todos eles, os que sabem de Jesus e os que são de Cristo sem nunca terem ouvido falar o nome Dele — são parte do Corpo de Cristo.

Por isto também jamais vi o Cristianismo como o lugar exclusivo dos de Deus. Sim, em tempo algum de minha caminhada nesses quase quarenta anos pregando a Palavra eu cri de outro modo.

Por isto, para mim, a falência do Cristianismo é falência de algo falível e feito para acabar mesmo; sendo que minha admiração é que tenha durado tanto tempo…

Amo o Cristianismo tanto quanto amaria mais o saleiro do que o sal se estivesse numa ilha deserta. Só brincando!…

Minha vida é mais do que o que eu como. Portanto, meu ser é mais do que o alimento da cultura cristã na qual nasci, mas que não é a Vida, sendo apenas o alimento cultural…

Além disso, meu corpo é mais do que a vestimenta cristã que o tem vestido pela circunstancialidade de eu viver no Acido-ente Ocidente da Terra.

Eu poderia perfeitamente andar se saião sem crise alguma, com um belo turbante na cabeça. Sim, meu corpo trocaria os jeans pelo saião sem queixa contra a Vida.

O meu corpo existe no ambiente natural apenas quando anda nu; pois foi assim que eu nasci.

Ora, quando o Corpo perde a Veste que antes supunha cobrir-lhe […], nada de mais acontece; pois, afinal, o Corpo nasceu nu na fé simples na Ressurreição; as vestes de “doutrinas humanas” já foram as folhas de Figueira oferecidas pelo Imperador Constantino.

Assim, quanto menos saleiro e mais sal na Terra, quanto menos vestes e mais Corpo, quanto menos receitas de alimentos e mais Vida simples, mais poder haverá no cumprimento da missão dos discípulos conscientes de seu lugar/missional e existencial neste mundo.

Para que isto aconteça de modo revolucionário, todavia, não precisamos de nada além do Tudo/Nada do Evangelho: uma Cruz vazia, uma Tumba Oca, e o Trono Cheio de Glória no qual Jesus está.

O que passar disso é necrofilia fetichista; e surtada particularmente na idéia de uma relação eternamente conjugal com um defunto chamado Constantino.

Vivam os tempos de sal sem saleiro!

Vivam os tempos do Corpo sem vestes!

Vivam os tempos do Pão sem receitas!

Bem-aventurado seja aquele que entender!

Sobre a falência do cristianismo e das doutrinas – Caio Fábio


Experimentar Deus – Leonardo Boff

dezembro 27, 2009

Sinopse: O interesse de Leonardo Boff, através deste livro, reside em criar espaço para que cada um possa fazer sua própria experiência de Deus. O autor diz que para que se possa encontrar um Deus vivo e verdadeiro e entregar o coração, é necessário negar aquele Deus construído pelo imaginário religioso e aprisionado nas malhas das doutrinas. Experimentar Deus não é pensar sobre Deus, mas sentir Deus com a totalidade de nosso ser.

Trecho do livro:

Nossa época se caracteriza por uma suspeita geral contra todos os discursos que tentam traduzir o definitivamen­te importante e o radicalmente decisivo da vida humana. A crítica colocou em xeque todas as nossas idéias sobre Deus. Ela ganhou corpo nas famosas críticas feitas pelos mestres da suspeita – Freud, Marx e Nietzsche -, pela secularização, pela desmitologização, pela tentativa de tradução se­cular dos conceitos religiosos, pela teologia da morte de Deus, pelo esforço de desmascaramento da função ideoló­gica assumida pelas religiões, a fim de justificar o status quo social ou para preservar, nos países mantidos no subdesen­volvimento, um tipo de sociedade injusta e discriminatória da urgência da revolução; ganhou corpo também na críti­ca às Igrejas carismáticas e populares que obedecem à lógi­ca do mercado e veiculam uma religião mais como entretenimento que apelo à conversão e à interiorização.

Face a esta crise generalizada, não são poucas as vozes que admoestam: “Paremos um pouco. No âmbito do pensamento-raiz, façamos economia da palavra Deus. Guarde­mos silêncio. Experimentemos aquele Mistério que circunda e penetra nossa existência. Só a partir disso tentemos balbuciar-lhe um nome que não será o seu nome, mas o nome de nosso amor e de nossa reverência Aquele que é o Sem-Nome e o Inefável.” Não era outra coisa que pedia um fino poeta e místico cristão italiano, David Turodlo, em seu poe­ma “Para além da floresta”: “Irmão ateu, nobremente em­penhado na busca de um Deus que eu não sei te dar, atra­vessemos juntos o deserto! De deserto em deserto, ande­mos para além da floresta das diferentes fés, livres e nus rumo ao Ser nu. Ali onde a palavra morre, encontrará nos­so caminho seu fim.”

O esforço do nosso ensaio sobre a experiência de Deus se orienta na busca do sentido originário da palavra Deus, encoberto sob muitos nomes e fossilizado nas doutrinas so­bre Deus. Para nos situarmos na via da experiência de Deus, precisamos conscientizar o trabalho desconstruitivo já ope­rado em nossa civilização concernente a todas as idéias e representações sobre Deus. Não superamos a crise das ima­gens de Deus criando novas e, pretensamente, mais ade­quadas ao espírito do tempo. Isso apenas perpetua a crise porque, ingenuamente, se assume aquela estrutura gera­dora de imagens de Deus que a crise precisamente quer questionar. Essa estrutura é a vontade de sempre procurar imagens melhores sem sair desta lógica de substituição de umas imagens por outras. Não devemos identificar aquela força originária que está aquém e além das imagens, força que nos coloca no encontro vivo com Deus e que está sem­pre na origem de todas as imagens? Essa é a questão funda­mental. Portanto, não é fugindo da crise para o mundo anterior a ela que superaremos a crise, mas entrando den­tro dela e radicalizando-a ainda mais até identificarmos a experiência originária de Deus. Entretanto, tenhamos des­de o início uma perspectiva correta: como não se comba­tem imagens de Deus com outras imagens, assim também não se processa a experiência de Deus negando sistemati­camente todas as representações de Deus. Devemos atraves­sá-las e assim superá-las. Em outras palavras, importa mais falar a Deus do que falar sobre Deus. Mais que pensar Deus com a cabeça é preciso sentir Deus com o coração. É o que significa experimentar Deus. Como se fará isso? Eis o desa­fio que pretendemos abordar em nosso texto.


Como Deus pode mudar sua mente – Andrew Newberg & Mark R. Waldman

dezembro 20, 2009

Como nosso cérebro transforma a ideia de Deus em uma experiência que, para milhões de pessoas, é intensamente significativa e real? Na obra Como Deus pode mudar sua mente – Um diálogo entre fé e neurociência (Editora Prumo), os médicos Andrew Newberg e Mark Robert Waldman demonstram, por meio de pesquisas realizadas na Universidade da Pensilvânia, quais os efeitos que as convicções e as experiências religiosas exercem sobre o cérebro humano e como elas podem promover a saúde, o bem-estar e felicidade.

Com base em uma investigação realizada ao longo de 15 anos, a equipe médica do dr. Newberg pôde observar que quanto mais pensamos em Deus, mais alterações ocorrem nos circuitos neurais de áreas específicas da região cerebral, que transformam a figura Dele, para a maioria das pessoas, em um símbolo representativo de uma extensa gama de valores pessoais, éticos, sociais e universais.

Uma Fascinante Experiência

“Deus pode modificar seu cérebro, não importa se você é cristão ou judeu, mulçumano ou hinduísta, agnóstico ou ateu. Se você considerá-lo por um tempo suficiente, algo surpreendente acontece e o seu funcionamento neurológico começa a se modificar. Para nós, neurocientistas, esta pode ser uma das mais fascinantes experiências humanas a se explorar”, afirma Newberg.
Os autores atentam para o fato de não ser possível a neurociência dizer se Deus existe ou não, e a maior parte de nosso cérebro nem mesmo se preocupa em distinguir se as coisas que enxergamos são realmente verdadeiras. Em vez disso, o cérebro só precisa saber se tais crenças são úteis para a sua sobrevivência. “Se a crença em Deus lhe proporciona um sentido de conforto e segurança, então Deus irá melhorar a sua vida. Já se o vê Deus como uma deidade negativa, tal convicção irá lhe fazer mal, levando-o a agir de maneira socialmente destrutiva”, completa.

A obra, dividida em 10 capítulos, contempla as experiências espirituais e as descobertas feitas durante as pesquisas neurológicas, entre elas o poder da comunicação compassiva, que trabalha com técnicas de exercícios para a melhoria do diálogo e da intimidade entre familiares, amigos e casais em conflito. Tudo isso em apenas 15 minutos de prática. O livro ainda apresenta dicas de centros acadêmicos, publicações e cds que tratam sobre o assunto.

Sobre os Autores

Dr. Andrew Newberg publicou mais de 75 artigos, ensaios e resenhas. Já escreveu artigos para jornais como o Time, o Newsweek, o The Washington Post e o The Philadelphia Inquirer, além de ter participado dos programas Good Morning América, ABC’s World News Tonight e London Talk Radio.

Mark Robert Waldman é terapeuta e membro do Centro da Espiritualidade e da Mente, na Universidade da Pensilvânia, onde atualmente realiza pesquisas com o Dr. Andrew Newberg sobre a neuropsicologia das crenças, moralidade, compaixão e experiências espirituais.

Como Deus pode mudar sua mente – Editora Prumo


O fracasso de Copenhague

dezembro 19, 2009

por Jaime Leitão

Depois de quase duas semanas discutindo como diminuir a emissão dos gases responsáveis pelo efeito-estufa, e consequente deterioração do meio ambiente, representantes de mais de 190 países não chegaram a lugar algum. Houve muitos discursos, discussões sem objetividade e, de concreto, nada ocorreu além de intenções vagas, que ignoraram o aviso mais do que anunciado: O planeta não pode mais esperar.
As duas maiores decepções da Conferência COP 15, em Copenhague, foram o premiê chinês Wen Jiabao, que não compareceu às duas últimas reuniões de cúpula de líderes mundiais, enviando um representante, e Barack Obama. O presidente norte-americano prometeu que os Estados Unidos diminuirão a emissão de gás carbônico em um prazo de cinquenta anos, mas esqueceu o curto prazo, os próximos cinco ou dez anos, que é o que mais interessa. A questão é como chegar a daqui cinquenta anos. Obama afirmou também não aceitar pressão para definir o montante de ajuda financeira aos países pobres, para que eles possam sofrer um pouco menos com a ação criminosa dos maiores poluidores do planeta, a China e os Estados Unidos.
Muito barulho, pressão dos ativistas e dos cientistas, análises assustadoras, nada sensibilizou os governantes que representam as maiores economias, que preferem ver o planeta arruinado a abrir mão dos seus lucros. Foi o tal raciocínio burro, suicida, que prevaleceu sobre o bom senso de se chegar a um acordo que não veio.
A cada dia que passava, a COP 15 parecia mais próxima de um naufrágio esperado, mas que poderia ser evitado se os mais poderosos demonstrassem uma grandeza de caráter que provaram não ter. Obama apareceu no penúltimo dia, quando teria obrigação de comparecer nos dias anteriores com propostas ousadas. Nada de novo acrescentou à Conferência, além de expor um sorriso sem graça, demonstrando que estava lá mais para posar para fotos do que por algum motivo mais grandioso.
O meio ambiente não pode esperar nada de dirigentes políticos que se apresentam para um encontro dessa grandeza com a disposição de não negociar nada. Já comparecem decididos a manter tudo como está, independente dos riscos que isso implica.
Lula e o presidente francês Nicolás Sarkozy foram os únicos que mostraram disposição para conseguir que fosse assinado um relatório de fato, envolvendo todas as nações presentes ao encontro, principalmente as mais poluidoras, com datas e números bem definidos para levar avante o processo de diminuição do efeito-estufa.
Doze anos depois da conferência de Kyoto, no Japão, em que os Estados Unidos e outros países não assinaram o famoso protocolo de redução de emissão de gases poluentes na atmosfera, vemos a temperatura do planeta aumentar ainda mais, sem que nada seja feito de efetivo para evitar uma catástrofe de proporções devastadoras.

(O autor é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação. jaimeleitao@linkway.com.br)

O fracasso de Copenhague – Jaime Leitão

Enquanto isso, crentes, evangélicos e afins, continuam discutindo se Adão tinha umbigo, como que os animais couberam na arca de Noé e se fumar e beber é pecado, ou se ouvir música do “mundo” é pecado.

Acordem, bando de alienados, bando de inúteis.

Faça a sua parte, porque nossos líderes políticos já demonstraram que querem mais é que o planeta se dane, desde que eles continuem enchendo a conta bancária de dinheiro.

Hey, cemitério não tem cofre, caixão não tem gaveta, não esqueçam disso não, tá?


A subversão do cristianismo

dezembro 10, 2009

por Caio Fábio

A pergunta: em sua opinião, quais os “complementos” que prejudicam o avanço autêntico da fé bíblica no Brasil atualmente?

Resposta:

Sou de origem Presbiteriana e Católica. Meu pai era Católico e minha mãe Protestante Reformada. Portanto, sou filho das culturas religiosas e cristãs que mais fortemente moldaram o Ocidente: o catolicismo e o protestantismo. Daí, tudo o que eu falar a respeito, será com muita dor, posto que mesmo agora, enquanto escrevo, choro, vendo aquilo no que a fé em Jesus se tornou entre os cristãos em geral.

É obvio que a Cristandade é maior do que esses dois veios entre os quais eu cresci. Porém, não há dúvida quanto ao fato de que eles são os mais importantes na Cristandade, historicamente falando.

De fato, de certa forma, o que aconteceu ao Cristianismo no Brasil é demonstrativo do que aconteceu ao Cristianismo no mundo todo. Portanto, ao falar de qualquer coisa relacionada ao Cristianismo brasileiro, sei que estou falando também de algo que é tão variado como fenômeno, que pode ser visto como boa síntese do que aconteceu ao Cristianismo no mundo. Quem acompanha o que está acontecendo ao Cristianismo no mundo, incluindo todos os regionalismos, sabe que no Brasil cada uma dessas peculiaridades religiosas e culturais, indo dos Católicos aos Reformados—com todas as variáveis desses movimentos—, dos Pentecostais aos Neopentecostais—com todos os matizes possíveis, indo da tradicionalíssima Assembléia de Deus, à Universal e seus filhotes de franquia—, são manifestações locais e gigantescas do que acontece no mundo, na maioria das vezes sem a diversidade com qual o fenômeno cristão se manifesta no Brasil.

Digo isto apenas para chegar ao significado da Cristandade no mundo de hoje e no Brasil. Na minha opinião o “Coisa-ruim” não tem muito com o que se preocupar no Brasil. “Pé-de-cabra”, por aqui, conseguiu levar a maioria a praticar o “Cristianismo e…”; o que é ainda pior do que “Meramente Cristianismo”; ou ainda pior do “Cristianismo e Nada Mais”.

Ora, o que estou dizendo é que a questão é mais profunda do que “Cristianismo e”. De fato, o problema é o “Cristianismo”.

O que os cristãos precisam saber é que Jesus não era cristão, e que nem tampouco quis Ele fundar o Cristianismo, nem ainda teve Ele interesse em algo que se assemelhasse à civilização cristã ou mesmo com a “Igreja”, conforme nós a conhecemos de 332 de nossa era até hoje.

Na realidade, quem entendeu o Evangelho e seu significado, sabe que o Cristianismo já é uma grande vitória do “Coisa-ruim”, posto que ele (o Cristianismo) já é uma perversão, transformando o Evangelho puro e simples numa religião, com Dogmas, doutrinas, usos, costumes, tradições com poder de imutabilidade, moral própria, e muita barganha com os homens, em franca e pagã manipulação do nome de Deus, praticando, assim, uma obra de estelionato contra o Evangelho de Cristo.

Jesus criou o caminho da fé na graça e no amor de Deus, o que deveria ser algo livre como o vento, e vivo e móvel como a água.

Quem pode ouvir o ensino de Jesus, com toda sua desinstalação, com toda a sua mobilidade, com toda a sua liberdade de aplicação sem legalismo ou fixidez, com toda a confiança do Semeador no poder da semente-palavra, com toda ênfase na igualdade de todos, com toda a vindicação de individualidade para cada um, com toda denuncia aos poderes religiosos, e com toda a pertinência à vida—fosse para curar a mente, o corpo ou o espírito; fosse para anunciar a destruição do Templo como lugar de Deus; fosse para beatificar samaritanos e demonizar religiosos sem coração—; e, ainda assim, imaginar que Jesus tem qualquer coisa a ver com o que nós chamamos de “igreja”, seja aquela que se abriga no Vaticano, ou sejam aquelas que têm tantas sedes quantos pastores, bispos e apóstolos megalomaníacos existirem?

O mundo praticamente só conheceu o Cristianismo, posto que a própria Reforma ainda foi um desses “e” acerca do qual o “Coisa-ruim” falou com o “Pé-de-cabra”.

O mundo não teve ainda a chance de conhecer o Evangelho, conforme Jesus, e conforme as dinâmicas livres e libertadoras do caminho, conforme as narrativas dos evangelhos, nas quais o único convite que existe é para se “seguir” a Jesus.

Uma Reforma é ainda “remendo de pano novo em veste velha”.

Buscar reformar o Cristianismo é uma nobre idealização do “Coira-ruim”, pois, assim sendo, nada muda, mas apenas se adia o comprometimento radical que o Evangelho demanda.

O Cristianismo é uma tentativa vitoriosa do “Coisa-ruim” quanto a tentar diminuir a loucura da pregação e o escândalo da Cruz.

O Cristianismo é a cooptação feita culturalmente pelos gregos e politicamente pelos romanos, daquilo que um dia havia sido apenas o Caminho, conforme o livro de Atos dos Apóstolos.

No Cristianismo Deus tem Seus representantes fixos e certos na terra—o clero, seja ele Católico ou Protestante—, tem Suas doutrinas e Dogmas escritos por concílios de homens patrocinados por reis, e tem na sabedoria deste mundo seu instrumento de elaboração de Deus: a teologia.

No Cristianismo Deus é objeto de estudo e de sistematização teológica; e, de fato está a serviço de ideologias variadas.
Desse modo, no Cristianismo, “Deus” não passa de uma Potestade religiosa e de um poder mantido pelos homens, posto que se crê que sem o Cristianismo e a Igreja, Deus está perdido no mundo.

Ora, que reforma há a ser feita naquilo que não deveria jamais ter existido?

De fato, a coragem que se demanda desta geração é bem maior do que aquela que fez com que camponeses oprimidos pelo papado de Roma tiveram que ter a fim de iniciar a Reforma. Digo isto porque ‘ali’ a mudança não era radical.

A Reforma arrancou os ídolos do lugar do culto, e os retirou da devoção dos fiéis; aboliu o papado, acabou com boa parte do clero conforme a formatação católica, e afirmou que a Graça, Cristo, a Escritura e a Fé eram os ‘pilares’ sobre os quais a “igreja” deveria ter seus fundamentos.

No entanto, a Reforma não se viu livre das técnicas gregas de ‘fazer teologia’ e suas sistematizações, e nem abriu mão do logicismo grego, antes utilizando-se dele a fim de criar seus próprios credos, dogmas, doutrinas e leis morais.

A Reforma é um Catolicismo que fez Dieta. Só isso.

Todavia, a coragem revolucionária que o Evangelho demanda de cada geração a fim de viver o continuo processo de conversão e de não conformação com este mundo, é aquela que se lança ao vento, e caminha pela fé, e que se dispõe a se deixar reinventar conforme o espírito do Evangelho, posto que o Evangelho não propõe uma religião, mas o Caminho.

Ora, isso significa que cada nova geração tem que ter a coragem de vestir o Pano Novo do Evangelho no seu tempo e beber o Vinho Novo do Reino em odres novos conforme a atualização que o espírito do Evangelho faz de si mesmo em cada nova era na existência dos humanos.

O Cristianismo não acabará. Ninguém tem o poder humano para acabar uma confraria moral e religiosa movida por tantos e tão variados interesses humanos e mundanos como o é o que acontece com a religião cristã.

Eu, de mim mesmo, e apenas tomando a liberdade de pensar e crer que o Evangelho me concede, acredito que se há de haver um “anti-cristo” humano na terra, sem dúvida, ela será “cristão”. Afinal, eles “procedem do meio de nós”; e, historicamente, nada significou um estelionato mais sutil e maligno do que a perversão do Evangelho no Cristianismo.

O Brasil está cheio de Cristianismo, e, paradoxalmente, morto do Evangelho.

“Coisa-ruim” e “Pé-de-cabra” estão de férias, aproveitando que o trabalho deles já tem muitos e muitos voluntários em pleno engajamento, e trabalhando com toda avidez, dizendo que o que realizam é em nome de Deus, sem saberem que fazem a vontade do “Coisa-ruim”.

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O sr. poderia propor uma “agenda mínima” de uma, digamos, Nova Reforma?

Resposta:

Conforme eu disse, não creio em Reformas. Creio, sim, numa Revolução do Evangelho, a qual, só incluirá os cristãos se eles tiverem a coragem de desistir do Cristianismo e abraçar o supremo, porém, seguro risco de apenas andar conforme a revelação da Graça de Deus em Cristo, conforme a Palavra do Evangelho.

A Revolução do Evangelho não se atém a nenhuma preocupação com construção de nada. De fato, o grande problema sempre teve a ver com a necessidade de segurança que as pessoas dizem precisar—o que a religião ficticiamente oferece—; e que é o que as impede de apenas andarem pela fé no que Jesus já fez e consumou por todos os homens.

Assim, o que se demanda é coragem para desconstrução, visto que a promessa é que o próprio Espírito sempre haverá de nos conduzir a toda a verdade. Isso quando se anda apenas pela fé.

A Reforma elegeu elegeu 95 teses e 4 pilares fundamentais; a saber: Cristo, a Escritura, a Graça e a Fé. No entanto, isso ainda é vício grego e prevalência das sistematizações doutrinárias contra o espírito do Evangelho.

Estou convencido de que a única mensagem que existe em Jesus é acerca da Graça eterna de Deus. Minha convicção pessoal também é que onde quer que o Evangelho se transforme numa fé doutrinária, ali ele morre…

Se queremos algo de verdade e sério, temos que saber que isso demandará de nós uma volta humilde e sem tradições para a Palavra, isso a fim de sermos completamente lavados das tinturas com as quais o Cristianismo pintou a fé para nós.

Quando se diz que Cristo, a Escritura, a Graça e a Fé são o nosso fundamento, isso soa belo, mas ainda é perversão. Na realidade o fundamento é Cristo, e os Apóstolos e Profetas são fundamento apenas na medida em que dão testemunho do espírito de Jesus e da Graça.

Criar uma doutrina da salvação e que tenha a ver com aquilo que o homem possa fazer em obediência a uma doutrina escrita e sistematizada por homens, é blasfêmia.

Cristo é tudo!

É a partir de Jesus que a Escritura toda tem que ser lida. E tudo aquilo que nela (na Escritura) não der testemunho do Evangelho—segundo os evangelhos, Paulo e o escritor de Hebreus—, é algo a ser considerado como tendo se tornado obsoleto.

Assim, não basta que se tenha Escritura nas mãos e sendo objeto de estudo. Isso porque a Escritura, quando lida pelas mediações doutrinarias de nossos doutores e mestres, não promove o Evangelho, mas tão somente a Lei Moral e os Dogmas inventados pelo Cristianismo.

Quando, porém, a Escritura é lida a partir dos ensinos, dos feitos e dos modos de Jesus, então ela pode ser útil. Quando, porém, ela é algo que ‘contém também Jesus’, estabelece-se a tragédia. Digo isto porque desde a Encarnação a Escritura perdeu seu poder de dizer “como”, posto que é em Jesus que a Escritura se explica em sua síntese e suma. Jesus é a Chave Hermenêutica de tudo, incluindo a Escritura.

As implicações do que estou dizendo, todavia, promovem desconstruções profunda demais; e, eu, pessoalmente, não acredito que esses que se acostumaram ao vinho velho, jamais dirão que o novo é melhor.

Sei que o que digo é verdade segundo o Evangelho, mas também sei que tal fé é incompreensível pelas mentes viciadas no Cristianismo; e sei que é desinstaladora demais para aqueles que vivem do negócio clerical cristão.

Quanto a uma possível agenda para uma “Nova Reforma”, sinceramente, se eu sucumbisse à tentação de oferece-la, já estaria sucumbindo à tentativa grega de sistematizar o não-sistematizável.

O que creio é que há um Basta de Deus em processo de eco no ar…

O reino é Dele. A Igreja é Dele. O Povo é Dele. E Ele mesmo haverá de nos surpreender.

Quem, porém, desejar o Novo, então, se desejar ajudar, que não faça mais nenhuma barganha com a religião cristã, e, em contrapartida, que se entregue de coração ao Evangelho de Jesus, e que viva conforme a simplicidade da fé que confia que ‘tudo está feito’, e que não sobrou tarefa complementar e vicária a ser realizada por mais ninguém, nem pela igreja.

Desse modo, sei que sou uma voz solitária no deserto. Aliás, no que diz respeito a dizer o que digo, outros também o dizem, a diferença é que dizem e não fazem.

Na hora em que milhares e milhões que assim crerem passarem a viver livres conforme o Evangelho, então, sem pai, sem mãe e sem fundador, a revolução se estabelecerá, sem sede, sem geografia, sem dono, sem tutor, e sem reguladores da fé.

Isso, todavia, só será real e genuíno se Jesus for tudo, e o espírito do Evangelho da Graça for a única lei da vida.

Bem, vou ficando por aqui. Quem quiser saber se o que digo é verdade, então pratique, e logo verá que o que digo não é uma teoria da revolução, mas sim o próprio espírito do Evangelho. Além disso, creio que meu site é um bom guia do que creio e ensino a esse respeito.

A subversão do cristianismo – Caio Fábio


Desconstrução

dezembro 6, 2009

por Thiago Mendanha

Não quero reformar nada! Não quero reformar ninguém! Apenas quero desconstruir minha religião e dar-me a oportunidade de começar novamente. Do zero! Quero aprender a orar porque suspeito que nunca aprendi em todos esses anos de eloquentes orações entonadas no conjunto de súplicas adornadas de lindos verbos.

Tenho a ligeira impressão de que todas as vezes em que falei em línguas na roda de oração para fazer notório o meu nível espiritual, não me valeram de edificação alguma. E que minhas devocionais carregadas de desânimo e obrigação para com a minha “consagração” no ministério de louvor não resultaram em nenhuma intimidade com Deus!

Quero desfazer de tudo que sei, ou que penso saber, e de tudo que não sei, e penso não saber, para aprender paulatinamente através de uma busca sincera, paciente, desobrigada, verdadeiramente motivada e autêntica, tudo quanto preciso, quanto quero e quanto me é essencial na jornada da fé. Quero despojar-me dos manuais religiosos, das doutrinas inquestionáveis, das tradições incoerentes e da estupidez e falácia da religião.

Quero duvidar de tudo e de todos, porque minha alma contorce pela verdade e tem sede de justiça. Quero abrir os meus olhos e enfrentar o ardor da luz cortante da revelação. Quero ficar cego por um tempo em virtude do impacto que a luz da verdade traz. Ficar cego para o enlatado evangélico, cego para o cauterizado cristianismo institucional. Quero ficar cego para as fórmulas instantâneas da fé, da sua comercialização e do abuso espiritual. Quero recobrar a visão aos poucos. Enxergar com sanidade a vida, as pessoas, a família, os amigos, o futuro, o presente e o passado. Quero aprender a enxergar tudo que enxergava errado. Usar minha visão pela primeira vez!

Quero me desviar dos caminhos da “i”greja que não segue o Caminho de Cristo. E andar na contra-mão desse sistema religioso elaborado sobre outro fundamento que não Jesus, a Rocha Viva. Quero tirar a capa que me identifica como “cristão” com o emblema da cruz para vestir-me de amor pelo próximo e por esse amor ser conhecido como discípulo de Cristo. E carregar não o emblema da cruz, antes, tomá-la dia após dia em meus ombros e renunciar à volúpia e morrer para o pecado.

Quero fugir dos grandes eventos de milagres e shows da fé, patrocinados por sórdida ganância e puro estrelismo. E me juntar aos homens de Deus presenteados com o dom da cura que trocam o palco pelo corredor dos hospitais. Que ao invés de pedirem que vão a eles, se disponhem a IR aos que necessitam.

Cansei de viver sob maldição financeira! E, agora, não gasto meu dinheiro patrocinando esse sistema putréfulo de escravizar a fé dos pequeninos. Não quero participar de tal infâmia! Que o pouco que tenho sirva não ao luxo dos templos e de seus donos, mas, aos que realmente necessitam da minha fidelidade financeira resultante da confiança no Jeová Jiré. E não da ameaça pastoral de maldição da pobreza versus prosperidade.

Quero ser livre para pecar! E da mesma maneira não pecar por entender que não me convém. Mas, se o desejo do pecado ronda a minha mente e não peco por causa da pressão de ter que me consagrar no ministério da “i”greja, que pobre que sou. Porque ainda não seria livre do pecado, mesmo não o praticando… Quero aprender a conduzir meu estilo de vida como resposta de gratidão à aceitação e perdão de Cristo, não como regras e proibições eclesiásticas que não tem efeito nenhum contra o pecado.

Estou desconstruindo a minha fé míope e doente para cultivá-la de forma autêntica, sincera, humana e verdadeira. Estou disposto a arriscar minhas crenças pelo conhecimento da verdade eterna, de modo, que mesmo vendo-a como em espelho, possa um dia conhecê-la completa assim como sou conhecido. Se para encontrar o Deus que está estampado no caráter de Cristo, me tornar necessário descrer do Deus pregado, e tornar-me ateu, que assim seja. E que possa, conhecê-Lo de forma pura, única, pessoal e intransferível.

Quero derrubar meus pilares espirituais porque não sei de onde vieram. Estavam lá no discurso e na retórica que pseudonimamente aceitei como sendo Jesus Cristo. Agora, nego a cartilha que reza, nego a teologia pronta que engoli e dou-me a oportunidade de aceitar, de fato, Cristo meu Senhor e Salvador, pura e simplesmente.

Se fosse possível voltar ao ventre de minha mãe e carregar em meus genes a luz que agora vejo, para que ao nascer, soubesse desviar dos caminhos que para o homem parecem bons, poderia começar de novo sem incongruências e inverdades ludibriosas.

Talvez, só agora tenha entendido o que significa “nascer de novo”…

Desconstrução – Thiago Mendanha