Todos somos hereges!

setembro 18, 2012

por José Barbosa Júnior

[…]O problema, quando se trata da questão do argumento “bíblico”, é que ele, simplesmente, não existe. Ou, se existe, existe imperfeito, refém de nossas interpretações e de nossas pré-leituras da própria Bíblia. Sim, por mais que nunca a tenhamos lido, quando a lemos pela “primeira vez”, antes disso já nos foi incutida uma ideia preconcebida, que acaba por delimitar nossa interpretação. Um exemplo: o “pecado original”. O texto nunca usa esse termo, e muito menos fala de “pecado” na narrativa de Gênesis, mas nós já vamos para o texto com a ideia pré-moldada: uma árvore frondosa, uma serpente enroscada nos galhos trazendo à boca uma enorme maça, linda, vermelha, e uma mulher, quase sempre loira (apesar da narrativa acontecer nas bandas do Oriente Médio), com cabelos longos e esvoaçantes que logo depois entrega a fruta, já com uma mordida, ao seu marido, de músculos bem definidos e cabelos curtos. Ele também come e, por causa disso, entra no mundo o “pecado original”. Onde estão estas coisas no texto? No texto, não estão, mas já estavam na cabeça de quem foi “ler” o texto.

Infelizmente, para decepção de muitos, lamento dizer que não existe essa coisa do “a Bíblia diz…” Deveríamos ser mais honestos e afirmar: “O que interpreto da Bíblia, neste aspecto, pode ser…”

Os que defendem a “literalidade” da interpretação bíblica são de duas espécies: os ingênuos e os mal-intencionados.

Os ingênuos são aqueles que sempre foram ensinados assim. “Irmão, a Bíblia diz que é pecado…”, “O pastor disse que a Bíblia, no original, quer dizer isso…”. Para estes, o que está “escrito”, escrito está… e deve ser seguido ao pé da letra, mesmo que isso não faça o menor sentido. Mas aqui já enfrentamos um pequeno problema: não se segue TUDO o que está escrito. O que deve ser seguido ao pé da letra é apenas aquilo que me interessa.

Acabamos por cair no segundo grupo: os mal-intencionados: gente que sabe que “não é bem assim”, mas tem que dizer que “é assim”, porque é isso que lhes confere autoridade, poder e, muitas vezes, o emprego.

Ora, qualquer estudioso minimamente honesto, sabe que não há isso que chamamos de “interpretação literal”, porque isso é simplesmente impossível.
O que há na verdade são ESCOLHAS daquilo que deva ser “ensinado” literalmente. Leia-se aqui: eu escolho aquilo que me dá poder! Aquilo que me faz estar certo e os outros errados. Neste ponto, somos todos hereges, já que a palavra “heresia” vem do grego hairesis, que significa “escolher”…e  tem exatamente essa intenção: herege é aquele que escolhe (para seu proveito) o que lhe interessa de um texto.

Essa leitura literal da Bíblia é uma falácia. Ela não existe. E quando existe, como já falei, existe milimetricamente escolhida para favorecer o “meu” ponto de vista.

Os que defendem a leitura literal da Bíblia criam armadilhas das quais eles mesmos não conseguem escapar. Não conseguem, mas tentam… e sobra pra “soberania” (no caso dos históricos) ou pro “mistério” (no caso dos pentecostais, neo, etc…). É mais ou menos o “bota na conta do Papa”, frase pitoresca do filme “Tropa de Elite”.

Porque se formos totalmente literais, estamos em maus lençóis, nós e o Deus a quem dizemos servir… um Deus que mandou matar muita gente, que manda os homens todos de uma nação despedirem suas mulheres e filhos, e os lançarem  ao deserto; um Deus que manda matar a família toda de um cara porque ele escondeu “despojos de guerra”; um Jesus que fica bravo porque a figueira não tem fruto (fora da estação de frutos) e manda-a secar; enfim, um Jesus que diz que, caso teu olho ou mão te façam escandalizar, é melhor arrancá-los (Ah! Não…. esse é um dos versículos que nem os literalistas gostam que seja literal)…

Então você sugere que a Bíblia contenha erros históricos e de interpretação? Exatamente! O conceito de inerrância é o que sustenta o edifício da literalidade… aliás são retroalimentadores.

A Bíblia não arroga ser um livro histórico, nem mesmo um livro doutrinário… ela é um livro da fé. E da fé de um povo! E acompanha o desenvolver da fé desse povo… de seu “descobrir” Deus, ou daquilo que pensa ser Deus… e cuja revelação se dá, para um outro povo (já que o povo “original” não reconhece essa revelação) em plenitude, numa pessoa: Jesus, o Deus encarnado.

Ora, se Jesus é a encarnação do Deus que desde o princípio se revela… ou Deus mudou muito ou há algo de errado naquilo que se entende de Deus até então. E dizer que Deus mudou causa furor nos “literalistas”, ainda que, literalmente o texto diga que Deus “se arrependeu”. Neste caso ocorre uma coisa engraçada, que só reforça a heresia de cada um. Os fundamentalistas, impedidos que são de acreditar num Deus que mude de ideia, tem que dar um jeito nos textos que afirmam isso (as ginásticas para fazer um texto encaixar numa teologia sistemática são muito engraçadas). Tiram da cartola, então, o conceito de antropopatia, que seria atribuir a Deus sentimentos humanos quando não conseguimos explicar o que realmente acontece com a divindade. Qual o problema? É que a antropopatia só vale nos textos em que Deus se arrepende. Nos outros textos, todos os sentimentos são “literais”. Interessante, não?

Não existe leitura “pura” da Bíblia. Toda leitura bíblica já é, em si, uma interpretação. E se é uma interpretação, não pode mais ser “literal”. O sentido já foi deturpado há muito. Como saber, então, o sentido verdadeiro do texto? Fácil, pergunte ao seu autor (se bem que o texto geralmente é polissêmico e não pertence mais ao seu autor depois de escrito). Mas, como perguntar ao autor, se este já não existe mais há milênios? Quem poderá resolver o problema? É aí que os literalistas são mais esquizofrênicos. Criam a “iluminação” do Espírito para que haja a VERDADEIRA interpretação do texto. Claro, porque para defender isso também têm que colocar o Espírito Santo como verdadeiro autor das Escrituras. Logo, se Ele é o autor, Ele nos responderá.

Muito boa resposta!

Mas… qual “Espírito Santo” estará com a razão?

O da Igreja Católica, que também inspira o magistério na “interpretação”?

O dos protestantes históricos, para os quais o Espírito não dá mais línguas, mas que é uma babel de interpretações?

O dos pentecostais, cuja pluralidade de línguas nos faz imaginar que cada língua é uma estranha interpretação?

O dos neopentecostais, que produz pastores em série, com a mesma voz e o mesmo discurso, mas com interpretações cada vez mais loucas?

O de outras confissões religiosas (ou você acha que o vento só sopra debaixo do nosso nariz)?

Resolvi caminhar com a interpretação plena em Jesus… e o que se parece com Ele, eu procuro seguir… o que não se parece, descarto, como sendo algo fruto de uma época e de um contexto, mas não tendo mais o que dizer hoje.[…]

Todos somos hereges! – José Barbosa Júnior – Crer e pensar

Sou herege, e você? Seja um pouco mais herege, e leia o texto todo, está no link acima.

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Dúvidas

setembro 15, 2012

“Queria lhe dizer que eu fui criado e lecionado desde o berço sobre o evangelho, meu pai é teólogo e diácono, eu já fui uma pessoa muito religiosa, estudei muita a Bíblia, eu conheço a palavra, eu quero acreditar que isso é verdade, mas depois de certo tempo eu parei para pensar um pouco: o que eu estou fazendo? Tem algum sentido nisto?
  A verdade é que o tal Espírito Santo nunca me revelou nada em minha vida, eu pedi, busquei, acreditei, mas nada, e tudo o que vejo nas igrejas são desqualificados elegendo outros desqualificados, as pessoas que estão na igreja pregam sobre um Jesus, de um Salvador que nem elas mesmo sabem da onde veio e não sabem explicar em que acreditam, mas querem te transmitir confiadamente que isso é verdade, e nem elas mesmo sabem em quem estão crendo.
Se está palavra é verdadeira… eu já pedi a Deus que me mostre a realidade, a verdade, e que a verdade seja bem nítida e confiável, aí sim eu irei a frente com isso. Por mais que eu procurei eu nunca tive uma experiência com o tal Jesus, e com o citado Espirito Santo. Eu respeito a vossa crença. O que eu desejo é a verdade, simples palavras não são suficientes, expor uma divindade não é suficiente, se alguém aqui realmente teve uma experiência pessoal com Jesus e crer que isso é real com toda a certeza, parabéns, pois eu nunca tive, o dia em que eu tiver eu vou testemunhar sobre ela, mas em toda a minha vida que eu busquei e não tive o que eu vou testemunhar? Eu acredito na verdade, isso é tudo o q importa, a verdade. É hipocrisia querer acreditar na verdade, encontrar a verdade? Pedir a Deus q me revele a sua verdade? Ao invés de simplesmente aceitar meia tonelada de história contada que não se pode provar. Se eu fosse hipócrita eu estaria aqui falando de Jesus e do Espírito Santo, estaria falando de coisas que eu nunca vivi praticamente embora busquei…
“que você se foda muito na vida, para que possa pedir de coração.” Então para crer é uma questão de apuros, de necessidade? Uma grande verdade é que muitos crêem simplesmente pelo fato de que é mais confortável acreditar que ressuscitaremos, que existe um lugar melhor após a morte, que os bons serão recompensados e os maus castigados, é tão bom poder acreditar nisso, é muito confortável saber disso, nos faz sentir consolados, aliviados, então muitos optam e acreditar ao ter o trabalho de conflitar e buscar a verdade…”

 

Você tem razão em muitas coisas que coloca. Sim, é verdade que muitas pessoas acreditam apenas porque foram ensinadas assim, e nunca pensaram a respeito. É verdade que muita gente só acredita e segue uma religião, porque ela faz com q se sintam melhores, mais confortáveis, superiores aos que não acreditam, escolhidos e etc.

Mas talvez o seu erro esteja exatamente no lance de achar que merece uma “revelação” de Deus por jejuar, por fazer uma porção de coisas, de obras e tals. Como os fariseus, que achavam que por seguir todas as obras da lei, tinham direito à consideração por parte de Deus.

Não, não é hipocrisia você desejar saber a verdade. Acho muito louvável a sua atitude, penso que todos deviam atingir esse nível de reflexão sobre as coisas nas quais acreditam. É muito normal, durante essa reflexão, passar por momentos de crise na fé. E em seguida, passar para um estágio de fé mais coerente, mais profunda, madura, menos infantil. Onde você crê porque você mesmo escolheu isso. A fé é assim, dinâmica, e quanto mais você questiona, mais vai depurando as coisas, e tendo fé apenas no que importa de verdade.

Mas quando se trata de Deus, você tem que saber equilibrar a razão com outras formas de percepção. Usar só a razão nos torna frios e sistematizadores de Deus, usar só a emoção nos torna infantis.

Você quer o quê? Que Deus se materialize na sua frente e diga: “Estou aqui, acredita em mim agora?” Só que se Deus fizesse isso, nós não teríamos liberdade de escolher. E mesmo assim, haveria pessoas para as quais essa “aparição” não seria suficiente. Haveria pessoas que encontrariam outras “explicações” para a “aparição divina”, e continuariam do mesmo jeito. Você conseguiria amar um Deus autoritário como esse, que apareceu na sua frente e não te deixa livre para duvidar? Talvez se você tentasse procurar por um Deus que se move nesse mundo por meio de pessoas, e se revela também por meio da criação, você consiga relaxar e deixar essa revelação dEle chegar até você. Ele diz: busque e achareis, bata e a porta será aberta. Porém, você tem que ter olhos para enxergar a resposta, que muitas vezes pode vir de formas inesperadas, fora do padrão “religioso” que você espera, que você aprendeu na sua igreja.

Duvidar não é pecado, e muitas vezes é bastante saudável. A fé não é acreditar em tudo, sem questionar. Você consegue fazer isso? Eu não. Acreditar em tudo é ser crédulo, e não ter fé. Melhor uma dúvida sincera do que bater no peito pra dizer que acredita, sem acreditar de verdade.

Acreditar em tudo que está escrito na bíblia, não é ter fé. Eu pelo menos não chamo isso de fé, porque a grande maioria dos que dizem que acreditam em tudo que está na bíblia, nunca pararam pra pensar na maior parte das coisas que estão ali. Simplesmente agem como crianças, que acreditam no que os pais falaram. E muitas vezes têm medo de duvidar, acham que Deus vai se irar se eles tiverem dúvidas, mesmo que as dúvidas sejam legítimas e sinceras.

A fé implica, na minha opinião em você ter escolhido acreditar, ter pensado sobre as razões pelas quais você acredita no que acredita. Deus não se importa com nossas dúvidas. Ele prefere nossa fé cheia de dúvidas à crença cega e a crença baseada no medo. Onde existe medo, não existe amor, onde não existe dúvida, não nasce a fé.

Fé é muito parecida com confiança.

Você confiaria numa pessoa que você não conhece, ou só conhece por ouvir falar? Tem pessoas que confiariam, eu não. Posso começar dando um certo grau de crédito a ela, pela confiança que tenho em outras pessoas que eu já conheço, que me disseram que ela é confiável. Mas só vou passar a confiar nela, por minha própria escolha, depois de saber exatamente quem ela é, depois de andar com ela, de me relacionar com ela e chegar à conclusão de que ela merece mesmo confiança. Isso é natural.

Se Deus é uma pessoa, o processo de desenvolver confiança é o mesmo que você teria com qualquer pessoa. Só que a pessoa dEle, uma vez que você tenha aprendido a confiar, dificilmente deixa de confiar, a menos que tenha confiado da forma errada (achando que Deus tem que atender todos os seus pedidos, fazer todas as suas vontades, e te deixar sempre bem, sem sofrimento, sem dor, sem doenças, protegido, abençoado, mimado, com um bom emprego, feliz, rico etc). Ele é Deus, não é seu mordomo, seu serviçal, seu empregado.

Isso que eu chamaria de fé, você saber em quem está confiando, e continuar confiando apesar de tudo. Continuar confiando apesar de muitas vezes não entender o que Ele está fazendo. Porque você escolheu confiar. Você escolheu ter uma única certeza: a de que Ele merece a sua confiança.

Só que chegar nesse ponto, não é fácil, é um processo de aprendizagem, e um processo que vai continuar a sua vida toda. Quando você era criança, também teve que aprender a confiar nos seus pais. Você também duvidou quando seu pai disse que não ia deixar você cair, quando te pegou pela mão pra você aprender a andar. E o seu pai não ficou triste com isso, ficou? Ele sabia que você estava aprendendo a confiar nele e em você mesmo, nas suas pernas ainda frágeis de criança. Não é fácil e tem altos e baixos. Vejo por aí muitas igrejas que incentivam as pessoas a não crescer, e tratar Deus como se fossem crianças mimadas (e insuportáveis) que fazem seus pais de empregados, quase seus escravos. Ou que ensinam supostos “truques” que fazem Deus funcionar a nosso favor (algumas distribuem e até vendem objetos alegando esse tipo de coisa – leve isso para a sua casa, e as bençãos de Deus estarão sobre a sua vida!) Deus não é nosso empregado, Ele não tem obrigação nenhuma  de fazer nossas vontades. Muita gente perde a fé quando surge algum problema sério, por causa disso.  Nesse caso elas não tinham fé nEle, e sim, acreditavam num ídolo, tratavam Deus como alguém que guarda um trevo de quatro folhas, achando que daria sorte.  Se não funciona, jogam Deus fora e tentam outras coisas. Esteja preparado para se desiludir, se é esse tipo de coisa que espera de Deus.

(Essa conversa, que teve origem em alguma comunidade do Orkut – e eu nem tenho mais perfil no Orkut faz algum tempo – estava nos rascunhos do blog, é de dois anos atrás. Tirei da gaveta, assoprei a poeira e resolvi publicar.)


Não voto em pastores/bispos/apóstolos/afins

setembro 13, 2012

por José Barbosa Júnior

[…]Não voto em “pastores” porque são COVARDES! Alguém que abraça o ministério e quer buscar algo fora dele é covarde! Não há outra palavra! É alguém que não confia no Deus que o chamou (se é que foi chamado) para suprir-lhe as necessidades e para executar através da pregação a mais maravilhosa mudança que qualquer país pode ver, a mudança de um ser desgraçadamente perdido em alguém surpreendentemente salvo pela graça. Mas isso já foi esquecido há muito tempo… queremos templos cheios e bolsos também… se estar lá (no poder) vai me dar “melhores” chances de “pregar o evangelho” é isso que eu quero, concessões de rádio… de TVs, etc… nem que para isso eu tenha que votar em projetos que achatem o povo em vis salários, que oprimam o direito do trabalhador, e tudo mais. Tenham coragem… abandonem seus ministérios e se corrompam de vez, pastores que só apascentam a si mesmos! Encham o bolso de dinheiro e percam de vez a sua alma! Renunciem ao chamado e assumam que o poder humano é mais atraente que a pregação do verdadeiro evangelho e o apascentar de suas ovelhas. Ovelhas essas já abandonadas por causa de sua ganância pelo poder terreal.

Não voto em “pastores” porque USAM DE UM DOM DIVINO PARA ALCANÇAREM FAVOR HUMANO!! Como assim ?? Pensem comigo… pastor não é título, é dom… e dom é dado por Deus para a edificação da IGREJA, não do CONGRESSO ou do SENADO ou das ASSEMBLÉIAS LEGISLATIVAS, portanto ao utilizarem o “título” de pastor para alavancarem suas campanhas, agem em desacordo com a Palavra de Deus, que diz que o dom é para a edificação da IGREJA. Imaginem uma campanha assim: FULANO de TAL, esse fala em línguas!!! ou BELTRANO, o PROFETA!! ou ainda SICRANO DA SILVA, o que discerne espíritos!!! Ora, seria uma aberração!! Pois não é diferente no caso dos pastores… só que por nossa falta de conhecimento da Palavra acabamos deixando pastor virar título sem nenhum compromisso com o dom. Pastor tem que ser pastor na igreja, para a igreja, e pela igreja, para a edificação do corpo, para qual os dons são distribuídos.

Finalmente, não voto em pastores porque OS AMO e gostaria de vê-los cumprindo aquilo para o qual foram chamados. Há um poema evangélico sobre pastores que diz: “fostes chamado para uma tão nobre missão, que nem aos anjos foi dada executá-la”. Pastores, acordem!! (nossa… tô parecendo o tal do Ó Clemente!, hehehe) Vocês tem uma obra muito maior que a política, não desçam de onde estão… não queiram ser rebaixados a deputados, senadores, etc… Cumpram com zelo e amor o ministério para o qual o próprio Deus os chamou. Se não são chamados por Deus, arrependam-se, assumam seus erros, abandonem o ministério e aí sim, abracem a carreira que quiserem, mas não queiram fazer do dom de Deus trampolim para suas aventuras carnais, humanas…. vocês até podem pensar que isso é o que Deus colocou em seus corações, mas… “ENGANOSO É O CORAÇÃO…” Igreja, nós… os que vamos votar… tenhamos misericórdia dos “pastores” candidatos, e não votemos neles, oremos para que despertem para o seu ministério novamente, e oremos também para que Deus levante homens e mulheres, comprometidos com o Reino e com o povo para fazerem diferença no nosso cenário político.[…]

Por que não voto em pastores – José Barbosa Júnior

Eu também não voto em pastores/bispos/apóstolos/afins, porque a maior parte deles, apenas está pensando em usar a igreja, e muitos tentam manipular as ovelhas das quais deviam cuidar, para conseguir se eleger. E também não voto em candidato que pensa que a igreja é seu curral eleitoral, e busca apoio de religiosos apenas para garantir uma fatia do eleitorado.

Lugar de pastor é cuidando das ovelhas, e não na política. E político que começa a carreira usando a igreja como curral eleitoral, já começou errado. Imagina o que fará daí para a frente?

E além do mais, o Estado é laico e é bom que seja assim, e que cada vez mais os cristãos sejam obrigados a influenciar a sociedade, da forma que Jesus ensinou, sendo cristãos de verdade, imitadores de Jesus, e não com politicagem e disputas pra lá de duvidosas pelo poder político.

Pense nisso!


setembro 13, 2012

Estou de férias, mexendo com sementes, lembrei dessa postagem. E nada mudou depois disso, então ela continua atual.

Nada de novo sob o sol

“Tendo Jesus saído de casa, naquele dia, estava assentado junto ao mar; E ajuntou-se muita gente ao pé dele, de sorte que, entrando num barco, se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia. E falou-lhe de muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear. E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves, e comeram-na; E outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda; Mas, vindo o sol, queimou-se, e secou-se, porque não tinha raiz. E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e sufocaram-na. E outra caiu em boa terra, e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. (Mateus 13: 1-9)”

O semeador, certamente não desejava que as sementes que pretendia semear, caíssem…

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Sofrimento

setembro 8, 2012

por Ed René Kivitz

O sofrimento pode ser o caminho através do qual chegamos às nossas verdades. A estrada pela qual chegamos à maturidade atravessa, necessariamente, a escuridão e a solidão. A escuridão, porque sofrer implica perder as referências, desdenhar das explicações, questionar os clichês e aventurar perguntas. A escuridão é o momento quando não caminhamos porque vemos, mas porque intuímos, recordamos e temos fé. Intuímos o rumo certo pelo tanto que já caminhamos, recordamos as experiências aprendidas em momentos semelhantes no passado e andamos por fé, que supera as trevas, prescinde de explicações e transcende as certezas.

A solidão é imprescindível na trilha do sofrimento. A dor pode ser compartilhada, mas jamais transferida. Pode ser percebida, mas não capturada. Pode até ser escondida, mas nunca suprimida. Quem sofre, sofre sempre em solidão. Não necessariamente porque lhe falta boa e providencial companhia, mas porque todo sofrimento pessoal, em sua dimensão mais profunda e essencial, é intransferível. O sofrimento tem sua realidade particular, e não pode ser diferente: cada um sofre por uma razão, é vitimado em áreas distintas, por motivos diversos e com respostas as mais variadas, num dégradé de resiliência que vai da meninice do chororô ao heroísmo quase estóico, incluído entre os tons das cores a grandeza da fé, resignada e esperançosa, e por isso engajada e mobilizadora.

O sofrimento desperta para o ético e o estético. Convoca virtudes adormecidas a que subam ao palco: coragem, perseverança, paciência, honradez, respeito à vida. Possibilita o lapidar do caráter, apara arestas, harmoniza as formas, faz irromper a beleza escondida na frieza do coração. O sofrimento quebranta orgulhosos, vaidosos e prepotentes, faz desmoronar intransigentes, legalistas e moralistas. Como o martelo do escultor, retira os excessos da pedra e dá à luz o belo, o sublime, o deslumbrante.

Quem sofre descobre seus limites, identifica verdadeiras amizades, vislumbra novos horizontes, abre a mente para novas verdades e o coração para novos amores. O sofrimento produz compaixão, evoca misericórdia, gera solidariedade. O sofrimento cria caminhos para arrependimentos e confissões, subverte juízos e sentenças, possibilita aproximações e reconciliações.

O sofrimento coloca homens, mulheres, velhos e crianças, de joelhos. Faz com que os olhos procurem os céus. Dilata a alma para o mistério, conclama o espírito para o inefável, inspira poesias e canções, faz surgir nos lábios o perfeito louvor. Quem sofre aprende a perdoar e pedir perdão. Ganha a oportunidade de colocar o rosto no chão, em clamor e oração. O sofredor jamais chora em vão. Deus habita também a sombra e a escuridão.

O sofrimento é o ônus do viver, o custo do amor, a paga pelo crescimento, o preço da maturidade. Viver é muito perigoso, já dizia Guimarães. Amar é muito precioso. Crescer é muito doloroso. Amadurecer é muito custoso. Crer é coisa de teimoso. O sofrimento diminui o poder da morte, dissolve a crueldade da indiferença, envergonha a pequenez da alma, desmascara o mundo de mentirinha da ingênua infância, quebra a maldição da incredulidade. Aceitar a realidade e inevitabilidade do sofrimento é escolher a vida, decidir amar, optar pela plenitude, apostar na fé.

Sofrimento – Ed René Kivitz


Tente outra vez…

setembro 7, 2012

por Raul Seixas

Veja!
Não diga que a canção
Está perdida
Tenha fé em Deus
Tenha fé na vida
Tente outra vez!…

Beba! (Beba!)
Pois a água viva
Ainda tá na fonte
(Tente outra vez!)
Você tem dois pés
Para cruzar a ponte
Nada acabou!
Não! Não! Não!…

Oh! Oh! Oh! Oh!
Tente!
Levante sua mão sedenta
E recomece a andar
Não pense
Que a cabeça agüenta
Se você parar
Não! Não! Não!
Não! Não! Não!…

Há uma voz que canta
Uma voz que dança
Uma voz que gira
(Gira!)
Bailando no ar
Uh! Uh! Uh!…

Queira! (Queira!)
Basta ser sincero
E desejar profundo
Você será capaz
De sacudir o mundo
Vai!
Tente outra vez!
Humrum!…

Tente! (Tente!)
E não diga
Que a vitória está perdida
Se é de batalhas
Que se vive a vida
Han!
Tente outra vez!…

Tente outra vez – Raul Seixas

Toca Raul!