Carta aberta aos evangélicos e outros partidos interessados: o povo de Deus, a terra de Israel e a imparcialidade do Evangelho – R. Fowler White

dezembro 31, 2008

Recentemente, alguns líderes da comunidade protestante dos Estados Unidos têm encorajado o endosso de compromissos políticos unilaterais e de longo prazo para o povo e terra de Israel no conflito Israelense-Palestino, citando as Sagradas Escrituras como a base para aqueles compromissos. Para fortalecer este endosso, vários destes líderes também têm falado em nome de setenta milhões de pessoas que constituem a comunidade evangélica americana.

É bom e necessário que os líderes evangélicos expressem-se sobre os grandes assuntos morais de nossos dias, em obediência ao chamado de Cristo para os Seus discípulos serem o sal e luz neste mundo.[1] É bem diferente, porém, quando líderes reivindicam compromissos que são baseados em uma grave má interpretação das Sagradas Escrituras. Em tais circunstâncias, é bom e necessário que outros lideres evangélicos também se expressem. Estamos aqui na esperança de poder contribuir com a causa do Senhor Jesus, aparte de Quem não pode haver verdadeira e duradoura paz no mundo.[2]

No cerne dos compromissos políticos em questão estão duas propostas fatalmente deficientes. Primeira: alguns estão ensinando que o suposto favor de Deus para com Israel, hoje, se baseia mais na sua descendência étnica do que na graça de Cristo somente, como proclamada no Evangelho. Segunda: outros ensinam que as promessas da Bíblia concernentes à terra são cumpridas em uma especial região política, ou “Terra Santa”, perpetuamente separada por Deus para somente um grupo étnico. Como resultado destas falsas reivindicações, grandes segmentos da comunidade evangélica, nossos compatriotas e nosso governo estão sendo enganados com respeito aos ensinamentos da Bíblia relativos ao povo de Deus, a terra de Israel e a imparcialidade do Evangelho.

A seguir, gostaríamos de afirmar publicamente nossas convicções. Nós também reconhecemos a genuína fé evangélica de muitos que não concordam conosco. Sabendo que nós podemos cair no desfavor deles, todavia somos constrangidos pelas Escrituras e pela consciência em afirmar as seguintes proposições para a causa de Cristo e da verdade.

I. O Evangelho oferece vida no céu para os judeus e gentios igualmente como um dom gratuito em Jesus Cristo.[3] A vida eterna no céu não é adquirida ou merecida, nem é baseada em descendência étnica ou nascimento natural.[4]

II. Todos os seres humanos, judeus e gentios, são igualmente, pecadores,[5] e, como tais, estão sob o julgamento de morte de Deus.[6] Porque o padrão de Deus é a perfeita obediência e todos somos pecadores, é impossível alguém ganhar paz temporária ou vida eterna por seus próprios esforços. Além disto, aparte de Cristo, não há nenhum favor especial divino para qualquer membro de qualquer grupo étnico; nem, aparte de Cristo, há qualquer promessa divina de uma pátria terrestre ou uma herança celestial para qualquer um, seja judeu ou gentio.[7] Ensinar ou inferir de outra forma é nada menos do que desacreditar o próprio Evangelho.

III. Deus, o Criador da humanidade, é misericordioso e não tem prazer em castigar os pecadores.[8] Todavia, Deus é também santo e justo e deve punir o pecado.[9] Portanto, para satisfazer tanto a Sua justiça como Sua misericórdia, Deus designou um único caminho de salvação para todos, seja judeu ou gentio, em Jesus Cristo somente.[10]

IV. Jesus Cristo, que é totalmente Deus e totalmente homem [11], veio a este mundo para salvar pecadores.[12] Em sua morte na cruz, Jesus foi o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, igualmente de judeus e gentios. A morte de Jesus cumpriu para sempre e terminou eternamente os sacrifícios do templo judeu.[13] Todos que desejam adorar a Deus, sejam judeus ou gentios, devem agora vir a Ele em Espírito e em verdade através de Jesus Cristo somente. A adoração a Deus não é mais identificada com qualquer santuário terreno específico. Ele recebe adoração somente através de Jesus Cristo, o eterno e celestial Templo.[14]

V. A todos quanto receberem e descansarem sob Cristo somente, através da fé somente, a judeus e gentios igualmente, Deus dá a vida eterna em sua herança celestial.[15]

VI. As promessas da herança que Deus deu a Abraão foram feitas eficazes através de Cristo, a Verdadeira Semente de Abraão.[16] Estas promessas não foram e não podem ser feitas eficazes através de um ser humano pecador, guardando a lei de Deus.[17] Antes, a promessa de uma herança é feita àqueles que tem fé em Jesus, o Verdadeiro Herdeiro de Abraão. Todos benefícios espirituais são derivados de Jesus, e, aparte dEle, não há nenhuma participação nas promessas.[18] Visto que Jesus Cristo é o Mediador da Aliança Abraâmica, todos os que O abençoarem, e a Seu povo, serão abençoados de Deus, e todos que O amaldiçoarem, e a Seu povo, serão amaldiçoados de Deus.[19] Estas promessas não se aplicam à algum grupo étnico particular[20], mas à Igreja de Jesus Cristo, o verdadeiro Israel.[21] O povo de Deus, seja a igreja de Israel no deserto, no Antigo Testamento[22], ou o Israel de Deus entre os gentios de Gálatas, no Novo Testamento[23], são um corpo que através de Jesus receberão a promessa da cidade celestial, a eterna Sião[24]. Esta herança celestial tem sido a expectativa do povo de Deus em todas as épocas.[25]

VII. Jesus ensinou que Sua ressurreição foi o levantar do Verdadeiro Templo de Israel[26]. Ele substituiu o sacerdócio, sacrifícios e o santuário de Israel satisfazendo-lhes em Seu próprio glorioso ministério sacerdotal e oferecendo, de uma vez por todas, Seu sacrifício pelo mundo, isto é, tanto pelo judeu como pelo gentio[27]. Os crentes de todas as nações estão agora sendo construídos através dEle neste Terceiro Templo,[28] a igreja que Jesus prometeu construir.[29]

VIII. Simão Pedro falou da segunda vinda do Senhor Jesus em conexão com o julgamento final e com o castigo dos pecadores[30]. De forma instrutiva, este mesmo Simão Pedro, o Apóstolo da circuncisão,[31] não diz nada sobre a restauração do reino a Israel na terra da Palestina [32]. Ao contrário, como seus leitores contemplavam a promessa da segunda vinda de Jesus, ele fixou a esperança deles nos novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça[33].

XIX. O direito de qualquer grupo étnico ou religioso sob o território no Oriente Médio chamado de “Terra Santa” não pode ser apoiado pelas Escrituras. Na realidade, as promessas da terra específicas a Israel no Antigo Testamento foram cumpridas em Josué[34]. O Novo Testamento fala clara e profeticamente sobre a destruição do segundo templo em 70 d.C[35]. Nenhum escritor do Novo Testamento prevê um novo ajuntamento étnico de Israel na terra, como fizeram os profetas do Antigo Testamento depois da destruição do primeiro templo em 586 a.C[36]. Ademais, as promessas de terra na Antiga Aliança são consiste e deliberadamente expandidas no Novo Testamento para mostrar o universal domínio de Jesus,[37] que reina dos céus sob o trono de Davi, convidando todas as nações através do Evangelho da graça à participarem de Seu eterno e universal domínio.[38]

X. Uma teologia cristã deficiente com respeito à “Terra Santa” contribuiu para a trágica crueldade das cruzadas na Idade Média. Lamentavelmente, esta teologia cristã deficiente está, hoje, atribuindo ao Israel secular um divino mandato para conquistar e tomar posse da Palestina, com a conseqüência de que o povo palestino é marginalizado e considerado como “cananitas” virtuais.[39] Esta doutrina é tanto contrária ao ensino do Novo Testamento como uma violação ao mandato do Evangelho[40]. Em adição, esta teologia coloca aqueles cristãos que encorajam o violento ataque e ocupação da terra palestina em risco moral de culpa no derramamento do sangue palestino. Como cristãos não somos chamados à orar e trabalhar pela paz, alertando ambas as partes deste conflito que aqueles que vivem pela espada morrerão pela espada?[41] Somente o Evangelho de Jesus Cristo pode trazer tanto a reconciliação temporal como a esperança de uma herança eterna e celestial aos israelitas e palestinos. Somente através de Jesus Cristo alguém pode conhecer paz na terra.

O prometido reino messiânico de Jesus Cristo tem sido inaugurado. Seu advento marca o ponto focal da história humana. O reino do Messias continua na realização de sua plenitude na medida em que judeus e gentios crentes são adicionados à comunidade dos redimidos em cada geração. O mesmo reino será manifestado em sua forma final e eterna com o retorno de Cristo, o Rei, em toda Sua glória.

De todas as nações, o povo judeu executou o papel primário na vinda do reino messiânico. As Escrituras neotestamentárias declaram que à eles foi dado os oráculos de Deus[42], a adoção, a glória, os pactos, a promulgação da lei, o culto e as promessas[43.] Deles foram os pais, Abraão, Isaque e Jacó, e deles, segundo a carne, veio Cristo[44]. A salvação é, deveras, dos judeus[45]. Enquanto afirmando os ensinos das Escrituras que não há salvação fora de Cristo, os cristãos pode reconhecer com sincera dor e tristeza a freqüente opressão feita aos judeus na história, algumas vezes feitas em nome da cruz.

Mas o que faremos com a incredulidade de Israel? Tem a incredulidade deles feito a fidelidade de Deus sem efeito a eles?[46] Não, Deus não rejeitou completamente o povo de Israel,[47] e nós nos unimos ao apóstolo Paulo em sua sincera oração para a salvação de seus parentes israelitas segundo a carne.[48] Sempre tem havido e sempre haverá um remanescente que será salvo.[49] Embora nem todo o Israel experimentará a benção da participação no reino messiânico,[50] todavia, os judeus que chegam à fé em Cristo participarão de Seu reino durante toda esta presente era e durante toda a eternidade. Além disso, não é como se a rejeição de alguns em Israel, por causa da incredulidade, não sirva para nenhum propósito. Pelo contrário, porque eles foram quebrados em sua incredulidade, o Evangelho veio aos gentios, os quais, agora, através da fé, participam das bênçãos aos pais e se unem com os crentes judeus para constituir o verdadeiro Israel de Deus, a igreja de Jesus Cristo[51].

O presente estado secular de Israel, contudo, não é uma realização autêntica ou profética do reino messiânico de Jesus Cristo. Além do mais, não deveria ser antecipado o dia no qual o reino de Cristo será manifesto apenas aos judeus, seja pela sua localização na “terra”, por sua constituição ou por suas instituições e práticas cerimoniais. Pelo contrário, esta presente era chegará a uma conclusão culminante com a chegada da fase final e eterna do reino do Messias. Nesta hora, todos os olhos, até mesmo daqueles que O traspassaram, verão o Rei em sua glória.[52] Todo joelho se dobrará, e toda língua confessará que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai.[53] Os reinos deste mundo se tornarão o reino de nosso Senhor Jesus Cristo, e Ele reinará eternamente.[54]

À luz da grande expectativa profética do Novo Testamento, encorajamos nossos irmãos e irmãs evangélicas a retornar à proclamação da livre oferta da graça de Cristo no Evangelho para todo filho de Abraão, a orar pela paz entre israelitas e palestinos, e a prometer toda simpatia humanitária e apoio prático para aqueles, em ambos os lados, que estão sofrendo neste corrente circulo vicioso de atrocidade e desalojamento. Nós também convidamos aqueles educadores e pastores cristãos que compartilham de nossas convicções sobre o povo de Deus, sobre a terra de Israel, e sobre a imparcialidade do Evangelho, a unir seus nomes aos nossos como assinantes desta carta aberta.[55]

Advento
No Ano de nosso Senhor 2002
Soli Deo Gloria

Signatários que servem em ministérios educacionais (escolas, organizações pára-eclesiásticas, etc.):

R. Fowler White, Ph.D., Knox Theological Seminary, Ft. Lauderdale, FL
R. C. Sproul, Ph.D., Presidente, Ligonier Ministries, Orlando, FL; Professor Visitante, Knox Theological Seminary, Ft. Lauderdale, FL
Robert L. Reymond, Ph.D., Knox Theological Seminary, Ft. Lauderdale, FL
O. Palmer Robertson, Th.D., Knox Theological Seminary, Ft. Lauderdale, FL
E. Calvin Beisner, Ph.D., Knox Theological Seminary, Ft. Lauderdale, FL

Samuel P. Lamerson, Ph.D., Knox Theological Seminary, Ft. Lauderdale, FL
Lawrence C. Roff, D.Min., Knox Theological Seminary, Ft. Lauderdale, FL
Warren A. Gage, Ph.D., Knox Theological Seminary, Ft. Lauderdale, FL
Collins D. Weeber, Ph.D., Knox Theological Seminary, Ft. Lauderdale, FL
Ronald T. Kilpatrick, D.Min., Knox Theological Seminary, Ft. Lauderdale, FL
George W. Grant, Ph.D., King’s Meadow Study Center, Franklin, TN
Michael A. G. Haykin, Th.D., Toronto Baptist Theological Seminary, Canadá
David W. Hall, Ph.D., Diretor, The Kuyper Institute; Pastor Sênior, Midway Presbyterian Church, Powder Springs, GA
Alden C. Mayfield, M.A.R., Chung-Ang University, Seoul, Korea
Gary DeMar, M.Div., American Vision, Powder Springs, GA
Dominic A. Aquila, D.Min., New Geneva Theological Seminary, Colorado Springs, CO
Richard B. Gaffin, Jr., Th.D., Westminster Theological Seminary, Philadelphia, PA
Cornelius P. Venema, Ph.D., Mid-America Reformed Seminary, Dyer, IN
Michael S. Horton, Ph.D., Alliance of Confessing Evangelicals, Philadelphia, PA
C.W. Powell, Ph.D., New Geneva Theological Seminary, Colorado Springs, CO
James E. McGoldrick, Ph.D., Greenville Presbyterian Theological Seminary, Taylors, SC
Kenneth G. Talbot, Ph.D., Whitefield Theological Seminary, Lakeland, FL
Donald J. Musin, Ph.D., Whitefield Theological Seminary, Lakeland, FL
W. Gary Crampton, Th.D., Whitefield Theological Seminary, Lakeland, FL
Thomas Schirmacher, Ph.D., Martin Bucer Theological Seminary, Germany
D. Randall Talbot, Th.D., Whitefield Theological Seminary, Lakeland, FL
Leanne Van Dyk, Ph.D., Western Theological Seminary, Holland, MI
Mariano Avila, Ph.D., Calvin Theological Seminary, Grand Rapids, MI

Signatários que servem em ministérios pastorais (pastores, presbíteros, etc.):

Kenneth P. Wackes, D.Min., Coral Ridge Presbyterian Church, Ft. Lauderdale, FL
Ronald L. Siegenthaler, B.D., Coral Ridge Presbyterian Church Ft. Lauderdale, FL
Paul C. Hurst, M.Div., Coral Ridge Presbyterian Church, Ft. Lauderdale, FL
Robert D. Dillard, Jr., M.Div., Coral Ridge Presbyterian Church, Ft. Lauderdale, FL
Gregory J. Beaupied, M.Div., Coral Ridge Presbyterian Church, Ft. Lauderdale, FL
Gary L. W. Johnson, D.Th. (cand.), Church of the Redeemer, Mesa, AZ
Gary J. Griffith, M.A., Faith Reformed Presbyterian Church, Quarryville, PA
Robert N. Burridge, M.Div., Grace Presbyterian Church, Pinellas Park, FL
J. Ray Bobo, M.Div., Heidelberg Presbyterian Church, Heidelberg, MS
Craig R. Rowe, D.Min., Gallatin Valley Presbyterian Church, Bozeman, MT
K. Dale Linton, M.Div., Magee Presbyterian Church, Magee, MS
J. Michael Arnaud, M.Div., Arco Presbyterian Church, Arco, ID
Michael A. Milton, Ph.D., First Presbyterian Church, Chattanooga, TN
Kenneth A. Pierce, M.Div., Draper’s Valley Presbyterian Church, Draper, VA
Robert D. Byrne, M.Div., PCA Hospital Chaplain
J. Render Caines, D.Min., Covenant Presbyterian Church, Chattanooga, TN
Robert Benn Vincent, Sr., M.Div., Grace Presbyterian Church, Alexandria, LA
Ed Yurus, M.Div., 1-101 Aviation Regiment Chaplain, Fort Campbell, KY
Raymond P. Joseph, M.Div., Southfield Reformed Presbyterian Church, Southfield, MI
Peter Byron LaPointe, M.Div., Christ the King Presbyterian Church, Seminole, FL
William Mikler, Ph.D., St. Johns Abbey, Sanford, FL
W. Michael McCrocklin, D.Min., Christ the Redeemer Presbyterian Church, Cypress, TX
Stephen M. Clark, Ph.D., Wallace Presbyterian Church, Hyattsville, MD
Edward L. James, M.Div., Grace Christian Fellowship, Hancock, MD
Jeffrey Kingswood, M.Div., Grace Presbyterian Church, Woodstock, Ontario
E. Matthew Kingswood, M.Div., Russell Reformed Presbyterian Church, Russell, Ontario
Charles H. Roberts, D.Min., Ballston Center ARP Church, Ballston Spa, NY
Kevin Ramsey, Ruling Elder, Salem Presbyterian Church, Gaffney, SC
Arthur L. Fawthrop, B.D., Crown and Covenant Church, Owego, NY
William S. Smith, Th.D., aposentado, PCUSA
Dan Gibson, B.A., Covenant Community Reformed Church, Janesville, WI
Christian Adjemian, Ph.D., First Reformed Presbyterian Church, Cambridge, MA
Larry Pratt, presbítero, Harvester Presbyterian Church, Springfield, VA
James H. Chester, M.Div., Orthodox Zion Primitive Baptist Church, West Palm Beach, FL
G. I. Williamson, B.D., Orthodox Presbyterian Church, Sheldon, IA
LeRoy E. Miller, M.Div., Faith Orthodox Presbyterian Church, Lincoln, NE
Donald R. Miller, B.D., Emmanuel Reformed Presbyterian Church, Auburn, ME
Stephen D. Doe, M.Div., Bethel Reformed Presbyterian Church, Fredericksburg, VA
Thomas J. Pasquarello, presbítero, Grace Reformed Fellowship, Hagerstown, MD
G. C. Hammond, M.Div., Bethel Presbyterian Church, Leesburg, VA
Allen F. Gewecke, presbítero, Faith Orthodox Presbyterian Church, Lincoln, NE
David F. Coffin, Jr., Ph.D. cand., New Hope Presbyterian Church, Fairfax, VA
Shawn H. Keating, M.Div., Carrollton Presbyterian Church, Carrollton, MS
Scott Seidler, M.Div., Faith Presbyterian Church, Okeechobee, FL
John T. Stevenson, M.Div., St. Andrews Presbyterian Church, Hollywood, FL
Joseph Mooibroek, Ph.D., Independent Baptist Alliance, Boca Raton, FL
Hermes C. Fernandes, B.A., Order of Evangelical Ministers of Brazil
Patrick H. Morison, M.Div., aposentado, Orthodox Presbyterian Church, Kalispell, MT
Chris Delzio, presbítero, Harrison Presbyterian Church, Harrison, NY
Andrew H. Selle, D.Min., Christian Counseling & Mediation, Essex Junction, VT
Paul D. Frick, M.Div., Westminster Presbyterian Church, Valdosta, GA
Reed DePace, M.A.R., Reformed Presbyterian Church of Slate Lick, Kittanning, PA
Stephen Pribble, M.A., Grace Orthodox Presbyterian Church, Holt, MI
Stephen M. Van Roekel, M.Div., Lake Osborne Presbyterian Church, Lake Worth, FL
Tom Darnell, M.A., Grace Covenant Presbyterian Church, Williamsburg, VA
Robert Totty, Th.M., presbítero, Westminster Reformed Presbyterian Church, Suffolk, VA
David Fairchild, Kaleo Fellowship of Christ, San Diego, CA
Anthony Monaghan, M.Div., Providence Presbyterian Church, Charlottesville, VA


Traduzido do Inglês por: Felipe Sabino de Araújo Neto.
Revisado pelo Pb. Solano Portela. (Março de 2003)

Link: http://www.monergismo.com/textos/escatologia_reformada/carta.htm


A limpeza étnica na Palestina – Ilan Pappe

dezembro 31, 2008

por Daniel Lopes – Nenhum conflito desde o fim da Segunda Guerra conseguiu atrair para si tanta irracionalidade, lugar-comum e má-fé do que a contenda palestina-israelense. De um lado do campo das simplificações, temos o grupo que defende ser “resistência” o terrorismo de grupos compostos por fanáticos religiosos aproveitadores que vitimizam civis israelenses, quando não aqueles em nome de quem dizem agir. De outro, há os que pensam ser “legítima defesa” o terrorismo estatal israelense.

No meio desse fogo-cruzado em que as paixões afloram, onde há espaço para uma análise mais serena dos fatos? Pode-se contar nos dedos das mãos os intelectuais árabes e israelenses que ainda não se entregaram ao chauvinismo dos governos e facções das áreas em que vivem. Ilan Pappe, historiador israelense, é um deles. Seu livro The ethnic cleansing of Palestine (One World, Oxford, 2006) consegue algo fantástico: ir à raiz do problema, lá na década de 1940, mais dramaticamente.

Ingênuos especialistas em coisa nenhuma vêem as lutas dos palestinos contra o poderoso estado de Israel (terrorismo à parte, embora a muita gente dos dois lados interesse confundir as duas coisas) como mero ressentimento, inveja, direcionado a um grupo de “colonizadores” bem-sucedidos, que com empreendedorismo e méritos próprios conseguiu vencer a miséria típica de seus incapazes vizinhos árabes; ressentimento que, por extensão, também mira os Estados Unidos, os grandes “civilizadores” do mundo cristão-judaico ocidental.

O erro fatal dessa idéia está na total ignorância dos eventos que cercaram a fundação de Israel. Lendo a mídia main stream do Ocidente fica-se com a impressão de que o que ocorreu na década de 40 do século passado foi a criação de um país para os judeus numa terra quase ou completamente desabitada, pronto para conviver em paz e harmonia com o povo palestino, se apenas este assim desejasse. Com o passar dos anos, ainda segundo a lenda, por estarem as nações árabes cheias de “anti-semitas” prontos a perpetrarem um “segundo Holocausto”, o inocente país judaico teve que se armar e, imediatamente após, começar a praticar atos bélicos – unicamente em legítima defesa. Esse engodo de “uma terra sem povo para um povo sem terra”, claro, não floresceu à toa no imaginário do Ocidente cristão. Pois ele próprio, séculos atrás, não havia descoberto uma terra livre para povoamento e exploração que viria a ser conhecida como América? A propósito, é interessante lembrar, como faz Ilan Pappe, da aliança, na primeira metade do século passado, entre sionistas e cristãos milenaristas em favor da ocupação de terras árabes. O fato de esses cristãos fundamentalistas terem apoiado a criação de um estado para os judeus, não na Europa ou nas Américas, mas no Oriente Médio, faz parte da crença de que a volta dos judeus para a “terra sagrada” estaria em consonância com os planos de Deus, e precipitaria a segunda vida de Cristo.

Infelizmente, a realidade histórica é implacável com os estudiosos preguiçosos bem instalados em suas catedrais em governos, academia e mídia. Por mais que os fatos sejam adulterados e omitidos por sabe-se lá quanto tempo, haverá sempre (espera-se) homens e mulheres dispostos a contar o que aconteceu, embasados inclusive nos registros secretos ou nem tanto daqueles que pretenderam que a história fosse contada de uma forma diferente. Neste sentido, a obra de Pappe é inclusive iconoclasta, na medida em que retrata as crueldades cometidas por heróis da historiografia hagiográfica israelense, como o “pai fundador” David Ben-Gurion, um dos mais ativos arquitetos do racista movimento sionista que, do final de 1947 até o início da década de 50, empreendeu uma limpeza étnica na terra palestina, como meio de criar um Israel majoritariamente, se não exclusivamente, judaico. Para a limpeza étnica, Ben-Gurion tinha um eufemismo na ponta da língua e da pena: “transferência compulsória”. Original.

Ephraim Katzir, outro grande nome, futuro presidente do país, foi responsável naquela época por uma divisão responsável por desenvolver armas biológicas para serem usadas contra civis. Sua principal tarefa era a elaboração de uma arma para cegar. Entusiasmado, comunica ao chefe Ben-Gurion: “Nós a testamos em animais. Nossos pesquisadores estavam com máscaras de gás e vestimentas adequadas. Bons resultados. Os animais não morreram (apenas ficaram cegos). Podemos produzir 20 quilos por dia desse material”.
Cumplicidade global
Os Estados Unidos não foram a única potência cujas “intermediações” mais agravaram que ajudaram a melhorar esse conflito oriental. ONU e Inglaterra também foram co-partícipes na bagunça. A União Soviética e seu bloco de influência na segunda metade da década de 40 doaram armas ao Partido Comunista israelense, que foram parar no exército nacional em sua guerra contra os palestinos, ao mesmo tempo em que França e Inglaterra embargaram a venda de armas a exércitos nacionais árabes que poderiam defender os palestinos dentro da área que a ONU havia determinado como sua.

Mesmo a respeitável ONG Cruz Vermelha, durante os anos de 1948/9, maneirou na linguagem de seus relatórios que descreviam o trabalho escravo de detentos palestinos em prisões construídas especialmente para esse fim – segundo seu texto, os presos participavam de um esforço para “fortalecer a economia israelense”. “Essa linguagem contida não era acidental”, esclarece Ilan Pappe. “Dado seu deplorável comportamento durante o Holocausto, quando falhou em comunicar o que ocorria nos campos de concentração nazistas, sobre o que estava bem informada, a Cruz Vermelha era cuidadosa em sua reprovação e crítica do estado judaico.”

Os ingleses, cujo império já havia colaborado para a implantação de embrionários grupos sionistas na região, em 1922, vinham transferindo know-how tático para esses mesmos grupos desde pelo menos 1936, quando, com a crescente insatisfação palestina com a ocupação inglesa, estes incorporaram em suas divisões de repressão comandos sionistas que rapidamente aprenderam como lidar com os revoltosos. Essa repressão durou de 36 a 39 e matou ou exilou grande parte da liderança política palestina, deixando seu povo sem intermediários ou defensores de peso para os anos seguintes.

Então, em 1948, a Inglaterra abandonou irresponsavelmente aquela região, deixando o caminho livre para o grupo mais forte, de sionistas, levar a cabo suas ações contra os nativos. Era o adeus britânico a seus sonhos de grandeza imperial, pois o país ficara fragilizado depois da Segunda Guerra por conta de crises internas e também da ascensão de duas novas superpotências, EUA e URSS. Além do que, in loco, radicais israelenses estavam praticando ataques à infra-estrutura dos britânicos, incapazes de retaliar por conta do enorme valor simbólico que os judeus carregavam devido à recém-encerrada matança hitlerista, que envergonhou toda a Europa e lhes deu certa inviolabilidade. Sabidos, Ben-Gurion e outros representavam tendo ao fundo essa cortina de inocência, sempre alertando o mundo sobre a possibilidade de um novo Holocausto, a ser perpetrado por impiedosos governos árabes. Entre quatro portas, no entanto, eles sabiam que o contingente militar árabe arregimentado para apoiar os palestinos estava bem abaixo das próprias forças israelenses, que sofreram uma baixa de 400 pessoas, é verdade, mas que foram surpreendidas enquanto circulavam nas amplas áreas entre um acampamento judaico e outro, estrategicamente criados para alargar o território “natural” israelense. Do lado palestino, em meados da década de 40, o número de vítimas fatais já era de 1500, muitas delas civis, atacadas a esmo.

A ONU, por sua vez, recém-criada e sem experiência em intermediação de conflitos, fez um de seus lamentáveis papéis com a resolução 181, de novembro de 1947, que dividiu de forma bastante desproporcional o território em contenda para a formação dos dois estados, o israelense e o palestino. A medida foi uma exagerada concessão aos sionistas, que ficariam com 56% de uma área com cerca de meio milhão de judeus e 438 mil palestinos, enquanto a nação palestina ficaria com 42% do território, englobando 818 mil palestinos e apenas 10 mil judeus. Ou seja, a tática sionista de montar vilas muito afastadas umas das outras, para fazer com que a ONU lhe concedesse a área que ficasse entre elas, dera certo. Com isso, os árabes, que queriam mais tempo de análise da realidade populacional, retiraram-se da mesa de negociações. Os judeus radicais, embora tivessem ganhado de presente uma área maior que a que seria razoável, vibraram com essa saída árabe, e na verdade só aceitaram ficar com os 56% porque tinha a esperança, a intenção, de expandir ainda mais suas fronteiras no futuro não muito distante – Ben-Gurion: as fronteiras “serão determinadas pela força, e não pela resolução” das Nações Unidas.

Durante as ações de tropas israelenses contra vilas palestinas, a ONU preferiu cruzar os braços, apesar dos constantes alertas de seus funcionários na região, de que os palestinos estavam sendo expulsos de suas casas “por força ou ameaça”. Preferiu dar crédito ao embaixador de Israel na organização, Abba Eban, que reconheceu que os refugiados eram um “problema humano”, mas da responsabilidade de ninguém em especial. Também por conta do lobby israelense, as Nações Unidas, na época, criaram um corpo exclusivo para lidar com os refugiados palestinos, ao invés de empregarem a Organização Internacional para Refugiados, a mesma que prestava assistência aos sobreviventes judeus do Holocausto, o que poderia levar a opinião pública a comparar a violência israelense com a nazista, verdadeiro sacrilégio.
A guerra suja
No final da década de 30, a liderança judaica já havia levantado fartas e minuciosas informações sobre as terras e o povo palestino dentro da área que planejava incorporar a uma “Grande Israel”. Esse banco de dados seria usado quando da limpeza étnica, que foi mais intensa nos meses do final de 47 e início de 48. “Quando a missão acabou”, escreve Ilan Pappe, “mais da metade da população palestina nativa, próxima de 800 mil pessoas, havia sido desabrigada, 531 vilas destruídas, e sete áreas urbanas esvaziadas”.

Um exemplo típico do modus operandi do terror israelense pode ser encontrado ao analisar o caso da localidade de Kishas:

Kishas era uma pequena vila com umas poucas centenas de muçulmanos e uma centena de cristãos, que viviam pacificamente em uma única localidade topográfica (…) Tropas judaicas atacaram a vila em 18 de dezembro de 1947, e começaram a explodir casas ao acaso na calada da noite, enquanto os ocupantes ainda estavam em sono profundo. Quinze moradores, incluindo cinco crianças, morreram no ataque. O incidente chocou o correspondente do New York Times, que acompanhou de perto o desenrolar dos eventos. Ele pediu uma explicação à Hagana [uma das facções do movimento sionista], que primeiro negou a operação. Quando o insistente repórter não deixou passar, ela finalmente admitiu sua existência. Ben-Gurion publicou um dramático pedido de desculpas, defendendo que a ação não havia sido autorizada, mas, poucos meses depois, em abril, ele a incluiu numa lista de ações bem sucedidas. (p. 57)

O leitor de The ethnic cleansing of Palestine ficará surpreso ao perceber a espantosa semelhança entre os crimes israelenses de hoje com aqueles da década de 1940. Se tínhamos então a presença do militante sionista fanático que explode bombas no meio de populações civis (expediente usado hoje por extremistas árabes, que se permitem explodir junto com a bomba), veremos também como surgiu a defesa de retaliações militares desmedidas e imorais ante qualquer provocação ou demonstração de resistência. Ben-Gurion, sempre ele, registrou certa vez em seu diário as seguintes palavras:

Há agora a necessidade de uma reação forte e brutal. Precisamos ser precisos quanto ao tempo, lugar e quanto àqueles que atingimos. Se acusamos uma família, temos que atingí-la sem piedade, mulheres e crianças incluídas. De outra forma, não será uma reação efetiva. Durante a operação não há necessidade de distinção entre culpados e não-culpados. (p. 69)

É sempre bom citar as pérolas de Ben-Gurion, não por malícia, mas porque assim se desfaz um outro mito, o de que os excessos israelenses foram a exceção, atos condenados pelos bem-intencionados líderes do movimento de “independência”. Não, os atos sórdidos foram a regra, idealizada, programada e executada com o total aval dos chefes militares e políticos.
Ontem e hoje
Alguém em nossos dias que limite seu conhecimento do que acontece no planeta às seções de Mundo dos jornalões vai achar que a invasão do Iraque pelos Estados Unidos de W. Bush em 2003 teve de fato a ver com os ataques de 11 de Setembro de 2001. Pensará também que o bombardeio indiscriminado de áreas habitadas no sul do Líbano por parte de Israel, em 2006, teve mesmo a ver com o seqüestro de dois oficiais de seu exército por um grupo terrorista. O ambicioso sonho em anexar a parte sul do Líbano à “Grande Israel” concretiza-se em atos de agressão direta desde 2001, 1982, 1981, 1978, 1948.

Do mesmo modo, massacres como os do campo de refugiados de Jenin, há seis anos, têm precedentes nos de Wadi Ara em 2000, Kfar Qana em 99, Sabra e Shatila em 82 (no qual Ariel Sharon teve grande participação), Galiléia em 76, Samoa nos anos 60, Qibya e Kfar Qassim nos 50, e nos de Khirbat Ilin e Hebron na década de 40. Está tudo documentado nos arquivos militares israelenses explorados por estudiosos palestinos e, claro, por Ilan Pappe.

Esses não são os únicos links com o passado que o historiador israelense traça em seu indispensável livro. A impunidade que mantém em seus postos militares culpados de crimes de guerra, quando não os promove, é uma realidade, agora e sempre. Há um caso horrível mas exemplar: como confirmou na edição de 29 de outubro de 2003 o diário israelense Ha’aretz, baseado na confissão dos próprios perpetradores (a imprensa israelense costuma ser muito mais crítica de seus governos do que o são os jornais ocidentais para com os mesmos), em 12 de agosto de 1949 um comando militar israelense raptou, na localidade de Nigev (hoje, no norte da Faixa de Gaza), uma garota palestina de doze anos de idade. Durante os dias seguintes, ela seria torturada e violentada por vinte e dois soldados e, finalmente, morta. Pois a corte instalada para fazer justiça aplicou uma sentença duríssima a um dos vinte e dois criminosos: dois anos de prisão.

O racismo também permanece latente em meios influentes da sociedade israelense. Há uma angustiante preocupação dos líderes nacionais em relação ao “problema demográfico” do país, a saber, a cada vez mais alta porcentagem de árabes em relação ao número de judeus, empecilho seríssimo a um Israel puro, ou seja, majoritária ou exclusivamente judaico. Esse “problema demográfico” às vezes chega mesmo a ser referido como uma “ameaça demográfica”, e é aí que os habitantes não-judeus de Israel começam a realmente ficar preocupados com seu futuro, que não exclui uma nova limpeza étnica, abertamente defendida por partidos como o do radical Avigdor Liberman, que qualquer ano desses ganha uma eleição presidencial. E não custa lembrar que em 2003 o Knesset, parlamento da nação que se gaba de ser “a única democracia da região”, aprovou uma medida abertamente discriminatória, proibindo um palestino ou palestina de conseguir cidadania ou residência no país ao casar-se com um judeu ou uma judia.

Há ainda o caso do eterno drama da repatriação dos palestinos expulsos de suas casas, em seguida demolidas ou queimadas, não sem antes ter os bens devidamente saqueados para prover uma base material para os judeus vindos da Europa pós-guerra.

É claro que, sob o ponto de vista israelense, a origem do estado de coisas atuais está no ano de 1967, quando, segundo a história oficial, o país foi obrigado a partir para a ofensiva e conquistar territórios palestino, sírio, egípcio e jordaniano puramente para se defender do nascente movimento de resistência palestina. Negando assim os crimes de 48, Israel sequer aceita discutir a repatriação, condição sine qua non para os palestinos – e também para a ONU, cuja Assembléia Geral assim decidiu em dezembro de 1948, no que foi solenemente ignorada pelas autoridades israelenses.

A cada dia que passa, fica mais difícil para a comunidade internacional montar um grande plano de retorno dos refugiados e seus descendentes, se é que o mundo ainda tem algum interesse nessa matéria. É que, como parte do racismo que quer um estado judeu e ponto final, vilas e sítios de grande valor cultural e religioso para os nativos muçulmanos têm sido sistematicamente destruídos para dar lugar a assentamentos judeus ou, quando não, serem transformados em “florestas naturais”. Assim, as novas gerações de israelenses aprendem que esses são lugares sagrados e ancestrais… da cultura hebraica – um expediente que faria inveja aos responsáveis por apagar o passado na ditadura criada por George Orwell em 1984.

E então, há os “processos de paz”. Nos últimos capítulos de The ethnic cleansing, há impagáveis páginas sobre esses processos, criados nos gabinetes do governo israelense e apresentados, sem ouvir o outro lado, à comunidade internacional (EUA, Inglaterra e União Européia), que prontamente os aceita, virando-se em seguida para os palestinos, na espera de que eles demonstrem alguma boa vontade. Mas a respeito da seriedade de medidas como a retirada de assentamentos judaicos na Faixa de Gaza, ordenada pelo fanfarrão Ariel Sharon em 2005, basta citar o que dissera um ano antes o seu porta-voz Dov Weissglas ao jornal Ha’aretz: “O significado do plano de retirada é o congelamento do processo de paz. E quando você congela aquele processo, você evita a criação de um estado palestino, e evita a discussão sobre os refugiados, as fronteiras e Jerusalém. Efetivamente, todo esse pacote chamado estado palestino, com tudo o que ele requer, foi indefinidamente removido de nossa agenda.”

Link: http://www.amalgama.blog.br/12/2008/a-transferencia-compulsoria-palestina/

Como meu pai sempre diz, toda história sempre tem três lados: o meu, o seu e o verdadeiro…


Davi e Golias – versão pós moderna

dezembro 29, 2008

4-foto-palestinapreview2A história da luta entre Davi e Golias se repete em pleno século XXI…

Porém, desta vez quem faz o papel do gigante Golias, é o estado de Israel.

A Palestina é Davi… lutando com pedras contra tanques de guerra e aviões…

Que Deus olhe para a Palestina… porque os homens estão cegos…

E os cristãos, onde estão? Por que todo esse silêncio?

O final, quem “vencerá” essa batalha desigual entre a potência de Israel e os palestinos, depende do que você entende por “vencedor”. Porque um vencedor que vence por meio da injustiça, está construindo sobre a areia.


A linguagem de Deus – Francis Collins

dezembro 28, 2008

A famosa frase de Machado de Assis, “unir as duas pontas da vida”, é um ótimo jeito de descrever o livro “A Linguagem de Deus”, do biólogo e médico americano Francis Collins. Aqui, porém, as duas pontas não são a juventude e a velhice citadas por Machado, mas dois domínios da experiência humana que vivem separados, isso quando não batem cabeça de forma agressiva: a ciência e a religião. O resultado desse esforço, lançado recentemente em edição brasileira, pode não convencer os céticos, mas transpira coragem, decência e lirismo.

O tom do livro, altamente pessoal, reflete a própria luta interior de Collins (chefe do grandioso Projeto Genoma Humano), que passou de ateu a cristão convicto já na idade adulta, ao concluir seu doutorado. Tentando romper a cortina de séculos de preconceito e desconfiança mútuos que freqüentemente separam as pessoas de fé dos cientistas, Collins quer usar a própria trajetória para mostrar que é possível compreender as verdades factuais sobre a origem do Universo e da vida e, ao mesmo tempo, viver uma crença religiosa profunda.

O que Collins propõem, e aqui está o lado audacioso do livro, não é só uma trégua entre as duas visões de mundo. Ele diz que é possível uni-las num todo harmonioso, cuja validade pode até não ser passível de prova como uma teoria científica, mas que tem uma base fundamentalmente racional.

Examinando os dados

“Racional”, de fato, é a palavra a ser usada. Collins revela, para a provável surpresa de muitos desavisados, que descobriu a fé de forma totalmente diferente da maioria das pessoas. Criado numa família não-religiosa (ele e seus irmãos freqüentaram o coral da igreja com recomendações expressas de “aprender música e não prestar muita atenção no que era pregado”), ele descobriu o fascínio da ciência quando era adolescente, tornando-se primeiro agnóstico e depois abertamente ateu.

Porém, ao cursar medicina, Collins se viu mais e mais surpreendido pela fortaleza espiritual das pessoas com uma crença, mesmo diante das piores tragédias. De repente, ele se deu conta de que nunca havia aplicado a mesma abertura de pensamento que tinha aprendido como cientista à questão da fé. Em outras palavras, Collins negou-se a examinar as possíveis evidências contra ou a favor da religião — coisa que, segundo ele, foi uma atitude indigna de um verdadeiro cientista.

Diante desse dilema, acabaram chegando às mãos de Collins os escritos de C.S. Lewis, romancista norte-irlandês e cristão convertido que fez uma defesa apaixonada da crença em Deus como uma atitude racional. O jovem ateu se sentiu especialmente tocado pelo argumento da “lei moral” proposto por Lewis: a busca pela maneira correta de viver, mesmo que em detrimento do nosso próprio bem-estar, seria algo inexplicável sem levar em conta a ação de Deus no coração humano.

Presente em todas as culturas humanas, esse anseio por uma força moral “fora” de nós é, para Lewis – e, após sua conversão, também para Collins -, o mais próximo que se pode chegar de uma “prova” da existência de Deus. Ele é humilde o suficiente para reconhecer que a razão, sozinha, não é suficiente para confirmar esse tipo de crença, mas diz que ela não é inconsistente com o fato de que o nosso Universo, regido por leis finamente ajustadas e favoráveis à vida, poderia ser considerado a obra-prima de uma mente divina.

Em defesa de Darwin

Collins, porém, não vê a fé em Deus como uma desculpa para o fundamentalismo. É por isso que ele se dispõe a uma defesa corajosa das descobertas que a biologia moderna, em especial a biologia molecular, sua especialidade, fizeram a respeito do longo processo de evolução que deu origem ao homem.

Para o pesquisador, o fato de que biologicamente somos aparentados a todas as outras formas de vida na Terra, compartilhando muito de nosso DNA com os chimpanzés e até com as humildes moscas-das-frutas, é prova cabal de que a teoria da evolução do naturalista Charles Darwin ainda vale. Por isso, Collins rejeita tanto o criacionismo – a idéia de que o mundo e as espécies vivas foram criados em seis dias, como diz o relato bíblico do Gênese – quanto o chamado design inteligente. Essa corrente de pensamento, popular entre cristãos e alguns cientistas renegados americanos, propõe que algumas estruturas dos seres vivos são tão complexas que jamais poderiam surgir por meio da evolução gradual – teriam sido projetadas diretamente por um ser inteligente.

Como bem aponta Collins, o design inteligente é má ciência e má teologia. É má ciência por argumentar a partir da ignorância: só porque hoje não há uma explicação consolidada sobre, por exemplo, o surgimento dos flagelos (“caudas” natatórias) das bactérias, isso não significa que a ciência não achará essa explicação. E é má teologia por imaginar que Deus – o “ser inteligente” por trás dos argumentos do design inteligente – seria um artesão descuidado, que precisa o tempo todo corrigir sua criação “no braço” para que ela funcione.

A alternativa de Collins – o BioLogos, junção de biologia e “Logos”, o Verbo divino que, segundo a tradição cristã, teria criado o mundo – traz a idéia de que Deus teria estabelecido as regras do Universo desde seu princípio, de maneira que, na plenitude do tempo, pudessem evoluir seres que fossem capazes de encontrar a “lei moral” e buscar um relacionamento com o próprio Criador.

Essa visão pode ou não parecer coerente, e talvez seu apelo esteja limitado àqueles que já possuem uma crença. Mas é impossível ignorar a generosidade de Collins, em seu pedido para que duas facetas tão importantes da vida humana, a fé e a ciência, deixem de se considerar mutuamente excludentes.

Link: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL32567-5603-4641,00.html


Doutrinas estranhas das igrejas “evangélicas”

dezembro 26, 2008

Cair no Poder

Fanerose é um termo que vem do grego e quer dizer visível. Trata-se da prática na qual as pessoas que estão sentindo a presença de Deus caem como se estivessem desacordadas, em um estado que a psicanálise chama de alfa. É considerada uma manifestação visível da presença do Espírito Santo.

Essa nova unção está sendo anunciada também com o nome de passar por um arrebatamento de sentidos. Esse modismo foi trazido para o Brasil pelo casal norte-americano Charles e Francis Hanter na década de 1980.

Confissão Positiva

Trazemos à existência aquilo que declaramos com fé. A fé é a capacidade de antecipar acontecimentos, tomando como já realizado aquilo que ainda não se sentiu ou viu. Assim, a pessoa afirma que já recebeu a cura ou a bênção financeira quando física ou materialmente ainda não aconteceu nada. Como resultado dessa convicção, o milagre realiza-se.

Correntes de Libertação

São práticas utilizadas em igrejas neopentecostais, onde o dirigente conclama o povo: Faça uma corrente em uma das nossas igrejas. Muitos têm sido abençoados dessa maneira. Escolha o dia que melhor lhe convier: Corrente da prosperidade (pessoa desempregada), Corrente dos 70 apóstolos, Corrente dos filhos de Deus, Corrente da sagrada família (para resolver problemas sentimentais em família), Corrente da libertação, Corrente das grandezas de Deus (riquezas), Corrente do encontro com Deus, Corrente da Fogueira Santa (financiamento de viagem de pastores ao Monte Sinai, em Israel), Corrente da Sarça Ardente.

Cura Interior

A prática de certos líderes evangélicos admitirem que mesmo a pessoa tendo se entregue a nosso Senhor Jesus Cristo, ainda perdura maldição sobre ela decorrente de eventuais pecados dos pais (maldição hereditária). Para se livrar dessas maldições, as pessoas são submetidas a práticas muito semelhantes àquelas realizadas pelos cursos de controle da mente: participar de um grupo, ser levado à hipnose e ser submetido à regressão espiritual. Com isso induzem a pessoa, com orações e palavras de ordem, a voltar no tempo, até que, em determinados momentos ou idades, estas se deparam com o mal que deu origem ao seu atual problema. Esse mal pode ser de ordem física (uma doença ou uma agressão), moral (um pecado cometido, uma omissão) ou espiritual (um problema de fé, um espírito demoníaco, um pacto feito com o diabo). Também se dá nessas ocasiões a quebra de maldição quando se faz uma oração para essa quebra do mal.

Deificação do Ser Humano

Prática encontrada no mormonismo e em alguns grupos ditos cristãos de considerar que o ser humano se torna um Deus. Os mórmons dizem: Como o homem é, Deus foi; como Deus é, o homem poderá vir a ser. (Regras de Fé).

Kenneth Hagin disse: Você é tanto uma encarnação de Deus quanto Jesus Cristo o foi. Cada homem que nasceu de Deus é uma encarnação e o cristianismo é um milagre. O crente é uma encarnação tanto quanto o foi Jesus de Nazaré.

Valnice Milhomens declarou: Deus assumiu a natureza humana para que o homem assuma a natureza divina.

Demônios Territoriais

O mapeamento dos demônios que atuam e gerenciam uma determinada região geográfica. A partir dos testemunhos de ex-pais de santos e da doutrina da Umbanda sobre estas entidades são feitas especulações sobre o mapeamento dos demônios que dominam o Brasil.

Dentes de Ouro

O fenômeno dos dentes de ouro consistiu em algumas pessoas apresentarem restaurações antigas brilhando como ouro.

Os cultos onde se observam essa dádiva de dentes de ouro são conhecidos como o Culto do Garimpo devido ao fato de muitas pessoas estarem com pequenos espelhinhos dentários examinando as bocas dos que afirmam ter recebido essa bênção atribuída como um milagre de Deus.

Emagrecimento Instantâneo

O Emagrecimento Instantâneo, a Campanha para o Embelezamento do Corpo e do Espírito (Hadassa, Salmo 45.8) ou a Unção com Mirra, a Essência Divina (Joel 2.28 e 29) é a prática de consagrar um jejum na parte da manhã e a noite receber a visita da preciosa pessoa do Espírito, com os 9 frutos do Espírito e os 99 dons espirituais e muito mais…

Por incrível que pareça, as mulheres encontraram um meio rápido de emagrecimento instantâneo, mesmo deixando de fazer dieta. É ridículo observar pessoas dando testemunhos públicos de que entraram na Igreja gordas e agora seus vestidos estão mais soltos depois que receberam a unção do emagrecimento.

Entrevistar Demônios

A prática de algumas igrejas neopentecostais de proporcionar aos telespectadores um entretenimento, que só se via em filmes de terror, com entrevistas a possessos de demônios ouvindo falar de suas traquinagens e maldades. Os líderes de algumas igrejas dão ordem aos demônios incorporados nas pessoas que se manifestem, dizendo Comecem a se manifestar e aí identificam esses espíritos como deuses da Umbanda e Quimbanda: Exu Pomba Gira, Exu Tranca-Rua, Exu Caveira. Os possessos dão esses nomes das seitas afro-brasileiras e assim são chamados pelos nomes conhecidos.

Em seguida, os crentes mandam que os demônios estejam amarrados com a célebre frase: Está amarrado! Com isso pensam que suas ordens são obedecidos e que os demônios estão mesmo amarrados.

Evangelho da Prosperidade

Deus deseja que todo cristão seja próspero financeiramente. Assim, se dermos o suficiente e tivermos fé enriqueceremos, e o nosso elevado nível de vida será um testemunho do poder e da riqueza de Deus.

Evangelho da Saúde

Deus quer que todo cristão tenha saúde plena. O cristão só não desfruta de saúde perfeita nesta vida se não tiver fé suficiente. Isso porque a expiação de Cristo, de acordo com o ensino de Is 53.4-5, abrange a salvação do nosso espírito e a cura do nosso corpo. É aqui nesta vida, e não só depois na ressurreição, que devemos nos beneficiar desta realidade.

Leilão da Fé

Prática de culto em igrejas neopentecostais onde o dirigente constrange os fiéis a entregarem tudo, dizendo: vamos desafiar o Senhor! Vamos experimentar o Senhor! Oferte agora tudo o que você tem em dinheiro, cheques, jóias ou outros objetos de valor para o Senhor. Use sua fé! Amanhã você terá o dobro do que você der, e a bênção que você quer acontecerá. Não deixe o demônio dominar a sua vontade! O que você tiver na bolsa. Traga tudo na presença do Senhor, e ele abrirá as portas e janelas do céu para o que você deseja. Vamos! Está na hora de experimentar o nosso Deus.

Maldição Hereditária

A doutrina que afirma que as pessoas crentes podem estar sujeitas a maldições provindas de antepassados, isto é, admitem que elas podem se encontrar de posse de uma herança maldita, desconhecida por elas, e difícil de ser detectada no tempo e no espaço. Essa doutrina é chamada de maldição hereditária, maldição de família ou pecado de geração.

Movimento da Fé

Acredita que a mente e a língua humanas contêm uma habilidade ou poder sobrenatural. Assim, quando alguém fala, expressando a sua fé em leis supostamente divinas, seus pensamentos e expressão verbal positivos produzem uma força supostamente divina que irá curar, proporcionar riqueza, trazer sucesso e, de outras maneiras, influenciar o ambiente. Deus responde automaticamente e realiza o que ordenamos quando confessamos nossas necessidades e desejos pela fé, de maneira positiva.

Objetos de Culto

As Igrejas neopentecostais estão utilizando objetos como amuletos ou talismãs em cultos à semelhança da Igreja Católica e dos cultos afro-brasileiros, tais como: rosa ungida, óleo ungido, aliança ungida, lenço ungido, água do Rio Jordão, azeite do Monte das Oliveiras, sarça, areia da Praia da Galiléia, varinha de Jacó, galho de oliveira (do Monte das Oliveiras), folha (da árvore da Vida), túnel do amor, fitinhas no pulso, copo d’água em cima do rádio ou TV, tapete ungido, uso de enxofre, trombeta de Jericó, bênção da carteira de trabalho, do envelope do pagamento, do cartão de crédito, do talão de cheques, da peça de roupa, de carros, de eletrodomésticos para que não tenham mais defeitos; cântaro e espada de Gideão, na Campanha da Derrota. Esses objetos são vendidos a preços absurdos.

Unção do Riso

A Unção do Riso, Gargalhada Santa ou Bênção de Toronto é a prática de pessoas, durante o culto, começarem a darem gargalhadas, a urrar, a latir e outras imitações de animais. É considerado o riso de alegria pelo retorno do cativeiro (Sl 126.1, 2).

Tudo começou na Igreja Airport Vineyard (A Vinha do Aeroporto), em Toronto, Canadá.
Autor: Rubem Ximenes

Com tantas doutrinas estranhas, diferentes e emocionantes, quem vai se interessar em ser como Jesus e ficar com a simplicidade do evangelho?


Espada do Senhor?

dezembro 25, 2008

Cansada de super crentes cheios de justiça própria, que se acham dignos de empunhar a espada da Justiça de Deus, mesmo não passando de pecadores que dependem da mesma misericórdia. Como pode você pedir justiça para outros, se você precisa de misericórdia, talvez até mais do que as pessoas que você deseja ver incineradas com fogo do céu, ou ceifadas pela espada da Justiça do Senhor?

Você que se acha no direito de pedir que caia fogo do céu sobre as pessoas que você considera piores ou mais pecadoras do que você mesmo é, leia o que diz em Lucas 9: 51-56.

“E aconteceu que, ao se completarem os dias em que devia ele ser arrebatado do mundo, manifestou, no semblante, a intrépida resolução de ir para Jerusalém e enviou mensageiros que o antecedessem. Indo eles, entraram numa aldeia de samaritanos para lhe preparar pousada. Mas não o receberam, porque o aspecto dele era de quem, decisivamente, ia para Jerusalém. Vendo isto, os discípulos Tiago e João perguntaram: Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir? Jesus, porém, voltando-se os repreendeu e disse: Vós não sabeis de que espírito sois. Pois o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las. E seguiram para outra aldeia.”

Se o próprio Jesus afirmou que não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las, que direito tem você de querer destruí-las?

Pense nisso antes de invocar a espada da Justiça, pois ela pode acabar decepando a sua própria cabeça…


Carta aos camelôs de amuletos

dezembro 24, 2008

A “ortodoxia religiosa imediatista” aprisionou Deus em uma instituição, que para vivenciá-Lo, se faz necessário adotar uma série de rituais, tradições e sacrifícios. Esquece que a palavra de Deus se tornou errante, exorbitando o espaço exíguo das mentes petrificadas. Os horizontes curtos dessa visão comercial não permitiram entender o sentido de um Deus feito homem. O cristianismo de fachada, à maneira de um judaísmo disfarçado, tem enveredado por caminhos nunca dantes navegados. As subdivisões institucionais religiosas ditas cristãs são tantas, no intuito de abarcar o “sagrado”, que as pobres almas com sede de justiça, se sentem desorientadas, sem saber onde encontrar guarida, ouvindo de todos os lados mensagens as mais estapafúrdias e inimagináveis, pelo rádio, jornais, televisão e carros de propaganda, que mais parecem a gritaria louca dos camelôs a oferecerem os seus produtos em meio ao tumulto das feiras. Algumas almas aceitam as “verdades” apelativas, dirigidas a elas através de ameaças apocalípticas. Outras, à procura de alívio para as suas doenças, adquirem até sabonetes fabricados com gorduras derretidas de ovelhas de Israel, que lhes são oferecidas publicamente pelos supostos guardiões de Deus. Areias do deserto da “terra santa” são comercializadas, a fim de serem espalhadas pelos cômodos das casas, para afastar maus fluidos. Frascos com águas do rio Jordão, para pingar entre as pálpebras, a fim de tirar a concupiscência dos olhos, entre outras cavilações, que em respeito aos de boa índole, deixamos de mencionar. Executam enfim uma paródia ordinária; abusando dos elementos fascinantes do judaísmo arcaico. É em meio a esta banalização do “sagrado”, que nos vem à lembrança, um Cristo indignado a expulsar os vendilhões do templo. Em analogia ao que ocorria no antigo templo, comercializam réplicas de símbolos judaicos, com supostos poderes de afastar espíritos imundos, à semelhança dos amuletos usados no mundo pagão, enganando multidões de incautos. Este horrendo espetáculo teatral vem transformando o que resta do cristianismo primitivo, em uma mera comédia, que a cada representação, comprova a irreconciliabilidade da mensagem dos evangelhos com os “pressupostos” do Judaísmo ortodoxo.
Encerro este breve ensaio com as palavras iniciais de Paulo, em I Timóteo 6.11: “Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas…”.

Ensaio por: Levi B. Santos
Guarabira, 03 de Dezembro de 2008

Link: http://pulpitocristao.blogspot.com/2008/12/camelo-de-amuletos.html