O bom e velho Chesterton

setembro 17, 2017

Do livro “Ortodoxia“, de G. K. Chesterton, escrito em 1908.

[…]O cristianismo era atacado de todos os lados e por todas as razões contraditórias. Mal um racionalista acabara de demonstrar que ele pendia demais para o oriente, outro demonstrava com igual clareza que ele pendia demais para o ocidente. Mal a minha indignação se arrefecia diante de sua configuração quadrada angular e agressiva, minha atenção era novamente chamada para observar e condenar sua irritante natureza redonda e sensual.[…]

[…]Não parecia tanto que o cristianismo era suficientemente perverso a ponto de incluir qualquer vício, mas sim que qualquer pau era bom para bater nele. Como seria essa coisa assombrosa que as pessoas queriam tanto contradizer, a ponto de fazê-lo sem importar-se em contradizer a si mesmas?[…]

[…] Subestimam o cristianismo os que dizem que ele descobriu a misericórdia; qualquer um poderia descobrir a misericórdia. De fato todo mundo o fez. Mas descobrir o plano para ser misericordioso e também severo – isso foi antecipar uma estranha necessidade da natureza humana. Pois ninguém quer ser perdoado por um pecado grande como se fosse um pecado pequeno.

Qualquer um poderia dizer que não deveríamos ser totalmente infelizes, nem totalmente felizes. Mas descobrir até que ponto alguém pode ser totalmente infeliz sem eliminar a possibilidade de ser totalmente feliz – isso foi uma descoberta na psicologia. Qualquer um poderia dizer: “Nem pavonear-se, nem rastejar”, e seria um limite. Mas dizer: “aqui você pode pavonear-se e ali pode rastejar” – isso foi uma emancipação.[…]

[…] O que o pastor cristão conduzia não era um rebanho de ovelhas, mas sim uma manada de touros e tigres, de terríveis ideais e vorazes doutrinas, cada uma delas forte o suficiente para transformar-se numa falsa religião e devastar o mundo.[…]

[…] Essa é a emocionante aventura da ortodoxia. As pessoas adquiriram o tolo costume de falar de ortodoxia como algo pesado, enfadonho e seguro. Nunca houve nada tão perigoso ou tão estimulante quanto a ortodoxia. Ela foi a sensatez, e ser sensato é mais dramático que ser louco. Ela foi o equilíbrio de um homem por trás de cavalos em louca disparada, parecendo abaixar-se para este lado, depois para aquele, mas em cada atitude mantendo a graça de uma escultura e a precisão da aritmética.[…]

[…] É fácil ser louco; é fácil ser herege. É sempre fácil deixar que cada época tenha a sua cabeça; o difícil é não perder a própria cabeça. É sempre fácil ser um modernista; assim como é fácil ser um snob. Cair em qualquer uma das ciladas explícitas de erro e exagero que um modismo depois de outro e uma seita depois de outra espalharam ao longo da trilha histórica do cristianismo – isso teria sido de fato simples.

É sempre simples cair; há um número infinito de ângulos para levar alguém à queda; e apenas um para mantê-lo de pé. Cair em qualquer um dos modismos, do agnosticismo à Ciência Cristã, teria de fato sido óbvio e sem graça. Mas evitá-los a todos tem sido uma estonteante aventura; e na minha visão a carruagem celestial voa esfuziante atravessando as épocas. Enquanto as monótonas heresias estão esparramadas e prostradas, a furiosa verdade cambaleia, mas segue de pé.

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Ímpio

outubro 5, 2016

livro-o-impioAcabei de ler um livro que fazia muito tempo estava parado aqui. Trata-se de “Ímpio, o evangelho de um ateu”, de Fábio Marton.

Minha primeira observação é saber porque um ateu dá nome de “evangelho” a um livro. Evangelho significa “boas novas”, e o livro do Fábio Marton, está longe de ser parecido com uma boa nova. É apenas mais um livro de um ateu, um ex-crente, criticando os crentes e as igrejas das quais fez parte ao longo da vida, e tentando ganhar dinheiro com a história. A diferença deste para outros que já li, é que o Fábio satiriza mas ao mesmo tempo demonstra certo afeto por aquelas pessoas todas que aparecem no livro.

No texto, o autor critica os crentes e detalha a sua vida desde criança no meio evangélico, começando numa igreja em Osasco e depois vindo morar em Curitiba, nos piores bairros possíveis. E uma vida repleta de dramas e tragédias pessoais. Era nerd, solitário, obeso e sofria bullying na escola, e a oração dele mais frequente, segundo ele mesmo, era pedindo a Deus uma namorada e um amigo. Sua mãe morre num acidente de carro; o irmão fica paraplégico nesse mesmo acidente; o pai, pula de fracasso em fracasso, de um relacionamento para outro e de igreja em igreja. Fábio passa a morar de favor com parentes depois da morte da mãe, numa cidade que também não era a sua, e da qual ele nitidamente não gostava.

O autor foi transformado num pequeno fanático religioso, tipo Nietzsche, que como ele também havia sido uma espécie de pregador-mirim. Virava alvo na escola por ser crente, nerd e obeso. O grau de fanatismo dele era tão grande, que chegou a entrar numa “disputa” mental com uma macumbeira quando tinha sete anos. Acreditou ter ganho um dente de ouro de Jesus. Acreditou ter sido escolhido por Deus para uma revelação: o mundo ia acabar numa certa noite. Obviamente a noite passou e o mundo continuou onde estava. Mais adiante no livro, ele conta como pediu a Deus para ressuscitar sua mãe quanto esta morreu. Para mim parece óbvio que isso ia acabar em grande decepção, como de fato acabou. Afinal, Deus tem culpa da visão deturpada que o autor tinha a respeito de quem ou como Ele é ou devia ser? Que culpa Ele tem de não ser aquela lâmpada mágica pronta a resolver todos os problemas, desde que seja bem esfregada com muita oração,  como é pintado em muitas igrejas? O próprio autor disse em uma entrevista a respeito do livro, que quando era crente, acreditava que as coisas deviam cair prontas do céu. Expectativas erradas, baseadas em péssima teologia e abusos por parte de igrejas totalmente sem noção, geraram o Fábio Marton e o seu livro.


Para Ariovaldo Ramos

março 31, 2016

Discurso sobre justiça social é bonito e faz sucesso, eu sei. É politicamente correto. E também concordo que todo governo deve se preocupar com questões sociais. É dever do cristão ter estas preocupações.

Mas lamento informar: Jesus não morreu porque quis ser o Che Guevara de Israel. Pensar que justiça social pode ser imposta, à força, por um governo, e que isso tem alguma coisa a ver com a justiça pregada por Jesus, é ingenuidade. Se não for pura desonestidade. Nenhum governo será capaz de implantar um “paraíso na Terra”. Acreditar nisso é ilusão. Chegar a uma Hell’s Kitchen é resultado mais provável, em comparação com o de chegar ao paraíso terrestre por obra de políticos. Imaginar que a luta de classes, base do marxismo, tem relação com o que foi pregado por Jesus, é demonstração de ignorância.

Governos representando ao mesmo tempo os papéis de corruptos e corruptores, causam mais mortes do que a própria criminalidade. Geram injustiças. Tiram recursos da saúde, da educação, da segurança pública, da agricultura, do saneamento básico. Desviam recursos que poderiam ser usados para construir escolas, hospitais, creches, bibliotecas, e etc. Recursos que poderiam ser usados para ajudar pessoas a se libertarem do populismo, não precisarem mais de auxílios, os quais o próprio governo usa para manipular, fazer terrorismo eleitoral e ganhar votos. E um líder cristão, seguidor de Jesus, não pode ao mesmo tempo, pregar o Evangelho, e defender sistemas políticos totalmente corruptos, onde a corrupção se transformou em instituição. Sistemas políticos que debocham da Constituição, do Judiciário, e dos cidadãos. Onde se trata voto, como cheque em branco, e onde tudo é permitido desde que se mantenham no poder. Jesus não era nem de esquerda nem de direita, o projeto de Jesus era o do Pai, e não projeto de poder político, humano. Mas ele jamais emprestaria seu nome, para defender as injustiças e a corrupção estabelecidas. Causa temor quando lideranças supostamente cristãs, se prestam a um papel ao qual Jesus jamais se submeteria. É contraditório um líder cristão que se diz defensor da justiça social, ao mesmo tempo defender políticos corruptos, sendo a corrupção causadora de graves injustiças que atingem a todos.

A parte boa, é que o disfarce “piedoso” sob o qual se esconde a ideologia política, a real motivadora de certos movimentos intitulados “cristãos progressistas”, cai, quando estes se defrontam com a necessidade de defender o indefensável. Ao negociar o inegociável buscando defender o indefensável, torna-se claro então, que Jesus e o cristianismo para tais movimentos, são na verdade, secundários. A ideologia é mais importante. Isso já havia ficado evidente, na ocasião do apoio dado a Hugo Chávez, e o silêncio subsequente deste senhor Ariovaldo Ramos, quando pessoas começaram a ser assassinadas na Venezuela, por serem contrárias ao governo.

Repudio totalmente uma liderança que se diz cristã, mas empresta sua imagem e suas palavras, para defesa de estruturas políticas imersas em corrupção, ou para defender regimes totalitários. Governos que apenas usam tais movimentos e líderes religiosos, para atingir objetivos de poder, sem conexão com o Evangelho. Misturar Jesus com política, nunca deu certo. Transformar o que é espiritual, em ideologia política, puxar Deus para um lado ou outro, é chamar Deus de mentiroso. É fazer de Deus, cúmplice de corrupção e totalitarismo. Pior do que colocar o nome de Jesus no meio dessa suposta teologia, é colocar a ideologia e o projeto de poder político, acima do Evangelho.

Como cristão, você ajuda o próximo com a liberdade que lhe é dada, pelo amor que vem do alto. E não porque um governo o obriga, ou tira recursos de você, por meio de impostos cada vez maiores, para supostamente dar aos menos favorecidos, enquanto este mesmo governo, é ineficiente, corrupto, autoritário, contrário à liberdade individual em nome de um suposto “interesse coletivo”, e aplica as leis de forma parcial, em busca de se eternizar no poder. Quando, em nome desta suposta “justiça social”, líderes que se dizem cristãos, passam a não enxergar como erros o que é escancaradamente errado, é porque em vez de serem sal e luz, a ideologia é que os envenenou.

Os pecados de alguns são evidentes, mesmo antes de serem submetidos a julgamento; enquanto que os pecados de outros se manifestam posteriormente. Da mesma forma, as boas obras são evidentes, e as que não o são não podem permanecer ocultas. 1Timóteo 5:24,25


Jararacas e homens

março 11, 2016

Fico aqui pensando como seria se um político acusado de corrupção, em vez de esforçar-se tanto para negar o óbvio, simplesmente admitisse, de forma espontânea: “sim, fui corrupto, traí meus eleitores e prejudiquei toda a nação, mereço a cadeia, estou arrependido e vou devolver tudo”. Seria bombástico, palavra esta que tem sido repetida na imprensa nas últimas semanas. Só em sonho mesmo. Mas nem tudo está perdido, pois temos as delações premiadas.

Voltando à realidade, o ex-presidente Lula andou se comparando com serpentes, mais especificamente, uma jararaca. Lembro que ele também já se comparou com Jesus, citando alguma coisa sobre a barba que os dois teriam em comum, como se usar barba o tornasse parecido com Jesus. Mais recentemente, Lula comparou os delatores do esquema do Petrolão, com Herodes, e seus companheiros de partido acusados de participar do esquema corrupto, com Jesus crucificado, algo totalmente sem noção. Lula não foi o primeiro populista a se comparar com Jesus, mas foi talvez o que o fez de forma mais tosca. Mas o pior é testemunhar a manifestação da idoLULAtria, a idolatria ao ex-presidente Lula. E perceber, atingidos por este mal, não só militantes, mas também religiosos. No caso destes últimos, associado com grave dissonância cognitiva.

O mesmo Jesus que este Lula totalmente sem noção deturpa, afirmou: O que contamina o homem, é o que sai da sua boca. Pois o que sai da boca, vem do coração.

O que vai no coração de um homem que se denomina publicamente como jararaca, só Deus sabe. Eu, prefiro não saber.

Quem é sábio e tem entendimento entre vocês? Que o demonstre por seu bom procedimento, mediante obras praticadas com a humildade que provém da sabedoria. Contudo, se vocês abrigam no coração inveja amarga e ambição egoísta, não se gloriem disso, nem neguem a verdade. Esse tipo de “sabedoria” não vem do céu, mas é terrena, não é espiritual e é demoníaca. Pois onde há inveja e ambição egoísta, aí há confusão e toda espécie de males. Mas a sabedoria que vem do alto é antes de tudo pura; depois, pacífica, amável, compreensiva, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sincera. O fruto da justiça semeia-se em paz para os pacificadores. Tiago 3:13-18


Plenitude da fanfarronice

janeiro 26, 2016

Um auto intitulado “apóstolo”, egresso de duas “igrejas da prosperidade”, que abriu em seguida sua própria franquia de “igreja”. Daí para atrair muitos, aparecer na Internet, e chamar a atenção, foi um pulinho. História que já vimos várias vezes. Mais do mesmo tipo de igreja judaizante, onde se vende óleo milagroso engarrafado, e se fazem campanhas com nome de muralha de Jericó, batalha de Josué, quebra de maldição, com decoração dourada pra todo lado, e outras coisas do tipo. Até aí, nada de novo. É a mesma receita de outras neopentecostais já há muito tempo no “mercado”. Sim, mercado.

O fanfarrão em questão, usa por cima da roupa, um simulacro de pano de saco. Muitos o chamam de Fred Flintstone por conta da roupa inusitada, a fantasia que usa nos cultos da igreja. Fora da igreja, nada de humildade, vale andar de Porsche e BMW e ostentar roupas de marca. Além de fanfarrão, é ator, e gosta de encenar duelos com pais de santo, amaldiçoar pessoas em vídeos, e mais recentemente, estava usando uma coroa que o deixava parecido com um personagem do carnaval. Púlpito ou picadeiro, eis a questão.

Num país cheio de escândalos de corrupção, Petrolão, Mensalão, Zelotes, Lava jato, dá para entender porque as pessoas procuram esse tipo de lugar. Simples de entender a atração que este tipo de “pregação” exerce. Busca de soluções fáceis para os problemas comuns da vida: casamento destruído, desemprego, dívidas, problemas de relacionamento, vícios e doenças. Pessoas desesperadas viram alvo dos parasitas da fé. A fórmula de mostrar Deus como fosse a lâmpada mágica que resolve todos os problemas, sem que você precise fazer nada além de entregar seu dinheiro, apenas reflete o que acontece em todos os escalões da política do país, onde tudo se resolve com propina. Tudo é questão de “molhar a mão” certa. Em vez de cantar “segura na mão de Deus”, vão na igreja para tentar molhar a mão dEle. Deve ser por isso que alguns políticos fazem questão de aparecer em igrejas quando é época de eleição. O povo vai de uma igreja de prosperidade para outra, e elas competem entre si pelo mercado de desesperados. Um povo fraco, que corre atrás de qualquer carismático que se diz “apóstolo”, abre um negócio que chama de “igreja” e sobe em púlpito. E quanto mais espalhafatoso o culto, melhor. Não é de estranhar os políticos que temos por aí. Cada nação tem o governo que merece. E cada crente tem o pastor que merece. Simples assim.

“Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas jamais ficará satisfeito com os seus rendimentos. Isso também não faz sentido.”
Eclesiastes 5:10

O médico, o monstro e as anfetaminas

janeiro 10, 2016

No final de 2015 o livro Mein Kampf, de Hitler, entrou em domínio público. Li o livro faz muito tempo, e por achá-lo horrendo, não cheguei a terminar. Li o suficiente para considerar seu autor um fanático racista, defensor de uma suposta raça superior, da qual ele obviamente não só fazia parte, como estava predestinado a ser o líder. Trechos como o que consta abaixo, estão neste livro:

[…] A cultura humana e a civilização nesta parte do mundo estão inseparavelmente ligadas à existência dos arianos. A sua extinção ou decadência faria recair sobre o globo o véu escuro de uma época de barbaria. A destruição da existência da cultura humana pelo aniquilamento de seus detentores é, porém, aos olhos de uma concepção racista do mundo, o mais abominável dos crimes. Quem ousa pôr as mãos sobre a mais elevada semelhança de Deus ofende a essa maravilha do Criador e coopera para a sua expulsão do paraíso. Assim corresponde a concepção racista do mundo ao intimo desejo da Natureza, pois restitui o jogo livre das forças que encaminharão a uma mais alta cultura humana, até que, enfim, conquistada a terra, uma melhor humanidade possa livremente chegar a realizações em domínios que atualmente se acham fora e acima dela.[…]

[…] Os direitos humanos estão acima dos direitos do Estado. Se, porém, na luta pelos direitos humanos, uma raça é subjugada, significa isso que ela pesou muito pouco na balança do destino para ter a felicidade de continuar a existir neste mundo terrestre, pois quem não é capaz de lutar pela vida tem o seu fim decretado pela providência. O mundo não foi feito para os povos covardes. […]

Poucas pessoas questionam o fato de Adolf Hitler ter sido um dos piores vilões da história da humanidade. Na Alemanha, dar o nome de “Adolf” a um filho, é impensável. Chamar um filho de “Adolf” poderia ser visto como uma homenagem a este genocida, e nenhum cidadão de bem por lá, quer correr este risco. Há quem argumente afirmando que outros ditadores mataram mais gente em comparação com Hitler. Mas no caso dos nazistas, a forma como executaram seus planos mirabolantes, assassinando pessoas em massa nas câmaras de gás em nome de um ideal racista, o torna sem dúvida o pior genocida da história, um verdadeiro monstro. Stalin e Mao não ficaram atrás em termos de extermínio de pessoas. Stalin e Hitler, acabaram um contra o outro na segunda guerra mundial. Quando deu de cara com Stalin, Hitler começou a perder a guerra. Estes três vilões viveram mais ou menos na mesma época. Juntando os feitos dos três, foram responsáveis pela morte de pelo menos 130 milhões de pessoas. Mas as motivações de Hitler eram mais sinistras, com aquela história de raça pura, e por ele se considerar um enviado divino, encarregado de salvar o mundo da degeneração racial. Se ele tivesse guerreado somente por motivos políticos, territoriais ou financeiros, para aumentar o território ou o poder da Alemanha, talvez não fosse hoje considerado o pior e mais insano de todos os ditadores. Estaria em pé de igualdade com seus colegas do mal.

Pervitin 3Na Alemanha nazista, sabe-se sobre o uso de drogas entre os soldados e também entre os líderes. Depois da invasão da Polônia e antes de atacar a França, os nazistas encomendaram 35 milhões de comprimidos de Pervitin, para distribuir aos soldados. Era uma metanfetamina, mais conhecida hoje como “cristal”. Na época, o Pervitin era vendido legalmente, como remédio. Usava-se Pervitin, como usamos o café agora. Havia chocolate recheado com Pervitin. As pessoas ficavam eufóricas, sentiam-se invencíveis e capazes de qualquer coisa. Imagine soldados lutando numa guerra e usando este tipo de droga. Eu não gostaria de encontrar com um deles.

O médico de Hitler, Theodor Morell, prescrevia ao ditador, injeções que continham metanfetamina e um psicotrópico chamado oxicodona (o remédio do Dr House). Hitler teria passado boa parte do tempo de duração da segunda guerra mundial, usando um coquetel de drogas prescritas pelo Dr Morell. O médico de Hitler era tão louco quanto seu chefe, e o coquetel incluía, além de metanfetamina e oxicodona, vitaminas, proteínas, barbitúricos, esteroides, morfina, petidina, entre outros. Hitler tomava injeções praticamente todos os dias e parecia confiar cegamente neste médico, que era também dono da indústria produtora de parte das drogas usadas por Hitler. O super homem nazista era isso? Este “super homem ariano” do qual supostamente dependia o futuro da humanidade, seria um zumbi dependente de drogas? No Mein Kampf, Hitler cita o aperfeiçoamento físico como um dever. Era esse tipo de aperfeiçoamento físico o ideal dos nazistas?

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Hitler perdeu a guerra, e antes disso, seus próprios generais tentaram matá-lo. O fato da derrocada dos nazistas na guerra, ter começado quando atacaram a União Soviética, um Estado ateísta, parece ironia. Como Hitler reagiu à derrota, se considerava como um direito divino da tal raça ariana, subjugar as supostas raças inferiores? Qual explicação para essa “raça superior” apoiada em metanfetaminas, como se fosse um elixir da invencibilidade? Hitler usou aquele coquetel de drogas esperando, talvez, se transformar num super herói, daqueles de dar inveja em qualquer personagem da Marvel. Como, em vez de se transformar em super herói, foi ficando cada vez mais doente e dependente de drogas, enquanto os aliados estavam próximos de derrotá-lo, terminou por se suicidar. Não venceu a guerra e muito menos venceu a morte. Ele não era nenhum super homem, afinal.

“Como um Cristão amoroso e como um homem, leio a passagem que nos conta como o Senhor finalmente se ergueu em Sua força e apanhou o azorrague para expulsar do Templo a raça de víboras. Como foi esplêndida a sua luta em defesa do mundo e contra o veneno judeu. Hoje, depois de 2 mil anos, é com muita emoção que reconheço, mais profundamente do que nunca, o fato de que foi em nome disso que Ele teve que derramar Seu sangue na cruz. Como cristão tenho o dever de não me deixar enganar, tenho o dever de lutar pela verdade e pela justiça. E como homem, tenho o dever de zelar para que a sociedade humana não sofra o mesmo colapso catastrófico que sofreu a civilização do mundo antigo 2 mil anos atrás – uma civilização que foi levada a ruína por esse mesmo povo judeu.”

Num país como a Alemanha na época nazista, onde a maioria absoluta da população era formada por católicos e protestantes, se Hitler se declarasse ateu ou invocasse Odin ou Thor como patronos dos nazistas, dificilmente seria levado a sério. Mas ele também não era cristão, mesmo quando afirmava ser um ou citava trechos do novo testamento. Era apenas mais um dos muitos que usaram a religião para montar sua própria ideologia. Enganou a muitos, e causou a morte de milhões de pessoas. Católicos e protestantes se deixaram enganar pela propaganda racista deste homem. Adolf é um nome relacionado a lobos. Neste caso, Hitler foi um lobo confundido com um cordeiro. Um lobo que sabia usar a propaganda.

Enganou a si mesmo, acima de tudo, pois Deus não é nazista.


Deus e o clarinete

setembro 19, 2015

clarinete_posterSe você já tentou aprender, ou sabe tocar um instrumento musical, entende que cada um deles tem seus truques. Mas já parou para pensar no quanto aprender a tocar um instrumento, e o relacionamento com Deus, possuem semelhanças e diferenças?

Primeiro você escolhe o instrumento com o qual mais se identifica, ou te obrigam a aprender algum deles na escola, por exemplo. No caso de Deus, existem várias “versões” em diferentes religiões (eu particularmente escolhi o cristianismo e creio que foi a melhor escolha). Pode acontecer de você tentar um, e depois não gostar e tentar outro, e também pode acontecer de você acabar se convencendo de que tocar, não é a sua praia. Quanto ao instrumento e a música, desistir é fácil, já que o aprendizado exige disciplina e paciência. No caso do relacionamento com Deus, a coisa já fica mais complicada, principalmente porque, mesmo você desistindo, Deus não desiste de você, e nem você consegue esquecer dEle completamente. Sei disso, porque já tentei. Tem aqueles que desistem e passam a odiar Deus. Mas dizem que amor e ódio são faces de uma mesma moeda. Então, a qualquer momento, a moeda pode virar novamente, com o lado do amor virado a favor dEle. Isso é um perigo. Deve ser o maior medo das pessoas que escolheram odiar Deus. : P

Sobre a minha escolha quanto ao instrumento musical a aprender, não foi difícil. Os de sopro sempre foram os meus preferidos e o som do clarinete, é muito bonito. E com relação ao cristianismo, também não é difícil se identificar com a figura central que norteia a fé dos cristãos, ou seja, Jesus. Como não se interessar pela história de um homem aparentemente maluco, que dizia ser Deus e deixava os religiosos da sua época, furiosos? O difícil aqui não é aceitar a pessoa de Jesus, mas o que ele fez. Difícil é lidar com uma palavrinha pequenina mas que incomoda muita gente, e quem alguns tratam como se fosse doença. A fé.

Lembro que, no começo, eu perguntava onde ficava o botão liga/desliga, dessa coisa chamada fé. Claro, queria que fosse mais fácil, mais prática e totalmente indolor essa história de cristianismo. E como todo mundo geralmente busca o jeito mais fácil de fazer as coisas, claro que temos algumas “versões” de cristianismo onde tem de tudo, menos Jesus. Assim como tem professores que prometem ensinar a tocar em cinco minutos. Com relação à facilidade, tocar clarinete não tem maiores problemas, precisa treino, disciplina e insistência, mas não é problemático. Precisa treinar muito, estudar muito, e ter disciplina, mas com dedicação é possível. A parte mais complicada no começo, é conseguir soprar sem deixar o ar escapar. Mas não tem crises, nem altos e baixos, ou dúvidas, como acontece com a fé. Ninguém vai julgar você porque gosta de tocar clarinete. A maior parte das pessoas vai achar bem legal. Mas desencane dos cinco minutos, porque você não vai aprender a tocar nesse tempo, ok? Já quando você fala que é cristão, alguns podem tratar você como se a sua fé fosse coisa digna de hospício. Com um instrumento musical, quanto mais você toca, melhor fica. Na vida com Deus, é um paradoxo: quanto mais você sabe, menos você sabe.

Uma parte importante é desmontar e limpar o clarinete sempre, depois de usá-lo. E toda vez que vai tocar, montar de novo. Se você deixa o clarinete montado, ele não cabe no estojo. Então pode cair no chão, quebrar, fica exposto à poeira, e a umidade acumulada pela falta de limpeza, estraga os mecanismos. Se for de madeira, pode rachar. Os clarinetes de madeira são caros, pois são feitos de madeiras nobres e raras, como o ébano. Quem investe neles, não vai ser louco de ter preguiça de limpar. Montar, tocar, desmontar, limpar, guardar, é um ritual obrigatório. Faz parte. Aí temos mais uma semelhança com o relacionamento com Deus, pois este relacionamento se renova todas as manhãs. Não tem como saber o que cada novo dia neste relacionamento nos reserva. Deus não é feito de uma madeira rara, e ao mesmo tempo, nada pode comprá-lo. Ele se deixa encontrar por quem o procura. E quem encontra nunca mais vai querer perder. É como aquela parábola de quem encontrou um tesouro num campo. Tem quem saia por aí vendendo algo que dizem ser Ele, e os preços neste caso, variam muito. Assim como tem muito instrumento falso no mercado, apresentado como se fosse original, de marca famosa, mas a um preço que até santo desconfia. Então, fique atento. Um clarinete de ébano e prata, nunca vai ser barato; assim como Deus não está à venda. A graça dEle é dada, e Ele a distribui de formas, muitas vezes, inusitada. Inesperada. O curioso é que tem pessoas que passam a desconfiar de Deus, quando descobrem que a graça dEle é gratuita. Ficam achando que tem “gato na tuba”. : P

O som do clarinete me encantou. E o mesmo aconteceu com o Pai. Foi como diz a música: Ele gentilmente me atraiu. E eu, sem palavras, me aproximei. : ]