Amor: ame-o ou deixe-o…

julho 30, 2008

Você sabe amar? Um dos trechos mais citados quando se fala sobre amor cristão é o que Paulo escreveu em 1 Coríntios 13…

“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria. O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; Não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; Porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; Mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.”

Você pode fazer as boas obras mais espetaculares do universo, ser a pessoa com a fé mais poderosa do planeta… mas se não fizer com amor, você não é nada…

E não estou falando desse amor da boca pra fora, mas daquele famoso amor que é amar ao próximo como você ama a si mesmo. Tão famoso quanto pouco praticado. Acaba ficando apenas nas palavras. Necessário é ultrapassar as palavras, arrancá-las do papel e fazê-las se transformarem em realidade. Tirá-las do nosso discurso bonito e mostrá-las nas atitudes. A quem muito ama, muito mais se perdoa. Isso foi o que Jesus disse, quando foi censurado por se deixar ungir por uma prostituta. Tudo foi perdoado, porque o gesto dela tinha sido de puro amor. Não espere as pessoas serem perfeitas para amá-las, lembre-se de que você também não é perfeito. E certamente gosta de ser amado do jeito que você é.

Você consegue demonstrar o amor de Deus pelas pessoas, amando-as? Às vezes um pequeno gesto contém mais desse tipo de amor que uma grande oferta em dinheiro. Coisas pequenas, gestos mínimos, e que passam quase sempre despercebidos, podem representar tudo na vida de alguém. Podem fazer toda a diferença. Muitas vezes podem ser a diferença entre a vida e a morte. A Palavra diz que aquele que não ama, não conhece a Deus. E o amor é um dos frutos do Espírito, talvez o mais difícil de ser cultivado. Está junto com a alegria, paz, paciência, bondade, benevolência, fé, doçura, domínio de si mesmo. (Gálatas 5)

Você acha que não pode? Que não é capaz? Tenho algo chocante para lhe falar: você DEVE! Saiba disso:

“Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. E nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem por nós. Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele.” (I João 4:8-16)

Amar para o cristão é um DEVER! Claro que você pode escolher não cumprir seus deveres, aí é problema seu… Talvez você prefira ficar apenas com os dons espirituais, afinal dons são presentes gratuitos e você não precisa cultivá-los como os frutos. Cultivar os frutos espirituais, dá bem mais trabalho. Exige a SUA participação.

Mas vale a pena. Muito.

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Cristianismo e violência

julho 26, 2008

Conceito de heresia de acordo com o Papa Gregório IX (20/04/1233):

“Chamam-se hereges pertinazes e impenitentes aqueles que interpelados pelos juizes, convencidos de erro contra a fé, intimados a confessar e abjurar, mesmo assim não querem aceitar e preferem se agarrar obstinadamente aos seus erros. Estes devem ser entregues ao braço secular para serem executados. Chamam-se hereges penitentes os que, depois de aderirem intelectual e efetivamente à heresia, caíram em si, tiveram piedade de si próprios, ouviram a voz da sabedoria e, abjurando dos seus erros e procedimento, aceitaram as penas aplicadas pelo bispo ou pelo inquisidor. Denominam-se hereges relapsos os que, abjurando da heresia e tornando-se por isso penitentes, reincidem na heresia.”

E a punição:

“Estes, a partir do momento em que a recaída fica plena e claramente estabelecida, são entregues ao braço secular para serem executados, sem novo julgamento… Serão queimados vivos em praça pública, entregues em praça pública ao julgamento das chamas… É de fundamental importância prender a língua deles ou amordaçá-los antes de acender o fogo, porque, se têm possibilidade de falar, podem ferir, com suas blasfêmias, a devoção de quem assiste a execução. […] É herege quem disser coisas que se oponham às verdades essenciais da fé.”

Pensamento sobre os hereges, segundo Calvino (em sua Declaratio Orthodoxae Fidei):

“Deve-se esquecer toda a humanidade quando a glória [de Deus] está em questão. (…) Deus não permite que sequer cidades e populações inteiras sejam poupadas, mas arrasa muros e destrói a lembrança dos habitantes e arruína todas as coisas em sinal de Sua total abominação, para que o contágio não se difunda.”

E agora, Lutero:

O rebelde (católico, anabatista e outros que se recusavam a seguir Lutero e os príncipes que o apoiavam) é bandido de Deus e do Império. Qualquer um que o enforque faz boa obra e qualquer um é seu juiz e carrasco”.

“Esmagai, degolai e trespassai de todo modo! Matar um revoltoso é abater um cão danado. Cobertos pelo Evangelho e chamando uns aos outros de ‘irmãos em Jesus Cristo’, os camponeses cometem o mais horrível dos crimes: acompanham Satanás, sob o disfarce da Palavra de Deus (…) Tomba pela causa de Deus, como verdadeiro mártir, quem sucumbe defendendo a autoridade; assim obedeceu à Palavra de Deus. Ao contrário, quem tomba nas hostes dos camponeses é condenado às chamas eternas do Inferno, pois sustenta a espada contra a Palavra de Deus e como agente do Diabo. (…) Vamos, caros senhores! Batei, trespassai e degolai como podeis!”

E das palavras de Jesus, ninguém lembra, né?

Dar a outra face, amar os inimigos, amar ao próximo como a ti mesmo, perdoar as ofensas… que Cristianismo é esse, meu Deus?


Metanoia

julho 24, 2008

Metanoia é uma palavra grega que significa: renovação da mente, mudança de intelecto, e que aplicada à vida espiritual, implica em voltar-se na direção de Deus e entender que, depois da conversão, você precisa permitir que Deus faça parte da sua vida. Na Bíblia, um dos trechos mais citados quando se fala em metanoia é o de Romanos 12:2:

“Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que possais discernir qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Rm 12:2)

Não se conformar ao mundo significa não aceitar ser quem o mundo deseja que você seja, mas ser uma pessoa que reflete a presença de Deus em sua vida.

Há pessoas que comparam esse processo de renovação ao trabalho de moldagem feito por um oleiro. Outras, já exemplificam falando em ser forjados. Mas independente da forma como se exemplifique o processo, em nenhum dos exemplos ele é isento de dor. A renovação da mente implica muitas vezes em quebrar coisas dentro de nós, para que coisas novas possam ser construídas. E quanto mais coisas tiverem necessidade de ser destruídas, jogadas fora, refeitas, mais dolorido e lento será o processo.

E apesar deste processo ser conduzido pelo próprio Deus, Ele respeita nossas dores. Opera a transformação de forma que seja suportável por nós. Respeita nossa vontade, nunca passando por cima dela. E só inicia qualquer coisa, quando nós permitimos que o faça. Muitas vezes você não vai nem perceber as mudanças acontecendo. Não vai perceber você mesmo, deixando de dar importância a coisas pelas quais era capaz de matar ou morrer. Mas não precisa ter medo, Deus não obriga você a passar por isso. Mas sem passar por isso, o seu conhecimento de Deus fica prejudicado. Deus não pode participar intensamente da sua vida, pois você não teve a mentalidade e o espírito preparados. Conhece Deus apenas por ouvir falar… só que Ele quer te conhecer pessoalmente e ser conhecido por você… Ele não vai te obrigar, apenas lhe convida, e você aceita se quiser. Você pode escolher passar por essa experiência (que não se encerra mais enquanto estivermos vivos), ou se contentar com coisas como a teologia da prosperidade e o simples estar no banco da igreja…

Desafio você a aceitar esse convite para a metanoia e deixar sua mente ser transformada…


We shall be free – Garth Brooks

julho 19, 2008

“We Shall Be Free”

This ain’t comin’ from no prophet
Just an ordinary man
When I close my eyes I see
The way this world shall be
When we all walk hand in hand

When the last child cries for a crust of bread
When the last man dies for just words that he said
When there’s shelter over the poorest head
We shall be free

When the last thing we notice is the color of skin
And the first thing we look for is the beauty within
When the skies and the oceans are clean again
Then we shall be free

We shall be free
We shall be free
Stand straight, walk proud
‘Cause we shall be free
When we’re free to love anyone we choose
When this world’s big enough for all different views
When we all can worship from our own kind of pew
Then we shall be free
We shall be free

We shall be free
Have a little faith
Hold out
‘Cause we shall be free

And when money talks for the very last time
And nobody walks a step behind
When there’s only one race and that’s mankind
Then we shall be free

We shall be free
We shall be free
Stand straight, walk proud, have a little faith, hold out
We shall be free

We shall be free
We shall be free
Stand straight, have a little faith

We shall be free

http://br.youtube.com/watch?v=IyZSAcMFnsc


No vale das ossadas

julho 11, 2008

Você já não se sentiu como uma velha ossada seca, uma pilha de ossos velhos, largada no chão, sem vida? Sem nenhuma possibilidade de se levantar, e ter vida novamente? O profeta Ezequiel esteve num vale cheio de ossadas exatamente assim:

“A mão do Senhor veio sobre mim; fez-me sair pelo Espírito do Senhor e me levou para o meio do vale; este estava cheio de ossadas. Fez-me circular entre elas em todos os sentidos; eram extremamente numerosas, na superfície do vale, e estavam completamente ressequidas. Ele me disse: “Filho de homem, estas ossadas podem reviver?” Eu disse: “Senhor Deus, tu o sabes!” Ele me disse: “Pronuncia um oráculo sobre essas ossadas; dize-lhes: Ossadas ressequidas, escutai a palavra do Senhor. Assim fala o Senhor Deus a estas ossadas: Farei vir sobre vós um sopro para que vivais. Porei nervos sobre vós, farei crescer carne sobre vós, estenderei pele sobre vós, porei em vós um sopro e vivereis; então conhecereis que eu sou o Senhor”.” (Ezequiel 37: 1-6).

Talvez uma dessas ossadas seja a sua… talvez uma delas seja a minha… Nossas ossadas podem reviver?


Sobre o perdão…

julho 10, 2008

“Não levante a espada sobre a cabeça de quem te pediu perdão.” Machado de Assis

“O perdão é a remissão de uma punição merecida”. Sêneca

“O fraco jamais perdoa, o perdão é uma característica do forte.” Mahatma Gandhi

Sim, é preciso ser forte para perdoar… é preciso amar para poder perdoar… e é preciso saber perdoar para não colocar a espada na cabeça de quem recebeu o perdão…

Perdoar tem a ver com amar e com esquecer… e tem a ver também com saber que não se é perfeito… e que ninguém é…

“Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.” (Mt 6:14-15)

“Sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou”. (Efésios 4:32)

“Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se, por sete vezes no dia, pecar contra ti e, sete vezes, vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe.” (Lc 17:3-4)

Não perdoar é uma forma de escravidão… a escravidão do ressentimento…

E também uma forma de hipocrisia, quando exigimos justiça para os outros, mas misericórdia para nós mesmos…

Para finalizar, palavras de Kierkegaard:

“Parece em geral fácil para os homens lançar uma culpa, e até de um assassinato, para a consciência de um outro: mas lançar para trás de si a culpa dele, graças ao perdão – isso parece difícil.”


Um cristão pode julgar?

julho 8, 2008

Um cristão pode julgar? Abaixo um texto de autoria do Dr Martyn Lloyd-Jones, tratando desse assunto. Um cristão não só pode, como deve julgar, principalmente no que diz respeito às doutrinas que andam sendo pregadas por aí, por pessoas inescrupulosas, desonestas, e que só visam enriquecer vendendo o nome de Jesus. Jesus nunca disse para as pessoas se conformarem com os falsos profetas como “sinais dos tempos” (que é o que acontece hoje, onde normalmente não se reage contra os lobos vestidos de ovelha – ou lobos vestidos em pele de pastor), mas para termos cautela a respeito deles, para não acabarmos enganados por eles. Afinal, eles são tão convincentes que até os justos acabam caindo no erro.

“Em Mateus 7 nós somos confrontados com uma declaração que, com freqüência, tem provocado intensa confusão. Deve-se admitir que está em pauta um assunto que facilmente pode ser mal compreendido quanto a dois aspectos opostos e extremos, e isso quase invariavelmente em casos verdadeiros. A pergunta que se faz necessária é a seguinte: Que quis dizer, precisamente, o Senhor Jesus, ao afirmar: “Não julgueis…”? Seria: “Não façam qualquer julgamento”? A melhor maneira de se dar resposta para esta indagação não consiste em folhear um dicionário. Meramente pesquisar sobre o significado do vocábulo “julgar” não nos pode satisfazer quanto a esse ponto. Essa é uma palavra que se reveste de muitas significações. Não se pode decidir a dúvida nesses moldes. Porém, é vitalmente importante que saibamos exatamente o que o Senhor Jesus quis dizer. Talvez nunca uma correta interpretação dessa injunção foi mais importante do que na época presente. Diferentes períodos da História da Igreja têm requerido diferentes ênfases e se me fosse perguntado qual é a necessidade hoje, a minha resposta seria que é a consideração criteriosa desta afirmação específica. Assim sucede porque a atmosfera inteira da vida moderna, especialmente nos círculos religioso, é de natureza tal que se tornou vital uma correta interpretação dessa asserção de Jesus. Estamos vivendo em uma época em que as definições não estão sendo levadas a sério, em uma época em que os homens têm aversão pelo raciocínio e odeiam a teologia, a doutrina e o dogma. Estamos vivendo em uma época caracterizada pela apreciação ao lazer e à transigência – “paga-se qualquer preço por uma vida sem conflitos”, conforme alguns dizem. Estamos em uma época de conciliações. Esse termo não é mais tão popular quanto já foi, no terreno da política internacional, mas a mentalidade que nele se deleita continua viva. Vivemos em uma época que não aprecia homens decididos, porquanto, segundo se costuma dizer, eles sempre causam dificuldades. Nossa época tem aversão por indivíduos que sabem no que acreditam, e que realmente acreditam em algo. Mas tais indivíduos são repelidos como pessoas difíceis, com as quais é “impossível a convivência”.
Tem havido épocas, dentro da História da Igreja, quando os homens foram elogiados por defenderem as suas idéias a todo custo. Mas isso já não acontece hoje em dia. Atualmente, homens assim são considerados difíceis, indivíduos que impõem aos outros a própria vontade, que não cooperam com seus companheiros e assim por diante. O tipo de homem que atualmente é elogiado é aquele que poderia ser descrito como “meio termo” ou “eqüidistante”, que jamais se coloca em qualquer extremo de uma posição. Pelo contrário, é um homem agradável a todos, que não cria dificuldades para ninguém, e nem é causador de problemas por causa de seus pontos de vista. Dizem-nos que a vida diária já é suficientemente difícil e complicada sem que precisemos assumir posição firme no tocante a qualquer doutrina em particular. Com certeza essa é a mentalidade de hoje, não constituindo exagero afirmarmos que essa é a mentalidade controladora. Em certo sentido, essa é uma atitude perfeitamente natural, porquanto já experimentamos inúmeras dificuldades, problemas e desastres. Por semelhante modo, é atitude bastante natural que as pessoas evitem os indivíduos dotados de pontos de vista firmes, que sabem o que estão defendendo, porque todos preferem viver de maneira descontraída e pacífica.
Em uma época como a nossa, reveste-se da máxima importância que sejamos capazes de interpretar corretamente essa declaração acerca do ato de julgar, porquanto há muitos que asseveram que as palavras “não julgueis” precisam ser compreendidas simples e literalmente como elas estão, como se indicasse que o crente verdadeiro jamais expressa uma opinião sobre outra pessoa. Esses homens afirmam que não se deve exercer juízo algum porquanto deveríamos ser suaves, indulgentes, e tolerantes, permitindo quase qualquer coisa em troca da paz e da concórdia e, especialmente, da unidade. Essa não é a hora certa para juízos, dizem eles; o de que precisamos agora é de unidade e companheirismo. Todos deveríamos ser um.
Levanta-se, pois, a pergunta: é possível esta interpretação? Em primeiro lugar, sugiro que esta interpretação é impossível. Todavia, se nos alicerçarmos sobre os próprios ensinamentos bíblicos veremos que tal interpretação não tem razão de ser. Consideremos o próprio contexto dessa afirmação, e certamente veremos que esta interpretação das palavras “não julgueis” é inteiramente descabida. “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés, e, voltando-se vos dilacerem”. Como poderia eu pôr em prática essa recomendação do Senhor se me fosse vedado exercer juízo? Como eu poderia identificar o individuo do título descritivo se eu não pudesse fazer juízo nenhum a seu respeito? Em outras palavras, a injunção que se segue imediatamente após essa declaração sobre o não julgar, de imediato me pede que exerça juízo e discriminação. Mas também poderíamos tomar um contexto mais remoto tal como: “Acautelai-vos dos falsos profetas que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores”? Como poderíamos entender esta injunção? Como poderei acautelar-me dos falsos profetas se não puder pensar, se eu tiver tanto receio de fazer juízo crítico que jamais possa fazer uma avaliação dos ensinamentos de alguém? Esses falsos profetas, além disso, se nos apresentam vestidos em peles de ovelhas, o que equivale a dizer que são extremamente melífluos e empregam a terminologia cristã. Parecem pessoas inofensivas, honestas, e invariavelmente, mostram-se muito “gentis”. Entretanto, não nos devemos deixar enganar pelas suas atitudes estudadas, acautelemo-nos diante de gente dessa ordem. Nosso Senhor também diz: “Pelos seus frutos os conhecereis”..
Porém, se eu não puder usar qualquer critério, e nem exercer minha capacidade de discriminação, como poderei testar a autenticidade desses frutos e determinar entre o que é certo e o que é errado? Por conseguinte, sem necessidade de elaborarmos o nosso argumento, afirmamos a interpretação não pode ser verdadeira quando sugere que as palavras de Jesus: “não julgueis”, recomendam que sejamos pessoas caracterizadas por uma atitude frouxa e indulgente, diante de qualquer indivíduo que use o nome de “cristão”. Tal interpretação é inteiramente impossível.
Temos nesse trecho bíblico o problema dos falsos profetas, para o qual o Senhor Jesus chamou a nossa atenção. Espera-se de nós que possamos detectá-los e evitá-los, porém, isso é impossível sem o conhecimento da doutrina, e sem o exercício desse conhecimento em juízo.”

Dr Martyn Llloyd-Jones