Católicos e a Bíblia

julho 4, 2008

Quando Lutero começou a traduzir a Bíblia para o alemão, o clero católico entrou em polvorosa. Um grupo de prelados escreveu um relatório ao Papa, no ano de 1553, onde constava o seguinte trecho:

“É preciso fazer todos os esforços possíveis para que a leitura do Evangelho seja permitida o mínimo possível… O pouco que se lê na missa já basta, que ler mais do que aquilo não seja permitido a quem quer que seja. Enquanto os homens se contentaram com aquele pouco, os interesses de Vossa Santidade prosperaram, mas quando se quis ler mais, começaram a ficar prejudicados.
Em suma, aquele livro [o Evangelho] foi o que, mais que qualquer outro, suscitou contra nós aqueles turbilhões e tempestades em que por pouco não nos perdemos inteiramente.
E se alguém o examinar inteira e cuidadosamente e depois comparar as instruções da Bíblia com o que se faz nas nossas igrejas, perceberá logo as divergências e verá que nossa doutrina muitas vezes é diferente e, mais ainda, contrária ao texto: o que quer que o povo entendesse, não pararia de reclamar de nós até que tudo fosse divulgado, e então nos tornaríamos objeto de desprezo e de ódio de todo o mundo.
Por isso, é preciso tirar a Bíblia da vista do povo, mas com grande cautela, para não dar ensejo a tumultos.”

Até hoje os católicos não são incentivados a consultar a Bíblia, e a ignorância deles a respeito ficou patente numa pesquisa que se fez em vários países. A pesquisa concluiu que os católicos não conseguem responder perguntas básicas sobre a Bíblia. D. Vincenzo Paglia, presidente da Federação Bíblica Católica, que encomendou a pesquisa, realizada em nove países (EUA, Reino Unido, Holanda, Alemanha, Espanha, França, Itália, Polónia e Rússia) com 13 mil católicos entrevistados, disse em conferência de imprensa que “o texto bíblico continua a ser desconhecido, em larga medida, e pouco assimilado nos seus conteúdos específicos”. Muitos não souberam responder ou responderam erradamente que Paulo e Pedro escreveram algum dos quatro evangelhos. Alguns ficaram em dúvida quanto a Jesus ter ajudado a escrever a Bíblia, e outros não souberam responder, dentre Moisés e Paulo, qual dos dois aparecia no Antigo Testamento…

Será que esse resultado foi tão surpreendente assim para a igreja católica? Durante a inquisição, até exemplares da Bíblia em outras línguas que não fosse o latim (que o povão não entendia), foram parar nas fogueiras… a igreja católica queimou Bíblias… a Bíblia em outras línguas foi parar no Index de livros proibidos pela igreja… hoje, se um não crente queima uma Bíblia como forma de protesto, logo é taxado de anticristão.