Sobre confiança e bicicletas

janeiro 25, 2010

É comum os crentes repetirem como um chavão a frase “Eu confio em Deus”. Mas para muitos deles, isso não passa mesmo de um chavão. Boa parte das pessoas não sabe o que realmente significa essa frase que repetem tanto. Aprenderam a repetir, e repetem como se fosse uma fórmula mágica.

É um processo. Como quando seu pai ensinou você a andar de bicicleta. Lembra?

Nas primeiras vezes, o seu pai se mantinha segurando a bicicleta na vertical, enquanto ensinava você onde colocar os pés e as mãos, a pedalar, usar os freios. Além disso, a bicicleta tinha pequenas rodas auxiliares, para dar mais segurança. E enquanto seu pai ia segurando a bicicleta, você gritava para ele não soltar. Mas todo pai sabe que precisa soltar o filho com a bicicleta, senão ele nunca vai aprender a andar sozinho. Aí o seu pai soltava a bicicleta e deixava você se virar. Depois de vários tombos, onde você provavelmente ficou machucado, esfolou os joelhos ou os cotovelos, e provavelmente ficou bravo com ele por ter deixado que isso acontecesse, você finalmente aprendeu a andar sem precisar da segurança das mãos do seu pai.

Mas não acabou aí. Havia as rodinhas auxiliares, que precisavam ser retiradas. Mas como estamos falando de um processo de aprendizagem, seu pai não tirou as duas de uma vez. Tirou primeiro a rodinha de um dos lados da bicicleta. E como no processo anterior, depois de alguns tombos (e provavelmente menos machucados, porque afinal você deve ter também aprendido a cair), você aprendeu a andar sem aquela rodinha e sem cair. E seu pai estava orgulhoso. E disse: vou tirar a outra rodinha.

Aí você sentiu medo. Pensou que sem aquela rodinha nunca ia conseguir manter a bicicleta na posição, que não ia poder usar aquela rodinha como apoio para segurar a bicicleta, e o tombo ia ser feio. Mas era preciso tirar aquela rodinha. Seu pai tirou, apesar de todos os seus protestos. Claro que voltou a segurar a bicicleta nas primeiras vezes, mas às vezes ele provavelmente tirou as mãos dela, e você nem percebeu que estava andando sozinho. Chegou a hora de soltar você, sozinho com a bicicleta, sem nenhuma rodinha auxiliar. E ele disse: Vai, filho! Você consegue!

Você se apavorou de novo. Medo de cair, medo de não conseguir, medo de entristecer seu pai, que estava ali, olhando para você e pronto para te socorrer caso você caísse. Claro que você caiu. E seu pai não desistiu. Vamos tentar de novo. Eu também caí muitas vezes antes de aprender, meu filho. E você tentou, tentou, caiu, e foi melhorando. Já não caía mais, apenas quase caía, e recuperava o equilíbrio antes de chegar a cair. Até que, finalmente, conseguiu andar sozinho, sem as rodinhas auxiliares e sem o seu pai lhe segurando. E para comemorar, seu pai levou você na sorveteria.

Depois de um tempo andando de bicicleta, você começa a se achar um expert no assunto, e passa a tirar as mãos do guidão, ou os pés dos pedais, e esquece das instruções sobre segurança. E depois de anos, você volta a cair. Ou por causa da sua irresponsabilidade, machuca outras pessoas que nada tinham a ver com isso.

Aprender a confiar em Deus, é como aprender a andar de bicicleta. Se Deus ficar segurando você o tempo todo, você não vai aprender. Então Ele te solta, mesmo sabendo de todos os tombos que você vai levar. Depois que você aprendeu a guiar a bicicleta, se esquece dos princípios básicos de segurança e guia perigosamente, você cai. Aí é porque confiou mais em você mesmo do que nEle. Achou que podia inventar outra forma de guiar, diferente daquela forma segura que seu pai ensinou.

O engraçado é que, depois de ter se arriscado a guiar perigosamente e cair, alguns colocam a culpa no Pai. “Você me deixou cair.” E o Pai responde: “Quando eu ficava o tempo todo te segurando, você não queria que eu soltasse. Depois que você aprendeu a andar, você não queria mais que eu segurasse. E nem eu queria ficar segurando, porque sei que se fizesse isso, estaria atrapalhando o processo. Então, venho apenas levantar você depois que você cai. É você quem escolhe a forma de guiar a bicicleta. A  forma segura, eu ensinei anos atrás. Eu só interfiro quando você se estatela no chão, e precisa de ajuda para levantar.” Nem sempre precisamos de ajuda para levantar. Ficamos esperando que alguém tenha pena de nós, e nos ajude, nos dê a mão, quando podemos levantar sozinhos, afinal, não foi um tombo sério. Só sujamos um pouco a roupa, e nos comportamos como se tivéssemos as duas pernas quebradas.

Quando seu Pai diz: “Deixa de mimimi e levanta daí, rapaz!” é porque Ele sabe que você nem se machucou, só está tentando chamar a atenção, e voltar a ser tratado como criança.

Se você inventa formas perigosas de andar de bicicleta, ou começa a se preocupar com o que os seus pés e mãos estão fazendo, em vez de prestar atenção no caminho, nos sinais de trânsito, nos carros e nos pedestres, ou você vai cair, vai bater, ou vai atropelar alguém. Experimente andar de bicicleta, e ao mesmo tempo ficar se preocupando em contar quantas pedaladas você dá, ou quantas vezes você respira, ou quantas vezes o seu coração bate. Você vai acabar caindo. Não é em você que tem que prestar atenção, e sim na estrada e no trânsito.

O segredo não é imaginar o tempo todo que Deus está te segurando para você não cair. Ele pode fazer isso no início, mas não vai fazer para sempre, porque Ele quer você adulto, e não criança. O segredo é confiar que, na hora do tombo, se o tombo for realmente sério, Ele, que parecia ter deixado você solto, aparece do nada para te socorrer. Mas Ele também sabe que tem certos tombos que você leva de propósito, e não por acidente. E talvez deixe você ficar resmungando, até resolver levantar e seguir em frente.

Não se pergunte se Deus está te segurando ou não, para você não cair da bicicleta, simplesmente ande e saiba que, se você levar um tombo sério, Ele vai estar por perto. Se não for sério, admita isso, levante e siga em frente, em vez de ficar choramingando. Tem muitas pessoas que amam andar livremente com suas bikes, mas depois culpam Deus pelos tombos.

O que as igrejas fazem hoje, é distribuir bicicletas aos montes, mas nunca ensinam as pessoas a guiar sozinhas, como adultas. Preferem mantê-las nessa relação de dependência, que não tem nada de saudável. E a qualquer tentativa de soltá-las sozinhas com suas bicicletas, elas reagem como crianças. Esperneiam, gritam, choram, empacam, brigam e agridem a pessoa que está tentando libertá-las da mão do pastor, que insiste em segurar a bicicleta, ou até acorrentou a bicicleta na parede, para a pessoa se manter ali dentro. “Eu te dei a bicicleta, mas você não pode sair daqui com ela.” E quando caem não querem mais levantar. São birrentas, manhosas, e cheias de “não me toque”. Algumas só sabem andar de bicicleta entre as quatro paredes da igreja. Se não enxergam essas paredes, ficam paralisadas de terror. Andar de bike na rua? Nem pensar! Temos que ficar aqui, separados do mundo, lá fora é muito perigoso. E continuam ali, mesmo vendo que a grande quantidade de bicicletas circulando dentro do prédio, esteja fazendo as pessoas se machucarem mais dentro da igreja, do que se machucariam se estivessem andando livres, na rua. Igual criança que resolve andar de bicicleta dentro de casa: não dá certo. Para evitar se machucarem mutuamente, acabam ficando paradas. E olham com cara feia, caso algum corajoso resolva fazer diferente. Se resolver sair pra andar de bicicleta onde tem mais espaço, aí é como se a pessoa tivesse morrido pra elas. Muitos têm bikes paramentadas, cheias de marchas, amortecimento especial, mas só andam com elas dentro da igreja.

Igreja se transformou em estacionamento… = P


Misquoting Jesus – Bart D. Ehrman

janeiro 24, 2010

A percepção popular de que a Bíblia é um livro divinamente perfeito, encontra pouco suporte da parte de Ehrman, que vê na Escritura Sagrada, amplas evidências de falibilidade humana e políticas eclesiásticas.  Tendo sido ele mesmo educado no literalismo evangélico, Ehrman começou a perder sua fé anterior na inspiraçaõ inerrante da Bíblia, dado que os originais desapareceram e que os textos disponíveis não concordam um com o outro. A maioria das discrepâncias textuais, admite Ehrman, é sem importância, mas algumas delas afetam profundamente as doutrinas religiosas. Para descobrir como escribas ignorantes ou teologicamente manipuladores mudaram o texto bíblico, pesquisadores modernos têm desenvolvido procedimentos para comparar os textos divergentes. E em linguagem acessível para pessoas não especializadas no assunto, Ehrman explica esses procedimentos e seus resultados.  Ele ainda explica porque a crítica textual tem com frequência causado intensa controvérsia, especialmente entre protestantes . Questionando não só a autenticidade dos manuscritos existentes, como também a inspiração dos escritores originais, Ehrman divide seus leitores. Apesar de se dirigir a uma audiência popular, ele enfraquece as atitudes religiosas que fizeram da bíblia um livro muito popular. Ainda assim, é um ponto de vista útil para coleções de história bíblica.

Bryce Christensen

Misquoting Jesus: the history behind who changed the bible and why – Bar D. Ehrman


Mentiras sobre o evolucionismo contadas por crentes

janeiro 23, 2010

No livro “Não tenho fé suficiente para ser ateu” de Norman Geisler & Frank Turek, encontram-se algumas falácias mentirosas típicas usadas por crentes para justificar a não aceitação da teoria da evolução. Vamos a elas:

“De fato, Adolf Hitler usou a teoria de Darwin como justificativa filosófica para o Holocausto.”

Hitler se julgava imbuído de uma missão divina, e falava em Deus o tempo todo na mesma obra, o Mein Kampf. Só que Darwin já estava morto fazia muito tempo. Se o fato de Hitler ter usado a TE para justificar o Holocausto e suas idéias racistas, é argumento para rejeitar a TE e culpar Darwin por isso, então da mesma forma Deus deve ser rejeitado e culpado pelo Holocausto, certo? Agora todos vão espernear e dizer que não, que Deus não é culpado. Se Deus não é culpado por Hitler ter pensado que possuía aval divino para fazer o que fez, Darwin tão pouco o é, e ele mesmo era opositor ferrenho da escravidão dos negros gerada pelo racismo.

Vamos à próxima mentira. Os autores do livro, usam uma citação de um livro de 1911, que fala sobre raças, para insinuar que o “darwinismo”, justifica o racismo:

“As raças do homem. Atualmente existem sobre a Terra cinco raças ou variedades de homem, cada uma bem diferente da outra em instintos, costumes sociais e, até certo ponto, em estrutura. Existe o tipo etíope ou negro, originário da África; a raça malaia ou marrom, das ilhas do Pacífico; o índio americano; os mongóis ou raça amarela, incluindo os nativos da China, Japão e esquimós. Finalmente, o tipo mais elevado de todos, os caucasianos, representados pelos habitantes brancos e civilizados da Europa e Estados Unidos” (George William HUNTER. Essentials of Biology: Presented in Problems. New York, Cincinnati, Chicago: American Book, 1911, p. 320).

1911, meus caros… Os autores do livro de “apologética”, simplesmente ignoram que desde 1911 para cá, a biologia não parou no tempo. A opinião científica a respeito disso HOJE, SÉCULO XXI, é de que TODOS os seres humanos pertencem a uma mesma raça. Se os autores sabem disso, mas omitiram do texto, eles foram desonestos. Se não sabem, então deviam estudar mais. O que se pensa hoje sobre o assunto, é que o conceito de “raças” superiores ou inferiores, não tem embasamento científico algum, mas apenas se trata de justificativa sociológica para dominação de uns sobre outros. E mesmo na época, o Darwinismo Social, que nada tem a ver com a teoria científica da evolução, não era consenso, e HOJE, SÉCULO XXI, está refutado. Nenhum cientista evolucionista hoje, defende essa idéia estúpida de raças.

Sobre o assunto, recomendo o livro do geneticista Sergio Danilo Pena, Humanidade sem raças?, publicado pela Pubifolha. Sergio Danilo Pena, só para constar, é geneticista, evolucionista, e fala exatamente contra o racismo. E este sim, com base científica ATUAL.

E quanto ao racismo, todos nós sabemos que tanto católicos quanto protestantes eram favoráveis à escravidão, e que a KKK, movimento racista dos Estados Unidos, é de origem protestante. Assim como não podemos culpar Deus por coisas que brancos racistas fazem em seu nome, podemos culpar a TE por coisas que outros brancos racistas dizem, em nome dela? E sendo que este conceito de raças humanas diferentes, foi derrubado pela própria CIÊNCIA?

Sobre a KKK, siga o link abaixo:

KU KLUX KLAN – Racismo e religião dentro de um único círculo

Sobre o conceito de raças como teoria de dominação social, o texto abaixo:

Sobre raças humanas – Jairo de Carvalho

Desde a Antigüidade, a mentalidade ocidental convive com a idéia de que os seres humanos estão divididos em raças, mas foi no decorrer do século XIX, quando os países europeus necessitavam justificar seus projetos de expansão imperialista, que uma grande parte dos seus recursos intelectuais estiveram mais empenhados em definir e hierarquizar as raças que compõem nossa espécie.

Para classificar a variedade de fenótipos humanos, muitos cientistas trabalharam exaustivamente e sua influência deu credibilidade à afirmação de que os brancos de origem européia ocupariam os estágios mais elevados do desenvolvimento, em detrimento dos não-brancos, invariavelmente identificados com o atraso.

Muitas pessoas ganharam celebridade ao expor o resultado de suas pesquisas que, de alguma forma, reforçavam um suposto determinismo biológico aplicado às sociedades humanas, um darwinismo social. Para auferir crédito às asserções, executavam tendenciosamente análises da anatomia de grupos humanos, utilizando, inclusive, instrumentos da antropologia criminal da época, como a craniometria por exemplo, para classificar os povos e estabelecer correlações entre aparências físicas e aptidões.

A ciência do século XIX dava ao racismo o fundamento que lhe permitia justificar a escravização criminosa de milhões de africanos e o autorizava a contradizer de modo convincente o 1º artigo da “Declaração Universal dos Direitos do Homem” de que os seres humanos nascem livres e iguais.

Entre os resultados práticos da noção de que a humanidade se divide em raças, e que algumas são superiores e outras inferiores, está o extermínio de 6 milhões de judeus pelos nazistas nas décadas de 1930 e 1940.

Entretanto, com o progresso da genética e da biologia molecular, os biólogos e antropólogos observaram que nenhum gene humano é específico de uma raça e que todas as populações têm mais ou menos os mesmos genes. As suas conclusões são de que nem a genética e nem bioquímica fornece qualquer subsídio para justificar a existência do conceito “raças humanas”. Pelo contrário, afirmou-se em seu lugar, que a espécie humana é essencialmente uma só, o que municiou a ciência para atestar com absoluta segurança que as bases conceituais das afirmações anteriores não têm qualquer valor.

Assim, logo depois da Segunda Guerra Mundial, portanto após a derrota de Hitler e de suas idéias, foram realizados encontros, com o apoio institucional da Unesco, em que participaram cientistas sociais e geneticistas, os quais, diante das evidências, decidiram elaborar a “Declaração Sobre Raça” em que aparecia a afirmação de que “raça é menos um fato biológico do que um mito social”.

Desde então, alguém que defenda tal coisa corre o risco de ser visto como quem procura chifre em cabeça de cavalo, porque a evolução da pesquisa científica alcançou um outro paradigma: há uma única raça humana. Como conseqüência desse progresso, a discriminação dos não-brancos deixou de ter respaldo científico e passou a ser vista como um produto da ignorância.

A opinião acima é a opinião científica sobre o racismo hoje. Não mencionada no livro dos “apologistas”. Desonestidade ou falta de conhecimento? Deixo a cada um que tire suas conclusões.

Com relação à afirmação de Peter Singer, citada pelos autores do livro, e de outras afirmações de “darwinistas”, se tratam de opiniões pessoais dos mesmos. Se essas opiniões pessoais devem ser usadas para renegar a TE, então devemos também usar as opiniões pessoais dos pregadores da prosperidade e de todos os que mentem em nome da fé, para renegar o Cristianismo? Não, certo? Ou vamos usar dois pesos e duas medidas aqui, e aplicar para a ciência e opiniões pessoais de cientistas, um critério de julgamento diferente do que usamos para julgar a religião e as opiniões pessoais dos religiosos?

Não creio que o cristianismo precise desse tipo de “apologia”, que distorce fatos para tentar insinuar que a teoria evolucionista avaliza opiniões que ela não avaliza na realidade. Se o fato de pessoas fazerem mau uso dela, deve ser usado para rejeitar a teoria da evolução, então o fato de pessoas também fazerem mau uso da bíblia (como podemos ver ao longo de toda a história humana até hoje), também deve ser usado para que a bíblia seja rejeitada, certo? Aí vocês vão me dizer que não, que não é a mesma coisa. É exatamente a MESMA COISA.

Usar tanto a bíblia e a religião, e o próprio nome de Jesus, quanto a ciência para o bem, ou para o mal, é escolha pessoal. Não torna nem uma coisa nem outra culpadas por isso. Se a TE é culpada pelas opiniões pessoais erradas que pode gerar, a Bíblia é igualmente culpada, e Jesus é igualmente culpado, por tudo de errado que foi feito em seu nome, até hoje.  Se você não culpa a bíblia nem Jesus pelas idiotices que foram feitas e são feitas até hoje em nome de ambos, porque faz isso com a ciência? Seja imparcial.

A TE é uma teoria científica solidamente estabelecida, baseada em evidências científicas aceitas por toda a comunidade científica. Se ela contraria a leitura de Gênesis literal,vocês é que devem abandonar a leitura literal, porque é a sua leitura que tem que mudar, e não a TE. E até hoje, NINGUÉM foi capaz de refutá-la com evidências. Se alguém tivesse feito isso, a própria ciência já teria rejeitado a TE, porque a ciência, ao contrário da religião, corrige-se prontamente quando erra. Usar esse tipo de argumento, acusando Darwin de ter inspirado o racismo de Hitler, e etc, depõem mais contra quem usa esse tipo de argumento, do que contra a TE. Na TE mesmo como teoria científica, esses argumentos não fazem nem cócegas.

A TE não postula sobre existência ou não de Deus,não nega nem afirma nada a respeito disso, ela é teoria científica, e não religiosa ou anti-religiosa. Tirar ou colocar Deus na equação, é escolha de cada um, pessoal. A TE não é propriedade dos cientistas ateus, nem a ciência como um todo é ateísta. Ciência não fala de religião, pessoas com opiniões pessoais, é que falam. Convicções pessoais não são ciência.  TE é ciência pura em seu mais alto grau. Gostem disso os fundamentalistas religiosos ou não, enquanto não a derrubarem com EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS, estão apenas usando de falácias que não exercem efeito algum, a não ser para leigos que não dominam o assunto.

Outro erro dos autores do livro, é insinuar que todos os “darwinistas” são naturalistas e obrigatoriamente ateus, o que não é verdade. Existem evolucionistas em todas as religiões. Inclusive no cristianismo, como Francis Collins, por exemplo, e muitos outros, cujos nomes você pode encontrar aqui mesmo, no blog. Não houve nenhum cuidado por parte dos, em definir exatamente que estão se referindo a evolucionistas materialistas e naturalistas ateus. Nem todo evolucionista é ateu. Premissa errada. Aparentemente, a ideia foi construir uma argumentação deturpada sobre o que seja o “darwinismo”, como algo que diz respeito somente a materialistas ateus e imorais (como se moralidade dependesse de religião), ignorando o que não interessava na argumentação, ou seja, sendo parciais. Desonestidade?

E se você deseja continuar defendendo a leitura do Gênesis literal, arrume outros argumentos que não incluam dizer que a TE é mentira, porque se você afirma que ela é mentira, precisa também provar, para toda a comunidade científica internacional, e com evidências, que você está com a razão. Consegue?

E sobre a moralidade, vejam o que os ateus dizem:

Evolução é a base de uma sociedade imoral?

Alegação:

Se o evolucionismo parte do pressuposto que Deus (se e que Ele existe para eles) esta ausente dos processos que ocorrem na natureza, segue-se que os seus defensores não precisam se preocupar em dar satisfação a ninguém da sua conduta moral, pois eles e que são donos de si mesmos e não Deus! Dai surgirem as filosofias da irresponsabilidade, depravação moral e outras tragédias que se abatem pelo mundo. Dai surgirem os comportamentos animalescos que testemunhamos em nossos dias. Assassinos em série, pais matando filhos, filhos matando pais, canibais, homossexualismo, etc… E o pecado da criatura rejeitando o Criador.

Fonte: Sola Scriptura

Resposta:

A Teoria da Evolução não é moral, nem imoral, ela é amoral. Ela é descritiva. Ela descreve fatos da realidade, da natureza.

O que as pessoas fazem com esses dados é o que pode ser considerado moral ou imoral, mas a culpa não é da Teoria da Evolução, assim como a Teoria da Relatividade não é culpada pela bomba atômica.

Algumas idéias imorais, como a eugenia e o darwinismo social, são fruto de distorções e idéias incompreendidas do que é realmente a Teoria da Evolução.

Até porque a evolução e a seleção natural privilegiam comportamentos sociais benéficos, cooperação e até altruísmo como sendo mais aptos para a sobrevivência da espécie.

Referencias:

Estado de Sao Paulo

O Gene do Altruismo

Evolução leva ao Darwinismo social?

Alegação:

Darwinismo leva ao darwinismo social, a política de que os fracos deveriam morrer.

Resposta:

A origem do termo “darwinismo social” não foi de Darwin, mas sim de Herbert Spencer, indo até Hobbes via Malthus. Spencer era lamarcksista. A única conexão entre darvinismo e darwinismo social é o nome.

A Teoria da Evolução na verdade nos mostra que a sobrevivência em longo prazo de uma espécie está fortemente ligada à sua variabilidade genética. Todos os programas de Darwinismo Social apenas diminuiriam a variabilidade genética e portando diminuem as chances de sobrevivência em longo prazo, em caso de epidemias ou mudanças ambientais.

Uma boa compreensão da Teoria da Evolução mostra que darwinismo social é na verdade um risco para a humanidade, e não tem nada a ver com as idéias de Darwin.

Referencias:

http://www.talkorigins.org/faqs/evolphil/social.html

Bannister, R. C., 1979. Social Darwinism: Science and Myth in Anglo-American Social Thought. Philadelphia: Temple University Press.

Bowler, P. J., 1993. Biology and Social Thought, 1850-1914. Berkeley papers in history of science; 15. Berkeley, Calif., Office for History of Science and Technology University of California at Berkeley: 95.

Hofstadter, R., 1944. Social Darwinism in American Thought. Philadelphia: University of Pennsylvania Press.

Kevles, D., 1995. In the Name of Eugenics: Genetics and the Uses of Human Heredity. New York: Knopf.

Ruse, Michael, 2001. Social Darwinism. Chapter 10 in: Can a Darwinian Be a Christian?, Cambridge University Press.

Fonte: Ética e moralidade


Jesus: a chave hermenêutica

janeiro 22, 2010

por Caio Fábio

“Cristo é o Mestre, as Escrituras são apenas o servo. A verdadeira prova a submeter todos os Livros é ver se eles operam a vontade de Cristo ou não. Nenhum Livro que não prega Cristo pode ser apostólico, muito embora sejam Pedro ou Paulo seu autor. E nenhum Livro que prega a Cristo pode deixar de ser apostólico, sejam seus autores Judas, Ananias, Pilatos ou Herodes.” Martinho Lutero

É mais simples que pensar. Basta olhar para Jesus. Veja como Ele tratou a vida, as pessoas, a religião, os políticos, os pobres, os ricos, os doentes, os parias, os segregados, os esquecidos, os seres proibidos, os publicanos, as meretrizes, os santarrões, e o que mais você quiser…

Nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade, e Nele estão TODOS os tesouros da sabedoria e do conhecimento.

O resto, meu irmão, é invenção de quem não quer lidar com Deus, consigo mesmo e com gente e prefere lidar com letras.

A Deus/Verdade não existe como Explicação, mas tão somente como Encarnação.

A Verdade Absoluta só pode ser vivida, não pensada.

Todo pensamento acerca dela decorre da experiência; ou seja: do processo de encarnação.

Assim, para enxergar a Verdade tem-se que vê-la na Única Vida na qual ela habitou cheia de Graça, e também tem-se que vivê-la.

E o Verbo se fez carne…

Por isto é que posso discernir a Verdade em Jesus, mas ainda assim só posso discernir se eu mesmo a experimentar na vida.

A Verdade que vejo em Jesus, Encarnada Nele — eu mesmo tenho que conhecer na minha própria vida/encarnação, que é o único estado de existência que eu tive até hoje.

Quando vejo Jesus, vejo a Verdade.

Quando vivo sabendo que Ele é a Verdade, mesmo que minha existência não encarne toda a Verdade que vejo em Nele, até nos meus movimentos contra ela, eu a conheço; visto que não tenho mais como não conhecê-la, mesmo que a negasse.

Foi assim com Pedro. Ele conheceu a Verdade em Jesus, e teve que experimentá-la em si mesmo. E, provavelmente, o dia no qual ele negou Jesus, tenha sido um dia, para ele, de muito mais verdade que a noite da Transfiguração.

Assim, Jesus é a chave hermenêutica para se discernir a Palavra, mas mesmo assim, eu só a conhecerei como Verdade, se eu mesmo a provar na minha carne; e isto é o que acontece quando a gente anda no Caminho; e assim é também mesmo quando a gente tropeça.

Desse modo, a Encarnação é a chave hermenêutica, mas essa chave tem que abrir antes o meu coração. E isto só acontece no encontro entre a Verdade e a Vida. Ora, tal encontro só se dá no Caminho e no caminhar…

Jesus: a chave hermenêutica – Caio Fábio


Veja se você entendeu o evangelho

janeiro 22, 2010

por Caio Fábio

Se eu não me respeitar, não me tratar bem, e não me der atenção, quem comigo se importará?

Assim, eu sou a base de qualidade de amor que tenho para dar e receber!

Amar ao próximo como a si mesmo é o único modo de tornar o amor algo que cresça em todas as suas dimensões.

Pois, quem não ama a si mesmo jamais amará próximo nenhum.

Por outro lado, quem diz que ama o próximo, mas não se ama, está mentindo.

Amar a mim mesmo sem amar ao próximo é egoísmo e narcisismo.

Amar ao próximo sem amar a si mesmo é a Doença da Bondade Humilhada, e que com facilidade se torna tirania e loucura; tão logo o “Bom” ganhe algum poder sobre o próximo.

Sem amor ao próximo todo amor de mim para mim é doença, e se mostrará como vaidade, orgulho, arrogância, altivez, egoísmo, narcisismo e loucura.

Sem amor a mim mesmo, todo amor ao próximo não é amor; é carência, é insegurança; é necessidade de aceitação; é barganha inconsciente [às vezes até consciente]; é o que eu chamo de Doença da Bondade; a qual é tudo, menos amor.

Assim, eu sei de minha saúde interior e espiritual pela minha capacidade de genuinamente me importar com meu próximo e agir em favor dele.

Sem oração e ação todo amor é vão.

Por outro eu sei se sou capaz de amar genuinamente ao meu próximo pela minha capacidade de me amar com o respeito com o qual eu amo a quem digo amar com amor, não com doença.

“O que quereis que os homens vos façam, fazei isto vós mesmos a eles!”

É pelo amor a Deus que o meu amor por mim e pelo próximo se estabelece como amor sadio.

Porque sei que Deus me ama, eu o amo com gratidão e alegria; amo a mim mesmo com equilíbrio e segurança; e amo meu próximo como privilégio; a ele por quem Jesus morreu.

No entanto, é o amor ao próximo o fiel da balança histórico-existencial de minha vida com Deus e comigo mesmo!

Sim! Pois, mesmo que eu diga que amo a Deus não há como eu demonstrar isso fora de minha relação com o humano.

Deus não tem nenhum altar de culto fora do amor ao próximo!

Quem não entendeu isso ainda nada compreendeu do Evangelho!

Pense nisso!


Na precariedade de sua carne

janeiro 21, 2010

por Alysson Amorim

A boa difusão de uma mensagem requer arautos fiéis aos seus termos. A difusão de uma mensagem específica, a do evangelho, sempre exigiu mais. O ato de disseminar o evangelho em nada se compara ao árduo labor de copistas medievais, dobrados com fidelidade canina aos seus manuscritos; não se trata, em termos menos sinuosos, de ser fiel à letra, ao que foi gravado acerca das boas novas em tinta prudentemente estável.

O que perdemos de vista foi o escândalo da encarnação e o que dele decorre: o evangelho só pode avançar pelas mesmas vias ardentes em que trafega o sangue humano. O reino, que está potencialmente entre nós, é instaurado pelo afeto, não pela pregação expositiva; pela compaixão, não pela defesa ensandecida de sublimados sistemas.

Desbastando os helenismos que foram se acumulando em camadas rígidas sobre o evento encarnacional, chegaremos ao elementar princípio de que não fomos comissionados ao patronato de ideias abstratas; é dizer, não nos foi dada carta branca para amalhoar todas as culturas nas cercanias de nossos castelos conceituais.

Ninguém pode, com o plano de salvação no bolso do casaco, fazer o evangelho avançar meia légua que seja, pela boa razão de que plano de salvação, assim universalmente estabelecido, é delirante ilusão e doce segurança contra as exigências vertiginosas da contingência e da liberdade. É o já denunciado devaneio de que a salvação virá pela difusão das crenças corretas.

Não é demasiado lembrar que o Filho do Homem tecia para cada circunstância um gesto próprio, que de ninguém se aproximava com planos inflexíveis e respostas prontas, e que chavões não frequentavam sua boca indomável. Antes, acercava-se da gente com penetrante respeito e assombro, como quem se aproxima de universos ainda indevassados.

Em seu exemplo apreendemos que a mensagem do evangelho é de tal natureza que para ser expandida depende fundamentalmente não de nossa voz e de nossa lógica, mas de nossa coragem e de nosso sangue. Não depende tanto de uma especial aptidão em expor conceitos, suplica antes a disposição em sentar-se generosamente com adúlteras e banquetear sem recato com publicanos.

Ao arauto cumpre abandonar as solenes proclamações e tornar-se, na precariedade de sua carne, a própria mensagem.

Na precariedade de sua carne – Alysson Amorim


Daniel Dennett

janeiro 18, 2010

“Aguardo com expectativa pelo dia onde os pastores que abusarem da autoridade de seus púlpitos, para desinformar suas congregações sobre a ciência, sobre saúde pública, aquecimento global, evolução, responderão pela acusação de desonestidade.  Contar mentiras piedosas para crianças é uma forma de abuso, puro e simples. Se charlatões podem ser condenados por vender falsas curas, porque não os clérigos?”

Daniel Dennett