Reforma ou remendo?

dezembro 9, 2018

Por acaso, hoje li por alto uma postagem num blog cujo título é: 13 motivos porque a igreja brasileira é uma das mais frágeis da história pós-reforma.

Eu nem preciso de 13 motivos. Um só basta. Para muitos pastores não interessa formar cristãos que se tornam maduros na fé. Os pastores são os primeiros a preferir pessoas viciadas em leite, intolerantes a alimento sólido. Preferem quem engatinha a vida toda em vez de ensinar as pessoas a andar sobre as próprias pernas. Eles mesmos são culpados de formar gerações e mais gerações de crentes rasos, e se espantam com a fragilidade da igreja. Eles mesmos continuam insistindo na fórmula de igreja focada em usos e costumes e em falso moralismo, quando a vida cristã vai muito além dessa lista de “podes” e “não podes”.

Se você busca ser cada dia mais parecido com Cristo, entende Cristo como uma pessoa, possuidora de uma consciência própria a se refletir nas atitudes externas de forma natural. Mas olhando em volta, até a honestidade da maioria dos crentes parece forçada, e não algo que emana da pessoa por ela ter escolhido ser parecida com Cristo. O crente diz ser errado matar outra pessoa, porque “não matar” é um mandamento, ou seja, não entendeu nada.

O foco do líder evangélico em geral, assim como era com os sacerdotes do antigo testamento, continua sendo o de impor aos membros da igreja, considerada por ele como um feudo seu, os seus “valores cristãos” de fora para dentro. Mas os verdadeiros valores cristãos nascem no interior e emanam na vida da pessoa, naturalmente. Isso acontece aos poucos e é um processo para a vida toda, nada parecido com o que vemos por aí, o chavão “agora sou crente e não posso mais fazer isso e aquilo”. Não houve mudança interior nesse caso.

O líder evangélico tem uma lanterna na mão, e pensa ser seu dever forçar a luz da lanterna a entrar nas pessoas por meio de regras, usos, costumes e proibições. Criam legiões de sepulcros caiados, com muita aparência mas sem essência. Por isso não entendo o espanto deles com o resultado. Ninguém colhe uvas onde plantou um espinheiro. Isso já foi dito antes, né?


Cachorro morto

dezembro 8, 2018

xGERALF.jpg.pagespeed.ic.XjyVpCTwtODesde que me conheço por gente, nunca houve um momento onde não tivéssemos pelo menos um cachorro em casa. O normal é ter mais de um, geralmente vira latas encontrados na rua. Cães de vários tamanhos e cores, e todos os tipos de personalidade canina, habitaram nosso quintal. E quando os perdemos, é como se estivéssemos perdendo um membro da família, por mais vira lata e guapeca que fosse o cachorro. Isso continua sendo assim, depois de ter convivido e perdido vários cães nesses meus anos de vida.

E justamente por conviver com cães de todos os tipos desde sempre, qualquer notícia sobre atos de crueldade envolvendo humanos contra cães, me chama a atenção.

Não se trata de dar mais importância a um cão em relação a tantas pessoas vítimas de crueldades diversas todos os dias. Mas me entristece ver um ser humano, supostamente racional e superior, tratando um ser irracional com crueldade, como fez o colaborador do Carrefour com a Manchinha. O cão é relativamente indefeso em relação ao agressor humano. Afinal, cães não fabricam armas nem sabem usá-las. Cães não sabem fabricar venenos, nem se defender deles. Sequer sabem falar para pedir socorro ou denunciar as agressões. E muitas vezes se aproximam das pessoas por instinto, pois foram domesticados pelo homem exatamente para estar perto de seres humanos e viver junto conosco.

Quem maltrata um animal indefeso, e pior, de forma desproporcional como foi neste caso, é totalmente capaz de fazer o mesmo com outros seres humanos. É bem provável ser este o seu próximo passo na carreira violenta. Ter prazer em maltratar animais, é um dos sinais de alerta para se identificar um psicopata. Segundo o FBI, 80% dos assassinos de pessoas começam a carreira criminosa torturando animais. Sendo assim, os torturadores de animais de hoje, podem ser futuros agressores, assassinos e serial killers. Diante disso, ao fazermos vista grossa aos agressores de animais, estamos criando psicopatas em potencial.

“A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter, e quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem”. Arthur Schopenhauer