Todos somos hereges!

setembro 18, 2012

por José Barbosa Júnior

[…]O problema, quando se trata da questão do argumento “bíblico”, é que ele, simplesmente, não existe. Ou, se existe, existe imperfeito, refém de nossas interpretações e de nossas pré-leituras da própria Bíblia. Sim, por mais que nunca a tenhamos lido, quando a lemos pela “primeira vez”, antes disso já nos foi incutida uma ideia preconcebida, que acaba por delimitar nossa interpretação. Um exemplo: o “pecado original”. O texto nunca usa esse termo, e muito menos fala de “pecado” na narrativa de Gênesis, mas nós já vamos para o texto com a ideia pré-moldada: uma árvore frondosa, uma serpente enroscada nos galhos trazendo à boca uma enorme maça, linda, vermelha, e uma mulher, quase sempre loira (apesar da narrativa acontecer nas bandas do Oriente Médio), com cabelos longos e esvoaçantes que logo depois entrega a fruta, já com uma mordida, ao seu marido, de músculos bem definidos e cabelos curtos. Ele também come e, por causa disso, entra no mundo o “pecado original”. Onde estão estas coisas no texto? No texto, não estão, mas já estavam na cabeça de quem foi “ler” o texto.

Infelizmente, para decepção de muitos, lamento dizer que não existe essa coisa do “a Bíblia diz…” Deveríamos ser mais honestos e afirmar: “O que interpreto da Bíblia, neste aspecto, pode ser…”

Os que defendem a “literalidade” da interpretação bíblica são de duas espécies: os ingênuos e os mal-intencionados.

Os ingênuos são aqueles que sempre foram ensinados assim. “Irmão, a Bíblia diz que é pecado…”, “O pastor disse que a Bíblia, no original, quer dizer isso…”. Para estes, o que está “escrito”, escrito está… e deve ser seguido ao pé da letra, mesmo que isso não faça o menor sentido. Mas aqui já enfrentamos um pequeno problema: não se segue TUDO o que está escrito. O que deve ser seguido ao pé da letra é apenas aquilo que me interessa.

Acabamos por cair no segundo grupo: os mal-intencionados: gente que sabe que “não é bem assim”, mas tem que dizer que “é assim”, porque é isso que lhes confere autoridade, poder e, muitas vezes, o emprego.

Ora, qualquer estudioso minimamente honesto, sabe que não há isso que chamamos de “interpretação literal”, porque isso é simplesmente impossível.
O que há na verdade são ESCOLHAS daquilo que deva ser “ensinado” literalmente. Leia-se aqui: eu escolho aquilo que me dá poder! Aquilo que me faz estar certo e os outros errados. Neste ponto, somos todos hereges, já que a palavra “heresia” vem do grego hairesis, que significa “escolher”…e  tem exatamente essa intenção: herege é aquele que escolhe (para seu proveito) o que lhe interessa de um texto.

Essa leitura literal da Bíblia é uma falácia. Ela não existe. E quando existe, como já falei, existe milimetricamente escolhida para favorecer o “meu” ponto de vista.

Os que defendem a leitura literal da Bíblia criam armadilhas das quais eles mesmos não conseguem escapar. Não conseguem, mas tentam… e sobra pra “soberania” (no caso dos históricos) ou pro “mistério” (no caso dos pentecostais, neo, etc…). É mais ou menos o “bota na conta do Papa”, frase pitoresca do filme “Tropa de Elite”.

Porque se formos totalmente literais, estamos em maus lençóis, nós e o Deus a quem dizemos servir… um Deus que mandou matar muita gente, que manda os homens todos de uma nação despedirem suas mulheres e filhos, e os lançarem  ao deserto; um Deus que manda matar a família toda de um cara porque ele escondeu “despojos de guerra”; um Jesus que fica bravo porque a figueira não tem fruto (fora da estação de frutos) e manda-a secar; enfim, um Jesus que diz que, caso teu olho ou mão te façam escandalizar, é melhor arrancá-los (Ah! Não…. esse é um dos versículos que nem os literalistas gostam que seja literal)…

Então você sugere que a Bíblia contenha erros históricos e de interpretação? Exatamente! O conceito de inerrância é o que sustenta o edifício da literalidade… aliás são retroalimentadores.

A Bíblia não arroga ser um livro histórico, nem mesmo um livro doutrinário… ela é um livro da fé. E da fé de um povo! E acompanha o desenvolver da fé desse povo… de seu “descobrir” Deus, ou daquilo que pensa ser Deus… e cuja revelação se dá, para um outro povo (já que o povo “original” não reconhece essa revelação) em plenitude, numa pessoa: Jesus, o Deus encarnado.

Ora, se Jesus é a encarnação do Deus que desde o princípio se revela… ou Deus mudou muito ou há algo de errado naquilo que se entende de Deus até então. E dizer que Deus mudou causa furor nos “literalistas”, ainda que, literalmente o texto diga que Deus “se arrependeu”. Neste caso ocorre uma coisa engraçada, que só reforça a heresia de cada um. Os fundamentalistas, impedidos que são de acreditar num Deus que mude de ideia, tem que dar um jeito nos textos que afirmam isso (as ginásticas para fazer um texto encaixar numa teologia sistemática são muito engraçadas). Tiram da cartola, então, o conceito de antropopatia, que seria atribuir a Deus sentimentos humanos quando não conseguimos explicar o que realmente acontece com a divindade. Qual o problema? É que a antropopatia só vale nos textos em que Deus se arrepende. Nos outros textos, todos os sentimentos são “literais”. Interessante, não?

Não existe leitura “pura” da Bíblia. Toda leitura bíblica já é, em si, uma interpretação. E se é uma interpretação, não pode mais ser “literal”. O sentido já foi deturpado há muito. Como saber, então, o sentido verdadeiro do texto? Fácil, pergunte ao seu autor (se bem que o texto geralmente é polissêmico e não pertence mais ao seu autor depois de escrito). Mas, como perguntar ao autor, se este já não existe mais há milênios? Quem poderá resolver o problema? É aí que os literalistas são mais esquizofrênicos. Criam a “iluminação” do Espírito para que haja a VERDADEIRA interpretação do texto. Claro, porque para defender isso também têm que colocar o Espírito Santo como verdadeiro autor das Escrituras. Logo, se Ele é o autor, Ele nos responderá.

Muito boa resposta!

Mas… qual “Espírito Santo” estará com a razão?

O da Igreja Católica, que também inspira o magistério na “interpretação”?

O dos protestantes históricos, para os quais o Espírito não dá mais línguas, mas que é uma babel de interpretações?

O dos pentecostais, cuja pluralidade de línguas nos faz imaginar que cada língua é uma estranha interpretação?

O dos neopentecostais, que produz pastores em série, com a mesma voz e o mesmo discurso, mas com interpretações cada vez mais loucas?

O de outras confissões religiosas (ou você acha que o vento só sopra debaixo do nosso nariz)?

Resolvi caminhar com a interpretação plena em Jesus… e o que se parece com Ele, eu procuro seguir… o que não se parece, descarto, como sendo algo fruto de uma época e de um contexto, mas não tendo mais o que dizer hoje.[…]

Todos somos hereges! – José Barbosa Júnior – Crer e pensar

Sou herege, e você? Seja um pouco mais herege, e leia o texto todo, está no link acima.


O sermão definitivo

abril 15, 2011

E Jesus, vendo a multidão, subiu a um monte, e, assentando-se, aproximaram-se dele os seus discípulos; E, abrindo a sua boca, os ensinava, dizendo: Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados; Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra; Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos; Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia; Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus; Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus; Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós. Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus. Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus. Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo. Eu, porém, vos digo que qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno. Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão e, depois, vem e apresenta a tua oferta. Concilia-te depressa com o teu adversário, enquanto estás no caminho com ele, para que não aconteça que o adversário te entregue ao juiz, e o juiz te entregue ao oficial, e te encerrem na prisão. Em verdade te digo que de maneira nenhuma sairás dali enquanto não pagares o último ceitil. Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. Portanto, se o teu olho direito te escandalizar, arranca-o e atira-o para longe de ti; pois te é melhor que se perca um dos teus membros do que seja todo o teu corpo lançado no inferno. E, se a tua mão direita te escandalizar, corta-a e atira-a para longe de ti, porque te é melhor que um dos teus membros se perca do que seja todo o teu corpo lançado no inferno. Também foi dito: Qualquer que deixar sua mulher, dê-lhe carta de desquite. Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de prostituição, faz que ela cometa adultério, e qualquer que casar com a repudiada comete adultério. Outrossim, ouvistes que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás os teus juramentos ao Senhor. Eu, porém, vos digo que de maneira nenhuma jureis; nem pelo céu, porque é o trono de Deus; Nem pela terra, porque é o escabelo de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei; Nem jurarás pela tua cabeça, porque não podes tornar um cabelo branco ou preto. Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna. Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes. Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim? Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus. Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles; aliás, não tereis galardão junto de vosso Pai, que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; Para que a tua esmola seja dada em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, ele mesmo te recompensará publicamente. E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles; porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes de vós lho pedirdes. Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; O pão nosso de cada dia nos dá hoje; E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores; E não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal; porque teu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém. Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas. E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, Para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente. Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração. A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas! Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom. Por isso vos digo: Não andeis cuidadosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? E, quanto ao vestuário, por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé? Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? (Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal. Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão. Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem. Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á. E qual de entre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem? Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas. Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem; Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda. E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina; Porquanto os ensinava como tendo autoridade; e não como os escribas.

Mateus 5 a 8


Receita para anular a subversão de Jesus…

março 25, 2011

E, passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus. Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo. Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego. E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo. Então os vizinhos, e aqueles que dantes tinham visto que era cego, diziam: Não é este aquele que estava assentado e mendigava? Uns diziam: É este. E outros: Parece-se com ele. Ele dizia: Sou eu. Diziam-lhe, pois: Como se te abriram os olhos? Ele respondeu, e disse: O homem, chamado Jesus, fez lodo, e untou-me os olhos, e disse-me: Vai ao tanque de Siloé, e lava-te. Então fui, e lavei-me, e vi. Disseram-lhe, pois: Onde está ele? Respondeu: Não sei. Levaram, pois, aos fariseus o que dantes era cego. E era sábado quando Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos. Tornaram, pois, também os fariseus a perguntar-lhe como vira, e ele lhes disse: Pôs-me lodo sobre os olhos, lavei-me, e vejo. Então alguns dos fariseus diziam: Este homem não é de Deus, pois não guarda o sábado. Diziam outros: Como pode um homem pecador fazer tais sinais? E havia dissensão entre eles. Tornaram, pois, a dizer ao cego: Tu, que dizes daquele que te abriu os olhos? E ele respondeu: Que é profeta. Os judeus, porém, não creram que ele tivesse sido cego, e que agora visse, enquanto não chamaram os pais do que agora via. E perguntaram-lhes, dizendo: É este o vosso filho, que vós dizeis ter nascido cego? Como, pois, vê agora? Seus pais lhes responderam, e disseram: Sabemos que este é o nosso filho, e que nasceu cego; Mas como agora vê, não sabemos; ou quem lhe tenha aberto os olhos, não sabemos. Tem idade, perguntai-lho a ele mesmo; e ele falará por si mesmo. Seus pais disseram isto, porque temiam os judeus. Porquanto já os judeus tinham resolvido que, se alguém confessasse ser ele o Cristo, fosse expulso da sinagoga. Por isso é que seus pais disseram: Tem idade, perguntai-lho a ele mesmo. Chamaram, pois, pela segunda vez o homem que tinha sido cego, e disseram-lhe: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador. Respondeu ele pois, e disse: Se é pecador, não sei; uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo. E tornaram a dizer-lhe: Que te fez ele? Como te abriu os olhos? Respondeu-lhes: Já vo-lo disse, e não ouvistes; para que o quereis tornar a ouvir? Quereis vós porventura fazer-vos também seus discípulos? Então o injuriaram, e disseram: Discípulo dele sejas tu; nós, porém, somos discípulos de Moisés. Nós bem sabemos que Deus falou a Moisés, mas este não sabemos de onde é. O homem respondeu, e disse-lhes: Nisto, pois, está a maravilha, que vós não saibais de onde ele é, e contudo me abrisse os olhos. Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve. Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença. Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer. Responderam eles, e disseram-lhe: Tu és nascido todo em pecados, e nos ensinas a nós? E expulsaram-no. Jesus ouviu que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: Crês tu no Filho de Deus? Ele respondeu, e disse: Quem é ele, Senhor, para que nele creia? E Jesus lhe disse: Tu já o tens visto, e é aquele que fala contigo. Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou. E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem sejam cegos. E aqueles dos fariseus, que estavam com ele, ouvindo isto, disseram-lhe: Também nós somos cegos? Disse-lhes Jesus: Se fosseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece.

João 9

Uma pena, que um texto tão cheio de significados, que apresenta Jesus em toda a sua subversão contra os poderes religiosos da sua época, conseguindo, numa única oportunidade, desfazer uma crença errada dos discípulos, curar uma pessoa, fazer com que ela passasse a crer nele, e atacar os fariseus direta e indiretamente, é transformado numa mera “receita pra curar cego de nascença, usando terra e saliva”, na interpretação de muitos evangélicos…

E então os caras saem por aí, colocando terra com cuspe nos olhos dos outros (e alguns cobrando pra fazer isso), sem perceber nada do resto.


A igreja de Simão venceu a parada?

outubro 17, 2010

por Caio Fábio

Quando Estêvão morreu apedrejado em Jerusalém, deflagrou-se uma salutar dispersão de discípulos. Isto porque contra a ordem de Jesus, depois de receberem o dom do Espírito Santo, no Pentecoste, ao invés de irem por toda Judéia, Samaria e até os confins da Terra, preferiram ficar em Jerusalém.

A ordem de Jesus era para que ficassem em Jerusalém apenas “até que fossem revestidos de poder”. O poder veio. Mas eles ficaram.

Então o apedrejamento de Estevão os obrigou, em razão da perseguição que se seguiu, a se dispersarem por toda a Judéia e Samaria.

De fato, o texto grego diz que eles foram “semeados” por toda Judéia e Samaria. Então, pela primeira vez, começaram a anunciar a Boa Nova onde quer que fossem ou estivessem; e fazendo isto de modo hebreu, desinstalado, indo, e pregando; assim como batizando os que cressem; ensinando-os, também, o Evangelho; e que era simplificadamente ensinado como três coisas: as historias sobre Jesus e Seus ensinos (narrativas orais da vida de Jesus); a afirmação de que a desobediência e intento invejoso e homicida das autoridades judaicas, acabou por cumprir as profecias acerca do messias; e, também, que ao morrer e ressuscitar, Jesus vencera a morte, oferecendo vida eterna a quem cresse — sendo que o grande dogma dessa fé era o amor a Deus expresso ao próximo. E isto tudo com oração pelos doentes, com imposição das mãos, e a libertação dos oprimidos pelos espíritos que os obsessadavam, os quais ficavam livres em nome de Jesus (Atos 8).

O diácono Felipe, companheiro de Estevão, e que é aquele que também pregou ao Ministro das Finanças da Etiópia, e que o batizou — foi o primeiro a chegar à Samaria e a pregar; fazendo também grandes milagres; o que trouxe grande alegria àquele lugar.

Ora, ali estava certo homem chamado Simão, o qual era respeitado como grande figura, considerado o Grande Poder, e que na História é mencionado por Irineu como realmente tendo tido um expressivo número de discípulos, garantindo que Jesus era a Palavra de Deus, mas que ele, Simão, era o Espírito, o poder do divino, na forma masculina, já que Helena, uma ex-prostituta que era sua mulher e com ele andava, era afirmada por ele como sendo a dimensão do divino no feminino; visto que ela fora uma prostituta, e que agora era uma deusa, mostrando assim que o Espírito tem o poder de incluir a todos. Simão, porém, seria a manifestação mais divina dessa nova “emanação” de Deus.

O livro dos Atos dos Apóstolos, escrito por Lucas, o historiador de Paulo e grande amigo dele, nos diz que Simão ouviu, viu, creu, foi batizado, e passou a seguir a Pedro, João e Felipe bem de perto — isto porque Pedro e João haviam descido até a Samaria para ver o que estava acontecendo —; ficando extasiado com o fato de ver não somente os milagres, mas ante a constatação de que os apóstolos impunham as mãos e as pessoas recebiam o dom do Espírito Santo, que se manifestava, para testemunho aos que viam, mediante sinais sensoriais, como o falar em outras línguas.

Foi então que Simão, vendo a sinceridade de tudo, foi tomado pelos seus vícios de alma, pela sua Síndrome de Onipotência e de Lúcifer; pois, percebendo que aquilo era lindo, viu também que, no caso de um homem como ele, deveria se transformar num grande negócio.

Assim, a ganância de Simão venceu sua breve alegria!

Ele, que já havia sido considerado muito grande, e que a si mesmo chamava de “O Grande Poder”, não tendo nada mais importante dentro de si mesmo do que avidez por poder, status e dinheiro —, ofereceu dinheiro a Pedro, para que ele, Simão, também recebesse aquele poder de conceder o Espírito pela imposição das mãos.

Simão ficara impressionado pelo fato de que ele era um mágico do status de um David Cooperfield, e sabia o que era verdadeiro e o que era falso no mundo sobrenatural e da ilusão; posto que ele era um grande mestre da ilusão.

Agora, entretanto, ele via algo sincero e verdadeiro realmente acontecendo. Todavia, em razão de sua Síndrome de Onipotência e de Lúcifer, além de ter estímulos orgásticos ao fazer o povo delirar — Simão, que sabia que tudo quanto ele fazia era fake, viu no poder do Espírito Santo um “novo mover”, uma nova chance de renovar o repertório; e algo que não era espetáculo “de um indivíduo” apenas, mas, muito além disso, era um poder que se fazia sentir nos outros — o que certamente daria a ele, Simão, muito mais poder ainda; quem sabe até concedendo-lhe a chance de ter sua própria “igreja”, conforme Irineu mais tarde diria.

“Concede-me também a mim este poder” — pede ele a Pedro, oferecendo-lhe dinheiro como pagamento pela compra da benção.

Pedro diz que o dinheiro dele fosse com ele para a perdição; pois, Deus e Seu dom não estavam à venda. Portanto, afirmava que o mágico não teria parte naquele ministério; pois seu coração era cheio de maldade e que o intento de seu coração era perverso.

Além disso, Pedro enxergou angustia de morte na alma de Simão, ao dizer-lhe que sua alma estava em fel de amargura e laço de iniqüidade; e isto não sem dizer ao ser ganancioso que se arrependesse, na esperança de ser curado de seu vício essencial, de sua Síndrome de Onipotência e de Lúcifer.

Simão apavorou-se e pediu que eles, Pedro e João, orassem por ele, para que nenhum mal viesse sobre ele.

É de Simão que vem a designação humana desse pecado de tentar comprar as bênçãos de Deus. Trata-se do Simonismo.

Entretanto, pergunto:

O que teria acontecido se Pedro tivesse ficado também tentado, não pelo dinheiro, mas pelo poder que ganhara sobre Simão, o Grande Poder — bem conhecido na Samaria e fora de Israel — e tivesse “vendido” a encenação da concessão do Espírito Santo?

A resposta é simples:

Um “Cristianismo” de versão IURDIANA teria nascido há quase dois mil anos!

Um livro apócrifo chamado de “Os Atos de Pedro” continua a narrativa que o livro dos “Atos dos Apóstolos” encerra. E acrescenta que Simão teria prosseguido em seu caminho, vindo, posteriormente, a desafiar a Pedro, tendo levitado diante do apóstolo e de uma grande multidão. Mas Pedro teria orado, e Simão teria despencado ao chão; tendo sido depois disso apedrejado pela multidão.

É obvio que tudo isto é “apócrifo”; servindo para mim, aqui, apenas como uma ilação acerca do que poderia ter acontecido a Simão. Isto por que, como disse, o livro de “Atos” não diz nada. Deixando que Simão entre para a história como uma Dúvida.

Sim, os “Simões” são Dúvida!

Eles podem até ser batizados. Eles amam o sobrenatural. Mas eles são viciados na ilusão e na manipulação. Têm Síndrome de Grande Poder. Assim, não se sabe o que lhes acontecerá no coração quando são confrontados pela verdade da sinceridade pura do Evangelho.

Quando Pedro disse “arrepende-te”, obviamente ele estava afirmando uma difícil, porém, real possibilidade. Digo isto porque a conversão de gente acostumada à manipulação do ilusionismo ou do sobrenatural é algo muito complicado. A maioria está viciada na heroína do poder. Entretanto, pode ser que se arrependam.

Pedro, entretanto, nos diz como a alma de Simão estava. O que havia nele era fel de amargura e laço de iniqüidade.

Fel de amargura equivale à mágoa e complexo de inferioridade. Daí ele querer poder; e mais que isto: se chamava de O Grande Poder.

Já o laço de iniqüidade é o “estado mental reprovável”; e que é um processo vicioso de pensar, ver e sentir.

Simão é um prato cheio para a Psicanálise também!

O que nós temos hoje em boa parte do meio chamado religiosamente de “cristão” é a prevalência do pior: Pedro vendeu a benção e Simão comprou!

E mais: no momento em que Pedro “vendeu”, vendeu-se para Simão. Assim, agora, Simão é o chefe de Pedro. Este é o nível da perversão.

Que Deus salve Pedro!

Que Deus salve Simão!

Que Deus livre Pedro de virar Simão!

Que Deus converta o Pedro que se tornou Simão!

Que Deus nos salve do Engano de Simão!

NEle,

Caio

A igreja de Simão, o mágico, venceu a parada? – Caio Fábio


Deus do Antigo Testamento e Deus de Jesus

junho 28, 2010

por David de Oliveira

Fiquei sabendo desse rapaz afegão, Abdul Rahman, que se converteu ao cristianismo. Já sabia que o islamismo não admitia apostasias e que quem se convertia a outras religiões, corria o risco de ser condenado à morte, mas achava que era apenas conversa sem fundamento. A intolerância religiosa é um sentimento humano bastante primitivo e inadmissível em pleno século 21! Quanto mais forte for a intolerância numa determinada religião, mais afastada do Deus de Jesus ela estará. A intolerância religiosa vem do conceito exclusivista primitivo de Deus. Creio que ela vem da própria Bíblia, no Velho Testamento, em que se formaram “convicções” de que Deus era partidário de um povo, em detrimento de todos os outros. Esses sentimentos de indisposições estão representados nos nossos dias com as diversas facções religiosas. Cada qual se acha na exclusividade de Deus e o mundo “tem que” migrar para os seus redutos. É com muito pesar que admito esse sentimento, também na maioria do chamado meio “evangélico” e católico; claro que proporcionalmente muito mais brando e velado, mas infelizmente é uma realidade.

Nem no monte Gerizim (dos cananeus), nem no Templo de Jerusalém (dos judeus) adorareis o Pai, mas os verdadeiros adoradores adorarão (o Pai) em espírito e em verdade, João 4:21/23. A religião cristã verdadeira é acima de tudo universal e contemplativa, isto é, Deus é pai de todos os povos e está acima de qualquer questão humana que causa divisão; seja étnica, econômica, cultural, filosofal, política geo-espacial e até mesmo religiosa. É espiritualmente orientada na forma pessoal direta, criatura/criador/criatura (imanência/transcendência/imanência). Jesus foi o primeiro grande quebrador de facções preconceituosas étnicas e religiosas. Apesar de ser essa, a orientação de adoração cristã, é justamente o atalho para se fugir das terceirizações religiosas, onde estão as tocas dos lobos, a que Paulo se referia e que constituem as más religiões de todas as épocas.

Elaborar textos de discussões e questionamentos sobre os conceitos primitivos do Deus do Velho Testamento é tarefa que quase todo mundo tem medo de o fazer. Aprendemos desde a tenra idade que a nossa religião é obedecer a um chefe e toda a forma de exposição da reflexão individual tem um clima de heresia (heresia, como o pensar diferente e não errado) e apostasia. Então o pensamento reinante é: Se, para expor minhas dúvidas é preciso cair no buraco das minorias heréticas, então vou me agüentando no platô dos hipócritas.

Fomos amedrontados diante do Deus do Velho Testamento; jogaram todo aquele conceito do Deus vingativo em nós e ficamos também com medo do Deus de Jesus. Diziam para nós: Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo, descontextualizando vários contextos.

Ficar calado no meio “religioso”, nem sempre revela aceitação total. A unanimidade calada das platéias dos sermões, religiosamente direcionados é tarefa extremamente exaustiva para quem é conhecedor autônomo da Palavra e não é hipócrita. Quanto mais tempo se agüenta nesse ambiente “religioso”, tanto mais se anula a capacidade contemplativa, isto é, no fundamento principal da verdadeira religião de Jesus de Nazaré.

Desse deus religiosamente formulado, eu sou um ateu convicto. Aliás, tenho me tornado ateu de muitos deuses manipuláveis, ultimamente.

Jesus de Nazaré; o primeiro questionador do tanach (Velho Testamento) e Paulo, o melhor cristão.

O primeiro corte do cordão umbilical do Velho Testamento e do “evangelho de Moisés” foi feito por Jesus, a maior revelação mundial do verdadeiro Deus de todos os povos. Até então, ninguém ousava questionar a Torá (Lei).

Ouvistes que foi dito: (…), eu, porém vos digo. Esse… Porém, é conjunção coordenativa adversativa. Indica o início de um segundo período contrário ao primeiro, e irá contradizê-lo ou questioná-lo. Mateus 5: 22,28,32,34,39,44.

A segunda cisão (do cordão umbilical) mais importante depois de Jesus, foi feita através da revelação de shaul (Paulo). Ele jogou no lixo, toda orientação que teve, (de sua formação rabínica do tanach) (Velho Testamento) e da Torá (lei, pentatêutico), para abraçar unicamente a revelação de Cristo. Filipenses 3:7/9

O Tanach (Velho Testamento); Seria uma História bem contada?

 

O Velho Testamento é, sobretudo, uma História nacionalista. Humanamente falando, não estão errados; de exaltarem seus personagens e contarem de forma romântica e heróica, a história de seu povo, mas dá-se a impressão de que todos os outros povos formavam o eixo do mal. Já vi este filme.

Ele (Deus, na noção primitiva) estava pronto para fazer justiça e juízo imediatos a quem o desagradasse. Vingativo, principalmente para quem não era do “Seu povo” e da minoria de alguns rebeldes que eram pegos em ações que o desagradavam. Não amava os outros povos; pelo contrário, matava-os e mandava matá-los sem compaixão. I Samuel 15:3. Este Deus sanguinário, austero, sem amor e misericórdia, não é o Deus de Jesus de Nazaré. O Deus de Jesus não vence o mal com o mal.

Quem invadiu quem, em Canaã?

As perguntas que se faz hoje em dia, com relação à Palestina são: quem invadiu quem? Quem é o agressor? Ou quem primeiro matou quem?

A história da terra prometida começa a partir de 1800 aC, quando Abrão e seu clã saem de Ur dos Caldeus a 300 km da atual Bagdá do Iraque e vai parar em Canaã; terra que já era dos cananeu, descendentes de Cam, filho abençoado de Noé (Génesis 12:6 ), desde 5000 aC.

Abrão chegou e não se fixou na terra prometida; logo armou suas tendas e foi para o Egito fugindo da fome (os povos que já estavam lá se agüentaram como puderam). A terra prometida ainda não estava muito boa para Abrão.

No Egito, se enriqueceu à custa daquela mentira contada ao rei, de que Sara não era sua mulher, então o rei amedrontado deu-lhe das riquezas daquele Estado Génesis 12:11/16. O que se pode entender é que Abrão vendeu sua mulher para obter as riquezas do Egito. Expulso, foi “de novo” para Canaã. Rico, e com muitos homens em seu clã, finalmente se fixou em Hebrom. Em Canaã já estavam o queneu, o quenezeu, o cadmoneu, o heteu, o perizeu, os refains, o amorreu, o cananeu, o girgaseu, e o jebuseu há mais de 5000 aC.

Por volta de 1.300 a.C., Jacó, um dos netos de Abraão e seus doze filhos partiram para o Egito. Esaú, o outro neto, permaneceu em Canaã e se misturou com os descendentes do abençoado Cam, filho de Noé Génesis 9:1 , os cananitas.

Por volta do ano 750 aC, está de volta “de novo”, Jacó,  representado por aquela multidão, os israelitas, vindos do Egito. Só que Canaã já está bastante habitada pelos edonitas, “que é Esaú”, primitivo primo; pelos filisteus, cananeus e seus derivados.

Na minha infância, havia uma pequena regrinha que se chamava “saiu ao vento, perdeu o assento”. Quando havia poucas cadeiras em um cômodo e alguém que estava assentado, saia; outro alguém ocupava o lugar deixado por aquele outro; então se dizia: saiu ao vento, perdeu o assento; aquela pessoa se conformava, pois não valorizara o seu lugar.

Invasões e carnificina em nome de Deus

Antes mesmo de atravessarem o Jordão, os israelitas, vindos do Egito, começaram a se prostituírem com as moabitas; então o austero Deus dá a seguinte ordem: Enforcai a todos os cabeças (lideres), ao ar livre. Um tal de Finéias atravessou um lança na barriga de um israelita e de uma midianita ao mesmo tempo. Foi o bastante para aplacar a ira de Deus, mas mesmo assim morreram vinte e quatro mil de uma certa praga. Números 25.

A primeira carnificina foi contra os pobres dos midianitas. Mataram todos os seus homens; incendiaram suas casas e animais, mas preservaram as mulheres e suas crianças. Moisés não ficou satisfeito e mandou matá-las também. Agora, pois, matai todo o homem entre as crianças, e matai toda a mulher que conheceu algum homem, deitando-se com ele. Porém, todas as meninas que não conheceram algum homem, deitando-se com ele, deixai-as viver para vós. Números 31: 17/18.

Era mandamento de Deus, segundo os israelitas, a destruição total daqueles moradores nativos e de suas religiões. Deuteronômio 7.

E chamou Moisés a Josué, e lhe disse aos olhos de todo o Israel: Esforça-te e anima-te; porque com este povo entrarás na terra que o Senhor jurou a teus pais lhes dar; e tu os farás herdá-la. Deuteronômio 31:7. Essa terra que Moisés está dizendo, já era de Abraão, e de seu filho Isaque, pai de Israel, e do próprio Israel! Abraão já a havia possuído (invadido), há quatrocentos anos atrás, mas Jacó, seu neto, não se fixou nela; antes, foi para o Egito, uma economia mais estável. Não podemos esquecer que Esaú, filho de Isaque, e irmão de Israel; permaneceu naquela terra para povoá-la. A maior parte dos inimigos de Israel era, portanto da descendência de seu irmão gêmeo, Esaú; filho legítimo de seu pai Isaque! Não tem sentido, um irmão “herdar na força” o que é de seu irmão gêmeo! Jacó, assim como Esaú, não fez muito caso de sua herança, antes a trocou pelo abrigo dos egípcios. Por que tanta briga, tanta facção familiar?

Ainda hoje vemos esse quadro, com pessoas se refugiando em países ricos e prepotentes, deixando seus patrícios se virarem como podem. Não querem assumir os problemas, ou ajudar a construir, mas só pensam na vantagem egoística. É prova de falta de idealismos pátrios; querem somente levar vantagem imediata para si e suas famílias; lucrar com o que já está pronto. Não ficam quietos em lugar nenhum!

Por que aquele povo que ficou a passar fome em Canaã, (quando Jacó partiu), não tinha o direito de viver em sua terra nativa? Não tem sentido!

Entra em cena, Josué, e desencadeia uma série de sangrentas invasões bélicas “em nome de Deus”. A segunda vítima é a cidade Cananéia de Jericó, que foi totalmente arrasada, juntamente com os seus habitantes. E tudo quanto havia na cidade destruíram totalmente ao fio da espada, desde o homem até à mulher, desde o menino até ao velho, e até ao boi e gado miúdo, e ao jumento. Josué 6:21.

E assim, foi com todas as cidades da região; os moradores se defendendo e os israelitas arrasando a todos.

Quando invadiram Canaã, os israelitas, encontraram os cananeus com os seus costumes e seus ritos religiosos, especialmente na apresentação de ofertas sacrificiais ao deus Baal. Era uma forma (errada) de adoração de um povo primitivo. Justamente por isso, os israelitas achavam que deviam exterminar a todos os moradores de Canaã. Além de ser o mais novo invasor e agressor, queriam que todos se convertessem à força à sua religião!

Se ainda existir um DNA de Josué em algum torrão da palestina, este DNA ainda está agonizando pela sua crueldade, como esta: E sucedeu que, trazendo aqueles reis a Josué, este chamou todos os homens de Israel, e disse aos capitães dos homens de guerra, que foram com ele: Chegai, ponde os vossos pés sobre os pescoços destes reis. E chegaram, e puseram os seus pés sobre os pescoços deles. Então Josué lhes disse: Não temais, nem vos espanteis; esforçai-vos e animai-vos; porque assim o fará o Senhor a todos os vossos inimigos, contra os quais pelejardes. E, depois disto, Josué os feriu, e os matou, e os enforcou em cinco madeiros; e ficaram enforcados nos madeiros até à tarde. Josué: 10:24/26.

O Deus revelado por Jesus é diferente.

Jesus, por outro lado, nos apresenta o Seu Deus e Pai com outros conceitos absolutamente contrários aos do Velho Testamento. Mostrou-nos a Sua misericórdia, e o Seu amor para com toda a humanidade, independendo de raça, religião, posições humanas, sexo, ou seja, lá o que causa separação entre os homens Gálatas 3:28. O Deus de Jesus é aquele que “amou o mundo (humanidade), de tal maneira…”. João 3:16.

O Cordeiro de Deus não mata nem manda matar nenhuma pessoa que está em pecado ou tem outra religião diferente da nossa, mas tira o pecado do mundo

João 1:29 com o Seu amor constrangedor II Coríntios 5:14 e consciente Romanos 6:17 e está pronto para perdoar e salvar todo aquele que crê João 6:40 e Ele (Jesus), quer que todos se salvem e venham ao conhecimento da verdade. I Timóteo 2:4. Jesus nos dá o direcionamento de uma vida justa, modesta e sem aquele espírito de vingança e arrogância. O perdão é fundamental para aquele que ama Mateus 5:44. O egoísmo do “homem vencedor” do velho testamento é trocado pelo ensinamento do “quem ama, dá a sua vida pelos amigos” João 15:13 ). O amor absoluto e infinito de Deus não é relativo quanto à compreensão e natureza humanas.

O amor de Jesus é uma centelha que contagia a todos os homens. Somos interagidos neste amor que não somente perdoa nossos pecados, mas também absorve toda a nossa maldade e nos leva para junto do Pai. É um processo consciente e sem trauma de culpabilidade. Não há ameaças nem barganhas. Somos transformados de glória em glória na bondade revelada do Pai, Jesus. Somos “o povo de Deus” e não precisamos brigar ou matar ninguém para conquistar nada.

Em Jesus somos salvos, não porque deixamos de pecar, ou porque nos tornamos melhores, de uma “raça pura”, mas porque deixamos-nos salvar; e essa salvação não depende de nós; porque a salvação não está em nossa destreza ou em nossas mãos. Se aceitamos nos salvar é porque cremos, e se cremos já somos salvos. A salvação é voluntária na medida do deixar-se agir pelo Espírito. Não há salvação pela força e nem pela violência, mas pelo Espírito.

A pessoa abençoada em Jesus não precisa aparecer com sinais de riquezas materiais ou força ou beleza física, ou ostentações, ou outros atributos sociais, financeiros, étnicos, educacionais; tal como era definido no Antigo Testamento, que determinava o homem abençoado pela sua raça, poderio militar, cabeças de animais, mulheres, concubinas e escravos. Não há, em nenhum lugar nos evangelhos de Jesus, promessa de prosperidade terrena, seja ela qual for, para quem decide seguir a Cristo.

Termino, parafraseando Josué: Escolhei a quem sirvais; se ao deus dos conceitos primitivos e sanguinários ou ao Deus de Jesus de Nazaré; eu, porém servirei somente ao Deus de Jesus de Nazaré.

Deus do Velho Testamento e Deus de Jesus – David de Oliveira