God, Sky & Land: Genesis 1 as the ancient hebrews heard it – Brian Bull and Fritz Guy

[…]Alguém com a firme convicção de que o fluxo de inspiração sempre flui diretamente de Deus ao profeta, sem nenhuma ondulação ou perturbações, e que Genesis é para ser entendido como algo vind de Deus para o profeta escrever, pode razoavelmente  concluir que a Terra tem apenas alguns milhares de anos de idade e que cada ser vivo e a terra mesmo vieram a existir durante seis dias consecutivos e contíguos de 24 horas. Seguir essa linha de raciocínio leva esta pessoa a ver a desconexão entre Genesis e a ciência como um desentendimento passageiro que, questão de tempo, va desaparecer – quando mais evidências científicas forem descobertas. Então a única coisa requerida é paciência. Afinal de contas, Deus falou aos profetas o que era para escrever, Deus é onisciente, e com certeza Deus não pode mentir, certo?

Se, por outro lado, o caminho da inspiração é entendido como sendo um pouco mais complicado – como na abordagem “Deus, a comunidade e os profetas” – então as descobertas da ciência podem ser levadas a sério na medida em que acontecem. Como consequência há uma séria e  e contínua tentativa de incorporar essas descobertas em uma compreensão sobre como são as coisas e como elas chegaram a ser assim. Há um reconhecimento de que quando Genesis foi escrito, tanto o profeta (o autor) quanto a comunidade à qual pertencia representarem uma realidade que consistia do céu, da terra, e era protegida do caos por uma abóbada sólida. Assim, a abóbada completava um ciclo a cada vinte e quatro horas e levava consigo “a luz maior”, a “luz menor” e as estrelas. Ou seja, há o reconhecimento de que “o céu e a terra” de Gênesis 1 difere enormemente do “universo” que conhecemos hoje.

Todos concordam que “Deus não pode mentir”. A questão aqui, entretanto, é um pouco diferente – ou seja – “Deus escreveu Gênesis?” Um número significtivo de cristãos poderia responder sim, Deus escreveu Gênesis;  de fato, Deus ditou Gênesis para os profetas, que por sua vez gravaram as palavras em placas, pele ou papiro. Há um único Autor, que em épocas diferentes e lugares diferentes, empregou vários secretários humanos.

Esta, obviamente, não é a única resposta possível à questão da autoria divina de Gênesis. Outros cristãos podem responder que a Bíblia, apesar de ser divinamente inspirada, tem conceitos, linguagens e lógicas que são essencialmente humanas. Como poderia ser de outra maneira? Certamente que a mente de Deus não pode ser expressa em linguagem humana. A inspiração divina iluminou e motivou o profeta, mas não eliminou a humanidade dele. E ser humano implica em ser condicionado pela própria inteligência, interesses, experiência e informação; e os interesses, experiência e informação são condicionados pelo contexto cultural da pessoa. Portanto, ao mesmo tempo que alguém diz que Deus foi o inspirador de Gênesis 1, pode também dizer que Deus não foi o escritor imediato.

Qualquer um que tenha realmente ouvido o que a Bíblia diz, e tenha refletido seriamente sobre sua “inspiração”, considera esta última perspectiva mais adequada à evidência bíblica. Os vários estilos literários e diferentes processos de pensamento tornam evidente que na Bíblia não temos apenas o resultado da inspiração divina, mas também a marca de uma grande diversidade de mentalidades humanas. Precisamos apenas olhar para (e realmente ouvir) a diversidade presente no conteúdo da Bíblia. Não só temos que Deus não é o autor direto da Bíblia, como os conceitos explanatórios que ela contém, também não são os conceitos explanatórios do próprio Deus.

Não é uma expressão de presunção reconhecer que a humanidade adquiriu uma imensa quantidade de informação adicional, novos conceitos e entendimentos gerais do mundo natural, desde que Gênesis 1 foi escrito. É totalmente razoável supor que boa parte dessa informação adicional e nova compreensão, representa algum tipo de progresso no entendimento de “como as coisas realmente são”. Enquanto pode fazer total sentido para o autor de Levítico listar os morcegos entre as aves impuras das quais não se deve comer (11:19), agora todos sabem que morcegos são mamíferos, e não aves. Da mesma forma, pareceu inteiramente apropriado ao escritor do evangelh0 de Mateus, representar Jesus descrevendo a semente de mostarda como “a menor de todas as sementes” (13:32), enquanto os botânicos de hoje sabem que as menores sementes são as das orquídeas.

Então, não é de surpreender que os conceitos que usamos para explicar a origem e operação do universo, diferem dos conceitos que a audiência que ouviu Gênesis 1 pela primeira vez, tinha. E porque nós tivemos mais tempo, oportunidade e meios de explorar essas coisas, e desenvolvemos formas de acumular vastas quantidades de informação, é evidente que nossos conceitos e entendimentos atuais  a respeito do mundo natural estão mais próximos da verdade. Entretanto, precisamos lembrar que nossa informação, conceitos e entendimentos também são limitados, e ainda há muito a aprender. Nossos conhecimentos atuais sobre o universo podem também ser vistos com estranhamento pelos nossos sucessores, assim como a cosmovisão apresentada em Gênesis 1, parece para nós.

O que temos em Gênesis 1 não é uma descrição da realidade física como entendemos que seja hoje, e sim, como essa realidade era entendida pelo autor do livro de Gênesis, e sua comunidade. […]

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Tão simples. Mas as pessoas preferem complicar e debater eternamente a respeito.

2 respostas para God, Sky & Land: Genesis 1 as the ancient hebrews heard it – Brian Bull and Fritz Guy

  1. Giotto disse:

    Isso apenas evidencia que, por mais divinamente inspirada seja a bíblia, a informação divina não pôde escapar ao crivo humano; Deus estava ciente disso e esperava que o homem deglutisse criticamente seus ensinos à medida que estes pudessem ser verificados com conhecimento exato a respeito dos fatos de que tratam. De outra sorte, teria melhor que o próprio Deus tivesse escrito a bíblia, ou seja, tivesse dispensado a mediação humana na transmissão da informação divina!
    Como disse Roque Laraia citando Ruth Benedict:

    “(…) a cultura é como uma lente através da qual o
    homem vê o mundo. Homens de culturas diferentes usam
    lentes diversas e, portanto, têm visões desencontradas das
    coisas. Por exemplo, a floresta amazônica não passa para o
    antropólogo — desprovido de um razoável conhecimento de
    botânica — de um amontoado confuso de árvores e arbustos,
    dos mais diversos tamanhos e com uma imensa variedade de
    tonalidades verdes. A visão que um índio Tupi tem deste
    mesmo cenário é totalmente diversa: cada um desses
    vegetais tem um significado qualitativo e uma referência
    espacial”.

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