O escuro, a luz e Deus

setembro 28, 2013

[...]Sempre que  presenciamos alguém tentando explicar situações difíceis da vida pelo caminho da claridade, devemos desconfiar de que procura “chaves” onde elas não estão. Por isso, as religiões, ou mesmo a espiritualidade, podem se tornar presas tão fáceis das buscas infrutíferas por onde há luz. O excesso de “teologias”, de explicações que servem como holofotes 24 horas para garantir “luz” às nossas buscas, é uma das mais perversas armadilhas. São formas de viver a religião e a espiritualidade, que emburrecem espiritualmente. Representam formas sofisticadas de alienação, chegando a ponto de se institucionalizar com o único fim de “exorcizar” a escuridão. Diabo para um lado e Deus para o outro, e uma vida em que nunca se terá de ir ao escuro buscar chaves, é em si o terror ou o verdadeiro demônio.

Com o passar do tempo, as trevas ganham força. Os lugares “claros” vão se reduzindo a ilhas cada vez mais ameaçada pela escuridão. Pânico e fobia espiritual se instalam e há cada vez menos saída. Afogados por chaves que jamais descobrirão, estão presos até que façam o movimento correto de trazer a escuridão de volta às suas vidas. Como diz a máxima: Religião é para quem tem medo do inferno, espiritualidade verdadeira é para quem já esteve lá.

Cada experiência que se assemelha ao canto do galo, de discernir redenção e mudança em meio à escuridão, nos ensina a investir mais na busca de outras experiências desse mesmo tipo. A cada experiência em que a saída se dá no mesmo lugar, que é o lugar do aprisionamento, mais refinados nos tornamos espiritualmente.[...]

[...]Nesses lugares, que são quaisquer lugares, os mesmos lugares, há saída. Basta vê-los de forma diferente; enxergá-los a partir do ângulo que nos é obscuro, evitando o vício fatal de acender as luzes. Nas luzes, se dissolvem os monstros, mas com eles também a possibilidade de saídas que farão falta em outros momentos. Em vez de acender as luzes, a proposta é aproximar-se da escuridão e perceber quando, em meio a ela, a noite se desfaz. Como Davi que recepcionava seus monstros com hinos não à luz, mas à luz oculta na noite. Em busca de um mesmo que é diferente.[...]

[...]Quando chegamos a este mundo e descobrimos que existem formas de saciar toda as necessidades, conhecemos o conceito de ordem. O ar, o peito e o afeto descortinam um mundo que nos leva espiritualmente a desaguar no “papai Noel”. Essa é a melhor definição infantil de Deus como a entidade responsável por saciar-nos. Esse é o Deus dos presentes, da mágica de prazeres que parecem infinitos e irrestritos. Mas papai Noel não existe, pelo menos não desta forma infantil.

Para muitos, essa dramática descoberta dá por encerrado qualquer investimento em inteligência espiritual. No entanto, esta deveria ser apenas a etapa inicial do desenvolvimento espiritual. A descoberta de que as necessidades que podem ser saciadas eventualmente não são, deveria iniciar uma busca desesperada por significado. Será que o fato de não termos saciados nossos desejos e expectativa é algo pessoal? Será que não merecemos? Será que não somos tão amados como imaginávamos? O que será preciso para agradar o cosmos e voltar a usufruir de sua proteção?

O escuro, em parte, é formado por experiências de não termos sido saciados, o que nos põe em contato com a noção de morte e de injustiça. Porém, não é o simples ato de não sermos saciados que se constitui em escuridão. O ser humano está equipado com os recursos do enfrentamento e da fuga. Ambos salvam! Diante de qualquer situação ou problema, quando não adotamos uma atitude de enfrentamento, adotamos, necessariamente uma atitude de fuga, ou vice-versa. O enfrentamento bem-sucedido salva, produzindo a experiência de um Deus que está do nosso lado, que olha por nós. A fuga bem-sucedida, desde que seja uma estratégia preestabelecida, representa um enfrentamento e também produz o mesmo sentimento. No entanto, o enfrentamento fracassado – ou seja, transformado em fuga – ou a fuga que não é parte de uma estratégia de enfrentamento, produz um ser humilhado e assustado. Seu Deus (sua ordem) é um deus que abandona, que permite o amargor da derrota e a insegurança quanto à sobrevivência.

O escuro é produzido por um paradoxo expresso por Jó sob a fórmula de uma equação no texto bíblico: “Em enfrentamentos bem-sucedidos e em fugas corajosas, Deus gosta de mim. Em fracassos ou em fugas covardes, ou Deus não gosta de mim ou há algo errado com minha concepção de Deus.”[...]

[...]O escuro, portanto, não é o mau. É simplesmente um lugar que não conseguimos enxergar plenamente, como os paradoxos.[...]

[...]O lugar da luz é aquele que não contém sentimentos ou experiências contraditórias. O escuro, por sua vez, não é o lugar do mal, mas um lugar que mistura sentimentos e percepções. A angústia é um exemplo dessa mistura. Ela contém sempre amor e ódio. Conciliar esses sentimentos produz um lugar escuro do qual buscaremos distância, apesar de chaves importantes estarem lá. A dúvida é outro exemplo. Ela contempla dois quereres, ou dois certos, ou dois errados, ou dois benefícios ou dois custos.

Tanto as angústias como as dúvidas não se desfazem com o acender de luzes. É somente nesse lugar de sentimentos ou percepções que a luz oculta do escuro se encontra. Saber permanecer nestes lugares escuros, em vez de fugir deles, buscando absorver seus ensinamentos, é investir em inteligência espiritual. Muito diferente do que muitas propostas religiosas apregoam, a inteligência espiritual pouco tem a ver com certezas, mas conciliações de polos aparentemente contraditórios. É espiritual tudo aquilo que nasce de coisas que são uma “contra” a outra, como os en-contros, mas que produzem uma conciliação paradoxal.[...]

[...]Uma pessoa espiritualizada é aquela que sabe caminhar pelas trevas, como indica o Salmo 23:4: “Sim, vou também ao vale de sombra-morte, mas não estremeço diante do mal.” Não significa, no entanto, que esta é uma pessoa mórbida ou deprimida. Ao contrário daqueles que vivem na luz, ilhados na luz, estes, sim, seres do estremecimento e do pavor.

Esta é uma regra básica: quanto mais se acende a luz, maior o terror do escuro. O controle nada mais é que uma forma de armazenar terror. O medo, matéria da qual são feitas as trevas, é também o meio que permite enxergar a luz oculta. Sempre que se conciliem sentimentos e percepções contraditórios, o medo se transformará automaticamente em ação. Ao contrário do que comumente experimentamos, o medo verdadeiro não paralisa, mas mobiliza. Ele sinaliza a urgência de enfrentar e não de fugir.

Segundo o Baal Shem Tov: “Nas coisas mundanas, não pode haver medo quando existe alegria, e também não pode haver alegria quando existe medo; no que diz respeito ao sagrado, no entanto, onde há temor sempre se encontrará júbilo e vice-versa.” Esse “temor” está, portanto, repleto de intensidade e de reverência à vida. Não é um temor de fuga, mas que corteja o enfrentamento e a ação.[...]

Os trechos acima foram retirados do livro: Fronteiras da inteligência – a sabedoria da espiritualidade, de Nilton Bonder.


Sobre os protestos

junho 23, 2013

Protestar é um direito, em muitos casos um dever. As pessoas precisam deixar claro quando sentem que seus direitos foram violados, que foram prejudicadas ou estão sendo desrespeitadas por quem devia representá-las (no caso, os políticos em todos os níveis, os encarregados de administrar verbas e patrimônio público e etc). Acho que isso demorou muito para acontecer, inclusive. No caso do dinheiro que está sendo desperdiçado para a realização da copa do mundo, creio que as pessoas deviam ter se manifestado anos atrás, quando começou a conversa de fazer copa do mundo no Brasil, e não só agora, que muitos milhões de reais já foram desembolsados. Uma pergunta que deveriam fazer ao governo: Onde está a prestação de contas com relação aos gastos com a copa do Mundo? Em qualquer empresa, os sócios ou acionistas, ou investidores, exigem saber o que está sendo feito com o dinheiro que investiram na empresa. Então, o governo devia prestar contas de todo esse dinheiro que arrecada em impostos a todos nós, que somos os investidores, os que pagam a conta no final, não acham? Com tanto dinheiro arrecadado, devíamos ter escolas, transporte e saúde públicos em nível de primeiro mundo.  Nós passamos praticamente meio ano trabalhando, para pagar impostos. E a contrapartida, onde está? Em nenhuma empresa privada que se preze, uma diretoria financeira que não faz bom uso do dinheiro, permaneceria no cargo. Seriam todos demitidos e quem sabe, processados e obrigados a ressarcir a empresa para a qual causaram prejuízos. E com os administradores do dinheiro público, o que vemos acontecer? Nada. Quando muito, as roubalheiras com dinheiro público rendem alguns dias de manchetes nos jornais, e a maioria dos envolvidos nem sequer é presa, quanto mais obrigada a reparar os prejuízos. Muitos processos acabam arquivados, e nunca mais se ouve falar deles. Como se diz, tudo acaba em pizza, até o próximo escândalo. E não é de hoje que funciona assim.

Mas é lamentável quando pessoas mal intencionadas, desonestas e no meu entender, tão corruptas e sem caráter quanto certos políticos, que passam a vida envolvidos em maracutaias, usam um movimento legítimo para promover saques, destruir monumentos e obras que foram pagas, com o nosso dinheiro. E quem você acha que vai pagar a conta dos consertos? Eu, você, todos que pagam impostos. Você que vai em protestos, não para expressar sua opinião e seu direito de reclamar do que está errado, e sim, para exercer sua desonestidade e sua própria corrupção, promovendo saques e vandalismo, não é melhor do que os políticos corruptos. Vândalos e promotores de saques, não são em nada melhores moralmente, do que  políticos que desvirtuam licitações, desviam (saqueiam) dinheiro público ou recebem propinas e etc. São farinha do mesmo saco. Talvez uns se sintam representados pelos outros, afinal.

Atacam o patrimônio, talvez, como forma de atingir os causadores da indignação, os quais ficam escondidos dentro dos edifícios públicos, protegidos por soldados armados, grades, portas pesadas, e qualquer coisa, fogem de helicóptero ou veículos blindados. A polícia, usa spray de pimenta e gás lacrimogênio a torto e direito, para acalmar os ânimos. Mas você já viu alguém ficar mais calmo depois de receber um jato de pimenta no rosto, ou ser alvo de uma nuvem de gás lacrimogênio? Eu não, por isso não entendo se o objetivo é dispersar, ou deixar as pessoas mais irritadas ainda.

Acabar com partidos? É como um marido traído colocar fogo no sofá onde a esposa o traiu. Não resolve nada. O problema não são os partidos, são as pessoas. Pessoas sem caráter, desonestas, sem valores, sem vergonha na cara, que geralmente entram na política, por causa de dinheiro e não por conta de ideais, não por vontade de construir um país melhor, e sim para garantir um “pé de meia” e quem sabe, uma aposentadoria bem polpuda. Por isso tem tanto “ex” alguma coisa, que como última opção, se filia a um partido qualquer e sai candidato, sem ter noção nenhuma do que seja Estado, legislação, administração de recursos públicos. Pessoas famosas, mas despreparadas, manipuláveis, e com milhares de eleitores prontos para votar nelas, apenas por serem famosas. Por isso que tem também pastor que vira político, muitos pensando não só no dinheiro, mas também em formas de usar o cargo para beneficiar sua denominação. Levar honestidade e integridade para a política? Isso nem passa pela cabeça desse pessoal. O que podemos esperar de bom, de pessoas que se filiam a partidos e montam chapas eleitorais, com objetivos como esses na cabeça? Há exceções? Há. Mas as exceções muito pouco podem fazer, num meio onde a corrupção parece que se tornou regra.

E onde está a novidade? Não há nada de novo sob o sol. Espero que essa onda de protestos, não acabe como tudo costuma acabar por aqui: o governo toma algumas medidas superficiais para acalmar a população, a população engole, e tudo termina em pizza.

“Um país se faz com homens e livros”, escreveu certa vez, Monteiro Lobato. Nesse caso, aparentemente estamos perdidos. :P


A igreja que o pariu…

abril 9, 2013

por José Barbosa Júnior

Marco Feliciano é o nome da vez. Odiado por muitos, querido por uns tantos. Louco e vigarista para alguns, santo e profeta para outros. Uma coisa é certa: ele leva o nome da Igreja Evangélica atrelado à suas idiotices.

A onda “sou evangélico e Marco Feliciano não me representa” invadiu as redes sociais, numa tentativa última de alguns evangélicos se verem distanciados dos disparates desse indivíduo.

Mas é aqui que o caldo entorna…

Porque Marco Feliciano tem a cara da mãe. Da Igreja que o pariu…
Ele não é um fenômeno isolado.

Abro parênteses: se você acha que Marco Feliciano é um fenômeno isolado procure no youtube por crianças pregadoras, jovens “cheios da unção”, e pregadores “de poder”. De tudo o que mais me assusta são as crianças pregadoras/cantoras… verdadeiros monstrinhos e “Felicianinhos” em formação… quanta desgraça celebrada em cultos de “vitória”. Fecho parênteses.

Talvez Feliciano tenha ganhado mais espaço por sua desenvoltura teatral e performática, mas o seu conteúdo está recheado de velhos paradigmas que dominam ainda boa parte da igreja evangélica no Brasil: fundamentalismo, belicosidade e busca de poder.

A mãe pode olhar pro seu bebê monstro agora crescido e dizer: “fiz bem o trabalho!”

Os vídeos que tanto espantam milhares de pessoas na internet não me assustaram, por um simples motivo: nada, eu disse NADA, do que ouvi Marco Feliciano vociferar em suas transloucadas pregações eu já não ouvira antes, nesses 25 anos de caminhada nos arraiais evangélicos. Repito: NADA!

Maldição sobre os negros e África, um Deus que mata desafetos, um Deus que odeia homossexuais são figuras que você encontra na maioria das igrejas evangélicas espalhadas por aí, desde protestantes históricas às mais variadas correntes neopentecostais.

Existem milhares de Marcos Felicianos proliferados por aí, dizendo as maiores besteiras em nome de Deus, pervertendo a fé singela do povo que acredita neles, explorando pessoas, pregando um Deus sádico e vingador… só não se tornaram conhecidos como o “nobre” deputado.

Volto a dizer: Marco Feliciano não é um fenômeno isolado… Não é vítima e nem algoz, é só mais um fruto apodrecido de uma árvore podre. Talvez seja, hoje, o filho mais “famoso” dessa prostituta que se tornou grande parte da igreja evangélica brasileira. Mas seus irmãos gêmeos, Malafaia, Macedo, Valdomiro… continuam ganhando milhões massacrando a massa em nome de “Deus”.

Há esperança? Há… mas vou tratar disso em outro texto…

E agora?

Agora… quem pariu Feliciano que o embale…

A igreja que o pariu.. – Crer e Pensar – José Barbosa Júnior


Infeliz Feliciano

março 18, 2013

Eu não pretendia me pronunciar sobre o assunto. Mas quando uma pessoa que se diz pastor, ao ser indicado para a presidência de uma comissão que trata de direitos humanos e minorias, é rejeitada pelas pessoas que a dita comissão tem a função de proteger e defender, alguma coisa está errada. E não é com as pessoas que o estão rejeitando com tanta veemência. É com o pastor.

E não é pelo fato de Marco Feliciano ser pastor, que está sendo rejeitado. E sim, por inúmeras besteiras que costuma dizer publicamente. Aqui mesmo no blog, já postei sobre algumas delas.

Uma comissão como essa, precisa de uma pessoa com posições equilibradas, não um defensor da teologia da prosperidade, e pior, com opiniões sem profundidade, e principalmente, sem equilíbrio.

Marco Feliciano parece estar se achando. É fácil prever o final dessa história.

Jornais já o acusam de usar o mandato para benefício próprio:

Marco Feliciano usa mandato para beneficiar sua igreja e empresas, diz jornal


O amor vence – Rob Bell

março 17, 2013

O-amor-vence_IMPRENSA[...] Algumas pessoas ficam preocupadas principalmente com as manifestações sistemáticas do mal – nas empresas, nas nações e nas instituições que escravizam o povo, espoliam a terra e não respeitam os direitos dos mais fracos. Outras pessoas estão mais concentradas nos pecados individuais, colocando seu foco na moralidade e nos padrões, hábitos e vícios que impedem o crescimento individual e provocam o sofrimento.

Algumas pessoas distribuem folhetos que explicam como ficar em paz com Deus; outras trabalham em campos de refugiados em zonas de guerra; outras ainda apresentam programas de rádio nos quais discutem as diversas interpretações de versículos específicos da Bíblia; e há também aquelas que trabalham para livrar mulheres e crianças da prostituição.

Em geral, como já mencionei anteriormente, as pessoas mais preocupadas com o fato de os outros irem para o inferno são as menos preocupadas com o inferno na terra aqui e agora, enquanto as mais preocupadas com o inferno na terra parecem se preocupar menos com o inferno após a morte.

A história sobre Lázaro e o homem rico demonstra que há uma variedade de infernos, porque há diversas maneiras de resistir e rejeitar o que é bom, verdadeiro, bonito e humano, agora, nesta vida, o que nos faz presumir que podemos fazer o mesmo na próxima.

Existem infernos individuais e sociais, infernos de abrangência mundial, e Jesus nos ensina a levar todos eles a sério.

Há um inferno agora, e haverá um inferno depois, e Jesus nos ensina a levar ambos a sério.[...]

[...] Muita gente no mundo de hoje só ouviu falar do inferno como o lugar reservado para aqueles que “estão fora”, que não creem, que não frequentam a igreja. Cristãos falam que os não cristãos vão para o inferno porque… não são cristãos. Porque são pessoas que não acreditam nas coisas certas.

No entanto, ao lermos todas as passagens em que Jesus usa a palavra “inferno”, percebemos que o que importa não é se as pessoas creem nas coisas certas ou erradas. Ele quase nunca falava sobre “crenças” como nós as entendemos – ele falava sobre ódio, egoísmo, cobiça e indiferença. Falava sobre o estado do coração dos seus ouvintes, sobre como eles se comportam, como interagem uns com os outros e o tipo de influência que exercem no mundo.

Jesus não usou o inferno para tentar convencer “gentios” e pagãos a acreditarem em Deus com o intuito de não arderem no fogo eterno quando morressem. Ele falou sobre o inferno para pessoas religiosas, com o objetivo de alertá-las sobre as consequências de se desviarem do chamado de Deus.

Isso não quer dizer que a possibilidade do inferno não seja um alerta incisivo e urgente ou que ele não esteja intimamente ligado àquilo que se crê, mas trata-se simplesmente de uma maneira que Jesus encontrou para advertir as pessoas que se julgavam escolhidas, de que seus corações duros poderiam pôr em risco sua salvação.  Ele as estava lembrando que sua salvação estava condicionada ao fato de serem pessoas generosas e amorosas por meio de quem Deus poderia mostrar ao mundo como o Seu amor se expressa em carne e sangue.[...]

[...]Amor exige liberdade. Sempre exigiu e sempre exigirá. Nós somos livres para resistir, recusar e nos rebelar contra os caminhos que Deus traçou para nós. Podemos ter todo o inferno que quisermos.

O que vc acha?

(Tirando as teias de aranha do blog)


Deus seja louvado…

novembro 17, 2012

Na verdade, penso que os cristãos é que deviam exigir que essa frase fosse retirada das cédulas de real, e não os ateus. O dinheiro é o que mais faz os cristãos tropeçarem, desde sempre. Não lembro de nenhum religioso que tenha parado pra ler essa frase escrita nas cédulas, antes de ser corrompido por elas.

Crentes que ficam ofendidos porque querem tirar essa frase das cédulas, estão apenas se envolvendo em mais uma das polêmicas inúteis com as quais as pessoas geralmente gostam de perder tempo.

Pra Deus, não vai fazer a menor diferença. Ele não habita cédulas de dinheiro.

Simples assim.


Todos somos hereges!

setembro 18, 2012

por José Barbosa Júnior

[...]O problema, quando se trata da questão do argumento “bíblico”, é que ele, simplesmente, não existe. Ou, se existe, existe imperfeito, refém de nossas interpretações e de nossas pré-leituras da própria Bíblia. Sim, por mais que nunca a tenhamos lido, quando a lemos pela “primeira vez”, antes disso já nos foi incutida uma ideia preconcebida, que acaba por delimitar nossa interpretação. Um exemplo: o “pecado original”. O texto nunca usa esse termo, e muito menos fala de “pecado” na narrativa de Gênesis, mas nós já vamos para o texto com a ideia pré-moldada: uma árvore frondosa, uma serpente enroscada nos galhos trazendo à boca uma enorme maça, linda, vermelha, e uma mulher, quase sempre loira (apesar da narrativa acontecer nas bandas do Oriente Médio), com cabelos longos e esvoaçantes que logo depois entrega a fruta, já com uma mordida, ao seu marido, de músculos bem definidos e cabelos curtos. Ele também come e, por causa disso, entra no mundo o “pecado original”. Onde estão estas coisas no texto? No texto, não estão, mas já estavam na cabeça de quem foi “ler” o texto.

Infelizmente, para decepção de muitos, lamento dizer que não existe essa coisa do “a Bíblia diz…” Deveríamos ser mais honestos e afirmar: “O que interpreto da Bíblia, neste aspecto, pode ser…”

Os que defendem a “literalidade” da interpretação bíblica são de duas espécies: os ingênuos e os mal-intencionados.

Os ingênuos são aqueles que sempre foram ensinados assim. “Irmão, a Bíblia diz que é pecado…”, “O pastor disse que a Bíblia, no original, quer dizer isso…”. Para estes, o que está “escrito”, escrito está… e deve ser seguido ao pé da letra, mesmo que isso não faça o menor sentido. Mas aqui já enfrentamos um pequeno problema: não se segue TUDO o que está escrito. O que deve ser seguido ao pé da letra é apenas aquilo que me interessa.

Acabamos por cair no segundo grupo: os mal-intencionados: gente que sabe que “não é bem assim”, mas tem que dizer que “é assim”, porque é isso que lhes confere autoridade, poder e, muitas vezes, o emprego.

Ora, qualquer estudioso minimamente honesto, sabe que não há isso que chamamos de “interpretação literal”, porque isso é simplesmente impossível.
O que há na verdade são ESCOLHAS daquilo que deva ser “ensinado” literalmente. Leia-se aqui: eu escolho aquilo que me dá poder! Aquilo que me faz estar certo e os outros errados. Neste ponto, somos todos hereges, já que a palavra “heresia” vem do grego hairesis, que significa “escolher”…e  tem exatamente essa intenção: herege é aquele que escolhe (para seu proveito) o que lhe interessa de um texto.

Essa leitura literal da Bíblia é uma falácia. Ela não existe. E quando existe, como já falei, existe milimetricamente escolhida para favorecer o “meu” ponto de vista.

Os que defendem a leitura literal da Bíblia criam armadilhas das quais eles mesmos não conseguem escapar. Não conseguem, mas tentam… e sobra pra “soberania” (no caso dos históricos) ou pro “mistério” (no caso dos pentecostais, neo, etc…). É mais ou menos o “bota na conta do Papa”, frase pitoresca do filme “Tropa de Elite”.

Porque se formos totalmente literais, estamos em maus lençóis, nós e o Deus a quem dizemos servir… um Deus que mandou matar muita gente, que manda os homens todos de uma nação despedirem suas mulheres e filhos, e os lançarem  ao deserto; um Deus que manda matar a família toda de um cara porque ele escondeu “despojos de guerra”; um Jesus que fica bravo porque a figueira não tem fruto (fora da estação de frutos) e manda-a secar; enfim, um Jesus que diz que, caso teu olho ou mão te façam escandalizar, é melhor arrancá-los (Ah! Não…. esse é um dos versículos que nem os literalistas gostam que seja literal)…

Então você sugere que a Bíblia contenha erros históricos e de interpretação? Exatamente! O conceito de inerrância é o que sustenta o edifício da literalidade… aliás são retroalimentadores.

A Bíblia não arroga ser um livro histórico, nem mesmo um livro doutrinário… ela é um livro da fé. E da fé de um povo! E acompanha o desenvolver da fé desse povo… de seu “descobrir” Deus, ou daquilo que pensa ser Deus… e cuja revelação se dá, para um outro povo (já que o povo “original” não reconhece essa revelação) em plenitude, numa pessoa: Jesus, o Deus encarnado.

Ora, se Jesus é a encarnação do Deus que desde o princípio se revela… ou Deus mudou muito ou há algo de errado naquilo que se entende de Deus até então. E dizer que Deus mudou causa furor nos “literalistas”, ainda que, literalmente o texto diga que Deus “se arrependeu”. Neste caso ocorre uma coisa engraçada, que só reforça a heresia de cada um. Os fundamentalistas, impedidos que são de acreditar num Deus que mude de ideia, tem que dar um jeito nos textos que afirmam isso (as ginásticas para fazer um texto encaixar numa teologia sistemática são muito engraçadas). Tiram da cartola, então, o conceito de antropopatia, que seria atribuir a Deus sentimentos humanos quando não conseguimos explicar o que realmente acontece com a divindade. Qual o problema? É que a antropopatia só vale nos textos em que Deus se arrepende. Nos outros textos, todos os sentimentos são “literais”. Interessante, não?

Não existe leitura “pura” da Bíblia. Toda leitura bíblica já é, em si, uma interpretação. E se é uma interpretação, não pode mais ser “literal”. O sentido já foi deturpado há muito. Como saber, então, o sentido verdadeiro do texto? Fácil, pergunte ao seu autor (se bem que o texto geralmente é polissêmico e não pertence mais ao seu autor depois de escrito). Mas, como perguntar ao autor, se este já não existe mais há milênios? Quem poderá resolver o problema? É aí que os literalistas são mais esquizofrênicos. Criam a “iluminação” do Espírito para que haja a VERDADEIRA interpretação do texto. Claro, porque para defender isso também têm que colocar o Espírito Santo como verdadeiro autor das Escrituras. Logo, se Ele é o autor, Ele nos responderá.

Muito boa resposta!

Mas… qual “Espírito Santo” estará com a razão?

O da Igreja Católica, que também inspira o magistério na “interpretação”?

O dos protestantes históricos, para os quais o Espírito não dá mais línguas, mas que é uma babel de interpretações?

O dos pentecostais, cuja pluralidade de línguas nos faz imaginar que cada língua é uma estranha interpretação?

O dos neopentecostais, que produz pastores em série, com a mesma voz e o mesmo discurso, mas com interpretações cada vez mais loucas?

O de outras confissões religiosas (ou você acha que o vento só sopra debaixo do nosso nariz)?

Resolvi caminhar com a interpretação plena em Jesus… e o que se parece com Ele, eu procuro seguir… o que não se parece, descarto, como sendo algo fruto de uma época e de um contexto, mas não tendo mais o que dizer hoje.[...]

Todos somos hereges! – José Barbosa Júnior – Crer e pensar

Sou herege, e você? Seja um pouco mais herege, e leia o texto todo, está no link acima.


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