Nós e os outros

outubro 3, 2016

Por pouco acusamos o próximo, e por muito nos escusamos; queremos vender muito caro e comprar bem barato; queremos que se faça justiça na casa do outro, e misericórdia e conivência  na nossa casa; queremos que nossas palavras sejam tomadas em bom sentido, e somos melindrosos e exageradamente sensíveis às palavras do outro…

Queremos nossos direitos cumpridos à risca, e que os outros sejam corteses na exação dos deles; guardamos rigorosamente nossa posição, e queremos que os outros sejam humildes e condescendentes; nós nos queixamos facilmente do próximo, e não queremos que ninguém se queixe de nós; o que fazemos pelo outro sempre nos parece muito, e o que ele faz por nós nos parece ser nada.

Resumindo, nós somos como as perdizes da Paflagônia que têm dois corações, pois temos um coração doce, afável e cortês para conosco e um coração duro, severo e rigoroso para com o próximo. Temos dois pesos: um para pesar nossas comodidades com a maior vantagem que podemos, e o outro para pesar as do próximo com a maior desvantagem possível. Mas, como diz a Escritura: Falam com lábios lisonjeiros, mas com duplicidade no coração (Sl 12,3), isto é, eles têm dois corações, e por ter dois pesos, um forte para receber, o outro fraco para dar, é coisa abominável diante de Deus.

Tomás de Kempis, Imitação de Cristo.


Imitação de Cristo – Tomás de Kempis

janeiro 14, 2009

“A mais bela obra que saiu de mãos humanas, depois dos Evangelhos. Em nenhum outro lugar se encontrará conhecimento mais profundo do ser humano, de suas contradições, de suas fraquezas, dos movimentos mais secretos de seu coração”. O comentário, assinado pelo poeta e filósofo francês Bernard la Bovier de Fontenelle e incluído na contracapa, serve como uma benção na definição do livro Imitação de Cristo, de autoria controvertida mas atribuída por muitos ao monge alemão Tomás de Kempis. Escrita em latim e publicada anonimamente em 1418, hoje considerada parte integrante da cultura universal, a obra é a mais lida em todo mundo e a mais importante da literatura cristã depois da Bíblia. Como lembra Claudio Giordano na introdução, Imitação de Cristo tem sido reverenciada ao longo do tempo como um guia espiritual para as populações de fé cristã. E vai além: “Sua linguagem, estilo, tranqüilidade e felicidade singelas com que trata todos os temas acabam cativando mesmo os espíritos mais céticos e convertem-na em verdadeiro repertório de auto-ajuda para o espírito ou, se se preferir, de auto-ajuda psicológica, ou ainda de ponderações para temperar as exacerbações das paixões e do materialismo da sociedade contemporânea”.

http://www.hedra.com.br/home/?PHPSESSION_HEDRA=sess&id=2&livro_id=197&area[]=catalogo&area[]=detalhes

Leia os quatro volumes da obra de Thomas de Kempis, nos links abaixo:

http://www.monergismo.com/textos/vida_piedosa/imitacao_cristo.htm

http://www.monergismo.com/textos/vida_piedosa/imitacao_cristo_2.htm