Em nome de Deus – Karen Armstrong

janeiro 11, 2010

Sinopse Completa
Karen Armstrong, “uma das principais autoridades em história das religiões na atualidade” (revista Veja), analisa os movimentos fundamentalistas que se desenvolveram nas três religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo. Seu ponto de partida é o ano de 1492, data em que ocorreram episódios históricos decisivos para cristãos, muçulmanos e judeus. Armstrong inicia o livro com a seguinte constatação: “Um dos fatos mais alarmantes do século XX foi o surgimento de uma devoção militante, popularmente conhecida como ‘fundamentalismo’, dentro das grandes tradições religiosas. Suas manifestações são às vezes assustadoras. Os fundamentalistas não hesitam em fuzilar devotos no interior de uma mesquita, matar médicos e enfermeiras que trabalham em clínicas de aborto, assassinar seus presidentes e até derrubar um governo forte. […] Democracia, pluralismo, tolerância religiosa, paz internacional, liberdade de expressão, separação entre Igreja e Estado – nada disso lhes interessa”. Discorrendo em estilo claro e ágil, apoiando-se numa documentação excepcional e em ampla bibliografia, Armstrong constrói uma obra indispensável aos que desejam compreender o impacto do fundamentalismo sobre a economia, a política e a sociedade em geral.

Dados técnicos:
Editora: COMPANHIA DAS LETRAS
ISBN: 8535901930
ISBN-13: 9788535901931
Edição: 1ª EDICAO – 2001
Numero de páginas: 496
Formato: BROCHURA

Em nome de Deus: fundamentalismo no judaismo, no cristianismo e no islamismo – Karen Armstrong

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Ainda sobre a ameaça muçulmana

novembro 21, 2009

Recentemente rolou um texto na internet onde um pastor supostamente enfrenta um líder muçulmano que supostamente estaria vindo para o Brasil, para supostamente participar de um encontro com outros líderes muçulmanos, para supostamente tratar da conversão da América do Sul ao Islamismo. A razão de usar a palavra “supostamente” tantas vezes, é porque não acredito no que foi relatado. Principalmente porque o tal pastor aparecia como o “herói” que enfrentou o “muçulmano do mal” no aeroporto… achei o texto excessivamente fantasioso e muito pouco verossímil. Hoje, lendo A Bacia das Almas, encontrei um texto do Paulo Brabo exatamente falando sobre esse assunto:

“Há muitos sentidos em que é desnecessário e antiético semear o pânico acenando com uma iminente islamização do Ocidente, e O mundo está mudando – aparentemente o título do vídeo de propaganda anti-islâmica que mencionei há pouco e que, informaram-me por email, é versão brasileira de uma produção norte-americana – é exemplo acabado dessa mentalidade a ser denunciada.

Em primeiro lugar há o mais escancarado, o fato de que o vídeo (e sua mentalidade) empunham a máscara da acusação e promovem o caminho fácil da demonização do outro. Para os produtores do vídeo, o mundo não apenas será muçulmano, mas será um mundo certamente pior precisamente por essa razão. Está pelo menos implícito que os muçulmanos são gente do mal; que o Islam é uma mancha que está ameaçando com sua imundície o seio imaculado e cristão do Ocidente.

Esta tonalidade de discurso é especialmente mesquinha e perigosa, porque semear o medo é um dos modos mais certeiros de se produzir alienação, estranhamento e intolerância – e, como bônus – controlar as massas.

Não há como deixar de lembrar que foi essa a estratégia usada pelos nazistas para alienar os judeus. Multidões sem fim de alemães sensatos foram calados por esse discurso, e as ferramentas utilizadas para manipulá-los foram precisamente as mesmas a que recorre esse novo vídeo cristão.

Não havia ainda o Youtube, mas na Alemanha nazista os cidadãos também recorriam a artefatos culturais arbitrários a fim de orientarem suas posições. Der Ewige Jude (”O judeu eterno”, 1940), um dos filmes mais odiosos de todos os tempos, demonizava os judeus com praticamente os mesmos argumentos com que O mundo está mudando demoniza os muçulmanos (veja as imagens comparativas que ilustram este artigo).

Der Ewige Jude alertava que, caso não fossem interrompidos imediatamente, os judeus dominariam o mundo; O mundo está mudando profetiza que, se não forem detidos por cristãos de coração puro, os muçulmanos engolirão a Terra.

O que está implícito na iconografia comum é a solução comum. Não se engane: para os produtores de O mundo está mudando os muçulmanos devem ser a qualquer custo detidos, marginalizados, neutralizados e eliminados – se não pelo bem opcional da conversão, quem sabe pelo mal necessário do campo de refugiados. O segundo ponto que precisa ser espetacularmente denunciado é a hipocrisia da coisa toda. A posição oficial do vídeo (bem como do discurso subjacente) é de que o que está em risco, aquilo que precisa ser em última instância defendido contra a ameaça muçulmana, é “nossa cultura”. Quem assiste pode até pensar que os produtores querem ver preservado “para nossas crianças” os valores morais e a herança artística/histórica da civilização ocidental.

É hipocrisia, porque trata-se de um vídeo de propaganda: o que quer promover é a religião/religiosidade cristã (em sua modalidade evangélica) contra todos os competidores. É ainda hipocrisia em dose dupla, porque o que acaba defendendo não é nem mesmo o cristianismo formal, mas o modo de vida capitalista ocidental, que se vê constantemente ameaçado por manifestações mais temperadas e menos egoístas de islamismo.

O curioso é que, pessoalmente, a única coisa que realmente lamento no avanço muçulmano em terreno europeu é precisamente aquilo que o vídeo afirma (hipocritamente) lamentar: a eventual perda de uma imponderável parcela da herança cultural do ocidente. Se é doloroso para mim pensar em igrejas milenares que se tornarão mesquitas, é por causa do peso de “milenares”, e não por causa do peso de “igrejas”.

Porém como em todos os casos, os cristãos devem abraçar irrestritamente a humildade, e lembrar que muitas dessas igrejas milenares – como descobri nesta passagem pelo norte da Itália – foram elas mesmas construídas sobre (e, em alguns casos, em) templos romanos que estavam ali muito antes delas.

Para resumir: não vejo como uma eventual Europa “muçulmana” poderá representar ameaça maior para a herança do cristianismo do que, digamos, os Estados Unidos – país bélico e consumista (não há diferença) que se considera em grande parte o epítome de “cristão”. Se sobreviveu a essa mácula e a essa representação, sobreviverá a qualquer coisa.

O legítimo movimento cristão, que é livre e gratuito e que edifícios fechados não podem conter, não tem por definição como ser ameaçado de fora. A única coisa que pode maculá-lo, é claro, somos nós, que dizemos Senhor, Senhor mas não fazemos o que ele diz.

Fora nossa própria hipocrisia, nada há que temer.

Finalmente, resta lembrar que ser cristão requer a vida do cidadão que se sujeita a esse projeto. Como exemplificado por Jesus e entendido por São Paulo e todos os mártires e São Francisco e Tolstoi e Gandhi e Martin Luther King e Madre Teresa,  a única coisa que um cristão pode efetivamente fazer em defesa da sua fé é precisamente não lutar por ela. Lutar pelo cristianismo é baixar a cabeça e morrer. Se essa rendição for voluntária, como aparentemente está sendo, haverá talvez maior mérito para os que ousarem entregar o espírito.”

Ainda sobre a ameaça muçulmana – Paulo Brabo

Bom, acho que não preciso acrescentar mais nada. Melhor, vou acrescentar mais isso: deixem as religiões dos outros em paz, parem de demonizar as outras religiões, parem de generalizar e imputar a todos os muçulmanos o que é característica da minoria (assim como vocês não gostam quando outras pessoas generalizam a respeito de evangélicos; como por exemplo, quando dizem que todos os pastores só estão interessados em dinheiro e que todo crente é burro). Parem de tentar causar medo nas pessoas, cuidem antes de moralizar suas próprias igrejas, coisas que vocês não têm conseguido, e parem de comprar todas as brigas que os EUA mandam vocês comprarem.


O livro das religiões – J. Gaarder, V. Hellern & H. Notaker

janeiro 18, 2009

Publicado pela Cia. das Letras, o livro pretende ser uma enciclopédia das religiões trazendo um estudo comparado de todas as formas de religiosidade, mostrando suas semelhanças e diferenças. A partir das chamadas questões existenciais – Quem sou eu? Como o mundo passou a existir? Que forças governam a história? Deus existe? O que acontece quando morremos? – os autores mostram que tais questões existiram em todas as culturas e as respostas encontradas formam a base de todas as religiões.

Por se tratar de um estudo de ciência da religião, o livro começa por tentar definir o que é religião e traz algumas das mais famosas definições, além de definir o que é o sagrado e o profano, os conceitos de crença, de divindade, de mundo, de homem e as relações do homem com o divino. As cerimônias, a ética, a organização, as experiências, o misticismo e os tipos de religião.
Para se tornar didático classifica ainda as religiões em orientais e ocidentais. Dentre as orientais ele descreve o hinduísmo, o budismo (em suas diferentes versões), o confucionismo, o taoísmo, o xintoísmo, a tenri-kyo. Trata das religiões africanas e as religiões do oriente médio: o judaísmo, o islamismo, e o cristianismo. Aqui procura mostrar as diferenças do Jesus histórico e o Jesus da fé. Após falar de Jesus descreve as primeiras comunidades cristãs e o nascimento da igreja católica, seus dogmas organização e o papel da salvação. O rompimento da igreja ortodoxa e também a reforma protestante: os luteranos, os metodistas, os batistas, os pentecostais, os quakers, os adventistas, chegando até ao movimento ecumenico já no séc. XIX.

Neste período lembra também dos movimentos não religiosos surgidos com a intenção de responder as questões existenciais sem recorrer à idéia de Deus como o humanismo, o materialismo e o marxismo, mostrando suas raízes e desdobramentos.

Investiga também a secularização e as novas perspectivas religiosas surgidas no último século, uma nova espiritualidade e suas tendências como o sincretismo, o esoterismo, a astrologia, o espiritismo, a ufologia e os movimentos alternativos como novas formas de resposta às mesmas questões que sempre acompanharam a humanidade.
Termina o livro com um capítulo sobre ética onde compara todas as formulações éticas de todas as religiões apresentadas e a edição brasileira, esta da Cia. Das Letras, ainda traz como apêndice um estudo de Antonio Flávio Pierucci sobre as religiões no Brasil que aborda o catolicismo, o protestantismo, o espiritismo, e as religiões afro-brasileiras. Sua leitura oferece um contato com a diversidade religiosa e esclarece sobre as filosofias de vida presentes em várias respostas às nossas questões existenciais.

Link: http://pt.shvoong.com/humanities/religious-studies/1745044-livro-das-religi%C3%B5es/