Plenitude da fanfarronice

janeiro 26, 2016

Um auto intitulado “apóstolo”, egresso de duas “igrejas da prosperidade”, que abriu em seguida sua própria franquia de “igreja”. Daí para atrair muitos, aparecer na Internet, e chamar a atenção, foi um pulinho. História que já vimos várias vezes. Mais do mesmo tipo de igreja judaizante, onde se vende óleo milagroso engarrafado, e se fazem campanhas com nome de muralha de Jericó, batalha de Josué, quebra de maldição, com decoração dourada pra todo lado, e outras coisas do tipo. Até aí, nada de novo. É a mesma receita de outras neopentecostais já há muito tempo no “mercado”. Sim, mercado.

O fanfarrão em questão, usa por cima da roupa, um simulacro de pano de saco. Muitos o chamam de Fred Flintstone por conta da roupa inusitada, a fantasia que usa nos cultos da igreja. Fora da igreja, nada de humildade, vale andar de Porsche e BMW e ostentar roupas de marca. Além de fanfarrão, é ator, e gosta de encenar duelos com pais de santo, amaldiçoar pessoas em vídeos, e mais recentemente, estava usando uma coroa que o deixava parecido com um personagem do carnaval. Púlpito ou picadeiro, eis a questão.

Num país cheio de escândalos de corrupção, Petrolão, Mensalão, Zelotes, Lava jato, dá para entender porque as pessoas procuram esse tipo de lugar. Simples de entender a atração que este tipo de “pregação” exerce. Busca de soluções fáceis para os problemas comuns da vida: casamento destruído, desemprego, dívidas, problemas de relacionamento, vícios e doenças. Pessoas desesperadas viram alvo dos parasitas da fé. A fórmula de mostrar Deus como fosse a lâmpada mágica que resolve todos os problemas, sem que você precise fazer nada além de entregar seu dinheiro, apenas reflete o que acontece em todos os escalões da política do país, onde tudo se resolve com propina. Tudo é questão de “molhar a mão” certa. Em vez de cantar “segura na mão de Deus”, vão na igreja para tentar molhar a mão dEle. Deve ser por isso que alguns políticos fazem questão de aparecer em igrejas quando é época de eleição. O povo vai de uma igreja de prosperidade para outra, e elas competem entre si pelo mercado de desesperados. Um povo fraco, que corre atrás de qualquer carismático que se diz “apóstolo”, abre um negócio que chama de “igreja” e sobe em púlpito. E quanto mais espalhafatoso o culto, melhor. Não é de estranhar os políticos que temos por aí. Cada nação tem o governo que merece. E cada crente tem o pastor que merece. Simples assim.

“Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas jamais ficará satisfeito com os seus rendimentos. Isso também não faz sentido.”
Eclesiastes 5:10
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Dilema

abril 7, 2011

Nas últimas semanas, alguns “líderes” evangélicos estiveram em evidência, e claro, não por expressões de sabedoria, ou demonstrações de amor a Deus e cuidado pelo próximo. Um deles, me deixou tão indignada, que não tive como deixar de escrever uma postagem especial para ele: Marco Feliciano. Mas o Renê Terra Nova e o Silas Malafaia, também não fizeram por menos. Aí fico num dilema: encher meu blog com textos falando a respeito desses caras, que nada têm a ver comigo, ou ignorá-los? Vivo do lado de fora desse esquema institucional, não votei no Marco Feliciano nem em nenhum candidato evangélico, nem pretendo votar, não sustento delírios megalomaníacos e judaizantes (israelizantes na verdade, porque o Estado de Israel atual nada tem a ver com o bíblico) como os do Terra Nova. E em escrevendo sobre tais figuras, ver meu blog invadido por crentes que os adoram, e os têm por ídolos, acima de qualquer crítica, me xingando, e soltando os velhos e batidos “não julgue”, “não toque no ungido” etc? A esses, eu digo, pastor também é ovelha, pode errar como qualquer ser humano, precisa ser corrigido como qualquer um, não está imune a cometer erros; cede ao ego, ao poder, à vaidade. A própria forma pela qual é tratado pelos membros de igreja, como infalível, idolatrado, acima dos demais e de qualquer crítica, leva-o a se transformar num pavão autoritário, que manda e desmanda – o “dono” do pedaço . Mas, mesmo se achando melhor que os outros, continua não sendo melhor do que ninguém, continua sendo imperfeito, falível, carente da graça dEle, como qualquer cristão.

O problema, é que quando vejo essas coisas, fico irada com tanto absurdo, tanta criatividade usada para o mal, para explorar a fé alheia, fico compadecida das pessoas que caem na conversa deles. Lembro que se omitir é errado, que é justamente porque as pessoas ficam caladas, que esse tipo de gente continua se locupletando. Se Lutero fosse protestar hoje, muitos desses crentes que repetem o “não toque no ungido”, iam tentar colocar panos quentes na revolta dele, empurrar com a barriga, abafar e varrer pra baixo do tapete, e tentar fazer com que se sentisse culpado por ter saído da igreja católica. Duvido que esse tipo de alegação ia fazer com que ele se calasse, porque é difícil calar a voz da consciência quando ela grita. Uma das razões que motivou o protesto dele, foi a venda de “indulgências”, e hoje, qual a diferença entre o que a igreja católica fazia e o que muitas igrejas evangélicas fazem? Se ele protestou, por que hoje quem não concorda com essas coisas, não deveria denunciar? Se você está num ambiente onde se fazem coisas que agridem sua consciência e seus princípios, você não consegue ficar nesse ambiente. Eu pelo menos, não consigo. Mas continuando o raciocínio mais um pouco, acabo chegando à conclusão, de que quem entra nesse tipo de coisa, tem culpa também. Boa parte das pessoas que segue coisas como teologia da prosperidade, têm culpa, têm responsabilidade. Se pegassem o novo testamento pra ler por si mesmas, mas o texto puro e simples, sem os comentários tendenciosos, que muitos colocam para justificar suas próprias doutrinas (e hoje em dia são muito poucos os que podem dizer que não têm acesso ao texto para ler), veriam que o que Jesus ensinou, não tem absolutamente nada a ver com o que se tem pregado por aí. Jesus disse que o Reino dEle não era desse mundo, e recusou o poder quando este lhe foi oferecido; mas muitos evangélicos querem ter poder e um Rei/presidente para si mesmos, e transformar o Brasil numa teocracia gospel, forçando suas crenças a todos. Deus me livre de uma aberração dessas. Jesus disse que quem quisesse vir após Ele, era só pegar sua cruz e seguir. Enquanto os pregadores de prosperidade/aberrações gospel, dizem que é preciso pagar taxas, impostos e pedágio, e inventam as distorções mais absurdas, para justificar os pedidos de dinheiro intermitentes, e chegam ao abuso de dizer que se não der oferta, não tem “bença”, como se mandassem em Deus, e Deus devesse obediência a eles. É gritante a diferença entre o que Jesus disse, a forma como Jesus viveu, e o que eles fazem. Pelo menos pra mim, é mais do que gritante, é escandalosa a diferença. Mas para quem está cego, vai ser como falar para a parede. E para quem já enxerga, será chover no molhado.

Em boa parte dos casos, pastores e ovelhas se merecem. Se as pessoas buscassem ter relacionamento com Deus por si mesmas, usassem o bom senso, não anulassem a própria consciência, e buscassem confiar nEle acima de qualquer coisa, e acima de qualquer pessoa, tenha ela o título que for, o curso de doutorado em divindade que for, a “visão” que for, tenha a habilidade de oratória que seja, a lábia que for, ficaria bem mais difícil serem enganadas. Não colocariam nem coisas nem pessoas no lugar de Deus. Mas preferem a facilidade dos intermediários, dos “corretores” da graça, dos “vendedores” de salvação, os “franqueados” e “distribuidores” de prosperidade, os “chefes” de esquemas de pirâmide financeira gospel. Não tem muito o que fazer nesse caso, além de deixar que se abracem com eles.

E nada disso é novidade. A esperança é que alguns leiam, e vão atrás de saber o que está na fonte, o que Jesus ensinou realmente, e descobrir que não precisam desses intermediários, nem das barganhas que são propostas por eles. Descobrir que Deus não deve obediência a nenhum desses homens, por mais arrogantes, ufanistas e megalomaníacos que eles sejam. Que sistema perverso esse, que alimenta a arrogância destas pessoas. Querem fazer-se grandes, pelo poder, fama e riquezas, e não seguindo o caminho que Jesus indicou.