Para Ariovaldo Ramos

março 31, 2016

Discurso sobre justiça social é bonito e faz sucesso, eu sei. É politicamente correto. E também concordo que todo governo deve se preocupar com questões sociais. É dever do cristão ter estas preocupações.

Mas lamento informar: Jesus não morreu porque quis ser o Che Guevara de Israel. Pensar que justiça social pode ser imposta, à força, por um governo, e que isso tem alguma coisa a ver com a justiça pregada por Jesus, é ingenuidade. Se não for pura desonestidade. Nenhum governo será capaz de implantar um “paraíso na Terra”. Acreditar nisso é ilusão. Chegar a uma Hell’s Kitchen é resultado mais provável, em comparação com o de chegar ao paraíso terrestre por obra de políticos. Imaginar que a luta de classes, base do marxismo, tem relação com o que foi pregado por Jesus, é demonstração de ignorância.

Governos representando ao mesmo tempo os papéis de corruptos e corruptores, causam mais mortes do que a própria criminalidade. Geram injustiças. Tiram recursos da saúde, da educação, da segurança pública, da agricultura, do saneamento básico. Desviam recursos que poderiam ser usados para construir escolas, hospitais, creches, bibliotecas, e etc. Recursos que poderiam ser usados para ajudar pessoas a se libertarem do populismo, não precisarem mais de auxílios, os quais o próprio governo usa para manipular, fazer terrorismo eleitoral e ganhar votos. E um líder cristão, seguidor de Jesus, não pode ao mesmo tempo, pregar o Evangelho, e defender sistemas políticos totalmente corruptos, onde a corrupção se transformou em instituição. Sistemas políticos que debocham da Constituição, do Judiciário, e dos cidadãos. Onde se trata voto, como cheque em branco, e onde tudo é permitido desde que se mantenham no poder. Jesus não era nem de esquerda nem de direita, o projeto de Jesus era o do Pai, e não projeto de poder político, humano. Mas ele jamais emprestaria seu nome, para defender as injustiças e a corrupção estabelecidas. Causa temor quando lideranças supostamente cristãs, se prestam a um papel ao qual Jesus jamais se submeteria. É contraditório um líder cristão que se diz defensor da justiça social, ao mesmo tempo defender políticos corruptos, sendo a corrupção causadora de graves injustiças que atingem a todos.

A parte boa, é que o disfarce “piedoso” sob o qual se esconde a ideologia política, a real motivadora de certos movimentos intitulados “cristãos progressistas”, cai, quando estes se defrontam com a necessidade de defender o indefensável. Ao negociar o inegociável buscando defender o indefensável, torna-se claro então, que Jesus e o cristianismo para tais movimentos, são na verdade, secundários. A ideologia é mais importante. Isso já havia ficado evidente, na ocasião do apoio dado a Hugo Chávez, e o silêncio subsequente deste senhor Ariovaldo Ramos, quando pessoas começaram a ser assassinadas na Venezuela, por serem contrárias ao governo.

Repudio totalmente uma liderança que se diz cristã, mas empresta sua imagem e suas palavras, para defesa de estruturas políticas imersas em corrupção, ou para defender regimes totalitários. Governos que apenas usam tais movimentos e líderes religiosos, para atingir objetivos de poder, sem conexão com o Evangelho. Misturar Jesus com política, nunca deu certo. Transformar o que é espiritual, em ideologia política, puxar Deus para um lado ou outro, é chamar Deus de mentiroso. É fazer de Deus, cúmplice de corrupção e totalitarismo. Pior do que colocar o nome de Jesus no meio dessa suposta teologia, é colocar a ideologia e o projeto de poder político, acima do Evangelho.

Como cristão, você ajuda o próximo com a liberdade que lhe é dada, pelo amor que vem do alto. E não porque um governo o obriga, ou tira recursos de você, por meio de impostos cada vez maiores, para supostamente dar aos menos favorecidos, enquanto este mesmo governo, é ineficiente, corrupto, autoritário, contrário à liberdade individual em nome de um suposto “interesse coletivo”, e aplica as leis de forma parcial, em busca de se eternizar no poder. Quando, em nome desta suposta “justiça social”, líderes que se dizem cristãos, passam a não enxergar como erros o que é escancaradamente errado, é porque em vez de serem sal e luz, a ideologia é que os envenenou.

Os pecados de alguns são evidentes, mesmo antes de serem submetidos a julgamento; enquanto que os pecados de outros se manifestam posteriormente. Da mesma forma, as boas obras são evidentes, e as que não o são não podem permanecer ocultas. 1Timóteo 5:24,25


Sobre marchas, soldados e cabeças de papel

julho 1, 2011

Dias atrás, aconteceu aquela demonstração de poder político de uma ala dos evangélicos, chamada marcha pra Jesus. Li algumas postagens a respeito por aí, e li também sobre um grupo de pessoas que foi na marcha, não para apoiar, mas para protestar contra ela e suas lideranças. E de uma certa confusão decorrente desse protesto.

Está aí uma coisa que eu não faria, protestar na marcha pra Jesus. Mas não porque eu seja a favor dessa manifestação. E sim, porque as pessoas que vão atrás desse “trio elétrico gospel”, vão porque querem. E os líderes, bom, alguém tem dúvida de que eles não estão nem aí para o protesto? Não vão mudar de opinião por causa disso. Ora, fiquei sabendo que houve quem gritasse durante a marcha “Malafaia presidente”. Só por aí dá pra ver como anda a cabeça desse povo, abduzidos por essas lideranças. Deus nos livre!

Já passei da fase de querer mudar o mundo (hoje me contento com uns 100 m de raio à minha volta), só falo o que penso desses caras, quando alguém pergunta alguma coisa. No resto do tempo, não tomo conhecimento do que dizem e fazem, e quando o faço, acabo me arrependendo. Por isso, se tem uma coisa que ninguém nunca vai me ver fazendo, é ir protestar em evento gospel. Deixo-os de lado, que ganho mais.

Informação para essas pessoas, eu creio que não falta. Bastaria ler o novo testamento, para constatar que isso nada tem a ver com Jesus. Se elas continuam, significa que pastores e ovelhas, se merecem. E sendo assim, quem sou eu para separar esses pastores e suas ovelhas? Quem disse que elas iriam se contentar com a simplicidade do evangelho? Elas gostam de show, de espetáculo, gostam de marchar para pensar talvez, que estão fazendo alguma coisa, e que alguma realidade do país vai mudar, porque marcharam atrás de um trio elétrico puxado por “apóstolos” pai-póstolos” (ou seja lá que títulos esses caras inventem, para alimentar as próprias vaidades), usando “abadás gospel” (no caso, tinha gente usando umas palmilhas de papel dentro dos sapatos, com seus pedidos escritos – paganismo gospel). Mas a única coisa que muda, é a sujeira das ruas por onde a marcha passa. E muda para pior.

Por incrível que pareça, tem gente que não consegue acreditar que a graça dEle é um presente, que Deus dá a quem quiser, e não por mérito. Outros, pensam que, em troca, precisam cumprir uma cota de serviços a serem prestados, para merecer o presente, ou arriscam perdê-lo. Outros ainda, pensam que precisam executar certos rituais ou truques para fazer Deus funcionar a seu favor. Desde que existe o cristianismo, isso existe também. Não é uma ideia nova. Muitos vivem a fé cristã, como um gnosticismo ou um paganismo melhorado (ou piorado, depende do ponto de vista), e isso já acontecia no passado. Quanto à idolatria, ela é mais antiga do que o próprio cristianismo. Os hebreus já sofriam com ela, muito tempo antes de Jesus ter andando naqueles desertos. Não sou eu que vou fazer tais coisas desaparecerem.  Eu, me bater em duelo com tais pessoas na rua? Estou fora.

Não vale o estresse. Nem tenho estômago pra isso. No máximo, no máximo, deixo para expressar indignação por aqui. Lê quem quer, entende quem puder, e estamos conversados. Não tenho nada contra soldados, meus dois avôs foram militares, um deles fez carreira no exército, o outro, teve a infelicidade de estar cumprindo o serviço militar obrigatório, na época da Segunda Guerra Mundial, e acabou virando expedicionário da FEB (mas garanto que ele preferia ter ficado aqui no Brasil, cuidando da roça). E ficava tão emocionado quando ia desfilar junto com os outros pracinhas, no 7 de setembro, que morreu exatamente num dia 7 de setembro, vítima de um infarto fulminante. Mas deixo a atividade de marchar, para os soldados.


O jogo bruto

outubro 29, 2010

por Ricardo Gondim

Não sei se por ingenuidade ou imaturidade não me acostumei com jogo bruto. Para mim, jogo bruto é a constatação de que fui lançado na arena da maldade sistêmica, onde noto a hierarquização de interesses. Não sonho em deixar que neste jogo bruto alguém soque o meu pescoço com bota com sola de aço. Ando fatigado, sei que raposas, hienas e abutres andam doidos para abocanhar os incautos derrotados pelos grandes gladiadores.

Refiro-me aos interesses políticos. São muitos os que enxergam os mortais como massa que reboca as paredes onde abrigam sonhos onipotentes. Não aguento mais ouvir promessa de campanha eleitoral. Não suporto picuinhas ditas e repetidas para encobrir projetos pessoais. Não vejo verdade no jogo bruto da política e isso me desalenta a alma.

Mas o desalento não fica só com os políticos. Sou cria do mundo religioso. E estou des-iludido com lógicas infantis. Brechas separam discurso e prática e isso é muito ruim. Por enquanto a minha des-ilusão tem me feito bem – porque me faz cair na real – mas tenho medo de que ela descambe para o cinismo.

Por algum motivo, não tolero que pessoas sejam mobilizadas a partir de paranóias. Vejo alguns religiosos descrevendo um cenário de horror enquanto procuram fazer dos homossexuais os vilões do futuro. Os homossexuais se tornaram os inimigos que devem ser abatidos. Tais religiosos não só confundem promiscuidade com relações homo-afetivas, como fazem de vidas humanas o belo motivo para alavancar projetos. Eles cavam trincheiras e demonizam pessoas reais, com dramas reais, só para fazer valer seus discursos.

Enquanto isso, vejo inquidades vergonhosas nos bastidores do mundo religioso. Mas como algumas não resvalam na sexualidade, permanecem escondidinhas, intocadas. Não suporto testemunhar que Jesus de Nazaré é usado para promover empavonados, narcisistas, caça-hereges, ditadorzinhos de meia-taça, pseudo-teólogos, bispos sem báculo e os autopromovidos apóstolos.

Não sou santo e nem poso de palmatória do mundo. De tanto errar, de tanto cegar os olhos para as minhas próprias conveniências dogmáticas e de tanto falar obviedades eu também acabei entorpecido por emocionalismos religiosos. Eu também fiz parte de rinhas políticas. Eu reproduzi uma piedade melosa. Entre pecadores, sempre fui o principal.

Contudo, guardo esperança. Talvez eu melhore. Vou procurar o convívio de gente despretensiosa, que ama poesia, que ouve sabiás e bem-te-vis, que gosta de silêncio, que não vê diabo em cada esquina e que não vive a praticar alpinismo social em nome da democracia ou do sagrado.

Por enquanto, estou de ressaca existencial, meio arredio. Preciso de um tempo…

Soli Deo Gloria

O jogo bruto – Ricardo Gondim


Sobre Malafaia, Caio Fábio, crentes e eleições

outubro 10, 2010

Eu me segurei… me segurei para não falar neste que tem sido o assunto do “mundo paralelo gospel”.

Às vésperas do primeiro turno das eleições deste ano, o sr Silas Malafaia declarou publicamente não mais estar apoiando a então candidata Marina Silva. Com alegações furadas, que não convenceram ninguém. Em seguida, o sr Caio Fábio falou sobre o assunto, e dirigiu “elogios e gentilezas” ao seu colega Malafaia. Às quais o sr Malafaia respondeu, berrando um pouco mais.

Pronto! Era o que os evangélicos, barraqueiros de plantão, precisavam para começar mais uma polêmica. Silas Malafaia é isso, Caio Fábio é aquilo, a Dilma é isso, o Serra é aquilo, Marina Silva é tal coisa…

O que tenho a dizer diante de tudo isso, de toda essa discussão, que fez vir à tona a sanha evangélica por poder político para IMPOR suas opiniões a todos, mesmo aqueles que não compartilham da mesma fé, é:

CALEM A BOCA, bando de hipócritas!

Já esqueceram que Jesus disse que o Reino dEle não é deste mundo, e que não é construído usando de política, de poder, de influência na mídia, dinheiro, e sim por pessoas que tenham decidido, escolhido, serem seus discípulos? Enquanto vocês estão, mais uma vez, perdendo tempo e gastando energia, brigando por causa do Malafaia, do Caio Fábio, inventando mentiras sobre a Dilma, o Serra, a Marina, o país continua com os mesmos problemas de sempre, e a igreja continua também com os mesmos problemas de sempre. Que tal começar a moralizar o país, pela igreja? Essa igreja brasileira que temos visto, pode servir de exemplo e apontar o dedo a alguém? Pastores usando púlpitos para campanhas políticas, “ídolos” gospel usando a fama para galgar posições políticas (sem ter nenhuma competência para qualquer função legislativa) e etc.

Ou será que é mais fácil olhar pela janela, e atirar pedras pro lado de fora, do que se olhar no espelho, e julgar a si mesmos primeiro? Não é o próprio Deus quem manda que julguemos a nós mesmos, para que nós mesmos não sejamos julgados?

Ou será que a igreja brasileira é exemplo de conduta cristã, ética, e principalmente, do que é realmente ser seguidor de Jesus?

Se você é daqueles, que vota ou deixa de votar em alguém, por causa do que um pastor falou (no caso do Silas Malafaia, berrou, porque ele não fala, ele berra, achando que gritando vai parecer ter mais razão – o famoso “ganhar no grito”) ou deixou de falar sobre um candidato, meu amigo, está na hora de acordar, e aprender a usar uma coisa chamada LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA. Deixe de ser massa de manobra de igreja, e vote de acordo com o que VOCÊ pensa.