A Lava Jato e nós

março 5, 2016

Vergonha do pronunciamento da Presidenta Dilma Rousseff ontem, 04 de março de 2016, motivado pela condução coercitiva do EX-PRESIDENTE Luis Inácio Lula da Silva, a qual depois descobrimos não ter sido tão coercitiva assim. Todos temos visto o quanto ele tem fugido da obrigação de nos dar respostas. Não sou da área jurídica para opinar sobre ter sido a opção certa ou não. Mas ao contrário do que foi dito pelos militantes do PT e pelo próprio Sr Lula, não houve nenhuma operação midiática. O Juiz Moro proibiu filmagens, e foram usados veículos descaracterizados, tudo visando não expor o ex-presidente. A operação midiática veio depois, com os militantes do PT, inclusive ameaçando instaurar a violência nas ruas.

Ameaçar pegar em armas só porque o ex-presidente foi levado para prestar depoimento? Chamar o ex-presidente de “preso político” sendo que nem preso ele foi? Falam em “conspiração das elites contra o ex-metalúrgico”, mas na investigação da Lava Jato, estão envolvidas empreiteiras de grande porte, como a Odebrecht e a Andrade Gutierrez. Marcelo Odebrecht, presidente da primeira, está preso. O banqueiro André Esteves, também ficou preso, acusado de tentar obstruir as investigações. Os dois estão entre as pessoas mais ricas do Brasil. Por favor, isso insulta a nossa inteligência. Quem ameaça instaurar a violência no país, na tentativa de impedir que o ex-presidente se explique, mostra bem a que veio: o poder a qualquer custo. A opinião da população, que é contra a roubalheira, fica em segundo plano. Houve vazamentos sobre a quebra do sigilo do ex-presidente, investigado na operação Lava Jato, para piorar.

E a presidenta Dilma, em vez de cuidar do governo, está preocupada com o ex-presidente, em sair na defesa dele, coisa que tem feito repetidamente. Ele tem muitos advogados para defendê-lo. Bastou esta operação da Lava Jato para todos os problemas do país, sumirem do discurso do governo. O Brasil está em crise, desemprego e inflação em alta. Se o ex-presidente Lula deve explicações à justiça, que se explique, como qualquer cidadão. Não acreditamos que seja papel da presidenta, como chefe de Estado e governo, defender o ex-presidente, pois para isso ele tem condições de pagar advogados. O papel da presidenta, é defender o país e a população, é para isso que o povo paga o seu salário. Eles parecem não entender, ou fingem não entender, que a população brasileira, não gosta desta roubalheira. A população de bem, que pega no batente todo dia, enfrenta transporte lotado, caos na saúde, educação sem qualidade, não pode mesmo ficar satisfeita, ao passar por isso. Não parece justo a população trabalhar cinco meses do ano só para pagar impostos ao governo, enquanto os governantes, em vez de governar, perdem o sono  pensando de onde virá a próxima delação premiada, e o que a Polícia Federal ainda pode descobrir sobre eles. Os líderes máximos da nação, que deviam dar exemplo de improbidade, temem acordar com a Polícia Federal nas suas portas. O MP, a Polícia Federal, a Receita Federal, estão fazendo seu papel. Deixem o Juiz Sérgio Moro trabalhar. Presidenta, governe o país para nós, não para o ex-presidente Lula ou outros envolvidos, alguns inclusive já condenados por corrupção.

Tudo que queremos é que o ex-presidente e todos os envolvidos, expliquem-se, que o Sr Lula pare de enrolar, com tem feito sempre em seus pronunciamentos. Entrevista coletiva onde ninguém pode fazer perguntas, é farsa, e não entrevista coletiva, sr Lula. Não caímos mais nessa do Sr Lula se colocando como vítima, oprimido. Quem é oprimido não tem à disposição uma banca de advogados caríssimos, coisa que ele tem. Oprimido não sai de depoimento na Polícia Federal, numa BMW. Se o ex-presidente fez coisas boas no governo, não fez mais do que a obrigação. Foi eleito e pago, muito bem pago aliás, para isso. Não foi nenhum favor. O fato de ter feito coisas boas, não dá a ao ex-presidente, o direito de se considerar acima da lei, intocável, ou ser alvo de “vigílias”, como se fosse algum tipo de divindade. Coisa mais ridícula essa conversa de fazer vigília em defesa de um investigado por corrupção. Vigília para quê? Pensam em impedir a prisão do seu ídolo, caso seja considerado culpado? Vão enfrentar a Polícia Federal? Não devemos nenhum tipo de adoração ao ex-presidente Lula, ele não é um deus, muito menos santo, e ao que tudo indica, também não é inocente nesta história toda. Se fosse, estaria tranquilamente prestando todos os esclarecimentos, tanto à justiça quanto ao povo, do qual ele tanto gosta de falar quando precisa posar como perseguido. Não nos parece atitude de inocente, a incitação dos militantes à violência.

Enquanto presidente, Lula era funcionário público, pago com os nossos impostos, e deve sim satisfações. O que queremos saber, e ele não responde, é o que levou as empreiteiras envolvidas na corrupção da Petrobras, a dar tantos presentes e regalias para ele. Estamos falando de milhões de reais. Por que as empreiteiras envolvidas em corrupção, pagam despesas particulares dele? Como explica este relacionamento eivado de promiscuidade, envolvendo o ex-presidente e os filhos dele, com empreiteiras? Empreiteiras estas, citadas no maior escândalo de corrupção da história do Brasil. O que queremos saber, é quem vai pagar pelo prejuízo da Petrobras, tanto no que diz respeito à imagem da empresa, quanto aos prejuízos financeiros. Quem vai pagar pelo prejuízo à imagem do país? O que queremos saber, é quando o dinheiro desviado pela corrupção anos e anos a fio, será devolvido. O Brasil poderia ser um país de primeiro mundo, não fosse a corrupção que suga nossos recursos e impede nosso desenvolvimento, sem falar na má administração do dinheiro que não é desviado. Todos poderíamos ter uma vida realmente melhor, se o governo tivesse mais respeito pelo contribuinte, que sustenta tudo isso. Se o ex-presidente Lula foi favorecido por empresas envolvidas em corrupção, deve ser investigado e punido, e isso é apenas questão de justiça. Ele e todos os demais envolvidos, da mesma forma. A continuidade do projeto de poder de um partido, não é nem nunca será, mais importante que o progresso, o futuro do país. Não temos nada a ver com o projeto de poder de partidos políticos, sejam quais forem, de esquerda ou direita. Nós amamos o Brasil, e não um partido. O país precisa de gestão profissional, e não de corrupção. Administração pública responsável, e não a bandalheira que temos visto todos os dias nos jornais. Tratam verbas públicas como se elas não tivessem dono, e como se não fosse preciso prestar contas do que é feito com elas. Basta de corrupção, basta de políticos que trabalham para seus projetos partidários e não para o Brasil. Queremos governo para o Brasil e para os brasileiros, e não um governo que precisa ir a público a todo momento, para se defender em escândalos de corrupção de repercussão internacional, e depende de pedaladas fiscais para ficar bonito na estatística. Enquanto isso, o mosquito da dengue, a inflação e o desemprego, tomam conta do país. Não precisamos de políticos que perdem o sono, com medo de acordar com a Polícia Federal nas suas portas.  Não precisamos de um governo que se pronuncia prontamente quando é para defender seus “companheiros” investigados por corrupção e lavagem de dinheiro, mas não faz o mesmo quando é para se pronunciar sobre os problemas do país.

Já vimos na história, várias ocasiões onde os cidadãos silenciaram diante do ilícito, e este silêncio, custou muito caro. É o que vem acontecendo no Brasil.

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Sapatos sujos

fevereiro 23, 2016

Em seu livro de ensaios “E se Obama fosse africano?”, Mia Couto incluiu um texto sobre os desafios que os africanos e/ou moçambicanos têm à frente para alcançar o futuro que desejam. Ele citou algumas coisas materiais, como hospitais, escolas, investidores, projetos. Porém, na opinião dele, o mais importante é uma nova atitude. “Sem mudarmos de atitude”, afirma ele, “não conquistaremos uma condição melhor. Poderemos ter mais técnicos, mais hospitais, mais escolas, mas não seremos construtores de futuro.”

Ele escreveu como africano e pensando em seu próprio povo, mas acredito que o texto serve para o Brasil, também. Para passar pela porta da modernidade, seria necessário descalçar alguns sapatos sujos, deixando-os do lado de fora. Que sapatos?

Primeiro sapato: a ideia de que os culpados são sempre os outros e nós somos sempre vítimas.

…Queremos que outros nos olhem com dignidade e sem paternalismo. Mas, ao mesmo tempo, continuamos olhando para nós mesmos com benevolência complacente: somos peritos na criação do discurso desculpabilizante. E dizemos:… que o político abusou do poder porque, coitado, na tal África profunda, essas práticas são antropologicamente legítimas….

Troquemos no texto acima, África, por Brasil. Corrupção institucionalizada.

Segundo sapato: A ideia de que o sucesso não nasce do trabalho.

…Nunca ou quase nunca se vê o êxito como resultado do esforço, do trabalho como um investimento a longo prazo. As causas do que nos acontece (de bom ou de mau) são atribuídas a forças invisíveis que comandam o destino…

Terceiro sapato: O preconceito de que quem critica é um inimigo.

…Basta diabolizar quem pensa de modo diverso. Existe uma variedade de demônios à disposição: uma cor política, uma cor de alma, uma cor de pele, uma origem social ou religiosa diversa…

Estratégia dos políticos brasileiros quando são pegos com a boca na botija de dinheiro público, ou flagrados com propina na cueca, ou possuindo bens adquiridos com recursos de lavagem de dinheiro, ou contas no exterior não declaradas e movimentações financeiras muito suspeitas. Dizem que é perseguição política. Intriga da oposição. Preconceito. E continuam com as propagandas mentirosas. Os petistas em propaganda veiculada pela televisão, têm coragem de mandar o povo trabalhar mais. Como se o governo já não ficasse com cinco meses de trabalho dos brasileiros, na forma de impostos. O que temos em contrapartida por uma carga tributária entre as maiores do mundo? Notícias sobre desvios e corrupção todos os dias. E o PMDB, oportunista, aparece como salvador da pátria. Ambos pensam que somos burros. O PMDB esteve ao lado do governo do PT o tempo todo, e agora quer se desgrudar? Deviam ter aproveitado a propaganda, para explicar o apartamento, o sítio, a antena, as propinas, o rombo da Petrobras, o rombo dos fundos de pensão. Ninguém engole mais essa piada de que o ex-presidente Lula  é vítima de perseguição. Ele é, sim, suspeito de cometer crimes e tem que ser investigado como qualquer um. Vai ver eles acham mesmo que somos burros.

Não seria lindo se eles usassem o tempo da propaganda na TV, para confessar? Admitir que não honraram os votos recebidos, que agiram mal, que prejudicaram o país deliberadamente ? Que são culpados? No dia em que isso acontecer, aí sim o Brasil poderá ter jeito.

Quarto sapato: A ideia de que mudar as palavras, muda a realidade.

“A Petrobras está de pé.” (Presidenta Dilma Rousseff) Aham, senta lá!

“Não poso de santo. Nunca fui candidato a santo.”, que recentemente mudou para “Não tem uma viva alma mais honesta do que eu.” (ex-presidente Lula, agora candidato a santo, afinal as palavras mudam, não é?)

“Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz.” (Lênin). Este princípio é um dos que mais vem sendo aplicado por aqui.

Quinto sapato: A vergonha de ser pobre e  o culto das aparências.

Vivemos hoje uma atabalhoada preocupação em exibirmos falsos sinais de riqueza. Criou-se a ideia de que o estatuto do cidadão nasce dos sinais que o diferenciam dos mais pobres.

Tênis falsificado, bolsa falsificada, ou pior, o  “funk ostentação” (que fez aumentar o aliciamento de meninos por traficantes de drogas em 3200%, em Florianópolis, por exemplo). Igreja que vende prosperidade e sucesso financeiro, para não dizer que não falei das flores.

Sexto sapato: A passividade perante a injustiça.

Nem precisa explicar isso.

Sétimo sapato: A ideia de que para sermos modernos temos que imitar os outros.

Se as capacidades de uma nação estiverem viradas para o enriquecimento rápido de uma pequena elite, então de pouco valerá haver mais quadros técnicos.

Que semelhança com a realidade do Brasil, onde estar no governo, é visto como oportunidade para enriquecer, e não como oportunidade para colaborar com o desenvolvimento e construir o futuro. Não importa se é de esquerda ou de direita. O partido que se dizia dos trabalhadores por exemplo, hoje tem milionários nas suas fileiras. Mas pergunte a eles agora, se querem socializar o capital que amealharam. Só não vale socializar o patrimônio daquele jeitinho brasileiro, colocando tudo em nome de laranjas, e dizer que não é seu, ok?

O ex-presidente Lula palestrou em Moçambique, terra do Mia Couto, tempos atrás. A palestra, dizem que custou 815 mil reais, pagos à vista, por uma empreiteira brasileira. Os moçambicanos poderiam ter passado sem essa. Eles têm Mia Couto como conterrâneo, afinal. A palestra foi sobre combate à desigualdade social. Lula disse que é necessário distribuir a riqueza (a riqueza dele também, espero). Lembro, de novo, que ele ganhou 815 mil para palestrar sobre desigualdade social. Que contradição!

Menos políticos. Mais poetas. Um poeta africano é muito melhor para falar sobre desigualdade social, do que qualquer político brasileiro. E sai mais barato também.

A esperança é a última a morrer. Diz-se. Mas não é verdade. A esperança não morre por si mesma. A esperança é morta. Não é um assassinato espetacular, não sai nos jornais. É um processo lento e silencioso que faz esmorecer os corações, envelhecer os olhos dos meninos e nos ensina a perder a crença no futuro.


Plenitude da fanfarronice

janeiro 26, 2016

Um auto intitulado “apóstolo”, egresso de duas “igrejas da prosperidade”, que abriu em seguida sua própria franquia de “igreja”. Daí para atrair muitos, aparecer na Internet, e chamar a atenção, foi um pulinho. História que já vimos várias vezes. Mais do mesmo tipo de igreja judaizante, onde se vende óleo milagroso engarrafado, e se fazem campanhas com nome de muralha de Jericó, batalha de Josué, quebra de maldição, com decoração dourada pra todo lado, e outras coisas do tipo. Até aí, nada de novo. É a mesma receita de outras neopentecostais já há muito tempo no “mercado”. Sim, mercado.

O fanfarrão em questão, usa por cima da roupa, um simulacro de pano de saco. Muitos o chamam de Fred Flintstone por conta da roupa inusitada, a fantasia que usa nos cultos da igreja. Fora da igreja, nada de humildade, vale andar de Porsche e BMW e ostentar roupas de marca. Além de fanfarrão, é ator, e gosta de encenar duelos com pais de santo, amaldiçoar pessoas em vídeos, e mais recentemente, estava usando uma coroa que o deixava parecido com um personagem do carnaval. Púlpito ou picadeiro, eis a questão.

Num país cheio de escândalos de corrupção, Petrolão, Mensalão, Zelotes, Lava jato, dá para entender porque as pessoas procuram esse tipo de lugar. Simples de entender a atração que este tipo de “pregação” exerce. Busca de soluções fáceis para os problemas comuns da vida: casamento destruído, desemprego, dívidas, problemas de relacionamento, vícios e doenças. Pessoas desesperadas viram alvo dos parasitas da fé. A fórmula de mostrar Deus como fosse a lâmpada mágica que resolve todos os problemas, sem que você precise fazer nada além de entregar seu dinheiro, apenas reflete o que acontece em todos os escalões da política do país, onde tudo se resolve com propina. Tudo é questão de “molhar a mão” certa. Em vez de cantar “segura na mão de Deus”, vão na igreja para tentar molhar a mão dEle. Deve ser por isso que alguns políticos fazem questão de aparecer em igrejas quando é época de eleição. O povo vai de uma igreja de prosperidade para outra, e elas competem entre si pelo mercado de desesperados. Um povo fraco, que corre atrás de qualquer carismático que se diz “apóstolo”, abre um negócio que chama de “igreja” e sobe em púlpito. E quanto mais espalhafatoso o culto, melhor. Não é de estranhar os políticos que temos por aí. Cada nação tem o governo que merece. E cada crente tem o pastor que merece. Simples assim.

“Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas jamais ficará satisfeito com os seus rendimentos. Isso também não faz sentido.”
Eclesiastes 5:10