Scribal Culture and the Making of the Hebrew Bible – Karel van der Toorn

outubro 17, 2010

trecho da Introdução

Quem escreveu a Bíblia? A questão é quase tão antiga quanto a própria Bíblia. Sábios judeus, citados no Talmud (Baba Bathra 15a), já se perguntavam isso, e a pergunta ainda ecoa nos dias de hoje na mente dos estudiosos e nos títulos dos livros. Desde que a Bíblia recebeu o status de livro sagrado, as pessoas têm se intrigado com sua origem. A Bíblia sobre a qual trata este livro, é a Bíblia Hebraica, adotada pela igreja cristã como Antigo Testamento. Sua origem remonta ao início de Israel. É um paradoxo que os israelitas, baseados como eram numa cultura oral, tenham deixado um livro como sua herança para o mundo. O próprio mundo dos israelitas não possuía livros. A leitura e a escrita eram restritas a uma elite profissional; a maioria da população era analfabeta. Mesmo que essa observação pareça superficial, é necessário fazê-la, desde que os leitores modernos da Bíblia são propensos a projetar sua própria cultura literária no povo bíblico. Embora o Judaísmo seja definido como a “religião do livro”, o livro em questão se origina numa cultura de palavra falada. Se queremos entender como foi feita a Bíblia hebraica, precisamos nos familiarizar com a cultura dos escribas, que a produziu. A cultura de uma elite letrada. Os escribas que produziram a Bíblia eram escritores profissionais filiados ao templo de Jerusalém.

Eles praticavam seu ofício num tempo em que não havia tradição literária nem um público leitor de qualquer espécie. Escribas escreviam para outros escribas. Para o público em geral, os livros da Bíblia eram ícones de um corpo de conhecimento acessível somente por meio da instrução oral apresentada pelos líderes religiosos. O texto da Bíblia hebraica não fazia parte da cultura popular. A Bíblia nasceu e era estudada na oficina de escribas do templo.  Em sua essência fundamental, era um livro do clero. A maioria daqueles que estavam envolvidos na manufatura da Bíblia não deixou nome nem biografia. Não os conhecemos individualmente. Podemos identificar seu ambiente como o da elite dos escribas, e é este ambiente que detém a chave para as origens da Bíblia. Pode ser circunscrita mais precisamente na oficina dos escribas do Segundo Templo, ativa no período entre 500 e 200 a.C. A propagação dos livros que viriam a constituir a Bíblia se originou com a mesma instituição. Os escribas que vamos estudar eram acadêmicos e professores: eles escreveram, editaram, copiaram, fizeram leituras públicas e interpretaram. Se a Bíblia se tornou Palavra de Deus, foi devido à sua apresentação. Tanto a produção como a promoção da Bíblia hebraica foi trabalho dos escribas. A história da origem da Bíblia é a história dos escribas por trás dela.

Scribal culture and the making of the Hebrew Bible – Karel van der Toorn


Reading the bible again for the first time – Marcus J. Borg

novembro 14, 2009

biblefirsttimeReading the bible again for the first time – taking the bible seriously but not literaly – Marcus J. Borg

  • Paperback: 336 pages
  • Publisher: HarperSanFrancisco (February 5, 2002)
  • Language: English
  • ISBN-10: 0060609192
  • ISBN-13: 978-0060609191

Reading the Bible Again for the First Time é a continuação de outro livro de Marcus Borg, chamado Meeting Jesus Again for the First Time.  Assim como o livro anterior, este também é escrito para leigos, cuja fé tenha sido frustrada pela idéia errada de que a alegação do fundamentalismo, de ser a única fé verdadeira, é válida.  Borg, professor de religião na Oregon State University, descreve uma alternativa aos fundamentalistas assim chamados leitores “literais da bíblia. (Ele acredita que esta leitura “literal-factual não corresponde à essa descrição, e que as limitações de tais leituras têm alienado muitas pessoas que de outra forma continuaria fazendo parte da igreja.) Borg chama sua alternativa de leitura metafórica-histórica”, uma forma de “levar a bíblia a sério sem interpretá-la literalmente.” Reading the Bible começa com a história dos conflitos recentes a respeito da interpretação bíblica.  Borg navega sobre os campos minados do assunto com sensibilidade e precião, explicando, por exemplo, a distinção importante entre leituras evangélica e fundamentalista da bíblia. E então nos oferece leituras histórico-metafóricas de alguns textos chave tanto do antigo quanto do novo testamento.  Ao longo do livro, Borg escreve com tranquilidade e respeito por aqueles que discordam dele.   Reading the Bible é um guia confiável ao projeto do qual leva o nome. É um exercício fiel da razão, comprometido a ajudar cristãos a ouvir mais claramente as muitas vozes registradas na bíblia. –Michael Joseph Gross

Reading the bible again for the first time – Marcus J. Borg