Understanding religious experiences: What the bible says about spirituality – J. Harold Ellens

[…]No final das contas, adotar as crenças ou liturgias do passado, sem fazer delas as nossas próprias num nível interior, nos impede de ter espiritualidade verdadeira ou religião autêntica. No final das contas, são apenas os meus próprios significados que podem verdadeiramente satisfazer a fome da minha alma. Como eu posso ser uma pessoa de Deus autêntica, se não sou meu próprio eu real e verdadeiro?[…]

[…]Este processo de busca de significado e preenchimento é muito individual e pessoal, mesmo quando tende a tomar rumos humanos similares e previsíveis em todos nós. É particular de cada pessoa, buscar as questões definitivas pelas quais a psique tem necessidade de respostas que funcionem para o seu espírito individualmente. Isso significa que rituais de rotina, em adoração pública, celebrações comunitárias ou vida devocional pessoal, nunca são suficientes e não podem ser por si mesmas, autênticas.  Práticas religiosas, fórmulas, padrões ou liturgias que existem por si mesmas, ou que são simplesmente encaradas como rituais, não funcionam para nenhum de nós. No passado, muitas pessoas diziam que as instituições e líderes religiosos tinham autoridade suprema e seus programas religiosos prescritos deviam ser seguidos porque eles tinham que ser obedecidos, não porque  proporcionavam significados espirituais interiores. Isso é mero ritual por si mesmo, e esta é uma forma doente de espiritualidade.[…]

[…]O reinado de Deus como Jesus o percebia como presente na experiência humana, era muito diferente das aspirações e modos de percepção que os líderes religiosos ao seu redor tinham seguido por tanto tempo e que nos seus dias, estavam sendo encaradas com crescente vigor e fervor. Enquanto seus discípulos o entendiam parcialmente, parte da razão para a natureza alusiva e parabólica dos seus ensinamentos residem no fato de que ele estava tentando induzir seus ouvintes a uma nova visão, uma mudança de ponto de vista. Ele estava concentrado em sacudir as pessoas das suas velhas categorias, fossem elas sofisticadas e instruídas ou tivessem a fé simples dos agricultores, prostitutas e pescadores, entre os quais ele vivia.

Ele ansiava por tirar as pessoas das estruturas ossificadas dos rituais religiosos, para colocá-las nas possibilidades dinâmicas de estar em contato com sua espiritualidade interior. No processo, ele esperava que elas estivessem em contato com Deus como Pai, uma percepção que era tão real para ele mesmo.[…]

[…]Aparentemente, como os antigos israelitas contam, caminhar com Deus não requer perfeição moral, material ou espiritual. Isto é, pessoas comuns podem andar com Deus.  Pessoas falhas como você e eu, podem caminhar com Deus. No fim, porque andou com Deus e agiu sob os significados espirituais que esta caminhada gera, Noé se tornou um símbolo da presença construtiva de Deus nas vidas de seres humanos falhos. No Novo Testamento, particularmente nos quatro evangelhos, Jesus faz referência frequente a Noé, como um exemplo de como a presença e intimações de Deus para as pessoas que caminham com Ele, melhoram a qualidade de uma vida com significado. Nas epístolas posteriores, Noé é especificamente citado como um exemplo dos benefícios de se caminhar com Deus.

[…]Não precisamos levar os detalhes da lenda seriamente. Como as parábolas, tais lendas ou mitos sempre possuem um ponto central que o autor tenta estabelecer. Se ficamos preocupados com ou damos muita atenção aos detalhes periféricos, ou se a história é história ou mito, perdemos o foco. Essa história quer dizer apenas uma coisa: é possível para nós humanos, em nossa busca de significado, experimentar o que pode ser chamado de caminhar com Deus, e que isso faz uma grande diferença para melhor em nossa espiritualidade, e até mesmo em nosso comportamento religioso.[…]

[…]Adão perdeu uma boa caminhada com Deus no paraíso, no frescor da noite. Ele perdeu sua caminhada com Deus porque a ignorância, medo, culpa e vergonha, fizeram com que se sentisse alienado, separado de Deus. Isso é sempre verdade. Isso é sempre verdade para todo ser humano. Isso sempre acontece. Leia a história da queda novamente. Você verá como esta história inacreditavelmente fantasiosa em Gênesis 3 realmente é, mas no centro dela, há uma verdade espiritual. É sempre nossa ignorância (falta de informação),  medo (falta de fé),  culpa (falta de confiança), que nos distancia desta percepção, de que estamos caminhando com Deus em nossa busca por significado.[…]

[…]Não sou um evangélico fundamentalista, e não acredito que a bíblia é verbalmente inspirada e inerrante, ou algum tipo de livro mágico, como muitos dos meus colegas cristãos. Entretanto, acredito que se nós desenhamos nossas vidas como uma caminhada com Deus ou uma busca por Deus, vamos experimentar Deus de uma forma tão gratificante como experimentamos uma boa ceia e uma boa taça de vinho numa boa mesa. Acredito que os personagens bíblicos viveram no mesmo tipo de mundo espiritual no qual nós mesmos vivemos. É por isso que acredito  que a bíblia está cheia da palavra de Deus, isto é, o testemunho dos personagens bíblicos a respeito de como eles experimentaram Deus em suas vidas. Em muitas ocasiões eles foram acurados em seu discernimento. Em outras, estavam muito errados e até patológicos no que significava presença de Deus para eles.  É fácil saber a diferença, porque aquelas experiências que ajudam e melhoram a vida humana são certamente de Deus, e aquelas que falham nisso não são. Acreditar que Deus está dizendo a você para matar seu filho, é, obviamente, loucura. Acreditar que Deus ama tanto o mundo, que pretende salvar todos, como João e Paulo percebiam, e não condená-lo, vem obviamente, de Deus.[…]

Understanding religious experiences: What the bible says about spirituality – J. Harold Ellens

Uma resposta para Understanding religious experiences: What the bible says about spirituality – J. Harold Ellens

  1. Carlos Queiroz disse:

    È uma pena que alguém com tanta cultura e conhecimento não entenda e aceite a simplicidade da mensagem do Deus criador e veja-o apenas como uma busca de sentido. Como pode haver sentido em fantasia, lenda ou mito? O certo é que os que preferem abrigar as ações divinas no decurso da humanidade como metáforas fantasiosas, vivem, na verdade, uma lamentável espiritualidade vazia de sentido e, por conseguinte, alimentam um vazio na alma.

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