Siga as regras… ou não…

Esses dias me vi tendo necessidade de usar um software chamado AutoCAD, e percebi que estava enferrujada. Procurei alguns tutoriais para lembrar de algumas coisas, e comecei a treinar. Num determinado exercício do tutorial, o instrutor ensinava um jeito de desenhar uma porta numa planta baixa, que era muito mais complicado e demorado, do que uma outra forma possível de se fazer o mesmo desenho. Se você já usou tutoriais para aprender a usar algum software, você sabe que, primeiro, ensinam o jeito mais difícil e trabalhoso de executar alguma coisa. Depois que você já aprendeu o mais difícil, é que eles mostram um jeito mais fácil de fazer, os atalhos. E no caso, eu já sabia o atalho. Então, em vez de seguir o tutorial, fiz a porta do jeito mais simples. O resultado, ficou exatamente igual. Obviamente que se a execução de todos os passos, conforme estava no tutorial, fosse usada para avaliar meu desempenho, eu seria reprovada. :P

No começo, eu até estava seguindo os passos do tutorial. Depois, à medida que ia lembrando das coisas que estavam esquecidas mas continuavam arquivadas em algum lugar do meu cérebro, comecei a colocar as asinhas de fora. Como era só um exercício, e não um projeto real, incluí coisas que não estavam no original, mudei outras.

Quando alguém decide seguir Jesus, é a mesma coisa. No começo pode parecer mais seguro seguir os passos de algum tutorial, escrito por alguma outra pessoa. Mas a aventura começa mesmo, é quando você usa o modelo do tutorial como base, mas cria os seus próprios passos, arrisca, ousa, inventa, transforma isso num empreendimento pessoal. Isso quer dizer, que sua inteligência está envolvida na caminhada, que entrou num processo criativo e único, construído entre a pessoa e Deus. Fugindo dos esquemas de produção de crentes em série. A pessoa que está apenas decorando, memorizando procedimentos, não está envolvida na atividade com todo o entendimento. Estar envolvido com todo o entendimento, implica em interagir, entender, pensar junto, participar, dar palpite, e não simplesmente engolir as coisas como são colocadas no prato.

E desde sempre entendi, como Kierkegaard, que amar a Deus acima de todas as coisas, de todo coração, alma e entendimento, implica em ter pessoas, únicas, conscientes, pensantes, livres (inclusive para errar) e criativas, envolvidas pessoalmente, uma por uma, nessa tarefa. Sem intermediários, e sem intérpretes mastigando tudo. Relacionamento pessoal com Deus, não tem nada a ver com a massificação das religiões, que tentam formatar pessoas e nivelar personalidades, porque isso facilita sua própria sobrevivência.

O único jeito de você amar a Deus de todo coração, alma e entendimento, é o seu próprio jeito. O jeito dos outros, é dos outros, não seu.

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