Radical grace: how belief in a benevolent God benefits our health – J. Harold Ellens

Depois que o Paulo Brabo postou na Bacia das Almas (que eu obviamente tomei a liberdade de replicar parcialmente aqui), um texto de J. Harold Ellens (A saúde divina e a saúde humana) que faz parte deste livro, lá fui eu, cheia de curiosidade, ler o resto. Coloco mais uns trechos abaixo.

[…]É maldade que uma bactéria ou vírus penetre numa folha de capim, que é depois ingerida por uma vaca, cujo leite fica contaminado e mata um bebê, e talvez a própria vaca? É trágico, mas não maldade. Do ponto de vista da bactéria, é uma façanha considerável. Do ponto de vista da vaca e do bebê, é doloroso e difícil. A disputa entre duas formas ou ordens de vida toma lugar, e um vive às expensas do outro, justamente como nós humanos, vivemos às expensas da vida das plantas, e de ordens inferiores de animais, todos os dias. É um tipo infeliz de imperialismo humano, chamar estes processos de maus. Que concede uma prioridade moral, ou prerrogativas a isso que chamamos de espécies superiores, e uma exploração inerente das formas consideradas inferiores.

Os processos que aparecem nesta ilustração, da bactéria e da vaca, não são maus. Trata-se apenas da ordem natural das coisas criadas neste mundo. A morte do bebê é trágica e terrivelmente dolorosa aos pais, mas não é um evento maléfico, apenas um evento trágico. Não é a consequência de alguma força má atuando neste mundo. A doença não é do mal, mas apenas o corolário doloroso, do concurso de formas de vida, ou da disfunção de células e organismos com problemas, num mundo dominado por seres humanos que, arrogantemente, pensam que temos que ser excluídos desse tipo de inconveniências e desconfortos. Então, nós chamamos nossos sofrimentos e inconveniências particulares de maléficos, mesmo quando outros organismos criados por Deus, estão envolvidos no processo.[…]

[…]A única exceção ou alternativa a este impasse e esta patologia psicoreligiosa que a história nos apresenta, é o conceito de graça divina, que tem sua aparição exclusivamente no judaísmo. Aqui, e em nenhum outro lugar na história da religião, na visão da fé de Abraão, há a noção de que Deus transcende arbitrariamente a imperfeição do universo e da nossa humanidade; de que Deus, incondicionalmente, nos aceita como somos, onde estamos; e que este Deus nos assegura de que temos valor, apesar de nós mesmos.  Esta certeza é dada por Deus, para deixar claro para nós, que vamos sair da vida vivos e bem, não importa como. Esta é a visão que a fé cristã herdou e encontra sintetizada em Jesus de Nazaré, como Cristo de Deus.

Esta é a razão, apesar da noção popular prevalente do contrário, de haver dois, e apenas dois, tipos de religião na história da humanidade: aquele que parte do pressuposto de que Deus é por nós, e aquele que parte do princípio de que Deus está contra nós, ou é no mínimo, uma ameaça perigosa contra nós. Religiões que assumem que Deus é uma ameaça, criam estratégias elaboradas de ética e rituais de adoração, designados para prover técnicas de auto-justificação. Estão cercadas pela escravidão psicológica, de loucos becos sem saída. Aquelas religiões que assumem que Deus é por nós, expressam a si mesmas em celebrações autênticas de graça e gratidão. São religiões saudáveis, que proporcionam a liberdade da vida como uma busca aberta e criativa, onde cada exploração arriscada – exploração teológica, experimentação moral ou espiritual –  é totalmente segura, pois a graça é maior do que qualquer dos nossos pecados.

Apenas as formas judaico-cristãs de fé são formadas e informadas por uma teologia assim, com um Deus que é Deus de graça radical, incondicional e universal. A graça de Deus é radical no sentido de que não podemos nos esconder dela, nem nos defender contra ela, ou nos afastar dela por causa de nossos pecados. É incondicional no sentido de que é um presente arbitrário de Deus, por causa do valor que temos para Ele, e não por causa da nossa bondade. É universal na medida em que ninguém pode cair da graça de Deus, ou escapar do Seu abraço.  Nenhuma outra religião atingiu esta perspectiva. Infelizmente, muito da história, tanto do judaísmo quanto do cristianismo, tem sido um sério afastamento desta herança única, e uma regressão à preocupação pagã com legalismos dirigidos pela angústia, e a heresia destrutivamente má da ortodoxia. Isso demonstra o grau com o qual nosso terror humano comum, é um produtor e modelador endêmico  da nossa religião e espiritualidade.[…]

[…]A graça é tão inacreditável, que nos deixa um tanto quanto desconfortáveis, por não termos nenhum poder de barganha, e de não estarmos no controle, porque estamos à mercê de Deus e de sua graça e misericórdia. Se não podemos, ou não nos lançamos nos braços de Deus, na certeza de que sabemos que a única justiça para seres como nós, é a misericórdia, então sempre a graça será um indutor de angústia, e a religião e a espiritualidade fracassam, pela deterioração numa psicopatologia da hesitação e dúvidas.  Estes, por sua vez, nos levam a criar rituais de adoração rígidos, e ortodoxias teológicas estupidificantes, planejados para manipular um Deus ameaçador…[…] (ou para manipular pessoas, colocando um Deus ameaçador contra elas – acrescentaria eu, humildemente).

[…]Pastorear é cuidar desse pessoal ansioso, necessitado, inadequado, cheio de culpa, confuso e inquieto, que todos nós, humanos, somos. Todos nós estamos famintos e sedentos de justiça, conscientemente ou não, cada um do seu próprio jeito. Ser uma pessoa pastoral é tratar compassivamente os seres humanos, nos seus próprios mundos pessoais, para procurar soluções para o vazio que cada um sente na sua própria alma: a sensação de segurança que chega com a entrada na comunhão com nosso Deus paternal e com a comunidade dos Seus filhos. Pastorear é ajudar outros seres humanos a perceber que a amizade pode ser a resposta para essa fome de significado, segurança e destino que dirige todos nós.[…]Pastorear é comunicar o significado da afirmação de Deus a respeito de cada um de nós, quando nos diz: “Serei Deus para você e para os seus filhos, para sempre!” (Gênesis 12 e 17). Esta afirmação não depende de qualificações, requisitos, não tem condições limitantes. Pastorear é comunicar que a graça e, desse modo, as boas novas para os pobres, incluem aqueles que são vítimas de si mesmos ou do seu mundo; liberdade para aqueles que estão aprisionados, e a oportunidade de conhecer a aceitação, por parte de Deus, de cada um de nós, pessoas necessitadas. Pastorear é comunicar relacionalidade curativa a uma humanidade ansiosa e angustiada. O mesmo é verdade para um psicoterapeuta responsável.[…]

Radical Grace: how belief in a benevolent God benefits our health – J. Harold Ellens – Barnes & Noble

Não importa quantos erros você pensa ter cometido, o amor dEle não é condicionado ao desempenho, Ele ama sempre do mesmo jeito. Não importa quão longe você pense ter ido, Ele vai te receber da forma como aquele pai recebeu o seu filho pródigo, com festa. E Deus não vai exigir que você seja perfeito, porque a misericórdia dEle, se renova todos os dias. Deus sabe que somos humanos e falhos, e jamais lançará fora alguém que O busca e põe sua confiança nEle.

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