Teologia da esperança – Jürgen Moltmann

A ocasião pedia, por isso, fui reler este livro de Moltmann, apenas para colocar alguns trechos dele, e deixar que cada um, interprete como quiser, tanto o que ele escreveu quanto o que andaram dizendo a respeito dele por aí. E leia o livro todo, se achar que vale a pena. E por favor, você não precisa concordar com nada.

[…]Sem o conhecimento da fé, fundado em Cristo, a esperança se converte em utopia, que se perde no vazio. Porém, sem a esperança, a fé decai, se transforma em pusilanimidade, e por fim, em fé morta. Mediante a fé o homem encontra o caminho da verdadeira vida, mas só a esperança o mantêm neste caminho. Assim, a fé em Cristo transforma a esperança em confiança e a esperança, dilata a fé em Cristo, e a introduz na vida.

Crer significa ultrapassar, em uma esperança que se adianta, as barreiras que foram derrubadas pela ressurreição do crucificado. Se refletimos sobre isso, então a fé não pode ter nada a ver com a fuga do mundo, ou com a resignação e os subterfúgios.  Nesta esperança, a alma não se evade deste vale de lágrimas, para um mundo imaginário onde só habitam pessoas bem-aventuradas, nem tampouco se desliga da Terra.[…]

[…]Assim, pois, se a fé, para poder viver, tem que estar ligada à esperança, o pecado da incredulidade se baseia, então, evidentemente, na falta de esperança.  É verdade que se afirma que o pecado consiste, em sua origem, no fato de que o homem quer ser como Deus. Porém isso é apenas uma causa do pecado. A outra face desta arrogância, é a falta de esperança, a resignação, a tristeza. Disso brotam a infelicidade e a frustração, que impregnam todo vivente com os germes de uma doce putrefação. O apocalipse de João menciona, entre os pecadores cujo futuro é a morte eterna, aos “covardes” antes dos incrédulos, dos ímpios, dos assassinos e etc.[…]

[…]Este é o pecado que mais ameaça o crente. Não o mal que faz, mas sim o bem que deixa de fazer; não os seus delitos, e sim, as suas omissões, são as coisas de que pode ser acusado.[…]

[…]Nem a esperança, nem o modo de pensar que correspondem a ela podem aceitar, portanto, a acusação de que são utópicos, pois não se estendem a algo que não tem “nenhum lugar”, e sim até o que “ainda” não tem lugar, porém, chegará a ter.[…]

[…]Onde a fé e a esperança começam a viver orientadas perante estas possibilidades e promessas de Deus, se abre a plenitude integral da vida como vida histórica e, por isso, como vida que devemos amar. Só tendo este Deus no horizonte, se torna possível um amor maior do que o philia, mais do que amor ao existente e ao que é idêntico, um amor ágape, amor ao que ainda não existe, ao desigual, ao indigno, ao fútil, ao perdido, ao passageiro, ao que está morto; um amor que pode tomar sobre si o elemento aniquilador da dor e do estranhamento, porque recebe sua força da esperança de uma “creatio ex nihilo“. Este amor não desvia o olhar do que não é existente, para dizer que não é, posto que ele mesmo se converte no poder mágico que o faz ser. Em sua esperança, o amor mede as possibilidades abertas da história. No amor, a esperança introduz tudo às promessas de Deus.[…]

Resumindo: Algumas igrejas são mais parecidas com filiais do inferno, antros de mentira, corrupção, maldade, fofoca, intriga, idolatria e coisas semelhantes a estas. Se cada uma das bilhões de pessoas que se dizem cristãs no mundo, buscasse a justiça e a paz para todos, como verdadeiros discípulo de Jesus, em vez de se conformar em ser adepto de uma religião, mesmo que fosse num raio de 100 metros em torno de si mesmo, alguém tem dúvida de que este mundo seria um lugar melhor? Não ficaria perfeito (imaginar que um “mundo perfeito” é possível de ser construído por seres humanos imperfeitos como nós, isso sim é utopia), mas ficaria menos pior, muitas dores seriam amenizadas. Não contribuir para gerar mais mal, já seria uma grande coisa.

Por que o espaço ao seu redor não pode ser um “microclima”, onde uma amostra do Reino dEle, de liberdade e amor, justiça e paz, pode ser experimentada, ainda que de forma parcial e imperfeita?

Eu pessoalmente, acho o Moltmann otimista demais em alguns momentos, lembra o ufanismo dos evangélicos. Esse otimismo excessivo que transparece nele em determinadas falas dele, parece exagerado para mim, que não sou tão otimista assim com relação ao ser humano. O ser humano é habitado pelo bem e pelo mal, e é capaz de extremos tanto de maldade quanto de bondade, e muitas vezes age de forma imprevisível, para ambos os lados. Mas nunca estive num campo de concentração, e ele sim. Ele sentiu na pele, o alto preço que inocentes pagam, quando pessoas não fazem o bem que poderiam fazer, e se omitem. Eu fico mais no equilíbrio, entre ser otimista, mas sem tirar os pés do chão, da realidade de que o ser humano é falho e limitado. É imagem de Deus, mas também sabe ser diabólico. E ser crente, não livra ninguém de ter seu lado “diabo” falando mais alto. Não dizem que até o diabo é crente? :P

3 respostas para Teologia da esperança – Jürgen Moltmann

  1. Geraldo Cruz disse:

    O aprente otimismo exagerado de Moltmann sempre foi a tônica da mioria de sias críticas. No entanto, quem conhece não apenas trechos da sua obra, mas teve o prazer de Lê-la detidamente, pode assegurar que há um equilíbrio em seu pensamento. Moltman, por exemplo ao expor o tema da Aliança assevera que ela se encontra no campo da PROMISSÃO (promessa com comprometimento) e não no campo do VATICÍNIO (previsão descomprometida). Isto significa que nosso teólogo da Esperança não sonha com um futuro utópico, onírico e platônico, mas com um futuro cuja realização depende essencialmente do Deus que o prometeu; assim a idéia da EXTRAPOLAÇÃO é conjugada com fé no ADVENTO. Em síntese: otimismo sim, mas fundamentado no Deus Promitente que se envolve com a história que iniciou e a consumará. (Meu Pai trabalha até agora e eu também).

  2. Pericles A. R. de Toledo disse:

    Só alguns esclarecimentos: A Teologia da Esperança de Moltmann se aproxima muito da linha de Barth e de Bultmann e ele não esteve num campo de concentração “nazista” uma vez que, como alemão, pelo contrário, lutou no exército de Hitler contra os aliados e esteve em um campo de concentração inglês (e não nazista), de 1945 a 1948. Jürgen Moltmann é um dos maiores maiores teólogos luteranos contemporâneos.Vai pela linha da Teologia da Libertação.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: