Evangélicos e baratas

É sempre interessante observar o comportamento dos grupos humanos. Mas dentre os diferentes grupos que seres humanos criam em torno de interesses comuns, um se comporta de forma peculiar: os evangélicos de uma forma geral.

Observando a forma como evangélicos reagem como grupo, percebi uma analogia entre a forma pela qual eles se movimentam, e as baratas, quando atingidas por um jato de baygon, por exemplo, ou quando são obrigadas a se desentocar de seus esconderijos por qualquer motivo. A expressão “barata tonta” não existe por acaso, porque elas correm em desespero, mas estão na verdade desorientadas fora das tocas, fora do ambiente que consideram seguro.

O que isso tem a ver com os movimentos dos evangélicos? A forma é a mesma. Eles parecem movidos por um botão de PÂNICO. Um botão que, quando pressionado, faz com que saiam desesperados, angustiados, apavorados, ou simplesmente raivosos, supostamente para defender a fé, a igreja, Deus, Jesus, a sã doutrina, a moral, os bons costumes, ou seja lá o que for. Sem equilíbrio, de forma irracional e emocional, num movimento de histeria coletiva induzida, que seus líderes sabem tanto detonar, quanto sabem explorar muito bem. Os líderes tocam o terror, literalmente, nesse caso, e os crentes correm ora contra algum “ismo”, ora contra gays, ora contra hereges, ora contra ateus, não necessariamente nesta ordem.

Aliás, evangélicos em geral são os mais angustiados que já conheci. Parece que essa história de ficar sentados esperando Jesus voltar a qualquer momento, faz mais mal do que bem à saúde mental deles. Mas, quando alguém fala em esperar sim, mas não sentados, e sim com as mangas arregaçadas, e trabalhando para ser o corpo de Deus aqui na Terra, distribuindo o amor e  o perdão dEle a quem quiser (porque como diz um velho ditado, cabeça vazia é oficina do diabo – e como tem cabeça de crente vazia por aí, vou te contar), de novo, alguém aperta o botão de PÂNICO e lá vão eles, para mais um ataque de nervos. “Despedacem este herege, que está dizendo que Jesus não vai voltar.” Vale sensacionalismo barato, desonestidade intelectual, distorção, qualquer coisa, desde que o resultado seja disparar o alerta vermelho, e as “baratas” fiquem tontas. Desperdício de energia, ou uma forma de descarregar o excesso de energia e neurose acumuladas, de forma surtada?

E eu que pensei que a ideia era descansar nEle, e não viver a beira de um ataque histérico.  Me tornei cristã, para me juntar a essas pessoas, em seus movimentos de baratas tontas? Claro que não. Isso seria o mesmo que propor que eu ficasse pior do que era antes de ser cristã, e não acho que seja uma boa proposta. Participar de movimentos irracionais, incitados por um botão de pânico, não é um projeto de vida capaz de me atrair.

Jesus veio para libertar pessoas, e não para propor que elas fossem feitas reféns desse tipo de liderança, que incentiva o desequilíbrio emocional, a irracionalidade, a ignorância, as reações destemperadas e baseadas no medo.

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