Somos construídos pelo amor

por Lisa Dye

“Deus, amando o que ainda não está pronto, e colocando fé em nós, nos gera continuamente, porque o amor dEle é que nos gera.” Carlo Carretto

Se somos construídos pelo amor, então nós todos, na mente infinita de Deus, nos completamos porque Deus amou o mundo. Por que então, nos sentimos estragados, incompletos, vazios e inacabados? Por que lutamos para conseguir perceber o amor de Deus e também para conseguir demonstrar esse amor a outros? Não são os cristãos os que se supõe que têm essa questão já resolvida – estar certos desse amor – para ter esse vazio em forma de Deus em nós, preenchido, saciado, transbordando e satisfeito, e ser canais de amor para outras pessoas?

Como uma jovem crescendo em meio ao alcoolismo, divórcio e depressão, lancei-me na vida buscando me completar em relacionamentos, aprendizados, trabalho e até num relacionamento recém-nascido com Cristo.  Naquele momento, Jesus estava em uma categoria agradável, como todas as outras coisas. Foi desta maneira que lidei com uma vida familiar infeliz – mantendo as coisas separadas. Tinha caixas numa prateleira para tudo, incluindo meu relacionamento com Deus. Em cada caixa, estavam minhas ideias sobre como proceder – trabalhar duro e guardar dinheiro, estudar muito e ir à faculdade, não deixar as coisas balançarem em casa e esperar por uma noite sóbria e feliz, lendo minha bíblia e tentando ser perfeita.

Isso mudou em 1985, quando caí de cama, pronta para morrer, por causa da depressão. Tinha falhado em fazer o melhor para jamais falhar. Internamente, ouvia Deus sussurrar que me amava. Aquela revelação foi fundamental. Já tinha lido isso na bíblia e ouvido isso ser dito no púlpito. Nã0 era nenhuma informação nova, mas de alguma forma, estava sendo percebida de uma nova forma.  Esse conhecimento me tocou numa parte de mim que nunca havia sido tocada antes, e foi um presente de Deus. Daquele dia em diante, deixei de procurar em qualquer outro lugar, que não fosse Cristo, me completar. Sabia que ele me conhecia e que estava comigo. E ainda sei.[…]

[…]O ponto principal é que Deus é misterioso e soberano. Ele não segue nossas fórmulas para nada, incluindo o seu amor. Ele não segue nossas agendas, quando desejamos ter conhecimento completo a respeito dEle. Não segue nossas expectativas a respeito de como deveria se revelar ou se expressar. Não respeita os medidores que criamos para tentar medir o quanto amados ou completos nos sentimos. Nós simplesmente somos amados por Ele, e é tudo. Podemos crer nisso ou não.

Frustrada algumas vezes com minha própria descrença, descubro que Deus continua inabalável e paciente comigo, porque estou continuamente sendo gerada. Minha alma ainda está no processo de transformação.[…]

Penso que Carlo Carretto captou bem. Se Deus é feito de amor, é disso que somos feitos também, então todos nós, nem que seja apenas na mente infinita e eterna de Deus, estamos completos, porque Deus é amor e ama o mundo. Ele não é limitado pelo tempo e espaço como nós somos. Está em todos os lugares e em todos os tempos – no passado quando fomos concebidos, no tempo e espaço em que vivemos e lutamos enquanto Ele continua a nos completar e nos aperfeiçoar – e na eternidade futura, onde estaremos totalmente completos. Sua percepção estende e engloba nosso ser finito e nosso futuro eterno, com conhecimento completo e executado em nós. O que seremos… pra Ele nós já somos.

Por outro lado, nossa percepção é limitada às dimensões que podemos experimentar em carne e sangue. Mesmo com o espírito despertado pela confissão de fé em Cristo e mesmo habitados pelo espírito santo, nosso potencial para discernir espiritualmente é ofuscado por milhares de coisas.   Na mesma medida em que falhamos em perceber o amor, nos percebemos inacabados e demonstramos isso. O nosso comportamento reflete essa percepção de mesquinhez, pequenez e amor incompleto. E caminhamos ombro a ombro com outros  que percebem e exibem em si mesmos essa mesma imperfeição.[…]

[…]Brennan Manning disse, “Jesus é a face humana de Deus”. Deus o enviou para para que fosse sua face humana, suas mãos humanas, braços, pés, corpo. O toque de Jesus é o toque humano de Deus, sua voz, a voz humana dEle. Ele se fez carne e habitou entre nós, mas continuamos a não perceber Deus… e o seu amor.  Certa vez, Jesus estava conversando com seus discípulos, e Filipe pediu, “Senhor, mostre-nos o Pai e isso nos será suficiente.” Jesus respondeu: Você não sabe, Filipe, mesmo depois de eu ter estado tanto tempo entre vocês? Qualquer um que tenha me visto, viu o Pai. Como pode você pedir “Mostre-nos o Pai?” (João 14:8-9)

Isso ocorreu em um tempo em que Deus andou no meio das pessoas. Falou com elas e as tocou, lavou seus pés, pescou junto com elas e fez refeições junto com elas. Levou tempo para elas entenderem que ele era Deus. Depois da sua morte é que entenderam o seu amor. Leva uma vida inteira vivendo com Ele, para conseguirmos perceber completamente o seu amor.[…]

[…]Assim como fixamos o olhar em Cristo, seu amor continua a nos gerar, nos completando, e começamos a perceber em outros, o amor que Deus tem por eles. Como João explicou na passagem acima, começamos a nos tornar parecidos com Jesus, quando andamos com Ele. Nós amamos como Jesus, quando vivemos no seu amor. De uma forma misteriosa, mágica e inconsciente, nos tornamos como a face humana de Deus para aqueles que estão a nossa volta.  Nossas mãos são as suas mãos, nossas palavras as suas palavras, e nosso toque é o toque dEle.

Love makes us – Lisa Dye – Internet Monk

Resumindo: Quem não ama seu próximo, não ama nem conhece Deus.

E o seu próximo, não é aquela pessoa que já é amável aos seus olhos, porque Deus ama você, e você, vamos admitir, não é nada amável aos olhos dEle. Ou você acha que está abafando, e que Deus ama você, porque você é a perfeição em pessoa, a última bolacha do pacote gospel? :P

Deus ama você apesar de você mesmo, porque se Ele fosse levar em conta quem você é de verdade quando ninguém está olhando, os seus pensamentos e intenções duvidosas, mesmo quando parece e diz estar agindo com piedade, Ele não seria louco de fazer a bobagem de amar você.  Então não ache que você está livre de fazer o mesmo pelo próximo.

Quando você não ama o seu próximo, fica demonstrado o que vai no seu interior, mesmo que você se declare bom cristão, e defensor da sã doutrina e da teologia mais ortodoxa. Não é pelo nível de ortodoxia e pela quantidade de diplomas de teologia, que se mede o conhecimento sobre Deus de alguém, e sim, pela capacidade de demonstrar amor ao próximo.

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