Ao sr Deputado Marco Feliciano

Prezado sr Deputado/Pastor Marco Feliciano,

Posso lhe fazer uma humilde sugestão? Se é que uma simples cristã, sem um título de  “doutora em divindade” nem nada, pode lhe dar alguma sugestão. Sabe aquele site de buscas bem conhecido, o GOOGLE? Então. Por favor, abra aí o seu navegador, e faça uma pesquisa rápida a respeito dessa “teologia”, na qual o senhor acredita, que diz que os africanos são amaldiçoados. É rapidinho, em poucos segundos vão aparecer milhares de resultados, basta ler e aprender um pouquinho. Não é difícil, nem dói. Talvez doa no orgulho, mas de vez em quando é bom levar uma sapatada no orgulho, não é?

Mas obviamente, que para aceitar minha sugestão, o senhor deputado precisa descer desse pedestal onde os evangélicos lhe colocaram, e praticar um pouco de humildade. Humildade pra fazer o que sugeri: pesquisar um pouquinho; e, quem sabe, se dar conta desse absurdo que defende como teologia, e dizer: “EU ERREI! E além disso, pequei, dei falso testemunho, acusei falsamente um irmão, de ter me ameaçado de morte…”

E ouso dar mais uma sugestão: por favor, pare de se defender, porque quanto mais o senhor fala, mais vergonhoso fica. Talvez fique mais bonito se o senhor simplesmente retirar o que disse, e pedir desculpas. Errar é humano, não precisa ter medo de dizer que é humano, pecador, que falou bobagem, e se arrepende. Agora, francamente, em vez disso, o que o senhor fez? Subiu num púlpito para distorcer o que realmente aconteceu, e inclusive prestou falso testemunho contra um irmão, diante de uma câmera e diante de dezenas de pessoas. Não sei se foi uma boa ideia. Creio que o senhor escolheu errado, e no seu lugar, sinceramente, eu não saberia onde enfiar minha cara. Atitude lamentável, infame, de baixíssimo nível ético. É esse tipo de alimento que, como pastor, o senhor fornece às suas ovelhas? Esse tipo de exemplo?

O rapaz que o senhor acusou de ter lhe ameaçado de morte, Marco Antonio Migorança (que dramático o senhor falando sobre isso no vídeo, né?), não fez ameaça nenhuma, isso é mentira. Ele (@migoranca), é apenas um atirador esportivo, e colocou uma foto dele, praticando o esporte do qual gosta, como avatar no Twitter. Algum problema? Mas o senhor olha tanto para o seu umbigo, se acha tão mártir, que interpretou isso como uma ameaça de morte. Ou foi de má fé mesmo, visando aparecer como o pobre pastor perseguido “apenas” porque citou a bíblia no Twitter?

O senhor, deputado pastor, não foi atacado “apenas” por ter citado a bíblia, como disse no vídeo da sua defesa. E sabe disso. Foi atacado por defender uma “teologia” medíocre, medieval, preconceituosa, e que foi usada para justificar a escravização dos negros, com apoio de católicos e protestantes. E nessa, entram também os mórmons, que até 09 de junho de 1978, não permitiam que negros fossem ordenados ao sacerdócio, por causa desse mesmo tipo de “teologia”. O mesmo nível de “teologia” que inspira a Ku Klux Klan, uma organização terrorista de protestantes dos Estados Unidos. O mesmo gênero de “teologia”, que levou uma denominação protestante reformada holandesa, a apoiar o Apartheid.

Que coisa feia. Acusar uma pessoa de bem, um cidadão que paga os impostos que pagam o seu salário como parlamentar (ou será que o nobre deputado, é daqueles que pensa que os cidadãos é que são seus empregados, e não o contrário?), injustamente, de uma coisa tão grave quanto uma ameaça de morte. E a vítima da sua acusação falsa, finalizou a resposta que lhe deu, assim:

“Você está tocando em um simples servo de Deus, que luta pra defender o evangelho puro e simples. Repense em usar meu nome como falsa acusação contra minha pessoa, que as mãos de Deus não toquem em você, pois não gostaria de sentir esse alívio futuro, e sim, sentir o alívio em perdoá-lo.” – Marco Antonio Migorança

Espero que o senhor, com todo o respeito, depois desse “mico” de estreia como deputado federal (e sim, foi um mico épico, e não um triunfo, como o senhor faz parecer), aprenda a relatar os fatos como são, sem inventar, sem fazer acusações falsas a pessoas inocentes, sem transformar isso num drama de “homem de Deus perseguido pelos ímpios”. Acha que os cristãos são idiotas? Acorda, por favor!

Uma última coisa: fome, miséria, doenças e superstições (inclusive aquelas superstições que levam pessoas que já vivem na miséria, a sustentar pregadores de prosperidade cada vez mais milionários – como acontece também na África, onde “pastores” sem caráter e sem vergonha na cara, ensinam aos africanos – africanos crentes – que seus filhos são amaldiçoados, culpados pelo desemprego, por doenças e até por mortes de pessoas nas famílias – fazendo crianças INOCENTES serem abandonadas, agredidas e mortas – e cobrando somas elevadas em dinheiro para executar “exorcismos” fajutos), resolvem-se com educação, cultura, acesso aos cuidados mais básicos de saúde, alimentação, saneamento básico, geração de renda, justiça social; algo bem simples, que o senhor, como deputado federal, já devia saber. E como pastor, o senhor deve saber, melhor do que eu que não tenho títulos importantes, que os profetas sempre denunciaram os hebreus por não respeitarem o direito do pobre, do oprimido e do estrangeiro. Eles nunca colocavam a questão da pobreza e da injustiça social, como algo que tivesse que ser resolvido milagrosamente por Deus, e sim, com a ação das pessoas. Sempre denunciaram a omissão com relação aos mais necessitados, e aos que têm sede de justiça, como pecado. O milagre esperado, não era Deus fazer a pobreza desaparecer num estalar de dedos, e sim, o ser humano deixar de ser ganancioso, preconceituoso, egoísta, e cuidar do seu próximo como cuida de si mesmo. O senhor deve saber também, o que os hebreus fizeram com os profetas. Quer ser perseguido, mas de verdade mesmo, em vez de brincar de perseguição, inventando ameaças de morte? Comece a falar como eles, denunciar a violação do direito do pobre, do oprimido e do estrangeiro, injustiças e os abusos de todos os tipos de poderosos (inclusive os das igrejas, que colocam jugos pesados nas pessoas de boa fé). Aí sim, vai saber o que é ser perseguido.

Tem certeza de que um pastor, doutor em divindade, precisa apelar para esse tipo de artifício de baixo nível, como foi o de inventar uma ameaça de morte? Quantos outros “pastores” e “líderes”, como o senhor, inventam esse tipo de ameaça? Com quem o senhor aprendeu esse tipo de conduta? Tenho certeza de que não foi nem com Deus nem com Jesus.

Sem mais, de uma cristã exercendo sua liberdade de expressão.

(Perdão aos que visitam o blog e não costumam ver esse tipo de coisa por aqui, mas nesse caso, foi impossível ficar calada.)

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