Prayer: A study in the history and psychology of religion – Friedrich Heiler

Introdução (trechos)

Religiosos, estudantes de religião, teólogos de todas as crenças e tendências, concordam com o pensamento de que a oração é o fenômeno central da religião, a fonte de calor de toda piedade. A fé é, no entendimento de Lutero, “oração e nada mais do que oração”. “Aquele que não ora ou não clama por Deus nas suas horas de necessidade, certamente não pensa nEle como Deus, nem dá a Deus a honra que lhe é devida.” O grande místico evangélico, Johann Arndt, constantemente enfatiza a verdade de que “sem a oração não podemos encontrar Deus; a oração é o meio pelo qual procuramos e encontramos Deus.” Schleiermacher, o restaurador da teologia evangélica no século XIX, observou em um dos seus sermões: “Ser religioso e orar – essas coisas são na verdade uma e a mesma coisa”. Novalis, o poeta do romantismo, comenta: “a oração é para a religião, o que o pensamento é para a filosofia. Orar é religião em funcionamento. O senso religioso ora, assim como o mecanismo do pensamento, pensa.” A mesma ideia é expressa por Richard Rothe, quando diz, “… o impulso religioso é essencialmente o impulso à oração. É pela oração, de fato, que o processo da vida religiosa individual é governado, o processo da gradual habitação de Deus no indivíduo e em sua vida religiosa. Entretanto, o homem que não ora pode ser considerado religiosamente morto.”[…]

[…]De acordo com Sabatier, o fenômeno religioso se distingue de fenômenos similares, tais como, por exemplo, o senso estético ou os sentimentos morais, pela particularidade da oração. E até mesmo um dos mais radicais críticos da religião, Feuerbach, que classificou todas as religiões como ilusões, declarou que ” a essência mais íntima da religião é revelada pelo ato mais simples da religião: a oração.” Assim, não há dúvidas de que a oração é o coração e centro da religião. Não é pelos dogmas e instituições, nem nos rituais ou ideais éticos, mas na oração que apreendemos a qualidade específica da vida religiosa. Por meio das palavras de uma oração, podemos penetrar nos movimentos mais profundos e íntimos da alma religiosa. “Examine as orações dos santos de todas as épocas, e terá sua fé, sua vida, o motivo que os move, seu trabalho”, afirma Adolphe Monod, famoso pregador calvinista. O mundo variado de concepções e ações religiosas é sempre nada mais do que o reflexo da vida religiosa pessoal. Todos os diversos pensamentos sobre Deus, criação, revelação, redenção, graça, a vida eterna, são produtos cristalizados nos quais o rico fluxo da experiência religiosa, fé, esperança e amor, ganha contornos firmes. Todos os rituais e sacramentos, consagrações e purificações, ofertas e festas sagradas, danças sagradas e procissões,  todo o trabalho do ascetismo e moralidade, são apenas a expressão indireta da experiência interior da religião, a experiência de admiração, confiança,  rendição, anseio e entusiasmo. Pela oração, por outro lado, esta experiência é diretamente revelada; a oração, segundo Tomás de Aquino, “é a prova prática específica da religião”; ou, como Sabatier colocou de forma brilhante, “A oração é religião em ação, ou seja, é a verdadeira religião.”[…]

[…]Mas não só as diferenças religiosas individuais são reveladas pela oração, mas a mesma coisa é verdade a respeito de povos inteiros, épocas, culturas, igrejas, religiões. Auguste Sabatier comenta: “Nada nos revela de forma melhor, a respeito do valor moral e dignidade espiritual de uma forma de adoração, que o tipo de oração que emana da boca dos seus aderentes”. Althaus escreveu na introdução ao seu estudo sobre a oração na literatura da reforma: “A oração é, como quase nada mais pode ser, a mais confiável indicação deste ou daquele tipo de piedade. Junto com os hinos, as orações refletem de maneira clara a excelente qualidade da vida religiosa em qualquer estágio de seu desenvolvimento”.

Dr. L. R. Farnell, talvez um dos mais eminentes historiadores contemporâneos da religião, observa como forma de introdução em seu rascunho sobre o desenvolvimento da oração: “Não há nenhuma parte do serviço religioso da humanidade, que tão claramente revele os pontos de vista diferentes a respeito da natureza divina, mantidos por diferentes etnias em diferentes estágios do seu desenvolvimento, ou que reflita de forma tão vívida, a história material e psicológica do homem, como a formulação das suas orações”. Então, como afirma Deissmann, “pode-se, sem mais delongas, escrever uma história da religião escrevendo a história da oração”.

Prayer: A study in the history and psychology of religion – Friedrich Heiler

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