Meu batismo

No dia 09 de janeiro de 2011, fui batizada. E como era de se esperar, dado o que penso a respeito das instituições religiosas, isso não aconteceu dentro de uma igreja-prédio, nem foi um pastor ou outra pessoa com um “cargo eclesiástico” qualquer, quem me batizou.

Porque não é a água que batiza, nem a pessoa. Quem batiza, é Deus.

Qualquer cristão sincero pode batizar outro.

E se não desejo fazer parte de denominações religiosas, pelos motivos que já foram expostos em postagens anteriores, seria incoerente me batizar em qualquer uma delas. Oficialmente, sou batizada mas não ligada a qualquer outra igreja que não seja a Igreja da qual fazem parte, pela fé, todos os cristãos, independente de doutrina, teologia, liturgia e etc.

Não me considero melhor do que ninguém por isso, apenas procuro viver de acordo com o que tenho sempre escrito aqui. Minha fé não será afetada em nada, caso todos os prédios com placa de igreja desapareçam, porque a única base confiável para ela, é Deus. Conheço pessoas que não sabem viver a fé se não tiver uma “igreja-lugar” pra ir; eu prefiro ser uma pedra viva da Igreja, e ser essa pedra viva em todo e qualquer lugar onde estiver.

Ter um local fixo para juntar cristãos e chamar esse local de “igreja”, é apenas questão de comodidade, não é uma necessidade (e hoje em dia, manter esses locais custa cada vez mais caro, e assim, desperdiçam-se recursos que poderiam ser usados para ajudar pessoas de verdade, com necessidades reais, em vez de manter estruturas). Qualquer lugar é lugar quando se É Igreja.

Quem É Igreja, É em qualquer lugar. E não precisa de patrulhamento.

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4 Responses to Meu batismo

  1. caioanselmo disse:

    Apesar de ser um freqüentador assíduo à Igreja e de ter uma denominação religiosa da qual não busco me desvencilhar, sou com orgulho católico (mas sem fazer disso um rotulo, uma caricatura, um estereotipo), concordo com a grande maioria de suas ponderações, não do nesse texto, do modo de encarar a fé. Contudo eu não acho que uma coisa exclua a outra. Tenho também uma questão que logo me veio à mente: você não sente falta da vida em comunidade (mesmo que com todas as vicissitudes, mesmo muuuuuito distante daquela primeira comunidade cristã)? Eu entendo que a vida em comunidade é uma dimensão fundamental da fé cristã. É apenas uma pergunta, sem querer sugerir nada. Por fim, parabenizo pelas ponderações, em boa parte semelhantes ao meu modo de ver, mesmo que tenha uma identidade bem nítida e da qual me orgulho de católico, pois, se de fato eu for ao fundo, a herança que herdei da Tradição é, repito, vista com sinceridade e abertura, é mais libertador que reducionismo a um modelo pronto e pré-fabricado de ser cristão.
    Abraço.

    • Andrea disse:

      Oi Caio,
      Não sinto falta, em realidade porque nada me falta nesse sentido. Pra mim, vida em comunidade não se limita à frequência a uma instituição religiosa. No meu ponto de vista, a instituição deveria ser apenas MAIS UM local onde a comunidade acontece, e hoje, por uma série de motivos, são muitas as pessoas que pensam que só existe essa comunidade em ligação com a instituição. São várias as pessoas que imaginam que quem não frequenta regularmente uma instituição religiosa qualquer, deve sentir falta de algo que não pode ser encontrado em outro lugar. Mas não é o caso.

  2. caioanselmo disse:

    É apenas elocubracao: não se corre o risco de cair num Cristianismo egocêntrico. Não é uma questão de se ater a uma instituição, mas a fé cristã só acontece com o outro (não só o outro da comunidade, mas passa por ele), era assim que os primeiros cristãos eram identificados. Na minha opinião pode ser mais uma atitude de defesa que de “rebeldia”, que eu acho saudável em certa dose. Não sei você já leu o livro do Anselm Grun, “Amadurecimento espiritual e humano na vida religiosa”, que fala do que a comunidade não deveria ser e o que deve ser para propiciar o amadurecimento dos integrantes. Certamente com as vicissitudes que ele cita você irá se identificar.

    • Andrea disse:

      Que a fé cristã acontece com o outro, é óbvio. Mas que esse outro só pode ser encontrado numa instituição, aí já não é verdade. A comunidade acontece de forma muito mais autêntica e espontânea, do lado de fora das instituições. Pelo menos pra mim e pra mtos amigos meus, é assim.

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