Espiritual, mas não religioso…

texto do blog Post Christian

Recentemente a CNN.com postou uma matéria com o título “Are there dangers in being ‘spiritual but not religious’? Como a definiram, espiritual mas não religioso é “uma expressão que está na moda, e que pessoas usam para descrever sua crença de que não precisam de religião organizada para viver uma vida de fé.”

Se por “moda”, “tendência”, eles querem dizer “popular”, eu concordo. Se, porém, eles entendem “moda” como algo passageiro – uma coisa que está acontecendo agora e não vai continuar amanhã – não estou certo de que é este o caso.

Sei que na minha própria vida, o acrônimo EMNR (espiritual mas não religioso) me serve muito bem. Apesar de ter abraçado a narrativa de Jesus como minha história primordial, não chamo a mim mesmo (por milhões de razões e ainda contando quantas são as razões), um cristão. Para mim, essa alcunha, “cristão” se tornou estereótipo de pessoas das quais quero distância, e de uma teologia que em grande parte eu não abraço.

E não estou sozinho nessa – estou cercado por uma comunidade maravilhosa de pessoas que também abordam sua espiritualidade desta forma. E não vejo a mim mesmo ou qualquer uma dessas pessoas mudando de direção em qualquer momento no futuro.

O que achei interessante na postagem da CNN foi que contou com a perspectiva de um padre jesuíta, James Martin, por sua inclinação. Martin, um membro oficial do clero, e alguém que tem muito a perder se a tendência dos EMNR continuar, surpreendentemente descarta EMNR como… você está pronto… “egoísmo”.

Pensa em alguém sujo falando do esfarrapado! Na estrutura hierárquica da religião, os que estão no topo (como o padre Martin) são os que mais se beneficiam. Sentam-se em seus tronos de privilégio e poder, são pagos pelos seus serviços, recebem honras especiais e muitas vezes são as únicas vozes que definem a agenda sobre a qual a igreja/paróquia opera.

Certamente que é verdade que boa parte de nós que se consideram EMNR são auto-orientados. Estamos cansados, por exemplo, da estrutura empírica dominante que trabalha para os 15-20% que estão no topo e deixa o resto na geladeira. Somos tão egoístas, que não nos sentimos bem ouvindo sermões sobre o dízimo e sobre campanhas para arrecadar fundos, tão monótonos quanto um capítulo local da PBS, onde todos sabem que a maior parte dos fundos serão gastos em salários e instalações, em vez de ser investido em projetos válidos para aliviar algum dos males globais que necessitam de resolução. Somos tão egoístas, que nos recusamos a investir mais do nosso tempo, ouvindo sermões que têm mais em comum com controlar, em vez de libertar e capacitar as massas. Sendo essas pessoas egoístas que somos, preferimos o recolhimento espontâneo, a adoração, meditação ou qualquer coisa que o dia nos traga espontaneamente, contra a conformidade com cronogramas e comunhão forçada, tal como, todo domingo de manhã, às 10h.

Adicionalmente, Martin repreendeu a multidão de EMNR dizendo que elas não se sacrificam para ajudar os pobres (como se fosse preciso da religião organizada para fazer essas coisas!)  De alguma maneira, estou ouvindo ecos de um tempo onde uma mulher derramou um óleo precioso sobre Jesus, apenas para ser repreendida, por ter desperdiçado algo que podia ter sido vendido e o dinheiro dado aos pobres (já percebeu como muitas vezes os pobres são usados como adereços das lições?).

Contrariando a acusação de Martin, penso que a multidão dos EMNR está sempre buscando oportunidades para servir outros, quando estas se apresentam a eles – e esta é com certeza a minha própria experiência. Então, se gente como James Martin deseja nos repreender para que continuemos nos submetendo à religião falida ao estilo norte-americano, suponho que é livre para fazer tal coisa. Mas espero que também não se surpreenda se tais considerações caiam não em ouvidos surdos, mas em ouvidos que estão agora abertos para algo muito maior do que isso que Martin tem para oferecer – e que nós chamamos de liberdade, e não de egoísmo.

SBNR: Spiritual but Not Religious – Post Christian Blog

matéria da CNN citada no texto: Are there dangers in being “spiritual but not religious”?

Solidariedade brasileira, a um cristão – espiritual mas não religioso – que vive num país que foi capaz de produzir o que existe de pior no planeta hoje, em termos de fundamentalismo, radicalismo e fanatismo supostamente em nome de Jesus.

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