Os evangélicos e a impunidade

por Paulo Brabo

[…]Requeiro o privilégio de ser o primeiro a associar os evangélicos brasileiros àquilo que lhes é, histórica e ideologicamente, de direito: a impunidade.[…]

[…]Deveria ser para nós ironia descomunal que a Reforma Protestante tenha se originado da luta de Lutero contra abusos como as indulgências católicas, conveniente sistema de créditos que permitia que o cidadão adquirisse – com dinheiro, naturalmente – perdão para as faltas que estava ainda para cometer. É irônico porque no Brasil o sistema evangélico de créditos é mais avançado: o perdão é liberado e distribuído em regime just-in-time, à medida que vamos pisando deliberadamente na bola.

Graças a essa sofisticação teológica, refinada em solo tupiniquim, nossos evangélicos sentem-se inteiramente à vontade para defraudar, roubar, espoliar, extorquir e gatunar. Sabemo-nos livres para violar todos os dez mandamentos e aquele novo também; como o perdão flui incessantemente, não temos – mesmo que queiramos – como errar.[…]

[…]Prefiro não inquirir nomes, escândalos ou litígios específicos, mas creia-me quando digo que os há. Falo de gente muito respeitável que estabelece uma reputação como representante credenciado de Deus e pilar da comunidade e desaparece anos depois com o dinheiro que arrecadou de inúmeros outros para fins outros, deixando atrás de si incontáveis prejuízos, rancores e contas para pagar. Falo de recursos desviados, de falsidade ideológica, de empréstimos esquecidos, de transgressores transferidos para localidades distantes a fim de abafar escândalos sempre mais financeiros (e portanto aparentemente mais atraentes) do que sexuais. Falo de casos abundantes, de impensáveis reincidências, de somas assombrosas. Falo de gente que tem certeza da salvação. Falo de impunidade.[…]

[…]E, pense comigo, quem se protege na religião para deitar e rolar em causa própria não tem como ser melhor do que quem se abraça a uma carga explosiva e morre pelo que crê ser o avanço da sua. Ambos matam, mas haverá naquele dia mais paciência para este do que para aquele.

Leia o texto completo aqui: Os evangélicos e a impunidade – Paulo Brabo – Bacia das Almas

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