The meaning of Jesus: two visions – Marcus J. Borg e N. T. Wright

trechos da Introdução

Este livro nasceu da amizade. Os autores se encontraram pela primeira vez em 1984, depois que Tom Wright leu o livro de Marcus Borg, chamado Conflict, Holiness, and Politics in the Teachings of Jesus. Como Tom descreveu depois, considerou o livro excitante e iluminador, e procurou Marcus para cumprimentá-lo, assim como para explorar algumas “questões emergentes” e perguntar porque o livro terminou da forma como terminou em vez de terminar de outras formas possíveis.

Desde que a nossa amizade nasceu por causa do estudo fascinante de Jesus dentro do seu contexto histórico, seria apropriado que originasse, catorze anos depois, a um livro no qual colocamos alguns pontos indicando para onde esse diálogo nos levou. Durante este período, nós dois publicamos vários livros e artigos, a maior parte deles sobre Jesus. É impossível num trabalho como o presente, abranger todos os  argumentos e mostrar toda a documentação, que seriam os requerimentos normais do conhecimento. As linhas principais do que resumimos aqui foram demonstradas e argumentadas nesses outros trabalhos, apesar de que em alguns pontos, ambos vamos além do que já dissemos em outro lugar não menos importante, como resultado do nosso diálogo contínuo.[…]

[…]Em primeiro lugar, esperamos que aqueles que não se consideram cristãos, achem a nossa conversa interessante e refrescante. Nós dois acreditamos com muita força que o que dizemos sobre Jesus e a vida cristã, não diz respeito a um mundo privado, inacessível e incompreensível e salvo “de fé em fé”, mas num mundo público de estudo histórico e transcultural, no mundo contemporâneo assim como na igreja.

Em segundo lugar, esperamos mudar o foco do debate para possibilidades mais frutíferas. Muito do que se tem escrito sobre Jesus não passa das distinções estéreis “ou isso – ou aquilo” (como são os debates clássicos entre os fundamentalistas e os modernistas); nos atrevemos a sugerir outros caminhos pelos quais o assunto pode ser levado. Esperamos assim, fazer avançar o diálogo ecumênico que é frequentemente ignorado. Luteranos liberais, pelo menos (usando um termo adequado para o momento), têm mais em comum com os os anglicanos ou presbiterianos liberais do que com os membros mais conservadores das suas próprias denominações. Nosso diálogo pode fornecer estímulo para tais grupos para que comecem a conversar uns com os outros. Mesmo que os mais fundamentalistas e radicais possam talvez ranger seus dentes, nós esperamos que esse livro possa servir como uma ponte entre muitos outros grupos cristãos.

Nesse ponto, pode parecer que Tom é um tradicionalista em seu ponto de vista, e Marcus um revisionista. Há um fundo de verdade nisso, mas nós consideramos esses rótulos, como quaisquer outros, como muito enganadores. Tom chegou, viajando através da história e cultura do judaísmo do primeiro século, a uma imagem de Jesus que está seriamente em desacordo com as visões cristãs tradicionais em muitos assuntos (por exemplo, as supostas previsões de Jesus sobre a sua segunda vinda), enquanto está de acordo com as visões mais tradicionais em outros pontos, embora com muitos novos ângulos. Marcus chegou, depois de viajar em argumentos transculturais sobre como descrever de forma apropriada uma figura como Jesus, a uma imagem que é firmemente suportada pela tradição em muitos pontos (por exemplo, as curas que Jesus executou, sua espiritualidade, e a fundação de um movimento), enquanto questiona as tradições em muitos outros pontos, embora nem sempre de acordo com o padrão daquilo que alguém poderia chamar de revisionista. Tom se sente capaz, como historiador, a atribuir mais do material dos evangelhos a Jesus do que Marcus, embora os significados que Tom sugere para o material nem sempre seria o que um tradicionalista poderia esperar. Marcus, que sugere que menos do que está nos evangelhos pode ser atribuído a Jesus, insiste na sua importância, veracidade, em outros sentidos que não o histórico, e na sua validade dentro de uma vocação cristã contemporânea de seguir Jesus.

Em terceiro lugar, esperamos abrir mais especificamente a questão, de importância perene, sobre como diferentes visões a respeito de Jesus se relacionam a diferentes visões da vida cristã. Muitos dos que estão profundamente envolvidos com assuntos como justiça, espiritualidade, cuidado pastoral e outros assuntos internos das igrejas, nem sempre relacionam esses assuntos à questão de Jesus. Propomos algumas formas pelas quais isso pode ser feito.[…]

[…]Concordamos num ponto. O debate recente sobre Jesus se tornou rabugento, com uma grande quantidade de xingamentos e polêmicas raivosas, tanto em discursos públicos quanto em conversas privadas. Esperamos neste livro, demonstrar que esta não é a única forma de se fazer as coisas. Claro, é comparativamente mais fácil para nós: nossas posições, embora muito diferentes em muitos pontos, não estão em polos opostos do debate, e nós compartilhamos, como já dissemos, tanto a amizade quanto histórias pessoais semelhantes. Mas esperamos, e na verdade, oramos, para que neste livro possamos ser úteis em mostrar um modelo para os cristãos conduzirem suas discordâncias públicas sobre assuntos sérios e centrais, que possa inspirar outros a tentar o mesmo tipo de coisa. Se, nesse processo, pudermos ajudar tanto cristãos quanto não cristãos, e aqueles que não estão certos a respeito de qual lado ficar, a lidar com pontos de vista que poderiam ter desconsiderado sem nenhuma reflexão séria, ficaríamos muito felizes. Se, mais ainda, ambos crescermos nesse processo, no nosso entendimento do assunto em questão, e habilitarmos outros ao mesmo, teremos sucesso em nosso mais profundo objetivo.[…]

M. J. B.
N. T. W.

The meaning of Jesus: two visions – Marcus J. Borg and N. T. Wright

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