The invisible church – J. Pittman McGehee & Damon J. Thomas

The Invisible Church: Finding Spirituality Where You Are

J. Pittman McGehee & Damon J. Thomas

Prefácio

Tenho conseguido manter uma posição de forma educada, mesmo sendo conhecido por muitos como um religioso liberal, progressista e até revisionista. Entretanto, minhas palestras conseguem atrair algumas almas inocentes que suspiraram alto quando me ouviram dizer que sou Marxista-Leninista. Porém, embora tenham ouvido Marxista-Leninista, o que eu realmente disse foi Marxista-Lennonista – me referindo a Groucho Marx e John Lennon, e não ao Karl e ao Lenin. Me identifico com Groucho Marx porque ele disse que jamais faria parte de um clube que o aceitasse como membro, que é a forma como muitos de nós se sentem a respeito da religião organizada, e amo John Lennon porque ele nos exortou a “Imagine”, que é onde vamos encontrar Deus e o Divino.

Então, como um Marxista-Lennonista de carteirinha, ofereço este livro para as pessoas que tenham sido feridas pela religião. Há muitos de nós caminhando feridos do lado de fora, particularmente nos Estados Unidos, onde uma das minhas maiores angústias como um jovem pastor Episcopal – o medo de não ter coisas suficientes para me manter ocupado – nunca se tornaram realidade. Desde que mudei de foco e me tornei um psicólogo na tradição de Jung, fui capaz de adquirir muita prática, com listas de espera e tudo mais, com pessoas que foram feridas pela religião. É legal ser tão solicitado, mas se eu pudesse, de alguma forma, pela proclamação, curar cada alma quebrada e auto-alienada lá fora, ficaria feliz em “fechar as portas” e me retirar para passar a vida pescando. Não tenho esse tipo de ilusão a respeito do meu “poder” de curar qualquer pessoa, ou de que o processo de individuação que descrevo nesse livro, seja a resposta para todos. O que eu espero é que essa discussão possa ajudar alguém a raciocinar internamente, e então que possam começar a encontrar seu próprio caminho em direção à graça, plenitude e transcendência que a verdadeira religião oferece.

Respeito opiniões como a do novelista Philip Roth, que chamou a religião de “irracional e ilusória”, porque na forma atual, muito da religião é exatamente isso. Mas diria que nós, seres humanos, somos criaturas religiosas por natureza. Como a estudiosa das religiões Karen Armstrong escreveu, temos evidências de que nós seres humanos, temos buscado por significado e valor nesta vida muitas vezes cruel e injusta, desde que nos tornamos conscientes.

Espero iniciar um diálogo sobre o que seria necessário para recuperar nossas verdadeiras naturezas religiosas, sobre como podemos nos desembaraçar daquela punitiva religião dos velhos tempos e rever uma espiritualidade saudável para o século XXI.  Creio que a função mais básica da religião tem a ver com nos fazer seres completos, como se sugere pela raiz etimológica da palavra. Legare significa conectar, então re-legare, que originou a palavra religião, tem a ver essencialmente com reconectar nossas partes quebradas, desconectadas e separadas, para formar um todo novamente. Humpty Dumpty pode ter sido uma causa perdida, mas os recursos da religião nos oferecem a oportunidade de nos colocar  juntos novamente.

Uma das minhas citações favoritas é do escritor russo Anton Chekhov, que disse, “Ter consciência sem ter uma filosofia de vida, não é vida, mas um pesadelo e um peso.” Ter uma filosofia, ou ponto de vista, me ajuda a encontrar significado e base nessa vida. Como cristão, minha vida tem sido enriquecida de forma incomensurável por ter tido acesso a uma história sagrada, que para mim tem tudo a ver com poder de transformação, renovação, e ter autoridade sobre a própria vida. Não estou sugerindo com isso, que o Cristianismo é o único ponto de vista válido, porque essa “palmada” desse “pai negativo” que exige exclusividade, envenena a atmosfera religiosa.

Até mesmo um auto-declarado humanista secular como Kurt Vonnegut está ciente da importância de fazer parte de uma grande tribo ou família. (Os humanistas seculares têm dado muita contribuição ao mundo, mas como Vonnegut reconhece, a tribo não é muito organizada.)

Considero a mim mesmo um cristão, e esse livro é em sua maior parte, sobre a forma de acessar o poder transformador da história sagrada e dos símbolos do mito cristão, mas qualquer leitor que esteja procurando um livro que suporte uma visão literal do cristianismo ou um aval para o cristianismo como a única religião verdadeira, provavelmente não vai encontrar muita coisa com a qual concordar nessas páginas, a menos que, como eu, considerem bem vindos, e encorajem pontos de vista divergentes.  E por ser um analista Jungiano, os leitores vão encontrar muitas referências à psicologia de C. G. Jung, o psicólogo suíço que fundou o campo da psicologia analítica no começo do século XX. Atualmente, cada vez mais leitores conhecem Jung através da Dra Jennifer Melfi, analista interpretada por Lorraine Bracco em The Sopranos, que leu o que ele escreveu ou alguns dos seus intérpretes  primários. Mas a influência de Jung permeia a psicologia moderna muito mais do que a maioria das pessoas imagina. Um protegido de Sigmund Freud, depois de romper com ele por causa de diferenças religiosas e outros assuntos, Jung originou muitos conceitos que se tornaram lugar comum no nosso vocabulário psicológico, incluindo termos como “complexo”, “inconsciente coletivo”, “sombra” e “anima”. […]

The Invisible Church: Finding Spirituality Where You Are – J. Pittman McGehee & Damon J. Thomas

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