Vale a pena ler de novo: não temos medo de pensar…

por Lucas Lujan e Suênio Alves

Não temos medo de (re) pensar conceitos sobre Deus. Temos medo de não (re) amar como Cristo, quem na realidade não amamos: os mendigos, os pobres, os excluídos, os marginalizados, as crianças africanas, os homens e mulheres de Darfur.

Não temos medo de incertezas. Temos medo que nosso Amor deixe de ser nossa bandeira do Reino de Deus.

Não temos medo de não saber. Temos medo das certezas que prendem Deus a um esquema.

Não temos medo de questionar dogmas. Temos medo de que os dogmas impeçam a transformação de vidas.

Não temos medo do inferno. Temos medo de que nossas mãos se fechem, e não possam ajudar o nosso próximo a sair de sua existência-inferno. Ou pior, que as nossas próprias mãos sejam as quais o empurra para esta existência-inferno.

Não temos medo de devanear teorias loucas. Temos medo que a loucura desse mundo violento cegue nossos olhos a ponto de sempre que pararmos num farol, nesta cidade-sombria, fechemos nossos vidros para a sinceridade dos filhos da injustiça.

Não entendemos como problema sair do molde da teologia sistemática. Temos medo de sistematizar Deus e modela-lo a algum padrão.

Nós não temos medo de chorar por nós mesmos. Nós temos medo de que não mais choremos o choro dos outros.

Não sentimos culpas pelas nossas dúvidas. Mas pedimos que nos lembre sempre de amar como Cristo.

Não temos medo ter uma fé cheia de espelhos em enigmas e despedaçada, que não tem a precisão de uma fé “face a face”. Temos medo de perder o que existe de mais precioso: Amar.

Não temos medo de balançar alicerces religiosos construídos por pensamentos humanos. Temos medo de perder a doçura e a simplicidade de Jesus.

Não temos medo de sermos rejeitados pela instituição. Temos medo da hipocrisia religiosa.

Não temos medo de sermos chamados de hereges. Temos medo de compactuar com o sistema religioso e seus interesses, e esquecermos de amar pessoas.

Não temos a pretensão que nossos argumentos tenham todos os versículos a favor, e assim entrarmos numa guerra de versículos. Temos medo que nós não cumpramos aquilo que Cristo chamou de o resumo da lei e dos profetas: Amar a Deus e ao próximo.

Não temos medo de nos manifestar a favor de alguém. Desde que esse alguém não se esqueça que o conceito central do cristianismo é o amor.

Aprendemos que não podemos ficar presos às amarras da religião e da instituição.
Aprendemos que Deus está acima da religião.
Aprendemos que no Reino não importa o que se pensa, importa o que se ama.
Aprendemos a olhar pessoas como “filhos de Deus”, e amá-las incondicionalmente.
Aprendemos que qualquer um que tenta abrir os olhos de pessoas encabrestadas pela religião, acaba sendo queimado na fogueira da instituição.

Estamos seguros que o Verdadeiro Amor lança fora todo medo, e por isso não temos medo de caminhar com alguém que nos ensina a lidar responsavelmente com a liberdade do amor.

Não temos medo de pensar. Temos medo de não amar – Fora da Zona de Conforto

Já havia postado esse texto aqui no blog. Mas como continua me revoltando a capacidade dos evangélicos/crentes/cristãos e afins em discutir bobagens, e deixar de lado o que é realmente importante, volto a postar esse mesmo texto.

Enquanto vocês gastam tempo nos seus blogs supostamente “apologéticos” (mas que ultimamente se dedicam mais a buscar assuntos polêmicos – talvez tentando aumentar o número de visitas e comentários – porque crente adora polêmica – principalmente se não tiver utilidade nenhuma)  atacando-se uns aos outros, quando o certo seria: discordar, mas nem por isso deixar de ter respeito pela opinião do outro, sendo esse outro um cristão sincero, um discípulo como qualquer outro, e que é sua OBRIGAÇÃO amar, mesmo não concordando com ele.

Eu, da minha parte, escolho fazer exatamente o que o texto do Suênio Alves fala. Não tenho medo de pensar. Nem de devanear. Não tenho medo de não sistematizar Deus em esquemas que não podem ser quebrados; prefiro descobrir o quanto indefinível Ele é, num relacionamento diário. Recomendo aos que ainda se digladiam por causa de “teologia”, a entender de uma vez por todas que Deus NÃO cabe em esquema nenhum, que qualquer ser humano possa criar.

O que importa no Reino, é o quanto se ama e o que se faz com esse amor. Geralmente, quem precisa desse amor de Deus, aqueles que Deus está buscando, estão totalmente alheios ao que se passa nos seminários de teologia. Brigas por causa de discordâncias teológicas, são como a discussão de um bando de cegos, que estão apalpando partes diferentes de um mesmo objeto, e não concordam nunca quanto à descrição desse objeto. Eles nunca vão concordar, porque apesar de o objeto ser o mesmo, as partes que cada um está tocando, são diferentes, e como eles são cegos, não conseguem ver o todo. Vão brigar eternamente, cada qual achando que está com a razão. E isso nunca vai ter fim.

Nada disso aconteceria, se houvesse uma única coisa: respeito pela opinião diferente. E será mesmo que Deus se importa com essas questões, algumas tão pequeninas e mesquinhas, às quais os cristãos muitas vezes dedicam suas vidas, e perdem horas incalculáveis, milênios inteiros, centenas de milhares de páginas escritas, em debates acalorados?

O debate é bom, desde que todas as partes envolvidas, saibam o significado da palavra HUMILDADE. Do contrário, não temos debate, mas apenas supostos “donos da verdade”, tentando impor o próprio pensamento aos demais, desfile de egos inflados, um querendo aparecer mais que o outro. Enquanto, apesar de seus títulos, dos livros que leram e escreveram e de tudo que acham que são, diante de Deus eles continuam sendo NADA e não sabendo NADA. Porque o único que consegue ver o todo, é Deus.

No dia em que “apologistas”, “teólogos”, “defensores de doutrina”, “paladinos de Deus” e etc, conseguirem finalmente entender que, por mais que se julguem inteligentes, letrados, versados na Bíblia, continuam sendo humanos tentando colocar Deus dentro de um esquema.

Alguma chance de terem sucesso nessa empreitada? Não creio.

1 Coríntios 13, lembram? Ainda que… sem amor, nada seríamos.

Comecem demonstrando amor uns pelos outros, porque se não conseguem amar nem uns aos outros como cristãos que são, muito menos ainda, serão capazes de amar os que não são cristãos.

Concordo plenamente com o Caio Fábio, quando diz que o melhor sinal para identificar se algo é de Deus, é o amor. Amor, apesar das diferenças de opinião, apesar das diferenças em ponto de vista, amor, apesar das diferentes partes que cada um desses cegos briguentos estão tocando, desse todo insondável, que é Deus.

A discussão, muitas vezes, é apenas uma forma que os cristãos encontraram, de não fazer o que é simples de entender no Evangelho, o que está lá, claramente exposto e explicado, sem deixar sombra para dúvidas. Tanto pior, se todas as partes envolvidas, se consideram donas da verdade. Aí o debate vai durar milênios, as mesmas coisas vão ser repetidas eternamente, alguns se posicionarão de um lado, outros do outro, e enquanto isso, o que devia ser o foco principal de TODOS os cristãos, o que TODOS deviam obedecer, o assunto comum em torno do qual TODOS os cristãos deveriam estar juntos, permanece em segundo plano.

Até quando vocês vão fingir que estão ocupados, discutindo “teologia”, sexo dos anjos e se Deus é masculino ou feminino?

Debate é bom, mas não quando é demais, não quando é o foco principal. Não quando transforma o que devia ser uma ÚNICA família, em “panelinhas” que vivem em guerra por questões irrelevantes, enquanto as questões mais profundas, e que estão claramente expostas no Evangelho, a gente joga embaixo do tapete, daquela nossa maravilhosa biblioteca lotada de livros de teologia.

Para a fogueira com os livros de teologia, se tudo que eles são capazes de gerar, é esse bando de “doutores em divindade”, que nem ao menos conhecem a si mesmos, e acreditam na tolice de achar que podem esquematizar Deus.

A única certeza que tenho, é que não tenho certeza alguma. E graças a Deus pela minha incerteza, porque é graças a ela que tenho o privilégio de viver pela fé, e não pela certeza. E todas as vezes que imaginei que, finalmente, tinha sacado como as coisas funcionavam, Ele fez questão de acabar com minha ilusão. Pra mim, Ele deixou bem claro que não existe isso de tentar encaixá-Lo num esquema. Todos os esquemas humanos, quando se trata de Deus, são furados. E isso, até onde entendo, é proposital. Ou alguém acha que o ser humano sabe respeitar opinião divergente, quando pensa que está “defendendo a verdade”, quando pensa que está “com a verdade” e todos os que discordam estão errados?

A história da humanidade demonstra que não sabe. Por isso eu nem tento mais esse tipo de esquematização, prefiro viver cada dia e descobrir a cada dia, uma coisa nova.

Quem já tem tudo esquematizado, não aprende mais nada. E um ser humano que pensa que já não tem mais nada a aprender, já morreu e não sabe.

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