Quando sou fraco…

por Michael Spencer

A voz do outro lado da linha, conta uma história  que é familiar a mim; eu poderia tê-la completado toda, a partir da terceira frase. Um líder cristão admirado e respeitado, carregando o fardo secreto da depressão, finalmente cedeu sob a carga e foi esmagado. Pessoas do grupo de oração começaram a ligar e mandar e-mails, com as mesmas perguntas de novo e de novo. “Como isso aconteceu? Como alguém que fala com tanta confiança de Deus, alguém cuja vida evidencia a presença de Jesus, pode chegar ao ponto de se quebrar completamente? Como pode alguém que tinha respostas para todos a qualquer momento, não ter respostas para si mesmo?”

Realmente. Porque somos nós que, afinal, falamos com toda a confiança sobre “nova vida”, “nova criatura”, “poder de Deus”, “cura”, “sabedoria”, “milagres”, “poder da oração”,… porque n´so somos tão fracos? Por que muitos dos chamados “bons cristãos” são como qualquer outra pessoa? Divorciados. Deprimidos. Quebrados. Desarrumados. Cheios de sofrimento e segredos. Viciados, carentes e falsos. Pensei que éramos diferentes.

É notável isso, considerando o tom de muitas mensagens e sermões cristãos, que dentro das igrejas todos são honestos. Não posso imaginar que qualquer outra religião na história da humanidade, tenha feito tantas falsas reivindicações e promessas quanto o Cristianismo evangélico em sua ideia de dizer que Jesus nos transforma em pessoas melhores imediatamente. Com suas constantes promessas de alegria, poder, contentamento, cura, prosperidade, propósito, relacionamentos melhores, êxito na família e liberdade de qualquer tipo de opressão e aflição, me pergunto sobre porque os cristãos não são processados pelo resto da humanidade por mentir ou não são levados para uma sala psiquiátrica para serem examinados por seus graves delírios.

Os evangélicos amam testemunhos sobre as asneiras que EU FAZIA. Eles não estão interessados em saber as asneiras que faço AGORA. Mas o fato, é que fazemos asneiras. Aqui.  Agora. O tempo todo, e é seguro admitir, vamos fazer asneiras o resto da vida.  Mas pagaremos 400 dólares para ouvir um “professor de Bíblia” nos falar como estamos a apenas alguns versículos, orações e cds de distância de nos tornarmos pessoas melhores. E nos sentamos silenciosos, ou aplaudimos com entusiasmo, quando a história é contada mais uma vez.  Estou realmente melhor agora. Sou um bom cristão. Não sou mais confuso. Sou diferente das outras pessoas.

Por favor. Pare com isso. Isso me deixa doente. Quero dizer isso. Isso me afeta. Eu vejo na minha vida e na vida de outros, um compromisso em mentir sobre nossa condição que é absolutamente patológica. Os evangélicos chamaram Bill Clinton de um grande mentiroso com relação ao sexo? Vamos lá! Quantos “bons cristãos” estão no meio da pilha de lixo que são suas vidas, e cujo odor torna impossível respirar sem se afogar? Quantos de nós são viciados em comida, pornografia ou compras? Quantos de nós são depressivos, nervosos, implacáveis, e outras coisas mais? Quantos de nós estamos passeando e fazendo cursos de hipocrisia básica, porque não podemos olhar para nós mesmos no espelho e admitir, que esse ser que vemos está longe de se chamar um “bom cristão” que quer testemunhar a outros. Estou chocado só por escrever isso.

Pessoas com suas bíblias. Podem procurar algo para mim? Não são quase todos os personagens da bíblia uns fazedores de asneiras? Não é verdade que quanto mais perto chegamos dos personagens da bíblia, mais eles parecem ter uma coleção de problemas que nós cristãos dizemos, graças a Deus, não ter mais?  Estou errado? Não apenas pequenas mentiras, mas coisas com a violência. Vício sexual. Abuso. Racismo. Depressão. Está tudo lá, nas páginas da mesma bíblia que abrimos nos púlpitos, e falamos sobre “dez formas de ter alegria que jamais vai embora!” Onde está a graça?

O que foi que ouvi? “Bem… estamos melhorando. Isso é santificação. Estou sendo libertado!” Suponho que muitos de nós estejam mesmo melhorando. Para constar, meu temperamento está melhor do que costumava ser. É claro, a razão pela qual meu temperamento está melhorando, é porque no processo de limpeza da bagunça que fiz na minha família, por causa do meu temperamento, descobri mais ou menos mais umas vinte falhas de caráter que permaneciam intocáveis na minha personalidade. Fiz um inventário de todos os estragos que já causei nessa minha curta vida, e jogar fora os “problemas de temperamento” é simples demais para explicar a bagunça que eu sou. Santificação? Sim, eu não tenho mais a arrogância ignorante de acreditar que estou sempre certo sobre tudo, e também estou envergonhado demais pelo caos geral da minha vida para ter um ataque de raiva toda veza que algo não anda como eu quero. Me tornando melhor? Totalmente verdade. Estou melhorando ao saber o acidente infeliz que sou, e me calando e me sentando.

Amo essa passagem da Escritura. Não sei porque amo, mas amo.

Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não nosso. Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos; E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal. (2 Coríntios 4:7-11)

Deixe-me tentar uma releitura do texto, mais de acordo com o Cristianismo da nossa época.

Mas nós temos esse tesouro em vasos salvos, curados, restaurados e sobrenaturalmente mudados, para mostrar que Deus nos tem dado, agora mesmo, Seu infinito poder sobre qualquer situação.  Não temos mais aflições, nem ficamos perplexos, em conflito ou derrotados. Não,  estamos vivendo com o poder de Jesus, e o poder da ressurreição de Jesus nos transformou agora.. HOJE! Em todos os sentidos! Deus quer que você seja como Jesus – uma pessoa totalmente controlada, e o poder de Jesus está exposto na vida que estou vivendo, e todos que não vivem desta forma, são miseráveis e moribundos.

Preocupações contextuais de lado, vamos ler as palavras de Paulo como um “diário de bordo” básico para a vida cristã.

Estamos moribundos. A vida é cheia de sofrimento e perplexidade. Nós temos Cristo, e então, no futuro, nossa vida manifestará em nós a ressurreição e a glória. No presente, esta vida se manifesta em nós numa experiência estranha e contraditória.  Estamos morrendo, aflitos, quebrados, feridos, confusos…  temos Jesus no meio de todas essas coisas, e continuamos amando e crendo nele. Mas o poder de Deus está em nós, não em nos tornar sobre-humanos, mas para sermos meramente humanos, participantes da nova criação em Jesus.

O que isso significa?

Significa que sua depressão não está curada. Significa que você continua acima do peso. Significa que você ainda tem vontade de ver pornografia. Significa que você ainda está com medo de morrer, relutante em ouvir a verdade e sendo intencionalmente evasivo quando chamado á responsabilidade. Isso significa que você pode mentir, enganar, roubar, fazer coisas terríveis, quando está “na carne”, onde, de qualquer forma, você sempre está. Se você é cristão, isso significa que você é, frequentemente, talvez constantemente um miserável, e isso significa que você está envolvido numa luta para que Cristo tenha mais influência em sua vida quando você está humanamente quebrado, bagunçado e fazendo asneiras. De fato, o grande milagre é que, mesmo com todas as tolices que faz na vida, você ainda quer Jesus como Rei, porque é um monte de problemas, pessoal. Isso não é um pique-nique.

E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte. (2 Coríntios 12:9-10)

Aqui a linguagem é ainda mais inegável, indiscutível. A fraqueza vai estar comigo na jornada inteira. Paulo está particularmente falando de perseguições, mas o quanto podemos aplicar essa passagem à fragilidade humana, quebrantamento e feridas? Quão essencial é para nós estar quebrados, se Cristo é nossa força? Quando sou fraco, sou forte. E não “Quando estiver curado” ou “Quando for um sucesso” ou “Quando eu for um bom cristão”, mas quando  estou fraco. A fraqueza – a experiência humana da fraqueza – é o plano de Deus para exaltar e magnificar seu Filho. Quando pessoas quebradas, pessoas que caem miseravelmente, continuam a pertencer, acreditar e adorar Jesus, Deus está feliz.

Agora, as galerias superiores estão cheias de gente que estão ficando desapontadas, certas de que esse ensaio é uma daquelas peças onde estou incentivando as pessoas a pecarem e esquecerem a santificação. Perdão por desapontá-los.

O problema é de simples semântica. Ou talvez, uma maneira melhor de dizer, imaginação. Como podemos imaginar a vida de fé? Com o que se parece uma vida de fé? Parece com as versões: “bom cristão”, “pessoa reta”, “vida vitoriosa”, da vida cristã?

A fé, viva na nossa fraqueza, parece uma guerra. Uma guerra impossível, contra um adversário superior: nossa natureza caída e pecadora. É essa a batalha da fé. Piper ama este versículo de Romanos, e eu também. Mas preciso explicar porque, pois pode parecer como a vida “vitoriosa” não é vida de Jesus no evangelho, mas “vencer vivendo” ou qualquer outro absurdo.

Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. (Romanos 8:13)

A complexidade reside aqui: Fé é estar descontente com quem eu sou, e satisfeito com tudo que Deus é para mim em Jesus. A razão pela qual essa descrição funciona tão bem para mim, é porque nos conta que a marca da fé que salva não é ficar esperando passivamente pelas promessas do Evangelho ( exatamente o que diz a justificação), mas essa guerra interna com a realidade da minha condição. A menos que esteja lendo Romanos 8 de forma errada, entendo que minha luta nunca vai terminar, porque minha experiência humana pecaminosa, não vai terminar até a morte e ressurreição. Essa luta – aceitação e batalha – é a vida normal do cristão. Eu luto. Jesus pode terminar o trabalho. Vou gemer, batalhar, escalar a montanha da santidade com feridas e cicatrizes da batalha, mas vou chegar lá, porque Jesus está comigo. O evangelho garante a vitória, mas dizer que já sou vitorioso e matei o pecado, é um grave erro.

Com que se parece essa luta? É uma luta de sangue, posso falar pra vocês. Existem muitas derrotas nela. O caminho não é fácil. É uma batalha onde caímos de novo, de novo e de novo. Derrubados por aquilo que somos, e que continuamente descobrimos ser. E só somos “vitoriosos” na vitória de Jesus, uma vitória que é nossa pela fé, não por vista.  De fato, esta luta é provavelmente descrita de forma precisa pelas palavras finais de Romanos 7 assim como pelas palavras “vitoriosas” de Romanos 8.

Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado. (Romanos 7:23-25)

Caio. Levanto… e creio. De novo e de novo. Tão bem quanto possível nesse mundo. Essa é a vida de fé, uma luta cheia de fraqueza e quebrantamento. Todos os soldados nessa batalha estão feridos. Há momentos de total fraqueza, e eu sou um “homem desgraçado” vivendo nesse “corpo” de morte. Negar isso, ignorar isso ou distorcer isso, é um problema na verdadeira experiência cristã. O pecado que estamos matando em Romanos 8 é, de certa forma, nós mesmos. Nenhum demônio ou serpente fora de nós. Nossa batalha é contra nós mesmos, e admitir isso é a bússola e o poder do evangelho em nossa vida.

Serei acusado de não estar dizendo nada de novo, tenho certeza, mas só escutem. No momento que estou vencendo, Jesus está comigo. No momento que estou perdendo, Jesus está comigo e me garante que posso levantar e continuar a luta. No momento que estou confuso, ferido e desesperado, Jesus está comigo. Eu nunca, jamais, perco o quebrantamento. Luto, e muitas vezes, prevaleço, mas ao mesmo tempo que combato algumas asneiras, outras aparecem. Cada batalha tem o potencial para ser a última, mas porque eu pertenço a um outro cuja ressurreição garante que vou chegar são e salvo em casa num novo corpo e nova criatura, eu, milagrosamente, espantosamente, encontro-me continuando a crer, continuando a me mover para a frente, até Jesus me levar para casa.

Agora, vamos fazer algo importante aqui. Esta ênfase constante na “vida vitoriosa” ou “vida de bom cristão”, é absolutamente anti-cristã quando se trata do Evangelho. Se eu sou _________________ (preencha o espaço em branco com alguma terminologia da vida vitoriosa), então eu sou orientado a ser grato pelo que Jesus fez aqui, mas eu preciso dele menos e menos agora. Quero estar certo de que ele vai me encontrar nas portas do paraíso, mas agora, estou assinando autógrafos. Sou um bom cristão. Essa imagem da jornada cristã está nos matando.

Nós precisamos estar quebrados. Precisamos admitir aqui e agora que isso é real, fato verdadeiro da nossa jornada nesse mundo caído. É na cruz que Jesus nos encontra. É  a encarnação que ele toma por nós. É o que suas mãos tocam quando ele nos segura. Você lembra dessa história? Já foi contada muitas vezes, mas como é verdadeira essa história do EVANGELHO (não uma história da lei). É uma história do evangelho, sobre Jesus e sobre como eu posso experimentar isso na minha vida “torta”.

Em seu livro Mortal Lessons (Touchstone Books, 1987), o médico Richard Seyzer descreve uma cena num quarto de hospital, logo depois de ter feito uma cirurgia no rosto de uma jovem mulher:

I stand by the bed where the young woman lies . . . her face, postoperative . . . her mouth twisted in palsy . . . clownish. A tiny twig of the facial nerve, one of the muscles of her mouth, has been severed. She will be that way from now on. I had followed with religious fervor the curve of her flesh, I promise you that. Nevertheless, to remove the tumor in her cheek, I had cut this little nerve. Her young husband is in the room. He stands on the opposite side of the bed, and together they seem to be in a world all their own in the evening lamplight . . . isolated from me . . .private.

Who are they? I ask myself . . . he and this wry mouth I have made, who gaze at and touch each other so generously. The young woman speaks. “Will my mouth always be like this?” she asks. “Yes,” I say, “it will. It is because the nerve was cut.” She nods and is silent. But the young man smiles. “I like it,” he says, “it’s kind of cute.” All at once I know who he is. I understand, and I lower my gaze. One is not bold in an encounter with the divine. Unmindful, he bends to kiss her crooked mouth, and I am so close I can see how he twists his own lips to accommodate to hers. . . to show her that their kiss still works

É isso que Jesus sempre foi. E se você pensa que está se tornando um grande “beijoqueiro” ou está se tornando desejável, sinto por você. Ele envolve-se em torno das nossas dores, nossa fraqueza e sempre presentes pecados. Aqueles de nós que querem desenhar grandes e escuras linhas entre minha humanidade e meu pecado, podem estar certos, mas eu não concordo com eles. É tudo EU. E eu preciso de Jesus para me amar como eu realmente sou: fraquezas, memórias, feridas, pecados, vícios, mentiras, morte, medo… tudo. Pegue tudo isso, Jesus.  Se eu não apresento essa pessoa quebrada e errada para Jesus, minha fé é desonesta, e meu entendimento a respeito dela se torna um meio de continuar na astúcia e pretensão de achar que sou “bom”.

Agora quero falar porque isso é importante. Nós podemos nos aceitar como somos, e colocar um fim ao triste e repetitivo fenômeno de vidas sendo despedaçadas por que a única experiência cristã que conhecemos é como uma mentira.  Estamos infectados com algo que não é o Evangelho, mas uma versão de vida religiosa; uma versão totalmente falsa que conduz cristãos genuínos ao desespero e depressão, porque, ao contrário do que é verdade, Deus está “contra” eles, e não do lado deles.

O versículo diz, “Quando sou fraco, sou forte – em Jesus.” Ele não diz “Quando sou forte, então sou forte e sou porque Jesus leva todo o crédito.” Deixe-me usar dois exemplos, e espero não ofender aqueles que estiverem lendo e reconheçam as pessoas descritas.

Muitos anos atrás, conheci um homem que era um cristão vibrante e que dava muito testemunho público. Estava envolvido no “reavivamento” na SBC, dando vários testemunhos sobre “o que Deus está fazendo na minha vida”. (Uma frase que eu poderia dispensar). Ele era conhecido por ser melhor orador do que a maioria dos pregadores, e era impressivo e persuasivo enquanto falava. Seu entusiasmo por Cristo era convincente.

Ele era também conhecido por ser um adúltero em série. De novo e de novo, ele pulava a cerca e escandalizava sua igreja e seu testemunho na comunidade. Quando confrontado, sua resposta foi previsível. Ele tinha visitado a Igreja da Total Vitória Agora, e retornou clamando ter sido liberto  dos “demônios da luxúria” que o faziam pecar. A vida continuou. Até onde sei, o ciclo continua, sem ser combatido, até a última vez que soube a respeito dele.

Entendo que a igreja precisa hoje – desesperadamente – ouvir testemunhos do poder do Evangelho. Entendo que isso não é novidade dizer que estamos quebrados e vamos continuar desse jeito. Sei que existe pouco entusiasmo em dizer no que consiste a santificação, que é, em larga medida, em ver nosso pecado e reconhecer o que é e como está profunda e extensivamente arraigado em nós. Duvido que os triunfalistas concordam comigo que a luta da fé não é uma festa de vitória, mas uma guerra sangrenta num campo de batalha que se parece mais com Omaha Beach do que com uma festa na praia.

Escrevi esse ensaio particularmente aos líderes, pais, pastores e professores. Estou comovido e angustiado porque muitos de nós somos incapazes de admitir nossa humanidade, e nossa fraqueza. Em silêncio, carregamos o segredo e ficamos em posições de liderança e apresentamos um Evangelho que é verdade, mas uma experiência cristã que está longe de ser verdadeira.

Então, de tempos em tempos, eles caem. Em adultério, como o pastor de uma das nossas maiores igrejas do Estado. Um homem maravilhoso, que manteve um ministério por anos sem admitir um problema que milhões de nós conhecíamos: casamento imperfeito.  Onde ele está agora, eu pergunto? E onde estão muitos outros que conhecemos e ouvimos falar que estão na mesma situação? Suas vidas estão perdidas para o Reino porque eles são exatamente como o resto de nós?

De qualquer forma, não estou rejeitando os padrões bíblicos de liderança; Estou sugerindo que precisamos de uma visão bíblica da humanidade quando lemos essas passagens. Caso contrário, vamos transformar regras como “governe bem sua casa” em uma desqualificação para qualquer ser humano no planeta.

Ouço sobre muitos que estão deprimidos. Onde vão procurar ajuda? Como vão admitir seu problema?  Parece ser “não cristão” admitir depressão, mesmo que isso seja a realidade de milhões e milhões de seres humanos. Vício em pornografia. Vício em comida. Necessidade obsessiva de ter o controle. Mentira crônica e desonestidade. Quantos pastores e líderes cristãos vivem com  essas fragilidades humanas e nunca procuram ajuda porque não podem admitir o que todos sabemos que é verdade sobre cada um de nós? Eles falam sobre salvação, amor e Jesus, mas por dentro estão se sentindo condenados.

Multiplique isso pelas centenas de milhões de cristãos fracassados. São apenas humanos, mas suas igrejas dizem que precisam ser mais do que humanos para serem bons cristãos. Não podem falar nem reconhecer que vivem vidas problemáticas. Seus casamentos estão destruídos. Suas crianças estão feridas. Estão cheios de medo e de pecados da carne. Estão deprimidos e viciados, mas só podem se aproximar da igreja com a mentira de que tudo está bem, e quanto começa a transparecer que não estão bem, eles deixam a igreja.

Não culpo a igreja por essa situação. É da natureza humana evitar o espelho e preferir um auto-retrato. Culpo cada um de nós que conhece isso melhor. Nós sabemos que essa não é a mensagem do Evangelho, da bíblia ou de Jesus. Mas nós – cada um de nós – tem medo de viver de outra maneira. O que os outros vão pensar se souberem que não somos bons cristãos?  Ah… o que… o que….

Encerro com algo que tenho dito sempre. O filho pródigo, de joelhos, tocado pelo pai, não era um “bom” ou “vitorioso” cristão. Ele estava ferrado. Um fracasso. Ele não era bom em ser honesto. Ele procurava religião mais do que a graça. Seu pai o batizou com misericórdia, e ressuscitou-o em graça. Sua fraqueza foi embrulhada no manto e no abraço de Deus.

Por que queremos ser melhores do que aquele garoto? Por que queremos fazer do irmão mais velho o ideal da experiência cristã? Por que queremos acrescentar coisas à parábola, onde o filho pródigo fica forte e se torna um jovem pregador de sucesso, escrevendo livros e conduzindo reavivamentos?

O escritor luterano Herman Sasse, numa meditação sobre as últimas palavras de Lutero, “Somos mendigos”. Isso é verdade”, colocou isso de forma perfeita:

Luther asserted the very opposite: “Christ dwells only with sinners.” For the sinner and for the sinner alone is His table set. There we receive His true body and His true blood “for the forgiveness of sins” and this holds true even if forgiveness has already been received in Absolution. That here Scripture is completely on the side of Luther needs no further demonstration. Every page of the New Testament is indeed testimony of the Christ whose proper office it is “to save sinners”, “to seek and to save the lost”. And the entire saving work of Jesus, from the days when He was in Galilee and, to the amazement and alarm of the Pharisees, ate with tax collectors and sinners; to the moment when he, in contradiction with the principles of every rational morality, promised paradise to the thief on the cross, yes, His entire life on earth, from the cradle to the Cross, is one, unique grand demonstration of a wonder beyond all reason: The miracle of divine forgiveness, of the justification of the sinner. “Christ dwells only in sinners.”

Michael Spencer, autor do texto que acabo de postar, faleceu em 05/04/2010, vítima de câncer.

When I Am Weak: Why we must embrace our brokenness and never be good Christians – Michael Spencer – Internet Monk

Anúncios

One Response to Quando sou fraco…

  1. claytom disse:

    DEUS TE ABENÇOE POR ESTA MENSAGEN. AMIGO ESTAREI ORANDO POR TEU MINISTÉRIO QUE O SENHOR LHE AJUDE,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: