Lições do Jesus histórico e o cristianismo

por Flávio Siqueira

Hoje eu estava lendo uma matéria* sobre pesquisas que buscam confirmar os rastros históricos da vida de Jesus.

Como os Evangelhos não tinham essa preocupação, cientistas, arqueólogos e historiadores tentam montar um enorme quebra cabeça baseado em poucas informações, descobertas ou evidencias para tentar entender um pouco mais a vida do judeu que dividiu a história ao meio.

Pesquisas desse tipo sempre alimentam acalorados debates entre os que querem provar que Jesus foi um mito inventado para dominar massas e os que acreditam que, descobertar seu lado humano, pode esvaziar sua mensagem.

Quase tudo o que sabemos a seu respeito, está relacionado a seus 3 anos de ministério. A pergunta é : o que aconteceu antes ?

Talvez tudo o que ele teria a ensinar o fez nesse tempo, de tal forma que, o que vem antes, não importa a não ser para satisfazer nossas curiosidades.

O engraçado é que essa busca pelo Jesus histórico, revela um homem simples, marceneiro, desprovido de ambições políticas.

É quase consenso que era pobre e não fazia menções sobre a criação de uma insituição religiosa.

Jesus não fundou o Cristianismo.

Sua mensagem era cheia de parabolas e comparações com eventos do dia a dia e, a medida que atraia o povo, irritava as autoridades políticas e religiosas.

Na vida do Jesus histórico a religião já existia e travava com ele grandes embates.

Depois do Jesus histórico, a religião continuou, mas agora dizendo que era dele.

Se a mensagem desconstruia determinadas regras que instituiam caminhos penosos para conectar o homem a sua espiritualidade, fazendo com que se sentissem responsáveis e merecedores de toda a dádiva, hoje, criamos leis e penitencias (seja ela de qual natureza for) e as vinculamos a ele.

Usamos seu nome para absolutamente toda a sorte de interesses.

Com todo o respeito e sinceridade, não consigo associar a mensagem de Jesus sequer ao cristianismo, quanto mais a alguma religião.

É por isso que religiões de todos os estílos, dificilmente se auto denominam como tal.

Revelação, ciência, racionalidade, verdade e outras palavras são usadas para descrever o mesmo : regras criadas por nós onde, geralmente, só os que estão vinculados a determinadas organizações (ou tribos), que frequentam o mesmo lugar seguindo o mesmo discurso, que se parecem na fala ou no vestir e que se reconhecem por cacoetes, onde a aparencia – seja de sabedoria, espiritualidade, desenvolvimento ou bom coração- tem que ser excercida ,lembrando que todos os que estão longe precisam ser alcançados para serem iguais a nós. Só assim, dará certo.

É dificil aceitarmos caminhar sem regras, somente com a consciência.

Precisamos de símbolos e regras que nos faça sentir melhor.

Talvez, olhar para o Jesus histórico seja uma chance de nos despoluirmos de informações associadas a ele, alimentadas por diversos interesses a quase dois mil anos.

Entender sua mensagem tirando dela o contexto religioso só pode fazer bem.

Desambientalizando os ensinamentos, contextualizando-os – assim como ele fazia- no dia a dia facilitaria em muito a comprensão.

Estranho notar que o que hoje consideramos ser os “ateus”, “desviados” ou “hereges”, geralmente são ( sem mesmo saber disso) os que com sinceridade não conseguem assimilar discursos moralistas e desprovidos de misericórdia ou bom senso como sendo verdade.

Por mais dificil que seja, preferem desconectar-se por completo de qualquer uma dessas convicções ao invés de fazer concessões descabidas.

Por não saberem como lidar com isso, já que esse tipo de postura pode gerar sentimento de culpa, preferem radicalizar e aí se instiucionalizam de novo, mas dessa vez como ateus.**

Para eles, olhar para o Jesus histórico ajudaria, porque tudo indica que ele também era assim.

Ele sabe que todos os que andam na contra mão do que se convenciona “a verdade da maioria”, de um jeito ou de outro, termina crucificado.

Lições do Jesus histórico e o cristianismo – Flávio Siqueira

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