Mentiras sobre o evolucionismo contadas por crentes

No livro “Não tenho fé suficiente para ser ateu” de Norman Geisler & Frank Turek, encontram-se algumas falácias mentirosas típicas usadas por crentes para justificar a não aceitação da teoria da evolução. Vamos a elas:

“De fato, Adolf Hitler usou a teoria de Darwin como justificativa filosófica para o Holocausto.”

Hitler se julgava imbuído de uma missão divina, e falava em Deus o tempo todo na mesma obra, o Mein Kampf. Só que Darwin já estava morto fazia muito tempo. Se o fato de Hitler ter usado a TE para justificar o Holocausto e suas idéias racistas, é argumento para rejeitar a TE e culpar Darwin por isso, então da mesma forma Deus deve ser rejeitado e culpado pelo Holocausto, certo? Agora todos vão espernear e dizer que não, que Deus não é culpado. Se Deus não é culpado por Hitler ter pensado que possuía aval divino para fazer o que fez, Darwin tão pouco o é, e ele mesmo era opositor ferrenho da escravidão dos negros gerada pelo racismo.

Vamos à próxima mentira. Os autores do livro, usam uma citação de um livro de 1911, que fala sobre raças, para insinuar que o “darwinismo”, justifica o racismo:

“As raças do homem. Atualmente existem sobre a Terra cinco raças ou variedades de homem, cada uma bem diferente da outra em instintos, costumes sociais e, até certo ponto, em estrutura. Existe o tipo etíope ou negro, originário da África; a raça malaia ou marrom, das ilhas do Pacífico; o índio americano; os mongóis ou raça amarela, incluindo os nativos da China, Japão e esquimós. Finalmente, o tipo mais elevado de todos, os caucasianos, representados pelos habitantes brancos e civilizados da Europa e Estados Unidos” (George William HUNTER. Essentials of Biology: Presented in Problems. New York, Cincinnati, Chicago: American Book, 1911, p. 320).

1911, meus caros… Os autores do livro de “apologética”, simplesmente ignoram que desde 1911 para cá, a biologia não parou no tempo. A opinião científica a respeito disso HOJE, SÉCULO XXI, é de que TODOS os seres humanos pertencem a uma mesma raça. Se os autores sabem disso, mas omitiram do texto, eles foram desonestos. Se não sabem, então deviam estudar mais. O que se pensa hoje sobre o assunto, é que o conceito de “raças” superiores ou inferiores, não tem embasamento científico algum, mas apenas se trata de justificativa sociológica para dominação de uns sobre outros. E mesmo na época, o Darwinismo Social, que nada tem a ver com a teoria científica da evolução, não era consenso, e HOJE, SÉCULO XXI, está refutado. Nenhum cientista evolucionista hoje, defende essa idéia estúpida de raças.

Sobre o assunto, recomendo o livro do geneticista Sergio Danilo Pena, Humanidade sem raças?, publicado pela Pubifolha. Sergio Danilo Pena, só para constar, é geneticista, evolucionista, e fala exatamente contra o racismo. E este sim, com base científica ATUAL.

E quanto ao racismo, todos nós sabemos que tanto católicos quanto protestantes eram favoráveis à escravidão, e que a KKK, movimento racista dos Estados Unidos, é de origem protestante. Assim como não podemos culpar Deus por coisas que brancos racistas fazem em seu nome, podemos culpar a TE por coisas que outros brancos racistas dizem, em nome dela? E sendo que este conceito de raças humanas diferentes, foi derrubado pela própria CIÊNCIA?

Sobre a KKK, siga o link abaixo:

KU KLUX KLAN – Racismo e religião dentro de um único círculo

Sobre o conceito de raças como teoria de dominação social, o texto abaixo:

Sobre raças humanas – Jairo de Carvalho

Desde a Antigüidade, a mentalidade ocidental convive com a idéia de que os seres humanos estão divididos em raças, mas foi no decorrer do século XIX, quando os países europeus necessitavam justificar seus projetos de expansão imperialista, que uma grande parte dos seus recursos intelectuais estiveram mais empenhados em definir e hierarquizar as raças que compõem nossa espécie.

Para classificar a variedade de fenótipos humanos, muitos cientistas trabalharam exaustivamente e sua influência deu credibilidade à afirmação de que os brancos de origem européia ocupariam os estágios mais elevados do desenvolvimento, em detrimento dos não-brancos, invariavelmente identificados com o atraso.

Muitas pessoas ganharam celebridade ao expor o resultado de suas pesquisas que, de alguma forma, reforçavam um suposto determinismo biológico aplicado às sociedades humanas, um darwinismo social. Para auferir crédito às asserções, executavam tendenciosamente análises da anatomia de grupos humanos, utilizando, inclusive, instrumentos da antropologia criminal da época, como a craniometria por exemplo, para classificar os povos e estabelecer correlações entre aparências físicas e aptidões.

A ciência do século XIX dava ao racismo o fundamento que lhe permitia justificar a escravização criminosa de milhões de africanos e o autorizava a contradizer de modo convincente o 1º artigo da “Declaração Universal dos Direitos do Homem” de que os seres humanos nascem livres e iguais.

Entre os resultados práticos da noção de que a humanidade se divide em raças, e que algumas são superiores e outras inferiores, está o extermínio de 6 milhões de judeus pelos nazistas nas décadas de 1930 e 1940.

Entretanto, com o progresso da genética e da biologia molecular, os biólogos e antropólogos observaram que nenhum gene humano é específico de uma raça e que todas as populações têm mais ou menos os mesmos genes. As suas conclusões são de que nem a genética e nem bioquímica fornece qualquer subsídio para justificar a existência do conceito “raças humanas”. Pelo contrário, afirmou-se em seu lugar, que a espécie humana é essencialmente uma só, o que municiou a ciência para atestar com absoluta segurança que as bases conceituais das afirmações anteriores não têm qualquer valor.

Assim, logo depois da Segunda Guerra Mundial, portanto após a derrota de Hitler e de suas idéias, foram realizados encontros, com o apoio institucional da Unesco, em que participaram cientistas sociais e geneticistas, os quais, diante das evidências, decidiram elaborar a “Declaração Sobre Raça” em que aparecia a afirmação de que “raça é menos um fato biológico do que um mito social”.

Desde então, alguém que defenda tal coisa corre o risco de ser visto como quem procura chifre em cabeça de cavalo, porque a evolução da pesquisa científica alcançou um outro paradigma: há uma única raça humana. Como conseqüência desse progresso, a discriminação dos não-brancos deixou de ter respaldo científico e passou a ser vista como um produto da ignorância.

A opinião acima é a opinião científica sobre o racismo hoje. Não mencionada no livro dos “apologistas”. Desonestidade ou falta de conhecimento? Deixo a cada um que tire suas conclusões.

Com relação à afirmação de Peter Singer, citada pelos autores do livro, e de outras afirmações de “darwinistas”, se tratam de opiniões pessoais dos mesmos. Se essas opiniões pessoais devem ser usadas para renegar a TE, então devemos também usar as opiniões pessoais dos pregadores da prosperidade e de todos os que mentem em nome da fé, para renegar o Cristianismo? Não, certo? Ou vamos usar dois pesos e duas medidas aqui, e aplicar para a ciência e opiniões pessoais de cientistas, um critério de julgamento diferente do que usamos para julgar a religião e as opiniões pessoais dos religiosos?

Não creio que o cristianismo precise desse tipo de “apologia”, que distorce fatos para tentar insinuar que a teoria evolucionista avaliza opiniões que ela não avaliza na realidade. Se o fato de pessoas fazerem mau uso dela, deve ser usado para rejeitar a teoria da evolução, então o fato de pessoas também fazerem mau uso da bíblia (como podemos ver ao longo de toda a história humana até hoje), também deve ser usado para que a bíblia seja rejeitada, certo? Aí vocês vão me dizer que não, que não é a mesma coisa. É exatamente a MESMA COISA.

Usar tanto a bíblia e a religião, e o próprio nome de Jesus, quanto a ciência para o bem, ou para o mal, é escolha pessoal. Não torna nem uma coisa nem outra culpadas por isso. Se a TE é culpada pelas opiniões pessoais erradas que pode gerar, a Bíblia é igualmente culpada, e Jesus é igualmente culpado, por tudo de errado que foi feito em seu nome, até hoje.  Se você não culpa a bíblia nem Jesus pelas idiotices que foram feitas e são feitas até hoje em nome de ambos, porque faz isso com a ciência? Seja imparcial.

A TE é uma teoria científica solidamente estabelecida, baseada em evidências científicas aceitas por toda a comunidade científica. Se ela contraria a leitura de Gênesis literal,vocês é que devem abandonar a leitura literal, porque é a sua leitura que tem que mudar, e não a TE. E até hoje, NINGUÉM foi capaz de refutá-la com evidências. Se alguém tivesse feito isso, a própria ciência já teria rejeitado a TE, porque a ciência, ao contrário da religião, corrige-se prontamente quando erra. Usar esse tipo de argumento, acusando Darwin de ter inspirado o racismo de Hitler, e etc, depõem mais contra quem usa esse tipo de argumento, do que contra a TE. Na TE mesmo como teoria científica, esses argumentos não fazem nem cócegas.

A TE não postula sobre existência ou não de Deus,não nega nem afirma nada a respeito disso, ela é teoria científica, e não religiosa ou anti-religiosa. Tirar ou colocar Deus na equação, é escolha de cada um, pessoal. A TE não é propriedade dos cientistas ateus, nem a ciência como um todo é ateísta. Ciência não fala de religião, pessoas com opiniões pessoais, é que falam. Convicções pessoais não são ciência.  TE é ciência pura em seu mais alto grau. Gostem disso os fundamentalistas religiosos ou não, enquanto não a derrubarem com EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS, estão apenas usando de falácias que não exercem efeito algum, a não ser para leigos que não dominam o assunto.

Outro erro dos autores do livro, é insinuar que todos os “darwinistas” são naturalistas e obrigatoriamente ateus, o que não é verdade. Existem evolucionistas em todas as religiões. Inclusive no cristianismo, como Francis Collins, por exemplo, e muitos outros, cujos nomes você pode encontrar aqui mesmo, no blog. Não houve nenhum cuidado por parte dos, em definir exatamente que estão se referindo a evolucionistas materialistas e naturalistas ateus. Nem todo evolucionista é ateu. Premissa errada. Aparentemente, a ideia foi construir uma argumentação deturpada sobre o que seja o “darwinismo”, como algo que diz respeito somente a materialistas ateus e imorais (como se moralidade dependesse de religião), ignorando o que não interessava na argumentação, ou seja, sendo parciais. Desonestidade?

E se você deseja continuar defendendo a leitura do Gênesis literal, arrume outros argumentos que não incluam dizer que a TE é mentira, porque se você afirma que ela é mentira, precisa também provar, para toda a comunidade científica internacional, e com evidências, que você está com a razão. Consegue?

E sobre a moralidade, vejam o que os ateus dizem:

Evolução é a base de uma sociedade imoral?

Alegação:

Se o evolucionismo parte do pressuposto que Deus (se e que Ele existe para eles) esta ausente dos processos que ocorrem na natureza, segue-se que os seus defensores não precisam se preocupar em dar satisfação a ninguém da sua conduta moral, pois eles e que são donos de si mesmos e não Deus! Dai surgirem as filosofias da irresponsabilidade, depravação moral e outras tragédias que se abatem pelo mundo. Dai surgirem os comportamentos animalescos que testemunhamos em nossos dias. Assassinos em série, pais matando filhos, filhos matando pais, canibais, homossexualismo, etc… E o pecado da criatura rejeitando o Criador.

Fonte: Sola Scriptura

Resposta:

A Teoria da Evolução não é moral, nem imoral, ela é amoral. Ela é descritiva. Ela descreve fatos da realidade, da natureza.

O que as pessoas fazem com esses dados é o que pode ser considerado moral ou imoral, mas a culpa não é da Teoria da Evolução, assim como a Teoria da Relatividade não é culpada pela bomba atômica.

Algumas idéias imorais, como a eugenia e o darwinismo social, são fruto de distorções e idéias incompreendidas do que é realmente a Teoria da Evolução.

Até porque a evolução e a seleção natural privilegiam comportamentos sociais benéficos, cooperação e até altruísmo como sendo mais aptos para a sobrevivência da espécie.

Referencias:

Estado de Sao Paulo

O Gene do Altruismo

Evolução leva ao Darwinismo social?

Alegação:

Darwinismo leva ao darwinismo social, a política de que os fracos deveriam morrer.

Resposta:

A origem do termo “darwinismo social” não foi de Darwin, mas sim de Herbert Spencer, indo até Hobbes via Malthus. Spencer era lamarcksista. A única conexão entre darvinismo e darwinismo social é o nome.

A Teoria da Evolução na verdade nos mostra que a sobrevivência em longo prazo de uma espécie está fortemente ligada à sua variabilidade genética. Todos os programas de Darwinismo Social apenas diminuiriam a variabilidade genética e portando diminuem as chances de sobrevivência em longo prazo, em caso de epidemias ou mudanças ambientais.

Uma boa compreensão da Teoria da Evolução mostra que darwinismo social é na verdade um risco para a humanidade, e não tem nada a ver com as idéias de Darwin.

Referencias:

http://www.talkorigins.org/faqs/evolphil/social.html

Bannister, R. C., 1979. Social Darwinism: Science and Myth in Anglo-American Social Thought. Philadelphia: Temple University Press.

Bowler, P. J., 1993. Biology and Social Thought, 1850-1914. Berkeley papers in history of science; 15. Berkeley, Calif., Office for History of Science and Technology University of California at Berkeley: 95.

Hofstadter, R., 1944. Social Darwinism in American Thought. Philadelphia: University of Pennsylvania Press.

Kevles, D., 1995. In the Name of Eugenics: Genetics and the Uses of Human Heredity. New York: Knopf.

Ruse, Michael, 2001. Social Darwinism. Chapter 10 in: Can a Darwinian Be a Christian?, Cambridge University Press.

Fonte: Ética e moralidade

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2 Responses to Mentiras sobre o evolucionismo contadas por crentes

  1. Servo disse:

    Você deveria a aceitar a Cristo enquanto há tempo… e falo isso ñ por descaso a seu artigo, mas por amor a você.

    Palavras de alguém que um dia descreu mais que os próprios ateus.

    Creia Nisso!

    • Andrea disse:

      Não, sr Servo, o sr fala isso, porque é apenas mais um crente, que não considera como irmãos, aqueles cristãos que não veem problema nenhum em serem cristãos, e aceitarem a ciência como ela é, incluindo a evolução biológica, sem apelar para mentiras, distorções e desonestidade intelectual. Simples assim.

      Até!

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