Porque eu não tenho religião

O Roger, do blog Teologia Livre, escreveu um texto, uma reformulação da parábola do bom samaritano, e os comentários das pessoas ao texto me fizeram refletir. Um dos motivos pelos quais eu não tenho religião nem me declaro partidária de qualquer vertente teológica, é exatamente pelo que vi nos comentários ao texto dele. Ter uma religião e seguir determinada vertente teológica que diz “saber tudo” sobre Deus, e se comportar como um paladino, desembainhando rapidamente a espada para atacar qualquer um que não acredite no mesmo que você, gera isso: discussão inútil, brigas, ódio. E nada disso pode-se dizer que foi inspirado por Deus. Como pode um Deus de amor inspirar ódio e causar brigas e discussões inúteis?

Ao terminar essa reflexão e lendo o jornal, vi uma notícia que veio reforçar ainda mais o assunto. Três igrejas na Malásia foram atacadas por extremistas islâmicos, porque os islâmicos não aceitam que os extremistas católicos usem a palavra “Alá” ao se referir a Deus. Não é curioso observar que são sempre os extremistas que causam esse tipo de situação? Toda notícia que envolve brigas, ódio e mortes entre pessoas de religiões diferentes ou até mesmo de uma mesma religião, é porque as pessoas são tão extremistas que acham que devem ser capazes de matar quem discorda delas, em defesa do que acreditam ser a verdade. E não chamem apenas os islâmicos de extremistas, porque existem extremistas dos dois lados. Um islâmico que foi entrevistado declarou:

“Nós podemos lutar até a morte por causa dessa questão”.

Sim, lutem até a morte. E a questão não será resolvida. Pois seus sucessores também vão lutar até a morte. Vocês vão lutar até a morte por milênios seguidos. Mas e Deus? Onde que entra Deus nisso? Não seria melhor olhar para Deus e descobrir que ele é AMOR e que não faz sentido que aqueles que se dizem “servos de Deus”, matem outras pessoas e vivam por milênios brigando por causa de idiotices? E que isso faz menos sentido ainda para cristãos, que deviam seguir Jesus (aquele mesmo que nos ensinou a amar os inimigos, dar a outra face, perdoar quem nos ofende etc)?

Quando o que realmente importa para Deus, como bem disse o Roger, por meio da sua parábola (que como nos tempos de Jesus, não foi entendida por alguns dos leitores), não é saber se você está do lado da vertente teológica “certa” ou se diz acreditar em determinada lista de profissões de fé (é possível qualquer um de nós ter esse tipo de certeza, sendo humanos?), mas sim saber se você vai passar direto pelo homem caído na beira da estrada (e ainda vai arrumar justificativas que lhe parecem plausíveis para agir assim, visando acalmar sua consciência), ou vai simplesmente parar e tentar ajudar.

Ou será que era de um debate teológico que o  homem caído na beira da estrada estava precisando?

Link para o post do Roger: Uma parábola e o fim do debate arminianismo x calvinismo – Teologia Livre

Link para a notícia: Igrejas são atacadas por traduzir “Alá” como “Deus

O seu extremismo não tem valor nenhum para Deus. Nem para mim. A pergunta que você, extremista “defensor de Deus”, tem que fazer a si mesmo, é: “Que papel eu assumo quando encontro uma pessoa caída e ferida na beira da estrada? Sou aquele que não pensa antes de exercer a misericórdia, que é o que importa realmente? Ou aquele que passa reto, sem nem olhar, e ainda é capaz de inventar justificativas para a própria omissão?

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