O fracasso de Copenhague

por Jaime Leitão

Depois de quase duas semanas discutindo como diminuir a emissão dos gases responsáveis pelo efeito-estufa, e consequente deterioração do meio ambiente, representantes de mais de 190 países não chegaram a lugar algum. Houve muitos discursos, discussões sem objetividade e, de concreto, nada ocorreu além de intenções vagas, que ignoraram o aviso mais do que anunciado: O planeta não pode mais esperar.
As duas maiores decepções da Conferência COP 15, em Copenhague, foram o premiê chinês Wen Jiabao, que não compareceu às duas últimas reuniões de cúpula de líderes mundiais, enviando um representante, e Barack Obama. O presidente norte-americano prometeu que os Estados Unidos diminuirão a emissão de gás carbônico em um prazo de cinquenta anos, mas esqueceu o curto prazo, os próximos cinco ou dez anos, que é o que mais interessa. A questão é como chegar a daqui cinquenta anos. Obama afirmou também não aceitar pressão para definir o montante de ajuda financeira aos países pobres, para que eles possam sofrer um pouco menos com a ação criminosa dos maiores poluidores do planeta, a China e os Estados Unidos.
Muito barulho, pressão dos ativistas e dos cientistas, análises assustadoras, nada sensibilizou os governantes que representam as maiores economias, que preferem ver o planeta arruinado a abrir mão dos seus lucros. Foi o tal raciocínio burro, suicida, que prevaleceu sobre o bom senso de se chegar a um acordo que não veio.
A cada dia que passava, a COP 15 parecia mais próxima de um naufrágio esperado, mas que poderia ser evitado se os mais poderosos demonstrassem uma grandeza de caráter que provaram não ter. Obama apareceu no penúltimo dia, quando teria obrigação de comparecer nos dias anteriores com propostas ousadas. Nada de novo acrescentou à Conferência, além de expor um sorriso sem graça, demonstrando que estava lá mais para posar para fotos do que por algum motivo mais grandioso.
O meio ambiente não pode esperar nada de dirigentes políticos que se apresentam para um encontro dessa grandeza com a disposição de não negociar nada. Já comparecem decididos a manter tudo como está, independente dos riscos que isso implica.
Lula e o presidente francês Nicolás Sarkozy foram os únicos que mostraram disposição para conseguir que fosse assinado um relatório de fato, envolvendo todas as nações presentes ao encontro, principalmente as mais poluidoras, com datas e números bem definidos para levar avante o processo de diminuição do efeito-estufa.
Doze anos depois da conferência de Kyoto, no Japão, em que os Estados Unidos e outros países não assinaram o famoso protocolo de redução de emissão de gases poluentes na atmosfera, vemos a temperatura do planeta aumentar ainda mais, sem que nada seja feito de efetivo para evitar uma catástrofe de proporções devastadoras.

(O autor é cronista, poeta, autor teatral e professor de redação. jaimeleitao@linkway.com.br)

O fracasso de Copenhague – Jaime Leitão

Enquanto isso, crentes, evangélicos e afins, continuam discutindo se Adão tinha umbigo, como que os animais couberam na arca de Noé e se fumar e beber é pecado, ou se ouvir música do “mundo” é pecado.

Acordem, bando de alienados, bando de inúteis.

Faça a sua parte, porque nossos líderes políticos já demonstraram que querem mais é que o planeta se dane, desde que eles continuem enchendo a conta bancária de dinheiro.

Hey, cemitério não tem cofre, caixão não tem gaveta, não esqueçam disso não, tá?

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One Response to O fracasso de Copenhague

  1. Quero dizer que esse leitão é um leitao mesmo. Ele deve procurar um neuro….

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