Jesus: sim; igreja: não? talvez…

por Michael Spencer

Assim, um slogan que era popular alguns anos atrás: “Jesus sim, Igreja não”, é totalmente incompatível com a intenção de Cristo. Este Jesus escolhido invidiualisticamente é um Jesus imaginário. Nós não podemos ter Jesus sem a realidade que criou e na qual comunicou a si mesmo. Entre o Filho de Deus feito carne e sua igreja, há uma profunda, inquebrável e misteriosa continuidade, pela qual Cristo está presente hoje em seu povo. Ele é sempre contemporâneo conosco, com a igreja, embasado na fundação dos apóstolos e vivo em sua sucessão. E a sua presença na comunidade, no meio da qual ele mesmo está sempre conosco, é a razão da nossa alegria.

Concorda?

Alguém se lembra de um líder religioso falando sobre a “heresia” da salvação individual? Você pode ficar surpreso se souber quão difícil é continuar afirmando que Jesus salva pecadores individualmente, não dispensa a salvação a um grupo através de uma igreja.

Você concorda que quando um indivíduo “escolhe” Jesus e não a igreja, este é um Jesus “imaginário”? Concorda que a forma de Cristo estar presente no mundo é a igreja? […]

[…]Se você é um promotor da igreja, deveria fazer como Bento XVI na citação (desculpem-me aqueles de vocês que sentirem inveja) e dizer que isto está simplesmente errado.

Mas você não me paga para fazer eco para o papa, então eu digo “Talvez.”

Isto depende da pergunta que precede a resposta.

“Jesus, Sim; Igreja, Não” é uma resposta perfeita para uma série de coisas, e uma péssima resposta para várias outras.

Quem salva você? Jesus, sim. A igreja, não. A igreja deve proclamar Cristo, mas nunca ser confundida com Cristo.

Como o Espírito Santo vem até nós? “Jesus? Sim. Igreja? Não”.”

Qual é a mensagem do Evangelho? “Jesus? Sim. Igreja? Não.” O Evangelho é centrado em Jesus, e a igreja deve ser também.

Sobre o que é a Bíblia? “Jesus? Sim. Igreja? Não.” A igreja está aqui, mas ela não é a mensagem central da Bíblia.

A quem eu devo completa submissão, lealdade e fidelidade? “Jesus? Sim. Igreja? Não.”

O que eu estou proclamando no evangelismo? “Jesus? Sim. Igreja? Não.” A igreja tem seu papel no evangelismo, mas não é o pão da vida dado ao mundo.

O que é na verdade tudo na igreja? “Jesus? Sim. Igreja? Não.” A igreja prepara e alimenta os discípulos em sua caminhada com Jesus. A igreja deve promover Jesus para aqueles que precisam conhecê-lo e segui-lo. Não se deve confundir atividades na igreja com discipulado.

Qual é a nossa total esperança na vida e na morte? “Jesus? Sim. Igreja? Não.” Jesus é a esperança de todos os cristãos e a central esperança da igreja.

Quem nós estamos seguindo? Quem estamos servindo ao servir os pobres ou os oprimidos? Quem nós estamos imitando em sofrimento, generosidade ou compaixão? “Jesus? Sim. Igreja? Não.” Nós podemos imitar aqueles na igreja que seguem e imitam Jesus, mas são os passos de Jesus que seguimos.

Há mais questões; questões sobre a igreja e  questões sobre o significa dizer “Sim” ou “Não”.

Este não é um assunto simples, mas é um assunto sobre o qual devemos insistir e ser teimosos. Em um ambiente onde o cristianismo é mais e mais definido por líderes que fazem de si mesmos e de suas instituições, poderosos e essenciais, o seguidor de Jesus precisa ver a importância do “Jesus – Sim, Igreja, Não” da forma certa e para as perguntas certas.

Há um “Jesus, Sim; Igreja, Sim também!” que pode e deve ser falado nas formas e momentos certos, mas acredito que “Sim” começa quando sabemos distingui-lo do tipo errado de “sim”, ou do dizer “sim” a tudo que os líderes nos dizem.[…]

Jesus – Yes; Church – No? Maybe. – Michael Spencer

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5 Responses to Jesus: sim; igreja: não? talvez…

    • Andrea disse:

      Olá Rafael,
      Acompanhei a notícia do lançamento desse novo livro de Saramago, assim como o que ele disse a respeito da bíblia. Inclusive ia postar sobre isso. Eu particularmente gosto mto dos livros de José Saramago, o último que li foi Ensaio sobre a cegueira. Agora, com relação às palavras dele sobre a bíblia e a violência contida no antigo testamento:

      “Todo este alvoroço não se levantou por causa do livro”, explicou, “mas por causa de palavras que eu disse em Penafiel. Mas a verdade é que na Bíblia há incestos, violência de todo o tipo, carnificinas, etc. É uma verdade inquestionável”.

      O que posso dizer é que ele tem razão, todas essas coisas existem sim no antigo testamento. Porém, eu particularmente considero a bíblia uma coleção de livros humanos, que foram escritos por seres humanos falhos e cheios de preconceitos, além de culturalmente atrasados. Acredito que tais episódios de violência, carnificina e incesto não foram ordenados por Deus nem executadas por Ele (muitos desses episódios nem ao menos aconteceram de verdade, e os que aconteceram realmente, foram propositalmente exagerados), mas apenas atribuídas a Ele, por homens extremamente violentos. Sobre isso, escrevi algumas postagens aqui no blog, em uma delas eu escrevi o seguinte:

      “E para ser bem sincera, quando Deus se parece tanto conosco, que se confunde conosco e fica humano demais, principalmente com relação ao que o ser humano tem de pior (coisa muito comum em vários textos da Bíblia), é porque nós é que não estamos sabendo explicar direito quem Ele é…”

      https://nihilsubsolenovum.wordpress.com/2008/08/14/e-deus-como-fica/

      https://nihilsubsolenovum.wordpress.com/2009/04/14/o-deus-biblico-e-violento/

      Esse Deus violento é incoerente com os ensinamentos de Cristo sobre perdão, amor ao próximo e dar a outra face, e nesse caso, eu atribuo isso aos homens, aos redatores dos livros do antigo testamento, que atribuíram a própria violência e selvageria a Deus, não só para buscar legitimá-la, mas também para tentar impor a própria autoridade e poder.

      É isso mais ou menos o que penso. Espero ter ajudado.

  1. Adriano Ricardo disse:

    Em primeiro lugar, Saramago foi um grande escritor e pronto; porém péssimo cristão e posso dizer que um ATEU sem convicções plena do que era. BRILHANTE SARAMAGO, MAS QUE DEUS TENHA PIEDADE DE SUAS ESCRITAS ANTI-CRISTÃ E CÉTICAS.

    BOM, prefiro comentar o artigo do Sr.Spencer. Bem redigido tentando ser claro, mas de uma apologética daninha e de uma hermenêutica herética de muito mal gosto. Nota-se o protestantismo nas veias que irrigam seu coração herético e ilicitamento anti-católico.

    Mentira protestante com aparência de verdade.
    Esta frase repetida aos quatro ventos pelos “filhos de Lutero”, pode levar o ouvinte desatento a pensar que seja uma verdade.

    Ledo engano. Não passa de falácia ou sofisma ( = mentira com aparência de verdade).

    – Essa expressão equivale a dizer: «Bisturi não opera ninguém, quem opera é o médico».

    – Ora… assim como o médico opera através do bisturi, também Jesus salva através da Igreja. – Ou será que Jesus iria fundar uma Igreja que não vale nada ? – Se Jesus fundou UMA IGREJA e prometeu estar nela até o fim do mundo(Mt 28,20), é evidente que ela é NECESSÁRIA para a salvação. Por isso os Padres da Igreja nunca tiveram dúvidas: FORA DA IGREJA, NINGUÉM SE SALVA !!!

    “Cristo é a Cabeça do corpo da Igreja”(Cl 1,18). Portanto Ele salva com a Igreja. Ele age através dela, para efetivar a sua obra salvífica.
    Na Parábola do Bom Samaritano (que é o próprio Jesus), Ele salva o homem caído(todos nós), e o leva à Hospedaria(Igreja). Entrega ao hospedeiro (Pedro = o Papa) duas moedas (Antiga e a Nova Aliança). E vai embora (volta ao Céu). Mas voltará no fim dos tempos.

    Feridos como ficamos, fora da Hospedaria(Igreja) não sobreviveremos até sua volta! Portanto, fora da hospedaria você morre. – SÓ NA IGREJA TEMOS A CURA(Confissão) e o ALIMENTO(Eucaristia).

    Quanto às milhares de seitas protestantes (que eles chamam de ‘igrejas”), elas nada tem a ver com Jesus. São frutos de mentes INCHADAS DE SOBERBA, que provocaram divisão e confusão no povo de Deus… e portanto SÃO OBRAS DO DIVISOR. “…quem comigo não junta separa…” (diabo = o que divide).
    FUJAM DAS SEITAS !!!

    • Andrea disse:

      É por causa desse tipo de discussão, que não faço parte de denominação religiosa alguma. Como é bom não fazer parte disso, e não ter essa necessidade de desembainhar espadas pra atacar os “hereges” e defender o que a minha denominação diz que é a sã doutrina…

    • Andrea disse:

      Eu nem ia falar nada, mas sr Adriano Ricardo, que interpretação absurda essa sua da parábola do bom samaritano, hein? Tirou a história totalmente do seu contexto, criou uma interpretação sem nenhuma conexão com o contexto real na qual ela foi contada por Jesus, só pra servir o interesse de defender sua instituição, e ainda diz que são os outros que estão sofismando? Não dá, né?

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