A igreja precisa ser mundana

por Toni Ayres

Uma das coisas que mais causam preocupação aos cristãos maduros, nos dias de hoje, é a subcultura religiosa na qual a Igreja tem se transformado, confundindo a salvação com uma espécie de separação, que mais lembra um “apartheid”.

Não é que as pessoas façam isso por maldade ou por bondade. É que foram, explícita ou tacitamente, ensinadas a adotarem essa forma de viver para alcançarem a “santidade”.

Ou seja: para serem santas, começam a fazer uma espécie de segregação, dividindo de uma forma quase esquizofrênica, o que é “do mundo” e o que é “da igreja”. Dessa forma os novos convertidos são logo cooptados em seus dons: se são cantores, renunciam a suas carreiras para se tornarem “cantores gospel”. Se são pintores, sua arte vai ser aproveitada para a pintura de púlpitos e para a decoração de igrejas.

A questão atingiu tal magnitude, que hoje temos: serviços de buffet gospel, programas de televisão gospel, lojas gospel, escolas gospel, sites estritamente gospel, e a lista continua “ad nauseaum”.

É triste que seja assim, pois Jesus não veio pregar um evangelho gospel (ainda que, ironicamente, a palavra inglesa gospel, signifique exatamente evangelho). Jesus viveu exatamente como ensina em sua oração sacerdotal, que pode ser lida no capítulo 17 do evangelho de João. Aliás, precisamente vo verso 18 desse capítulo, Ele ensina claramente: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo”.

Em seu ministério terreno, todos os dias, Jesus estava no meio dos pecadores. Atendia a seus pedidos, visitava suas casas, ia a suas festas e entre eles pregava o evangelho do Reino. Não ficava recluso, ensinando três vezes por semana, apenas dentro de um templo ou de uma sinagoga.

Ou seja, fazia, sem tirar nem pôr, o contrário do que a Igreja aprendeu a fazer, nos dias de hoje.

Resultado: começamos a viver numa redoma, estabelecendo um rígido limite entre o que é “santo” e o que é “mundano”, esquecendo-nos de que Deus opera, muitas vezes, “nas asas do furacão”.

A consequência acabou sendo a produção de uma imensa quantidade de cristãos emocionalmente doentes, pois ninguém pode viver impunemente uma vida esquizóide como essa; indo assim, na contra-mão daquilo que é o objetivo da Graça: a salvação de pessoas que não têm de pagar, absolutamente, preço algum por isso.

A saída? Se você é um engenheiro, preocupe-se apenas em ser um bom engenheiro e, com isso, estará dando um bom testemunho cristão. Se você for um servente de pedreiro, igualmente, seja um bom servente de pedreiro, e estará dando um magnifíco testemunho de sua fé.

É tempo de nos despertarmos para essa realidade.A Igreja de Cristo deve ser uma comunidade terapêutica, que cure e não adoeça seus membros. Não somos do mundo, mas vivemos no mundo e, somente dessa forma, cumpriremos o “IDE” de Jesus.

A Graça produz salvação, vida nova, liberdade e alegria.

Mas, para isso, precisamos aprender a abrir mãos de nossos “atos meritórios” e a quebrar, sem nenhum dó, nossas aparentemente pequenas “tabuinhas da lei“.

A igreja precisa ser mundana – Toni Ayres

Meu comentário: A única crítica que eu faço ao autor do texto, é o fato do blog onde postou o texto, se chamar “Psicoterapeuta Cristão”, o que acho um pouco contraditório com o que escreveu. = P

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